2006/08/15

15 de Agosto, dia de André Azevedo Alves

E pronto: aqui temos a resposta do André Azevedo Alves (fala-se no Insurgente e aparece logo ele), com a dose de histeria que seria de esperar de um fã da Ann Coulter e das “guerras santas”. O texto vem com uma imagem do Mao Tse-Tung, e de facto utiliza um estilo bem maoísta: o de caricaturar o alvo a atacar (neste caso, eu) e depois… atacar a caricatura. E não faz a coisa por menos: declara-me logo como “activista da extrema esquerda”! Eu nunca escondi a ninguém que sou de esquerda – fiz questão de o declarar na entrevista para a selecção dos cientistas candidatos a estagiarem no Público. Esquerda independente, disse eu na altura. E saliente-se que o jornalismo científico, que tenho a honra de ter sido convidado a fazer por algum tempo, não tem nada a ver com política. De resto é bem sabido que fui durante muito tempo colaborador do Blogue de Esquerda, de onde saí por divergências públicas com outro colaborador, nomeadamente por eu apoiar na eleição presidencial esse conhecido extremista que é Mário Soares. De resto, para o André Azevedo Alves e os seus modelos intelectuais da Fox News, metade do Partido Democrata americano é de “extrema esquerda”. Angelina Jolie, Sean Penn, Susan Sarandon, Michael Moore, Howard Dean (só para dar exemplos norte-americanos) são de “extrema esquerda”. O epíteto ”extrema esquerda” faz parte portanto da referida táctica maoísta, combinada com a mentalidade McCarthista – que o André Azevedo Alves gosta de defender – de ver conspirações comunistas em todo o lado.
Já o que francamente me surpreende é o de “activista” – logo eu que não sou e nem nunca fui filiado em nenhum partido ou organização política. O que saberá o André Azevedo Alves da minha actividade política para me declarar “activista de extrema esquerda”? Motivos mais sólidos tenho eu para julgar que o André Azevedo Alves é um activista do Opus Dei, e no entanto não o declaro.
Quanto às considerações do André Azevedo Alves sobre a “pobreza intelectual” dos meus textos: a opinião dele é livre. Conforme já disse uma vez, não me afecta a opinião sobre “pobreza intelectual” de criacionistas e de quem acha que a fonte suprema do conhecimento é a Bíblia.
Finalmente, o Dia D. Apesar de toda a histeria do André Azevedo Alves, é claro desde o princípio que eu não ponho em causa a independência (política ou de qualquer tipo) da publicação. Pelo contrário: no pouco tempo que levo na redacção do Público e em Portugal, já lá vi entrevistas a membros do Bloco de Esquerda e capas com militantes do Partido Socialista. Referia-me somente às duas colunas de opinião que são publicadas semanalmente. E aí desafio quem ler este texto a pesquisar os arquivos de O Insurgente. Todas as segundas feiras lá encontrarão ligações para dois textos do Dia D. Pelo menos um (quando não são os dois) texto de opinião é assinado por um autor de O Insurgente. O outro, quando não é de um autor de O Insurgente, é de um membro de um dos vários blogues da mesma linha e frequentemente citados em termos elogiosos pelo Insurgente. Sumariamente, em cada segunda feira há ligações para blogues amigos de O Insurgente a propósito de textos no Dia D. E não se vê isso em mais nenhum blogue. Não sou eu o único a ver isso, e só não vê quem não quer. No meio das insinuações e acusações sem fundamento do André Azevedo Alves eu não li nada que desmentisse este facto.

23 comentários:

Hugo Mendes disse...

Tens razao, Filipe, quanto ao fenomeno "Dia D": ja ha' algum tempo que digo a varias pessoas que isto dava pelo menos uma tese de mestrado em sociologia ou ciencias da comunicaçao. E nao é preciso ser conspiracionista, seria so necessario recuperar as ligaçoes institucionais e pessoas de quem la escreve - e, claro, convém nao esquecer, quem paga. Que os articulistas sejam muito regularmente do "Insurgente" e de outros blogues satelites ja diz muitissimo.
Quanto ao resto...eu que nunca fui marxista nem comunista, e que tenho às vezes que me 'chatear' com os conhecidos meus por causa da sua visao tendencialmente bipolar e maniqueista das coisas, (enfim, tento explicar calmamente por que as coisas nao podem ser vistas assim), encontro reproduzidas por completo o mesmo fanatismo do outro lado. Mas pronto, é o tempo historico deles expressarem o seu; afinal, deve ser a isto que o nosso amigo Hegel chamava "dialéctica". Nos podemos ficar a ver e a rir.

