2008/07/15

No rescaldo do Porto

O reaccionarismo latente que denunciei há quatro anos não só se mantém como está ainda mais requintado: se fizerem uma pesquisa de uma morada nos mapas do SAPO, verão que não obterão resposta nenhuma se não incluírem o "de" no nome da rua!
Mas não dêem demasiada importância a isto. Esta cidade é linda e é sempre um prazer cá voltar. Até à próxima!

4 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

"A rua pertence acima de tudo à cidade e aos seus habitantes; não é "de" ninguém."

"No dia em que a esquerda conquistar a presidência da segunda câmara do país há uma tarefa urgente a fazer: apagar uma série de "des" da toponímia portuense."

Ó Filipe, a bota não diz com a perdigota: Se a cidade é dos seus habitantes deve-se respeitar a norma que os seus habitantes escolheram. Era o que faltava virem uns políticos, à revelia da população, virem impor uma tradição linguística que não é a nossa. Fascismo nunca mais.

Mas vejamos o que o ciberdúvidas diz quanto a esse assunto: "É, portanto, uma forma de delicadeza, pois poderemos interpretar como «rua em honra de Luís de Camões», «rua em memória de Luís de Camões», etc."
http://ciberduvidas.com/pergunta.php?id=14313

Para haver posse, seria a Rua do Camões, e não de Camões. Seria a Praça do Gomes Teixeira ou a Rua do Júlio Dinis e não a Praça de Gomes Teixeira e Rua de Júlio Dinis.

(Isto obviamente não se aplica nos casos em que ao nome precede o título, por razões de norma linguística.)

Já viu o inusitado que era virem os portuenses dizer que em Lisboa são indelicados porque não usam o "de" e que a câmara deveria impôr o seu uso a todos as ruas lisboetas?

Pedro Menezes Simoes disse...

Em conclusão, não há qualquer reaccionarismo. Reaccionarismo seria rejeitar uma tradição inofensiva da cidade, porque diferente do uso das restantes.

Vertigo disse...

Aliás no norte (Douro/Minho/Trás-os-Montes) nota-se muito mais a galaico-portugalidade da língua. Por exemplo muitas pessoas, não nortenhas, espantam-se por eu ter 2 "de" no meu nome completo. Já me chegaram a perguntar se eu ainda teria sangue azul. A verdade é que é muito comum. Mas isto é lá. Como diria o Luís Miguel Cintra, na província.

:)

Vertigo disse...

ah e nós lá, na província, não somos nada sensatos, aliás fazemos questão de transpirar fascismo em tudo que pudermos. Até nisso das ruas....

Desculpe lá mas essa associação do uso de um pronome a um suposto carácter ideológico latente de uma região é absurdo.