2013/04/30

Paulo Vanzolini (1924-2013)

Ao ouvir o nome do compositor e cientista recém falecido, a primeira coisa que me ocorre é esta música (interpretada por Maria Bethânia), e que disputou com Sampa, que dá o título a este blogue, o título de símbolo da cidade de São Paulo. Não é nada pouco.

2013/03/27

A procura do vídeo


Acidentalmente esqueci-me de deixar o gravador de TDT programado, e eis que procuro o vídeo na página da SIC. Entro na página dos vídeos, que fica bloqueada enquanto passa uma publicidade a uma beberagem qualquer. Vejo que a página que diz “vídeos” está totalmente desatualizada, pelo que devo ir à que diz “programas”. Entro então na página dos programas, que fica bloqueada enquanto passa uma publicidade a uma beberagem qualquer. Tenho que escolher a página do programa que quero ver. Entro nessa página, que fica bloqueada enquanto passa uma publicidade a uma beberagem qualquer. Quando finalmente verifico os programas disponíveis em tal página, verifico que só estão até domingo, quando eu queria o de ontem, terça feira. (Se estivesse disponível, ou se eu visse o de domingo, a página voltaria a ficar bloqueada enquanto passaria uma publicidade a uma beberagem qualquer.)
Opto pela alternativa RTP. O vídeo do programa em questão, o Telejornal, já lá estava, no próprio dia. Diretamente, sem páginas bloqueadas nem publicidade.
A nossa RTP vale bem os impostos da burguesia.

2013/03/13

2013/03/06

Hugo Chavez (1954-2013)


Vale a pena recordar dados do Banco Mundial (no Ladrões de Bicicletas), e ler este artigo de Ignacio Ramonet e Jean-Luc Mélenchon (no esquerda.net), do qual transcrevo algumas passagens.

Um líder político deve ser valorizado por seus atos, não por rumores veiculados contra ele. Os candidatos fazem promessas para ser eleitos: poucos são aqueles que, uma vez no poder, cumprem tais promessas. Desde o início, a proposta eleitoral de Chávez foi muito clara: trabalhar em benefício dos pobres, ou seja – naquele momento – a maioria dos venezuelanos. E cumpriu sua palavra.

Por isso, este é o momento de recordar o que está verdadeiramente em jogo nesta eleição, agora que o povo venezuelano é convocado a votar. A Venezuela é um país muito rico, pelos fabulosos tesouros de seu subsolo, em particular o petróleo. Mas quase toda essa riqueza estava nas mãos da elite política e das empresas transnacionais. Até 1999, o povo só recebia migalhas. (...)

Na política externa, apostou na integração latino-americana e privilegiou os eixos sul-sul, ao mesmo tempo que impunha aos Estados Unidos uma relação baseada no respeito mútuo… (...)

Tal furacão de mudanças inverteu as estruturas tradicionais do poder e trouxe a refundação de uma sociedade que até então havia sido hierárquica, vertical e elitista. Isso só podia desencadear o ódio das classes dominantes, convencidas de serem donas legítimas do país. (...)

Alguém viu um “regime ditatorial” estender os limites da democracia em vez de restringi-los? E conceder o direito de voto a milhões de pessoas até então excluídas? (...) Chávez demonstrou que é possível construir o socialismo em liberdade e democracia. E ainda converte esse caráter democrático numa condição para o processo de transformação social. (...)

O mais escandaloso, na atual campanha difamatória, é a pretensão de que a liberdade de expressão esteja restrita na Venezuela. A verdade é que o setor privado, contrário a Chávez, controla amplamente os meios de comunicação. (...) De 111 canais de televisão, 61 são privados, 37 comunitários e 13 públicos. Com a particularidade de que a parte da audiência dos canais públicos não passa de 5,4%, enquanto a dos canais privados supera 61%… O mesmo cenário repete-se nos meios radiofónicos. E 80% da imprensa escrita está nas mãos da oposição, sendo que os jornais diários mais influentes – El Universal e El Nacional – são abertamente contrários ao governo.

Nada é perfeito, naturalmente, na Venezuela bolivariana – e onde existe um regime perfeito? Mas nada justifica essas campanhas de mentiras e ódio. A nova Venezuela é a ponta da lança da onda democrática que, na América Latina, varreu os regimes oligárquicos de nove países, logo depois da queda do Muro de Berlim, quando alguns previram o “fim da história” e o “choque de civilizações” como únicos horizontes para a humanidade.

