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2014/03/06

Pequena nota sobre o "Entrudo chocalheiro"

Devo começar por esclarecer que não conheço os "caretos" (só de ouvir falar), e não tenho nada contra tradições populares, desde que não sejam perigosas nem prejudiciais para terceiros e nem coloquem em causa a integridade de ninguém.

Assisti num canal de televisão este fim de semana a uma reportagem sobre o "Entrudo chocalheiro", com os "caretos", na localidade transmontana de Podence. Em entrevista a um jovem careto (que deu a cara), a repórter questionava-o referindo o caráter discriminatório da tradição, em que os caretos (todos iguais, vestidos da mesma maneira, sem ninguém saber quem são) assediam mulheres e as "chocalham", num ritual em que a "chocalhada" pode sair ferida.
Sobre o anonimato, o jovem admitiu que tal fazia com que os "caretos" se sentissem muito mais "desinibidos" (ora vejam só). Sobre a possível violência, respondia que "tradição é tradição" e "só vem quem quer". Temos ali um futuro dux!

2013/12/25

Depois de assistir na SIC aos Estrumpfes (e não smurfs)

Aquilo a que eles chamavam "bolo rei" deveria chamar-se "bolo estrumpfe". A interjeição "Oh meu Deus" deveria ser a clássica "valha-me Santo Estrumpfe!" Mas teve a sua piada.

2010/10/05

RESISTÊNCIA. Da alternativa Republicana à luta contra a Ditadura (1891-1974)

Não é propriamente uma recomendação (acabou hoje e eu só a vi perto do fim), mas antes um reconhecimento: a exposição com este título, que esteve patente no Centro Português de Fotografia, comissariada por Tereza Siza e Manuel Loff, foi das mais interessantes e instrutivas que já visitei. Uma muitíssimo bem documentada revisão de 83 anos da nossa história. Parabéns a quem nela colaborou.
E viva a República!

2010/05/31

Dennis Hopper (1936-2010)

O obituário do The New York Times:

May 30, 2010
Dennis Hopper, 74, Hollywood Rebel, Dies

By EDWARD WYATT
Dennis Hopper, who was part of a new generation of Hollywood rebels in portrayals of drug-addled misfits in the landmark films “Easy Rider,” “Apocalypse Now” and “Blue Velvet” and then went on to great success as a prolific character actor, died on Saturday at his home in Venice, Calif. He was 74.

The cause was complications from metastasized prostate cancer, according to a statement issued by Alex Hitz, a family friend.

Mr. Hopper, who said he stopped drinking and using drugs in the mid-1980s, followed that change with a tireless phase of his career in which he claimed to have turned down no parts. His credits include no fewer than six films released in 2008 and at least 25 over the past 10 years.

Most recently, Mr. Hopper starred in the television series “Crash,” an adaptation of the Oscar-winning film of the same title. Produced for the Starz cable channel, the show had Mr. Hopper portraying a music producer unhinged by years of drug use.

During a promotional tour last fall for that series, he fell ill; shortly thereafter, he began a new round of treatments for prostate cancer, which he said had been first diagnosed a decade ago.

2009/06/05

Gaiteiros em Braga

O Pedro Morgado não refere, mas esta noite a cultura em Braga vai passar muito por um concerto dos Gaiteiros de Lisboa na Avenida Central. Será por ser também o comício de encerramento da campanha do Bloco de Esquerda, e o Pedro querer manter o blogue neutro? Ou será alergia ao nome "Gaiteiros de Lisboa"? De qualquer maneira fica aqui a informação. Lá estarei para ouvir. E para dar o meu apoio.

2009/05/27

Encontros com a imagem

Um recado de Dubna, so para apoiar a exposicao que o Pedro Morgado ja tinha recomendado, patente ate ao final do mes em varios espacos de Braga.
Uns autores sao melhores que outros. Recomendo sobretudo as fotografias no Museu D. Diogo de Sousa e na Torre de Menagem.

