2011/05/23
2011/05/10
Preço campeão
O bom e velho Intermarché vende o muito agradável Conventual tinto ao belíssimo preço de 1,98€, com oferta do preço de uma garrafa (em cartão) a quem comprar duas. Fica a 0,99€ a garrafa (ver aqui - acaba hoje).
O inimitável Continente, num folheto cheio de parangonas, vende o mesmo vinho como uma "promoção" a 2,98€ a garrafa.
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Comércio,
Continente
2011/04/29
2011/04/25
Otelo e Abril
Dada a sua qualidade de responsável operacional pelo Movimento dos Capitães (mesmo se foi Salgueiro Maia a arriscar muito mais a sua própria vida) e, necessariamente, um dos grandes responsáveis pela queda do fascismo, é natural que a figura de Otelo Saraiva de Carvalho nunca tenha sido querida pela extrema direita e por todos aqueles que, de alguma forma, gostavam do anterior regime. Posteriormente, já em democracia, Otelo tornou-se um dos responsáveis pelas "Forças Populares 25 de Abril", responsável por diversos atentados terroristas. A partir daí, Otelo tornou-se uma figura antipática ao centro e à direita democrática. Mesmo se não simpatizasse com a sua irresponsabilidade e inconsequência, apesar de tudo havia à esquerda, pelo menos, uma certa condescendência perante a figura do "capitão de Abril", quanto mais não fosse... por ter feito o 25 de Abril. Mas dadas as suas recentes declarações sobre a Revolução dos Cravos, que hoje mais uma vez se comemora, Otelo parece apostado em ficar na história como uma unanimidade nacional.
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Esquerda Republicana,
Portugal
2011/04/12
2011/04/11
Perigo para Portugal
Com Queirós como selecionador do Irão, a curto prazo corremos o risco de o Ahmadinejad nos querer retirar do mapa.
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Futebol
2011/03/28
A última bettencorada
As eleições de sábado passado não acrescentaram nada de positivo ao Sporting. Se o clube já estava em crise, agora, mais dividido que nunca, melhor é que não ficou. Um presidente enfraquecido, de legitimidade questionada, era o que o Sporting menos precisava agora. Mas foi o que as urnas ditaram, e era um resultado previsível pelas sondagens. A trapalhada que constituiu a contagem de votos é que não era previsível. Um presidente de mesa da AG que teve o seu grande momento de glória com todas as televisões a transmitirem-no em direto, e que não nos deixou sem nos comunicar “que grande honra era para ele estar ali”. Estava mais preocupado consigo mesmo do que em fazer um bom trabalho: já nem falo dos resultados que foram “soprados” para a comunicação social antes da contagem ser encerrada (disso se calhar nem tem culpa, e as pessoas é que não deveriam levar a sério informação não oficial). Falo do inexplicável conceito de “afinar a contagem”, mas que afinal não era uma recontagem. Bem, a tal contagem afinada continua sem esclarecer, afinal, quantos sócios votaram, e por que há um número total diferente de sócios a votarem para os diferentes órgãos sociais. Conforme o órgão social à escolha, tanto podem ter votado 14619 sócios como 14535, 14588 ou 14589 – é só consultar esta página e fazer as contas. Esta é a “contagem afinada” do senhor presidente da AG. Este é mais um exemplo da competência das pessoas a quem o Sporting tem estado entregue. Pessoas escolhidas por José Eduardo Bettencourt, com certeza. Foi este tipo de pessoas que estiveram à frente do Sporting nos últimos dois anos. Esperemos que esta tenha sido a última “bettencorada” no clube. Mas receio bem que não.
