2007/06/27

Até já, Tony Blair


Tenho sentimentos ambíguos em relação a Tony Blair. Na política internacional creio que o seu balanço é sem dúvida muito negativo, tal resultando principalmente (mas não só) da desastrosa e irresponsável invasão do Iraque. Já na política interna britânica, apesar de não a conhecer aprofundadamente, creio que o seu balanço é largamente positivo, embora não isento de problemas. A economia cresce e o desemprego é baixo. O investimento público é alto, mas os serviços públicos são muito maus. Recorde-se a paz na Irlanda do Norte, a transferência de poderes para a Escócia e, sobretudo, as alterações democratizantes introduzidas na Câmara dos Lordes.
É claro que a Grã-Bretanha ainda é uma monarquia eurocéptica. Enfim, é claro que a Grã-Bretanha ainda é... a Grã-Bretanha, mesmo se por vontade de Blair devesse ser muito mais europeia. A minha simpatia (apesar de tudo) por este homem deve-se a isto: ele é muito maior, de horizontes bem mais largos, do que o seu próprio país. Era difícil imaginar que da Grã-Bretanha pudesse vir coisa melhor. Agora, que serviços poderá Blair ainda prestar à Europa e ao mundo?

8 comentários:

paulo jorge disse...

até é possivel que algumas das mudanças provocadas por blair neste anos tenham algo de inovador na política britância. mas a sua política social mais nao foi do que a aplicação de uma receita neoliberal, bem adaptada por sir anthony giddens, às terras de sua majestade

Francisco Curate disse...

Não concordo contigo Filipe... quase tudo o que o mundo ocidental tem de bom veio da grã-bretanha... mas são opiniões! :-)

GÊ OITO disse...

Filipe,
Diz qualquer coisa de esquerda.

Nuno Ramos de Almeida

Luis M. Jorge disse...

Essa mania de que os ingleses só são bons quando são europeus é própria de quem esquece uma coisa simplicissima:

Antes da Europa, já havia a commonwealth. E essa funciona como a Europa nunca funcionou. É por isso que os ingleses não querem saber dos nossos "tratados" para nada. Porque é que custa tanto aos continentais meterem isto na cabeça?

Filipe Moura disse...

Nuno, "jamé! jamé!"

Luís, a Commonwealth funciona melhor do que a Europa? Em quê?
A Europa não funciona melhor muito por culpa dos ingleses, que deveriam decidir de uma vez por todas se estão com a Europa ou com a Commonwealth ou os EUA.
De resto o que é feito de ti e do Vida Breve?

Luis M. Jorge disse...

Ó Filipe, tu conheces o mundo suficientemente para saberes que um tipo que saia do Reino Unido se sente perfeitamente em casa na Austrália ou no Tonga. Poque hão-de eles preocupar-se muito com a união europeia?

Mas os ingleses deixam funcionar a Europa. Se ela não funcionasse não tinha chegado onde chegou (já com os polacos a conversa vai ser outra, mas vocês precisam dos casos bicudos para perceberem isso). O que acontece é que ela não funciona como os franceses gostavam, e ainda bem. Ia ser um inferno burocrático, pedante e improdutivo, com a PAC a encher os bolsos a meia-dúzia de agriculturos milionários e muitos subsídios à inutilidade. Já basta o que basta.

O meu blog acabou por enquanto. Tenho tido um ano complicado e isso estava a reflectir-se no meu estilo. Daqui a uns meses espero fazer uma viagem longa e reactivá-lo. Ou se calhar antes, nunca sei muito bem.

Luis M. Jorge disse...

Bom, afinal enganei-me e já voltei ao blog.

Filipe Moura disse...

Já tinha visto. Não é de se estranhar. :) Bem vindo de volta.