2009/10/14
Nas Fronteiras do Universo
Ciclo de conferências na Gulbenkian. Hoje às 18 horas fala Alfredo Barbosa Henriques, meu professor de Relatividade e Cosmologia no Instituto Superior Técnico, sobre "O Universo de Einstein". Com transmissão directa online.
2009/10/12
Espinho
Foi finalmente concretizado um projecto muito antigo: o túnel da linha do comboio, que passou a ser subterrânea e deixou de dividir esta cidade em duas. Só que os responsáveis só se preocuparam com o soterramento da linha, e não com o planeamento do que fazer à supefície. Onde antes estavam as linhas de comboio (e uma estação bem bonita), agora está um descampado com vedações, que continua a dividir a cidade, é mais feio, e ninguém sabe bem o que vai lá ser feito. Creio que terá sido esta desorientação que custou ao PS este antigo bastião no conservador distrito de Aveiro.
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Margem Sul do Tejo
O Bloco de Esquerda teve derrotas assinaláveis ao não eleger vereadores em Lisboa e no Porto. Só nalguns municípios da margem sul do Tejo atingiu tal desiderato, sendo que em Almada roubou mesmo a maioria absoluta à CDU, que desce à custa do crescimento do Bloco de Esquerda (não do PS). Vai ser um laboratório político interessante, Almada. Falta um vereador à CDU para a maioria absoluta. Elegeram vereadores PS, PSD e Bloco. Não me admiriaria se o acordo mais fácil fosse entre a CDU e o PSD.
Alentejo
No Alentejo, o PS é o voto útil da direita para derrotar a CDU. Já fora assim com Évora há doze anos. Foi agora com Beja e Aljustrel, onde a direita desaparece, sendo que no primeiro caso a CDU perde ganhando votos.
Lisboa
Tal como Carlos do Carmo e tantos outros lisboetas, costumava votar na CDU para as autárquicas. Desta vez votei no PS (e apoiei publicamente a candidatura de António Costa).
Tal como (quase que aposto!) Carlos do Carmo e muitos outros lisboetas, tenho pena que a CDU tenha perdido um vereador, mas não me arrependo de nada. Principalmente porque creio que votei (convictamente) num grande presidente de câmara, mas também porque, como se comprovou, o risco de vitória de Santana Lopes era real. E havia que não dispersar votos, para não voltar a suceder como em 2001. Já da não-eleição de vereadores do Bloco de Esquerda não tenho pena nenhuma. Em qualquer dos casos, o sectarismo foi penalizado.
Tal como (quase que aposto!) Carlos do Carmo e muitos outros lisboetas, votei na CDU para a Junta de Freguesia. Considero os meus votos muito bem empregues. Nenhum deles foi perdido.
Santana Lopes tinha razão ao apontar o "voto útil" em Costa (para a vereação) por parte dos eleitores mais à esquerda, principalmente da CDU, como se comprova com o muito melhor resultado que a coligação teve nas eleições para as freguesias. Já não tem razão nenhuma (e soa a delírio) falar num "acordo secreto" entre PS e CDU ou numa intenção deliberada do PCP em votar no PS para a vereação. Por um lado estes resultados fortalecem Santana: este voto útil mostra que era um adversário temível para a esquerda. Mas por outro lado tornam evidente que a principal preocupação de grande parte do eleitorado era que Santana não fosse eleito. Santana divide os lisboetas quase ao meio: uma parte significativa ainda gosta muito dele, mas a maioria sente por ele uma rejeição enorme. Por muito que já haja quem afirme o contrário, Santana é um dos grandes derrotados da noite.
Tal como (quase que aposto!) Carlos do Carmo e muitos outros lisboetas, tenho pena que a CDU tenha perdido um vereador, mas não me arrependo de nada. Principalmente porque creio que votei (convictamente) num grande presidente de câmara, mas também porque, como se comprovou, o risco de vitória de Santana Lopes era real. E havia que não dispersar votos, para não voltar a suceder como em 2001. Já da não-eleição de vereadores do Bloco de Esquerda não tenho pena nenhuma. Em qualquer dos casos, o sectarismo foi penalizado.
