2009/09/16

Regresso a um blogue colectivo

A partir de agora, passo a escrever sobre política no Esquerda Republicana, com mais pessoal da LEFT (excepto um!). Os textos serão republicados aqui. Para além disso, continuarei a escrever no Avesso do Avesso sobre tudo o que mais me apetecer, que a vida não é só política. Até já.

2009/09/14

Disney compra Marvel

Esta notícia já tem uns dias. Em miúdo aprendi a ler com os livros da Disney, mas a Marvel nunca me interessou. Mesmo assim não me deixa de causar uma certa confusão imaginar que é possível um dia ver o Capitão América ou o Hulk atrás dos Irmãos Metralha...

2009/09/09

Sobre os debates à esquerda

O Seinfeld afirmou esta frase lapidar (a propósito de um gay com quem a Elaine se dava muito bem): "People always get along when there is no possibility of sex." Olhando para os debates entre o Jerónimo e quer o Louçã, quer o Sócrates, vemos: ali não há possibilidade de sexo. O Jerónimo quer manter-se casto - o que se lhe há-de fazer? Vendo o debate de ontem entre o Louçã e o Sócrates, concluímos: depois das eleições, pode ser que tenha que haver ali uma foda. Por isso foi um debate tão tenso.

09-09-09

Até 2012 ainda teremos mais três dias destes. (À hora deste texto ainda eue stava a dormir, a recuperar de transportar móveis.)

2009/09/08

We Can't Afford to Wait

É o vídeo que os REM gravaram para a associação MoveOn, em apoio a um Serviço Nacional de Saúde nos EUA.

2009/09/07

Após a Festa do Avante!

Sou um socialista científico, comunista não-praticante. Não deixo de celebrar as datas do calendário (reportagem fotográfica em breve).

2009/09/02

Bicicletas, capacetes e ciclovias

Tenho andado envolvido numa discussão nos comentários do Klepsýdra sobre estes assuntos. Sugiro que passem por lá. Entretanto decidi transcrever para aqui algumas ideias minhas sobre este assunto que lá escrevi.

Bem, começo por esclarecer que vivi seis anos nos EUA, depois dois em França e nove meses na Holanda. Sempre usei bicicleta, e nunca tive capacete. Quando voltei para Portugal passei a usar capacete. As razões são duas: há muito maiores inclinações em Portugal, pelo que uma eventual queda teria riscos mais graves, e não há ciclovias. Mesmo assim ando sem capacete às vezes.

Não defendo a obrigatoriedade do uso do capacete, embora tal não me repugne. Mas lanço uma pergunta – que podem à vontade classificar como “argumento à João Miranda”. Se um de vocês cair de cabeça (sem nenhum carro) e esmigalhar os miolos todos, sem ter feito tudo o que era possível para minimizar essa situação (usar um capacete), por que raio é que os meus impostos (via SNS) hão-de financiar a vossa cura? Ao menos que paguem uma multa. Não me venham por favor comparar com “anedoctal evidences”. Ter um acidente de bicicleta não é uma “anedoctal evidence”. Se for, por essa ordem de ideias ter um acidente de carro também é, e por isso não se deveria usar cinto. Os argumentos contra o capacete parecem-me os contra o cinto de segurança.

O “estudo que mostra que os automobilistas tomam menos cuidados perto de ciclistas com capacete” de que o Miguel fala é mais um estudo daqueles tipo “freakonomics”, cujo único objectivo é chamar idiotas aos leitores. Pressupõem sempre que o visado dispõe de toda a informação e os outros não dispõem de informação nenhuma. Os automobilistas podem ser mais cuidadosos se um ciclista não usar capacete (ou luzes de presença à noite), não se todos não os usarem. (Parece que “teorias” dessas também já tentaram demonstrar que o uso de preservativo não faz nada pela prevenção da SIDA. Quem sabe vocês encontrem aliados contra o uso do capacete no Vaticano.)

Quanto às posições da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, João, tu respeitarias uma posição do Automóvel Clube de Portugal que dissesse respeito ao uso de carros? Eu não. Cada vez menos.

Será que é o mesmo tipo de “estudo” que demonstra, nas palavras do Mário, ser “errado que em meios urbanos os ciclistas estejam mais seguros se circularem segregados do resto do tráfego”? Eu ando de bicicleta na cidade, e para mim uma ciclovia, para além de mais segura, é muito mais confortável. Não tenho que ziguezaguear entre os carros parados em engarrafamentos nem que me preocupar com carros a estacionarem e a abrirem portas. Estudo nenhum consegue provar o contrário, a menos que o objectivo do estudo seja acabar com os carros. (Sem dúvida, se não houvesse carros não eram precisas ciclovias. Se não houvesse carros nem bicicletas não eram precisos passeios para peões.) Se for esse o objectivo, força, agora deve ser assumido com clareza e não sustentado em estudos com objectivos políticos e que tornam a vida mais difícil a todos.

