2014/07/02

Após os oitavos de final

Uma das razões por que valorizamos (injustamente) muito mais o ponta de lança que o guarda redes é, sobretudo, gostarmos de ver golos. Lembramo-nos muito mais das grandes jogadas de ataque que das grandes defesas dos guarda redes. Em contrapartida recordamo-nos muito mais dos frangos, dos falhanços dos guarda redes, que das perdidas flagrantes dos avançados. Se gostássemos de ver defesas como gostamos de ver golos, o lugar de guarda redes não seria maldito, tão maldito que nem lá cresce relva, como dizia o cronista. Pois querem saber? Para mim este está a ser o Mundial dos grandes guarda redes.

2014/06/21

Uma seleção das músicas de Chico Buarque

Por estes dias não poderia deixar de me juntar aos que recordam as suas músicas de Chico Buarque favoritas. Seguem-se algumas das minhas (amanhã a escolha poderia ser outra):

  • "Atrás da Porta", com Francis Hime. Sublime.
  • "Cotidiano": genial e sempre atual.
  • Dos anos de chumbo da ditadura, um dos melhores exemplares é "Acorda Amor". O apelo "Chame o ladrão!" é uma ironia tipicamente buarqueana.
  • "Com açúcar e com afeto": poderia ouvir todos os dias até ao fim da minha vida álbum ao vivo com a Maria Bethânia e nunca me cansaria, por mais que vivesse.
  • "Vida", para se ouvir com calma, de uma ponta à outra, sem nenhum outro pretexto.
  • "Vai passar": a nossa pátria mãe tão distraída sem perceber que era subtraída...
  • "Olé olá": Os amigos me perdoem se eu insisto à toa, mas é com estes acordes que começam os meus dois álbuns ao vivo favoritos do Chico, com a Maria Bethânia e em Paris. "A noite é criança, o samba é menino, a dor é tão velha que pode morrer..."
  • "Teresinha" forma, com as já referidas "Atrás da Porta" e "Com Açúcar e Com Afeto", o conjunto das minhas músicas preferidas no feminino de Chico. Numa altura da minha vida em que só conhecia dois álbuns do Chico, ouvi pela primeira vez esta música num álbum da Maria Bethânia. Imediatamente pensei, sem sobre ela saber mais nada: "Esta música só pode ser do Chico."
  • "Bom conselho" que eu vos dou de graça, a ouvir por toda a gente em especial nos dias que correm, e onde uma série de provérbios do senso comum são desconstruídos. Ajam duas vezes antes de pensar!
  • "Cosntrução", uma grande música, uma das mais perfeitas canções em língua portuguesa. Parabéns, grande Chico.

2014/05/21

Felicitaciones, Quino!

40 anos do "cubo mágico"

Nunca fui capaz de o resolver. Também tinha para aí sete anos quando ele chegou a Portugal e virou moda. Havia uma canção "Isto começa a ser trágico" a lamentar a alienação que ele causava ao pessoal. Mas era por um bom motivo: a resolução está longe de ser fácil. Tenho saudades do tempo em que as pessoas se alienavam com estas coisas e não com smartphones e ipads.

2014/04/19

Gabriel García Márquez (1927-2014)

"Não é verdade que as pessoas páram de perseguir os sonhos porque estão a ficar velhas: elas estão a ficar velhas porque pararam de perseguir os sonhos."

2014/04/11

Sue Townsend

Depois do Roque Santeiro, o Adrian Mole. A pouco e pouco as referências da minha adolescência estão a desaparecer deste mundo. Obrigado pelo divertimento inteligente, Sue Townsend.

2014/03/07

Carnaval de Canelas - as praxes

Que não se conclua do texto anterior que existe alguma relação entre Carnaval e praxes. Um dos carros e uma das rábulas do Carnaval de Canelas este ano foram justamente sobre as praxes: "Tuna Vínica Enxarcanelas".

2014/03/06

Pequena nota sobre o "Entrudo chocalheiro"

Devo começar por esclarecer que não conheço os "caretos" (só de ouvir falar), e não tenho nada contra tradições populares, desde que não sejam perigosas nem prejudiciais para terceiros e nem coloquem em causa a integridade de ninguém.

Assisti num canal de televisão este fim de semana a uma reportagem sobre o "Entrudo chocalheiro", com os "caretos", na localidade transmontana de Podence. Em entrevista a um jovem careto (que deu a cara), a repórter questionava-o referindo o caráter discriminatório da tradição, em que os caretos (todos iguais, vestidos da mesma maneira, sem ninguém saber quem são) assediam mulheres e as "chocalham", num ritual em que a "chocalhada" pode sair ferida.
Sobre o anonimato, o jovem admitiu que tal fazia com que os "caretos" se sentissem muito mais "desinibidos" (ora vejam só). Sobre a possível violência, respondia que "tradição é tradição" e "só vem quem quer". Temos ali um futuro dux!

Carnaval de Canelas - os Castelos Brancos

No fim de semana alargado de Carnaval não houve desfile nenhum em Estarreja. A rainha do Carnaval de Estarreja, José Castelo Branco, não pôde assim desfilar nem ser admirada pelos fãs. Em contrapartida na vizinha freguesia de Canelas não faltaram os castelos brancos.



2014/03/01

o Avesso do Avesso - oito anos num computador perto de si

O título desta já tradicional postagem costumava ser "o Avesso do Avesso - oito anos num computador perto de si", mas em Janeiro comprei um smartphone (o meu telemóvel anterior era do tempo do Blogue de Esquerda) e então dei-me conta da desatualização do título...

De acordo com o sitemeter, 213950 visitas, 271699 carregamentos de página. De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 271699 visitas, 60,7% das quais de Portugal, 21,4% do Brasil, 3,2% dos EUA, 3% de França, 2,9% do Reino Unido, 1,7% da Suíça, 1,3% da Alemanha, 1,1% da Espanha, 0,6% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,6% de outros países. 15,5% à segunda, 15,9% à terça, 16,0% à quarta, 15,7% à quinta, 14,4% à sexta, 11% ao sábado e 11,6% ao domingo. As postagens continuam a ser escassas - também o têm sido no Esquerda Republicana e no A nossa fé. Afazeres profissionais e a concorrência do Facebook para os textos "pequenos" e pessoais justificam esta diminuição. Ainda assim, o Avesso do Avesso mantém-se como o meu blogue pessoal. Muito obrigado a quem por aqui vai passando.

2013/12/29

Chá preto marca Tetley, established in England in 1837. Leio em inglês: "Tea is refreshing and counts towards your fluid intake". O mesmo texto em espanhol: "El té es refrescante y cuenta como parte de la ingesta diaria de líquidos". Em português: "O chá é refrescante e contém imensos fluidos". (Também tem em grego, mas infelizmente não consigo ler.)

2013/12/25

Depois de assistir na SIC aos Estrumpfes (e não smurfs)

Aquilo a que eles chamavam "bolo rei" deveria chamar-se "bolo estrumpfe". A interjeição "Oh meu Deus" deveria ser a clássica "valha-me Santo Estrumpfe!" Mas teve a sua piada.

