O “Público” parece ter descoberto as questões relacionadas com mobilidade. Só é pena que, avaliando pelo suplmento da semana passada, esteja a servir-se dela para promover questões que com ela nada têm a ver, pelo menos diretamente.
Num primeiro artigo, anuncia-nos que “já compramos muitas bicicletas – para andar faltam as ciclovias”. Eu sou um defensor da criação de ciclovias em cidades congestionadas por trânsito automóvel (não necessariamente em lugares turísticos só para efeitos de recreio, como se vê agora). Mas, como utilizador quotidiano de bicicleta (sem ciclovias), não posso aceitar que um jornal “decida” que só com ciclovias é que se pode andar de bicicleta. Essa é uma decisão pessoal, que deve ser estimulada (e a criação de ciclovias onde se justifiquem é um bom estímulo), mas que não deve depender nem ficar à espera da criação das mesmas.
Mas o exemplo mais gritante da utilização das questões da mobilidade para fins políticos que lhe são alheios é esta entrevista onde se defende que “sem regionalização não haverá transportes públicos de qualidade”. Eu compreendo que uma rede integrada de transportes públicos extravasa as autarquias, que têm que atuar em rede de uma forma concertada. Mas o principal problema nos transportes públicos em Portugal é a dispersão de operadores – de empresas.
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2010/07/02
2010/01/07
José Maria Pedroto desapareceu há 25 anos
Entrevista a Mário Wilson:
A BOLA - 17-10-2009
- Em 1963 acaba como jogador. Passa a adjunto de Otto Bumbel, depois de Janos Biri e de Mário Imbelloni e a fechar este ciclo é adjunto de Pedroto.
- Quando o Pedroto sai é que eu assumo o lugar de treinador da Académica. O Pedroto era intratável. Tinha atitudes que roçavam o racismo. Ele queria sempre ser o big boss. «Pedroto era ele, ele e só ele»
- As grandes lutas Norte-Sul começam entre Pedroto e Wilson. E são lutas duras...
- São, são... Mas em Coimbra eu era o Capitão e os jogadores andavam à minha volta, pouco ligavam ao Pedroto. Eu era o espírito académico, o Pedroto era ganhar, ganhar...tinha uma determinação própria, um pouco a destoar daquele ambiente de Coimbra.
- Pedroto deixa a Académica por dar uma punhada num jornalista de Coimbra, não é?
- Exactamente. Ele foi acumulando pequenos ódios. Tinha coisas tal como o Pinto da Costa,de uma determinação inabalável. Uma das máximas do Pedroto era: «Morrer por morrer, que morra o meu pai, que é mais velho». Isto era Pedroto.
- Ia falar da saída de Pedroto...
- O Porto foi jogar a Coimbra e esse tal jornalista, depois do jogo, escreveu: «Este jogo antes de começar já estava perdido.» O Pedroto não esperou, foi ao café onde se reuniam os teóricos, viu o jornalista e perguntou-lhe: «Foi você que escreveu isto?». - «Fui, porquê?» E Pedroto respondeu-lhe com um soco nos queixos. Isto era Pedroto.
A BOLA - 17-10-2009
2009/12/29
A ler, n'"A Bola"
Por estes dias, Barcelona e a Catalunha vivem em suspenso da decisão do Tribunal Constitucional sobre o novo Estatuto da Catalunha - que, à luz da Constituição Espanhola, só pode ser declarado inconstitucional, porque aquilo é praticamente uma declaração de independência, que faria a inveja de A. J. Jardim. Mas as coisas chegaram a tal ponto, que o próprio Zapatero torce para que o TC não veja o que todos vêem e não ouse afrontar os demónios catalães - mal adormecidos desde que, em 1640, Castela teve de optar entre opor-se à reconquista da independência portuguesa ou enfrentar o autonomismo catalão, e escolheu travar e vencer os revoltosos da Catalunha, deixando Portugal para os Braganças. Não por acaso, as reivindicações autónomas em Espanha estão directamente ligadas à riqueza das regiões: são os ricos do País Basco ou da Catalunha que querem ser independentes do poder fiscal de Madrid, para não terem de pagar impostos a favor dos pobres. Também em Itália, é o norte rico que se quer ver liberto de ter pagar a favor do Mezzogiorno, e em Inglaterra é a Escócia que quer ser independente do Midwest deprimido. A autonomia regional é quase sempre uma revolta dos ricos contra os pobres e contra o Estado central, cuja tarefa fundamental é distribuir a riqueza por todos. É por isso que eu sou ferozmente anti-regionalista, porque não tenho a mais pequena dúvida de que, ao contrário do que imaginam alguns incautos ou oportunistas, a regionalização lançaria Lisboa e o Porto contra todos os outros e ai dos alentejanos ou transmontanos, sem a República a protegê-los!(Miguel Sousa Tavares, A Bola, 01-12-2009)
Etiquetas:
Esquerda Republicana,
Regionalização
2009/07/07
2009/02/12
O biólogo evolucionista e o estadista americano
Hoje há dois bicentenários, qualquer um deles muito relevante.
