"Não é verdade que as pessoas páram de perseguir os sonhos porque estão a ficar velhas: elas estão a ficar velhas porque pararam de perseguir os sonhos."
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2014/04/19
2014/04/11
Sue Townsend
Depois do Roque Santeiro, o Adrian Mole. A pouco e pouco as referências da minha adolescência estão a desaparecer deste mundo. Obrigado pelo divertimento inteligente, Sue Townsend.
2013/11/10
2012/10/01
Está certo que nem toda a gente leu o livro e viu o filme, como eu fiz (e estou agora a deliciar-me com a excelente adaptação televisiva). Mas, ao ver numa banca de jornais a manchete da capa de uma dessas revistas de TV, "Gabriela trai Nacib com Tonico", ocorrem-me manchetes do tipo "O Primo Basílio: Juliana chantageia Luísa", "Os Maias: Carlos e Maria Eduarda são irmãos!", "Romeu e Julieta: protagonistas suicidam-se!" E por aí adiante.
2012/02/29
A "nova república" de Rubem Fonseca
«Quando no final da cerimónia em que recebeu a Medalha de Mérito Municipal Grau de Ouro, "como reconhecimento da Câmara Municipal de Lisboa pela sua brilhante carreira", o escritor brasileiro Rubem Fonseca foi à varanda da República, do alto da Praça do Município levantou o braço e brincou: "Portugueses, proclamo a Nova República!"», escreve o Público.
Felicito a Câmara Municipal de Lisboa pela decisão de homenagear este extraordinário escritor brasileiro, para mim o melhor escritor vivo de língua portuguesa. Escolhi um texto de Rubem para iniciar a minha participação num dos blogues portugueses "clássicos". Reproduzo-o parcialmente aqui:
Para livros de polícia (mais do que meros livros policiais) não conheço melhor autor do que Rubem Fonseca. Peguemos em Agosto (1990), edição portuguesa da D. Quixote. A personagem principal é o comissário Mattos, verdadeiro alter-ego de Fonseca, que foi policial antes de ser escritor. Algumas das teses de Mattos sobre o papel da polícia podem ser extraídas dos diálogos com os seus assessores. Por exemplo: "«Marido e mulher? Você vai dar um flagrante no sujeito apenas porque ele deu uns sopapos na mulher?» «Exactamente por isso. O facto de ser a mulher dele para mim é uma agravante.» (...)«Eu olhei a mulher e não vi nenhuma marca de lesão. (...) Garanto que a mulher vai ficar contra nós.» (...) «Todo mundo é contra nós, sempre.» (...) Autor, vítima, advogado e escrivão esperavam pelo comissário. «Então, doutor? Tudo resolvido?» «Tudo. Vamos continuar o flagrante.» «Doutor, meu cliente foi impelido por relevante valor moral, logo em seguida à injusta provocação da vítima. (...) Ela está arrependida, sabe que errou, pediu desculpas, o senhor não ouviu? (...)» «Esse crime é de acção pública, não me interessa a opinião da vítima. Vamos continuar o flagrante.» «Doutor, ela chamou o meu cliente de broxa [impotente]. Algum marido pode ouvir a própria esposa chamá-lo de broxa sem perder a cabeça? (...)» «Ninguém mais autorizado a chamar um sujeito de broxa do que a própria mulher.» (...) O flagrante foi lavrado, assinado (...). Mattos tirou um Pepsamar do bolso, enfiou na boca, mastigou, misturou com saliva e engoliu. Ele cumprira a lei. Tornara o mundo melhor?"Há oito anos como hoje, leio o Rubem Fonseca e fico sem palavras. Recomendo vivamente.
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2011/06/18
Um ano depois
O primeiro texto que eu li de José Saramago:
Carta para Josefa, minha avó
Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz. Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”. É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.