2013/12/20

E lá tive de estar a explicar aos convidados estrangeiros do VI Black Holes Workshop o que eram e o que faziam estudantes a gritarem em grupos na universidade e um pouco por toda a cidade de Braga, mesmo em pleno centro, com a complacência de toda a gente. Nunca tinham visto tal coisa, mesmo os galegos (aqui ao lado). Algo semelhante poderia durar uma semana no máximo: nunca todo o ano letivo. A minha amiga Inês Barbosa tentou ser eleita com o slogan "O melhor de Braga é a sua juventude." Discordo: o pior de Braga é a sua juventude.

2013/12/14

Escreve-se "dióspiro", mas a maior parte das pessoas que eu conheço pronuncia "diospiro". Nesse aspeto o dióspiro é a fruta mais parecida com o clitóris.

2013/12/05

Se eu escolhesse quem teria sido o homem do século XX, a minha escolha seria o Nelson Mandela.

2013/12/01

A capa do Patinhas

Na minha infância, no tempo em que eu devorava livros do Tio Patinhas, uma capa como esta poderia ser considerada normal. Acharíamos, no entanto, que o estranho objeto que o Patinhas segura na mão direita seria mais uma invenção do Pardal.

2013/11/24

Há 20 anos

Eu não chego a aparecer aqui porque tive de me ir embora antes do fim - tinha um laboratório de frequência obrigatória no fim dessa tarde e saí no Largo do Rato. E como eu muita gente - a manife era muito maior na Cinco de Outubro, onde foi a concentração. Se lá tivesse ficado até ao fim, provavelmente teria sido mais um para a porrada - como foram os meus colegas de curso e ano visíveis antes dos 2 min. Dias depois demitia-se um ministro - o segundo ministro da educação a demitir-se devido a manifestações em menos de dois anos. Creio que nunca mais um ministro se voltou a demitir devido a contestação nas ruas desde então. No que diz respeito a brutalidade policial pouco ou nada mudou.

2013/11/16

Livre

Eu preferia que fosse penalti, mas se é livre é livre. Boa Rui Tavares!


2013/11/09

Imperdíveis

A mais recente crónica de António Lobo Antunes.

A reportagem da TVI sobre o favorecimento das escolas privadas:

2013/10/15

Is string theory right?

Não consigo deixar de ouvir isto. Estudar teoria de campo e de cordas teria sido tão mais fácil se este vídeo existisse quando eu os estudei!

2013/10/08

Nobel da Física: Higgs e Englert

Durante muito tempo pensei que era muito difícil explicar de uma forma honesta o assunto do prémio Nobel de Física anunciado hoje, na linha do que dizia Einstein: as coisas devem ser explicadas da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso. Bem, mas a melhor explicação do bosão de Higgs que eu conheço é esta, por um autor bem conhecido de quem me segue. Fazem o favor de ver.

2013/09/30

2013/09/17

Balanço da viagem a Barcelona

Vejam este vídeo entre os 2:15 e os 4:20. Bem, em Barcelona passa-se algo semelhante: de certeza que algures, naquela cidade, há uma "poia de Gaudi" guardada.

2013/07/23

Balanço da viagem a Hamburgo

Grande vitória feminista, pelo menos nos países protestantes. Já tinha tido oportunidade de verificar isto em Amesterdão, e em Hamburgo confirmei. Entre os empregados de limpeza dos hotéis não há uma única mulher! São é todos pretos.

2013/06/13

A tradição das "marchas"

Não sei se tenho pena do António Costa, por ter de estar estoicamente a aturar as marchas do princípio ao fim sem sequer poder estar no twitter, se raiva por não ter coragem de acabar com essa "obrigação institucional" do presidente da Câmara de Lisboa (ainda por cima transmitida, vá-se lá saber porquê, para todo o país). Nem que fosse para desfilar ele também.

2013/06/02

So long,dearest dingbat!




Jean Stapleton, Who Played Archie Bunker’s Better Angel, Dies at 90
By BRUCE WEBER (The New York Times)


Jean Stapleton, the character actress whose portrayal of a slow-witted, big-hearted and submissive — up to a point — housewife on the groundbreaking series “All in the Family” made her, along with Mary Tyler Moore and Bea Arthur, not only one of the foremost women in television comedy in the 1970s but a symbol of emergent feminism in American popular culture, died on Friday at her home in New York City. She was 90.

Her agent, David Shaul, confirmed her death.

Ms. Stapleton, though never an ingénue or a leading lady, was an accomplished theater actress with a few television credits when the producer Norman Lear, who had seen her in the musical “Damn Yankees” on Broadway, asked her to audition for a new series. The audition, for a character named Edith Bunker, changed her life.

The show, initially called “Those Were the Days,” was Mr. Lear’s adaptation, for an American audience, of an English series called “Till Death Us Do Part,” about a working-class couple in east London who held reactionary and racist views.

It took shape slowly. The producers filmed three different pilots, the show changed networks to CBS from ABC, and Ms. Stapleton acted in a film directed by Mr. Lear, “Cold Turkey,” before “All in the Family,” as it was finally called, was first broadcast in January 1971.

For three or four months, hampered by mixed reviews, it struggled to find an audience, but when it did, it became one of the most popular shows in television, finishing first in the Nielsen ratings for five consecutive seasons and winning four consecutive Emmy Awards for outstanding comedy series. Ms. Stapleton won three Emmys of her own, in 1971, ’72 and ’78.

“All in the Family” was set in Queens. Most of the action took place in the well-worn but comfortable living room of the Bunker family, led by an irascible loading-dock worker named Archie whose attitudes toward anyone not exactly like him — that is, white, male, conservative and rabidly patriotic — were condescending, smug and demonstrably foolish. Memorably played by Carroll O’Connor, Archie bullied his wife, patronized his daughter, Gloria (Sally Struthers), and infuriated and was infuriated by his live-in son-in-law, a liberal student, Michael Stivic (Rob Reiner), whom he not-so-affectionately called Meathead.

Archie employed the vocabulary of a bigot and wielded the unenlightened opinions of a man from a bygone era who refused to admit the world was changing so much that it was no longer his naturally inherited domain.

But he was essentially harmless — small-minded but not meanspirited, ignorant but not unfeeling. Critics routinely referred to him as “a lovable bigot,” as if such a thing were possible. Edith loved him, certainly, though he referred to her, in her presence, as a dingbat and was perpetually telling her to shut up. “Stifle yourself,” was how he put it.

Edith was none too bright, not intellectually, anyway, which, in the dynamic of the show was the one thing about her that invited Archie’s outward scorn. Ms. Stapleton gave Edith a high-pitched nasal delivery, a frequently baffled expression and a hustling, servile gait that was almost a canter, especially when she was in a panic to get dinner on the table or to bring Archie a beer.

But in Edith, Ms. Stapleton also found vast wells of compassion and kindness, a natural delight in the company of other people, and a sense of fairness and justice that irritated her husband to no end and also put him to shame. She was an enormously appealing character, a favorite of audiences, who no doubt saw in the ordinariness of her life a bit of their own, and in her noble spirit a kind of inspiration.

Edith was not, like Ms. Moore’s Mary Richards, a spirited young professional seeking traction in a mostly male workplace, nor was she like Ms. Arthur’s Maude, a brassy, clamorously insistent personality.

Rather, when the issues of “All in the Family” centered on Edith — as when she went through menopause, beset with hilarious mood swings — she became an emblem of all housewives who felt their problems pooh-poohed at home, as if nothing they ever suffered was worth the attention of their husbands and children.