A discrepância destes números, se não for esclarecida, parece-me uma boa base para se impugnarem as eleições, mas não parece dizer muito ao candidato oficialmente derrotado, Bruno de Carvalho. Em entrevista à SIC e ao jornal I, Bruno parece estar sobretudo interessado numa segunda volta com Godinho Lopes. Algo que até faria sentido e que os estatutos até deveriam prever quando o vencedor tivesse menos de 50% dos votos, uma situação até agora inédita. Mas… não prevêem. Assim não vai longe. Carvalho também se revela preocupado com a “tal” vantagem de 600 votos, que nunca foi anunciada oficialmente e sumiu, e acha “muito misterioso” a sua lista ter ganho a Assembleia Geral e perdido os outros órgãos sociais. Como se as eleições não fossem independentes e Eduardo Barroso um sportinguista conhecido e popular. Bruno de Carvalho mostra que não só não percebe nada do que se passou como ainda continua a falar e a proceder como um membro do "Directivo XXI". Confirmei-o mais uma vez: respeitá-la-ei se um dia se confirmar, mas não é esta a mudança que eu quero para o meu clube. Mas também não me agrada um presidente que parece uma múmia paralítica e, dadas as circunstâncias, cuja capacidade de mobilização dos sócios é nula. O futuro do Sporting não me parece nada risonho.
A discrepância destes números, se não for esclarecida, parece-me uma boa base para se impugnarem as eleições, mas não parece dizer muito ao candidato oficialmente derrotado, Bruno de Carvalho. Em entrevista à SIC e ao jornal I, Bruno parece estar sobretudo interessado numa segunda volta com Godinho Lopes. Algo que até faria sentido e que os estatutos até deveriam prever quando o vencedor tivesse menos de 50% dos votos, uma situação até agora inédita. Mas… não prevêem. Assim não vai longe. Carvalho também se revela preocupado com a “tal” vantagem de 600 votos, que nunca foi anunciada oficialmente e sumiu, e acha “muito misterioso” a sua lista ter ganho a Assembleia Geral e perdido os outros órgãos sociais. Como se as eleições não fossem independentes e Eduardo Barroso um sportinguista conhecido e popular. Bruno de Carvalho mostra que não só não percebe nada do que se passou como ainda continua a falar e a proceder como um membro do "Directivo XXI". Confirmei-o mais uma vez: respeitá-la-ei se um dia se confirmar, mas não é esta a mudança que eu quero para o meu clube. Mas também não me agrada um presidente que parece uma múmia paralítica e, dadas as circunstâncias, cuja capacidade de mobilização dos sócios é nula. O futuro do Sporting não me parece nada risonho.
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Sporting
2011/03/26
Os "cinco violinos" das eleições no Sporting
Bruno de Carvalho poderá perdê-las... por causa de Eduardo Barroso.
Godinho Lopes poderá perdê-las... por causa de Carlos Barbosa.
Dias Ferreira poderia perdê-las... por causa de Futre. Não por Futre não ser sportinguista (que é - não tenho dúvida: é simplesmente um palhaço que nem sabe falar português). Mas perde-as também (de certeza que vai perdê-las) por sua própria causa: mais do que qualquer outro, é a continuidade de Bettencourt no que isso é mais importante, como este vídeo demonstra. Acima de tudo, como escrevi aqui, os sportinguistas não querem mais presidentes que os envergonhem.
Não creio que Pedro Baltazar e Sérgio Abrantes Mendes verdadeiramente contem. E dos outros dois? Não gosto de nenhum.
Entre estar refém da banca e de russos que ninguém conhece (alguns com negócios duvidosos), venha o diabo e escolha. Mas a banca, ao menos, sabemos para que vem. Os russos parecem um "almoço grátis". E não há almoços grátis. Como Dias Ferreira afirmou e Bruno de Carvalho não desmentiu, só vêm para o Sporting, pelo tal fundo, os jogadores que os russos quiserem.
Entre Manuel Fernandes e Augusto Inácio, escolho Augusto Inácio. Por muito simbólico que o grande capitão seja, o clube deve muito mais a Inácio, como jogador e como treinador. Enquanto representou o FC Porto, enquanto era treinador do FC Porto, Inácio nunca deixou de ser sócio do Sporting (usava um isqueiro do Sporting). Pode pôr-se em causa a sua adequação para o lugar (na entrevista que eu li, Inácio falava... como treinador, da tática que queria que a equipa tivesse). Mas é imoral pôr-se em causa o seu sportinguismo. O grande problema do Sporting há muitos anos - João Moutinho é só a mais recente expressão - é por que é que o Sporting trata tão mal os seus símbolos ou, pelo menos, não é capaz de os manter.