De Charles Darwin muito se fala na blogosfera (e ainda bem). Do que li desejo destacar os textos dos biólogos Vasco Barreto e André Levy.
O outro bicentenário que não deve ser esquecido é uma das figuras políticas que para mim são mais inpiradoras: Abraham Lincoln, o primeiro presidente republicano dos EUA (na época em que o Partido Republicano era o mais à esquerda). Lincoln não recuou nas suas convicções antiesclavagistas, tendo por isso de travar uma guerra. Ganhou-a, soube manter a unidade nacional e – muito mais importante – conseguiu impor os seus ideais progressistas e democráticos, que triunfaram sobre o separatismo esclavagista sulista.
Numa altura em que se volta a falar de regionalização em Portugal, um processo que eu temo que venha a reforçar o poder de caciques reaccionários (não nos basta o da Madeira?) que demagogicamente protestam contra “Lisboa” e o “estado” (como se protesta aqui e aqui), é bom termos Lincoln sempre presente. Para mim, este presidente americano é um exemplo do verdadeiro estadista.
De Charles Darwin muito se fala na blogosfera (e ainda bem). Do que li desejo destacar os textos dos biólogos Vasco Barreto e André Levy.
O outro bicentenário que não deve ser esquecido é uma das figuras políticas que para mim são mais inpiradoras: Abraham Lincoln, o primeiro presidente republicano dos EUA (na época em que o Partido Republicano era o mais à esquerda). Lincoln não recuou nas suas convicções antiesclavagistas, tendo por isso de travar uma guerra. Ganhou-a, soube manter a unidade nacional e – muito mais importante – conseguiu impor os seus ideais progressistas e democráticos, que triunfaram sobre o separatismo esclavagista sulista.
Numa altura em que se volta a falar de regionalização em Portugal, um processo que eu temo que venha a reforçar o poder de caciques reaccionários (não nos basta o da Madeira?) que demagogicamente protestam contra “Lisboa” e o “estado” (como se protesta aqui e aqui), é bom termos Lincoln sempre presente. Para mim, este presidente americano é um exemplo do verdadeiro estadista.
2009/01/28
Ainda sobre o referendo em Viana
No Prós e Contras da semana passada, o lamentável apoiante do "sim" (creio que se chamava António Gonçalves, mas posso estar errado) teve esta frase lapidar em directo: a principal função de qualquer autarca é extrair o máximo que puder do Estado central! Quanto mais extrair (eu diria extorquir) melhor!
É também graças a frases como estas que a regionalização é rejeitada por permitir que surjam mais Albertos Joões Jardins!
É também graças a frases como estas que a regionalização é rejeitada por permitir que surjam mais Albertos Joões Jardins!
2009/01/27
Proposta após o referendo de Viana
Após a vitória do "não" no referendo em Viana, importa concluir que os vienenses fizeram ao resto do Minho (não só o Alto - Braga incluída) o mesmo que muitos bracarenses (agora aborrecidos com este resultado) defendem que Braga deve fazer ao Porto, e que o Porto quer fazer a Lisboa: não deixar que outros mandem neles. Se a regionalização em Portugal fosse um processo natural, estas discussões não fariam sentido. Se ao nível local as populações não sabem a que comunidade querem pertencer, mais vale que permaneçamos todos sob a alçada do Estado (que não é a mesma coisa que "Lisboa") - a única forma de organização que em Portugal me parece natural e não forçada. Os municípios devem agrupar-se em áreas metropolitanas e comunidades, e é com base nestas que se deve fazer uma - imprescindível, que fique bem claro - descentralização.
