2007/01/10

João Teixeira Lopes, o dono do “sim”

Já não é a primeira vez que o deputado João Teixeira Lopes, do Bloco de Esquerda, mostra todo o seu sectarismo. Foi quando se candidatou à Câmara do Porto (e baseou toda a sua campanha em ataques à CDU). Foi no debate entre Francisco Louçã e Paulo Portas (a gaffe de Louçã do “eu já procriei” é desculpável, tendo em conta o irritante oponente no debate, mas não deixa de ser uma gaffe; indesculpável pareceu-me a defesa cerrada que Teixeira Lopes fez do líder bloquista, sem paralelo mesmo no seu partido). É no ataque periódico que faz ao ministro do Ensino Superior, a maior parte das vezes sem razão. Mas a pior de todas foi a recente crítica a Rui Rio por pertencer a um movimento pelo “sim” no referendo, por alegadamente o Presidente da Câmara do Porto querer “branquear” a sua imagem junto do eleitorado de centro-esquerda.
Alguém explica a este senhor que o próximo referendo não é uma luta partidária? E que quantos mais líderes do centro e da direita apoiarem a despenalização, melhor para o “sim”? E que ele é que deveria deixar as críticas ao executivo da Câmara do Porto, por muito justas que sejam, para a ocasião devida, que não é a campanha do próximo referendo? Que ele deveria pôr os interesses puramente partidários de lado? Que uma vitória da despenalização não é só uma vitória do Bloco de Esquerda – é uma vitória de todos os qua a apoiam, incluindo – felizmente – Rui Rio e muitas pessoas ligadas ao PSD?
Embora eu nunca concordasse com ela – todos os apoios são bem-vindos -, uma acusação de oportunismo semelhante à lançada por João Teixeira Lopes poderia ter uma atenuante no caso de o visado se tratar de um político que em 1998 não tivesse feito campanha pelo “sim”. Mas não é esse o caso – Rui Rio nesse aspecto revelou sempre uma grande coragem política, votando mesmo contra a orientação do seu partido, como deputado, em 1997, quando a despenalização foi aprovada no Parlamento, antes de Guterres e Marcelo “decidirem” que era melhor haver um referendo. Em matéria de combate pela despenalização do aborto – e já agora de independência política – Rui Rio não deve nada a João Teixeira Lopes. Se calhar o oposto é que já não é verdade.
Já passou uma semana sobre estas tristíssimas declarações. Eu não li nenhuma referência ao assunto na blogosfera, nomeadamente por parte de dois blógueres que – tenho a certeza – não perdoariam se fosse o PCP a armar-se em “dono do sim”: este e este. Dois blógueres de quem eu gosto e respeito. No caso do Tiago, creio que tal afecta seriamente a reputação de independência que ele foi construindo. Valham-nos as senhoras que escrevem neste blogue, pelas suas crónicas de sexta feira no DN (incompletas na rede).

3 comentários:

Menino Mau disse...

a própria expressão branqueamento em sim é ridicula. Como se de um lado estivesse o bem ( Sim ) e do outro o mal ( não). como rio é o diabo e desta vez está do lado do bem , teixeira lopes parece querer dizer " RUi rio!Não será por estares do lado do bem (Sim..) que serás ilibibado dos teus inumeros pecados!vade retro RUi Rio!"

Conclusão :teixeira lopes é tonto

JV disse...

Sem duvida uma gaffe de João Teixeira Lopes. O Homem, às vezes, excede-se.
Mas isso já é passado. Lê isto que ele escreveu no publico. É bem mais interessante.
"A cândida ingenuidade do intelectual Pacheco Pereira não deixa de ser tocante. Em vez de desmistificar, perscrutar para além das evidências, desocultar as verdades feitas, Pacheco Pereira confia abertamente, o que não deixa de comover num mundo céptico e cínico como o nosso. Mas, cuide o leitor, não confia em qualquer meliante: o alvo da sua generosidade é a actual administração norte-americana, gente séria, particularmente os seus altos mentores, imbuídos, os pobres, de "uma mistura de boa vontade ingénua e negligência na análise cuidada dos riscos" (sic). Vai mais longe o nosso intelectual ao considerar, em tom de loa universal, que "ninguém que quer a democracia pode deixar de admirar a enorme ingenuidade americana" (sic). São tão ingénuos estes americanos, quais crianças traquinas que brincam aos afogamentos nos interrogatórios, que raptam cidadãos estrangeiros em qualquer ponto do mundo e que os sujeitam à imaginação das suas torturas em Guantánamo ou outros campos de concentração. Crianças ingénuas, porventura um pouco mimadas, que enrolam cabeças de detidos com fita adesiva ou que fingem supostos baptismos católicos aos prisioneiros muçulmanos de Guantánamo. Crianças divertidas, quiçá estridentes, que privam de sono os detidos, ou os sujeitam a posições incómodas horas a fio, sujeitos à tortura de luzes intermitentes. Querem ver que os marotos organizam rave parties com os reclusos, afinal a democracia é para todos... E o que dizer das maroteiras de passar sangue menstrual pela face dos detidos, interrompendo as suas preces hereges? Uns brincalhões, acima de tudo, adeptos da grande algazarra festiva, como se divertem Bush e Cheney ao aprovar estes simpáticos métodos de interrogatório!»

Filipe Moura disse...

Obrigado a ambos.