2007/01/03

"O Natal profano de todos nós"

Ainda a propósito deste assunto:

Tomemos, por exemplo, o caso que neste momento se discute nos Estados Unidos. Pela primeira vez na história política norte-americana, nas eleições de Novembro foi eleito um deputado muçulmano. Tendo-se criado uma tradição política no Congresso, segundo a qual, depois da tomada de posse oficial, os deputados realizam uma cerimónia privada, para amigos e familiares, em que juram sobre a Bíblia, até agora ninguém tinha colocado a hipótese de usar outro livro sagrado. Quando muito, os poucos não crentes optavam por não fazer o juramento religioso. Por isso, causou escândalo, especialmente nos círculos da direita cristã, o anúncio feito pelo dito deputado de que fará a seu juramento sobre o Corão. Um deputado mais intolerante da direita religiosa chegou ao ponto de defender que ele deve ser proibido de levar o Corão e que, se o fizer, deve perder o mandato. A pergunta que se deve fazer é obviamente a seguinte: se os crentes cristãos têm o direito de jurar sobre o seu livro sagrado, por que é que um deputado muçulmano não goza de igual direito?

(Vital Moreira, Público, 26-12-2006)

4 comentários:

Nelson disse...

Porque os muçulmanos são infiéis! Duh?! Andámos nós a fazer cruzadas e a reconquista cristã para dar cabo deles e mais recentemente os americanos a patrocinar o estado de Israel para quê?

Acho muito bem! É a forca para os muçulmanos todos. O Saddam foi só o começo. É a única forma de sermos livres!

Também defendo a pena de morte para homossexuais, pessoas que fazem abortos, ateus, dissidentes políticos e intelectuais em geral, com especial indicência sobre esses subversivos perigosíssimos de esquerda que até apoiam o Allende e coisas assim. Querem fazer dessa grande nação que é a América uma nova União Soviética, é?

God bless America.

DelphinusDelphis disse...

E viva a liberdade...

Emiéle disse...

Só agora, através do teu link li o post das «Boas Festas» com que naturalmente concordo plenamente. Há certos ‘fundamentalismos’ que acabam por ter o efeito oposto ao que se pretendia tão ridículos são. Em relação e este ponto, olha que não me tinha ocorrido essa coisa tão simples de um crente de outra religião poder precisar de fazer uma jura. Só tinha pensado na malta ateia! E essa parte da jura sobre a Bíblia parecia-me coisa assim a modos que medieval… Contudo, pensando bem, porque não o Corão???
Mas Filipe, diz quem se lembra, que quando a Televisão começou, cá em Portugal, os locutores quando se despediam dos telespectadores (porque, como todos sabemos, aquilo não funcionava 24 horas, acabava pela meia-noite ou uma da manhã) tinham de dizer «Boa Noite e até amanhã se Deus quiser. Um, que quis evitar essa fórmula, foi severamente chamado à ordem!

Filipe Moura disse...

Emiéle, não sou desse tempo mas sou do tempo do início da TVI, que nessa altura era a mesma coisa...
Bom ano para vocês.