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2013/05/24
2009/07/14
2008/08/22
2008/06/20
2008/02/14
«Continuez à nous amuser, Salvador!»
Obituário no El Pais (onde soube da notícia) e no Libération (que chama o cantor, desaparecido ontem aos 90 anos, à la une, e faz dele assunto único). Quem não sentiu o suingue de Henri Salvador?
2007/11/21
Le feu au bobottin
Na semana da LEFT, uma "pequena produção cinematográfica bordalesa". Participa um amigo meu, antigo aluno da LEFT.
2007/05/14
O Estado como garante de maior democraticidade
Sobre as eleições francesas, o resultado foi o esperado e eu não tenho muito mais a acrescentar ao que escreveu o Hugo Mendes. O que mais me impressionou foi a elevadíssima participação eleitoral, bem maior do que a que estamos habituados em Portugal. E muitíssimo maior do que em países como os EUA ou o Reino Unido. Na primeira volta (85% de participação) ainda julguei que tal se devesse a querer excluir de certeza Jean Marie Le Pen, mas os mais de 80% da segunda volta confirmam-no: a participação eleitoral na França é muito superior à de outros países de tradição anglo-saxónica e economia liberal. Quando o fenómeno da abstenção elevada começou a sentir-se em Portugal, articulistas conservadores e culturalmente britânicos como Miguel Esteves Cardoso chegaram a afirmar que a baixa participação eleitoral era um “sintoma de desenvolvimento”. É claro que tal ideia só poderia vir de uma cabeça como a deste senhor (ou como ao de João Carlos Espada). Se nestes países a participação eleitoral é mais baixa, é porque o povo sente que não pode alterar grande coisa com o seu voto. O poder está todo nas grandes corporações e nas grandes empresas. O poder político é mais fraco que o poder económico. Como dizia uma amiga minha relativamente aos EUA, naquele país o conceito de “liberdade” era “poder-se comprar tudo o que se quisesse”. Quem pudesse, como é evidente. Em França, não vou afirmar peremptoriamente que o “poder político” é mais forte que o “poder económico” (uma condição essencial para uma verdadeira democracia), mas pelo menos existe, sem dúvida, um poder político. Algo que para os ultraliberais, cuja única democracia que conhecem é o “mercado”, faz muita confusão. É claro que mesmo na democracia francesa os cidadãos podem votar mal (e têm votado mal, a meu ver, nas últimas vezes). Mas há lá uma tradição de combate político e uma sensação (legítima, e com motivos históricos) de que o voto popular conta alguma coisa para os destinos do país. É esta sensação que pode vir a ser ameaçada pela recente escolha (legítima) do eleitorado francês. Um eleitorado confuso e à procura de um país que já não é o mesmo apostou num candidato que aparece como “salvador”. Embora respeitando sempre a legitimidade do voto popular, desejo que a França seja capaz de preservar uma sociedade onde a igualdade é indispensável à democracia e à república.
Publicado também no Cinco Dias.
Publicado também no Cinco Dias.
2007/05/09
Sobre as eleições francesas
A análise que faço da vitória de Sarkozy, da qual estou absolutamente convencido, é que será também uma vitória da propaganda sobre a comunicação. Existe a convicção de que na ausência dos grandes discursos ideológicos, o que é importante é a comunicação. Mas não é, porque já não há essas grandes ideologias em que as pessoas se decidem unicamente com pequenas frases, slogans, ou astúcias de comunicadores. Nicolas Sarkozy percebeu isso e fez um verdadeiro trabalho ideológico de preparação desta eleição. Fez da UMP um partido com uma tradição ideológica, um programa. (...)
A esquerda demonstrou não ter ideias claras sobre nada. Sobre todas as questões de fundo, as pessoas de esquerda estão divididas e não sabem o que dizer precisamente: sobre Europa, imigração e segurança. Há por exemplo uma parte da esquerda e do Partido Socialista que é securitária como Ségolène Royal. Não têm um projecto real. E o projecto de Ségolène Royal, o seu pacto presidencial, é em parte o antigo projecto socialista clássico, intervencionista, e em parte um projecto inspirado de Tony Blair. Mas não há nenhuma ligação entre os dois. Não há coerência. Enquanto Sarkozy tem um projecto liberal-conservador, ou liberal-autoritário, com uma coerência. A dinâmica liberal para os quadros superiores, as profissões liberais e os empresários; a segurança, a ordem, a autoridade para as classes populares. Essa é a receita da direita americana. (...)