Quanto ao capacete, eu não disse que era favorável à sua obrigatoriedade. Disse que não a excluía. Julgo que o sensato será não avançar com a obrigatoriedade para já. Se houver uma massificação do uso da bicicleta, como esperamos, e começar a haver muitos acidentes, então avança-se para a obrigatoriedade. Foi assim que se fez para o cinto de segurança do carro, que não era obrigatório há umas décadas. (Claro que ainda hoje há reaccionários provincianos que se opõem ao uso do cinto de segurança. Viva a liberdade individual!)

Quanto à “teoria da compensação de risco”, não a compro. Já te disse: é baseada no pressuposto de que um actor privilegiado dispõe da informação toda e os outros com quem ele interage são uns bárbaros ignorantes. Recuso-me a aceitar estes pressupostos. Um automobilista é um potencial assassino. Qualquer indivíduo que tenha sexo desprotegido é um potencial transmissor de doenças. Mas eu recuso-me a tratar todos os automobilistas como assassinos. Recuso-me. Prefiro informar as pessoas. Um automobilista informado não é um assassino. Um indivíduo informado tem sexo protegido.
A tua teoria da compensação de risco serve para negar a eficácia do preservativo, o aquecimento global (googla-se “compensação de risco” e a primeira coisa que nos aparece é o Insurgente). Nos EUA servirá para defender o livre porte de armas. E serve para negar a eficácia do uso do capacete. Meus caros, fiquem vocês com a vossa “teoria”.
Aproveito para esclarecer que não me revejo minimamente no modelo que vocês propõem, em que só os mais fortes têm responsabilidade civil e criminal. Vai totalmente contra os meus princípios. Daí essa minha discordância, que é de base. Concordo que um automobilista é mais “forte” que um ciclista, que é mais “forte” que um peão, mas todos têm que ter a sua responsabilidade. O que vocês preconizam, que é a abolição o código de estrada, iria criar uma nova classe de inimputáveis. Sou por uma cultura de responsabilidade, como referi, e para mim ninguém pode ser inimputável perante a sociedade e perante o estado. Recuso totalmente esse projecto, que, apesar de o Mário não querer ver, tem uma base anarquista evidente. O código de estrada, é o insuspeito Noam Chomsky que o afirma, é dos melhores exemplos de um contrato social estabelecidos até hoje.

Quanto às ciclovias: hoje, enquanto vocês, losers, ficavam aqui a comentar no Klepsýdra, eu fui aproveitar o bom tempo para o Guincho. No acesso para a praia, pela povoação de Areia, há uma estrada com muito pouco movimento (ao pé do parque de campismo da Orbitur). E uma “pista para ciclistas” que serve também como passeio pedonal. Para começar não há necessidade de uma ciclovia numa rua tão pouco movimentada. Pior ainda estaremos se essa ciclovia for ridícula, e partilhada com peões. As ciclovias são de uso obrigatório, mas ser obrigado a usar aquela “ciclovia” é péssimo. Mais valia que não houvesse ciclovia nenhuma. Se as vossas objecções às ciclovias se devem a recearem que sejam “ciclovias” como a que eu vi hoje, compreendo-as (e apoio-as). Vamos lá a ver se a gente se entende: as ciclovias que eu defendo são ciclovias a sério, em ruas movimentadas, que servem para garantir SEMPRE um espaço desimpedido para os ciclistas (e não devem ser para partilhar com os peões). Sou um firme defensor das ciclovias, com estes pressupostos (como há na minha querida Paris, a cidade onde mais gosto de andar de bicicleta). Ciclovias da treta, sou contra, claro.

2009/08/31

Tchau Roca

Aeroporto de Lisboa, zona de embarques, Janeiro de 2006
Obrigado por tudo. E estou farto do treinador que não te soube aproveitar.

2009/08/28

Efeméride 3 - 400 anos do telescópio de Galileu

Passam 400 anos sobre as observações e, por isso, este é o Ano Internacional da Astronomia. Nada melhor para ler do que o Klepsýdra.

2009/08/23

Efeméride 2 - 10 anos de Blogger

Parabéns à plataforma que nos alberga.

2009/08/21

Efeméride 1 - o Raul morreu há 20 anos atrás

O "concorrente"

Entendo que as grandes superfícies de comércio alimentar precisem de propaganda televisiva para terem visibilidade (o saudoso Carrefour deveria ter apostado mais nisso). Entendo menos a propaganda que visa somente denegrir o concorrente (que foi inaugurada pelo Pingo Doce e seguida pelo Jumbo). Nisso o Minipreço é exemplar. Lamento que o LiDL a siga. E não compreendo esta sanha contra o Continente (de que eu estou longe de ser fã, como é sabido), quando o principal concorrente do LiDL nem é o hipermercado da Sonae.

2009/08/19

António Brotas sobre o ensino da medicina

Leio hoje em título, na primeira página do DN, a notícia de que 40 médicos cubanos vão ser contratados para cobrir a falta de médicos em Portugal.

É sabido que Cuba tem dado no campo da saúde uma significativa ajuda a países que estão ainda hoje numa situação de atraso, mas que começam, muito rapidamente, a deixar para trás a situação de países em via de desenvolvimento.