A eleição não é para treinadores nem para jogadores, mas claramente não posso apoiar a escolha de Marco van Basten: na sua curta carreira de treinador (apesar de ter 46 anos) ocupou lugares de responsabilidade e falhou sempre. Domingos Paciência parece-me uma boa opção.
Mas os grandes trunfos de Godinho Lopes são Luís Duque e Carlos Freitas, duas pessoas competentes. Luís Duque só esteve um ano no Sporting,... e fez as contratações essenciais para o título de 2000, com Carlos Freitas. Carlos Freitas contratou muito, quase sempre barato e a maior parte das vezes bem: acertou muito mais do que errou - veja-se Liedson -, e onde quer que tenha estado teve sucesso. Godinho Lopes não me diz nada: a falar, é uma marioneta nas mãos de Cunha Vaz. (Já Bruno de Carvalho é um punk mal educado do "Directivo XXI".) O meu apoio, contrafeito, vai para Godinho Lopes.
Godinho Lopes poderá perdê-las... por causa de Carlos Barbosa.
Dias Ferreira poderia perdê-las... por causa de Futre. Não por Futre não ser sportinguista (que é - não tenho dúvida: é simplesmente um palhaço que nem sabe falar português). Mas perde-as também (de certeza que vai perdê-las) por sua própria causa: mais do que qualquer outro, é a continuidade de Bettencourt no que isso é mais importante, como este vídeo demonstra. Acima de tudo, como escrevi aqui, os sportinguistas não querem mais presidentes que os envergonhem.
Não creio que Pedro Baltazar e Sérgio Abrantes Mendes verdadeiramente contem. E dos outros dois? Não gosto de nenhum.
Entre estar refém da banca e de russos que ninguém conhece (alguns com negócios duvidosos), venha o diabo e escolha. Mas a banca, ao menos, sabemos para que vem. Os russos parecem um "almoço grátis". E não há almoços grátis. Como Dias Ferreira afirmou e Bruno de Carvalho não desmentiu, só vêm para o Sporting, pelo tal fundo, os jogadores que os russos quiserem.
Entre Manuel Fernandes e Augusto Inácio, escolho Augusto Inácio. Por muito simbólico que o grande capitão seja, o clube deve muito mais a Inácio, como jogador e como treinador. Enquanto representou o FC Porto, enquanto era treinador do FC Porto, Inácio nunca deixou de ser sócio do Sporting (usava um isqueiro do Sporting). Pode pôr-se em causa a sua adequação para o lugar (na entrevista que eu li, Inácio falava... como treinador, da tática que queria que a equipa tivesse). Mas é imoral pôr-se em causa o seu sportinguismo. O grande problema do Sporting há muitos anos - João Moutinho é só a mais recente expressão - é por que é que o Sporting trata tão mal os seus símbolos ou, pelo menos, não é capaz de os manter.
A eleição não é para treinadores nem para jogadores, mas claramente não posso apoiar a escolha de Marco van Basten: na sua curta carreira de treinador (apesar de ter 46 anos) ocupou lugares de responsabilidade e falhou sempre. Domingos Paciência parece-me uma boa opção.
Mas os grandes trunfos de Godinho Lopes são Luís Duque e Carlos Freitas, duas pessoas competentes. Luís Duque só esteve um ano no Sporting,... e fez as contratações essenciais para o título de 2000, com Carlos Freitas. Carlos Freitas contratou muito, quase sempre barato e a maior parte das vezes bem: acertou muito mais do que errou - veja-se Liedson -, e onde quer que tenha estado teve sucesso. Godinho Lopes não me diz nada: a falar, é uma marioneta nas mãos de Cunha Vaz. (Já Bruno de Carvalho é um punk mal educado do "Directivo XXI".) O meu apoio, contrafeito, vai para Godinho Lopes.
