A mais recente crónica de António Lobo Antunes.
A reportagem da TVI sobre o favorecimento das escolas privadas:
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2013/11/09
2010/06/14
As escalas das escolas
Existem escalas para diversas grandezas, graças às quais nem todos os valores dessas grandezas são fisicamente equivalentes, podendo mesmo determinar valores críticos, abaixo ou acima dos quais certas aproximações podem ou não ser válidas. Por exemplo, a velocidade da luz representa uma dessas escalas (que determina se é válida a aproximação newtoniana ou se se tem de considerar a teoria relativista). A constante de Planck é outra (e determina se um sistema é quântico ou se é bem aproximado pela física clássica). Por que têm estas grandezas os valores que têm e não outros é algo que a física ainda não sabe explicar, mas seguramente as nossas vidas seriam bem diferentes se esses valores não fossem estes. (Quem quiser “imaginar” como tal seria pode ler “As Aventuras do Sr. Tompkins” de George Gamow.) Estes valores possuem, assim, um significado físico bem claro.
Menos claro é o significado da escala que o governo decidiu fixar para o tamanho mínimo (em número de alunos) para uma escola poder funcionar - 20. Mesmo assim, apraz-me perguntar aos opositores desta medida se concordam que tal escala deve existir, mesmo que eventualmente tivesse outro valor, ou acham que tal escala não deveria existir? A segunda hipótese corresponde a uma teoria sem escalas fixas. Para além de tal não existir na natureza ao nível fundamental, tal hipótese equivale a uma escola só com um aluno representar o mesmo que uma escola com cinco mil alunos. É isto mesmo que defendem?
Na primeira hipótese, a de concordarem com a fixação da escala mas não com o valor proposto pelo governo, podem propor outro valor e justificá-lo? Ainda não vi nada nesse sentido.
Menos claro é o significado da escala que o governo decidiu fixar para o tamanho mínimo (em número de alunos) para uma escola poder funcionar - 20. Mesmo assim, apraz-me perguntar aos opositores desta medida se concordam que tal escala deve existir, mesmo que eventualmente tivesse outro valor, ou acham que tal escala não deveria existir? A segunda hipótese corresponde a uma teoria sem escalas fixas. Para além de tal não existir na natureza ao nível fundamental, tal hipótese equivale a uma escola só com um aluno representar o mesmo que uma escola com cinco mil alunos. É isto mesmo que defendem?
Na primeira hipótese, a de concordarem com a fixação da escala mas não com o valor proposto pelo governo, podem propor outro valor e justificá-lo? Ainda não vi nada nesse sentido.
2010/04/03
Prós & Contras: "quem manda nas escolas?"
Já há quinze dias (num debate sobre o PEC e as contas públicas) havia notado, e esta semana só o confirmei: o programa "Prós & Contras", que antigamente alguém chamava "Prós & Prós", está cada vez mais "Contras & Contras". Dantes, praticamente em cada semana estava lá um ministro; agora, para debater a educação, estavam (no último programa, disponível aqui), nada menos que Nuno Crato (apesar de tudo o melhor), Helena Matos e... Paulo Portas. Habilidoso, o líder do CDS conseguiu fazer passar a sua propaganda, a mensagem do seu partido, sem nunca a este se referir. Insistiu que na escola "não é admissível nenhum tipo de violência: violência contra professores, violência contra funcionários..." Não acabou. Ficámos sem saber se Portas toleraria a violência contra os alunos (desde que dirigida por professores ou funcionários).
