Pensei iniciar 2010 ao som dos Xutos, mas a hemorragia do Zé Pedro - a quem desejo rápidas melhoras - mudou-me os planos. Concertos dos Xutos já fui a muitos, o último há mais de dois anos. Mas 30 anos são 30 anos.
Só fui a um concerto dos GNR (que substituirão os Xutos na passagem de ano na Torre de Belém). Foi um excelente concerto - reportei-o aqui. Foi sem dúvida o melhor concerto a que fui neste ano para mim pobre em concertos (talvez por me ter mudado para Braga?). Mas será provavelmente o mesmo concerto do São João. Ver o mesmo concerto num intervalo de tempo tão curto, só com o Chico Buarque. Prefiro um programa mais caseiro, em casa de amigos, com vista para o fogo de artifício do Parque das Nações. Mas não poderia recomendar mais o concerto dos GNR logo, para quem ainda não o viu.
Bom 2010 para todos.
2009/12/31
2009/12/30
O concerto fracassado do ano: Gal Costa
Um mês depois encontro tempo para recordar o concerto de Gal Costa, na Casa da Música, no Porto. Sabia que incidiria principalmente sobre músicas da bossa nova. Mas não esperava que fosse a este ponto: só no encore (de um concerto curto), e a pedido do público, é que se ouviram músicas com que podemos identificar Gal Costa: Festa do Interior, Um Dia de Domingo e Modinha de Gabriela. Só no fim é que eu tive a sensação de estar num concerto de Gal Costa. Antes, era Gal Costa a interpretar um concerto de João Gilberto. E eu, entre Costa e Gilberto, prefiro Gilberto. Pelo menos a interpretar as suas músicas - Gal não lhes acrescentou nada. Assisti a um concerto de Gal Costa (algo que queria fazer há anos). Mas acho que não escolhi o concerto certo.
2009/12/29
A ler, n'"A Bola"
Por estes dias, Barcelona e a Catalunha vivem em suspenso da decisão do Tribunal Constitucional sobre o novo Estatuto da Catalunha - que, à luz da Constituição Espanhola, só pode ser declarado inconstitucional, porque aquilo é praticamente uma declaração de independência, que faria a inveja de A. J. Jardim. Mas as coisas chegaram a tal ponto, que o próprio Zapatero torce para que o TC não veja o que todos vêem e não ouse afrontar os demónios catalães - mal adormecidos desde que, em 1640, Castela teve de optar entre opor-se à reconquista da independência portuguesa ou enfrentar o autonomismo catalão, e escolheu travar e vencer os revoltosos da Catalunha, deixando Portugal para os Braganças. Não por acaso, as reivindicações autónomas em Espanha estão directamente ligadas à riqueza das regiões: são os ricos do País Basco ou da Catalunha que querem ser independentes do poder fiscal de Madrid, para não terem de pagar impostos a favor dos pobres. Também em Itália, é o norte rico que se quer ver liberto de ter pagar a favor do Mezzogiorno, e em Inglaterra é a Escócia que quer ser independente do Midwest deprimido. A autonomia regional é quase sempre uma revolta dos ricos contra os pobres e contra o Estado central, cuja tarefa fundamental é distribuir a riqueza por todos. É por isso que eu sou ferozmente anti-regionalista, porque não tenho a mais pequena dúvida de que, ao contrário do que imaginam alguns incautos ou oportunistas, a regionalização lançaria Lisboa e o Porto contra todos os outros e ai dos alentejanos ou transmontanos, sem a República a protegê-los!(Miguel Sousa Tavares, A Bola, 01-12-2009)
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2009/12/28
2009/12/24
Boas festas
Absoluta falta de tempo, motivada por concentração de trabalho no fim de ano, tem impedido que a minha escrita mantenha a regularidade habitual durante o mês de Dezembro. Mesmo assim, não quero deixar de desejar boas festas e um feliz ano novo a quem por aqui passar.
2009/12/16
Duas ou três coisas sobre o “caso Berlusconi”
Não posso de forma nenhuma apoiar acções como a de que o primeiro ministro italiano foi vítima. Mas o facto de ter sido vítima deste acto tresloucado não faz de maneira nenhuma de Berlusconi um herói, ao contrário do que afirma Ferreira Fernandes. Herói teria sido se enfrentasse uma multidão adversa. Mas o acto de Silvio Berlusconi ao exibir a sua face ferida e deformada àquela multidão (mesmo se esta lhe fosse maioritariamente adversa) não é um enfrentamento: o ataque de que Berlusconi foi vítima foi, claramente, um acto isolado, de uma pessoa. Não foi nenhum linchamento popular. Berlusconi não se esconder, repito, não tem nada de heróico.