“What Edith represents is the housewife who is still in bondage to the male figure, very submissive and restricted to the home,” Ms. Stapleton, a confirmed if not necessarily outspoken feminist, said in an interview in The New York Times in 1972, with the show still early in its life. (It ran until 1979, and a continuation, “Archie Bunker’s Place,” that starred Mr. O’Connor but not the rest of the cast, lingered until 1983.) “She is very naïve, and she kind of thinks through a mist, and she lacks the education to expand her world.”

Yet as the ’70s went on, and the women’s movement gained a hold in the public mind (and the proposed Equal Rights Amendment began gaining a hold in Congress and in statehouses), Edith herself gained a measure of strength and self-respect that deepened her character movingly.

In one episode, against Archie’s wishes, she took a volunteer job as a “Sunshine Lady,” providing company and support for the residents of an old-age home, and when Archie tried to force her to quit because he didn’t want her working out of the house, her explosive adamancy took him, and the show’s viewers, by surprise, a triumph for her character that made the episode among the show’s most affecting.

“A question I am most asked by the press is, ‘Do you think Edith would support the E.R.A.?’ ” Ms. Stapleton said in 1978, in accepting an honorary doctor of humane letters degree from Emerson College in Boston. She concluded, “Of course Edith Bunker would support ratification of the 27th Amendment to the Constitution, because it is a matter of simple justice — and Edith is the soul of justice.”

She was born Jeanne Murray on Jan. 19, 1923, in Manhattan. Her father, Joseph, was an advertising salesman; her mother, Marie Stapleton, was a concert and opera singer, and music was very much a part of her young life.

Jeanne was a singer as well, which might be surprising to those who knew Ms. Stapleton only from “All in the Family,” which opened every week with Edith and Archie singing “Those Were the Days,” Ms. Stapleton lending a screechy half of the duet that was all Edith.

Ms. Stapleton herself had a long history of charming musical performances. She was in the original casts of “Bells are Ringing” on Broadway in the 1950s and “Funny Girl,” with Barbra Streisand, in the 1960s, in which she sang “If a Girl Isn’t Pretty” and “Find Yourself a Man.” Off Broadway in 1991, she played Julia Child, singing the recipe for chocolate cake in the mini-musical “Bon Appétit.” On television, she sang with the Muppets.

After high school, Ms. Stapleton worked as a typist and a secretary, taking acting classes at night. This is also when she changed her name to her mother’s, feeling it was, as she put it once, “more distingué” than Murray. Her older brother, Jack, had done the same. She was not, as often presumed, related to the actress Maureen Stapleton.

Ms. Stapleton studied and performed with the American Actors’ Company, whose alumni include Horton Foote and Agnes DeMille, and did a great deal of summer stock. She toured opposite Frank Fay in “Harvey,” and was the understudy for Shirley Booth in the touring company of “Come Back, Little Sheba.” Even during her television heyday, Ms. Stapleton’s schedule almost always included summer shows because her husband, William Putch, whom she married in the late 1950s, operated the Totem Pole Playhouse in Pennsylvania.

Mr. Putch died in 1983. Ms. Stapleton is survived by their two children, Pamela and John, and grandchildren.

In 1953 she made her Broadway debut as the owner of an oyster bar who dispenses advice to Judith Anderson and Mildred Dunnock in Jane Bowles’s play “In the Summer House,” directed by Jose Quintero. In addition to her musical experience, her Broadway credits include the Eugene Ionesco farce “Rhinoceros” (1961), and, much later, a revival of “Arsenic and Old Lace” (1987).

In the movies, Ms. Stapleton reprised her roles in “Bells Are Ringing” and “Damn Yankees,” and she appeared in “Something Wild” (1961) as the well-meaning neighbor of a rape victim (Carroll Baker) and as a secretary in “Klute” (1971), a thriller about a detective and a call girl starring Jane Fonda and Donald Sutherland.

“All in the Family” was Ms. Stapleton’s first television series, but before that she had appeared as a guest on several shows, including “Dr. Kildare,” “My Three Sons,” “Car 54, Where Are You?” and the courtroom drama “The Defenders,” in which she played the owner of a boardinghouse who accused a tenant — played by Mr. O’Connor — of murder.

Ms. Stapleton bowed out of “All in the Family” as a series regular in 1979, but she appeared in several episodes the next year, after the title of the show had been changed to “Archie Bunker’s Place.” The opening episode of the second season of “Archie Bunker’s Place” dealt with the aftermath of Edith’s death.

After “All in the Family,” Ms. Stapleton purposely sought out roles that would separate her from Edith, and in so doing she led a busy and varied, if less celebrated, performing life. She turned down a chance to star as Jessica Fletcher, the middle-aged mystery writer at the center of “Murder, She Wrote,” which became a long-running hit with Angela Lansbury.

But she appeared as a guest on numerous television series, including “Caroline in the City” and “Murphy Brown”; starred with Whoopi Goldberg in a short-lived series, “Bagdad Café”; did turns in films (“You’ve Got Mail,” “Michael”); and made several television movies, including “Eleanor: First Lady of the World” (1982), in which she starred as Eleanor Roosevelt. The film led to a one-woman show that toured the country.

Perhaps the most significant work of her later life, however, was Off Broadway, where she performed in challenging works by Mr. Foote (“The Carpetbagger’s Children”), John Osborne (“The Entertainer”) and Harold Pinter (“Mountain Language,” “The Birthday Party”) to sterling reviews.

“She brings supreme comic obtuseness to Meg, the pathetic proprietor of a shabby seaside boarding house,” Frank Rich of The Times wrote of Ms. Stapleton’s performance in “The Birthday Party.” Contrasting her role with that of her “broadly drawn Edith Bunker,” Mr. Rich concluded, “Ms. Stapleton’s Meg is the kind of spiritually bankrupt modern survivor who makes one question the value of survival.”

After “All in the Family,” it was Ms. Stapleton’s lot to live in Edith’s wake. In 1977, she was one of 45 International Women’s Year commissioners who convened the National Women’s Conference in Houston, a federally financed gathering of 2000 delegates from the 50 states, for the purpose of helping to form national policy on women’s issues.

On the third day of the conference, Ms. Stapleton left the commissioners’ seating area and wandered onto the conference floor among the delegates. She was besieged.

“Look, it’s Edith!” delegates and photographers shouted. “Look, it’s Edith!”

2013/04/30

Paulo Vanzolini (1924-2013)

Ao ouvir o nome do compositor e cientista recém falecido, a primeira coisa que me ocorre é esta música (interpretada por Maria Bethânia), e que disputou com Sampa, que dá o título a este blogue, o título de símbolo da cidade de São Paulo. Não é nada pouco.

2013/03/27

A procura do vídeo


Acidentalmente esqueci-me de deixar o gravador de TDT programado, e eis que procuro o vídeo na página da SIC. Entro na página dos vídeos, que fica bloqueada enquanto passa uma publicidade a uma beberagem qualquer. Vejo que a página que diz “vídeos” está totalmente desatualizada, pelo que devo ir à que diz “programas”. Entro então na página dos programas, que fica bloqueada enquanto passa uma publicidade a uma beberagem qualquer. Tenho que escolher a página do programa que quero ver. Entro nessa página, que fica bloqueada enquanto passa uma publicidade a uma beberagem qualquer. Quando finalmente verifico os programas disponíveis em tal página, verifico que só estão até domingo, quando eu queria o de ontem, terça feira. (Se estivesse disponível, ou se eu visse o de domingo, a página voltaria a ficar bloqueada enquanto passaria uma publicidade a uma beberagem qualquer.)
Opto pela alternativa RTP. O vídeo do programa em questão, o Telejornal, já lá estava, no próprio dia. Diretamente, sem páginas bloqueadas nem publicidade.
A nossa RTP vale bem os impostos da burguesia.

