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2009/10/30

Pedalar para Fugir do Preconceito

O meu amigo MC faz notar, no Menos um Carro, o texto Pedalar para Fugir do Preconceito. A ler com atenção.

2009/09/25

Semana da Mobilidade/Massa Crítica


Esta foi a semana da Mobilidade. Para um balanço, ler o sempre atento Menos Um Carro. Esta noite há festa de ciclistas em Alfama. Lá estarei (depois da noite dos investigadores).

2009/06/03

Crónica da Rússia (2)

Apesar do excelente sistema de metro, o tráfego automóvel tem vindo a aumentar em Moscovo nos últimos anos. Com excepção da Rua Arbat, Moscovo não é uma cidade muito simpática para os peões, que frequentemente para atravessarem as artérias principais têm que recorrer a passagens subterrâneas (é a única possibilidade). Existem polícias em toda a parte que não deixam os peões saírem das áreas designadas.
Esta experiência estende-se, para meu grande espanto, dentro do Kremlin, uma área protegida onde só circulam meia dúzia de viaturas do Estado. Mesmo assim, essas viaturas têm para elas reservadas várias vias, que os peões não podem sequer atravessar.
Compreendo que aquelas viaturas seguem em trabalho e que aquele é um território do estado russo, que é permitido aos turistas visitar (após desembolsarem uma bela maquia), mas ainda assim é território oficial. O que não ficaria mal ao estado russo seria explicar isso delicadamente aos seus visitantes de todas as nacionalidades, que pagaram para entrar, em vez de se limitarem a ter uns polícias que só falam russo a apitarem e a dirigirem-se com maus modos aos prevaricadores.

2009/05/14

Voltando às rendas

Será que o Luís Rainha já leu a opinião da sua besta negra sobre o arrendamento?
Lendo os comentários da posta do Blasfémias que o Gabriel fez com o texto de Henrique Raposo, parece-me que os leitores do Blasfémias são mais à esquerda que os do Cinco Dias. Pelo menos os que comentaram o texto do Gabriel, em comparação com os que compararam este meu (numa altura em que o Cinco Dias era completamente diferente do que é hoje). Seria interessante ver a reacção dos leitores do Cinco Dias de hoje a um texto como o meu.

2008/07/15

No rescaldo do Porto

O reaccionarismo latente que denunciei há quatro anos não só se mantém como está ainda mais requintado: se fizerem uma pesquisa de uma morada nos mapas do SAPO, verão que não obterão resposta nenhuma se não incluírem o "de" no nome da rua!
Mas não dêem demasiada importância a isto. Esta cidade é linda e é sempre um prazer cá voltar. Até à próxima!

2008/07/10

O exemplo de Mrs. Naugatuck



Já pelo menos noutra ocasião recordei a excelente série Maude, originalmente transmitida nos anos 70 mas que, em Portugal, só chegou no final dos anos 80. A ultraliberal e feminista Maude (uma caricatura da esquerda americana da altura) tinha, como não podia deixar de ser, uma empregada. Uma das empregadas (a que durou mais tempo na série), a inglesa Mrs. Naugatuck, era interna. Não me esqueço do episódio em que decide ter a sua própria casa e diz à patroa (que está algo contrariada, habituada a tê-la 24 horas por dia em casa), quando esta a vai visitar: “Aqui tenho a liberdade de a pôr na rua se me apetecer!”. Qualquer pessoa tem direito a isso. Qualquer pessoa tem o direito a não ter um senhorio, pelo menos a partir de certa altura na sua vida.

2008/07/09

As duas faces do proteccionismo no arrendamento

Vale a pena atentar nos comentários que um tal “Luís” (não é Lavoura nem Rainha), que alguma relação terá com a Associação Lisbonense de Proprietários, tem vindo a deixar nos meus textos. É isso que faço agora. Diz Luís:
Fique sabendo que grande parte de Lisboa foi construída dos anos 30 em diante, com o objectivo de arrendar. Sim, foi a aplicação de poupanças. Deu emprego a muita gente e permitiu a muito mais ter habitação. De forma geral, os prédios foram construídos com esse fim específico. Não existiriam se assim não fosse.

É notável a convicção com que afirma que os imóveis “não existiriam”. Bem, não é essa a história de todos os imóveis construídos em Lisboa durante o Estado Novo. Há bairros sociais como o Arco Cego, Alvalade (atrás do Campo Grande) e a Encarnação. Não são as zonas mais dinâmicas de Lisboa, é verdade, mas ainda hoje existem e estão para durar.
Mesmo assim, se é verdade que grande parte de Lisboa foi construída no Estado Novo com o objectivo de arrendar, tal resultou de um contrato social. Imposto pelo salazarismo, é certo, mas nem por isso deixa de ser um contrato. Em que consistia o tal contrato? Em troca de acesso à compra de prédios para alugar, era imposto o congelamento de rendas. Aos senhorios Salazar facilitava a compra de casa (como facilitou muita coisa, noutra escala, a senhores como Mello e Champalimaud); aos inquilinos, era facilitado o arrendamento. O Luís lá terá as suas razões para afirmar que a construção destes prédios “deu casa a muita gente” e “não teria sido possível” se não fosse para arrendar. O que o Luís se esqueceu de perguntar foi: teriam esses prédios sido construídos, teriam essas casas sido ocupadas sem o regime de congelamento de rendas imposto por Salazar? Pois é…
De qualquer maneira não defendo de forma nenhuma o congelamento de rendas como opção ideal. Se na prática indirectamente o defendo (ou seja, se sou contra um aumento brutal das rendas) é porque tal é um mal menor. Com efeito, a meu ver a grande injustiça do mercado imobiliário está na grande concentração de prédios inteiros nessas famílias de senhorios do tempo do salazarismo (pequenos burgueses proprietários protegidos por Salazar – verdadeiros Champalimauds de trazer por casa). Uma concentração que, hoje em dia, em pleno século XXI, várias décadas depois do Estado Novo, não faz sentido absolutamente nenhum.
Dito isto, não sou contra o mercado de aluguer de casas, embora ache que não deva ser encorajado. Mas acho notável o descaramento dos vários herdeiros dos protegidos de Salazar que têm comentado os meus textos, quando afirmam que hoje em dia, com a precariedade e a instabilidade, é preferível alugar uma casa a comprá-la e que é melhor ter um senhorio “à antiga” do que ter o banco como senhorio. Embora reconheça que é preocupante a quantidade de crédito mal-parado em Portugal e me revoltem os enormes lucros do sector bancário (muito à custa dos empréstimos para comprar casa), tal comparação é profundamente desonesta. Se tudo correr bem, em condições normais, ao fim de um certo número de anos a casa comprada está paga ao banco e pertence a quem pediu o empréstimo. Hoje em dia é ainda mais uma operação de risco, e por isso quem a faz merece apoio e admiração. Uma casa alugada está a ser paga uma vida inteira pelo inquilino para no fim ficar… para os netos e bisnetos dos pequenos burgueses que compraram o prédio. Bem entendemos onde eles querem chegar, bem percebemos o que eles têm a ganhar (com um novo contrato ou se a renda for descongelada) e bem dispensamos os seus “conselhos”.