Manuel Câmara disse...

"O texto vem com uma imagem do Mao Tse-Tung, e de facto utiliza um estilo bem maoísta: o de caricaturar o alvo a atacar (neste caso, eu) e depois… atacar a caricatura."

Engraçado. Você não fez precisamente o mesmo ao dia D e ao Insurgente?

Se está interessado em discutir as ideias e não quem as diz, ainda não o demonstrou.

Hugo Mendes disse...

"Se está interessado em discutir as ideias e não quem as diz, ainda não o demonstrou."

Não falo pelo Filipe, mas convém lembrar que ha' uma pré-condiçao séria para a fase da discussão de ideias: que as etiquetas politico-ideologicas erradas e maniqueistas (isso da "extrema-esquerda" distribuida a todos e mais alguns, e outros epitetos para assustar criancinhas) precedam o uso do intelecto.

Hugo Mendes disse...

"que as etiquetas politico-ideologicas erradas e maniqueistas (isso da "extrema-esquerda" distribuida a todos e mais alguns, e outros epitetos para assustar criancinhas) NAO precedam o uso do intelecto", queria dizer.

FDIC disse...

Hugo
como classificarias alguem que escreve isto?

"Não precisei de ler Marx para nessa altura formar o essencial da minha consciência política. Sendo filho de trabalhadores por conta de outrem, já achava na altura que os trabalhadores deveriam saber dirigir os meios de produção, e não uma elite improdutiva. E sempre me escandalizou como os comerciantes poderiam decidir vender os bens de consumo aos preços que bem lhes apetecesse, sem controlo. O preço destes bens deveria ser fixado pelo governo, e deveria ser tal que os tornasse acessíveis a todos os trabalhadores, de modo a que todos pudessem viver com dignidade."

Se nao de estrema esquerda, deveremos classifica-lo como um libeal empedernido?

FDIC disse...

libeal = liberal

MP-S disse...

'já achava na altura que os trabalhadores deveriam saber dirigir os meios de produção, e não uma elite improdutiva. '

Isto e' o que se chama de senso comum. Mas o Filipe tem a inteligencia que reconhecer que, neste moment, ninguem sabe como organizar uma sociedade altamente tecnologica desse modo. E, que eu saiba, nao defende uma accao revolucionaria para a implantar. E" preciso saber distinguir a enorme distancia conceptual entre o que e' a 'utopia', os 'ideais', e os 'valores' e o que e' um projecto politico.

Mas ha' quem esteja tao indoutrinado que mistura tudo no mesmo saco. Enfim...

jcd disse...

«"Hugo
como classificarias alguem que escreve isto?
...sempre me escandalizou como os comerciantes poderiam decidir vender os bens de consumo aos preços que bem lhes apetecesse, sem controlo. O preço destes bens deveria ser fixado pelo governo, e deveria ser tal que os tornasse acessíveis a todos os trabalhadores, de modo a que todos pudessem viver com dignidade."»


Como alguém que está para a economia como o Prof. Bambo está para a medicina?

Hugo Mendes disse...

fdic e jcd,

Sabem perfeitamente que os titulos de "extrema-esquerda" e etc. distribuem-se sem o menor critério nem intuito analitico; o efeito é retorico, quase insultuoso, para assustar os transeuntes distraidos. Para vocês, tudo o que signifique alguma intervençao do Estado na economia significa de "extrema-esquerda" ou "comunista".

Para além do que o MP-S ja afirmou e que me parece correcto e elementar, por outro lado, se fixar preços é de extrema-esquerda, então a economia dos ultimo meio século esta cheia de exemplos mais ou menos proximos de "extrema-esquerda", usados em circuntâncias limite (por exemplo, racionamento alimentar) e em produtos do cabaz base (de qualquer forma, fixar o preço do pão, por exemplo, é totalmente diferente do fixar o preço de um vestido Chanel, ou nao?).