José Saramago, in “Deste Mundo e do Outro"
2010/11/16
Uma sugestão aos autonomistas
Na terça feira, enquanto estava encalhado no comboio em Vila Nova de Gaia, fui avançando na leitura do Guerra e Paz. (Na verdade eu li foi durante a viagem. Enquanto o comboio esteve parado em Gaia, fazendo-me perder duas ligações, eu não consegui ler nada, stressado que estava a protestar por mais um suicida ter tido a desconsideração de se atirar à linha de comboio, prejudicando a vida de quem queria ir trabalhar, quando tinha o rio Douro ali mesmo ao lado.) A páginas tantas (530, para ser exato), cheguei à seguinte passagem, que aqui transcrevo:
"A tradição bíblica ensina-nos que a felicidade do primeiro homem antes da queda consistia na ausência de trabalho, isto é, na ociosidade. O gosto da ociosidade manteve-se no homem réprobo, mas a maldição divina continua a pesar sobre ele, não só por ser obrigado a ganhar o pão de cada dia com o suor do seu rosto, mas também porque a sua natureza moral o impede de encontrar satisfação na inactividade. Uma voz secreta diz ao homem que ele é culpado de se abandonar à preguiça. E, no entanto, se o homem pudesse achar um estado em que cumpria um dever, embora inactivo, esse estado viria a encontrar uma das condições da sua felicidade primitiva. Esta condição de ociosidade imposta e não censurável é aquela em que vive toda uma classe social, a dos militares. Em tal ociosidade está e estará o principal atractivo do serviço militar."Guerra e Paz é uma obra fundamental e Tolstoi é mesmo um génio, pois descobriu o que deveriam os autonomistas fazer: talvez devessem era ir todos para a tropa.
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2010/10/07
Ganhaste o Nobel da Literatura, Zavalita!
Nasceste em Arequipa. Andaste num colégio interno, o Colégio Militar Leôncio Prado. Frequentaste a Universidade Nacional de São Marcos (contra a vontade do teu pai, que queria que estudasses na Católica). Sentiste a ditadura do Odria. Casaste com a Tia Júlia. És tu, Zavalita. És tu o sartrezinho valente que se candidatou à Presidência do Peru com um plano de privatizações à Margaret Thatcher (apesar de tudo, antes tu que o Fujimori) e hoje escreve artigos (no nada conservador El País) a apoiar o PP espanhol. És um gajo de direita, Zavalita – esta frase demonstra-o inequivocamente. Os blogues de direita hoje exultam com o teu prémio, Zavalita. Provavelmente só te conhecem enquanto comentador político. É que, enquanto romancista, continuaste sempre perfeitamente de esquerda – de direita é que não tens nada, em nenhum dos teus livros. Apetecia-me estar contigo hoje, na Catedral, a beber uma cerveja – ou, melhor ainda, um pisco, dedicado a ti. Parabéns, Zavalita: ganhaste o Nobel da Literatura. E continuas fodido. 2010/06/23
O que vale um ex-diretor do Público
São várias as inconsistências e incorreções neste texto de José Manuel Fernandes. Do lado dos escritores que nunca ganharam o Nobel, para além de referir incorretamente um premiado (como recorda o Nuno Ramos de Almeida), inclui pelo menos dois escritores ainda vivos (Rushdie e Vargas Llosa), que nada garante que não o venham a ganhar.
Do lado dos que ganharam o Nobel da literatura sem grande mérito, esquece-se de mencionar o mais injustificado destes prémios: o atribuído a Winston Churchill. Deve ser por Churchill ser a sua grande inspiração ideológica.
Mas nem isso é o mais importante. O que conta, a meu ver, é esta realidade: JMF lamenta sempre a “falta de reconhecimento do mérito dos melhores” por parte da nossa sociedade – desde que sejam empresários, “empreendedores”. Na hora da morte do mais reconhecido escritor português, JMF prefere desvalorizar desta forma o prémio que o imortalizou, revelando assim a sua mesquinhez e pequenez.
É verdade que Saramago não teria todo o reconhecimento universal que teve se não tivesse ganho o Nobel da literatura (embora já fosse um escritor conhecidíssimo internacionalmente quando o ganhou). Mas também que reconhecimento teria José Manuel Fernandes se não tivesse sido diretor do Público?