2009/04/01

"Concerto a la carte"

Monólogo de Franz-Xaver Kroetz com Ana Bustorff. Em cena no Teatro Circo em Braga até sexta feira e, depois, noutras cidades do país. Eu fui ver e gostei.

2009/03/16

Os Saltimbancos



Disse-me o meu antigo companheiro de blogue, mal acabámos de jantar: “Bom concerto!” “Mas não vou ver um concerto: é uma peça de teatro”, disse-lhe eu. Ele tinha razão, no entanto: o que mais me atraía no espectáculo eram as músicas de Chico Buarque e Sérgio Badotti. Era ver o conto dos irmãos Grimm a acabar ao som de “Tanto Mar”. Mas a peça era engraçada, bem encenada e os actores eram bons. Só até dia 18 no Teatro do Campo Alegre, no Porto (Seiva Trupe). De seguida percorre algumas outras cidades em digressão. Recomendo.

2009/03/03

Carnaval de Ovar 2009

Este ano o Carnaval não foi tão cedo (comparado com o ano passado, que foi em plena época de exames académicos). Como resultado, a noite de segunda para terça feira do Carnaval de Ovar tornou-se uma concentração de estudantes (de várias nacionalidades) das Universidades de Aveiro e do Porto, que enchiam até transbordar os comboios suburbanos (serviço reforçado) que a CP efectuou entre Aveiro e Ermesinde nessa noite, em busca de uma festa (com muito álcool) antes do início do novo semestre. Mal se viam carros alegóricos; não se viu um único trio eléctrico (ao contrário do ano passado, onde os havia muito bons); não se ouviu um único samba. Pelo contrário: a noite toda ouviu-se música "académica" (Quim Barreiros e Emanuel). A única diferença entre uma qualquer queima das fitas e aquela triste noite ovarense foi que os estudantes, em vez de se mascararem de urubus (com os habituais "trajes académicos"), usavam máscaras de Carnaval. Pode ser que assim o Carnaval de Ovar tenha mais viabilidade económica, só que de Carnaval aquela noite não tinha nada.

2008/12/17

Isto diverte mas começa a ser cansativo

Nos meus textos e nos comentários (aos meus e aos do Carlos Vidal) eu disse não sei quantas vezes que não pretendo tornar a arte mais “fácil” ou mais acessível. Nesse sentido arte e ciência não são democráticas: não é qualquer um que pode começar a fazê-las. Sou totalmente contra os governos darem qualquer tipo de indicações aos investigadores ou aos artistas para seguirem linhas pré-determinadas. Sou investigador e isso afecta-me. A liberdade académica é fundamental. A arte, a ciência, tudo o que involva criação requer liberdade e não democracia (que como já disse várias vezes são coisas diferentes e por vezes incompatíveis). Não é isso que está em causa.

O que entendo por “democratizar a ciência” ou “democratizar a arte” é torná-las acessíveis aos cidadãos que por elas se interessarem, mesmo sem serem especialistas, sem nunca alterar o seu conteúdo. Por “tornar acessíveis” entendo fazer divulgação (algo que nem todos os cientistas ou artistas são obrigados ou vocacionados a fazer), ou em alternativa permitir que se faça divulgação desse mesmo trabalho para quem esteja interessado. Este público não é especialista e não deve ser tratado como tal. É até provavelmente à partida muito ignorante, mas é interessado e tem o direito de ver a sua curiosidade satisfeita.

No caso dos artistas, a divulgação mais imediata consiste na realização de exposições, abertas a todos os que as quiserem ver. Não há absolutamente nenhuma bitola diferente para as ciências e as artes. Defendo exactamente a mesma coisa. O que verifico é que os cientistas estão muito mais habituados a este procedimento. Certos artistas pelos vistos resistem. Não podem fazê-lo se receberem dinheiro do estado (enquanto artistas). Mas, repito, não defendo que o Estado interfira na sua liberdade e na sua criatividade de nenhum modo.

Tudo isto vem a propósito dos textos de Carlos Vidal. No mais recente, Carlos Vidal atribui-me entre outros qualificativos uma frase que nunca escrevi: “a função de qualquer artista [é] fazer com que as pessoas gostem um pouco mais de arte”.

