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2015/09/29

Se alguém lhe falar em "momento", isso é impulso

Em inglês, o que nós designamos tecnicamente por "momento linear" (na escola secundária por "quantidade de movimento", um nome bem primitivo) é designado pelo termo em latim "momentum". Essa designação é frequentemente extrapolada para a política, em contexto de eleições: "the candidate has the momentum". A tradução deste "momentum" para português como "momento" é frequente, mas infeliz: dizer-se que "o candidato tem momento" soa sempre absurdo, e só é eventualmente percetível para quem souber o que é o momento linear.
Provavelmente consciente disso, Ana Sá Lopes aqui utilizou o termo original (do latim) que se usa em inglês, "momentum", em vez da tradução "momento". Uma vez mais, creio que não resulta percetível.
A tradução (em português do Brasil) da "Mecânica", do Curso de Física Teórica de Landau e Lifshitz, refere-se a "impulso" para o momento linear. (Por comparação, nessa mesma tradução o momento angular é "momento do impulso"! Compare-se com a designação "moment of momentum" que é dada ao momento angular nalguma literatura em inglês - tudo é consistente e faz sentido.) Creio que é essa mesma a melhor designação para o "momentum" em política - é clara, rigorosa e não requer conhecimentos técnicos de Física. Daqui lanço um apelo: senhores jornalistas, deixem de dizer que "o candidato X tem momento", e passem antes a dizer "tem impulso" ou "ganhou impulso", que soa muito melhor.

2015/02/02

As tendências dos desportivos



Sabe-se que cada um dos três jornais desportivos tem uma preferência por cada um dos três grandes. Hoje é um daqueles dias em que, olhando para as respetivas capas e vendo o "animal" mencionado em cada manchete, isso fica perfeitamente demonstrado.

2012/07/05

E, como não podia deixar de ser, descobriram o Higgs

Acabou o tesão de Higgs (expressão da autoria do Rui Tavares, que ainda há quinze dias escrevia que o Higgs nunca mais se encontrava). Toda a tesão tem um fim.

Na abertura dos telejornais só perdas de tempo com notícias triviais: autarcas que perdem mandatos, primeiros ministros vaiados em Braga... Da descoberta do Higgs, que vai colocar este dia na história, nada. Salvou-se a TVI, que sabe escolher as notícias importantes: anunciou um novo jogador para o Sporting.

2010/08/16

A evolução das espécies

Desenho de André Carrilho publicado a 01-08-2010 no Diário de Notícias.

A impunidade de Israel explica-se pelas reações como as que assistimos a propósito desta desenho. Israel (e a "comunidade israelita") ou não se apercebem ou fingem não se aperceber do mal que causam aos outros (os palestinianos). E têm a desfaçatez de falarem em nome de "toda a gente": "toda a gente" terá ficado indignada com este desenho, segundo o sr. Carp (exceto os anti-semitas, claro). Olhe, sr. Carp: eu não fiquei. O que me indigna, e o que deveria indignar "toda a gente", é o tratamento diariamente inflingido por Israel ao povo palestiniano.

2010/08/05

Ainda Mário Bettencourt Resendes

Vale a pena ler os testemunhos de Maria Elisa e João Céu e Silva ("a 24 horas de morrer não se rendeu à fatalidade") e a última crónica escrita enquanto provedor (sobre figuras públicas que expõem debilidades de saúde).

2010/08/03

Mário Bettencourt Resendes (1952-2010)

Da minha experiência pessoal com o recém falecido provedor do DN, recordo a correspondência com ele trocada: sobre o caso "eles" (com direito a referência na coluna) e sobre outros dois casos (aqui e aqui), sem direito a publicação mas que mereceram sempre uma resposta (educada), ende me era garantido que, apesar de a carta não ser publicada, seria encaminhada para os jornalistas responsáveis.
Como jornalista, Mário Bettencourt Resendes foi a imagem e a grande referência do DN na década de 90 e na pimeira metade da década de 90. Como o seu amigo Mário Soares na política, no jornalismo Mário Bettencourt Resendes arriscou muitas vezes, falhou algumas mas acertou muitas mais. Errou no apoio à Guerra do Iraque em 2003 (embora tivesse como diretor adjunto úm tal António Ribeiro Ferreira - como aceitou tal situação é algo que nunca compreendi e nunca compreenderei). Mas o melhor que o DN teve foi sob a sua direção.
Vale a pena ler o que quem com ele trabalhou diz: Albano Matos, Ferreira Fernandes e Luís Delgado. Na blogosfera destaco o Pedro Correia, Pedro Rolo Duarte e a BD de Bandeira.
O DN perdeu a sua grande referência e o jornalismo português ficou mais pobre.

