2007/11/16

O Terreiro do Paço agora é na Avenida dos Aliados



Os portuenses que se queixam de que só Lisboa fica com tudo deveriam pensar nisto: a horrenda “árvore de Natal” que nos últimos dois anos ocupava por esta altura do ano o Terreiro do Paço vai estar instalada este ano na Avenida dos Aliados, sendo inaugurada amanhã.
Quando era presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio disse uma vez aos regionalistas para “levarem o Terreiro do Paço” da cidade para fora. Sampaio referia-se à burocracia e não à belíssima praça em si. Recordo agora esta frase ao ver onde está a “árvore”, um mamarracho que é uma demonstração de novo-riquismo e que de árvore não tem mesmo nada. O Porto cobiça tanta coisa de Lisboa, e vejam bem logo com o que ficou. Se era este “Terreiro do Paço” que tanto queriam levar, pois por mim agradeço que fiquem com ele. Se me permitem uma recomendação, só não lhe chamem “a maior árvore de Natal da Europa”. Aquela coisa pode ser a maior da Europa, mas não é uma árvore de Natal.
Este episódio confirma que o Porto só aspira a ter o que Lisboa tem, incluindo o poder. O Porto é tão centralista como Lisboa; a “regionalização”, para o resto do norte, seria decidir entre o Porto e Lisboa. Não há grande diferença, como se confirma pela “árvore de Natal”. Era bom que o bracarense Pedro Morgado se convencesse disso e substituísse a fotografia que eu retirei do blogue dele por uma na Avenida dos Aliados. Quanto tempo demorará até vermos a “maior árvore de Natal da Europa” em Braga?

11 comentários:

JV disse...

Bom post.

"O Porto é tão centralista como Lisboa; a “regionalização”, para o resto do norte, seria decidir entre o Porto e Lisboa."

Absolutamente de acordo.

Mas também é preciso dizer que as coisas como estão também não estão bem.

Rui Curado Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rui Curado Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rui Curado Silva disse...

Não concordo muito contigo acerca das considerações (rivalidade) Porto-Lisboa, mas concordo que essa árvore é horrível e só espero que não tenham a triste ideia de a trazer para ano para a "terceira" cidade do país.

Filipe Moura disse...

Obrigado pelos comentários. Havemos de discutir mais este assunto.
JV: é verdade que não estão bem.
Rui, eu sei que não estou a ser "diplomático". Gosto muito mesmo do Porto e dos portuenses.
Esse "acerca" deu trabalho, hã :)?

P.Fragoso disse...

Filipe, quantas pessoas de Lisboa foram ver a árvore? Será só o Porto que quer tal coisa ou Lisboa também enquanto teve não delirou, não correu para ver o mamarracho bem ao estilo NY?? Não é um bom exemplo para discutir regionalização. É mentira que o "Porto só aspira a ter o que Lisboa tem, incluindo o poder. O Porto é tão centralista como Lisboa; a “regionalização”, para o resto do norte, seria decidir entre o Porto e Lisboa." Mentira, mentira, mentira. O problema é que em Lisboa não se conhece (ou não se quer conhecer) a realidade. Só estando verdadeiramente fora é que uma pessoa se apercebe de muita desigualdade. E não é poder o que o Porto quer, é poder de decisão sobre os interreses da região, o que é completamente diferente. E não ajuda nada termos pessoas à frente das câmaras municipias no norte sem carisma, sem o mínimo de esforço no sentido de defender a região (veja-se rui rio). Passa uma ideia completamente diferente. Não conheço nenhum regionalista convicto que por ter esta árvore (?) no porto ache que é uma vitória sobre lisboa. Esta árvore é um símbolo da parolice nacional!!!

JV disse...

Há muita gente em Bragança, Chaves, Vila Real,etc etc, que se tiverem apenas duas opções, Porto ou Lisboa, então preferem Lisboa.

Filipe Moura disse...

«O problema é que em Lisboa não se conhece (ou não se quer conhecer) a realidade.»

Mostra-me que isso é verdade. Isso é uma ideia que o Porto tem sobre Lisboa. E o Porto conhece o resto do país?

«E não ajuda nada termos pessoas à frente das câmaras municipias no norte sem carisma, sem o mínimo de esforço no sentido de defender a região»

Elejam-nas, ora essa! Que culpa é que Lisboa tem disso?

P.Fragoso disse...

Tens razão, a culpa é das pessoas. Mas o que eu queria acentuar com a falta de carisma dos governantes regionais é que há vida para além dos políticos. Mas infelizmente são esses que passam a (má) imagem para fora. Uma das coisas que mais me incomoda é saber que no referendo à regionalização, no Norte houve uma grande reprovação. Mas a propósito da árvore, que todos os parolos gostam de ir ver (mesmo no Porto, principalmente aqueles que se maribam pela vida política e social do país e da região). E até acham muito engraçado. Agora não se pode confundir a parolice nacional com regionalização.
Quanto ao conhecimento do Porto sobre o resto do país, ele existe de facto. Porque a região é igualmente desfavorecida em relação a Lisboa, tal como todo o país. Os números provam-no a nível económico, cultural, etc. Um trabalhador em Lisboa duma mesma empresa do Porto ganha bastante mais e o nível de vida não é tão elevado como se diz. Eu vivo em Lisboa desde Setembro e já percebi isso. A maioria dos lisboetas não conhece o resto do país. O resto não quer conhecer nem está preocupado com as assimetrias regionais. Estão demasiado confortáveis nesta poltrona central no continente. Queres um exemplo? Novo aeroporto de Lisboa. Em que discussões se ouvir falar das imçplicações para o resto do país? Só se fala na região de lisboa. E não me venham com o argumento de que o aeroporto só serve os lisboetas. Há no Porto um aeroporto novinho em folha que irá desaparecer e todo o investimento futuro na Ota ou não Ota não tem em contas os milhões gastos em Pedras Rubras. É evidente que há lisboetas conscenciosos mas, infelizmente, são tantos como os regionalistas no resto do país.

Pedro Menezes Simoes disse...

"Isso é uma ideia que o Porto tem sobre Lisboa."

Falso. É uma ideia que todo o país tem sobre Lisboa.

"Mostra-me que isso é verdade."
Acabou de dar um exemplo: Está convencido que só o Porto tem recentimentos, quando isso é comum a todo o país. Outro exemplo: achar que alguém no Porto está contente por ter a árvore de natal mais parva da europa.

"E o Porto conhece o resto do país?"
O Porto não tem essa pretensão. O Porto não deseja mandar nos outros, deseja apenas que não mandem nele. O Porto é liberal, por conseguinte defende a autocracia. Não se esqueça disso.

Como é óbvio, não pude deixar de rebater o seu post:
http://norteamos.blogspot.com/2007/11/o-porto-to-centralista-como-lisboa-como.html

António Alves disse...

Robert McNamara disse um dia que Deus era Democrata, pois tinha distribuído a inteligência sem olhar à latitude. lendo este post e alguns comentários fico com sérias dúvidas sobre tal assumpção. Em Portugal parece que ela se limita às elites manhosas e dissimuladas de Lisboa, que vão levando a água ao seu moinho, e às do Porto que resistem. O resto, o resto é o deserto...

P.S. - uma coisa é verdade: a árvore é um escarro. foi trazida pelo presidente de câmara mais vassalo do centralismo que o Porto já teve.