O que eu escrevi (nos comentários) foi “Entendo que faz parte da minha função fazer com que as pessoas gostem mais um pouco de física. Tal como faz parte da função de qualquer artista fazer com que as pessoas gostem um pouco mais de arte.” “Faz parte” no sentido explicado nos parágrafos acima. E “faz parte” dessa função: nunca “é” essa função, unicamente (nem sequer principalmente). Mas quem é pago pelo Estado não se pode furtar a essa função.

A outra frase que Vidal me atribui até é verdadeira mas está descontextualizada. Escrevi “querer tornar a arte acessível a todos não implica necessariamente ter que fazer concessões”, exactamente no mesmo sentido em que (mais uma vez...) acima escrevi. “Acessível” nesta frase no sentido de “estar acessível” e não de “ser acessível”. São duas coisas muito diferentes (a língua portuguesa tem essa riqueza de distinguir o “ser” do “estar”). A minha tese resume-se na frase “a arte não tem que ser acessível, mas deve estar acessível”. Parece uma tese bastante óbvia mas pelos vistos não é para toda a gente. Carlos Vidal defendeu aqui que “Uma obra de arte não pode nem deve estar acessível a qualquer pessoa”. Para não deixar dúvidas, acrescentou: “a arte não pode ser para todos!” É contra esta posição que eu me tenho vindo a insurgir.

Carlos Vidal não entendeu (ou fingiu que não entendeu, por lhe dar jeito) a minha distinção entre “ser” e “estar” acessível, e tem-me vindo a responder (nos comentários e em texto) como se eu defendesse que a arte tem que “ser” acessível, algo que não defendo e nunca defendi. Não têm pois qualquer procedimento as respostas que me tem vindo a dar. Este tipo de confusões e desarticulação do pensamento não é novidade em Carlos Vidal, conforme os seus leitores poderão testemunhar.

Com que critério julga Vidal quem é ou não merecedor de conhecer as obras de arte? A sua iluminada cabecinha, pois com certeza. Vejamos o julgamento que faz de mim. Sem me conhecer de lado nenhum, nem o que eu sei nem deixo de saber, declara que “a ciência que eu sei” (e pelos vistos, se ele não me conhece, a ciência em geral) é “estrita, reduzida e muito especializada” (ficamos esclarecidos). Decide que, se eu me dedicasse só a ela, “todos teríamos a ganhar com isso”. (Devo agradecer o elogio? E se o Vidal se dedicasse só à arte?) E finalmente manda-me calar, algo que os leitores que fazem comentários simpáticos ao PS sabem que é o que Vidal melhor sabe fazer: “Quem não percebe isto porque é que não se cala e fala de física, só?? Custa muito ?????

(Para não me acusarem de descontextualizar, esta frase vinha a propósito da “crítica de arte”, algo que nunca fiz nem tive alguma vez pretensões de fazer. Vidal confunde uma legítima opinião sobre um filme de um espectador com uma crítica profissional de cinema.)

Finalmente, Vidal proíbe a minha entrada nas suas exposições. Para que conste (sinto-me orgulhoso): “nunca admitirei a entrada de F. Moura numa galeria onde tenha obras minhas expostas. Isto é irrevogável, caríssimos.”

Curiosamente este mesmo autor que acha que a arte (em particular a sua arte, como referiu) “não é para todos” e me proibiu de a ver não se coibiria, dias depois, de exibir aqui, no Cinco Dias, desenhos de sua autoria.

Isto é comigo. E com outros leitores? De Carlos Miguel Fernandes, por exemplo, diz que a sua “arrogância reaccionária julga-se conhecedora de crítica”. Apesar de “não saber quem CMF é” nem “lhe interessar”, Vidal declara taxativamente que CMF “não poderá alguma vez ser” um “apaixonado sensível das imagens”. Pois acontece que Carlos Miguel Fernandes, para além de cientista, é um já reconhecido fotógrafo com um currículo considerável de exposições e obra publicada.