O autor deste lamentável incidente foi identificado e, dentro da sua (in)imputabilidade, foi ou vai ser responsabilizado pelo seu acto. Entretanto parece que o autor já tem mais de 30000 “amigos” no Facebook. Quantos destes “amigos” eram capazes de praticar e dar a cara por um acto destes? Tornar-se amigo no Facebook, escrever em blogues, comentar em jornais é muito fácil. Diz-se que o governo de Berlusconi foi o responsável pelo esmagamento dos protestos de Génova, em 2001. Como tal, quem lá estava “sorri” ao ver Berlusconi “esmagado”. Eu não estava em Génova em 2001, mas estava na Assembleia da República em 1993 (com muitos colegas de curso de membros deste blogue), quando o governo de Cavaco Silva também esmagou brutalmente, sem justificação, protestos contra a lei das propinas. Os subscritores portugueses deste grupo do Facebook também estariam dispostos a atirar uma réplica da Catedral de Milão, ou do Centro Cultural de Belém, a Cavaco Silva, assim que o vissem? (Este não é um apelo à violência, que eu condenaria. É uma questão de retórica.)
Muito interessantes os debates que têm ocorrido sobre o assunto no Cinco Dias e no Arrastão (vale a pena ler os textos e os comentários), nomeadamente sobre o papel do Estado como agente da luta de classes (que eu recuso – o Estado deve ser neutro) e monopolizador da violência. Não se pode “acabar” com a violência, por isso ser “contra” ela não tem muita utilidade prática. Pode ser-se contra a violência indiscriminada e irresponsável – o recurso à violência tem de ser mesmo o último recurso, mas por não podermos acabar com a violência não podemos exluir este recurso. sendo assim, o importante é que quem recorre à violência o faça mandatado pela sociedade, seja sempre identificado e possa ser responsabilizado (ou os seus superiores hierárquicos) pelos seus actos perante a sociedade.
Uma semana depois, vale a pena ler o artigo (premonitório) de José Saramago sobre o "no B-day":
O autor deste lamentável incidente foi identificado e, dentro da sua (in)imputabilidade, foi ou vai ser responsabilizado pelo seu acto. Entretanto parece que o autor já tem mais de 30000 “amigos” no Facebook. Quantos destes “amigos” eram capazes de praticar e dar a cara por um acto destes? Tornar-se amigo no Facebook, escrever em blogues, comentar em jornais é muito fácil. Diz-se que o governo de Berlusconi foi o responsável pelo esmagamento dos protestos de Génova, em 2001. Como tal, quem lá estava “sorri” ao ver Berlusconi “esmagado”. Eu não estava em Génova em 2001, mas estava na Assembleia da República em 1993 (com muitos colegas de curso de membros deste blogue), quando o governo de Cavaco Silva também esmagou brutalmente, sem justificação, protestos contra a lei das propinas. Os subscritores portugueses deste grupo do Facebook também estariam dispostos a atirar uma réplica da Catedral de Milão, ou do Centro Cultural de Belém, a Cavaco Silva, assim que o vissem? (Este não é um apelo à violência, que eu condenaria. É uma questão de retórica.)
Muito interessantes os debates que têm ocorrido sobre o assunto no Cinco Dias e no Arrastão (vale a pena ler os textos e os comentários), nomeadamente sobre o papel do Estado como agente da luta de classes (que eu recuso – o Estado deve ser neutro) e monopolizador da violência. Não se pode “acabar” com a violência, por isso ser “contra” ela não tem muita utilidade prática. Pode ser-se contra a violência indiscriminada e irresponsável – o recurso à violência tem de ser mesmo o último recurso, mas por não podermos acabar com a violência não podemos exluir este recurso. sendo assim, o importante é que quem recorre à violência o faça mandatado pela sociedade, seja sempre identificado e possa ser responsabilizado (ou os seus superiores hierárquicos) pelos seus actos perante a sociedade.
