2006/11/22

Um bom passo

Obrigar os operadores de televisão concessionados pelo governo a divulgarem uma grelha de programação com antecedência e a respeitarem-na é uma exigência mínima de respeito pelo consumidor/utente. É um primeiro passo, mas o diploma deveria ser explícito na obrigatoriedade do cumprimento de horários. Para acabar de vez com o estratagema da “contraprogramação”, tristemente instituído em Portugal desde que há televisão privada. A verdadeira (e saudável) concorrência não precisa desses golpes baixos. Nos EUA (onde a concorrência é a sério) as programações e os horários são estritamente cumpridos.
É claro que os nossos liberais (na verdade são mais libertários) são contra: são contra qualquer tipo de regulamentação feita pelo governo. Argumentam que se queremos horários cumpridos, pois vejamos a TV Cabo. Da mesma forma que argumentam que se queremos boa saúde, pois vamos aos hospitais privados. Ou se queremos boa educação, que a paguemos em escolas privadas.
Está de parabéns o governo por esta medida, que há muito defendo.

4 comentários:

Luis Rainha disse...

São textos destes que dão mau nome à Esquerda; e razões a quem diz que somos um bando de palonços.
Então agora a programação anunciada é um contrato com os espectadores? E a contraprogramação é má porquê? O governo não terá nada melhor para fazer do que zelar pelos horários das tuas telenovelas, quando ninguém cumpre a lei da publicidade? No teu mundo, isso é coisa equiparável à Saude?
Ganha tino.

Filipe Moura disse...

Epá, voltou o aiai! Há mais de um ano que ninguém me dizia "ganha tino".
Para mim é evidente que a programação anunciada é um contrato com os espectadores.
A saúde ou a educação, para estes efeitos, são perfeitamente comparáveis à comunicação social, pois têm um ministro responsável por elas. Responde-me lá: para que serve o Augusto Santos Silva, se não for para isto? A não ser que aches que o cargo do Augusto Santos Silva não tem razão de ser. Se assim for junta-te aos blasfemos ou aos insurgentes.

Luis Rainha disse...

Qual cargo? O de ministro dos Assuntos Parlamentares?
Eu sei que te custa reparar em factos, mas já te tinha indicado um bom exemplo de algo a que o governo devia dar atenção, nesta área: o desrespeito generalizado pela lei da publicidade.
Mas se queres mesmo servir de sitting target aos insurgentes e afins, é lá contigo.
Pois: nota-se que andas com falta de quem te inculque bom-senso.

Luís Aguiar-Conraria disse...

Filipe, não te parece que o governo tem mais do que se preocupar do que andar a brincar aos horários das televisões?