Assim se demonstra o belo resultado que teria a aplicação do critério que Vidal defende: quem teria acesso à arte seriam os “escolhidos”. Por quem? Por quem já tem acesso à arte. Os melhores não seriam necessariamente os escolhidos, como o exemplo do Carlos Miguel Fernandes confirma.

Infelizmente, este caso exemplar ilustra bem o estado bafiento de algumas universidades portuguesas. Carlos Vidal é assistente da Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Conforme aqui já tem defendido, só lá deve ter acesso quem tiver passado pela sua formação, pela sua “escola”, que consiste em “desigualdades académicas, disciplina, hierarquia e gajas”. Quando o interlocutor é alguém que nunca passou pela escola mas é famoso e reconhecido internacionalmente, como Jorge Calado, baixam logo a cabecinha. Quem não é conhecido, mesmo que tenha valor, como o Carlos Miguel Fernandes, é logo automaticamente barrado. Não é “da escola”, e não há escola como “a nossa”. Melhor retrato da academia tradicional portuguesa não há.

Com os insultos e delírios de Carlos Vidal posso eu bem, e julgo que o Carlos Miguel Fernandes também. Afinal, como eu já tenho dito, visto de fora isto até é divertido. Daqui de dentro começa é a ser cansativo. O problema (não é meu, mas não deixa de ser um problema) é que quem emite estes juízos baseados em puro preconceito é professor e – ele próprio o admite – aplica estes critérios aos seus alunos (e aos futuros colegas). E quer que se aplique a todos os cidadãos que ele entender.

Como resolver este problema? Não sei; no caso concreto do meio académico, o ministro Mariano Gago terá as suas ideias. Entretanto no Cinco Dias a gente vai-se rindo com o espectáculo.

2008/12/16

A arte para o povo explicada aos velhinhos que gostam de elites

Rómulo de Carvalho escreveu “Física Para o Povo”:

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Paul Krugman fala de economia para o povo (via João Pinto e Castro).

Herman José fez “Cozinho Para o Povo”:



Googlei “arte para o povo”. O primeiro resultado da pesquisa foi Diego Rivera, o famoso pintor mexicano que gostava que a sua arte estivesse em sítios públicos para poder ser contemplada por todos. Por isso Rivera (e muitos dos seus contemporâneos mexicanos) gostava de pintar sobretudo murais.

Rivera demonstra que querer tornar a arte acessível a todos não implica necessariamente ter que fazer concessões. É conhecida a história da sua disputa com Nelson Rockefeller, a propósito do mural que o milionário lhe encomendou para o Rockefeller Center em Manhattan. Rivera queria incluir a figura de Lenine no mural; Rockefeller recusava, mas Rivera incluiu-a à mesma. O mural nunca chegou a ser exposto em público e acabou por ser destruído. A história é conhecida: foi contada por exemplo no filme Frida. Um filme de Hollywood. Outro exemplo de “arte para o povo”.



“A massificação destrói a “aura” que envolve as obras de arte”, escreveu alguém num comentário no Cinco Dias. Façamos disto uma causa: destruir a aura da arte elitista. Destruir a aura das elites.