Do lado dos que ganharam o Nobel da literatura sem grande mérito, esquece-se de mencionar o mais injustificado destes prémios: o atribuído a Winston Churchill. Deve ser por Churchill ser a sua grande inspiração ideológica.
Mas nem isso é o mais importante. O que conta, a meu ver, é esta realidade: JMF lamenta sempre a “falta de reconhecimento do mérito dos melhores” por parte da nossa sociedade – desde que sejam empresários, “empreendedores”. Na hora da morte do mais reconhecido escritor português, JMF prefere desvalorizar desta forma o prémio que o imortalizou, revelando assim a sua mesquinhez e pequenez.
É verdade que Saramago não teria todo o reconhecimento universal que teve se não tivesse ganho o Nobel da literatura (embora já fosse um escritor conhecidíssimo internacionalmente quando o ganhou). Mas também que reconhecimento teria José Manuel Fernandes se não tivesse sido diretor do Público?
2010/06/21
Discurso da Ministra da Cultura na Cerimónia de Homenagem a José Saramago
Um discurso notável, para recordar mais tarde.
Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra, um soldado maneta, uma mulher que tinha poderes, e um padre que queria voar numa Passarola e que morreu doido;
Era uma vez Jesus, que disse a Maria Magdalena - “quero estar onde a minha sombra estiver, se lá é que estiverem os teus olhos”;
Era uma vez um cão que lambeu as lágrimas a uma mulher desesperada num mundo de cegos, desejando também cegar para ser poupada aos horrores que a vista lhe trazia;
Era uma vez a morte, que tinha um plano e que o cumpriu – abraçou-se ao homem sem que ele compreendesse o que lhe estava a suceder, e ela, a morte, que nunca dormia, deixou descair suavemente as pálpebras enquanto adormecia; no dia seguinte, ninguém morreu;
Era uma vez um homem, que quando morreu, partiram 2 pessoas: saiu ele, de mão dada com a criança que foi – tal como o próprio José Saramago previu, nas suas próprias palavras.
Era uma vez e tantas outras vezes, o respeito à terra e aos homens, a luta contra as injustiças, a defesa dos direitos humanos, a denúncia contra a guerra do Iraque ou contra a ocupação palestiniana, as causas dos Sem Terra, do movimento anti-globalizante, da preservação do ambiente, ou do anti-clericalismo desassombrado.
Estas e tantas outras, foram as histórias com que o ateu místico, religioso laico, interrogador de Deus e dos homens, José Saramago, “comunista hormonal” nas suas palavras, questionou Portugal e o mundo incessantemente, directa ou metaforicamente.
A liberdade do pensamento define o criador: Saramago foi voz lúcida, inconformada, firme, insubmissa na luta contra a desigualdade entre os homens – esta sim “a verdadeira miséria”, dizia.
Parte da imensa receptividade que as suas obras têm merecido em todo o mundo, e que a atribuição do Nobel cimentou e glorificou, deve-se a esse carácter humanista, à esperança que a sua obra impõe ao Homem.
Recebeu o Prémio Nobel da Literatura «... pela sua capacidade de tornar compreensível uma realidade fugidia, com parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia», segundo a Academia Sueca.
Fiel ao seu compromisso com a consciência, usou a escrita para uma reflexão sobre as grandes causas da humanidade, edificando uma obra coerente, ousada, sólida, moldada pela ética, visando, sempre, a dignificação do Homem.
E fê-lo por vezes subvertendo normas - quer de narrativa (o seu estilo é inconfundível, nas suas frases longas e de pontuação singular), quer enfrentando dogmas - não tinha fé em Deus (mas certamente Deus teve fé nele).
Para ele a escrita, enquanto forma de expressão do pensamento e de intervenção intelectual, foi instrumento, foi arma, foi agente provocador e plataforma de interrogação permanente do indivíduo e da sociedade.