Foi engraçado ouvir os alunos. No que se segue, para que fique claro, a identificação do quadrante político dos alunos é uma "adivinha" minha. Ninguém se identificou como membro de nenhum partido. Na primeira parte, falou (timidamente) um estudante nitidamente apoiante do PS e das políticas de Maria de Lurdes Rodrigues. Os críticos do "eduquês" e os seus colegas de partidos mais à esquerda defendem posições totalmente opostas, mas ambos reuniam-se para criticarem a anterior ministra - a sua inabilidade política reflete-se em, não ter sabido tirar proveito desta reunião. Na segunda parte, por volta dos 11 min, falou (julgo eu) um estudante apoiante do PCP. Refiro-o pela forma como se quis demarcar do estudante anterior e, pese algum nervosismo, pela forma como lia tudo o que queria dizer, sem se afastar nada do planeado. Logo depois, falou Pedro Feijó, assumidamente do Bloco de Esquerda, apresentado pela apresentadora como "o rapaz que estava doido por falar". O à-vontade a falar era notável. Fixem este nome: daqui a uns anos teremos ali deputado. Entretanto quer estudar Física... Tanto Feijó como a generalidade dos intervenientes pediram (em graus diferentes) "mais autonomia" para as escolas. Fossem professores e estudantes ou fossem só professores a fazê-lo, os programas deveriam ser decididos localmente e não pelo ministério. Gostaria de saber o que pensam os proponentes desse tipo de medidas desta reescrita da História no Estado do Texas.
Também publicado no Esquerda Republicana
Foi engraçado ouvir os alunos. No que se segue, para que fique claro, a identificação do quadrante político dos alunos é uma "adivinha" minha. Ninguém se identificou como membro de nenhum partido. Na primeira parte, falou (timidamente) um estudante nitidamente apoiante do PS e das políticas de Maria de Lurdes Rodrigues. Os críticos do "eduquês" e os seus colegas de partidos mais à esquerda defendem posições totalmente opostas, mas ambos reuniam-se para criticarem a anterior ministra - a sua inabilidade política reflete-se em, não ter sabido tirar proveito desta reunião. Na segunda parte, por volta dos 11 min, falou (julgo eu) um estudante apoiante do PCP. Refiro-o pela forma como se quis demarcar do estudante anterior e, pese algum nervosismo, pela forma como lia tudo o que queria dizer, sem se afastar nada do planeado. Logo depois, falou Pedro Feijó, assumidamente do Bloco de Esquerda, apresentado pela apresentadora como "o rapaz que estava doido por falar". O à-vontade a falar era notável. Fixem este nome: daqui a uns anos teremos ali deputado. Entretanto quer estudar Física... Tanto Feijó como a generalidade dos intervenientes pediram (em graus diferentes) "mais autonomia" para as escolas. Fossem professores e estudantes ou fossem só professores a fazê-lo, os programas deveriam ser decididos localmente e não pelo ministério. Gostaria de saber o que pensam os proponentes desse tipo de medidas desta reescrita da História no Estado do Texas.
Também publicado no Esquerda Republicana
2010/01/08
Resumo do dia
Bom resumo no Jugular (a quem roubei a ilustração): um passo importante na luta pelo fim da discriminação (mas a luta continua). Por outro lado, tenho saudades do tempo em que havia uma ministra da educação (e não eram os sindicatos a mandar no ministério).
2009/02/08
Desidério Murcho, os "pobres", o metro e a escola pública
Na sua habitual linha de pensamento político liberal, Desidério Murcho pergunta quais as vantagens e desvantagens de um imposto único. Tal já havia sido objecto de debate entre o Luís Aguiar Conraria (que, aliás, já tinha apresentado a ideia, e responde a Desidério) e Vital Moreira (que havia respondido à altura por duas vezes). As respostas ao texto de Desidério nos comentários são boas (particularmente a do anónimo Artur), mostrando que, mais do que económica, esta é uma questão política. Mas, lendo os mesmos comentários, reparei num particularmente significativo do próprio Desidério:
Para eu ser “bizarro” para o Desidério, só me falta mesmo ter dois milhões de euros no banco. Mas, portanto, escolhas pessoais como não ter carro e opções cívicas como andar de transporte público são, para Desidério, para “pobres”. (Um rico que as tome é “bizarro”.)
Curiosamente o mesmo Desidério Murcho muito insiste na elevação de conteúdos ensinados na escola pública, insurgindo-se contra o preconceito de considerar que os pobres “não gostam” de ciência, filosofia ou literatura a sério como motivo para “aligeirar” os conteúdos dos programas de ensino. Desidério defende o ensino na escola pública da melhor ciência, da melhor filosofia, da melhor literatura. Para percebermos melhor o conceito de escola pública de Desidério Murcho, convinha que ele respondesse a uma ou duas perguntas, relacionadas com este seu comentário. Um “pobre” que se interesse por ciência ou literatura ou filosofia, é bizarro? Um rico que ande na escola pública, é bizarro? Se Desidério achar que sim, julga que a escola pública é “para pobres”. Se achar que não, não é bizarro, por que raio é que o haveria de ser o andar de metro?