Tal como (quase que aposto!) Carlos do Carmo e muitos outros lisboetas, votei na CDU para a Junta de Freguesia. Considero os meus votos muito bem empregues. Nenhum deles foi perdido.
Santana Lopes tinha razão ao apontar o "voto útil" em Costa (para a vereação) por parte dos eleitores mais à esquerda, principalmente da CDU, como se comprova com o muito melhor resultado que a coligação teve nas eleições para as freguesias. Já não tem razão nenhuma (e soa a delírio) falar num "acordo secreto" entre PS e CDU ou numa intenção deliberada do PCP em votar no PS para a vereação. Por um lado estes resultados fortalecem Santana: este voto útil mostra que era um adversário temível para a esquerda. Mas por outro lado tornam evidente que a principal preocupação de grande parte do eleitorado era que Santana não fosse eleito. Santana divide os lisboetas quase ao meio: uma parte significativa ainda gosta muito dele, mas a maioria sente por ele uma rejeição enorme. Por muito que já haja quem afirme o contrário, Santana é um dos grandes derrotados da noite.
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2009/10/09
A minha declaração de voto em Lisboa
Voto em António Costa. Porque foi o único candidato que fez um esforço efectivo para unir a esquerda. Porque a eleição de Santana Lopes (que seria muito má para a cidade – o triunfo do automóvel privado) é um perigo real, que não se deve subestimar, pelo que não deve haver votos perdidos ou dispersados. Acima de tudo, porquje creio que Costa mostrou, nestes dois anos, que é um excelente Presidente. E, queira-se ou não, é Costa que tem marcado a agenda destas autárquicas lisboetas (o que, contra um adversário como Santana, é notável). Uma pequena mas significativa demonstração deste facto é o desmascarar definitivo das intenções políticas da corporação do automóvel (ao que este clube, que já foi respeitável, chegou!). Independentemente das óbvias motivações políticas do seu presidente, o ACP quer eleger os ciclistas como inimigos. E quem quiser esta guerra perde (é isso que eu costumo dizer aos meus amigos do Menos Um Carro – defender os peões e os ciclistas, mas sem declarar guerra aberta aos automobilistas: convencê-los). Por uma Lisboa sustentável e plural, o meu voto só pode ser em António Costa.
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Debate sobre Lisboa (2) – as propostas de Santana
Não tenho a mínima saudade dos tempos de Santana Lopes à frente do município (enm fdo governo) e tudo farei para impedir o regresso ao poder do candidato que quer transformar Lisboa num imenso túnel. Mesmo assim, há duas propostas suas que vale a pena reter (e foram objecto de discussão no debate).
Uma dessas propostas é a venda, por parte da Câmara, das habitações por esta detidas aos inquilinos que para isso se mostrarem interessados. Só é pena que Santana não estenda tal proposta a todos os senhorios e todos os inquilinos, mas somente à Câmara (após muitos anos de permanência numa casa um inquilino deveria ter a opção de a comprar e o senhorio a obrigação de a vender – por que não?). A proposta de Santana tem o mérito de ir contra o politicamente correcto (muitas vezes defendido por uma “esquerda”) de que a culpa pelo mau estado das casas é dos inquilinos que pagam rendas baixas.
A outra é a não desactivação do Aeroporto da Portela (muito embora seja indispensável a construção de um novo aeroporto na região de Lisboa). Nesta proposta Santana junta-se aos outros candidatos de esquerda, contra António Costa. O que vale é que esta não é uma questão que dependa da Câmara Municipal de Lisboa (depende sobretudo do governo). Haveremos de voltar a ela.
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Debate sobre Lisboa (1) – o outro António Costa
O debate de anteontem na RTP foi muito alargado. Excessivamente. Ficámos a conhecer candidatos que preferíamos desconhecer, como o do PNR (que se limitou a defender o uso do carro e a queixar-se da retirada dos cartazes xenófobos do seu partido – o que não é uma questão autárquica) e o do MMS (que por coincidência também se chama António Costa). Este último não sabe que o verbo “intervir” se conjuga como “vir” e não como “ver” (tendo proferido um “intervimos” em vez de “interviemos”). Que falta de mérito! A meio do debate, este António Costa armou-se em Santana Lopes e abandonou a sala (onde nunca deveria ter entrado). Terá ido para a “Conchichina” (uma espécie de China em forma de concha, que também só o seu partido conhece)?