Com a sua actividade cívica aliada à criação literária, cumpriu aquilo que é mais caro aos criadores e aos artistas – conseguiu com a sua obra fazer pensar os destinatários, perturbar os conformados, incomodar as consciências e aguçar a lucidez.
Deixa a Fundação José Saramago, à qual se dedicará a companheira e musa da sua vida, Pilar Del Rio, força inabalável que foi determinante na sua alma e na sua obra, a quem também prestamos aqui homenagem. Fundação José Saramago que assume, entre os seus objectivos principais, a defesa e a divulgação da literatura contemporânea, a defesa e a exigência de cumprimento da Carta dos Direitos Humanos e o cuidado do meio ambiente.
Enquanto escritor português, José Saramago deu um incontestável contributo para a afirmação e difusão da Língua Portuguesa, para a divulgação da Literatura Portuguesa e para a união do mundo lusófono. Embaixador da cultura portuguesa no mundo, a influência da sua obra estendeu-se a um amplo espectro de outras expressões artísticas - na ópera, no cinema, nas artes visuais, sublinhando a universalidade da sua linguagem.
A Literatura Portuguesa, as Literaturas em Português, com Saramago, adquiriram ressonância internacional e prestígio global, pela universalidade das questões que o Escritor agarra e reflecte com tenacidade e vigor, e pelo génio sísmico com que as dá a ler, a pensar, através da sua escrita.
Portugal homenageia hoje o homem, simples, sensível e corajoso;
Portugal celebra em Saramago, a sua humanidade, grandeza e universalidade;
Portugal orgulha-se do Escritor e engrandece-se com a sua obra, poliédrica, ímpar e seminal.
Portugal agradece, sentida e sinceramente, o encontro mágico de Saramago com a Literatura, e o lugar único e perene que José Saramago ocupará para sempre na Literatura e na Cultura do mundo.
Como escreveu ontem um amigo a Pilar, - Não há palavras. Saramago levou-as todas…
Obrigado José Saramago.
2010/06/20
Até sempre, Saramago
Fui apanhado (fomos todos) completamente de surpresa. Ainda me custa a acreditar. Faço minhas as palavras de Hélia Correia:
"Palavras e palavras vão cair com um grande barulho neste dia e todas elas ficarão aquém da grandeza deste homem".
2010/06/18
Obrigado, José Saramago
Obituário do The New York Times
José Saramago, Nobel Prize-Winning Writer, Dies
By FERNANDA EBERSTADT
José Saramago, the Portuguese writer who won the Nobel Prize in Literature in 1998 with novels that combine surrealist experimentation and a kind of sardonic peasant pragmatism, died Friday at his home in Lanzarote in the Canary Islands. He was 87. The cause was multiple organ failure after a long illness, the José Saramago Foundation said in an announcement on its Web site.
2010/06/02
Um autor de telenovelas ganhou o Prémio Camões
Só foi o primeiro a conseguir tal prémio porque Dias Gomes morreu precocemente. Mas nem só poemas escreveu Ferreira Gullar...
2010/03/19
Economia(s)
Lançamento do livro de Francisco Louçã e José Castro Caldas agora às 18 horas, na Livraria Centésima Página, em Braga. Até já.
2009/06/16
Vantagens da edição da Europa-América de um romance que eu cá sei
A tradução da Europa-América do Guerra e Paz de Leão Tolstoi até pode ser má (embora seja de Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões, o que nem me parece assim tão mau). E tem uma grande vantagem: a páginas tantas (42, para ser exacto) lê-se:
Entabulou-se uma conversa tão pouco importante...Nem todas as traduções, nem todas as edições, nem todos os romances inspiraram o Sérgio Godinho. Duvido muito que alguma edição da Penguin o tenha feito.