Ter dois milhões de euros no banco e viver em Chelas num apartamento de 20 mil euros, sem carro e andando de metro é algo bizarro, não? Isto devia ser evidente.
Para eu ser “bizarro” para o Desidério, só me falta mesmo ter dois milhões de euros no banco. Mas, portanto, escolhas pessoais como não ter carro e opções cívicas como andar de transporte público são, para Desidério, para “pobres”. (Um rico que as tome é “bizarro”.)
Curiosamente o mesmo Desidério Murcho muito insiste na elevação de conteúdos ensinados na escola pública, insurgindo-se contra o preconceito de considerar que os pobres “não gostam” de ciência, filosofia ou literatura a sério como motivo para “aligeirar” os conteúdos dos programas de ensino. Desidério defende o ensino na escola pública da melhor ciência, da melhor filosofia, da melhor literatura. Para percebermos melhor o conceito de escola pública de Desidério Murcho, convinha que ele respondesse a uma ou duas perguntas, relacionadas com este seu comentário. Um “pobre” que se interesse por ciência ou literatura ou filosofia, é bizarro? Um rico que ande na escola pública, é bizarro? Se Desidério achar que sim, julga que a escola pública é “para pobres”. Se achar que não, não é bizarro, por que raio é que o haveria de ser o andar de metro?
2008/12/10
Do conflito entre os professores e o ministério da Educação
O melhor texto, mais sensato e mais equilibrado que tenho lido sobre este assunto foi escrito pelo Paulo Pinto no Jugular. Sugiro a sua leitura.
2008/12/03
Da desobediência
No meu modesto entendimento, o julgamento do Carlos Vidal neste seu texto parte da confusão frequente por parte das pessoas entre “democracia” e “liberdade”, que já aqui referi. O Carlos apela à “desobediência”. A desobediência é um atributo fundamental da liberdade, mas inaceitável em democracia (pelo menos sem sofrer as consequências). Em democracia os governos são eleitos por sufrágio universal para fazerem leis, que os cidadãos devem acatar. Tal aplica-se a todos, mas mais ainda aos funcionários públicos (incluindo neste caso os professores). As profissões onde cada um é livre de fazer tudo o que quiser chamam-se justamente – voilà – “liberais”. Não consta que a profissão de professor o seja.
Dito isto, é evidente que os governos devem negociar com os sindicatos tudo o que tenha a ver com legislação laboral. Principalmente um governo que se diz de esquerda deve procurar chegar a acordos com os sindicatos. Mas na impossibilidade de esse acordo ser atingido, o governo tem legitimidade para seguir o seu programa, que será julgado nas eleições livres seguintes. Os sindicatos têm o direito de continuar as suas lutas, mas não podem desobedecer às leis do governo escolhido por todos os cidadãos. O trabalho (neste caso o dos professores) diz respeito a toda a sociedade, e não somente à classe profissional. Cada sindicato é escolhido somente pela classe profissional e não por todos os cidadãos. Tal desobediência seria assim profundamente antidemocrática.
Não digo com isto que não seja possível (e às vezes até desejável) a desobediência mesmo em democracia, mas em democracia quem desobedece tem que sujeitar-se às consequências. A desobediência é um acto de liberdade, e todos os actos de liberdade têm responsabilidades associadas. Mais do que desejável, indispensável é a desobediência na ausência de democracia, em regimes ditatoriais. Neste caso não consta que o governo seja ditatorial. Se quem apela à desobediência pensa ser esse o caso, deve assumi-lo claramente.
Dito isto, é evidente que os governos devem negociar com os sindicatos tudo o que tenha a ver com legislação laboral. Principalmente um governo que se diz de esquerda deve procurar chegar a acordos com os sindicatos. Mas na impossibilidade de esse acordo ser atingido, o governo tem legitimidade para seguir o seu programa, que será julgado nas eleições livres seguintes. Os sindicatos têm o direito de continuar as suas lutas, mas não podem desobedecer às leis do governo escolhido por todos os cidadãos. O trabalho (neste caso o dos professores) diz respeito a toda a sociedade, e não somente à classe profissional. Cada sindicato é escolhido somente pela classe profissional e não por todos os cidadãos. Tal desobediência seria assim profundamente antidemocrática.
