2011/12/06

Finalmente o levezinho é campeão

Ele bem merece. Infelizmente, não foi com a camisola do Sporting (clube que não se esqueceu de lhe dar os parabéns, e que ele também não esquece). Até ao fim da carreira do Liedson será impossível pedir que ele regresse para ser campeão em Alvalade? Deixem-me sonhar.

O doutor do futebol

De 82 recordo-me de uma entrevista (a entrevista era a sério) ao Peninha (!), numa revista Disney brasileira especial dedicada ao Mundial (que retratava o Zico como primo afastado do Zé Carioca...), onde afirmava esperar que os portugueses apoiassem o Brasil e... que o Zico era melhor que o Maradona (em 1982). Sócrates, que celebrava os golos de punho fechado erguido, como recorda o Tiago Mota Saraiva. O "verdadeiro Sócrates de esquerda", como lhe chama o Pedro Fragoso, que escreve uma evocação que também recomendo. Ficam algumas páginas da entrevista com o Peninha, e uma grande saudade.

2011/10/25

Sobre o fim das praxes na Universidade do Minho

Mesmo sem querer pôr em causa a importância da decisão da equipa reitoral da universidade onde trabalho de acabar com as praxes, aqui anunciada pelo Ricardo Alves, a realidade é que a presença de tais atos permitiu-me ter vivido episódios que hei de recordar para o resto da minha vida, de cada das várias vezes que tive de me ir chatear com os praxantes e os praxados. Aquela vez em que, num dia com o tempo parecido com o de hoje, eu sugeri (sarcasticamente) ao grupo que berrava num pátio abrigado ao pé dos gabinetes na Escola de Ciências que fosse dali para fora, para o meio da chuva torrencial, pois os caloiros deveriam mesmo era molhar-se; um dos veteranos respondeu-me, candidamente, que tinha sugerido isso mesmo, mas os outros veteranos não tinham concordado. Ou a outra em que os mandei dali embora dizendo que ali “era um local de trabalho”, e eles olharam-me espantados por lhes dizer que a universidade era um local de trabalho – nunca ninguém lhes tinha dito tal coisa. Mas a melhor foi quando, em dias consecutivos, após insistirem em virem para baixo do meu gabinete, ainda me acusaram de os “estar a perseguir” – não seriam antes eles, mesmo sem quererem saber disso, que me estavam a perseguir a mim? Todos estes episódios, todos os dias, o ano letivo quase todo e não somente a “semana de receção ao caloiro”, obviamente acabavam por causar algum desgaste, mesmo se na maior parte das vezes tudo se resolvia com um telefonema ao segurança (e mesmo se entretanto mudei para um gabinete mais sossegado e resguardado). Mas se o barulho durante o trabalho se resolveu, a verdade é que a vida na universidade não se resume ao trabalho no gabinete. E era impossível, para qualquer membro da Universidade do Minho, circular pelos campus, fosse para ir à biblioteca, almoçar ou tratar de outro assunto qualquer, sem se deparar com aquele espetáculo indesejado de barulho e humilhação, voluntária ou não (isso é o que menos me interessa – não é por alguém querer participar neste evento que ele passa a ser tolerável). A decisão da equipa reitoral, por isso, é de aplaudir e só peca por tardia. Bem como a de retirar do protocolo da Universidade o “veterano” da praxe, onde até muito recentemente tinha assento! Resta agora aos praxantes acabar com a praxe... ou passar a fazê-la nas ruas de Braga (a praxe tem de ser feita em público: a humilhação, se não for pública, não conta para nada). Inclino-me mais para a segunda hipótese: a praxe e a “tradição académica” recebem um amplo apoio dos dois principais jornais da cidade, conforme se pode verificar nestas duas “primeiras páginas” do mês passado (curiosamente, ou talvez não, um destes jornais é conotado com a Igreja Católica e assumidamente de “inspiração cristã”). Conforme bem diz o comunicado do reitor, a praxe constitui um ataque à liberdade, à dignidade e à urbanidade. Vamos ver como a urbanidade de Braga reagirá a praxes nas ruas.

2011/10/17

No rescaldo da manifestação de ontem

Foto de José Carlos Pratas - "Diário de Notícias"
Em Lisboa, como podem ver, eram muitos os indignados. Tudo boa gente, se excetuarmos um grupo que andava lá pelo meio: facilmente identificável, ao centro da foto, através de um fulano com uma camiseta vermelha, claro, e uma mochila "QCD" também vermelha. Ao seu lado um jovem socialista, um conhecido republicano laicista e uma física de partículas. Tudo gente estranha.

2011/09/29

De volta a Majorana (sim, o dos neutrinos)

É hoje apresentado o livro "O Grande Inquisidor", de João Magueijo, sobre a vida (na verdade, mais sobre a morte) do físico italiano Ettore Majorana. Já aqui escrevi sobre Majorana; é bom que haja autores portugueses a debruçarem-se sobre este fascinante assunto. Mas é bom também não esquecer que o escritor siciliano Leonardo Sciascia sobre ele escreveu um romance ("Majorana morreu", cuja única edição em português é da brasileira Rocco e se encontra esgotado. Editoras portuguesas: vamos rever isto?

