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2011/04/29
2010/04/07
As viagens da deputada Inês de Medeiros
Na série Seinfeld, a minha personagem favorita era o Kramer. E uma das razões principais para isso é que raramente alguma outra vez terá ficado tão clara a distinção entre lógica e bom senso. O bom do Kramer (com certeza um matemático não aproveitado) defendia pontos de vista que eram absolutamente inatacáveis de um ponto de vista lógico, mas que entravam em conflito com o mais elementar senso comum do dia a dia.
A jurista (é ela que assim se intitula, e frisa-o bem) Isabel Moreira, do Jugular, é algo krameriana na sua argumentação. O pagamento das viagens a Paris da deputada Inês de Medeiros pode até ser estritamente legal, mas não passa pela cabeça de ninguém com um mínimo de bom senso que um deputado da nação tenha ajudas de custo para viagens à sua residência… fora do país. Mais: creio que não passa pela cabeça de ninguém que um deputado da nação tenha residência permanente fora do país.
Excetuam-se, claro, os deputados eleitos pelos círculos da emigração. Mas Inês de Medeiros, recorde-se, apesar de residir em Paris, é eleita pelo círculo de Lisboa, onde é eleitora.
A lógica de Isabel Moreira, a defender quem tem um local de residência e outro de voto, é contrária ao Simplex, e em particular ao Cartão do Cidadão, uma das bandeiras do anterior governo, que tornaria essa prática impossível. Esta situação de Inês de Medeiros não é necessariamente ilegal, porque o Cartão do Cidadão ainda não está generalizado, mas situações como a da deputada têm os dias contados. Entretanto, que fazer com as suas viagens?
Como ponto prévio, declaro-me internacionalista, e europeísta em particular. Dito isto, não faz sentido declarar que o não pagamento de tais viagens põe em causa a “mobilidade dos cidadãos”. Que se paguem tais ajudas a deputados ao Parlamento Europeu, pois acho naturalmente muito bem. Mas a mobilidade entre diferentes países da União Europeia é algo que não se espera de um deputado a um parlamento nacional (que, no contexto europeu, é uma forma local, ou se quisermos regional, de fazer política). Posso concordar com a Fernanda Câncio que este caso abre um precedente, e que se calhar Inês de Medeiros, que não prestou declaração falsa nenhuma, é a menos culpada e não merece um linchamento (mais culpado se calhar é o partido que aceitou a sua candidatura, sabendo estas circunstâncias). E concordo sobretudo quando lamento que o Presidente da AR, tão lesto noutras tomadas de posição, não diga nada sobre este caso. Mas apesar disso tudo (ainda mais estando nós no meio de uma crise profunda, mas mesmo que não estivéssemos), eu não quero pagar as viagens a Paris da deputada Inês de Medeiros.
Também publicado no Esquerda Republicana
A jurista (é ela que assim se intitula, e frisa-o bem) Isabel Moreira, do Jugular, é algo krameriana na sua argumentação. O pagamento das viagens a Paris da deputada Inês de Medeiros pode até ser estritamente legal, mas não passa pela cabeça de ninguém com um mínimo de bom senso que um deputado da nação tenha ajudas de custo para viagens à sua residência… fora do país. Mais: creio que não passa pela cabeça de ninguém que um deputado da nação tenha residência permanente fora do país.
Excetuam-se, claro, os deputados eleitos pelos círculos da emigração. Mas Inês de Medeiros, recorde-se, apesar de residir em Paris, é eleita pelo círculo de Lisboa, onde é eleitora.
A lógica de Isabel Moreira, a defender quem tem um local de residência e outro de voto, é contrária ao Simplex, e em particular ao Cartão do Cidadão, uma das bandeiras do anterior governo, que tornaria essa prática impossível. Esta situação de Inês de Medeiros não é necessariamente ilegal, porque o Cartão do Cidadão ainda não está generalizado, mas situações como a da deputada têm os dias contados. Entretanto, que fazer com as suas viagens?
Como ponto prévio, declaro-me internacionalista, e europeísta em particular. Dito isto, não faz sentido declarar que o não pagamento de tais viagens põe em causa a “mobilidade dos cidadãos”. Que se paguem tais ajudas a deputados ao Parlamento Europeu, pois acho naturalmente muito bem. Mas a mobilidade entre diferentes países da União Europeia é algo que não se espera de um deputado a um parlamento nacional (que, no contexto europeu, é uma forma local, ou se quisermos regional, de fazer política). Posso concordar com a Fernanda Câncio que este caso abre um precedente, e que se calhar Inês de Medeiros, que não prestou declaração falsa nenhuma, é a menos culpada e não merece um linchamento (mais culpado se calhar é o partido que aceitou a sua candidatura, sabendo estas circunstâncias). E concordo sobretudo quando lamento que o Presidente da AR, tão lesto noutras tomadas de posição, não diga nada sobre este caso. Mas apesar disso tudo (ainda mais estando nós no meio de uma crise profunda, mas mesmo que não estivéssemos), eu não quero pagar as viagens a Paris da deputada Inês de Medeiros.