Não digo com isto que não seja possível (e às vezes até desejável) a desobediência mesmo em democracia, mas em democracia quem desobedece tem que sujeitar-se às consequências. A desobediência é um acto de liberdade, e todos os actos de liberdade têm responsabilidades associadas. Mais do que desejável, indispensável é a desobediência na ausência de democracia, em regimes ditatoriais. Neste caso não consta que o governo seja ditatorial. Se quem apela à desobediência pensa ser esse o caso, deve assumi-lo claramente.
2008/11/18
The demonstration concert
O vídeo que mostrei na mensagem anterior é um bom exemplo para a ministra da educação (que seria interpretada pelo Mickey) e para o líder da FENPROF Mário Nogueira (que seria interpetado pelo Donald). A ministra, com sentido de missão, leva a sua até ao fim, contra ventos e marés. Nada a datém: nem mesmo um ciclone. Os contestatários no fim acabam por aplaudir.
2008/09/24
Sobre o cartão magnético de acesso às escolas
Ponto prévio: acredito que a principal preocupação de muitos pais ainda seja o controlo total dos filhos adolescentes, e partilho a grande preocupação da Maria João Pires quanto a este facto.
Dito isto, eu não vejo a introdução de um cartão magnético necessariamente ou exclusivamente como uma medida de “controlo total”. É-o em parte e é aí que eu o critico. Não me parece razoável que um aluno do secundário não possa entrar e sair livremente da escola. Não me parece sobretudo razoável que alunos do 2º ciclo (de 10 e 11 anos) sejam tratados da mesma forma que adolescentes pré-universitários. São idades muito diferentes, e esta indistinção origina uma imaturidade que hoje já se nota nos alunos do primeiro ano das universidades.
De qualquer forma, da maneira como o cartão é apresentado pela Maria João, parece que as escolas passam a ser uma espécie de “Big Brother”, onde todos os passos lá dentro são vigiados, os intervalos, o convívio com colegas, eventuais demonstrações de afecto e experiências que é suposto ter-se nesta idade. Não é assim, e ainda bem que não é. O cartão parece-me positivo até ao 9º ano, e com algumas alterações e salvaguardas importantes (poder vir cá fora ao café da D. Maria fumar um cigarrinho no intervalo – afinal não se pode fumar dentro das escolas, não é?) também mesmo no secundário.
Um dos aspectos importantes do cartão é o controlo da assiduidade. É aqui que eu não concordo com a Maria João, nomeadamente com a frase “A ideia de que alguém se mostre satisfeito pela existência de um cartão que lhe permite, por exemplo, ser avisado em tempo real de uma simples balda de um filho arrepia-me.” O controlo da assiduidade e o combate ao absentismo são de uma extrema importância em todas as actividades profissionais ao longo da vida, e a escola secundária é um bom local para começar a aprendê-lo. Nenhum aluno é impedido de faltar por isto. Aliás, tanto quanto eu sei, a única alteração deste cartão vai ser mesmo a comunicação da falta em tempo real ao encarregado de educação, pois ele já poderia tomar conhecimento de todas as faltas (não em tempo real) se assim desejasse. O cartão é é uma medida de responsabilização: o estudante deve habituar-se a assumir a responsabilidade pelos seus actos, nomeadamente pelas suas faltas. Não é encarando-as como “uma simples balda”, um “pequeno disparate” a que não se liga muito que se fomenta essa responsabilidade. A este respeito convém recordar as reacções dos alunos que vêm do estrangeiro, nomeadamente filhos de imigrantes, ao compararem a escola dos seus países de origem com a portuguesa. Todos referem que a escola portuguesa é menos exigente, que a atitude dos alunos portugueses é muito diferente da deles. Para eles a escola é para se aprender, e “uma simples balda” é algo impensável. É com estes alunos que temos que nos comparar e é como estes alunos que devemos querer que os nossos filhos sejam.