A questão colocada pelo Presidente da Câmara de Viana é boa e creio que faz sentido: a representação dos municípios nestes agrupamentos deve ser proporcional à sua população. (De qualquer maneira, não me parece bom Viana ficar isolada, pelo que espero que a situação se resolva depressa.) Proporia que o órgão deliberativo destes agrupamentos fosse formado por todos os vereadores eleitos de todas as câmaras de todos os municípios. Uma vez que o número destes vereadores é proporcional à população, a ponderação seria a adequada.
Este passaria a ser, a meu ver, o papel a desempenhar pelos vereadores. Quanto às câmaras propriamente ditas, deveriam ter executivos monocolores, com as assembleias municipais a funcionarem como parlamentos.
A questão colocada pelo Presidente da Câmara de Viana é boa e creio que faz sentido: a representação dos municípios nestes agrupamentos deve ser proporcional à sua população. (De qualquer maneira, não me parece bom Viana ficar isolada, pelo que espero que a situação se resolva depressa.) Proporia que o órgão deliberativo destes agrupamentos fosse formado por todos os vereadores eleitos de todas as câmaras de todos os municípios. Uma vez que o número destes vereadores é proporcional à população, a ponderação seria a adequada.
Este passaria a ser, a meu ver, o papel a desempenhar pelos vereadores. Quanto às câmaras propriamente ditas, deveriam ter executivos monocolores, com as assembleias municipais a funcionarem como parlamentos.
2008/10/02
Na segunda fase do metro do Porto
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, queria uma linha a percorrer a avenida da Boavista. Mas o governo central não lhe fez a vontade, e avança antes com uma linha a percorrer a rua do Campo Alegre. Seguiu o parecer da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que afirma que esta opção trará mais utentes. E contrariou a câmara. Um exemplo para os defensores da regionalização. Deve ser por isso que aqui ainda não se escreveu uma linha sobre este assunto.
2008/09/25
Chama-se provincianismo
Acerca de uma questão com um ano:
23.09.2008 - 00h58 - Tuga, Berlenga
O recrudescimento da praxe em Portugal mostra que em diversas vertentes o país andou para trás. Ela é bem o reflexo do nosso atraso de mentalidade (se fosse só económico!...). Mas a cobardia - e em demasiados casos a simpatia e até a concordância - das autoridades escolares e governativas tem sido clamorosa. Para os que acham muito úteis estas praxes à portuguesa, mesmo quando despojadas da sua quase sempre boçalidade, sugiro-lhes que procurem coisa semelhante nas faculdades de Paris, Roma, Berlim, Londres, etc. Durante a ditadura a praxe foi quase até ao fim um bastião do conservadorismo e do regime. E em Lisboa, cidade mais aberta, evoluida e cosmopolita, não existia. Agora está por todo o lado. Qual será de facto esta doença profunda que nos impede de evoluir?
23.09.2008 - 00h58 - Tuga, Berlenga
O recrudescimento da praxe em Portugal mostra que em diversas vertentes o país andou para trás. Ela é bem o reflexo do nosso atraso de mentalidade (se fosse só económico!...). Mas a cobardia - e em demasiados casos a simpatia e até a concordância - das autoridades escolares e governativas tem sido clamorosa. Para os que acham muito úteis estas praxes à portuguesa, mesmo quando despojadas da sua quase sempre boçalidade, sugiro-lhes que procurem coisa semelhante nas faculdades de Paris, Roma, Berlim, Londres, etc. Durante a ditadura a praxe foi quase até ao fim um bastião do conservadorismo e do regime. E em Lisboa, cidade mais aberta, evoluida e cosmopolita, não existia. Agora está por todo o lado. Qual será de facto esta doença profunda que nos impede de evoluir?
2008/07/17
Re: Debate sobre a Regionalização - a questão do Porto
Caro Pedro,
respondendo sinteticamente (e em estéreo):
1 - Muito obrigado pelos teus esclarecimentos. Desconhecia o facto de o centro histórico de Gaia já ter pertencido ao Porto, bem como o porto de Leixões. Eu sou favorável a municípios fortes, pelo que nada tenho a opor a essa putativa união (nem teria que me opor ou deixar de opor). Só referi essa questão porque achei graça à forma como ela foi posta no tal debate a que assistimos, na intervenção do público: houve quem falasse em o Porto "anexar" ou "absorver" Gaia. Achei graça à leviandade com que se falava em absorver, como se os gaienses, que presentemente até são mais que os portuenses (daí a minha sugestão de Gaia absorver o Porto), não fossem para ali chamados! Mas é preciso dizer que também houve quem falasse em "unir" Porto, Gaia e Matosinhos (sem falar em "absorver").