Também publicado no Esquerda Republicana
2009/10/15
Seinfeld no Twitter
Uma situação imaginada na Slate:
I Enjoy a Good Tweet
The cast of Seinfeld expounds on the latest Internet phenomenon.
By Frank Ferri
Posted Monday, Oct. 12, 2009, at 3:11 PM ET
INT. JERRY'S APARTMENT—DAY
ELAINE and JERRY are standing around JERRY'S kitchen counter. GEORGE is sitting on the couch typing on a laptop.
JERRY: Again with the Twitter?
GEORGE: What? I can't tweet?
ELAINE: No one said you can't tweet.
GEORGE: Jerry did. Jerry's got a problem with my tweeting.
JERRY: Please, tweet away. Tweet all you want. Tweet your heart out.
GEORGE: I will. I enjoy a good tweet.
ELAINE: Fine, but don't you think it's a bit much with the tweets?
GEORGE: Who are you? The queen of tweets? I think I tweet the perfect amount.
JERRY: You know, you've got to have something to tweet about in order to tweet.
GEORGE: I got plenty to tweet about, baby!
JERRY: No, no you don't. You see, you have the Twitter account and the laptop. But you don't have anything worthwhile to tweet about. No job, no girlfriend, no …
KRAMER enters, nearly knocking over JERRY as he stumbles into the living room.
KRAMER: Giddyup. (Notices George.) What's with Poindexter on the laptop?
ELAINE: He's tweeting again.
KRAMER: My God! You're tweeting all over the place!
GEORGE: I tweet just as often as the next guy. No one stops George Costanza from tweeting!
KRAMER: I ever tell you about my friend Bob Sacamano? Tweeted way too much. (Getting animated.) Tweeted like there was no tomorrow!
GEORGE: So?
KRAMER: (high-pitched) He's dead.
ELAINE: Death by Twitter?
KRAMER: You said it, sister.
JERRY: What's the deal with that 140-character limit, anyway? Like if it was 141, the Internet would break?
GEORGE: Ooh, that's good. Can I tweet that?
LAUGHTER. APPLAUSE. END SCENE.
I Enjoy a Good Tweet
The cast of Seinfeld expounds on the latest Internet phenomenon.
By Frank Ferri
Posted Monday, Oct. 12, 2009, at 3:11 PM ET
INT. JERRY'S APARTMENT—DAY
ELAINE and JERRY are standing around JERRY'S kitchen counter. GEORGE is sitting on the couch typing on a laptop.
JERRY: Again with the Twitter?
GEORGE: What? I can't tweet?
ELAINE: No one said you can't tweet.
GEORGE: Jerry did. Jerry's got a problem with my tweeting.
JERRY: Please, tweet away. Tweet all you want. Tweet your heart out.
GEORGE: I will. I enjoy a good tweet.
ELAINE: Fine, but don't you think it's a bit much with the tweets?
GEORGE: Who are you? The queen of tweets? I think I tweet the perfect amount.
JERRY: You know, you've got to have something to tweet about in order to tweet.
GEORGE: I got plenty to tweet about, baby!
JERRY: No, no you don't. You see, you have the Twitter account and the laptop. But you don't have anything worthwhile to tweet about. No job, no girlfriend, no …
KRAMER enters, nearly knocking over JERRY as he stumbles into the living room.
KRAMER: Giddyup. (Notices George.) What's with Poindexter on the laptop?
ELAINE: He's tweeting again.
KRAMER: My God! You're tweeting all over the place!
GEORGE: I tweet just as often as the next guy. No one stops George Costanza from tweeting!
KRAMER: I ever tell you about my friend Bob Sacamano? Tweeted way too much. (Getting animated.) Tweeted like there was no tomorrow!
GEORGE: So?
KRAMER: (high-pitched) He's dead.
ELAINE: Death by Twitter?
KRAMER: You said it, sister.
JERRY: What's the deal with that 140-character limit, anyway? Like if it was 141, the Internet would break?
GEORGE: Ooh, that's good. Can I tweet that?
