2007/04/10

Sobre o novo aeroporto

A minha opinião não está ainda muito bem definida, mas creio que estou a ficar mais bem informado, devido à discussão (finalmente) séria que começou nos últimos dias.
Como é lógico, antes de se discutir a localização de um novo aeroporto, o(s) governo(s) deveria(m) convencer-nos de que este novo aeroporto era mesmo necessário, algo que ninguém fez convincentemente.
À partida inclinava-me para uma solução “Portela + 1”, como o Daniel Oliveira. Expandir-se-ia a Portela a Figo Maduro, e construia-se outro aeroporto para “low-costs”. Só que, ao contrário do que o Daniel Oliveira sugere como possibilidade, um segundo aeroporto pequeno não pode ser na Ota. Devido à natureza do terreno e às terraplanagens, um aeroporto na Ota só se torna viável se tiver as dimensões sugeridas pelo projecto do governo. Não pode ser mais pequeno (a construção não é economicamente viável). Não pode ser maior (o aeroporto da Ota não pode ser expandido, o que é um dos seus maiores handicaps). Não pode haver uma “Otinha”. Tem de ser daquele tamanho e só daquele tamanho. Isto é uma questão técnica e não política.
Dito isto, o comentário que mais me convenceu da necessidade de um novo (grande) aeroporto surge no mesmo texto do Daniel Oliveira, foi colocado às 0:38 de 28 de Março e é da autoria de uma leitora, identificada simplesmente como “nanda” mas que parece saber muito bem o que diz. Sugiro a todos que o leiam. Quem acha que não é preciso um novo grande aeroporto deve rebater aqueles argumentos.
A partir daqui, há que discutir finalmente a localização do novo aeroporto. Por motivos ecológicos e ambientais, Rio Frio deve ficar fora de questão. Mas ainda assim parece-me preferível uma localização a sul do Tejo. Porque existe uma fracção muito significativa da população portuguesa que vive na margem sul do Tejo, e para quem a localização do aeroporto na Ota não é muito conveniente. Um aeroporto a sul do Tejo estaria próximo de mais pessoas do que na Ota. Ao mesmo tempo, estaria mais próximo de uma ligação de TGV a Badajoz, e mais longe do Porto. De forma a não subalternizar o aeroporto do Porto e o norte do país, parece-me preferível que o novo aeroporto se situe fora do eixo Lisboa-Porto, que ao que parece já vai ser servido pelo TGV.
A isto há que acrescentar os inconvenientes da Ota que já referi: a necessidade das terraplanagens e a pouca ou nenhuma flexibilidade quanto à área.
Espero que, uma vez confirmada a sua indispensabilidade, o projecto do novo aeroporto vá para diante, mas antes espero que se leve a cabo uma discussão aprofundada. Aguardo por mais esclarecimentos.

Publicado também no Cinco Dias.

3 comentários:

Praça Stephens disse...

Filipe, às vezes os engenheiros têm destas cegueiras. se 82% dos passageiros da Portela são proveniente do território a norte de Lisboa e se 75% da economia do país se desenvolve entre lisboa e o porto, para quê construir um aeroporto a sul ? ou seja, distante de tudo aquilo que o alimenta e justifica ?
tirando os empreendimentos urbanístico/turisticos para o alentejo e as pontes sobre o tejo que fazem as delícias dos interesses financeiros do BES, por exemplo, para que raio ali serve o aeroporto internacional de Lisboa ?

comandante guélas disse...

Cheira a Bacalhau

"A Neidi passou do "Senhor Bacalhau" para responsável máxima do Gabinete de Logística do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça. E tudo isto graças ao Morais, que foi "stor" do Pinto de Sousa e esteve duas vezes em governos socialistas, e das duas vezes foi corrido, tendo numa delas nomeado a insignificante brasileira, a do Bacalhau, que passou a ganhar 1700 euros. Daqui concluímos que o novo reitor da Independente, o Morais, não resiste a um bacalhau".
Quitéria Barbuda

www.riapa.pt.to

Filipe Moura disse...

Praça Stephens,
toda a gente quer um aeroporto desde que seja perto de si. O Vital Moreira quer um próximo de Coimbra. A malta da Marinha Grande quer um mais próximo da Marinha Grande (isto até podia ter sido um trunfo eleitoral!).
82% do território a norte de Lisboa? Bem, isso é de passageiros nacionais, com certeza. E mesmo assim parece-me muito. "A norte de Lisboa" não deveria incluir Lisboa, nem Amadora, Sintra, Oeiras ou Cascais (a distância destes concelhos à Ota ou ao Poceirão é a mesma). Retirando estes cinco concelhos, que percentagem resta? É esta percentagem que se deve comparar com os 18% da Margem Sul.