2011/09/09

Luke e os deolindos

Conheci o Luke no hostel onde fiquei em Praga. O Luke era mais um australiano que dedicava uns meses da sua vida a conhecer outros países, tal como tantos outros australianos que se podem encontrar em tantas pousadas no mundo. Talvez por viverem longe de quase todos os outros países, não existe povo mais obcecado em viajar e conhecer o mundo que o australiano. Também se encontram Europa fora grupos de portugueses e outros europeus, em inter-rails ou graças às companhias aéreas de baixo custo, mas sempre em grupos: nenhum como estes australianos, que viajam sozinhos durante meses, como era o caso do Luke. Uma diferença importante entre os portugueses e os australianos é que estes, tipicamente, trabalham para poderem pagar o seu período de viagem, enquanto os jovens portugueses geralmente esperam que sejam os pais a financiarem. É uma crítica, provavelmente justa, que se faz à “geração 12 de Março”, os “deolindos”: estão habituados a receber tudo de mão beijada, não sabendo dar o devido valor às coisas. Não lhes passaria pelas cabeças trabalhar para pagar as férias. Enquanto eu me entretinha nestas divagações, o Luke lá se entretinha ao longo dos dias a cozinhar esparguete e fazer cocktails. Eu estava a participar num congresso; à noite via-o sempre na sala comum, e comecei a ficar curioso sobre que vida era a dele. Um dia ele ofereceu-me uma mistura de rum com fanta, e foi nessa altura que lhe perguntei quanto tempo mais ia ficar em Praga. Ele disse que já tinha visto o que mais lhe interessava ver na Europa, e então tinha decidido ficar em Praga até à data do seu regresso, daí a duas semanas, pois lá tudo era mais barato incluindo a cerveja. Perguntei-lhe se não seria melhor alterar a data do bilhete de avião e antecipar o regresso. Ele respondeu-me que ainda tinha que ir a Valência, pois fazia questão de participar naquela coisa chamada “tomatina”. Em Portugal, organizam-se manifestações (em que eu participei) contra a precariedade e mesmo a dificuldade em obter um emprego. A maioria dos participantes nessas manifestações não queria mais do que o acesso a um emprego digno, que lhes dê estabilidade, permita construir família e mais tarde ter uma reforma – é esse o seu objetivo. O objetivo dos jovens australianos, a avaliar pelo Luke, não passa por estabilidade nem por reforma – é viajar e participar na mais estúpida de todas as festas (tão estúpida que até já existe uma versão bracarense). Acho que prefiro os nossos deolindos.

2011/09/08

Mais impressões da República Checa baseadas numa visita ao Museu do Comunismo

A rejeição de toda e qualquer ideia socialista de que falei é patente no Museu do Comunismo de Praga. Já visitei museus semelhantes em Berlim e Moscovo, e não saí de nenhum com a sensação de que saí do de Praga: de ter visitado um museu de pura propaganda. Em Berlim é relatada a história do muro: a divisão de uma cidade, a separação das famílias, os checkpoints, os guardas, os esquemas para fugir, os mortos. Em Moscovo é-nos apresentada uma história da revolução soviética. O golpe de Lenine é-nos mostrado em pormenor nos seus diferentes aspetos, não deixando de se evidenciar o seu caráter antidemocrático. Em ambos os casos são apresentados factos, cabendo ao visitante fazer o seu julgamento da História. No Museu do Comunismo de Praga tudo é bem diferente. Logo os cartazes de propaganda, em guias turísticos, não enganam na forma como apresentam o local (e que bem corresponde à realidade): situado ao lado de um casino e por cima de um McDonald’s. No museu fazem gala deste facto. Agradou-me ver certas descrições do quotidiano na Checoslováquia comunista e compreendo que os comunistas sejam “maus da fita”. Já compreendo menos que sejam os únicos maus da fita: não o foram, nem sequer na Checoslováquia. Mas naquele museu o comunismo é o mal absoluto, e toda e qualquer ideia com ele vagamente relacionada, como o socialismo, a social democracia e a esquerda em geral é automaticamente rotulada como “absurda”. Nem que para isso se tenha de distorcer um pouco a realidade, com legendas diferentes em línguas diferentes. Nem que se tenha de apresentar os crimes ecológicos cometidos pelos comunistas, esquecendo que tais crimes ecológicos não eram assim vistos nesse tempo, e que também eram cometidos pelos principais países industrializados e não somente pelos comunistas. A visão da História deste museu é parcialíssima e subjetiva, mas receio que seja mesmo a do povo checo. Vim mais tarde a saber que os donos deste museu são americanos. Poderiam tê-lo instalado em Berlim ou Moscovo. Escolheram Praga porque provavelmente não havia no mundo outra cidade onde este museu tivesse a mesma recetividade.