LAUGHTER. APPLAUSE. END SCENE.
2009/09/09
Sobre os debates à esquerda
O Seinfeld afirmou esta frase lapidar (a propósito de um gay com quem a Elaine se dava muito bem): "People always get along when there is no possibility of sex." Olhando para os debates entre o Jerónimo e quer o Louçã, quer o Sócrates, vemos: ali não há possibilidade de sexo. O Jerónimo quer manter-se casto - o que se lhe há-de fazer? Vendo o debate de ontem entre o Louçã e o Sócrates, concluímos: depois das eleições, pode ser que tenha que haver ali uma foda. Por isso foi um debate tão tenso.
2009/03/17
So long, Conan
Como qualquer pessoa que siga o programa (eu via-o para aí desde 1999, com um interregno enquanto vivia em França), tenho pena da saída de Conan O'Brien do Late Night e estou apreensivo com a sua transferência para o Tonight Show. Este último é o principal palco da TV americana, o único programa ao vivo a receber um presidente (já esta semana). É sem dúvida uma promoção para o Conan. Mas é em Los Angeles, e o Conan, um bostoniano de ascendência irlandesa, tornou-se um ícone de Nova Iorque. E o Tonight Show é um programa muito mais institucional, e é provável que continue a sê-lo. O que implica que o Conan iconoclasta que nos habituámos ao longo dos anos acabou. A partir do outono cá estaremos para ver. Espero que me engane. Entretanto o último Late Night é transmitido hoje na SIC Radical, tendo o penúltimo (com Jerry Seinfeld) sido transmitido ontem.
2008/09/07
2007/05/15
A ópera do pobre
O famoso blasfemo João Miranda escreve todos os sábados no Diário de Notícias desde que João Marcelino assumiu a direcção deste jornal.
No seu último artigo, para elaborar uma das suas teses ultraliberais do costume, escreve: "dado que a ópera é tendencialmente uma actividade que interessa muito mais aos ricos que aos pobres, existe uma grande probabilidade de serem os que têm menos escolhas a financiarem os que têm mais escolhas".
Eu não sei a que contexto se estará a referir o João. Aceito que a ópera não é um espectáculo fácil, mas será por isso que só é apreciado por ricos? Será que só os ricos têm “bom gosto”? Será que não passa pela cabeça do João que qualquer pessoa pode interessar-se por ópera, mas não ter condições de a frequentar?
Quando vivi em Nova Iorque, frequentava com regularidade a Metropolitan Opera. Havia uns lugares mais em cima, de onde só se distinguia os detalhes dos intérpretes no palco com o auxílio de uns binóculos. Era o chamado “family circle”. Cada bilhete custava cerca de 20 dólares. Na Metropolitan Opera. Havia uma grande procura para estes bilhetes, bem como para todos os outros (para todas as bolsas a partir de 20 dólares). Certamente quem procurava o “family circle” ou os outros lugares mais longe do palco não era rico.
Também havia as lagostas. O João Miranda dirá provavelmente que as lagostas “interessam muito mais aos ricos do que aos pobres”. As lagostas de Long Island são famosas (e já o eram antes de o Cosmo Kramer ser preso por causa delas, num célebre episódio de Seinfeld lá passado). Existe uma cadeia de fast-food de lagosta (“Red Lobster”). Em vilas portuárias dos arredores de Nova Iorque, com nomes como Port Washington ou Port Jefferson, podem comer-se lagostas em pubs. Uma lagosta inteira de uma libra, acompanhada por molho de manteiga, uma sopa do dia, bolachas de água e sal, uma dose de batatas fritas, molho tártaro e “cole slaw”. Tudo isto, mais cerveja e gorjeta, fica por dez dólares num pub de Long Island. Será assim a lagosta “comida de ricos”? Não são nada ricas as pessoas que frequentam estes “pubs”.
Claro que isto só era possível em Nova Iorque. Uma das coisas de que eu mais gosto em Nova Iorque é que quem conheça bem a região e saiba ir ao sítio certo pode encontrar tudo, seja o que for, barato (excepto comida francesa). Antes de lá chegar, nunca tinha provado lagosta. E nunca tinha ido à ópera. Gosto muito das duas coisas mas, de facto, como não sou rico, desde que de lá voltei nunca mais comi lagosta. E nunca mais fui à ópera. No entanto nunca consideraria que a lagosta ou a ópera só interessam aos ricos. Tal consideração seria elitista e provinciana.