2013/03/13

2013/03/06

Hugo Chavez (1954-2013)


Vale a pena recordar dados do Banco Mundial (no Ladrões de Bicicletas), e ler este artigo de Ignacio Ramonet e Jean-Luc Mélenchon (no esquerda.net), do qual transcrevo algumas passagens.

Um líder político deve ser valorizado por seus atos, não por rumores veiculados contra ele. Os candidatos fazem promessas para ser eleitos: poucos são aqueles que, uma vez no poder, cumprem tais promessas. Desde o início, a proposta eleitoral de Chávez foi muito clara: trabalhar em benefício dos pobres, ou seja – naquele momento – a maioria dos venezuelanos. E cumpriu sua palavra.

Por isso, este é o momento de recordar o que está verdadeiramente em jogo nesta eleição, agora que o povo venezuelano é convocado a votar. A Venezuela é um país muito rico, pelos fabulosos tesouros de seu subsolo, em particular o petróleo. Mas quase toda essa riqueza estava nas mãos da elite política e das empresas transnacionais. Até 1999, o povo só recebia migalhas. (...)

Na política externa, apostou na integração latino-americana e privilegiou os eixos sul-sul, ao mesmo tempo que impunha aos Estados Unidos uma relação baseada no respeito mútuo… (...)

Tal furacão de mudanças inverteu as estruturas tradicionais do poder e trouxe a refundação de uma sociedade que até então havia sido hierárquica, vertical e elitista. Isso só podia desencadear o ódio das classes dominantes, convencidas de serem donas legítimas do país. (...)

Alguém viu um “regime ditatorial” estender os limites da democracia em vez de restringi-los? E conceder o direito de voto a milhões de pessoas até então excluídas? (...) Chávez demonstrou que é possível construir o socialismo em liberdade e democracia. E ainda converte esse caráter democrático numa condição para o processo de transformação social. (...)

O mais escandaloso, na atual campanha difamatória, é a pretensão de que a liberdade de expressão esteja restrita na Venezuela. A verdade é que o setor privado, contrário a Chávez, controla amplamente os meios de comunicação. (...) De 111 canais de televisão, 61 são privados, 37 comunitários e 13 públicos. Com a particularidade de que a parte da audiência dos canais públicos não passa de 5,4%, enquanto a dos canais privados supera 61%… O mesmo cenário repete-se nos meios radiofónicos. E 80% da imprensa escrita está nas mãos da oposição, sendo que os jornais diários mais influentes – El Universal e El Nacional – são abertamente contrários ao governo.

Nada é perfeito, naturalmente, na Venezuela bolivariana – e onde existe um regime perfeito? Mas nada justifica essas campanhas de mentiras e ódio. A nova Venezuela é a ponta da lança da onda democrática que, na América Latina, varreu os regimes oligárquicos de nove países, logo depois da queda do Muro de Berlim, quando alguns previram o “fim da história” e o “choque de civilizações” como únicos horizontes para a humanidade.

2013/03/01

o Avesso do Avesso - sete anos num computador perto de si

De acordo com o sitemeter, 206163 visitas, 262199 carregamentos de página. De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 203028 visitas, 61% das quais de Portugal, 21% do Brasil, 3,1% dos EUA, 3,1% de França (diferença de seis visitas...), 2,9% do Reino Unido, 1,7% da Suíça, 1,3% da Alemanha, 1,1% da Espanha, 0,6% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,5% de outros países. 15,5% à segunda, 15,9% à terça, 16,0% à quarta, 15,7% à quinta, 14,4% à sexta, 11% ao sábado e 11,5% ao domingo. As postagens têm sido bem mais escassas - também o têm sido no Esquerda Republicana e no A nossa fé. Afazeres profissionais e a concorrência do Facebook para os textos "pequenos" e pessoais justificam esta diminuição. Ainda assim, o Avesso do Avesso mantém-se como o meu blogue pessoal. Muito obrigado a quem por aqui vai passando.

2012/12/01

Parece que é dia do Banco Alimentar ou lá como aquela coisa se chama.


2012/11/03

Manchete do Público de hoje: "número de divórcios diminui". Manchete do I: "aumenta o número de assassinatos conjugais". Sou só eu que vejo aqui uma lei de conservação?

2012/10/16

Coisas que só sucedem no norte

Na caixa, a empregada do supermercado chama-me a atenção: "Olhe que isto são coentros! De certeza que quer coentros?" Face à minha confirmação, ela justificou-se: "a maioria das pessoas quer é salsa, e leva os coentros por engano".

2012/10/01

Está certo que nem toda a gente leu o livro e viu o filme, como eu fiz (e estou agora a deliciar-me com a excelente adaptação televisiva). Mas, ao ver numa banca de jornais a manchete da capa de uma dessas revistas de TV, "Gabriela trai Nacib com Tonico", ocorrem-me manchetes do tipo "O Primo Basílio: Juliana chantageia Luísa", "Os Maias: Carlos e Maria Eduarda são irmãos!", "Romeu e Julieta: protagonistas suicidam-se!" E por aí adiante.

2012/09/10

Eu nasci assim

Na televisão o "Dancin'Days", "O Astro" e, a partir de hoje, a "Gabriela". No governo, o FMI. Para regressarmos à minha mais tenra infância só faltam o general Eanes na presidência e o Sporting campeão.