2011/09/06

Algumas impressões da República Checa

A República Checa é um país que lida muito mal com o seu passado recente. Não me pareceu que houvesse propriamente feridas abertas: não me parece um assunto polémico na sociedade. Há uma rejeição generalizada da ditadura comunista, como seria bom que houvesse, por exemplo, das ditaduras fascistas em Portugal ou Espanha; isso parece-me normal e positivo. O que não me parece normal (nem positivo) é a rejeição de toda e qualquer ideia socialista. Se se juntar a esta rejeição a desconfiança que os checos têm em relação aos estrangeiros (que se justifica por serem uma nação jovem que foi invadida e ocupada, primeiro por Hitler e depois pela URSS), torna-se dificilmente sustentável a sua presença em organizações internacionais baseadas na cooperação, como deveria ser a União Europeia. Mas a verdade é que são membros, após grande insistência da Alemanha. Não admira que os checos tenham o presidente que têm. A história recente da União Europeia é a história do triunfo de políticos como Vaclav Klaus. Recordam-se do que Klaus disse a Cavaco Silva, na sua visita à República Checa? Pois é.

2011/09/05

Adeus, ó chocolatinho!

Independentemente dos (muito questionáveis) méritos futebolísticos do Yannick Djaló, é com indisfarçável alívio que o vejo sair do Sporting. A partir de agora, durante as transmissões televisivas dos jogos, vão deixar de focar uma criatura que, a primeira vez que a vi, julguei que fosse o José Castelo Branco. Parece que essa rapariga é atriz, casada com Djaló e num reality-show qualquer referia-se a ele como “o seu chocolatinho”, e se não sabia dele às escuras pedia-lhe para abrir a boca. E parece que para os realizadores televisivos ela é mais importante que um clube centenário, considerando as vezes que era focada. Adeus, Yannick; vai lá para o Nice e leva contigo a Floribela e a Lyonce Victória (é assim que se escreve?).

2011/08/24

Algumas impressões sobre a situação do Sporting

Nenhuma falha na arbitragem justifica a inépcia atacante da equipa. E aqui não se pode isentar de responsabilidades o treinador. Perante uma equipa, custa-me dizê-lo, fraquíssima (o Beira Mar não sabia o que fazer com a bola quando a tinha no meio campo do Sporting: nenhum ataque deles me assustou), por que razão o Sporting não foi capaz de fazer uma jogada de jeito na primeira parte? Se há necessidade de substituir dois jogadores de uma vez, por opção tática, passada pouco mais de meia hora, aqui também há erro do treinador, que não terá sabido avaliar corretamente o estado dos jogadores antes do início do jogo. Domingos: o Djaló não serve; o Postiga não pode ser primeira opção; se o Wolfswinkel ainda não se adaptou e o Jeffren e o Bojinov não podem jogar, tens o Carrillo e sobretudo o Rubio. O Boloni foi campeão tendo lançado, aos 18 anos, o Quaresma, o Hugo Viana e mais tarde o Cristiano Ronaldo. A direção do Sporting tem de se manter firme no conflito com os árbitros, nem que isso implique que o Sporting não tenha árbitros de “primeira categoria” portugueses a apitar os seus jogos nos próximos tempos. Não é aceitável a forma como a classe dos árbitros reage aos protestos do Sporting, protestos que, para além de legítimos, não são mais graves que os de outros clubes. Em 1999 a história repetiu-se: só boicotam os jogos do Sporting. Tal facto, repetido, revela que, doze anos depois, a cultura antisportinguista ainda reina na arbitragem e no “sistema” do futebol português. Reitero: o Sporting deve insistir no facto de não precisar dos árbitros portugueses. Se não quiserem arbitrar os jogos do Sporting, que venham árbitros estrangeiros.

2011/08/13

Terezin

Encontro-me na República Checa, fui hoje visitar este antigo campo de concentração nazi e ainda não tenho palavras

2011/07/14

Nenhum engenheiro físico é engenheiro físico se não tiver aprendido a abrir garrafas de cerveja com o JDD

Parabéns e obrigado, JDD!
Conferência The Multidisciplinary Universe hoje e amanhã no IST; aula de jubilação amanhã. Programa aqui.

2011/07/01

105 anos

A esperança é renovada e grande.

2011/06/18

Um ano depois

O primeiro texto que eu li de José Saramago:
Carta para Josefa, minha avó

Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz. Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”. É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.