2010/06/23

O que vale um ex-diretor do Público

São várias as inconsistências e incorreções neste texto de José Manuel Fernandes. Do lado dos escritores que nunca ganharam o Nobel, para além de referir incorretamente um premiado (como recorda o Nuno Ramos de Almeida), inclui pelo menos dois escritores ainda vivos (Rushdie e Vargas Llosa), que nada garante que não o venham a ganhar.
Do lado dos que ganharam o Nobel da literatura sem grande mérito, esquece-se de mencionar o mais injustificado destes prémios: o atribuído a Winston Churchill. Deve ser por Churchill ser a sua grande inspiração ideológica.
Mas nem isso é o mais importante. O que conta, a meu ver, é esta realidade: JMF lamenta sempre a “falta de reconhecimento do mérito dos melhores” por parte da nossa sociedade – desde que sejam empresários, “empreendedores”. Na hora da morte do mais reconhecido escritor português, JMF prefere desvalorizar desta forma o prémio que o imortalizou, revelando assim a sua mesquinhez e pequenez.
É verdade que Saramago não teria todo o reconhecimento universal que teve se não tivesse ganho o Nobel da literatura (embora já fosse um escritor conhecidíssimo internacionalmente quando o ganhou). Mas também que reconhecimento teria José Manuel Fernandes se não tivesse sido diretor do Público?

2010/05/21

José Luís Saldanha Sanches (1944-2010)

Na despedida do ilustre combatente anticorrupção, falcedio há uma semana, vale a pena recordar a entrevista a Anabela Mota Ribeiro na Pública, aqui transcrita.

2010/05/19

O “Caso República” aos olhos de hoje

Cartoon de Sam

O PREC português foi rico em episódios notáveis. Alguns ternurentos, como a formação de cooperativas e o assalto aos latifúndios. Alguns trágicos, como os atentados às sedes do PCP no norte do país, as redes bombistas, os assassinatos de militantes de esquerda. Alguns (muito) cómicos, como o primeiro-ministro que declara ao presidente da república encontrar-se “em greve”, que ser sequestrado era “uma coisa que chateava, pá” e, perante uma granada, que “era só fumaça” e “o povo era sereno”.
Todos estes episódios fazem parte da nossa história e, para quem os viveu, da memória coletiva. Mas são nossos, portugueses. O “Caso República”, de que passam hoje 35 anos, pelo contrário, é um episódio que merece ser estudado e meditado a nível internacional, nos cursos de Ciência Política, pelo que tem de fascinante e paradigmático.
No “Caso República” (os mais moços podem recordá-lo, ou mesmo aprendê-lo, aqui) estão em confronto a um nível elementar, e por isso bastante profundo, o capital, o trabalho, a liberdade intelectual e de imprensa e, sobretudo, as relações e hierarquias entre profissões diferentes. Para uma pessoa de direita, creio que o lado certo só pode ser um (mesmo se o jornal fosse afeto ao PS, como era!). Para uma pessoa de esquerda, creio que a resposta já não é nada óbvia. É claro que para os artistas Bastos o lado certo só pode ser o outro, sem discussão, e ainda hoje atiram essa questão aos interlocutores, como que para atestarem a “pureza ideológica”.

2010/02/19

E as fotocópias com saliva?

Nem é particularmente a "teatralidade" o que mais me incomoda no espetáculo que Mário Crespo deu esta semana na Comissão Parlamentar. O fulano tem o direito a ser um mau ator. O que me incomodou, e tratou-se de um péssimo exemplo, foi Crespo lamber os dedos antes de distribuir uma folha a cada deputado (com uma "crónica" ridícula que toda a gente já tinha lido). Além de mau cronista é  porco. Ninguém lhe disse isso?

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/02/08

Censura? Eu chamaria antes PIDE...

Mário Crespo com Kaúlza de Arriaga - foto roubada ao Arrastão

Continua a falar-se em "censura" ao jornalista Mário Crespo (algo errado e que demonstra que não se sabe ao certo o que quer dizer censura nos dias de hoje), mas ninguém fala do caráter perfeitamente pidesco deste procedimento: ouve-se conversas privadas entre três cidadãos (o fato de serem três ministros não é agora relevante), e daí parte-se para a denúncia. Um cidadão não pode agora ter uma conversa privada, pois pode haver sempre um amigo do sr. Mário Crespo à escuta. Perante isto, o Cinco Dias elege mais um "mártir" (mas daqui já nada espanta), o Sindicato dos Jornalistas considera a conversa "profundamente condenável" (não o procedimento) e o Bloco de Esquerda quer um inquérito da ERC. Melhor do que tudo: o mesmo eurodeputado que convidou José Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa vem agora acusar o Jornal de Notícias de exercer censura. Isto é fantástico!