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O apoio que faltava
Digna de destaque é a “declaração de apoio que não é uma declaração de apoio” de Manuel Carvalho da Silva a António Costa. Apesar de tudo, o coordenador da CGTP afirmou que é muito importante a vitória de Costa, o que é muito diferente da posição oficial do PCP, para quem “não há diferenças” entre o PS e o PSD. Só é pena que a posição de Carvalho da Silva seja estritamente “autárquica” e não envolva o governo do país. Seria interessante ver Carvalho da Silva afirmar, por exemplo, que a avaliação de professores é necessária (mesmo se em moldes diferentes dos propostos pelo governo), em contraste com mais esta posição lamentável do PCP. Como se pode pensar em coligações de governo entre o PS e o PCP quando este partido defende posições destas?
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2009/10/06
Dez anos sem Amália
Entretanto, a SIC parece que vai estrear uma telenovela chamada "Perfeito Coração", aproveitando o (merecido) sucesso da versão do projecto "Amália Hoje". Só espero que os espectadores dessa novela não se esqueçam de que a música chama-se "Gaivota" e era interpretada pela Amália.
2009/10/05
2009/10/02
A tralha socrática: Augusto Santos Silva
O PS terá que tentar estabelecer pontes e acordos com os outros partidos de esquerda. Sabemos que tais pontes só serão possíveis em casos pontuais, mas o PS não pode ser acusado de não as tentar estabelecer. Por isso terá de se assistir ao afastamento de Augusto Santos Silva, o ministro dos assuntos parlamentares que assumiu que gosta de “malhar” nos partidos à sua esquerda, mas não hesitou, há três semanas, em directo, no “Prós e Contras”, a dirigir-se ao reaccionaríssimo Paulo Rangel como “o meu amigo” (algo que não fez a mais nenhum dos membros dos partidos presentes no programa). Talvez por dois tripeiros serem sempre amigos (por aqui se vê que o Porto é uma cidade pequena). Talvez, mais provavelmente, por o ex-maoísta (mas ainda bem maoísta na mentalidade) Santos Silva preferir qualquer outra alternativa a aliar-se ao PCP. É essa a cultura maoísta portuguesa, também presente em muitos sectores do Bloco de Esquerda (não todos). Convergências à esquerda assim são difíceis. Mas o PS não é o principal culpado de tal facto. Esta semana Santos Silva voltou ao “Prós e Contras”, pela enésima vez. Deve ter alguma avença. Ou então é porque a apresentadora é tripeira (também deve ser “sua amiga”). Que se mantenha como comentador, se ele e Fátima Campos Ferreira quiserem. Mas se o PS quer um mínimo de convergência à esquerda não o pode ter no governo. Muito menos nos assuntos parlamentares.
2009/10/01
2009/09/30
2009/09/29
"Que fazer com toda esta liberdade?"
Aos 45 anos, a Mafaldinha (neste caso, mais correctamente, o Filipe) lança a questão fundamental. Bem hajam!
2009/09/28
A natureza de Louçã
Com os resultados do Bloco de Esquerda, se Francisco Louçã fosse um político responsável nunca o poderíamos ouvir falar em “vitória” ontem. O objectivo de um partido de esquerda responsável seria, retirando a maioria absoluta ao PS, ter mandatos suficientes para conseguir uma maioria em conjunto com este partido. (Para uma coligação ou para um simples acordo parlamentar, depois se veria.) Mas não assim. Excluído que parece estar um acordo com a CDU (a menos que se queira Portugal fora da NATO e da União Europeia), uma maioria de esquerda só me parece possível para propostas “fracturantes” ou em casos pontuais como um imposto sobre as grandes fortunas. A esquerda responsável, por isso, falhou. Mas nada disso parecia importar a Francisco Louçã, que estava mais preocupado com o seu partido do que com a governação do país. Sempre ouvimos falar da “arrogância” de José Sócrates. Após o que ouvimos ontem, será mesmo Sócrates o “arrogante”? A primeira coisa que o líder do Bloco de Esquerda fez, na noite de ontem, foi “exigir” a substituição de Maria de Lurdes Rodrigues sem propor nenhuma contrapartida. Ao ouvi-lo, apeteceu-me que Sócrates descesse ao átrio do Hotel Altis acompanhado da ainda ministra da Educação, anunciando que a manteria no seu cargo se fosse designado primeiro ministro. A verdadeira natureza de Francisco Louçã, escorpião pronto a picar a rã que o poderia ajudar a atravessar o rio, revelou-se aqui. Quem pudesse ter pensado na viabilidade de uma coligação do PS com um partido liderado por este indivíduo terá encontrado aqui a resposta. Enquanto o Bloco não decidir se é um partido de poder ou de protesto, tal não será possível. Mas, para o Bloco ser um partido de poder, terá que ser com outro líder. Neste momento, Francisco Louçã é o maior problema da esquerda portuguesa.