José Saramago, in “Deste Mundo e do Outro"

2011/06/10

Dia de Portugal, de Camões, das comunidades e de João Gilberto

Ele pode viver completamente isolado num quarto de hotel onde ninguém está autorizado a entrar, e o camareiro deixa-lhe sandes â porta, sem a abrir nem tocar. Ele pode telefonar de madrugada aos amigos porque "precisa falar" (história que me foi confirmada por um). Ele pode ensaiar acordes de guitarra tantas vezes, de uma forma tão obsessiva, que o gato se suicida, atirando-se da janela, para não mais ouvir o mesmo acorde. Ele pode ser meio louco, mas aqulea forma de cantar como se nos estivesse a segredar ao ouvido é única. É um génio. E faz hoje 80 anos.

2011/06/07

Parabéns ao novo físico na política

Permitam-me endereçar os parabéns ao novo deputado Paulo Sá, eleito pela CDU no círculo de Faro. Se o Mariano Gago era um professor, o Paulo é quase um colega de curso: doutorou-se no mesmo departamento da mesma faculdade onde me licenciei. Se o Zé Mariano é um experimentalista, o Paulo é um teórico de altas energias. Entre outros temas a que certamente se irá dedicar, esperemos que seja uma voz da ciência no parlamento, ciência que, tradicionalmente, com a direita no poder, é muito mal tratada. Aproveito para recordar que, ao contrário do que foi diversas vezes repetido por diferentes comentadores na noite eleitoral, a CDU não beneficiou do alargamento do número de deputados do círculo de Faro para eleger o Paulo Sá, que nesta eleição seria eleito com o número de deputados antigo.

2011/06/06

Não compreendo

O texto que se segue reflete com certeza alguns preconceitos ideológicos. Posso ser parcial, mas não quero deixar de exprimir o meu ponto de vista.

Do que eu me posso recordar, o primeiro governo de maioria absoluta de Cavaco Silva empreendeu uma revisão constitucional que, entre outras coisas, permitiu abrir a economia portuguesa à iniciativa privada. A partir daí creio que se foi muito mais longe do que se deveria, tendo-se privatizado setores estratégicos de que o estado nunca deveria ter aberto mão. Mas reconheço que, provavelmente, naquela altura haveria um excesso de presença do mesmo Estado na economia. Embora lamente que se tenha ido tão longe, admito que alguma coisa teria que ser feita. Em particular na comunicação social: embora ache indispensável uma RTP pública, foi muito positivo aparecerem canais privados de televisão. No governo de Cavaco Silva também se construíram infraestruturas. O tão maldito Centro Cultural de Belém faz hoje parte do património de Lisboa, mas falemos de vias de comunicação. Uma vez mais foi-se muito mais longe do que se deveria, e hoje somos (relativamente) o país com mais autoestradas da Europa, muitas delas desertas a maior parte do tempo, cuja manutenção custa um dinheirão e que, provavelmente, nunca deveriam ter sido construídas. Mas até 1991 as duas principais cidades do país não estavam ligadas por autoestrada. Era evidente uma necessidade de melhoria de infraestruturas, e o primeiro governo de maioria de Cavaco Silva teve esse mérito. Finalmente, não sei precisar mas tenho ideia de que muitos idosos sem nenhum apoio ganharam uma pensão com este governo de Cavaco (ou viram-nas substancialmente aumentadas). Perdoem-me mas desconheço os pormenores. Mas tenho ideia de que há aqui mérito do governo.

Passámos de seguida para o último governo de Cavaco Silva. Não me recordo de nenhuma medida positiva deste governo que mereça entrar na história.

A título pessoal, e muito insatifeito com o resultado global

Votei bem – o meu voto elegeu um deputado -, e fiquei aliviado com isso.

2011/06/03

O meu voto

Não dou, de forma nenhuma, importância a Miguel Serras Pereira ou João Tunes para, afinal, não votar no Bloco de Esquerda só por causa deles. Também não dou essa importância ao meu amigo Ricardo Santos pois, apesar de lhe ter dito o contrário (e na altura em que lho disse não estava a fazer bluff), e apesar do seu (se calhar incorrigível) sectarismo (e de muitos outros militantes do PCP), vou votar na CDU nestas eleições. Tal justifica-se por votar em Braga, e as sondagens porem em risco a eleição de um deputado com valor, Agostinho Lopes, que, sendo muito próximo de Carlos Carvalhas, representa um setor não tão ortodoxo do PCP. Se votasse, por exemplo, em Coimbra, o sentido do meu voto seria de certeza outro (no Bloco de Esquerda). Se votasse em Lisboa, Porto ou Setúbal, talvez – friso o talvez – fosse outro. Em Braga achei esta solução de compromisso. Não espero muito deste meu voto. Espero que o PCP seja igual ao que sempre foi, e face ao governo que se adivinha eu quero oposição total (e nisso o PCP é bom). Por não esperar nada do PCP, não me apetece castigá-los tanto. Apetece-me castigar todos os partidos de esquerda: o PCP, pois claro, mas mais o Bloco. Pela sua indefinição ideológica, por num dia apoiar um candidato presidencial para no dia seguinte apresentar uma moção de censura: apetece-me castigar quem procede desta forma. Também me apetece castigar o PS, em quem votei nas últimas eleições, por me ter defraudado. E é isto. Muito negros tempos se adivinham; espero que, ao menos, nas próximas eleições legislativas, consiga votar com mais convicção.