2013/03/01

o Avesso do Avesso - sete anos num computador perto de si

De acordo com o sitemeter, 206163 visitas, 262199 carregamentos de página. De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 203028 visitas, 61% das quais de Portugal, 21% do Brasil, 3,1% dos EUA, 3,1% de França (diferença de seis visitas...), 2,9% do Reino Unido, 1,7% da Suíça, 1,3% da Alemanha, 1,1% da Espanha, 0,6% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,5% de outros países. 15,5% à segunda, 15,9% à terça, 16,0% à quarta, 15,7% à quinta, 14,4% à sexta, 11% ao sábado e 11,5% ao domingo. As postagens têm sido bem mais escassas - também o têm sido no Esquerda Republicana e no A nossa fé. Afazeres profissionais e a concorrência do Facebook para os textos "pequenos" e pessoais justificam esta diminuição. Ainda assim, o Avesso do Avesso mantém-se como o meu blogue pessoal. Muito obrigado a quem por aqui vai passando.

2012/12/01

Parece que é dia do Banco Alimentar ou lá como aquela coisa se chama.


2012/11/03

Manchete do Público de hoje: "número de divórcios diminui". Manchete do I: "aumenta o número de assassinatos conjugais". Sou só eu que vejo aqui uma lei de conservação?

2012/10/16

Coisas que só sucedem no norte

Na caixa, a empregada do supermercado chama-me a atenção: "Olhe que isto são coentros! De certeza que quer coentros?" Face à minha confirmação, ela justificou-se: "a maioria das pessoas quer é salsa, e leva os coentros por engano".

2012/10/01

Está certo que nem toda a gente leu o livro e viu o filme, como eu fiz (e estou agora a deliciar-me com a excelente adaptação televisiva). Mas, ao ver numa banca de jornais a manchete da capa de uma dessas revistas de TV, "Gabriela trai Nacib com Tonico", ocorrem-me manchetes do tipo "O Primo Basílio: Juliana chantageia Luísa", "Os Maias: Carlos e Maria Eduarda são irmãos!", "Romeu e Julieta: protagonistas suicidam-se!" E por aí adiante.

2012/09/10

Eu nasci assim

Na televisão o "Dancin'Days", "O Astro" e, a partir de hoje, a "Gabriela". No governo, o FMI. Para regressarmos à minha mais tenra infância só faltam o general Eanes na presidência e o Sporting campeão.

2012/09/08

Mamãe, eu fui a Cuba e vi a vida lá


Um mês depois do regresso, e depois de já me ter passado a vontade de exterminar em massa taxistas e vendedores de charutos, creio que finalmente posso escrever sobre o país de Fidel Castro.
 Não pude escrever enquanto lá estive porque a internet custa seis dólares (mais corretamente seis CUCs – pesos convertíveis) à hora (e a ligação tem que ser feita através dos computadores deles – no meu caso, do hotel; internet sem fios é mais cara ainda).
 Se eu quisesse resumir Cuba numa palavra, essa seria “pobreza”. Mais do que quem nunca esteve num país do terceiro mundo pode imaginar. É preciso ir lá, e misturar-se com os cubanos – não ficar confinado num resort no Varadero – para uma pessoa ter o mínimo de noção do que se passa. Cuba é um país do terceiro mundo, e para quem como eu nunca tinha estado num país do terceiro mundo tal constitui um choque.
A maior falácia das descrições das viagens a Cuba da parte dos seus maiores críticos é que parecem esperar que Cuba não fosse um país do terceiro mundo, quando sempre o foi e sempre esteve rodeada de países que o foram. Quando comparada com esses países, em índices de desenvolvimento económico e humano, Cuba não se sai nada mal. A assistência médica e a boa educação não são um mito. Eu vi as escolas, as universidades, as urgências médicas em Havana abertas 24 horas por dia.
A diferença de Cuba para esses países outros países do terceiro mundo, ou emergentes, reside na ausência de uma classe média, que se traduz na total ausência de cubanos em atividades turísticas. No México ou no Brasil, para dar dois exemplos, existe uma classe média-alta que tem possibilidades de acompanhar os turistas em certos roteiros simples (nem que seja ir a uma discoteca). Mas no México 90 ou 95% da população não tem recursos para fazer os mesmos programas dos turistas (e no Brasil, antes do Lula, a mesma percentagem da população não teria, e ainda hoje uma grande percentagem não tem). A diferença é que, em Cuba, essa percentagem ronda os 100%. Cuba é portanto uma sociedade mais igualitária, e isso parece-me preferível. Matematicamente entre os 100% de Cuba e os 90 ou 95% de outros países do terceiro mundo não há grande diferença. Mas essa pequena diferença traduz-se numa grande diferença para o visitante, que em certas alturas em Cuba se vê totalmente rodeado de turistas, enquanto noutros países, mesmo do terceiro mundo, notaria uma presença mínima de nativos. Tal diferença ajudou a criar o mito, largamente difundido pela propaganda, de que em Cuba certos locais seriam proibidos aos cubanos e reservados aos turistas. Nada mais falso. Nenhum local é vedado à partida aos cubanos; se na prática é vedado, é porque eles não têm recursos para os frequentar (embora os museus e monumentos, por exemplo, sejam bem mais baratos para os cubanos que para os estrangeiros). Mas não é – eu pelo menos não vi nada que fosse – proibido.
A maior falácia das descrições de Cuba por parte dos seus apoiantes reside numa quase santificação do povo cubano. Como em tudo não se devem fazer generalizações apressadas. É verdade que não há roubos, mas há burlas. Há uma mendicidade disfarçada. Não vou dizer sequer que a metade das pessoas pede, mas a quantidade de pessoas nesta situação é maior que em qualquer outro país que eu conheça. Começam por nos perguntar as horas, e de seguida pedem-nos se lhes arranjamos um peso. Pedem ajuda, mas pedem sobretudo que façamos negócio com eles. E nesta forma são extremamente agressivos: entendem mesmo que temos que lhes comprar os charutos, ir dormir ao quarto da casa particular (legalizada) deles, apanhar o táxi deles. Chamam-nos, abordam-nos sem pedirem licença e não desistem enquanto estivermos à vista deles, mesmo que não lhes respondamos. Os taxistas, então, só nos largam se formos mal educados. Ao chegar a uma cidade das que visitei, tive literalmente de atropelar alguns com a minha mala de viagem para poder passar. Os cubanos entendem (bem) que os estrangeiros que os visitam têm mais dinheiro que eles. Uma boa parte dos cubanos, porém, faz tudo para lhes poder extorquir dinheiro. Também vi – a sério que vi – exemplos de dignidade e de solidariedade. Mas a dignidade e a simpatia generalizadas dos cubanos são um mito.
Finalmente: como já referi, procurei circular no meio do povo cubano, não me restringindo a locais para turistas. E posso garantir o seguinte. Numa ditadura, é de esperar que o povo viva assustado e com medo e Cuba, sendo uma ditadura (que o é – não o nego), não deveria ser uma exceção. Mas é. Em nenhum momento nenhum cubano me pareceu assustado ou com medo – digo-o com franqueza. A liberdade é um direito fundamental, mas não é o mais importante. Quando não sabemos como vamos sobreviver amanhã, nem nos preocupamos se somos livres ou não. E é assim que eu classifico o povo cubano – um povo tão pobre que nem se preocupa se é livre ou não. Um povo que não se pode preocupar com a sua liberdade, pois primeiro tem que se preocupar com a sua subsistência. E que não culpa o seu governo por isso, mas sim o embargo a que é sujeito. Conforme o afirmam vários autores (entre os quais diversos opositores ao regime) e eu concluo da minha experiência, aquele estúpido embargo é a maior garantia da longevidade do regime cubano.