2012/09/08

Mamãe, eu fui a Cuba e vi a vida lá


Um mês depois do regresso, e depois de já me ter passado a vontade de exterminar em massa taxistas e vendedores de charutos, creio que finalmente posso escrever sobre o país de Fidel Castro.
 Não pude escrever enquanto lá estive porque a internet custa seis dólares (mais corretamente seis CUCs – pesos convertíveis) à hora (e a ligação tem que ser feita através dos computadores deles – no meu caso, do hotel; internet sem fios é mais cara ainda).
 Se eu quisesse resumir Cuba numa palavra, essa seria “pobreza”. Mais do que quem nunca esteve num país do terceiro mundo pode imaginar. É preciso ir lá, e misturar-se com os cubanos – não ficar confinado num resort no Varadero – para uma pessoa ter o mínimo de noção do que se passa. Cuba é um país do terceiro mundo, e para quem como eu nunca tinha estado num país do terceiro mundo tal constitui um choque.
A maior falácia das descrições das viagens a Cuba da parte dos seus maiores críticos é que parecem esperar que Cuba não fosse um país do terceiro mundo, quando sempre o foi e sempre esteve rodeada de países que o foram. Quando comparada com esses países, em índices de desenvolvimento económico e humano, Cuba não se sai nada mal. A assistência médica e a boa educação não são um mito. Eu vi as escolas, as universidades, as urgências médicas em Havana abertas 24 horas por dia.
A diferença de Cuba para esses países outros países do terceiro mundo, ou emergentes, reside na ausência de uma classe média, que se traduz na total ausência de cubanos em atividades turísticas. No México ou no Brasil, para dar dois exemplos, existe uma classe média-alta que tem possibilidades de acompanhar os turistas em certos roteiros simples (nem que seja ir a uma discoteca). Mas no México 90 ou 95% da população não tem recursos para fazer os mesmos programas dos turistas (e no Brasil, antes do Lula, a mesma percentagem da população não teria, e ainda hoje uma grande percentagem não tem). A diferença é que, em Cuba, essa percentagem ronda os 100%. Cuba é portanto uma sociedade mais igualitária, e isso parece-me preferível. Matematicamente entre os 100% de Cuba e os 90 ou 95% de outros países do terceiro mundo não há grande diferença. Mas essa pequena diferença traduz-se numa grande diferença para o visitante, que em certas alturas em Cuba se vê totalmente rodeado de turistas, enquanto noutros países, mesmo do terceiro mundo, notaria uma presença mínima de nativos. Tal diferença ajudou a criar o mito, largamente difundido pela propaganda, de que em Cuba certos locais seriam proibidos aos cubanos e reservados aos turistas. Nada mais falso. Nenhum local é vedado à partida aos cubanos; se na prática é vedado, é porque eles não têm recursos para os frequentar (embora os museus e monumentos, por exemplo, sejam bem mais baratos para os cubanos que para os estrangeiros). Mas não é – eu pelo menos não vi nada que fosse – proibido.
A maior falácia das descrições de Cuba por parte dos seus apoiantes reside numa quase santificação do povo cubano. Como em tudo não se devem fazer generalizações apressadas. É verdade que não há roubos, mas há burlas. Há uma mendicidade disfarçada. Não vou dizer sequer que a metade das pessoas pede, mas a quantidade de pessoas nesta situação é maior que em qualquer outro país que eu conheça. Começam por nos perguntar as horas, e de seguida pedem-nos se lhes arranjamos um peso. Pedem ajuda, mas pedem sobretudo que façamos negócio com eles. E nesta forma são extremamente agressivos: entendem mesmo que temos que lhes comprar os charutos, ir dormir ao quarto da casa particular (legalizada) deles, apanhar o táxi deles. Chamam-nos, abordam-nos sem pedirem licença e não desistem enquanto estivermos à vista deles, mesmo que não lhes respondamos. Os taxistas, então, só nos largam se formos mal educados. Ao chegar a uma cidade das que visitei, tive literalmente de atropelar alguns com a minha mala de viagem para poder passar. Os cubanos entendem (bem) que os estrangeiros que os visitam têm mais dinheiro que eles. Uma boa parte dos cubanos, porém, faz tudo para lhes poder extorquir dinheiro. Também vi – a sério que vi – exemplos de dignidade e de solidariedade. Mas a dignidade e a simpatia generalizadas dos cubanos são um mito.
Finalmente: como já referi, procurei circular no meio do povo cubano, não me restringindo a locais para turistas. E posso garantir o seguinte. Numa ditadura, é de esperar que o povo viva assustado e com medo e Cuba, sendo uma ditadura (que o é – não o nego), não deveria ser uma exceção. Mas é. Em nenhum momento nenhum cubano me pareceu assustado ou com medo – digo-o com franqueza. A liberdade é um direito fundamental, mas não é o mais importante. Quando não sabemos como vamos sobreviver amanhã, nem nos preocupamos se somos livres ou não. E é assim que eu classifico o povo cubano – um povo tão pobre que nem se preocupa se é livre ou não. Um povo que não se pode preocupar com a sua liberdade, pois primeiro tem que se preocupar com a sua subsistência. E que não culpa o seu governo por isso, mas sim o embargo a que é sujeito. Conforme o afirmam vários autores (entre os quais diversos opositores ao regime) e eu concluo da minha experiência, aquele estúpido embargo é a maior garantia da longevidade do regime cubano.

2012/08/07

Caetano septuagenário

Não poderíamos deixar passar os 70 anos de quem dá o título a este blogue. Parabéns, ó Caetano!

2012/07/05

E, como não podia deixar de ser, descobriram o Higgs

Acabou o tesão de Higgs (expressão da autoria do Rui Tavares, que ainda há quinze dias escrevia que o Higgs nunca mais se encontrava). Toda a tesão tem um fim.

Na abertura dos telejornais só perdas de tempo com notícias triviais: autarcas que perdem mandatos, primeiros ministros vaiados em Braga... Da descoberta do Higgs, que vai colocar este dia na história, nada. Salvou-se a TVI, que sabe escolher as notícias importantes: anunciou um novo jogador para o Sporting.

2012/06/27

"A place called Alcochete"...

In 2002, Bento was a holding midfielder in the Sporting team that won the double under Laszlo Boloni. It was also the year the club opened the Academia Sporting for developing young players. It is a state-of-the-art facility with seven pitches and an on-site hotel for the players.

Sporting try to get players young, whether from the slums of Lisbon or by casting their scouting net wide, as they did in finding Cristiano Ronaldo on Madeira and Simao Sabrosa in the north of the country.

When found early enough, players are able to adapt to Sporting’s extraordinarily high technical standards. Off the pitch a team of tutors and child psychologists work on their educational development. The attention to detail is incredible: Ronaldo’s bone density was measured to see how tall he would get, and his training schedule was adjusted so as not to put too much strain on him during growth spurts.

When Bento retired from playing in 2004, he took over the youth team. He had played alongside graduates like Ricardo Quaresma, Custodio, Beto, Hugo Viana and Ronaldo and imbibed the Sporting way. He selected all five of those former team-mates in his squad for this tournament.

It was working with the next generation that Bento made his name as a coach. He won the youth title in 2005 and was promoted to first-team duties the following season. It was thought to be a short-term appointment but so successful was he that by the time he resigned in 2009 he was the second-longest serving coach in the club’s history.

The team was built around the players he had nurtured in the youth team. Rui Patricio was promoted as goalkeeper, Joao Moutinho came in as playmaker, Miguel Veloso as holding midfielder, and Nani was brought through to replace Ronaldo on the wing. With this group Bento oversaw four consecutive second-place finishes, two Portuguese Cup victories and Sporting’s first progress beyond the group stages of the Champions League.

Those Sporting players make up the core of the Portugal squad.

2012/05/23

"Sem piveda"


Vila Nova de Famalicão, 19-05-2012

2012/05/14

2012/05/10

Buarque por Bethânia



Concerto de Maria Bethânia, no coliseu do Porto, terça à noite. A abertura, como eu calculava, foi com "Rosa dos Ventos". Faltaram algumas que eu esperava, como "Trocando em Miúdos", "Bárbara", "Mar e Lua" e "Anos Dourados". Não faltaram as indispensáveis e sempre bem vindas "Cálice", "Teresinha", "Olhos nos Olhos", "Sonho Impossível", "Sem Açúcar" e "Maninha" (que só ela canta), bem como algumas surpresas como "Mambembe", "Gota d'Água", "Noite dos mascarados", "A Rita", "Cotidiano", "Minha história", "Roda Viva", "Apesar de você" (grande momento!) e "A Banda"! Tudo músicas que Chico já não canta ou é muito raro cantar. Acresce a este roteiro o samba-enredo que a Mangueira dedicou a Chico em 1998 e a versão completa (que pouca gente conhece) de "Quem Te Viu e Quem Te Vê." Um belo concerto por uma das melhores intérpretes do maior dos cantautores. E um bom aperitivo para o concerto que se aguarda em Setembro.