2009/04/29
Ruído de fundo
Foi na apresentação do novo livro do José Mário Silva, na livraria Pó dos Livros em Lisboa. Enquanto Jorge Silva Melo perorava sobre bares supostamente "decrépitos", ouviam-se buzinas cá fora. Pessoas na assistênci abandonavam o recinto para se certificarem de que não era o seu carro que estava a causar problemas de circulação. Eu sabia que a minha bicicleta é que não era.
Adenda: a foto é do Luis Rainha, que a tirou sem ninguém dar por isso.
2009/04/22
Feira do Livro de Braga
Já está a decorrer. Amanhã às 21:30 Licínio Chainho Pereira (físico molecular e antigo reitor da Universidade do Minho) e o Rui Tavares falam às 21:30 sobre "Memória do Universo, Universos de Memória". A não perder.
2009/04/14
"Vai andar...Vai andar..."

Gaitinhas avistou Gineto logo à entrada da feira. A lua, bondosa, iluminava as barracas. E, se acaso se escondia entre as nuvens, lá estavam as mil lâmpadas de cores para a substituir.Este texto, do meu livro de leitura da 4ª classe, marcou a minha infância. Esteiros, o romance de onde foi tirado, e que li no meu oitavo ano, marcou-me de forma indelével. Inesquecíveis as aventuras do Gineto, do Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Sagui... O autor, Soeiro Pereira Gomes, nasceu há cem anos.
Gineto e Gaitinhas pararam junto dos carróceis que eram dois. O maior, iluminado por lâmpadas multicores, tentava os olhos. Tinha cavalinhos com as patas no ar, galos de crista alta, bichos variados sobre um tapete rolante que oscilava como os barcos do rio. O outro, perro e mal iluminado, só tinha cavalinhos.
- Qual queres? – perguntou Gineto.
Gaitinhas demorou a resposta. Olhou o carrocel velho, sem ninguém, e os cavalinhos tristes, parados. A voz rouca do dono parecia chamá-lo.
- Vai andar...Vai andar...
- Vamos neste – disse Gaitinhas.
O cavalo galopava no espaço, através das estrelas e ele levava um sorriso nos lábios. O carrocel parou. Mas a alegria da viagem ficou ainda a bailar nos olhos de Gineto e nos lábios de Gaitinhas.
2008/10/08
Da tradução para o acordo ortográfico
Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por "Antónimo") a este texto da Fernanda Câncio encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto):
Pois é, Fernanda, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!
(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio desta editora onde ela se gaba de publicar "autores nacionais", e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das "traduções brasileiras" (inclui mesmo a frase "Não estudes por traduções brasileiras!"). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os "promover" utilizando um "argumento" tão mesquinho e rasteiro?)
Embora as editoras mais do que abusem (por exemplo, é raro pagarem direitos de autor - só o fazem a consagrados -, escondem as vendas a sete chaves e os livros que saem aí com jornais e revistas - tiragens de 30 mil exemplares - têm um custo de produção de 90 cêntimos) é um bocado complicado os livros em português ficarem ao preço de um da Penguin, não é?
Uma Guerra e Paz da Penguin, em inglês tem centenas de milhões de leitores. Até podiam dar os livros que não se sentia. Não há direitos de autor e imagino que as traduções foram pagas há décadas. Se os nossos leitores ainda preferem ir comprá-los em vez dos desgraçados três mil exemplares que a exemplar tradução portuguesa não esgota, mesmo se publicada desde 2005, a coisa piora.
No fundo, paga 15 euros por uma coisa que não custou nada a produzir em vez de pagar 60 euros por algo que custou consideravelmente mais.
Pois é, Fernanda, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!
(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio desta editora onde ela se gaba de publicar "autores nacionais", e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das "traduções brasileiras" (inclui mesmo a frase "Não estudes por traduções brasileiras!"). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os "promover" utilizando um "argumento" tão mesquinho e rasteiro?)
2008/09/29
Joaquim Maria Machado de Assis
Morreu faz hoje cem anos. Escrevia muito bem, lindamente, mesmo. Dominava a língua portuguesa como ninguém. Mas, sinceramente, não creio que isso bastasse para fazer dele um grande escritor.
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