A política faz-se com uma certa habilidade e com uma certa coerência. Podemos abrir-nos ao centro, mas sobre as questões de fundo. Ségolène falou muito pouco delas. Em vez disso, fez diligências politiqueiras propondo incluir num governo ministros da UDF e eventualmente um primeiro-ministro. Bayrou não teria existido se o PS tivesse apresentado um candidato ou uma candidata credível. Bayrou saiu do seu nicho de seis ou sete por cento porque o PS não tinha uma candidatura muito clara. O mal está feito. A França permanece um dos países mais à esquerda na Europa, mas esta é uma evolução importante.
(Eric Dupin, professor de Comunicação no Instituto de Ciência Política (Sciences Po) de Paris, Público, 6 de Maio de 2007.)
2007/04/21
Eleições em França: ando com uma cara!
A escolha é difícil. Tal como o Rui Curado Silva, e precisamente pelos mesmos motivos, penso que o melhor candidato a estas eleições (visto de fora, pelo menos) é a ecologista Dominique Voynet, pelos motivos que o Rui aponta. Não é propriamente uma novidade, mas as novidades desta campanha são poucas e más.
Só que estas não são eleições legislativas. Só uma pessoa será escolhida, o Presidente da República. A esquerda francesa não pode cometer o mesmo erro de 2002 (apesar de o número de candidatos não ser muito inferior). Para evitar ter, pela segunda vez consecutiva, na segunda volta um candidato de direita e um de extrema direita (ou, pior ainda, dois candidatos de extrema direita), acho que se fosse francês acabaria por votar, muito a contragosto, em Ségolène Royal. Só que nunca, em nenhuma outra eleição, me sentiria tanto como o pai da Liberdade (da clássica tira de Quino) como nesta. Isto partindo do pressuposto que Ségolène ganha, o que está longe de ser adquirido!
Só que estas não são eleições legislativas. Só uma pessoa será escolhida, o Presidente da República. A esquerda francesa não pode cometer o mesmo erro de 2002 (apesar de o número de candidatos não ser muito inferior). Para evitar ter, pela segunda vez consecutiva, na segunda volta um candidato de direita e um de extrema direita (ou, pior ainda, dois candidatos de extrema direita), acho que se fosse francês acabaria por votar, muito a contragosto, em Ségolène Royal. Só que nunca, em nenhuma outra eleição, me sentiria tanto como o pai da Liberdade (da clássica tira de Quino) como nesta. Isto partindo do pressuposto que Ségolène ganha, o que está longe de ser adquirido!
2007/03/20
Esquerdistas e activistas
Cesare Battisti foi incriminado com base em provas muito duvidosas, nunca tendo sido provado definitivamente que era o autor dos assassínios que lhe eram imputados nem que fosse um terrorista. Eu não sei nada sobre o senhor, até ontem nunca tinha ouvido falar dele e nem quero estar aqui a defendê-lo. Mas políticos franceses pedem que o seu julgamento seja repetido, e não estou a falar só de comunistas ou trotsquistas ou José Bové: falo também de ecologistas, da socialista Ségolène Royal e até do centrista (e a meu ver futuro Presidente de França) François Bayrou. Quem o noticiava ontem era o Diário de Notícias (na sua edição de papel), que agora até é dirigido pelo João Marcelino. E o capitalista e insuspeito Yahoo! Mas o que sabe toda esta gente comparada com Helena Matos?
2006/11/18
Eu, órfão de Jospin, me confesso
Texto originalmente publicado no Cinco Dias.