Resumindo, para mim a introdução do novo cartão é uma medida a elogiar, embora se deva rever a sua aplicação.
Dito isto, eu não vejo a introdução de um cartão magnético necessariamente ou exclusivamente como uma medida de “controlo total”. É-o em parte e é aí que eu o critico. Não me parece razoável que um aluno do secundário não possa entrar e sair livremente da escola. Não me parece sobretudo razoável que alunos do 2º ciclo (de 10 e 11 anos) sejam tratados da mesma forma que adolescentes pré-universitários. São idades muito diferentes, e esta indistinção origina uma imaturidade que hoje já se nota nos alunos do primeiro ano das universidades.
De qualquer forma, da maneira como o cartão é apresentado pela Maria João, parece que as escolas passam a ser uma espécie de “Big Brother”, onde todos os passos lá dentro são vigiados, os intervalos, o convívio com colegas, eventuais demonstrações de afecto e experiências que é suposto ter-se nesta idade. Não é assim, e ainda bem que não é. O cartão parece-me positivo até ao 9º ano, e com algumas alterações e salvaguardas importantes (poder vir cá fora ao café da D. Maria fumar um cigarrinho no intervalo – afinal não se pode fumar dentro das escolas, não é?) também mesmo no secundário.
Um dos aspectos importantes do cartão é o controlo da assiduidade. É aqui que eu não concordo com a Maria João, nomeadamente com a frase “A ideia de que alguém se mostre satisfeito pela existência de um cartão que lhe permite, por exemplo, ser avisado em tempo real de uma simples balda de um filho arrepia-me.” O controlo da assiduidade e o combate ao absentismo são de uma extrema importância em todas as actividades profissionais ao longo da vida, e a escola secundária é um bom local para começar a aprendê-lo. Nenhum aluno é impedido de faltar por isto. Aliás, tanto quanto eu sei, a única alteração deste cartão vai ser mesmo a comunicação da falta em tempo real ao encarregado de educação, pois ele já poderia tomar conhecimento de todas as faltas (não em tempo real) se assim desejasse. O cartão é é uma medida de responsabilização: o estudante deve habituar-se a assumir a responsabilidade pelos seus actos, nomeadamente pelas suas faltas. Não é encarando-as como “uma simples balda”, um “pequeno disparate” a que não se liga muito que se fomenta essa responsabilidade. A este respeito convém recordar as reacções dos alunos que vêm do estrangeiro, nomeadamente filhos de imigrantes, ao compararem a escola dos seus países de origem com a portuguesa. Todos referem que a escola portuguesa é menos exigente, que a atitude dos alunos portugueses é muito diferente da deles. Para eles a escola é para se aprender, e “uma simples balda” é algo impensável. É com estes alunos que temos que nos comparar e é como estes alunos que devemos querer que os nossos filhos sejam.
Resumindo, para mim a introdução do novo cartão é uma medida a elogiar, embora se deva rever a sua aplicação.
2008/04/07
A classe média e o ensino privado
A minha opinião sobre uma intervenção no último Prós e Contras (e sobre "classe média" em geral) no Cinco Dias.
2008/03/28
Em Portimão
(Mais um) excelente texto do Tárique.
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2007/03/12
Quando as letras não pagam as expectativas II
Seguiu-se uma discussão muito interessante na caixa de comentários do meu texto “Quando as letras não pagam as expectativas”, que vale a pena ser lida.
Entre os comentários que recebi por email estão os de um sociólogo que me fez ver um lapso meu: para entrar no curso de Sociologia é necessária a frequência de Matemática nos ecundário. Dos cinco licenciados referidos, “apenas” quatro não tiveram Matemática.
Também valem a pena serem lidos dois textos do Tiago Mendes, um que eu já conhecia e outro que o autor teve a gentileza de me fazer chegar: Licença para pensar, sobre a empregabilidade dos cursos das universidades inglesas, e Rigor criativo, sobre a importância da Matemática.
De tudo o que eu li, gostaria de acrescentar que na situação portuguesa muitos alunos nunca chegam (e nunca chegaram) a estudar realmente matemática a partir do 6º ano: pura e simplesmente “desistem” da matemática. Decidem que irão para letras e logo se vê, pois sabem que o “pesadelo” das ciências exactas só dura até ao 9º ano.