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/02/04

A censura nos dias de hoje

Nenhum jornal sério publicaria um artigo como o que Mário Crespo submeteu ao Jornal de Notícias, naquela forma. Além disso, a não-publicação de um artigo, mesmo quando existe um contrato de colaboração entre um articulista e um jornal, não tem necessariamente de constituir um ato de censura. Tem de existir uma justificação para tal procedimento, e foi isso que a direção do JN fez, com uma clareza cristalina:
Basicamente, no entender do director do JN o texto de Mário Crespo não era um simples texto de Opinião mas fazia referências a factos que suscitavam duas ordens de problemas: por um lado necessitavam de confirmação, de que fosse exercido o direito ao contraditório relativamente às pessoas ali citadas; por outro lado, a informação chegara a Mário Crespo por um processo que o JN habitualmente rejeita como prática noticiosa; isto é: o texto era construído a partir de informações que lhe tinham sido fornecidas por alguém que escutara uma conversa num restaurante.
Acresce que o diretor do jornal apenas "manifestou reservas" quanto ao artigo e não despediu Mário Crespo: foi este que, face a estas reservas, decidiu retirar o artigo e cessar a sua colaboração. Mais: ao não publicar o artigo (pelo qual poderia vir a ser responsabilizado - um jornal pode ser responsabilizado pelos seus artigos de opinião) o JN não estava a silenciar Mário Crespo, que dispõe de outros meios (de que todos hoje em dia dispomos), como blogues, outros jornais e, no caso de Mário Crespo, o think-tank do PSD. Que o publicou imediatamente. Crespo recebeu ainda a solidariedade pronta de Paulo Portas: amanhã, Crespo participa num almoço promovido pelo CDS. Também poderia apresentar o artigo lá...

Também publicado no Esquerda Republicana

2010/02/03

Mário Crespo, Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz são, de fato, problemas

O problema que estes "jornalistas" constituem traduz-se nisto: alguém ouve partes de conversas privadas, sem delas tomar parte, e delas decide construir um caso político. Alguém acha que emails recebidos de alguém que "escutou" umas conversas num restaurante (sem nelas ter participado) servem para fundamentar uma notícia. Alguém que com base nestes "fatos" decide escrever um artigo num jornal. Como poderia fazer mais uma notícia espalhafatosa num qualquer "Jornal de Sexta": cada um usa os meios de que dispõe.
O problema é mesmo este: haver tantos "jornalistas" sérios e isentos como estes que referi em cargos de responsabilidade. Não se trata de exigir o seu afastamento ou querer interferir seja com que órgão de comunicação social for: trata-se somente de uma constatação.

Também publicado no Esquerda Republicana

2009/09/22

Qual “asfixia democrática” (2)?

Fala-se de “asfixia democrática”. Na comunicação social, não vejo onde esteja. Temos a TVI e, como agora se confirma, o Público, que sempre fizeram as campanhas que quiseram. Regressemos uns anos atrás. Não direi muitos (ao tempo em que o Prof. Cavaco era primeiro ministro, os deputados da oposição eram sempre filmados de costas no Parlamento e, no Telejornal, a sua cara aparecia no canto superior direito sempre que o seu nome era referido – no canal único de televisão, a RTP). Eu proponho regressarmos somente seis anos atrás. Num breve intervalo da sua colaboração de mais de 20 anos com Cavaco, o director do DN era... Fernando Lima! Imposto pela PT Multimedia, apesar do voto contrário do Conselho de Redacção do jornal, preocupado em ter um comissário político na direcção. (Como os leitores se recordam, Lima tratou de pôr o cabeçalho do jornal centenário a laranja. E nunca assinava os editoriais que escrevia. As eminências pardas nunca gostam de dar a cara.) O director do Expresso era o arquitecto Saraiva. Na TVI tínhamos José Eduardo Moniz, e no Público... José Manuel Fernandes!
Não me recordo de nenhum órgão de comunicação social não partidária que não estivesse a favor do governo há seis anos. Comparem com a situação hoje. Onde estava há seis anos quem hoje fala em “asfixia democrática”? Nunca eu senti um país tão asfixiante como há seis anos atrás.
É claro que hoje temos órgãos de comunicação social a favor do governo (e contra, nomeadamente os que elenquei), como é normal e desejável numa sociedade plural. Mas há uma diferença entre ter uma tendência e deixar-se manipular.