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Sporting
2011/03/24
Mas agora que o país todo estava (bem) ocupado com a crise no Sporting...
...tinha que vir este fait-divers da crise política?
2011/03/06
2011/03/01
o Avesso do Avesso - cinco anos num computador perto de si
De acordo com o sitemeter, 180335 visitas, 226469 carregamentos de página.
De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 178786 visitas, 62% das quais de Portugal, 19,6% do Brasil, 3,3% de França, 3% do Reino Unido, 2,9% dos EUA, 1,9% da Suíça, 1,4% da Alemanha, 1,1% da Espanha, 0,7% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,5% de outros países. 15,5% à segunda, 15,9% à terça, 16,0% à quarta, 15,7% à quinta, 14,5% à sexta, 10,9% ao sábado e 11,4% ao domingo.
Mesmo se as postagens são mais escassas, desde que escrevo no Esquerda Republicana, o Avesso do Avesso continua como o meu blogue pessoal. Muito obrigado a quem por aqui vai passando.
De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 178786 visitas, 62% das quais de Portugal, 19,6% do Brasil, 3,3% de França, 3% do Reino Unido, 2,9% dos EUA, 1,9% da Suíça, 1,4% da Alemanha, 1,1% da Espanha, 0,7% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,5% de outros países. 15,5% à segunda, 15,9% à terça, 16,0% à quarta, 15,7% à quinta, 14,5% à sexta, 10,9% ao sábado e 11,4% ao domingo.
Mesmo se as postagens são mais escassas, desde que escrevo no Esquerda Republicana, o Avesso do Avesso continua como o meu blogue pessoal. Muito obrigado a quem por aqui vai passando.
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Pessoal
2011/02/28
Alguns comentários sobre o Sporting
A grande tragédia do clube consiste em o Paulo Sérgio estar perfeitamente à altura dos jogadores que dirigia. Entretanto receio que esta equipa não volte a ganhar nenhum jogo até ao fim da época.
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Sporting
2011/02/06
Alguns comentários sobre as eleições presidenciais
Podem os derrotados (é o meu caso) das presidenciais queixar-se do desinteresse do povo que se absteve em vez de ter contribuído para derrotar Cavaco Silva. Quem disser tal coisa (há muita gente que ainda pensa assim) não vê que, ainda mais do que há cinco anos, Cavaco foi reeleito por não ter um adversário à altura. Se há cinco anos havia um ex-presidente (o melhor deles) a querer regressar ao lugar (uma ideia que o povo legitimamente rejeitou) e dois bons líderes de partidos médios, este ano os cinco candidatos da oposição eram, a meu ver, maus. Assim se justificam os recordes da abstenção e do número de votos em branco.
Fernando Nobre e José Manuel Coelho (mais o segundo que o primeiro) representam votos de protesto. Não creio que o primeiro reunisse condições para ser um bom presidente da república, e não acredito que alguém quisesse o segundo nessa função.
Defensor de Moura marcou o início da campanha, com a denúncia da parcialidade de Cavaco Silva, e um ataque eficaz no caso do BPN. Mais para o fim, no entanto, assumiu-se como "candidato regional", do norte. Um presidente da república tem todo o direito a ser regionalista, mas não regional. Louvo-lhe a iniciativa, creio que desempenhou um papel importante nestas eleições, mas acabou por não contar com o meu voto, mesmo tendo ponderado votar nele por algum tempo. Pareceu-me que Defensor se candidatava em nome de uma "ala direita" do PS, que rejeitava coligações com o Bloco de Esquerda. Reconheço o direito dessa tendência a ter um candidato, mas não era ela que eu queria reforçar com o meu voto.
Creio que faz falta mais esquerda, e a candidatura mais à esquerda era sem dúvida a apoiada pelo PCP. Só que aí põe-se o problema oposto. Eu poderia perfeitamente ter votado num militante do PCP respeitável e que tivesse desempenhado um papel meritório no resto da sociedade e não só dentro do partido. Casos de Carlos Carvalhas, Octávio Teixeira, Carvalho da Silva ou mesmo Odete Santos (era um sonho meu ver a Odete Santos numa eleição presidencial). Não dei o meu voto a alguém que pode ter um passado muito respeitável (e acabou por fazer uma boa campanha contra Cavaco), mas não passa de um funcionário de partido. Não é este o perfil que eu considero indicado para um presidente da república.