Vêm aí as primárias do Partido Socialista francês para decidir quem será o candidato às eleições presidenciais. Embora havendo de certeza outros candidatos à esquerda (para já está confirmada Marie-George Buffet e fala-se em Jean-Pierre Chevènement), para um observador externo o que mais importa é o candidato do PSF, em princípio o único de esquerda com possibilidades de chegar ao Eliseu. Mesmo não sendo eu agora um observador próximo, tenho procurado seguir o processo com atenção. E o cenário não se apresenta particularmente estimulante.
Embora tenha vindo a cair nas sondagens, tudo indica que a candidata escolhida será Ségolène Royal. Pelo que tenho visto esta escolha está longe de me deixar sorridente. E com grande pena minha, pois bem gostaria de ver uma mulher a presidir aos destinos de uma sociedade tão patriarcal como ainda é a francesa. Só que – lamento ter que o dizer – parece-me que quem acusa Ségolène Royal de não ter ideias bem definidas e nem um projecto concreto tem razão. Pelas suas declarações, Ségolène tanto deve agradar a Francisco Louçã (quando fala em endurecer restrições ao capitalismo ultraliberal) como a Paulo Portas (quando fala num endurecimento das leis da imigração). Pelo meio, declara-se admiradora de Tony Blair. É obra!
A meu ver Ségolène tem o mérito de não fugir aos problemas e de os saber colocar sem tabus ideológicos, algo que é frequentemente muito difícil para a esquerda. Onde tem falhado, pelo menos no que eu tenho notado, é em propor soluções e alternativas para esses mesmos problemas, parecendo sempre querer agradar a toda a gente. Espero que, se for eleita presidente, se revele melhor na prática política do que na campanha (e tal não seria a primeira vez). É que as alternativas dentro do seu partido, para além de perdedoras face ao provável candidato da direita Sarkozy (ao contrário de Ségolène - dizem as sondagens), são ainda menos animadoras.
Dominique Strauss-Kahn é um barão, um cinzento homem do aparelho, sem grande capacidade para mobilizar o seu partido, muito menos a França e a Europa. Quanto a Laurent Fabius, é um populista oportunista (e de baixo nível, como atesta a sua pergunta sobre como seria ter Ségolène presidente: "E quem vai tomar conta dos filhos?"). A sua eventual escolha como candidato só serviria para descredibilizar e desmoralizar o PSF, lançando a esquerda francesa numa crise de resultados imprevisíveis (quiçá piores do que os de 2002).
Durante muito tempo, mesmo quando já se dava como garantido o duelo Ségo-Sarko, tive a esperança de um regresso de Lionel Jospin. Mesmo depois de, após a forma totalmente inglória e imerecida como falhou a passagem à segunda volta das eleições de 2002, ter dado por finda a sua carreira política. Pelos sinais que deu durante este ano é óbvio que pretendia voltar. Teria sido melhor ter-se mantido como reserva, sem nunca ter fechado a porta. Optou por uma "estratégia do tabu", sem dar indicações claras se pretendia avançar ou não. E quando é assim, os apoios não surgem: dirigem-se mais facilmente para quem avança sem reservas. Por vezes os calculismos pagam-se caro: quando Jospin foi à procura de apoios, já não os tinha e teve de recuar. Para a história fica um grande político, protagonista de uma era de paz e progresso no mundo como poucas outras.
Sendo assim, agora é indispensável encontrar-se um candidato de esquerda capaz de vencer a eleição. Mas, primeiro – e se calhar mais difícil do que isso – é garantir que esse candidato chegue à segunda volta.
Vêm aí as primárias do Partido Socialista francês para decidir quem será o candidato às eleições presidenciais. Embora havendo de certeza outros candidatos à esquerda (para já está confirmada Marie-George Buffet e fala-se em Jean-Pierre Chevènement), para um observador externo o que mais importa é o candidato do PSF, em princípio o único de esquerda com possibilidades de chegar ao Eliseu. Mesmo não sendo eu agora um observador próximo, tenho procurado seguir o processo com atenção. E o cenário não se apresenta particularmente estimulante.