2012/04/23

De terras de sua majestade

Cambridge é um relvado. E uma graça. Excelente cientificamente. E não escondo uma certa emoção por ter visto o Stephen Hawking em pessoa.

Conforme eu já sabia, tudo o que Londres oferece também é oferecido por Nova Iorque. Esta última, porém, tem praia ao pé. E não tem o palácio de Buckingham. Gostei muito de Londres, onde só tinha estado uma vez, há 14 anos, por dois dias. A minha impressão da cidade melhorou muito.

De Gatwick para Londres e de Londres para Cambridge: a minha banda sonora no Reino Unido foi esta canção.

2012/03/25

Ai que saudades, ai ai...

Treinador adjunto: Pedro Gomes. Treinador principal: John Toshack. Guarda redes (e homenageado): Vítor Damas.

2012/03/15

2012/03/01

o Avesso do Avesso - seis anos num computador perto de si

De acordo com o sitemeter, 196676 visitas, 248142 carregamentos de página. De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 192449 visitas, 61,5% das quais de Portugal, 20,3% do Brasil, 3,2% de França, 3,0% dos EUA, 3,0% do Reino Unido, 1,8% da Suíça, 1,3% da Alemanha, 1,1% da Espanha, 0,6% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,6% de outros países. 15,6% à segunda, 15,9% à terça, 16,0% à quarta, 15,7% à quinta, 14,4% à sexta, 10,9% ao sábado e 11,5% ao domingo. Mesmo se as postagens são mais escassas, desde que escrevo no Esquerda Republicana e, desde Janeiro, no A nossa fé, o Avesso do Avesso continua como o meu blogue pessoal. Muito obrigado a quem por aqui vai passando.

2012/02/29

A "nova república" de Rubem Fonseca

Rubem Fonseca na varanda da República (foto de Pedro Maia)
«Quando no final da cerimónia em que recebeu a Medalha de Mérito Municipal Grau de Ouro, "como reconhecimento da Câmara Municipal de Lisboa pela sua brilhante carreira", o escritor brasileiro Rubem Fonseca foi à varanda da República, do alto da Praça do Município levantou o braço e brincou: "Portugueses, proclamo a Nova República!"», escreve o Público. Felicito a Câmara Municipal de Lisboa pela decisão de homenagear este extraordinário escritor brasileiro, para mim o melhor escritor vivo de língua portuguesa. Escolhi um texto de Rubem para iniciar a minha participação num dos blogues portugueses "clássicos". Reproduzo-o parcialmente aqui:
Para livros de polícia (mais do que meros livros policiais) não conheço melhor autor do que Rubem Fonseca. Peguemos em Agosto (1990), edição portuguesa da D. Quixote. A personagem principal é o comissário Mattos, verdadeiro alter-ego de Fonseca, que foi policial antes de ser escritor. Algumas das teses de Mattos sobre o papel da polícia podem ser extraídas dos diálogos com os seus assessores. Por exemplo: "«Marido e mulher? Você vai dar um flagrante no sujeito apenas porque ele deu uns sopapos na mulher?» «Exactamente por isso. O facto de ser a mulher dele para mim é uma agravante.» (...)«Eu olhei a mulher e não vi nenhuma marca de lesão. (...) Garanto que a mulher vai ficar contra nós.» (...) «Todo mundo é contra nós, sempre.» (...) Autor, vítima, advogado e escrivão esperavam pelo comissário. «Então, doutor? Tudo resolvido?» «Tudo. Vamos continuar o flagrante.» «Doutor, meu cliente foi impelido por relevante valor moral, logo em seguida à injusta provocação da vítima. (...) Ela está arrependida, sabe que errou, pediu desculpas, o senhor não ouviu? (...)» «Esse crime é de acção pública, não me interessa a opinião da vítima. Vamos continuar o flagrante.» «Doutor, ela chamou o meu cliente de broxa [impotente]. Algum marido pode ouvir a própria esposa chamá-lo de broxa sem perder a cabeça? (...)» «Ninguém mais autorizado a chamar um sujeito de broxa do que a própria mulher.» (...) O flagrante foi lavrado, assinado (...). Mattos tirou um Pepsamar do bolso, enfiou na boca, mastigou, misturou com saliva e engoliu. Ele cumprira a lei. Tornara o mundo melhor?"
Há oito anos como hoje, leio o Rubem Fonseca e fico sem palavras. Recomendo vivamente.

2012/02/24

Afinal tudo não passou de um cabo mal ligado...

Alright, Neutrinos, The Jig Is Up! Destaco: "I have difficulty to believe it, because nothing in Italy arrives ahead of time." - Sergio Bertolucci, research director at CERN, on faster-than-light neutrinos

2012/01/18

Quando a claque tem mais tino que a direção

Estive no Sporting-Porto no outro sábado, a maior enchente da história do estádio Alvalade XXI, e onde foi realizada a maior coreografia alguma vez feita num estádio português. Foi possível com certeza gravar imagens muito melhores de adeptos do Sporting que as que o Público mostrou no corredor de acesso ao balneário da equipa visitante. A intenção intimidatória, ao escolher tais imagens, foi evidente. Mas também é evidente, no mínimo, o péssimo gosto de tais imagens, e a péssima imagem que dão do clube. Tal como bem afirma Rui Calafate, teria sido possível escolher muito melhores imagens ao livro da Juve Leo. As imagens divulgadas pelo Público (não quer dizer que sejam todas as imagens do tal corredor) foram escolhidas ou pelo menos autorizadas pela direção do Sporting. Sabemos que tais imagens correspondem, infelizmente, à realidade de muitas claques de muitos clubes. Mas não deveriam ser sancionadas, e muito menos apoiadas, oficialmente. A direção da Juve Leo sabe disso. Infelizmente, a do Sporting parece que não. Esclareço que apoiei a atual direção e creio que no geral tem sido feito um bom trabalho - ninguém duvida que o clube está melhor hoje que há um ano atrás.

2012/01/02

O meu balanço pessoal do ano de 2011

O Sporting tem destas coisas, que também revelam a sua grandeza e diversidade. Não é um clube do povo, mas só no Sporting é que se encontram tipos como Sousa Cintra ou Paulo Futre. Comparem o que se falava de Paulo Futre há um ano atrás e (graças às eleições do Sporting) o que se passou a falar. Ele é biografia, ele é participações em novelas, ele é t-shirts, ele é anúncios... Não tenho a menor dúvida em eleger o Paulo Futre como figura do ano de 2011. Quanto ao blogue do ano, para mim uma revelação (apesar de já existir há alum tempo), O Cacifo do Paulinho. Tornou-se leitura diária.

2011/12/06

Finalmente o levezinho é campeão

Ele bem merece. Infelizmente, não foi com a camisola do Sporting (clube que não se esqueceu de lhe dar os parabéns, e que ele também não esquece). Até ao fim da carreira do Liedson será impossível pedir que ele regresse para ser campeão em Alvalade? Deixem-me sonhar.