Ingovernabilidade
PS sem maioria absoluta, com um número de deputados inferior a PSD e CDS coligados. PS e BE não formam maioria juntos. A única solução para uma maioria estável seria um acordo do PS com um PSD descredibilizado e em cacos ou com o CDS mais à direita de sempre. O eleitorado do PS não perdoaria qualquer uma destas opções. Eu não perdoaria.
Só resta ao PS seguir em frente, tentar avançar com as reformas que quer fazer (e que bem começou enquanto tinha maioria absoluta), motivá-las e justificá-las o melhor que puder perante o país, e esperar pela atitude dos restantes partidos. Não terá força para mais. O futuro será o que tiver que ser.
2009/09/25
Por que voto no PS
Numa notável música intitulada O Estrangeiro, em 1989, Caetano Veloso remata anunciando:
Some may like a soft brazilian singer but I’ve given up all attempts at perfection.Não defendo que esqueçamos a perfeição. A perfeição deve permanecer como o objectivo, os objectivos devem ser claros e devemos lutar por eles. Mas devemos ter a noção de que a perfeição nunca é atingível por métodos democráticos, e os métodos antidemocráticos (para além de serem isso mesmo – antidemocráticos) conduziram a resultados que ninguém, nem mesmo o mais fanático, considera perfeitos. Ou seja: devemos tentar aperfeiçoar-nos, conscientes das nossas imperfeições. A perfeição é algo que se tenta atingir, e não algo que se estabelece. Finalmente, há limites à perfeição que queremos atingir (à esquerda: a Igualdade e a Liberdade), provenientes da nossa condição humana de animais sociais, que podemos aprender com a História, mas também com a Segunda Lei da Termodinâmica. São totalmente irrealistas as propostas baseadas na “imaginação”, no “sonho”, no “ideal” e na “utopia”, que tantas vezes se ouve falar à esquerda, e que devemos rejeitar em nome da verdade. (Belo slogan, o do PSD: Política de Verdade. Pena que não tenha nada a ver com o partido que o usa.) Mais valem avanços concretos que tacticismos suicidas que preferem levar a direita ao poder em nome da “pureza ideológica”, na esperança que a revolução fique mais próxima e mais fácil. É em nome destes avanços concretos, é por causa destes avanços concretos, que voto no PS nestas eleições legislativas. Porque sou de esquerda e, relativamente aos outros partidos, o Bloco de Esquerda não consegue (ou não conseguiu, até hoje) assumir nenhum tipo de responsabilidades, e o PCP, se não tiver uma posição hegemónica (que o povo português nunca entendeu dar-lhe), prefere conservar a sua pureza como partido puramente de protesto. Esta minha rejeição poderia motivar-me a procurar uma outra alternativa, ou a votar no PS simplesmente porque era o mal menor. Não é esse o caso: voto no PS nestas eleições com convicção: estou firmemente convencido de que é o melhor para Portugal. O que motiva este meu ponto de vista são alguns dos tais “avanços concretos” dos últimos quatro anos, rumo a uma sociedade mais justa. Sem querer ser exaustivo, vou enumerar alguns:
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As propostas do Bloco
Texto imperdível no Avenida Central. A ler de uma ponta à outra.
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Semana da Mobilidade/Massa Crítica
Esta foi a semana da Mobilidade. Para um balanço, ler o sempre atento Menos Um Carro. Esta noite há festa de ciclistas em Alfama. Lá estarei (depois da noite dos investigadores).
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