Por outro lado, o ensino da matemática não deve ser feito a pensar que todos os alunos serão matemáticos, ou sequer estudarão ciências. Não defendo que haja falta de matemáticos; agora, há um excesso de licenciados sem nenhuns conhecimentos de matemática, que orientaram todos os seus estudos só para fugirem à matemática, e por isso mesmo não se sabe muito bem o que se lhes há-de fazer. Pior: nem esses licenciados sabem muito bem o que hão-de fazer fora da sua área de estudos. A flexibilidade e a capacidade de adaptação de que o Tiago Mendes fala, e que são absolutamente indispensáveis num mundo em evolução tecnológica vertiginosa, só se podem alcançar com uma boa base matemática. Se não compreendermos isto arriscamo-nos a continuar a formar reveladores de fotografias na era da fotografia digital.
Entre os comentários que recebi por email estão os de um sociólogo que me fez ver um lapso meu: para entrar no curso de Sociologia é necessária a frequência de Matemática nos ecundário. Dos cinco licenciados referidos, “apenas” quatro não tiveram Matemática.
Também valem a pena serem lidos dois textos do Tiago Mendes, um que eu já conhecia e outro que o autor teve a gentileza de me fazer chegar: Licença para pensar, sobre a empregabilidade dos cursos das universidades inglesas, e Rigor criativo, sobre a importância da Matemática.
De tudo o que eu li, gostaria de acrescentar que na situação portuguesa muitos alunos nunca chegam (e nunca chegaram) a estudar realmente matemática a partir do 6º ano: pura e simplesmente “desistem” da matemática. Decidem que irão para letras e logo se vê, pois sabem que o “pesadelo” das ciências exactas só dura até ao 9º ano.
Por outro lado, o ensino da matemática não deve ser feito a pensar que todos os alunos serão matemáticos, ou sequer estudarão ciências. Não defendo que haja falta de matemáticos; agora, há um excesso de licenciados sem nenhuns conhecimentos de matemática, que orientaram todos os seus estudos só para fugirem à matemática, e por isso mesmo não se sabe muito bem o que se lhes há-de fazer. Pior: nem esses licenciados sabem muito bem o que hão-de fazer fora da sua área de estudos. A flexibilidade e a capacidade de adaptação de que o Tiago Mendes fala, e que são absolutamente indispensáveis num mundo em evolução tecnológica vertiginosa, só se podem alcançar com uma boa base matemática. Se não compreendermos isto arriscamo-nos a continuar a formar reveladores de fotografias na era da fotografia digital.
2007/02/22
Quando as letras não pagam as expectativas
No Diário de Notícias de domingo, é-nos apresentada uma série de licenciados no desemprego ou que vivem de biscates. Entre eles inclui-se uma antiga colega de blogue minha.
Olhando para o perfil dos licenciados em questão, vê-se que todos eles têm algo em comum. O quê? Não o terem estudado numa universidade privada: a maioria dos seleccionados até estudou no sector público. (Embora o desemprego de licenciados afecte sobretudo alunos de universidades privadas que apostam em cursos baratos – para a universidade -, de “papel e lápis”, sem qualquer preparação técnica, só para “garantir o canudo” ao cliente – o aluno.) O ISCTE, por exemplo, “contribui” com dois alunos, não ficando nada bem visto (o que, comparado com outras universidades, acaba por ser injusto). Mas qual é o problema? O que têm todos em comum? Muito simples: são “de letras” no secundário. Não estudaram matemática a partir do 10º ano. E agora deu nisto que se vê. É essa a característica básica do desempregado licenciado. Anos e anos de tolerância com o desinteresse e as más notas pela matemática deram nisto.
Mais do que um “Plano Nacional de Leitura”, do que Portugal precisa urgentemente é de um “Plano Nacional de Matemática”. Que poderia começar pela obrigatoriedade da frequência desta disciplina até ao 12º ano, qualquer que fosse o “agrupamento” de opção escolhido.