2011/05/23

IST 100

Parabéns ao Instituto Superior Técnico. Da minha parte, obrigado por tudo o que lá vivi e aprendi.

2011/05/10

Preço campeão

O bom e velho Intermarché vende o muito agradável Conventual tinto ao belíssimo preço de 1,98€, com oferta do preço de uma garrafa (em cartão) a quem comprar duas. Fica a 0,99€ a garrafa (ver aqui - acaba hoje). O inimitável Continente, num folheto cheio de parangonas, vende o mesmo vinho como uma "promoção" a 2,98€ a garrafa.

2011/04/29

No dia do "casamento real"

...as saudades que eu já tinha do Jerry.

2011/04/25

Otelo e Abril

Dada a sua qualidade de responsável operacional pelo Movimento dos Capitães (mesmo se foi Salgueiro Maia a arriscar muito mais a sua própria vida) e, necessariamente, um dos grandes responsáveis pela queda do fascismo, é natural que a figura de Otelo Saraiva de Carvalho nunca tenha sido querida pela extrema direita e por todos aqueles que, de alguma forma, gostavam do anterior regime. Posteriormente, já em democracia, Otelo tornou-se um dos responsáveis pelas "Forças Populares 25 de Abril", responsável por diversos atentados terroristas. A partir daí, Otelo tornou-se uma figura antipática ao centro e à direita democrática. Mesmo se não simpatizasse com a sua irresponsabilidade e inconsequência, apesar de tudo havia à esquerda, pelo menos, uma certa condescendência perante a figura do "capitão de Abril", quanto mais não fosse... por ter feito o 25 de Abril. Mas dadas as suas recentes declarações sobre a Revolução dos Cravos, que hoje mais uma vez se comemora, Otelo parece apostado em ficar na história como uma unanimidade nacional.

2011/04/12

"A Terra é azul", disse ele

Há 50 anos, a humanidade transcendia-se.

2011/04/11

Perigo para Portugal

Com Queirós como selecionador do Irão, a curto prazo corremos o risco de o Ahmadinejad nos querer retirar do mapa.

2011/03/28

A última bettencorada

As eleições de sábado passado não acrescentaram nada de positivo ao Sporting. Se o clube já estava em crise, agora, mais dividido que nunca, melhor é que não ficou. Um presidente enfraquecido, de legitimidade questionada, era o que o Sporting menos precisava agora. Mas foi o que as urnas ditaram, e era um resultado previsível pelas sondagens. A trapalhada que constituiu a contagem de votos é que não era previsível. Um presidente de mesa da AG que teve o seu grande momento de glória com todas as televisões a transmitirem-no em direto, e que não nos deixou sem nos comunicar “que grande honra era para ele estar ali”. Estava mais preocupado consigo mesmo do que em fazer um bom trabalho: já nem falo dos resultados que foram “soprados” para a comunicação social antes da contagem ser encerrada (disso se calhar nem tem culpa, e as pessoas é que não deveriam levar a sério informação não oficial). Falo do inexplicável conceito de “afinar a contagem”, mas que afinal não era uma recontagem. Bem, a tal contagem afinada continua sem esclarecer, afinal, quantos sócios votaram, e por que há um número total diferente de sócios a votarem para os diferentes órgãos sociais. Conforme o órgão social à escolha, tanto podem ter votado 14619 sócios como 14535, 14588 ou 14589 – é só consultar esta página e fazer as contas. Esta é a “contagem afinada” do senhor presidente da AG. Este é mais um exemplo da competência das pessoas a quem o Sporting tem estado entregue. Pessoas escolhidas por José Eduardo Bettencourt, com certeza. Foi este tipo de pessoas que estiveram à frente do Sporting nos últimos dois anos. Esperemos que esta tenha sido a última “bettencorada” no clube. Mas receio bem que não.
A discrepância destes números, se não for esclarecida, parece-me uma boa base para se impugnarem as eleições, mas não parece dizer muito ao candidato oficialmente derrotado, Bruno de Carvalho. Em entrevista à SIC e ao jornal I, Bruno parece estar sobretudo interessado numa segunda volta com Godinho Lopes. Algo que até faria sentido e que os estatutos até deveriam prever quando o vencedor tivesse menos de 50% dos votos, uma situação até agora inédita. Mas… não prevêem. Assim não vai longe. Carvalho também se revela preocupado com a “tal” vantagem de 600 votos, que nunca foi anunciada oficialmente e sumiu, e acha “muito misterioso” a sua lista ter ganho a Assembleia Geral e perdido os outros órgãos sociais. Como se as eleições não fossem independentes e Eduardo Barroso um sportinguista conhecido e popular. Bruno de Carvalho mostra que não só não percebe nada do que se passou como ainda continua a falar e a proceder como um membro do "Directivo XXI". Confirmei-o mais uma vez: respeitá-la-ei se um dia se confirmar, mas não é esta a mudança que eu quero para o meu clube. Mas também não me agrada um presidente que parece uma múmia paralítica e, dadas as circunstâncias, cuja capacidade de mobilização dos sócios é nula. O futuro do Sporting não me parece nada risonho.