O que é então tipicamente “de rico”? Não que eu seja rico, como já disse, mas ser rico não é ter interesse pelas melhores coisas da vida. Qualquer pessoa tem interesse por elas; só os ricos, porém, é que podem apreciar muitas delas com regularidade, sempre que lhes apeteça. Ser-se rico é mais do que só se viajar em classe executiva ou só ficar em hotéis de cinco estrelas ou só fazer compras no El Corte Inglés ou só comer nos restaurantes indicados pelo Duarte Calvão. Ser-se rico é usar o muito dinheiro que se possa ter para se distinguir das demais pessoas, quando não se é melhor do que elas por isso, sendo que se não se tivesse esse dinheiro, não haveria tal distinção. Ser-se rico é pior do que ser-se de direita. Ser-se rico é só se preocupar consigo e com o seu próprio conforto e nunca se preocupar com os outros. Ser-se rico é ter-se uma empregada doméstica ou secretária sem as quais não se sabe fazer absolutamente nada. Ser-se rico é nunca utilizar os transportes públicos e só andar de carro. A tudo isto eu chamaria manifestações de riquismo, novo ou velho. A tudo isto o João Miranda chamaria “liberdade individual”, provavelmente o mais burguês de todos os valores.
Publicado também no Cinco Dias.
No seu último artigo, para elaborar uma das suas teses ultraliberais do costume, escreve: "dado que a ópera é tendencialmente uma actividade que interessa muito mais aos ricos que aos pobres, existe uma grande probabilidade de serem os que têm menos escolhas a financiarem os que têm mais escolhas".
Eu não sei a que contexto se estará a referir o João. Aceito que a ópera não é um espectáculo fácil, mas será por isso que só é apreciado por ricos? Será que só os ricos têm “bom gosto”? Será que não passa pela cabeça do João que qualquer pessoa pode interessar-se por ópera, mas não ter condições de a frequentar?
Quando vivi em Nova Iorque, frequentava com regularidade a Metropolitan Opera. Havia uns lugares mais em cima, de onde só se distinguia os detalhes dos intérpretes no palco com o auxílio de uns binóculos. Era o chamado “family circle”. Cada bilhete custava cerca de 20 dólares. Na Metropolitan Opera. Havia uma grande procura para estes bilhetes, bem como para todos os outros (para todas as bolsas a partir de 20 dólares). Certamente quem procurava o “family circle” ou os outros lugares mais longe do palco não era rico.
Também havia as lagostas. O João Miranda dirá provavelmente que as lagostas “interessam muito mais aos ricos do que aos pobres”. As lagostas de Long Island são famosas (e já o eram antes de o Cosmo Kramer ser preso por causa delas, num célebre episódio de Seinfeld lá passado). Existe uma cadeia de fast-food de lagosta (“Red Lobster”). Em vilas portuárias dos arredores de Nova Iorque, com nomes como Port Washington ou Port Jefferson, podem comer-se lagostas em pubs. Uma lagosta inteira de uma libra, acompanhada por molho de manteiga, uma sopa do dia, bolachas de água e sal, uma dose de batatas fritas, molho tártaro e “cole slaw”. Tudo isto, mais cerveja e gorjeta, fica por dez dólares num pub de Long Island. Será assim a lagosta “comida de ricos”? Não são nada ricas as pessoas que frequentam estes “pubs”.
Claro que isto só era possível em Nova Iorque. Uma das coisas de que eu mais gosto em Nova Iorque é que quem conheça bem a região e saiba ir ao sítio certo pode encontrar tudo, seja o que for, barato (excepto comida francesa). Antes de lá chegar, nunca tinha provado lagosta. E nunca tinha ido à ópera. Gosto muito das duas coisas mas, de facto, como não sou rico, desde que de lá voltei nunca mais comi lagosta. E nunca mais fui à ópera. No entanto nunca consideraria que a lagosta ou a ópera só interessam aos ricos. Tal consideração seria elitista e provinciana.
O que é então tipicamente “de rico”? Não que eu seja rico, como já disse, mas ser rico não é ter interesse pelas melhores coisas da vida. Qualquer pessoa tem interesse por elas; só os ricos, porém, é que podem apreciar muitas delas com regularidade, sempre que lhes apeteça. Ser-se rico é mais do que só se viajar em classe executiva ou só ficar em hotéis de cinco estrelas ou só fazer compras no El Corte Inglés ou só comer nos restaurantes indicados pelo Duarte Calvão. Ser-se rico é usar o muito dinheiro que se possa ter para se distinguir das demais pessoas, quando não se é melhor do que elas por isso, sendo que se não se tivesse esse dinheiro, não haveria tal distinção. Ser-se rico é pior do que ser-se de direita. Ser-se rico é só se preocupar consigo e com o seu próprio conforto e nunca se preocupar com os outros. Ser-se rico é ter-se uma empregada doméstica ou secretária sem as quais não se sabe fazer absolutamente nada. Ser-se rico é nunca utilizar os transportes públicos e só andar de carro. A tudo isto eu chamaria manifestações de riquismo, novo ou velho. A tudo isto o João Miranda chamaria “liberdade individual”, provavelmente o mais burguês de todos os valores.