2008/12/11

Cem anos de Manoel de Oliveira

Faz parte da minha actividade profissional participar regularmente em seminários, a maior parte das vezes a assistir. Quem assiste a seminários técnicos com a duração de uma hora, ou está muito interessado e muito por dentro do assunto, ou inevitavelmente perde a concentração (pelo menos é o meu caso) a um dado momento. No primeiro caso pode-se intervir activamente, fazer perguntas e, no fundo, é um pouco como se se fosse também orador. No segundo caso, a maior parte das vezes quando o orador começa a descrição dos pormenores mais técnicos, acaba-se por adormecer brevemente. Passar pelas brasas. Dar ar às pálpebras, como eu costumo dizer. O facto de o seminário ser em salas fechadas e consistir em ouvir-se a mesma voz durante uma hora, muitas vezes sem interrupções, contribui muito para este efeito.
(O fenómeno de dormir nos seminários já foi estudado e existe literatura sobre o assunto, usando o meu orientador de doutoramento como case-study. O meu orientador de doutoramento é uma espécie de Mário Soares da física teórica: é mais respeitado e percebe mais do assunto a dormir do que muitos acordados. Tenho uma grande admiração por pessoas assim. Recomendo-vos vivamente The Art Of Sleeping In Seminars, pelo meu professor Warren Siegel, dedicada ao seu colega meu orientador.)
A maior parte das vezes consegue-se acompanhar o seminário e perceber a mensagem, mesmo se se passa pelas brasas uns minutos. Mas é muito frustrante se calha estarmos a dormitar quando é apresentado o argumento principal, e quando acordamos já não percebemos nada e não podemos pedir ao orador para voltar atrás. Neste aspecto assistir a um seminário é como ver um filme no cinema ou na TV (também se pode adormecer e perder o fio à meada), mas com a vantagem de podermos ler na maior parte das vezes a literatura (artigos) original. Mas não deixa de ser frustrante quando perdemos o principal de um seminário (ou de um filme) por causa de um pequeno cochilo.
Existe porém uma terceira categoria de seminários: os que não nos dizem nada, que não têm nada a ver connosco, mas a que temos que assistir por mera cortesia. Neste caso o efeito da voz do orador não se aplica, pois não lhe estamos a prestar atenção nenhuma. É a sensação mais irritante: estarmos a assistir a um seminário que não nos interessa para nada e de onde não podemos sair, pensarmos “ao menos era bom que adormecesse agora! Dorme! Dorme!” e nem assim conseguimos adormecer. Só adormecemos nos seminários a que prestamos (ou queremos prestar) atenção. É triste mas é verdade.
Tudo o que eu acabei de descrever em relação aos seminários é directamente transponível para os filmes. A classificação dos filmes (bem como dos seminários) de acordo com as três diferentes categorias que enunciei é evidentemente pessoal e subjectiva: depende dos gostos e interesses de cada um. Tomemos como exemplo Manoel de Oliveira, que faz hoje cem anos (os meus sinceros parabéns!) e que é alvo das mais diversas (e merecidas) homenagens (como esta do Rui) por parte de quem supostamente vê os seus filmes, quer adormeça quer não. No meu caso, a esta terceira e última categoria pertenceriam os filmes do cineasta Manoel de Oliveira, se por alguma razão eu me visse obrigado a vê-los mais do que o que já vi.
O que eu penso do cineasta Manoel de Oliveira, numa frase, é isto: Manoel de Oliveira é tão chato que nem sequer me consegue fazer dormir.

2008/08/22

2008/08/01

Alô Gil, aquele abraço


Quando chegou ao Ministério da Cultura, foi aclamado internacionalmente como o sucessor de Nana Mouskouri. Mas não deixou de fazer exigências: queria ter tempo para continuar a fazer as suas digressões e dar os seus espectáculos mundo fora. Pior: não queria “perder dinheiro” por ser ministro. Era essa a justificação oficial.
Lula mesmo assim aceitou, e o Brasil passou então a ter o “ministro cantor”.
Eu não estou em condições de julgar o seu trabalho enquanto ministro, e nem é esse o meu objectivo neste texto. É claro que era engraçado e original o Brasil ter um ministro que de dia tinha reuniões políticas e à noite actuava em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, ou em Paris, na Praça da Bastilha. Mas também era agradável para o cantor em questão ser reconhecido como “o ministro”, e seguramente tal não o tornou menos famoso. Nem as iniciativas dentro e fora do Brasil por si patrocinadas. Posso testemunhar as iniciativas associadas ao “ano do Brasil em França “ (2005): o seu nome aparecia em maiúsculas, sempre em lugar de destaque (e sem nenhuma comunicação ou outro motivo que o justificasse). Não bastava a referência às entidades em abstracto (neste caso o Ministério da Cultura): nunca faltava o “Ministro da Cultura - Gilberto Gil”.
Ficou famosa uma greve prolongada dos funcionários do seu ministério (que praticamente o parou) a exigirem melhores salários. Gil não demonstrou nenhuma solidariedade para com o ministro das Finanças, seu colega no governo: preferiu refugiar-se em mais uma digressão pelo estrangeiro e dizer que nada sabia nem tinha a ver com o assunto.
Podem ter-se visto muitos resultados desta passagem de Gil pelo Ministério da Cultura do Brasil; para além do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (que é justo destacar), já disse que não sei. Sei o que nunca se viu (pelo menos que eu tenha dado por isso): um ministro com sentido de Estado, sentido de dever, ética republicana, espírito de missão. Gil sempre se achou mais importante que o país ou o seu ministério. Por “dificuldades para conciliar as atribuições oficiais do cargo de ministro da Cultura com a sua carreira artística”, Gilberto Gil já não é ministro da Cultura do Brasil. E o Rio de Janeiro continua lindo.