Uma semana depois, vale a pena ler o artigo (premonitório) de José Saramago sobre o "no B-day":
Itália não merece o destino que Berlusconi lhe traçou com criminosa frieza e sem o menor vestígio de pudor político, sem o mais elementar sentimento de vergonha própria. Quero pensar que a gigantesca manifestação contra a "coisa" Berlusconi, na qual estas palavras irão ser lidas, se converterá no primeiro passo para a libertação e a regeneração de Itália. Para isso não são necessárias armas, bastam os votos.
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2009/12/04
2009/12/03
Uma mentira, repetida em muitos blogues, acaba por se tornar verdade?
Alguém me pode explicar o raciocínio deste texto? De onde é que se conclui, das suas afirmações, que o deputado do PS conhece o teor das escutas? Ricardo Rodrigues está admirado, obviamente, por Manuela Ferreira Leite falar como se soubesse o conteúdo das escutas (não por "o primeiro ministro estar a mentir"). São coisas diferentes. Mas a má interpretação de um texto pega-se e repete-se. Esta gente não tem um mínimo de sentido crítico? A falta que faz a matemática obrigatória até ao 12º ano!
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2009/11/30
Eu
Eu já não sei se eu tou me estourando, ah, eu perco o sono lembrando em qualquer riso teu qualquer bandeira.
Eu nunca me deixo levar, que a vida, a nossa vida passa e não há tempo para desperdiçar.
Eu sei tudo que faço, sei por onde passo, paixão não me aniquila.
Eu quero é ir-me embora, eu quero dar o fora.
Eu sonho conhecer pessoalmente o Chico Buarque um dia.
(Respondendo ao desafio do Rui Curado Silva - cinco frases começadas por "eu já", "eu nunca", "eu sei", "eu quero", "eu sonho"; passo-o ao Tárique, ao André Abrantes Amaral, ao Nuno Pinho, ao Jorge Jardim Silva e ao Pedro Fragoso, que poderá dar uma resposta parecida com a minha, só que melhor.)
Eu nunca me deixo levar, que a vida, a nossa vida passa e não há tempo para desperdiçar.
Eu sei tudo que faço, sei por onde passo, paixão não me aniquila.
Eu quero é ir-me embora, eu quero dar o fora.
Eu sonho conhecer pessoalmente o Chico Buarque um dia.
(Respondendo ao desafio do Rui Curado Silva - cinco frases começadas por "eu já", "eu nunca", "eu sei", "eu quero", "eu sonho"; passo-o ao Tárique, ao André Abrantes Amaral, ao Nuno Pinho, ao Jorge Jardim Silva e ao Pedro Fragoso, que poderá dar uma resposta parecida com a minha, só que melhor.)
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2009/11/27
2009/11/26
Os mesmos valores, prioridades diferentes
De leitura indispensável esta entrada do Arrastão. Da minha parte, não só por causa do texto do Daniel Oliveira em si, mas sobretudo por causa da discussão que se segue (no que diz respeito à Alemanha - o caso francês referido parece ser mais um fait-divers sarkozyano). Sobretudo com o comentadores Bossito e JP, com quem estou de acordo. Valores como a igualdade básica e a liberdade de imprensa não podem ser relativizados. Ao pé desta discussão fundamental - como deve a Europa tratar os seus imigrantes? - , a do véu islâmico (onde mais uma vez defendo a não relativização da igualdade básica) parece marginal. Mas sempre a vi como fundamental, pois evidencia as diferentes concepções sobre integração de imigrantes e diferentes culturas em vista. Esta é uma questão a que, cada vez mais urgentemente, a esquerda não pode fugir. Quanto mais tempo esta discussão demorar, mais a extrema direita subirá.
"Quem fala assim certamente nunca perdeu o emprego para mão de obra mais barata vinda do estrangeiro. O perigo da esquerda continuar a alimentar estas visões completamente irrealistas, alienadas e sem qualquer possibilidade de aplicação prática sobre as questões da imigração, está precisamente em deixar para as mãos da direita o exclusivo do tratamento do tema. Isso sim, assusta-me."
"O que se defende aqui (e reparará que a maioria defende uma solução de “bom senso”) é que a abertura é bem vinda desde que, pela sua quantidade, não degrade as condições de vida, e pela sua qualidade, não ponha em causa os direitos liberdades e garantias que tanto custaram a conquistar. (...)O argumento (do nosso lado digamos assim) é que quem defende o mesmo que o Daniel geralmente vive em locais pouco afectados por aquilo que defende (acontece o mesmo com a localização dos bairros sociais ou com a co-incineração. São óptimos mas niguém os quer ao pé de casa.)."