O essencial da frase do Filipe é isto: "de modo a que todos pudessem viver com dignidade". Fixar preços (ou nao) é um mero meio; se for contraproducente, abandona-se e procuram-se outras técnicas economicas e politicas para o procurar garantir.

Eu não estou à espera que vocês estejam minimamente preocupados com esta questao. E se querem usar o termo "extrema-esquerda" de forma ad hoc, estão obviamente no vosso direito; acho completamente exagerado do ponto de vista politico, para além de péssimo do ponto de vista analitico, amalgamando tudo e mais alguma coisa debaixo do mesmo conceito-insulto. Quem perde credibilidade intelectual no debate são vocês.
E com isto, confesso, também não estou particularmente preocupado.

(claro que depois vocês ficam muito ofendidos se esquerda afirma que o salazarismo foi "fascismo" e nao, tecnicamente - e bem - um "autoritarismo". aqui, todo o zelo conceptual é pouco.)

jcd disse...

Hugo

Não falei em política, nem em extrema-esquerda, apenas num conceito económico base. Não é uma questão de direita ou esquerda.

Talvez lhe custe a entender, mas as opiniões económicas do Filipe estarão ao nível do primeiro quarto-de-hora de um qualquer curso de Introdução à Economia. O Filipe já demonstrou, por diversas vezes, a sua ililteracia profunda no assunto, já desde o tempo do BdE.

O desconhecimento não é exclusivo da esquerda, a direita também está repleta de exemplos de asneira no tratamento destes assuntos. Mas no caso da esquerda PC/BE (que poderemos classificar como extrema para a distinguir do PS, mas outros adjectivos podem servir, sugira), a coisa é muito mais grave.

Aqui é que entra a política, a esquerda do Filipe, falhou sempre no poder e nem sempre por falta de convição ou de boas intenções. O que os tramou foi justamente a completa barbaridade dos sistemas económicos que tentaram implmentar, com um enorme desconhecimento dos mecanismos básicos de funcionamento das sociedades.

A maior parte dos cronistas da Dia D têm formação superior nas áreas de economia ou gestão, mestrados ou doutoramentos e/ou experiências profissionais de gestão. Falam do que sabem ou do que estudam.

Que vocês não entendam grande parte dos pressupostos básicos que formam a opinião de quem escreve, é compreensível. Que proponham alternativas de pensamento também é natural, mas soam como o Prof. Bambo a tratar de doenças.

A vossa confusão é uma divisão pobres/ricos, bom coração/mau coração que fazem, provavelmente convencidos que é essa a questão.

Não é. Fixar preços no comércio, do modo que o Filipe propõe, não é um mero meio para nada excepto para a pobreza generalizada, como aconteceu sempre que foi tentado em larga escala. A sua frase "se for contraproducente, abandona-se e procuram-se outras técnicas economicas e politicas para o procurar garantir" fez-me sorrir. Já se esqueceu?

E a questão é mesmo uma questão de dignidade, não se consegue que ninguém viva com dignidade empobrecendo toda a população, que é justamente o resultado evidente das propostas que resultam do "pensamento económico" do Filipe.

zazie disse...

áh meu comuna desgraçado!

vinga-te e dá-lhes com as super-cordas no lombo

";O)

beijocas

zazie disse...

no lugar dos silícios. A ideia era essa, só para purificar um pouco o liberalismo

Luis disse...

JCD:

E quando certos bloggers andam para aí a tentar negar evidências como o aquecimento global soam a quê? Para mim soam ao Prof. Bambo também, e são bastante frequentes na direita americana, por isso talvez seja boa ideia seguir o conselho do Filipe e ouvir ideias vindas de diferentes sectores do espectro político. Às vezes terá razão a esquerda outras a direita, mas se ouvirmos apenas a direita em certos assuntos corremos o sério risco de ir por caminhos errados.

Hugo Mendes disse...

"a esquerda do Filipe, falhou sempre no poder e nem sempre por falta de convição ou de boas intenções".

