2006/08/18

Quotas de mulheres

O Presidente da República finalmente promulgou a lei que prevê quotas mínimas de mulheres nas listas dos partidos. A questão não é unânime à esquerda, tendo dado origem a uma interessante discussão no Caderno de Verão. Aqui eu não concordo com a posição do António Figueira, que em geral eu gosto tanto de ler.
A maior falácia usada contra as quotas é mesmo a questão do “mérito”, conforme já discuti aqui. Genericamente os deputados não têm mérito nenhum! É evidente que seria melhor fazer uma reforma em que os deputados passassem a ter mérito. É muito mais difícil, claro. Mas isso não invalida que não se avance com outras reformas necessárias. Muito cinicamente: o que é que a lei das quotas pode trazer de mau? Creio que haverá sempre lugar para os poucos deputados e deputadas competentes, pelo que o pior caso possível seria substituir-se uns quantos homens incompetentes por umas mulheres incompetentes. Ou seja, deixar tudo na mesma. Na mesma, não: uma das principais funções do Parlamento (mais do que juntar “os mais competentes”) é ser representativo. O Parlamento assim torna-se mais representativo, pelo que ficamos melhor com a lei das quotas. Queria ainda dizer ao António Figueira que, embora estas não sejam nenhuma panaceia, a esquerda não deve deixar cair de todo as engenharias sociais.

4 comentários:

Luis disse...

Eu também gosto muito de ler o Antánio Figueira, na altura ainda estive para dizer que aquilo já parecia uma Assembleia Geral da Associação de Estudantes de uma certa universidade Inglesa em que se propunha que fosse feito a bem da equidade um "Conselho para a luta contra a discriminação dos homens" e um "Conselho para a luta contra a discriminação dos heterosexuais" porque havia orgãos análogos para a luta contra a discriminação das mulheres e dos homosexuais.

Nelson disse...

E porque raio havemos de reformar o Parlamento para que os deputados sejam competentes? O Parlamento não é, como tu dizes, representativo? Pois bem, que os competentes continuem a ser uma raridada e a incompetência reine, que é um pouco o espelho da população que representa!

(porra, o word verification anda chateado comigo! só me aparecem palavras com 10 letras!)

Pedro Fonseca disse...

Penso que o Governo ao fazer uma lei que obriga a que haja uma determinada percentagem de mulheres no parlamente estão eles próprios a discriminar.

O que é preciso é competência, sejam eles homens ou mulheres.

Emiéle disse...

Que a questão não é pacífica, é evidente. Eu comecei por não gostar, assim como não gosto das "descriminações positivas" em geral. Mas...
Esta é mesmo uma questão muito particular. E eu acho que devemos aprender com os outros. O facto é que os países onde a paridade está mais representada agora (os países nórdicos) começaram exactamente assim. É que para romper o status quo não era necessário que s mulheres se mostrassem competentes teriam de ser muito mais competentes! Alguma coisa não anda bem.