Embora tenha vindo a cair nas sondagens, tudo indica que a candidata escolhida será Ségolène Royal. Pelo que tenho visto esta escolha está longe de me deixar sorridente. E com grande pena minha, pois bem gostaria de ver uma mulher a presidir aos destinos de uma sociedade tão patriarcal como ainda é a francesa. Só que – lamento ter que o dizer – parece-me que quem acusa Ségolène Royal de não ter ideias bem definidas e nem um projecto concreto tem razão. Pelas suas declarações, Ségolène tanto deve agradar a Francisco Louçã (quando fala em endurecer restrições ao capitalismo ultraliberal) como a Paulo Portas (quando fala num endurecimento das leis da imigração). Pelo meio, declara-se admiradora de Tony Blair. É obra!
A meu ver Ségolène tem o mérito de não fugir aos problemas e de os saber colocar sem tabus ideológicos, algo que é frequentemente muito difícil para a esquerda. Onde tem falhado, pelo menos no que eu tenho notado, é em propor soluções e alternativas para esses mesmos problemas, parecendo sempre querer agradar a toda a gente. Espero que, se for eleita presidente, se revele melhor na prática política do que na campanha (e tal não seria a primeira vez). É que as alternativas dentro do seu partido, para além de perdedoras face ao provável candidato da direita Sarkozy (ao contrário de Ségolène - dizem as sondagens), são ainda menos animadoras.
Dominique Strauss-Kahn é um barão, um cinzento homem do aparelho, sem grande capacidade para mobilizar o seu partido, muito menos a França e a Europa. Quanto a Laurent Fabius, é um populista oportunista (e de baixo nível, como atesta a sua pergunta sobre como seria ter Ségolène presidente: "E quem vai tomar conta dos filhos?"). A sua eventual escolha como candidato só serviria para descredibilizar e desmoralizar o PSF, lançando a esquerda francesa numa crise de resultados imprevisíveis (quiçá piores do que os de 2002).
Durante muito tempo, mesmo quando já se dava como garantido o duelo Ségo-Sarko, tive a esperança de um regresso de Lionel Jospin. Mesmo depois de, após a forma totalmente inglória e imerecida como falhou a passagem à segunda volta das eleições de 2002, ter dado por finda a sua carreira política. Pelos sinais que deu durante este ano é óbvio que pretendia voltar. Teria sido melhor ter-se mantido como reserva, sem nunca ter fechado a porta. Optou por uma "estratégia do tabu", sem dar indicações claras se pretendia avançar ou não. E quando é assim, os apoios não surgem: dirigem-se mais facilmente para quem avança sem reservas. Por vezes os calculismos pagam-se caro: quando Jospin foi à procura de apoios, já não os tinha e teve de recuar. Para a história fica um grande político, protagonista de uma era de paz e progresso no mundo como poucas outras.
Sendo assim, agora é indispensável encontrar-se um candidato de esquerda capaz de vencer a eleição. Mas, primeiro – e se calhar mais difícil do que isso – é garantir que esse candidato chegue à segunda volta.
2006/11/17
Com o Beaujolais novo veio Ségolène
Quando escrevi a minha contribuição desta semana para o Cinco Dias, estava convencido de que as eleições primárias no PS francês seriam hoje. Mas não: já foram ontem. Se soubesse teria ajustado um pouco os tempos verbais. Mas a ideia principal, a minha opinião sobre os candidatos e a minha orfandade de Jospin, mantém-se.
Ségolène Royal foi portanto escolhida pelos militantes do PS como candidata à presidência da República no mesmo dia em que é provada (e vendida) a nova colheita do vinho Beaujolais. Que grande bebedeira deve ter sido na Rue de Solférino!
O meu texto Eu, órfão de Jospin, me confesso pode ser lido aqui.
Ségolène Royal foi portanto escolhida pelos militantes do PS como candidata à presidência da República no mesmo dia em que é provada (e vendida) a nova colheita do vinho Beaujolais. Que grande bebedeira deve ter sido na Rue de Solférino!
O meu texto Eu, órfão de Jospin, me confesso pode ser lido aqui.