Publicado também no Cinco Dias.
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Seinfeld
2007/04/05
“Those people can be so touchy!”
É claro que não se pode criticar a Bomba Inteligente sem aparecerem logo os fãs. E é mais claro ainda que não se pode associar a palavra “judeu” a um adjectivo depreciativo sem aparecerem logo acusações de “anti-semita”. Há três anos que ninguém me chamava “anti-semita”. Já tinha saudades. Devo este insulto, desta vez, ao leitor Júlio Silva Cunha, nos comentários, que aparentemente se incomodou por eu ter explicitado a religião de Sarah Silverman quando lhe chamei racista.
Há uns meses a actriz Daniela Ruah era a capa da revista Notícias Sábado. Daniela, para quem não a conhece, é protagonista de uma telenovela actualmente em exibição na TVI. O título de capa da revista era “a bela judia”. E, de facto, correspondia à verdade: Daniela é bela e consta que é judia. Mas também corresponderia totalmente à verdade um título como “a judia da voz esganiçada”. Eu que o diga, que todas as quintas feiras (como hoje) apanho uma bem sefardita dor de cabeça graças aos gritos daquela actriz na referida novela, que tenho que ver (e mais a ligação diária ao programa As Bombas e os Inteligentes. O que um tipo tem que aturar se quer ver do princípio o Dr. House!
Não vi Júlio Silva Cunha nem nenhum leitor da revista chamar “anti-semita” àquela capa, apesar de o “judia” ser bem explícito. Porquê? Porque vinha acompanhado de um elogio. Já um título como “a judia da voz esganiçada” seria rapidamente considerado ofensivo para toda a comunidade judaica. Indignações selectivas... que nem têm a ver com tratar-se de judeus. Se se substituísse “judia” por “negra”, ou “católica” ou “portuguesa” a indignação seria a mesma. E porquê? Porque a etnia (neste caso, “judia”) não tem nada a ver com a voz esganiçada. Mas também não tem nada a ver com a beleza...
No caso de Sarah Silverman incluí uma referência à sua etnia, associada ao seu racismo. Não porque, evidentemente, o racismo seja associável aos judeus. Bem pelo contrário: devido ao racismo de que sempre forma vítimas, parece-me ainda mais chocante encontrar um judeu (ou um negro) racista. Daí a minha referência.
Sarah Silverman é uma boa representante daquilo a que se chama uma “princesa judia”, um conceito bem definido nos EUA e com direito a entrada na wikipédia (será que Júlio Silva Cunha também vê anti-semitismo na wikipédia?). O melhor exemplo de uma “princesa judia” na blogosfera portuguesa é, justamente, a bomba inteligente Carla Quevedo (demonstra-o quotidianamente no seu blogue). Bem mais do que a saudosa Ana Albergaria, com quem eu tive algumas altercações (mas de quem tenho sinceras saudades). A Ana Albergaria manifestava alguma preocupação com o mundo que a rodeava (mesmo que eu nunca concordasse com ela), nunca escondia o que era e tinha um grande sentido de humor (até ensinava a malta a fazer croquetes!). A aburguesada blogosfera portuguesa (de esquerda e de direita) gosta muito da escrita da “princesa judia” portuguesa. Eu, que sou culturalmente proletário, não gosto de príncipes nem de princesas, judeus ou de qualquer outra etnia. Mas desejo a todos (de qualquer crença ou não-crença) uma Páscoa feliz e cheia de coisas boas.
2007/04/01
Dia de Costanza
Era assim que, em homenagem ao maior de todos, o dia dos mentirosos deveria ser renomeado.
2007/03/06
Seinfeld - The Lost Episode
Num interessante blogue de apoio a Barack Obama - This Much Left - encontrei um vídeo com uma colagem de episódios do Seinfeld, e com um da vida real pelo meio. Para um fã do Kramer como eu custa fazer isto, mas aqui vai. Afinal custa muito mais saber o que se passou. Mas o Michael Richards pedu desculpa.
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