Deduzo que para o JCD a esquerda do Filipe seja representada pela URSS, Cuba et al.? E' isso? E' que se é, nao é disso que eu estou a falar. Eu quando discuto economia não tomo esses desastres como exemplo: falo do universo OCDE. E aqui ha' heterogeneidade suficiente para haver desacordos politicos (e de politica economica); aquilo para o qual eu ja' não tenho paciencia é que vocês tratem (mesmo que implicitamente, mas o truque é precisamente esse) do Vietname, Cuba, França ou Suécia, etc., como modelos afins, representantes aparentados das politicas de "extrema-esquerda". E é desta estratégia constante que falo quando menciono o problema da credibilidade intelectual de quem faz associaçoes deste tipo. Sobre este tipo de truques ja falei - alias a partir de um artigo publicado no dia D - aqui: http://veu-da-ignorancia.blogspot.com/2006/08/o-debate-entre-esquerda-e-direita-em.html.

"A sua frase "se for contraproducente, abandona-se e procuram-se outras técnicas economicas e politicas para o procurar garantir" fez-me sorrir. Já se esqueceu?"

Esta frase, JCD, é a chamada 'asserçao retorica'. Tem um segundo sentido muito mais importante do que o explicitado (pensei que fosse obvio, mas pelos vistos nao foi): que ha' uma diferença entre os fins politicos e os meios de politica economica, e que não ha' particular dogmatismo no uso destes. Eu posso concordar no essencial com o Filipe, discordando no contingente. E' disso que se trata.

"A maior parte dos cronistas da Dia D têm formação superior nas áreas de economia ou gestão, mestrados ou doutoramentos e/ou experiências profissionais de gestão. Falam do que sabem ou do que estudam."

Não me parece que alguem tenha dito que os cronistas eram incompetentes ou que nao eram credenciados. Onde leu isso? Falou-se, tão so, de (relativo) alinhamento ideologico.

"A vossa confusão é uma divisão pobres/ricos, bom coração/mau coração que fazem, provavelmente convencidos que é essa a questão."

Deixemo-nos destas coisas, esta' bem? E' que a unica pessoa que esta' convencida de que esta é a questão parece ser o JCD, que controi caricaturas - a dos 'ignorantes liricos' - para mais facilmente as estilhaçar.

zazie disse...

se for preciso pede-se ajuda para os enfiar num buraco negro.

O que importa é que escrevas sobre essas coisas e deixa lá a preocupação com o carcanhol para quem financie coisas que estão bem além dele.

E depois até te podes gabar- eu cá sou comuna mas sou elitista-

até me pagam-me para estudar assuntos que não têm qualquer rentabilidade na bolsa

e mais uma beijoca

MP-S disse...

E agora uns tipos que admiram sumidades como a Ann Coulter veem dizer que os outros, os 'extrema-esquerda' (!), nao teem credibilidade e defendem ideias absurdas. Gimme a break...

Hugo Mendes disse...

So' para adicionar ao que havia dito em cima: depende do modo de financiamento da segurança social, que - ao mesmo tempo que deve separar de forma transparente os elementos 'contributivos' e elementos 'solidaristicos' - necessita de depender menos dos 'pay-roll taxes', que pesam exclusivamente sobre a populaçao activa, para passar a depender mais de outros impostos; isto levaria a que os idosos com pensoes generosas hoje contribuissem e aliviassem da geraçao mais nova a responsabilidade do financiamento do sistema. Isto é apenas um exemplo de que ha' muito por reconstruir/reformar sem deitar o sistema abaixo.

Hugo Mendes disse...

Este comment devia obviamente estar na caixa de comentarios da mensagem seguinte, em resposta ao Miguel.

jcd disse...

«Deduzo que para o JCD a esquerda do Filipe seja representada pela URSS, Cuba et al.? E' isso? E' que se é, nao é disso que eu estou a falar.»

Caro Hugo, se eu soubesse do que é que estão a falar estava eu satisfeito. A actual técnica da esquerda que eu falo é a ambiguidade.

As propostas que por vezes aparecem, como aquele que o Filipe escreveu, é um claro alinhamento daquilo que foi o antigo bloco de leste.

O mesmo se passa com a maior parte das propostas que vêm do Bloco, do PCP ou da Ana Gomes.

No entanto, sempre que se fala de modelos, aparece a negação das experiências comunistas e a defesa de sociedades liberais como modelo a seguir.

Confesso-lhe a minha incompreensão pelo modelo de sociedade que o Filipe persegue - uma mistura de liberalismo sem liberalismo com socialismo sem socialismo, ao que parece. Não sei. Nunca percebi. E, honestamente, acho que ele também não sabe muito bem.