O doutor do futebol

De 82 recordo-me de uma entrevista (a entrevista era a sério) ao Peninha (!), numa revista Disney brasileira especial dedicada ao Mundial (que retratava o Zico como primo afastado do Zé Carioca...), onde afirmava esperar que os portugueses apoiassem o Brasil e... que o Zico era melhor que o Maradona (em 1982). Sócrates, que celebrava os golos de punho fechado erguido, como recorda o Tiago Mota Saraiva. O "verdadeiro Sócrates de esquerda", como lhe chama o Pedro Fragoso, que escreve uma evocação que também recomendo. Ficam algumas páginas da entrevista com o Peninha, e uma grande saudade.

2011/10/25

Sobre o fim das praxes na Universidade do Minho

Mesmo sem querer pôr em causa a importância da decisão da equipa reitoral da universidade onde trabalho de acabar com as praxes, aqui anunciada pelo Ricardo Alves, a realidade é que a presença de tais atos permitiu-me ter vivido episódios que hei de recordar para o resto da minha vida, de cada das várias vezes que tive de me ir chatear com os praxantes e os praxados. Aquela vez em que, num dia com o tempo parecido com o de hoje, eu sugeri (sarcasticamente) ao grupo que berrava num pátio abrigado ao pé dos gabinetes na Escola de Ciências que fosse dali para fora, para o meio da chuva torrencial, pois os caloiros deveriam mesmo era molhar-se; um dos veteranos respondeu-me, candidamente, que tinha sugerido isso mesmo, mas os outros veteranos não tinham concordado. Ou a outra em que os mandei dali embora dizendo que ali “era um local de trabalho”, e eles olharam-me espantados por lhes dizer que a universidade era um local de trabalho – nunca ninguém lhes tinha dito tal coisa. Mas a melhor foi quando, em dias consecutivos, após insistirem em virem para baixo do meu gabinete, ainda me acusaram de os “estar a perseguir” – não seriam antes eles, mesmo sem quererem saber disso, que me estavam a perseguir a mim? Todos estes episódios, todos os dias, o ano letivo quase todo e não somente a “semana de receção ao caloiro”, obviamente acabavam por causar algum desgaste, mesmo se na maior parte das vezes tudo se resolvia com um telefonema ao segurança (e mesmo se entretanto mudei para um gabinete mais sossegado e resguardado). Mas se o barulho durante o trabalho se resolveu, a verdade é que a vida na universidade não se resume ao trabalho no gabinete. E era impossível, para qualquer membro da Universidade do Minho, circular pelos campus, fosse para ir à biblioteca, almoçar ou tratar de outro assunto qualquer, sem se deparar com aquele espetáculo indesejado de barulho e humilhação, voluntária ou não (isso é o que menos me interessa – não é por alguém querer participar neste evento que ele passa a ser tolerável). A decisão da equipa reitoral, por isso, é de aplaudir e só peca por tardia. Bem como a de retirar do protocolo da Universidade o “veterano” da praxe, onde até muito recentemente tinha assento! Resta agora aos praxantes acabar com a praxe... ou passar a fazê-la nas ruas de Braga (a praxe tem de ser feita em público: a humilhação, se não for pública, não conta para nada). Inclino-me mais para a segunda hipótese: a praxe e a “tradição académica” recebem um amplo apoio dos dois principais jornais da cidade, conforme se pode verificar nestas duas “primeiras páginas” do mês passado (curiosamente, ou talvez não, um destes jornais é conotado com a Igreja Católica e assumidamente de “inspiração cristã”). Conforme bem diz o comunicado do reitor, a praxe constitui um ataque à liberdade, à dignidade e à urbanidade. Vamos ver como a urbanidade de Braga reagirá a praxes nas ruas.

2011/10/17

No rescaldo da manifestação de ontem

Foto de José Carlos Pratas - "Diário de Notícias"
Em Lisboa, como podem ver, eram muitos os indignados. Tudo boa gente, se excetuarmos um grupo que andava lá pelo meio: facilmente identificável, ao centro da foto, através de um fulano com uma camiseta vermelha, claro, e uma mochila "QCD" também vermelha. Ao seu lado um jovem socialista, um conhecido republicano laicista e uma física de partículas. Tudo gente estranha.

2011/09/29

De volta a Majorana (sim, o dos neutrinos)

É hoje apresentado o livro "O Grande Inquisidor", de João Magueijo, sobre a vida (na verdade, mais sobre a morte) do físico italiano Ettore Majorana. Já aqui escrevi sobre Majorana; é bom que haja autores portugueses a debruçarem-se sobre este fascinante assunto. Mas é bom também não esquecer que o escritor siciliano Leonardo Sciascia sobre ele escreveu um romance ("Majorana morreu", cuja única edição em português é da brasileira Rocco e se encontra esgotado. Editoras portuguesas: vamos rever isto?

2011/09/09

Luke e os deolindos

Conheci o Luke no hostel onde fiquei em Praga. O Luke era mais um australiano que dedicava uns meses da sua vida a conhecer outros países, tal como tantos outros australianos que se podem encontrar em tantas pousadas no mundo. Talvez por viverem longe de quase todos os outros países, não existe povo mais obcecado em viajar e conhecer o mundo que o australiano. Também se encontram Europa fora grupos de portugueses e outros europeus, em inter-rails ou graças às companhias aéreas de baixo custo, mas sempre em grupos: nenhum como estes australianos, que viajam sozinhos durante meses, como era o caso do Luke. Uma diferença importante entre os portugueses e os australianos é que estes, tipicamente, trabalham para poderem pagar o seu período de viagem, enquanto os jovens portugueses geralmente esperam que sejam os pais a financiarem. É uma crítica, provavelmente justa, que se faz à “geração 12 de Março”, os “deolindos”: estão habituados a receber tudo de mão beijada, não sabendo dar o devido valor às coisas. Não lhes passaria pelas cabeças trabalhar para pagar as férias. Enquanto eu me entretinha nestas divagações, o Luke lá se entretinha ao longo dos dias a cozinhar esparguete e fazer cocktails. Eu estava a participar num congresso; à noite via-o sempre na sala comum, e comecei a ficar curioso sobre que vida era a dele. Um dia ele ofereceu-me uma mistura de rum com fanta, e foi nessa altura que lhe perguntei quanto tempo mais ia ficar em Praga. Ele disse que já tinha visto o que mais lhe interessava ver na Europa, e então tinha decidido ficar em Praga até à data do seu regresso, daí a duas semanas, pois lá tudo era mais barato incluindo a cerveja. Perguntei-lhe se não seria melhor alterar a data do bilhete de avião e antecipar o regresso. Ele respondeu-me que ainda tinha que ir a Valência, pois fazia questão de participar naquela coisa chamada “tomatina”. Em Portugal, organizam-se manifestações (em que eu participei) contra a precariedade e mesmo a dificuldade em obter um emprego. A maioria dos participantes nessas manifestações não queria mais do que o acesso a um emprego digno, que lhes dê estabilidade, permita construir família e mais tarde ter uma reforma – é esse o seu objetivo. O objetivo dos jovens australianos, a avaliar pelo Luke, não passa por estabilidade nem por reforma – é viajar e participar na mais estúpida de todas as festas (tão estúpida que até já existe uma versão bracarense). Acho que prefiro os nossos deolindos.