2 e 3 - Essas são as questões mais interessantes. Haveremos de as continuar a debater. Mas mantenho a impressão de que ninguém anseia mais a regionalização do que o Porto, e na verdade muitos supostos regionalistas no Porto ambicionam mais do que a regionalização. Não é "Lisboa" ter medo do Porto: é o resto do país ter medo do separatismo. Basta considerar o discurso dos regionalistas mais inflamados - o que não falta são candidatos a Umberto Bossi.
4 - Sobre o estafado argumento "constitucional", tu não o usas, e nem ninguém do Blasfémias (ninguém do Blasfémias defende a nossa constituição). Mas olha que há muita gente, principalmente à esquerda, que o usa. Suspeito mesmo que alguns elementos do Norteamos o apoiam. Já experimentaste perguntar-lhes?
Também foi um prazer conhecer-te pessoalmente, e até à próxima. Até lá haveremos de continuar a debater.
respondendo sinteticamente (e em estéreo):
1 - Muito obrigado pelos teus esclarecimentos. Desconhecia o facto de o centro histórico de Gaia já ter pertencido ao Porto, bem como o porto de Leixões. Eu sou favorável a municípios fortes, pelo que nada tenho a opor a essa putativa união (nem teria que me opor ou deixar de opor). Só referi essa questão porque achei graça à forma como ela foi posta no tal debate a que assistimos, na intervenção do público: houve quem falasse em o Porto "anexar" ou "absorver" Gaia. Achei graça à leviandade com que se falava em absorver, como se os gaienses, que presentemente até são mais que os portuenses (daí a minha sugestão de Gaia absorver o Porto), não fossem para ali chamados! Mas é preciso dizer que também houve quem falasse em "unir" Porto, Gaia e Matosinhos (sem falar em "absorver").
2 e 3 - Essas são as questões mais interessantes. Haveremos de as continuar a debater. Mas mantenho a impressão de que ninguém anseia mais a regionalização do que o Porto, e na verdade muitos supostos regionalistas no Porto ambicionam mais do que a regionalização. Não é "Lisboa" ter medo do Porto: é o resto do país ter medo do separatismo. Basta considerar o discurso dos regionalistas mais inflamados - o que não falta são candidatos a Umberto Bossi.
4 - Sobre o estafado argumento "constitucional", tu não o usas, e nem ninguém do Blasfémias (ninguém do Blasfémias defende a nossa constituição). Mas olha que há muita gente, principalmente à esquerda, que o usa. Suspeito mesmo que alguns elementos do Norteamos o apoiam. Já experimentaste perguntar-lhes?
Também foi um prazer conhecer-te pessoalmente, e até à próxima. Até lá haveremos de continuar a debater.
2008/07/11
Do Porto
Desde anteontem encontro-me no Porto a participar em mais um Oporto Meeting on Geometry, Topology and Physics. Mas ontem à noite aproveitei para assistir a um debate sobre regionalização promovido pela Câmara Municipal do Porto e moderado por Rui Rio (ele mesmo). Ao contrário do que é costume em Lisboa, no Porto havia intervenção do público, no final. Intervim como agente provocador. Aqui estão as linhas mestras do meu comentário:
- deixei bem claro que a descentralização era indispensável e não tinha nenhum problema em especial com a regionalização. O problema era mesmo o Porto;
- falou-se no debate que o Porto deveria absorver Gaia (assim mesmo, abertamente), formando uma só cidade. A ideia não era má, mas algo incorrecta: o certo seria Gaia absorver o Porto (e acabar de vez com o Porto);
- todo o país tem que se queixar do centralismo e das desigualdades regionais, mas só no Porto se fala de regionalização. O que motiva o Porto não é a descentralização mas a inveja de Lisboa e uma nova centralização, a norte (o centralismo tripeiro);
- eu votaria contra a regionalização. Para votar a favor teria de se regionalizar todo o país excepto o Porto. A região norte seria à volta do Porto; o Porto seria um enclave nortenho da região de Lisboa;
- a quem invoca a constituição para defender a regionalização, recordo que na altura em que isso foi escrito (1975) o socialismo também era um imperativo constitucional. E que tal se, antes de implantarmos a regionalização, implantássemos o socialismo?
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