Restou Manuel Alegre, em quem votei por exclusão de partes. Conforme era de prever, face à sua desastrosa derrota, a direita tratou logo de afirmar que uma aliança PS-Bloco de Esquerda era rejeitada pelo povo. Sendo esta a solução de governo que eu desejo para Portugal, achei importante contrariar esta interpretação. Mesmo se estas não eram eleições legislativas. E mesmo que para tal tenha acabado por votar num candidato que, sabia, estava longe de ser o ideal.
Por que é que Alegre não era o candidato ideal? Porque a um candidato a presidente exige-se independência e autonomia, mas também um rumo certo, próprio. E foi isso que Alegre não demonstrou, fazendo uma campanha ziguezagueante face às contradições dos partidos que o apoiavam, ora procurando o apoio de um, ora o de outro. Tal tornou-se particularmente evidente no caso dos sindicalistas detidos de que aqui falei. Confrontado com a notícia, e ainda sem saber do que se tinha passado, a primeira reação de Alegre foi dizer que era "evidentemente" contra. (E se os sindicalistas tivessem mesmo agredido o polícia? Poderia dizer que era contra, fazendo as devidas ressalvas, cono eu fiz, dizendo que não sabia o que se passara.) Mais tarde, pareceu querer mesmo criticar a manifestação, ao questionar a sua razão dada a ausência do primeiro ministro. Alegre nunca se conseguiu libertar do espartilho que era ter o apoio de dois partidos que são adversários em tanta coisa. Nunca foi um homem livre. Nunca teve um rumo próprio e consequente. Estas são qualidades que se apreciam num presidente da república.
E agora? Estamos na mesma como estávamos. Pior, talvez: nas próximas eleições legislativas, sejam elas quando forem, a direita aparenta ser favorita, embora um governo de direita não seja inevitável. Até lá, a crise. Daqui a cinco anos a esquerda tem que apresentar candidatos mais fortes.
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Esquerda Republicana,
Política
2011/01/31
2011/01/27
O orgulho ferido de ser do Sporting
Texto escrito para o Delito de Opinião, por simpático convite do Pedro Correia
O Sporting atravessa uma crise pior, mais profunda, que a das décadas de 80/90. Nessa altura nunca perdi a esperança no clube e nunca temi uma “belenensização”. Acredito que o Sporting é grande o suficiente para ultrapassar esta crise; porém, nunca temi tanto pelo futuro do clube como hoje.
Por que temo? Qual é a razão que leva alguém a ser sportinguista? Não há uma resposta simples, mas basta um pouco de sociologia de almanaque (corroborada por inquéritos e estatísticas) para caracterizar os sportinguistas. No meu caso, basta dizer que, tendo estudado em Lisboa, no ensino primário e básico os benfiquistas estavam em larga maioria na turma, no secundário eram ela por ela com os sportinguistas e no ensino superior os sportinguistas eram uma larga maioria: no meu curso os benfiquistas contavam-se pelos dedos de um pé. Os sportinguistas vencem na vida; por que razão não vence o clube?
Justamente por os sportinguistas estarem muito mais preocupados com as suas vidas do que com o seu clube, ao contrário dos benfiquistas, para quem o clube é tudo. É a chamada “falta de militância”, tão bem diagnosticada pelo anterior presidente.
É este desapego pelo clube que distingue e diria mesmo que dá graça aos sportinguistas. Agora, pode um clube não ser popular e mesmo assim ser grande? A história do Sporting diz que sim. Mas para tal tem que ter bons dirigentes e ser bem dirigido. São duas coisas diferentes.