2006/10/24
De volta o véu islâmico
A questão do véu islâmico volta a estar na ordem do dia, desta vez por causa das declarações do ex-ministro britânico Jack Straw e da decisão de uma escola suspender uma professora que insistia em dar aulas com a cara totalmente coberta, uma decisão mais tarde confirmada pelo tribunal.
Como bem afirmou Romano Prodi, primeiro-ministro italiano, quando falamos com uma pessoa queremos vê-la olhos nos olhos. Não queremos que ela se esconda. “É uma questão de bom senso.” Será assim tão complicado perceber?
Convém esclarecer que não considero que a proibição do véu islâmico nas escolas públicas seja uma discriminação de nenhuma espécie. A ostentação do véu é que é uma discriminação que a mulher islâmica se auto-impõe (ou, na maioria dos casos, lhe é imposto pela sua comunidade). Tal como o uso da kippah por parte dos judeus. Mas nas escolas públicas tais ostentações não são aceitáveis (tal como não são aceitáveis os símbolos católicos como o crucifixo). Uma das funções essenciais da escola pública é ensinar que a religião deve ser uma opção livre do cidadão, que não deve ser imposta pela sociedade e nem pela família. Diz-se que o véu islâmico faz parte da “identidade” destas mulheres. Nada mais perigoso e, isto sim, atentatório contra a liberdade individual. É um papel essencial da escola pública ensinar que a religião é uma escolha própria que deve ser livre e que não pode nunca e sob nenhuma circunstância servir para “definir” a identidade do indivíduo perante o Estado ou perante a sociedade. A escola pública não pode ser neutra nestas matérias; se fizer concessões neste aspecto, com que moral se rejeitará o ensino do criacionismo? Este é um assunto da maior importância.
Como bem afirmou Romano Prodi, primeiro-ministro italiano, quando falamos com uma pessoa queremos vê-la olhos nos olhos. Não queremos que ela se esconda. “É uma questão de bom senso.” Será assim tão complicado perceber?
Convém esclarecer que não considero que a proibição do véu islâmico nas escolas públicas seja uma discriminação de nenhuma espécie. A ostentação do véu é que é uma discriminação que a mulher islâmica se auto-impõe (ou, na maioria dos casos, lhe é imposto pela sua comunidade). Tal como o uso da kippah por parte dos judeus. Mas nas escolas públicas tais ostentações não são aceitáveis (tal como não são aceitáveis os símbolos católicos como o crucifixo). Uma das funções essenciais da escola pública é ensinar que a religião deve ser uma opção livre do cidadão, que não deve ser imposta pela sociedade e nem pela família. Diz-se que o véu islâmico faz parte da “identidade” destas mulheres. Nada mais perigoso e, isto sim, atentatório contra a liberdade individual. É um papel essencial da escola pública ensinar que a religião é uma escolha própria que deve ser livre e que não pode nunca e sob nenhuma circunstância servir para “definir” a identidade do indivíduo perante o Estado ou perante a sociedade. A escola pública não pode ser neutra nestas matérias; se fizer concessões neste aspecto, com que moral se rejeitará o ensino do criacionismo? Este é um assunto da maior importância.
2006/10/16
Bienvenu en France
Com o Jacto Fácil cheguei ao Terminal 3 do Aeroporto Charles de Gaulle sem grandes problemas. Uma vez lá, queria apanhar o comboio regional para o centro de Paris, para o qual tinha que comprar o bilhete (8 euros). Para tal havia máquinas automáticas e guichets.
As máquinas automáticas estavam TODAS em panne. Só havia dois guichets abertos (e outros tantos fechados). Havia vários funcionários que se iam revesando, pois não podiam (e não queriam) trabalhar mais do que o que estava estipulado.
Já me tinha esquecido de como era a França...
Para este texto não ficar totalmente "anti-francês", acrescento que a maior parte do tempo dos funcionários dos dois guichets era ocupado a responder às dúvidas de turistas americanos e ingleses. Cada um passava cinco minutos a pôr todo o tipo de questões sobre bilhetes de comboio e passes. Mas aqui a culpa também era dos funcionários, que lhes respondiam em vez de os recambiarem para o guichet de informações, mesmo ao lado, que estava aberto e às moscas.
