2006/05/03

Os paradoxos do sindicalismo

«De acordo com um estudo, de 2004 da Comissão Europeia, a taxa de sindicalização dos trabalhadores portugueses era de 24,3% em 1997, só acima da espanhola (15,7%) e da francesa (9,8%). E muito abaixo da dos países nórdicos, que oscilava entre os 75% e os 82%», lê-se no DN.

Mas por que será então que este resultado contraria um pouco o nosso senso comum? Os países que afinal têm uma taxa de sindicalização mais baixa são os que geralmente associamos a um movimento sindical mais forte, e (principalmente a França) onde se registam as maiores paralisações, as greves de parar o país todo...
Talvez o erro esteja na associação "maiores protestos" e "maiores greves" a "sindicatos mais fortes". Nos países nórdicos há menos greves, mas muitas vezes os sindicatos têm mesmo uma palavra a dizer na administração da empresa (algo que em Portugal e em França seria impensável, e aqui as culpas repartem-se entre trabalhadores e patrões). Numa palavra, os sindicatos têm mais responsabilidades.
Compare-se os países nórdicos com o extremo oposto, a França - veja-se o caso recente do CPE e dos exageros associados às manifestações, mesmo se por um motivo justo. Mas talvez os estudantes e os trabalhadores não tivessem outra alternativa: só assim seriam ouvidos.
Os números não enganam: nos países nórdicos há menos greves e menos conflitualidade social. Os sindicatos são mais fortes e conseguem mais frequentemente os seus objectivos.

3 comentários:

Luis disse...

"Nos países nórdicos há menos greves, mas muitas vezes os sindicatos têm mesmo uma palavra a dizer na administração da empresa (algo que em Portugal e em França seria impensável, e aqui as culpas repartem-se entre trabalhadores e patrões)."

Tu a dizer coisas destas (o bold é meu) ainda deixas é a coninhas verbosas desempregadas.

Belo post!

Filipe Moura disse...

Corro os mesmos riscos de desemprego que tu. Estamos no mesmo barco, vamos na mesma onda...

Luis disse...

Espera aí agora fiquei um bocado baralhado.

A piada era só mesmo blogosférica, não tinha nada a ver com as nossas ocupações extrablogosféricas