2011/03/26

Os "cinco violinos" das eleições no Sporting

Bruno de Carvalho poderá perdê-las... por causa de Eduardo Barroso.
Godinho Lopes poderá perdê-las... por causa de Carlos Barbosa.
Dias Ferreira poderia perdê-las... por causa de Futre. Não por Futre não ser sportinguista (que é - não tenho dúvida: é simplesmente um palhaço que nem sabe falar português). Mas perde-as também (de certeza que vai perdê-las) por sua própria causa: mais do que qualquer outro, é a continuidade de Bettencourt no que isso é mais importante, como este vídeo demonstra. Acima de tudo, como escrevi aqui, os sportinguistas não querem mais presidentes que os envergonhem.
Não creio que Pedro Baltazar e Sérgio Abrantes Mendes verdadeiramente contem. E dos outros dois? Não gosto de nenhum.
Entre estar refém da banca e de russos que ninguém conhece (alguns com negócios duvidosos), venha o diabo e escolha. Mas a banca, ao menos, sabemos para que vem. Os russos parecem um "almoço grátis". E não há almoços grátis. Como Dias Ferreira afirmou e Bruno de Carvalho não desmentiu, só vêm para o Sporting, pelo tal fundo, os jogadores que os russos quiserem.
Entre Manuel Fernandes e Augusto Inácio, escolho Augusto Inácio. Por muito simbólico que o grande capitão seja, o clube deve muito mais a Inácio, como jogador e como treinador. Enquanto representou o FC Porto, enquanto era treinador do FC Porto, Inácio nunca deixou de ser sócio do Sporting (usava um isqueiro do Sporting). Pode pôr-se em causa a sua adequação para o lugar (na entrevista que eu li, Inácio falava... como treinador, da tática que queria que a equipa tivesse). Mas é imoral pôr-se em causa o seu sportinguismo. O grande problema do Sporting há muitos anos - João Moutinho é só a mais recente expressão - é por que é que o Sporting trata tão mal os seus símbolos ou, pelo menos, não é capaz de os manter.
A eleição não é para treinadores nem para jogadores, mas claramente não posso apoiar a escolha de Marco van Basten: na sua curta carreira de treinador (apesar de ter 46 anos) ocupou lugares de responsabilidade e falhou sempre.  Domingos Paciência parece-me uma boa opção.
Mas os grandes trunfos de Godinho Lopes são Luís Duque e Carlos Freitas, duas pessoas competentes. Luís Duque só esteve um ano no Sporting,... e fez as contratações essenciais para o título de 2000, com  Carlos Freitas. Carlos Freitas contratou muito, quase sempre barato e a maior parte das vezes bem: acertou muito mais do que errou - veja-se Liedson -, e onde quer que tenha estado teve sucesso. Godinho Lopes não me diz nada: a falar, é uma marioneta nas mãos de Cunha Vaz. (Já Bruno de Carvalho é um punk mal educado do "Directivo XXI".) O meu apoio, contrafeito, vai para Godinho Lopes.

2011/03/01

o Avesso do Avesso - cinco anos num computador perto de si

De acordo com o sitemeter, 180335 visitas, 226469 carregamentos de página.
De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 178786 visitas, 62% das quais de Portugal, 19,6% do Brasil, 3,3% de França, 3% do Reino Unido, 2,9% dos EUA, 1,9% da Suíça, 1,4% da Alemanha, 1,1% da Espanha, 0,7% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,5% de outros países. 15,5% à segunda, 15,9% à terça, 16,0% à quarta, 15,7% à quinta, 14,5% à sexta, 10,9% ao sábado e 11,4% ao domingo.

Mesmo se as postagens são mais escassas, desde que escrevo no Esquerda Republicana, o Avesso do Avesso continua como o meu blogue pessoal. Muito obrigado a quem por aqui vai passando.

2011/02/28

Alguns comentários sobre o Sporting

A grande tragédia do clube consiste em o Paulo Sérgio estar perfeitamente à altura dos jogadores que dirigia. Entretanto receio que esta equipa não volte a ganhar nenhum jogo até ao fim da época.