2009/09/21

Aprende-se sempre a ler o Arrastão

No meu caso, eu hoje aprendi um provérbio completo (só conhecia a última parte). O resto do texto (não só o título) também está bom.

Qual "asfixia democrática" (1)?

Entrevista de José Miguel Júdice ao DN:

A revelação por parte do DN do e-mail trocado entre Luciano Alvarez e Tolentino Nóbrega, jornalistas dos Público, é uma violação de privacidade?

Não sei se o e-mail é privado ou se tem interesse público. Acho muito curioso que a imprensa portuguesa, que durante anos e anos não se preocupou com a revelação de escutas, agora que atinge os jornalistas, estes comecem a ficar preocupados.

Considera reprovável, do ponto de vista ético?

É deontologicamente censurável, mas, durante anos, os jornalistas aceitaram que isso fosse possível em muitas situações que não envolviam jornalistas. É como se estivessem a provar um pouco do seu remédio. Os jornalistas dão muita importância a si próprios. Eticamente, é inadmissível que os jornalistas queiram ser protegidos de uma forma que não se protegem os outros cidadãos.

Considera aceitável que o DN tenha divulgado o e-mail?

É importante que o Diário de Notícias tenha divulgado esta situação. E é importante que os jornalistas ponham a mão na consciência. Eu sou amigo do José Manuel Fernandes, mas a reacção do José Manuel Fernandes, que de manhã afirmou que o Público estava sob escuta e depois vem reconhecer que, afinal, não houve qualquer intrusão no sistema informático do jornal, é de uma gravidade absoluta. E nem pediu desculpa. Depois das suspeições lançadas devia de haver um pedido de desculpa ao País, a todos nós. A comunicação social deve pôr a nu estes métodos de fazer jornalismo. Se é grave o que Fernando Lima, assessor do Presidente da República, fez, também é grave a comunicação social sujeitar-se a isso.

O interesse público justifica a publicação do e-mail?

Está tudo a arrancar os cabelos porque é um jornal a fazer a outro jornal aquilo que é prática da comunicação social fazer a outras entidades não jornalísticas: publicar e revelar documentos, mesmo que protegidos pelo segredo de justiça, em nome do interesse público. Esta dupla ética não é aceitável.


Ler também as declarações do Presidente do Sindicato dos Jornalistas: os jornalistas devem "aprofundar a investigação até ao limite das suas forças".

2009/08/06

O “caso Bonifácio”: muita liberdade e nenhuma responsabilidade

Na blogosfera que eu li - vários blogues, da esquerda à direita – é a unanimidade nacional: a liberdade de opinião de João Bonifácio, enquanto crítico musical, é absoluta e indiscutível. João Bonifácio é intocável. Mesmo que Bonifácio, para criticar um concerto de um grupo que não gostava e a que não lhe apetecia ter assistido, se refira de uma forma de gosto muito duvidoso a esse grupo e aos adeptos de um clube de futebol. Uma vez mais, a blogosfera parece reduzida a um grupo de amigos que fazem do João Bonifácio a nova causa. Falo de pessoas por quem tenho consideração: aqui, aqui. E também aqui.
Ora bem: João Bonifácio é crítico. Ou seja, é jornalista. Ser jornalista é bem diferente de assinar uma coluna de opinião. Um jornalista tem que fazer trabalhos de que não gosta, como toda a gente. E, embora uma crítica (musical, de futebol, seja do que for) seja sempre subjectiva, parece-me evidente que um crítico, enquanto jornalista, não pode ter a mesma liberdade criativa que um colunista de opinião. Apesar de em ambos os casos os textos virem assinados, o que um crítico escreve vincula muito mais o jornal do que o que é escrito por um colunista. Quanto mais não seja porque um crítico é (ou deve ser) um assalariado do jornal, com um contrato de trabalho. Um colunista em geral não tem um contrato de trabalho com o jornal.
Se João Bonifácio quer ter a liberdade de expressão, e sobretudo se não quer ter a responsabilidade associada ao cargo de jornalista, tem bom remédio: que passe de jornalista a colunista. Peça ao Público para lhe alterarem o contrato de trabalho. Se não perceber bem a diferença entre um colunista e um jornalista, pergunte ao João Miguel Tavares a diferença.

2009/06/17

António Ruella Ramos (1938-2009)

Depois de Fernando Piteira Santos e da sua mulher Stella, desaparece o director do Diário de Lisboa, jornal de referência da oposição ao salazarismo e o jornal da minha infância.

2009/05/04

Entrevista a Carvalho da Silva

No conturbado fim de semana do Dia do Trabalhador. Entrevista a Anabela Mota Ribeiro no Jornal de Negócios. Um sumário aqui.