2006/09/25

Para os portugueses com mais de 55 anos, um verdadeiro combatente pela liberdade é necessariamente um antifascista

É claro que “combatente pela liberdade” e “antifascista” não são em geral sinónimos. E é igualmente claro que nas últimas três décadas não houve (felizmente) necessidade de combater o fascismo em Portugal. Uma vez vencida a ditadura, e só então, puderam surgir livremente os tais “combatentes” da “liberdade” de que fala o Blasfémias, e onde se inclui o Professor Pedro Arroja. Quem defende essa “liberdade” tem de facto um combate a travar (pelo menos cultural), pois não é esse o meu conceito de liberdade e nem o do comum cidadão. Mas sobre a diferença entre os conceitos de liberdade de liberais como os membros do Blasfémias e o comum cidadão escreverei noutra altura. O que parece indiscutível é que, para os portugueses da geração do Professor Pedro Arroja, não havia liberdade. Pedro Arroja não será da geração de Badaró ou Raul Solnado, mas tem idade para ter sentido a falta de liberdade do salazarismo. Para merecer a classificação de “um dos grandes combatentes pela liberdade das últimas décadas”, e no caso de ter vivido o fascismo como jovem adulto, tem de ter algum passado antifascista. Confesso que não sei – desconheço a sua idade e a sua biografia: esteve o Professor Pedro Arroja na Universidade em Portugal antes de 1974? Se esteve, o que fez para merecer ser caracterizado como um grande “combatente pela liberdade”? Agradeço que me esclareçam. Cabe então perguntar: onde estava o Professor Pedro Arroja no 25 de Abril?

4 comentários:

Praça Stephens disse...

Se, pelo menos, combateu o comunismo já se pode dizer que é um combatente pela liberdade, ou não ?

Real

Luis disse...

Acho que deviamos resolver isto à boa velha maneira neoliberal.

Criamos uma bolsa de apostas, quem acha que os fascistas comeram mais criancinhas ao pequeno almoço carrega na tecla 1, quem acha que foram os comunistas carrega na tecla 2.

Felizmente não há mal que o mercado não resolva.

É claro que toda a gente sabe que foram só os comunistas é que comem criancinhas ao pequeno almoço e que os neoliberais são uns meninos do couro da Opus Dei que não fazem mal a uma mosca.

JSA disse...

Só por brincadeira: será este (http://arroja.da.ru/) o Pedro Arroja de que se fala? Sportinguista, combatente pela Liberdade... hmmm, Filipe, creio que o homem é mesmo isso tudo, se calhar faz parte da direcção do Sporting... ;)

Zèd disse...

Já agora, leiam a entrevista que o Pedro Arroja deu à Fernanda Câncio, há uns dez anos atrás (ou mais), e que ela postou agora no Glória Fácil. Está lá uma resposta a uma pergunta do Filipe, ele estava já na Faculdade em Abril de 74.