2012/08/07

Caetano septuagenário

Não poderíamos deixar passar os 70 anos de quem dá o título a este blogue. Parabéns, ó Caetano!

2012/07/05

E, como não podia deixar de ser, descobriram o Higgs

Acabou o tesão de Higgs (expressão da autoria do Rui Tavares, que ainda há quinze dias escrevia que o Higgs nunca mais se encontrava). Toda a tesão tem um fim.

Na abertura dos telejornais só perdas de tempo com notícias triviais: autarcas que perdem mandatos, primeiros ministros vaiados em Braga... Da descoberta do Higgs, que vai colocar este dia na história, nada. Salvou-se a TVI, que sabe escolher as notícias importantes: anunciou um novo jogador para o Sporting.

2012/06/27

"A place called Alcochete"...

In 2002, Bento was a holding midfielder in the Sporting team that won the double under Laszlo Boloni. It was also the year the club opened the Academia Sporting for developing young players. It is a state-of-the-art facility with seven pitches and an on-site hotel for the players.

Sporting try to get players young, whether from the slums of Lisbon or by casting their scouting net wide, as they did in finding Cristiano Ronaldo on Madeira and Simao Sabrosa in the north of the country.

When found early enough, players are able to adapt to Sporting’s extraordinarily high technical standards. Off the pitch a team of tutors and child psychologists work on their educational development. The attention to detail is incredible: Ronaldo’s bone density was measured to see how tall he would get, and his training schedule was adjusted so as not to put too much strain on him during growth spurts.

When Bento retired from playing in 2004, he took over the youth team. He had played alongside graduates like Ricardo Quaresma, Custodio, Beto, Hugo Viana and Ronaldo and imbibed the Sporting way. He selected all five of those former team-mates in his squad for this tournament.

It was working with the next generation that Bento made his name as a coach. He won the youth title in 2005 and was promoted to first-team duties the following season. It was thought to be a short-term appointment but so successful was he that by the time he resigned in 2009 he was the second-longest serving coach in the club’s history.

The team was built around the players he had nurtured in the youth team. Rui Patricio was promoted as goalkeeper, Joao Moutinho came in as playmaker, Miguel Veloso as holding midfielder, and Nani was brought through to replace Ronaldo on the wing. With this group Bento oversaw four consecutive second-place finishes, two Portuguese Cup victories and Sporting’s first progress beyond the group stages of the Champions League.

Those Sporting players make up the core of the Portugal squad.

2012/05/23

"Sem piveda"


Vila Nova de Famalicão, 19-05-2012

2012/05/14