2011/02/06

Alguns comentários sobre as eleições presidenciais

Podem os derrotados (é o meu caso) das presidenciais queixar-se do desinteresse do povo que se absteve em vez de ter contribuído para derrotar Cavaco Silva. Quem disser tal coisa (há muita gente que ainda pensa assim) não vê que, ainda mais do que há cinco anos, Cavaco foi reeleito por não ter um adversário à altura. Se há cinco anos havia um ex-presidente (o melhor deles) a querer regressar ao lugar (uma ideia que o povo legitimamente rejeitou) e dois bons líderes de partidos médios, este ano os cinco candidatos da oposição eram, a meu ver, maus. Assim se justificam os recordes da abstenção e do número de votos em branco. Fernando Nobre e José Manuel Coelho (mais o segundo que o primeiro) representam votos de protesto. Não creio que o primeiro reunisse condições para ser um bom presidente da república, e não acredito que alguém quisesse o segundo nessa função. Defensor de Moura marcou o início da campanha, com a denúncia da parcialidade de Cavaco Silva, e um ataque eficaz no caso do BPN. Mais para o fim, no entanto, assumiu-se como "candidato regional", do norte. Um presidente da república tem todo o direito a ser regionalista, mas não regional. Louvo-lhe a iniciativa, creio que desempenhou um papel importante nestas eleições, mas acabou por não contar com o meu voto, mesmo tendo ponderado votar nele por algum tempo. Pareceu-me que Defensor se candidatava em nome de uma "ala direita" do PS, que rejeitava coligações com o Bloco de Esquerda. Reconheço o direito dessa tendência a ter um candidato, mas não era ela que eu queria reforçar com o meu voto. Creio que faz falta mais esquerda, e a candidatura mais à esquerda era sem dúvida a apoiada pelo PCP. Só que aí põe-se o problema oposto. Eu poderia perfeitamente ter votado num militante do PCP respeitável e que tivesse desempenhado um papel meritório no resto da sociedade e não só dentro do partido. Casos de Carlos Carvalhas, Octávio Teixeira, Carvalho da Silva ou mesmo Odete Santos (era um sonho meu ver a Odete Santos numa eleição presidencial). Não dei o meu voto a alguém que pode ter um passado muito respeitável (e acabou por fazer uma boa campanha contra Cavaco), mas não passa de um funcionário de partido. Não é este o perfil que eu considero indicado para um presidente da república. Restou Manuel Alegre, em quem votei por exclusão de partes. Conforme era de prever, face à sua desastrosa derrota, a direita tratou logo de afirmar que uma aliança PS-Bloco de Esquerda era rejeitada pelo povo. Sendo esta a solução de governo que eu desejo para Portugal, achei importante contrariar esta interpretação. Mesmo se estas não eram eleições legislativas. E mesmo que para tal tenha acabado por votar num candidato que, sabia, estava longe de ser o ideal. Por que é que Alegre não era o candidato ideal? Porque a um candidato a presidente exige-se independência e autonomia, mas também um rumo certo, próprio. E foi isso que Alegre não demonstrou, fazendo uma campanha ziguezagueante face às contradições dos partidos que o apoiavam, ora procurando o apoio de um, ora o de outro. Tal tornou-se particularmente evidente no caso dos sindicalistas detidos de que aqui falei. Confrontado com a notícia, e ainda sem saber do que se tinha passado, a primeira reação de Alegre foi dizer que era "evidentemente" contra. (E se os sindicalistas tivessem mesmo agredido o polícia? Poderia dizer que era contra, fazendo as devidas ressalvas, cono eu fiz, dizendo que não sabia o que se passara.) Mais tarde, pareceu querer mesmo criticar a manifestação, ao questionar a sua razão dada a ausência do primeiro ministro. Alegre nunca se conseguiu libertar do espartilho que era ter o apoio de dois partidos que são adversários em tanta coisa. Nunca foi um homem livre. Nunca teve um rumo próprio e consequente. Estas são qualidades que se apreciam num presidente da república. E agora? Estamos na mesma como estávamos. Pior, talvez: nas próximas eleições legislativas, sejam elas quando forem, a direita aparenta ser favorita, embora um governo de direita não seja inevitável. Até lá, a crise. Daqui a cinco anos a esquerda tem que apresentar candidatos mais fortes.

2011/01/31

Obrigado por tudo, levezinho!

O melhor marcador do Sporting nas competições europeias e um avançado verdadeiramente inesquecível. Só é pena que saia sem o título que ele (mais do que outros jogadores, treinadores e dirigentes) merecia. Nunca te esqueceremos!