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2009/11/25
A grande efeméride do dia faz dez anos
Era uma noite de Thanksgiving e eu estava nos EUA. Os meus colegas ainda hoje se recordam como eu repeti "Benfica lost..." a noite toda.
2009/11/24
Inside Arte e Ciência
Exposição na Cordoaria, em Lisboa. Com contribuições do Carlos Miguel Fernandes. Até hoje (Dia Nacional da Cultura Científica, para quem não sabe).
2009/11/23
Ontem, nas imediações do Estádio José Alvalade
Após o final do Pescadores-Sporting, jovens leoas gritavam "Carvalhal Allez" e comentavam "no final do jogo, o Sá Pinto obrigou-os [aos jogadores, presumo] a virem agradecer-nos!"
De súbito carros com bandeiras do Sporting começam a apitar. Eu pasmo: esta gente está a comemorar assim a eliminação de um clube (por acaso um clube muito simpático e que muito me diz) de um escalão tão secundário que nem eu sei bem qual é? Estará o Sporting assim tão em baixo?
Até que de dentro de um dos carros alguém anuncia às leoas: "Golo do Guimarães!" E a festa alarga-se. Disto é que o meu povo gosta.
2009/11/20
"Obrigada a todos! bjs, fiquem com Deus!"
Era com estas palavras que a actriz brasileira Mara Manzan se despedia dos leitores do seu blogue. Quando escreveu o seu último texto, dia 5 de Outubro, talvez não imaginasse que aquela era mesmo uma despedida definitiva.
2009/11/19
Como se deslocam os portugueses nas cidades europeias?
Há um mito – talvez seja mais correcto falar-se numa desculpa – para o hábito errado (pelo menos por parte de quem habita nas áreas metropolitanas de Lisboa ou Porto) dos portugueses se transportarem sempre de carro, para onde quer que vão. Não importa se os transportes públicos estejam cada vez melhores, pelo menos em Lisboa. O Metro está cada vez mais eficiente e com melhores ligações. Já se podem fazer transferências gratuitas entre autocarros. O serviço nocturno da rede de autocarros foi melhorado e ampliado. Os comboios suburbanos estenderam o seu serviço pela madrugada nas vésperas de fim de semana e feriados. Mas os portugueses – sendo que os lisboetas sem qualquer desculpa – insistem que o serviço de transportes públicos “não é adequado”. Dado que outros povos da Europa não exibem este comportamento e utilizam correntemente os transportes públicos, poderíamos ser levados a pensar que, apesar de tudo o que enumerei, o problema estaria nos transportes portugueses. Dado que “lá fora” se anda de transporte público, se tivéssemos transportes como “lá fora” talvez os usássemos. Quem continua a defender esta ideia (ou mais correctamente a usar esta desculpa) que explique este exemplo (a que cheguei via o Menos um Carro).
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2009/11/17
A última bettencorada
...chama-se Carlos Carvalhal. Por favor não venham compará-lo com Jorge Jesus ou Jesualdo Ferreira. Estes treinadores chegaram ao Benfica e ao FC Porto na mó de cima, depois de terem feito excelentes trabalhos nos clubes por onde tinham passado antes. Ao contrário de Carvalhal, a cuja contratação eu talvez não pusesse tantas objecções há dois anos, mas que nesse período esteve dois meses num clube grego que ninguém conhece, onde não fez nada nem deixou saudades, e no Marítimo, onde ganhou dois dos 17 jogos que orientou. Carvalhal é um treinador à procura de relançar a carreira e, sem ofensa para o Marítimo, o Sporting não pode servir para relançar a carreira de alguém após uma passagem fracassada por este clube. Talvez sirva para relançar a carreira de quem treinou o Chelsea ou o Barcelona, mas não o Marítimo ou um clube grego que ninguém conhece. É isto que Bettencourt, o homem que, nas costas de Fernando Santos, foi contratar José Peseiro (após uma passagem desastrosa pelo Real Madrid), não percebe. Nem sempre concordo com tudo o que o Leão da Estrela escreve, mas admito que este é um sintoma de belenização.
2009/11/13
Há água na face oculta da Lua
É a descoberta mais entusiasmante do Ano Internacional da Astronomia. 40 anos após o Homem ter alunissado e lá caminhado, esta descoberta pode ser mais um grande passo para a humanidade e o seu futuro. A Lua não cessa de nos encantar. Os REM têm de começar a cantar "If you believe there is water on the moon..."
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