2009/06/08

No rescaldo das europeias

  1. Parece ser unânime culpar Vital Moreira pela má prestação do PS. Não sei se isso é verdade ou não; da minha parte, não concordo. Quando se repete tantas vezes que “não houve debate sobre a Europa”, esquece-se que Vital foi o único candidato que o procurou introduzir. E com propostas europeístas (que pouco tinham de nacionalistas): o não-apoio a Barroso no Parlamento Europeu (espero que Vital seja consequente com essa sua proposta, independentemente do que o PS decidir) e o imposto europeu. Vital só esteve mal, a meu ver, na última semana, ao associar o PSD ao BPN. É pena que o PS não tenha sabido respeitar a independência do seu cabeça de lista – o político mais atacado, por todos os lados, nesta eleição. Vital Moreira, repito-o, parece-me ser o grande injustiçado destas eleições.
  2. Votei no Bloco de Esquerda, como aqui referi. Genericamente (e para isto eu não preciso de grandes campanhas eleitorais), o meu voto nas eleições europeias seria do Bloco de Esquerda, excepto por algum motivo excepcional. Sou europeísta, e não concordo com um bloqueio da construção europeia como forma de protesto (nisto estou em desacordo com o Bloco). Mas o Bloco é também um partido europeísta (ao contrário do “soberanista” PCP). E há que reconhecer que a Europa não vai nada bem, com os cidadãos a serem cada vez mais afastados dos processos de decisão (veja-se o caso da aprovação do recente Tratado de Lisboa). Insistir em prosseguir sem um verdadeiro apoio popular pode resultar num equívoco trágico. Numa situação em que os eleitores sejam chamados a pronunciar-se sobre esse processo (um referendo), provavelmente votarei contra o Bloco; por agora, entendi votar em quem defenda esse processo. Acresce que conheço pessoas do Bloco de Esquerda que votariam “sim” nesse referendo (o Rui Curado Silva e o Rui Tavares que, embora independente, é um eurodeputado eleito).
  3. O Rui Tavares. Como disse, o meu voto nestas eleições à partida seria naturalmente no BE. Para além disso, fico muito feliz por este meu voto ter contribuído para eleger um amigo (algo que não contribuiu para a minha decisão) e, principalmente, alguém que, tenho a certeza, vai ser um excelente deputado europeu. Espero que a eleição do Rui contribua para aproximar a Europa dos cidadãos.
  4. Finalmente (por hoje), os resultados nacionais. Estive na quinta feira no comício de encerramento da campanha do bloco em Braga. Ouvi Miguel Portas dizer coisas acertadas, mas outras irresponsáveis (criticar o governo pelo aumento das idades da reforma, sem se preocupar com a sustentabilidade da segurança social, ou criticar a avaliação dos professores sem propor uma alternativa que não fosse deixar tudo na mesma - mal). Tive de me vir embora; se ficasse para ouvir Francisco Louçã, iria acabar por mudar o meu sentido de voto mesmo nas europeias. Votei no Bloco porque estas são eleições europeias, nas quais eu votei a pensar na Europa e no mundo (e é o Bloco quem melhor me representa nestes assuntos, dos grandes partidos portugueses). Não é legítimo interpretar o meu voto à luz de política nacional. É muito pouco provável que o Bloco possa contar com o meu voto para as legislativas.

1 comentário:

Luis disse...

"Ouvi Miguel Portas dizer coisas acertadas, mas outras irresponsáveis (...). Tive de me vir embora; se ficasse para ouvir Francisco Louçã, iria acabar por mudar o meu sentido de voto mesmo nas europeias."

Eu (que tambem votei no bloco) acho que deviam por uma batata na boca do gajo.