2008/06/02

O 1968 que vale a pena recordar


Em cena no Teatro Aberto, em Lisboa, até ao fim da semana: Rock and Roll, de Tom Stoppard. Imperdível. O prof. Max seria eu se tivesse vivido naquela altura e fosse professor em Cambridge (marxistas em Cambridge ou Oxford era coisa que não existia naquela altura).

2008/05/29

Google takes on Portuguese, and wins

Um belo texto sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no Times de Londres. Curiosamente, via o blogue que mais se tem oposto a este acordo, o De Rerum Natura.

2008/03/10

2008/02/28

Bilbau, cidade de arquitectura e artes


Mais de quatro anos depois, regressei a um museu Guggenheim. O Guggenheim de Bilbau não se compara com o original no acervo, e mesmo na arquitectura (considero o original um marco). Mas ainda assim é um conjunto que causa belos efeitos, bem integrado na ria que atravessa Bilbau.
O melhor museu de Bilbau é o das Belas Artes, diziam-me e diziam os guias que consultei. É provável que tal seja verdade. Só tendo tempo para visitar um museu, considerei seriamente escolhê-lo, mas acabei por não resistir ao apelo do Guggenheim. O apelo da “marca” que eu conhecia (e de que gostava) foi mais forte.

2008/02/06

Não deu samba

Planeava ter ido ao Carnaval da Mealhada, como fui o ano passado, mas no domingo este foi cancelado (como todos os carnavais a norte da Figueira da Foz, este incluído) devido ao mau tempo.
O que me valeu foram os meus contactos, pois caso contrário teria feito a viagem (de onde me encontrava, de comboio eram 45 minutos) debalde. Estamos na quarta feira de cinzas, e quem for à página do Carnaval da Mealhada não vê uma única referência ao cancelamento do desfile de domingo. Nada. Para eles pelos vistos é tudo perfeitamente normal: as pessoas viajarem e baterem com o nariz na tenda ou no sambódromo vazio. O mesmo pode ser dito do Carnaval de Estarreja. Estamos em pleno século XXI, gentes! As páginas da rede são muito bonitinhas, mas têm um objectivo: informar as pessoas em tempo real! Estão a ver?
Definitivamente, ponto a favor do Carnaval de Ovar, que é de longe o que tem a melhor página na rede, com mais informações (entre as quais a do cancelamento do desfile de domingo). A página da Mealhada tem uma música fixe para se ouvir no gabinete mas é muitíssimo pobre, e a actualização da de Estareeja deixa muito a desejar. Vamos corrigir isso?

2007/12/26

Cinco filmes

Uma nova cadeia, a segunda em menos de um mês, cortesia do Hugo Mendes. Aqui vão os meus cinco filmes:

Estes três são garantidos. Nos dois restantes já tenho mais dúvidas, mas escolhi (sem ser em definitivo)


Passo então a corrente a outros blógueres. Escolho dois cinéfilos ilustres, o Rui Curado Silva e o João André, e ainda o André Abrantes Amaral (que vai indicar os Woody Allens que eu omiti), o Don Vito, o Zé Mário Silva e o Luís M. Jorge. As minhas desculpas a quem já tiver respondido antes a este inquérito.