Quem estivesse atrás que esperasse. E quem (como eu) sabia perfeitamente o que queria (um bilhete para Paris), que desesperasse, que os funcionários não queriam saber e o seu salário ao fim do mês era certo. Desesperar, foi o que eu fiz. Se acrescentarmos ao tempo de espera para comprar o bilhete de comboio o de recolher a bagagem e os 45 minutos da viagem até à Cité Universitaire, digo-vos: sem exagero, demorei mais tempo do Aeroporto Charles de Gaulle à Cité do que do Aeroporto da Portela ao Charles de Gaulle.
O que vale é que estar em Paris é uma festa e compensa tudo. Mas não me retira a vontade de protestar, como um bom francês.
As máquinas automáticas estavam TODAS em panne. Só havia dois guichets abertos (e outros tantos fechados). Havia vários funcionários que se iam revesando, pois não podiam (e não queriam) trabalhar mais do que o que estava estipulado.
Já me tinha esquecido de como era a França...
Para este texto não ficar totalmente "anti-francês", acrescento que a maior parte do tempo dos funcionários dos dois guichets era ocupado a responder às dúvidas de turistas americanos e ingleses. Cada um passava cinco minutos a pôr todo o tipo de questões sobre bilhetes de comboio e passes. Mas aqui a culpa também era dos funcionários, que lhes respondiam em vez de os recambiarem para o guichet de informações, mesmo ao lado, que estava aberto e às moscas.
Quem estivesse atrás que esperasse. E quem (como eu) sabia perfeitamente o que queria (um bilhete para Paris), que desesperasse, que os funcionários não queriam saber e o seu salário ao fim do mês era certo. Desesperar, foi o que eu fiz. Se acrescentarmos ao tempo de espera para comprar o bilhete de comboio o de recolher a bagagem e os 45 minutos da viagem até à Cité Universitaire, digo-vos: sem exagero, demorei mais tempo do Aeroporto Charles de Gaulle à Cité do que do Aeroporto da Portela ao Charles de Gaulle.
O que vale é que estar em Paris é uma festa e compensa tudo. Mas não me retira a vontade de protestar, como um bom francês.
2006/07/13
Ainda sobre o Zidane
Só queria acrescentar que em geral me irritam sempre estes julgamentos em praça pública típicos da imprensa sensacionalista britânica. Já fui vítima dos mesmos na blogosfera e creio que associado a eles existe sempre alguma hipocrisia à mistura.
Sobre o Zidane propriamente dito, não tenho nada a acrescentar ao que foi escrito na Agreste Avena. A não ser talvez que algo que joga em desfavor do Materazzi é ser filho do pior treinador que eu alguma vez me lembro de ter visto no Sporting. Mas passem por lá e leiam.
Sobre o Zidane propriamente dito, não tenho nada a acrescentar ao que foi escrito na Agreste Avena. A não ser talvez que algo que joga em desfavor do Materazzi é ser filho do pior treinador que eu alguma vez me lembro de ter visto no Sporting. Mas passem por lá e leiam.
2006/07/12
Zidane o maior
Tenho lido muitas críticas, inclusive um editorial por parte de um superior hierárquico meu no jornal onde neste momento estagio, à atribuição do título de melhor jogador do Mundial a Zinedine Zidane.Vamos ver as coisas como elas são. Antes da lamentável agressão (qualquer que seja o seu fundamento) com que se despediu do torneio e do futebol, era mais ou menos pacífico que o melhor jogador até então tinha sido Zidane (que regressara aos seus melhores tempos). Se não tivesse visto aquele cartão vermelho a dez minutos do fim, nenhuma opinião teria mudado. Então por que haveria de mudar só por causa de um cartão vermelho, algo que também sucede aos melhores? Dito de outra forma: será o fair play assim tão determinante para um bom jogador de futebol, de forma a ser preponderante na atribuição de um prémio que deve premiar o talento?