«Eu quando discuto economia não tomo esses desastres como exemplo: falo do universo OCDE. E aqui ha' heterogeneidade suficiente para haver desacordos politicos (e de politica economica); aquilo para o qual eu ja' não tenho paciencia é que vocês tratem (mesmo que implicitamente, mas o truque é precisamente esse) do Vietname, Cuba, França ou Suécia, etc., como modelos afins, representantes aparentados das politicas de "extrema-esquerda".»

Que absurdo. Isso é mentira (e falo quase de certeza por quase todos os qualifica no vocês). Cuba é evidente que é um exemplo da aaplicação prática de algumas das medidas defendidas pelo Filipe, por muito que ele negue e o Vietname também, embora esteja a tentar sair da tragédia da economia palnificada. Agora a França e a Suécia? A Suécia é mesmo um dos países mais liberais do mundo, sob todos os aspectos, excepto no nível de fiscalidade.

Parece-me que reina uma enorme confusão nessas cabeças...

Hugo Mendes disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Hugo Mendes disse...

"As propostas que por vezes aparecem, como aquele que o Filipe escreveu, é um claro alinhamento daquilo que foi o antigo bloco de leste."

Confesso que isto do "alinhamento com o antigo bloco de Leste" parece assim um bocado comico.
Mas o mais importante: alerto para que o PCP e Bloco (ja nao falo da Ana Gomes, cujo pensamento economico so' voces devem levar a serio para se rirem um bocado; parece-me que a area dela é a diplomacia) não são propriamente representativos nem em termos estatisticos nem em termos de potencial governativa da "esquerda"; afirma-lo é a mesma coisa que dizer que o CDS é o partido de referencia da direita ao nivel da politica economica. Se o fizesse, passando por cima do PSD vocês riam-se, nao era? Para quê agitar o papao da extrema-esquerda? Estara' para breve um frente PCP/BE no Governo?

"Que absurdo. Isso é mentira (e falo quase de certeza por quase todos os qualifica no vocês). Cuba é evidente que é um exemplo da aaplicação prática de algumas das medidas defendidas pelo Filipe, por muito que ele negue e o Vietname também, embora esteja a tentar sair da tragédia da economia palnificada. Agora a França e a Suécia? A Suécia é mesmo um dos países mais liberais do mundo, sob todos os aspectos, excepto no nível de fiscalidade."

Do que eu falo, JCD, é simplesmente do que se le em inumeros blogues, que falam do "Estado" e da "esquerda" como se fossem entidades intemporais, como se a social-democracia fosse comunismo disfarçado, sem o minimo de intençao de separar aguas: politicas, paises, experiencias historicas, etc (isto é facilmente explicavel porque o forte da economia nao é seguramente a historia). A amalgama ou a confusao é vossa e, deliberada ou nao, serve muitissimo os vossos intentos. Assim, quando leio ou deduzo em varios blogues que toda a intervençao do Estado é tida como ma, que a redistribuiçao é uma tragedia, que os mercados têm que funcionar, etc., eu vou ler e procurar os exemplos historicos que vocês dao e +90% das referencias sao "socialismo real" etc. Apetece realmente dizer, "Get over it"!, a discussao economica nao é essa. Como gosto de fizer, voces estao a marcar um golo de baliza aberta, a espancar um cadaver - é um ritual oco. Criticar o comunismo para legitimar o neo-liberalismo sem que houvesse nada no meio nao é uma estratégia séria. A intervençao do Estado que interessa discutir é em paises democraticos, livres e (relativamente) prosperos (dai o universo OCDE). Por outras palavras: mais paranoicos com o comunismo do que voces, so mesmo os originais.

Miguel Madeira disse...

Já agora, se talvez seja melhor ler o post original de aonde a citação foi tirada:

http://avesso-do-avesso.blogspot.com/2006/03/ser-se-de-direita.html

Filipe Moura disse...

Muito obrigado, Miguel Madeira. Quer aqui, quer principalmente no Insurgente, a citação surgiu completamente descontextualizada. Mas eu já não estou para me chatear mais.
Obrigado a todos pelos comentários, mas não tenho tempo de responder...