Por “bem dirigido” entende-se um clube financeiramente viável, que saiba criar talentos e fazer bons negócios, sem vender ou comprar de qualquer maneira. Que tenha objetivos desportivos ambiciosos e realistas. Não é o que se tem visto no Sporting, pelo menos no mandato da direção cessante, com dinheiro gasto ao desbarato na contratação de jogadores, treinadores e sobretudo dirigentes sem qualidade, que contratam os seus amigos à beira da reforma.
Por “bons dirigentes” entende-se dirigentes que entendam a cultura e as peculiaridades do Sporting. Por muito que o Sporting não ganhe tantos títulos como os outros, a postura de vencedores na vida que até ganham de vez em quando é o que mais irrita os nossos adversários (particularmente os benfiquistas). Desde que ganhem – os benfiquistas detestam que o Sporting ganhe; os sportinguistas adoram que o Benfica perca. O que mais irrita os benfiquistas é que no fundo eles admiram os sportinguistas e adorariam ser como eles.
Os dirigentes do Sporting têm que perceber esta realidade e estar à altura dela. Não é o que se tem visto, com declarações inenarráveis – muito piores do que meras gafes – do presidente agora demissionário. Deste que esta direção ainda em funções tomou posse, deu exemplos de péssima gestão – afinal as credenciais do presidente eram as de ter gerido um grande banco, e a presente crise nacional e internacional demonstra que gerir um banco não é sinónimo de ser bom gestor. Mas criou situações inacreditáveis – a lista é infelizmente muito longa: um presidente que manda calar e tenta agredir adeptos que o contestam; um vice-presidente que julga que os adeptos que contestam não deveriam ter lugar no clube; um relações-públicas antigo chefe de claque que instiga a desacatos; um chefe do departamento de futebol autoritário que entra em conflito com os melhores jogadores; a proibição do uso de calças de ganga; mas sobretudo o presidente que acha que ser casado com alguém benfiquista é “uma infelicidade” e que os pais é que escolhem o clube dos filhos.
Todos estes episódios – particularmente aqueles que envolveram o presidente – causaram-me um sentimento que nunca antes sentira: vergonha do meu clube. Voltando ao princípio: nunca – nem durante o longo jejum de títulos de 18 anos – eu temera o fim do Sporting enquanto clube grande, a “belenensização”: se havia algo que caracterizava os sportinguistas, apesar da falta de militância (e da falta de vitórias) era esse orgulho de ser de um clube único. Nos tempos mais recentes, e devido a esta desastrosa direção, ser do Sporting não tem sido motivo de orgulho. O meu desejo para 2011 é que ser do Sporting volte a ser motivo de orgulho o mais depressa possível.
O Sporting atravessa uma crise pior, mais profunda, que a das décadas de 80/90. Nessa altura nunca perdi a esperança no clube e nunca temi uma “belenensização”. Acredito que o Sporting é grande o suficiente para ultrapassar esta crise; porém, nunca temi tanto pelo futuro do clube como hoje.
Por que temo? Qual é a razão que leva alguém a ser sportinguista? Não há uma resposta simples, mas basta um pouco de sociologia de almanaque (corroborada por inquéritos e estatísticas) para caracterizar os sportinguistas. No meu caso, basta dizer que, tendo estudado em Lisboa, no ensino primário e básico os benfiquistas estavam em larga maioria na turma, no secundário eram ela por ela com os sportinguistas e no ensino superior os sportinguistas eram uma larga maioria: no meu curso os benfiquistas contavam-se pelos dedos de um pé. Os sportinguistas vencem na vida; por que razão não vence o clube?
Justamente por os sportinguistas estarem muito mais preocupados com as suas vidas do que com o seu clube, ao contrário dos benfiquistas, para quem o clube é tudo. É a chamada “falta de militância”, tão bem diagnosticada pelo anterior presidente.
É este desapego pelo clube que distingue e diria mesmo que dá graça aos sportinguistas. Agora, pode um clube não ser popular e mesmo assim ser grande? A história do Sporting diz que sim. Mas para tal tem que ter bons dirigentes e ser bem dirigido. São duas coisas diferentes.