E por favor não venham comparar com as simulações dos jogadores portugueses. As simulações dos jogadores portugueses são um comportamento desleal e que não é, em geral, punido durante o jogo. O comportamento do Zidane, embora reprovável, não é dissimulado – foi à vista de toda a gente, toda a gente viu, foi em frente à televisão, assim como a agressão do Sá Pinto ao Artur Jorge há nove anos, só para comparar com outro jogador que jogava à bola e que de fiteiro não tinha nada. O Zidane e o Sá Pinto erraram e foram punidos por isso. Agora no caso do Zidane por que raio é que um acto irreflectido (e pouco frequente nele, e que deixou toda a gente de boca aberta) haveria de se repercutir num prémio ao seu talento futebolístico?
Tal tipo de opinião parece-me muito português. Em Portugal dá-se um valor excessivo à simpatia. Não importa se o professor é muito competente, se o médico é muito competente: se não forem simpáticos, não prestam. Não importa se a comida no restaurante não tem grande qualidade, se é cara ou se o serviço é mau: se o empregado for simpático e sorridente, perdoamos tudo. Quarenta e tal anos de ditadura e séculos de subserviência deram nisto: somos o país das carinhas larocas. Nada disto me espanta. O que me espanta é que agora até parece que a FIFA está a ir na conversa. Por pressão mediática. Por correcção política. Por querer parecer bem.
Para mim, o Zidane foi o melhor jogador do torneio.
Imagem roubada ao Kontratempos.
2006/07/11
Sem tatuagens, sem bandelette, sem cabelo

«A Inglaterra caiu pela quinta vez consecutiva num desempate por penalties, depois de confirmar que toda a sua arrogância era puro marketing— como tantas coisas outras entre as vedetas inglesas e as suas insuportáveis wags. Restaram, pois (alguém tinha de restar...), a Alemanha, após um jogo mortal de chatice contra a Argentina, e a Itália, em mais uma exemplar demonstração de cinismo. E a França, essa sim, a excepção à regra geral e ao que até aí tinha feito. Em minha opinião, a França fez contra o Brasil o melhor jogo de um candidato ao título que eu vi neste Mundial. Pouco importa se foi uma ressurreição fugaz (mas já ensaiada contra a Espanha) ou um assomo de categoria e orgulho ferido de uma Selecção a quem já haviam feito o obituário. O que sei é que— e muito embora, o meu coração, como o de quase todos os portugueses torcesse pelo Brasil— não tardei a mudar de campo, assim que comecei a ver a displicência estéril do futebol brasileiro face à vontade e superior categoria dos franceses. Ronaldinho estreava a sua nova bandelette e havia, nos meninos de ouro do Brasil, muita preocupação com os penteados, a amarração dos cabelos, as tatuagens e a cor das botas— toda essa parafernália de acessórios que caracteriza as vedetas futebolísticas de hoje. E foi então que, lá do Purgatório onde o imaginavam em definitivo repouso, emergiu Zinedine Zidane— sem tatuagens, nem bandelette, nem sequer cabelo— para assinar com caneta de ouro o livro de memórias que ficará deste Mundial e resgatar, mesmo antes de dizer adeus aos estádios, a honra e o fascínio do futebol.»
Miguel Sousa Tavares, A Bola
2006/07/10
Triste despedida
O novo Sá Pinto

Ninguém conhecia este discreto jogador do Marselha (mas que na verdade vem de Boulogne-Sur-Mer na Picardia). Pela discrição, pela humildade (e pela fotografia) parece mais o Pauleta... Mas é combativo e corre que se farta. Está em todo o lado. Para mim era o maior símbolo e a melhor imagem da equipa lutadora que foi a França deste Mundial. Ontem, admito que estava a torcer por ele. Foi substituído ingloriamente (como o Henry), porque o seleccionador francês não quis logicamente tirar o Zidane. Depois foi o que se viu.
2006/06/06
"C'est important qu'il y ait une transmission du combat féministe"
A não perder: a entrevista de Fadela Amara, imigrante de origem muçulmana e fundadora e presidente do movimento laicista Ni putes ni soumises, ao Metro, edição parisiense.
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