2011/09/08

Mais impressões da República Checa baseadas numa visita ao Museu do Comunismo

A rejeição de toda e qualquer ideia socialista de que falei é patente no Museu do Comunismo de Praga. Já visitei museus semelhantes em Berlim e Moscovo, e não saí de nenhum com a sensação de que saí do de Praga: de ter visitado um museu de pura propaganda. Em Berlim é relatada a história do muro: a divisão de uma cidade, a separação das famílias, os checkpoints, os guardas, os esquemas para fugir, os mortos. Em Moscovo é-nos apresentada uma história da revolução soviética. O golpe de Lenine é-nos mostrado em pormenor nos seus diferentes aspetos, não deixando de se evidenciar o seu caráter antidemocrático. Em ambos os casos são apresentados factos, cabendo ao visitante fazer o seu julgamento da História. No Museu do Comunismo de Praga tudo é bem diferente. Logo os cartazes de propaganda, em guias turísticos, não enganam na forma como apresentam o local (e que bem corresponde à realidade): situado ao lado de um casino e por cima de um McDonald’s. No museu fazem gala deste facto. Agradou-me ver certas descrições do quotidiano na Checoslováquia comunista e compreendo que os comunistas sejam “maus da fita”. Já compreendo menos que sejam os únicos maus da fita: não o foram, nem sequer na Checoslováquia. Mas naquele museu o comunismo é o mal absoluto, e toda e qualquer ideia com ele vagamente relacionada, como o socialismo, a social democracia e a esquerda em geral é automaticamente rotulada como “absurda”. Nem que para isso se tenha de distorcer um pouco a realidade, com legendas diferentes em línguas diferentes. Nem que se tenha de apresentar os crimes ecológicos cometidos pelos comunistas, esquecendo que tais crimes ecológicos não eram assim vistos nesse tempo, e que também eram cometidos pelos principais países industrializados e não somente pelos comunistas. A visão da História deste museu é parcialíssima e subjetiva, mas receio que seja mesmo a do povo checo. Vim mais tarde a saber que os donos deste museu são americanos. Poderiam tê-lo instalado em Berlim ou Moscovo. Escolheram Praga porque provavelmente não havia no mundo outra cidade onde este museu tivesse a mesma recetividade.

2011/09/06

Algumas impressões da República Checa

A República Checa é um país que lida muito mal com o seu passado recente. Não me pareceu que houvesse propriamente feridas abertas: não me parece um assunto polémico na sociedade. Há uma rejeição generalizada da ditadura comunista, como seria bom que houvesse, por exemplo, das ditaduras fascistas em Portugal ou Espanha; isso parece-me normal e positivo. O que não me parece normal (nem positivo) é a rejeição de toda e qualquer ideia socialista. Se se juntar a esta rejeição a desconfiança que os checos têm em relação aos estrangeiros (que se justifica por serem uma nação jovem que foi invadida e ocupada, primeiro por Hitler e depois pela URSS), torna-se dificilmente sustentável a sua presença em organizações internacionais baseadas na cooperação, como deveria ser a União Europeia. Mas a verdade é que são membros, após grande insistência da Alemanha. Não admira que os checos tenham o presidente que têm. A história recente da União Europeia é a história do triunfo de políticos como Vaclav Klaus. Recordam-se do que Klaus disse a Cavaco Silva, na sua visita à República Checa? Pois é.

2011/09/05

Adeus, ó chocolatinho!

Independentemente dos (muito questionáveis) méritos futebolísticos do Yannick Djaló, é com indisfarçável alívio que o vejo sair do Sporting. A partir de agora, durante as transmissões televisivas dos jogos, vão deixar de focar uma criatura que, a primeira vez que a vi, julguei que fosse o José Castelo Branco. Parece que essa rapariga é atriz, casada com Djaló e num reality-show qualquer referia-se a ele como “o seu chocolatinho”, e se não sabia dele às escuras pedia-lhe para abrir a boca. E parece que para os realizadores televisivos ela é mais importante que um clube centenário, considerando as vezes que era focada. Adeus, Yannick; vai lá para o Nice e leva contigo a Floribela e a Lyonce Victória (é assim que se escreve?).

2011/08/24

Algumas impressões sobre a situação do Sporting

Nenhuma falha na arbitragem justifica a inépcia atacante da equipa. E aqui não se pode isentar de responsabilidades o treinador. Perante uma equipa, custa-me dizê-lo, fraquíssima (o Beira Mar não sabia o que fazer com a bola quando a tinha no meio campo do Sporting: nenhum ataque deles me assustou), por que razão o Sporting não foi capaz de fazer uma jogada de jeito na primeira parte? Se há necessidade de substituir dois jogadores de uma vez, por opção tática, passada pouco mais de meia hora, aqui também há erro do treinador, que não terá sabido avaliar corretamente o estado dos jogadores antes do início do jogo. Domingos: o Djaló não serve; o Postiga não pode ser primeira opção; se o Wolfswinkel ainda não se adaptou e o Jeffren e o Bojinov não podem jogar, tens o Carrillo e sobretudo o Rubio. O Boloni foi campeão tendo lançado, aos 18 anos, o Quaresma, o Hugo Viana e mais tarde o Cristiano Ronaldo. A direção do Sporting tem de se manter firme no conflito com os árbitros, nem que isso implique que o Sporting não tenha árbitros de “primeira categoria” portugueses a apitar os seus jogos nos próximos tempos. Não é aceitável a forma como a classe dos árbitros reage aos protestos do Sporting, protestos que, para além de legítimos, não são mais graves que os de outros clubes. Em 1999 a história repetiu-se: só boicotam os jogos do Sporting. Tal facto, repetido, revela que, doze anos depois, a cultura antisportinguista ainda reina na arbitragem e no “sistema” do futebol português. Reitero: o Sporting deve insistir no facto de não precisar dos árbitros portugueses. Se não quiserem arbitrar os jogos do Sporting, que venham árbitros estrangeiros.

2011/08/13

Terezin

Encontro-me na República Checa, fui hoje visitar este antigo campo de concentração nazi e ainda não tenho palavras

2011/07/14

Nenhum engenheiro físico é engenheiro físico se não tiver aprendido a abrir garrafas de cerveja com o JDD

Parabéns e obrigado, JDD!
Conferência The Multidisciplinary Universe hoje e amanhã no IST; aula de jubilação amanhã. Programa aqui.

2011/07/01

105 anos

A esperança é renovada e grande.

2011/06/18

Um ano depois

O primeiro texto que eu li de José Saramago:
Carta para Josefa, minha avó

Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo – e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal. Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira – sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz. Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não faz parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha-vã e chão de barro. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrijada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos – e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Por que foi então que te roubaram o mundo? Mas disto talvez entenda eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesse escolher das minhas inumeráveis palavras as que tu pudesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti – e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas – e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”. É isto que eu não entendo – mas a culpa não é tua.

José Saramago, in “Deste Mundo e do Outro"

2011/06/10

Dia de Portugal, de Camões, das comunidades e de João Gilberto

Ele pode viver completamente isolado num quarto de hotel onde ninguém está autorizado a entrar, e o camareiro deixa-lhe sandes â porta, sem a abrir nem tocar. Ele pode telefonar de madrugada aos amigos porque "precisa falar" (história que me foi confirmada por um). Ele pode ensaiar acordes de guitarra tantas vezes, de uma forma tão obsessiva, que o gato se suicida, atirando-se da janela, para não mais ouvir o mesmo acorde. Ele pode ser meio louco, mas aqulea forma de cantar como se nos estivesse a segredar ao ouvido é única. É um génio. E faz hoje 80 anos.