2011/01/27

O orgulho ferido de ser do Sporting

Texto escrito para o Delito de Opinião, por simpático convite do Pedro Correia

O Sporting atravessa uma crise pior, mais profunda, que a das décadas de 80/90. Nessa altura nunca perdi a esperança no clube e nunca temi uma “belenensização”. Acredito que o Sporting é grande o suficiente para ultrapassar esta crise; porém, nunca temi tanto pelo futuro do clube como hoje.
Por que temo? Qual é a razão que leva alguém a ser sportinguista? Não há uma resposta simples, mas basta um pouco de sociologia de almanaque (corroborada por inquéritos e estatísticas) para caracterizar os sportinguistas. No meu caso, basta dizer que, tendo estudado em Lisboa, no ensino primário e básico os benfiquistas estavam em larga maioria na turma, no secundário eram ela por ela com os sportinguistas e no ensino superior os sportinguistas eram uma larga maioria: no meu curso os benfiquistas contavam-se pelos dedos de um pé. Os sportinguistas vencem na vida; por que razão não vence o clube?
Justamente por os sportinguistas estarem muito mais preocupados com as suas vidas do que com o seu clube, ao contrário dos benfiquistas, para quem o clube é tudo. É a chamada “falta de militância”, tão bem diagnosticada pelo anterior presidente.
É este desapego pelo clube que distingue e diria mesmo que dá graça aos sportinguistas. Agora, pode um clube não ser popular e mesmo assim ser grande? A história do Sporting diz que sim. Mas para tal tem que ter bons dirigentes e ser bem dirigido. São duas coisas diferentes.
Por “bem dirigido” entende-se um clube financeiramente viável, que saiba criar talentos e fazer bons negócios, sem vender ou comprar de qualquer maneira. Que tenha objetivos desportivos ambiciosos e realistas. Não é o que se tem visto no Sporting, pelo menos no mandato da direção cessante, com dinheiro gasto ao desbarato na contratação de jogadores, treinadores e sobretudo dirigentes sem qualidade, que contratam os seus amigos à beira da reforma.
Por “bons dirigentes” entende-se dirigentes que entendam a cultura e as peculiaridades do Sporting. Por muito que o Sporting não ganhe tantos títulos como os outros, a postura de vencedores na vida que até ganham de vez em quando é o que mais irrita os nossos adversários (particularmente os benfiquistas). Desde que ganhem – os benfiquistas detestam que o Sporting ganhe; os sportinguistas adoram que o Benfica perca. O que mais irrita os benfiquistas é que no fundo eles admiram os sportinguistas e adorariam ser como eles.
Os dirigentes do Sporting têm que perceber esta realidade e estar à altura dela. Não é o que se tem visto, com declarações inenarráveis – muito piores do que meras gafes – do presidente agora demissionário. Deste que esta direção ainda em funções tomou posse, deu exemplos de péssima gestão – afinal as credenciais do presidente eram as de ter gerido um grande banco, e a presente crise nacional e internacional demonstra que gerir um banco não é sinónimo de ser bom gestor. Mas criou situações inacreditáveis – a lista é infelizmente muito longa: um presidente que manda calar e tenta agredir adeptos que o contestam; um vice-presidente que julga que os adeptos que contestam não deveriam ter lugar no clube; um relações-públicas antigo chefe de claque que instiga a desacatos; um chefe do departamento de futebol autoritário que entra em conflito com os melhores jogadores; a proibição do uso de calças de ganga; mas sobretudo o presidente que acha que ser casado com alguém benfiquista é “uma infelicidade” e que os pais é que escolhem o clube dos filhos.
Todos estes episódios – particularmente aqueles que envolveram o presidente – causaram-me um sentimento que nunca antes sentira: vergonha do meu clube. Voltando ao princípio: nunca – nem durante o longo jejum de títulos de 18 anos – eu temera o fim do Sporting enquanto clube grande, a “belenensização”: se havia algo que caracterizava os sportinguistas, apesar da falta de militância (e da falta de vitórias) era esse orgulho de ser de um clube único. Nos tempos mais recentes, e devido a esta desastrosa direção, ser do Sporting não tem sido motivo de orgulho. O meu desejo para 2011 é que ser do Sporting volte a ser motivo de orgulho o mais depressa possível.

2011/01/21

Cavaco é sobretudo isto

Mais uma demonstração cabal de falta de cultura democrática, igual a tantas a que nos habituou nos últimos 25 anos: a (eventual) subida das taxas de juro é mais importante que a vontade soberana do povo. Manuela Ferreira Leite, seu delfim político e pessoa com quem mantém estreitas relações, falava em "suspender a democracia por seis meses". A democracia e a república para esta gente são secundárias. Só por isto, digo: domingo vamos todos votar! Para que haja uma segunda volta.

2011/01/16

A eleição presidencial mais importante está ganha

Livrámo-nos do anormal do cotonete. José Eduardo Bettencourt não demonstrou competência nenhuma. Eu não tenho pena dele, porque andou a ganhar dinheiro e não foi pouco, mas duvido que instituição alguma o queira agora. Deixa uma impressão tão má, mas tão má, da sua pessoa, que quem o for buscar agora, seja quem for, sai desprestigiado. Se ele voltar para o banco onde tenho as minhas poupanças, pode ser que retire de lá o dinheiro.

2011/01/14

Um português orgulhoso

Repito o que aqui escrevi há uns meses, quando voltou a sagrar-se campeão europeu: nunca antes houve na história do futebol um treinador como ele. Parabéns, José Mourinho!