Olhando para o perfil dos licenciados em questão, vê-se que todos eles têm algo em comum. O quê? Não o terem estudado numa universidade privada: a maioria dos seleccionados até estudou no sector público. (Embora o desemprego de licenciados afecte sobretudo alunos de universidades privadas que apostam em cursos baratos – para a universidade -, de “papel e lápis”, sem qualquer preparação técnica, só para “garantir o canudo” ao cliente – o aluno.) O ISCTE, por exemplo, “contribui” com dois alunos, não ficando nada bem visto (o que, comparado com outras universidades, acaba por ser injusto). Mas qual é o problema? O que têm todos em comum? Muito simples: são “de letras” no secundário. Não estudaram matemática a partir do 10º ano. E agora deu nisto que se vê. É essa a característica básica do desempregado licenciado. Anos e anos de tolerância com o desinteresse e as más notas pela matemática deram nisto.
Mais do que um “Plano Nacional de Leitura”, do que Portugal precisa urgentemente é de um “Plano Nacional de Matemática”. Que poderia começar pela obrigatoriedade da frequência desta disciplina até ao 12º ano, qualquer que fosse o “agrupamento” de opção escolhido.
2006/04/05
Serão as condições-fronteira e as restrições blasfemas?
(Texto ligeiramente alterado)
Eu não sou especialista em "teoria económica", mas alguém deveria recordar ao João Miranda que a solução de uma equação diferencial não é única, "a dele", como ele pretende demonstrar (usando só a informação que lhe convém, como lhe é habitual). A solução de uma equação diferencial depende das condições fronteira. A teoria do João Miranda aplica-se a sistemas que evoluem sem constrangimentos, mas os sistemas têm constrangimentos que ele não considera. A escolha de constrangimentos e de condições fronteira na economia corresponde ao que em linguagem corriqueira se chama "política" (para não dizer "ideologia"). A solução dele (que se traduz na total ausência de "política") não é a única e nem resulta de nenhuma previsão da "teoria económica", como ele quer fazer crer. Por exemplo, aqui e, principalmente, aqui.
Apesar de tudo, eu gosto sinceramente de ler o João Miranda. É um demagogo que não trata as pessoas como atrasadas mentais. É o demagogo ideal. Funciona perfeitamente para vítimas do "eduquês" e da impreparação matemática lusa. A esquerda tradicional portuguesa não faz a mínima ideia de como lhe responder. Argumentar com ele como deve ser dá, de facto, muita luta e requer muito trabalho de casa, algo que ele também faz. As pessoas que eu me recordo de ver contrariá-lo de forma mais eficiente são o Rui Curado Silva e (na área dos comentários do Blasfémias) o meu monitor MP-S - que curiosamente me ensinou os truques das condições-fronteira. Não por acaso, ambos têm formação em Física.
Eu não sou especialista em "teoria económica", mas alguém deveria recordar ao João Miranda que a solução de uma equação diferencial não é única, "a dele", como ele pretende demonstrar (usando só a informação que lhe convém, como lhe é habitual). A solução de uma equação diferencial depende das condições fronteira. A teoria do João Miranda aplica-se a sistemas que evoluem sem constrangimentos, mas os sistemas têm constrangimentos que ele não considera. A escolha de constrangimentos e de condições fronteira na economia corresponde ao que em linguagem corriqueira se chama "política" (para não dizer "ideologia"). A solução dele (que se traduz na total ausência de "política") não é a única e nem resulta de nenhuma previsão da "teoria económica", como ele quer fazer crer. Por exemplo, aqui e, principalmente, aqui.
Apesar de tudo, eu gosto sinceramente de ler o João Miranda. É um demagogo que não trata as pessoas como atrasadas mentais. É o demagogo ideal. Funciona perfeitamente para vítimas do "eduquês" e da impreparação matemática lusa. A esquerda tradicional portuguesa não faz a mínima ideia de como lhe responder. Argumentar com ele como deve ser dá, de facto, muita luta e requer muito trabalho de casa, algo que ele também faz. As pessoas que eu me recordo de ver contrariá-lo de forma mais eficiente são o Rui Curado Silva e (na área dos comentários do Blasfémias) o meu monitor MP-S - que curiosamente me ensinou os truques das condições-fronteira. Não por acaso, ambos têm formação em Física.
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