Por “bem dirigido” entende-se um clube financeiramente viável, que saiba criar talentos e fazer bons negócios, sem vender ou comprar de qualquer maneira. Que tenha objetivos desportivos ambiciosos e realistas. Não é o que se tem visto no Sporting, pelo menos no mandato da direção cessante, com dinheiro gasto ao desbarato na contratação de jogadores, treinadores e sobretudo dirigentes sem qualidade, que contratam os seus amigos à beira da reforma.
Por “bons dirigentes” entende-se dirigentes que entendam a cultura e as peculiaridades do Sporting. Por muito que o Sporting não ganhe tantos títulos como os outros, a postura de vencedores na vida que até ganham de vez em quando é o que mais irrita os nossos adversários (particularmente os benfiquistas). Desde que ganhem – os benfiquistas detestam que o Sporting ganhe; os sportinguistas adoram que o Benfica perca. O que mais irrita os benfiquistas é que no fundo eles admiram os sportinguistas e adorariam ser como eles.
Os dirigentes do Sporting têm que perceber esta realidade e estar à altura dela. Não é o que se tem visto, com declarações inenarráveis – muito piores do que meras gafes – do presidente agora demissionário. Deste que esta direção ainda em funções tomou posse, deu exemplos de péssima gestão – afinal as credenciais do presidente eram as de ter gerido um grande banco, e a presente crise nacional e internacional demonstra que gerir um banco não é sinónimo de ser bom gestor. Mas criou situações inacreditáveis – a lista é infelizmente muito longa: um presidente que manda calar e tenta agredir adeptos que o contestam; um vice-presidente que julga que os adeptos que contestam não deveriam ter lugar no clube; um relações-públicas antigo chefe de claque que instiga a desacatos; um chefe do departamento de futebol autoritário que entra em conflito com os melhores jogadores; a proibição do uso de calças de ganga; mas sobretudo o presidente que acha que ser casado com alguém benfiquista é “uma infelicidade” e que os pais é que escolhem o clube dos filhos.
Todos estes episódios – particularmente aqueles que envolveram o presidente – causaram-me um sentimento que nunca antes sentira: vergonha do meu clube. Voltando ao princípio: nunca – nem durante o longo jejum de títulos de 18 anos – eu temera o fim do Sporting enquanto clube grande, a “belenensização”: se havia algo que caracterizava os sportinguistas, apesar da falta de militância (e da falta de vitórias) era esse orgulho de ser de um clube único. Nos tempos mais recentes, e devido a esta desastrosa direção, ser do Sporting não tem sido motivo de orgulho. O meu desejo para 2011 é que ser do Sporting volte a ser motivo de orgulho o mais depressa possível.
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Sporting
2011/01/21
Cavaco é sobretudo isto
Mais uma demonstração cabal de falta de cultura democrática, igual a tantas a que nos habituou nos últimos 25 anos: a (eventual) subida das taxas de juro é mais importante que a vontade soberana do povo. Manuela Ferreira Leite, seu delfim político e pessoa com quem mantém estreitas relações, falava em "suspender a democracia por seis meses". A democracia e a república para esta gente são secundárias. Só por isto, digo: domingo vamos todos votar! Para que haja uma segunda volta.
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Esquerda Republicana,
Política
2011/01/16
A eleição presidencial mais importante está ganha
Livrámo-nos do anormal do cotonete.
José Eduardo Bettencourt não demonstrou competência nenhuma. Eu não tenho pena dele, porque andou a ganhar dinheiro e não foi pouco, mas duvido que instituição alguma o queira agora. Deixa uma impressão tão má, mas tão má, da sua pessoa, que quem o for buscar agora, seja quem for, sai desprestigiado. Se ele voltar para o banco onde tenho as minhas poupanças, pode ser que retire de lá o dinheiro.
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Sporting
2011/01/14
Um português orgulhoso
Repito o que aqui escrevi há uns meses, quando voltou a sagrar-se campeão europeu: nunca antes houve na história do futebol um treinador como ele. Parabéns, José Mourinho!
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Futebol
2010/12/31
2010/12/24
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