A decisão de contratar médicos cubanos é, possivelmente, neste momento, uma decisão acertada, mas a população portuguesa tem o direito de ser informada dos antecedentes que fazem com que hoje sejamos, provavelmente, o único país da Europa a precisar do auxílio cubano.

Em 1973, numa altura em que não havia números clausus no acesso ao Ensino Superior, entraram nas Faculdades de Medicina portuguesas cerca de 4000 estudantes. Este número tinha vindo a crescer vertiginosamente desde 1970. O regime, que precisava de médicos para a guerra em África, não se preocupou muito com o assunto porque é relativamente simples assegurar nas faculdades o ensino dos três primeiros anos de medicina. O problema é depois, com o ensino hospitalar no 4º ano. À medida que aumentava o número de alunos nos primeiros anos, o número de chumbos em Anatomia diminuía e, assim, o número de alunos no 4º ano de medicina em Outubro de 1974 aproximava-se dos 4000.

Este foi o problema de mais difícil e que nos exigiu mais trabalho, ao Secretário de Estado do Ensino Superior, Avelãs Nunes, que me antecedeu em 1974-75, e a mim próprio em 1975-76. Mas havia, sobretudo, que cuidar do futuro. Avelãs Nunes tomou a decisão de que em 1975 não haveria inscrições no primeiro ano de Medicina, mas num
tronco comum a vários cursos, entre eles o de Medicina, com a duração de um ou dois anos consoante a vontade das faculdades.

Assim, em Outubro de 1975, inscreveram-se neste tronco comum 4.500 estudantes, dos quais cerca de 1.200 na Universidade do Porto. A Faculdade de Medicina do Porto fez-me saber que queria um tronco comum só com um ano, e que no ano seguinte só aceitaria 300 alunos em medicina. A Secretaria de Estado do Ensino Superior teve, assim, no curto espaço de 10 meses, de activar a entrada em funcionamento de uma nova escola de medicina, o Instituto Abel Salazar, de criar de raiz uma Escola de Medicina Dentária, de criar um curso de Nutricionismo e de reorganizar o ensino da Educação Física no Porto. No ano seguinte, dos 1.200 inicialmente inscritos no Porto tronco comum, entraram em medicina, após negociação com a faculdade, 350. Em Lisboa, a faculdade preferiu um tronco comum com dois anos, e no ano seguinte deixou entrar todos em medicina.

Mas havia que pensar no futuro. Se eu não tomasse não tomasse nenhuma decisão, em Outubro de 1976, inscreviam-se de novo 4.500 estudantes no tronco comum. Fixei por isso, por despacho, no final do meu mandato como Secretário de Estado, creio que em Julho, em 1600 o número de estudantes a admitir em Outubro no tronco comum repartidos pelas várias Universidades. Pensei que destes, cerca de 800 viriam a seguir medicina.

O que sucedeu foi que, nas duas décadas seguintes, as faculdades de medicina desceram este número a cerca de 400. É este cavado entre o número de 800, que deveria subir lentamente, e os 400 efectivamente entrados, que nos obriga hoje a recorrer aos médicos cubanos.

Hoje, vejo os Reitores de muitas Universidades acordar para este problema e todos a exigir a sua faculdadezinha de medicina. Quando fui Secretário de Estado do Ensino Superior, reunia-me uma vez por mês, em diferentes cidades do país, com todos as escolas. Sempre pensei que, depois, seriam criados órgãos horizontais, que reunissem todas as escolas de Medicina, todas as escolas de Agricultura, todas as Escolas de Engenharia.... Seriam estes órgãos que dariam ao Ministério uma visão de conjunto e o aconselhariam sobre o que haveria a fazer. Agora, obviamente, com o concurso dos Partidos e da Assembleia da República.

Para terminar desejo dizer que o tronco comum instituído pelo Avelãs Nunes, em 1975, é o que hoje usa a França. É muito, provavelmente, o que permite uma melhor escolha dos futuros médicos, pois permite às faculdades influenciarem esta escolha e não ficarem unicamente obrigadas a receber os alunos seleccionados pelas notas altas
obtidas no Secundário.

Penso que a população portuguesa tem o direito de ser informada destes assuntos que dizem respeito não unicamente ao seu passado, mas também ao seu futuro.

António Brotas

2009/08/17

Depois dos amigos do Bonifácio, os amigos do Moita de Deus

Sobre o fait-divers que tem vindo a ocupar a silly season (desculpem os estrangeirismos): depois de apontar tão bem as contradições da direita, não percebo que haja quem seja contra a aplicação das leis da república. É isso que distingue a república, e torna a monarquia inaceitável: na primeira, não há (em teoria) cidadãos privilegiados, e as leis são as mesmas para todos. A menos que não se concorde com as leis da república (ou por puro amiguismo). Era bom que se esclarecesse este ponto de vista. Ler o Ricardo Alves.

(Nota: embora não o conheça pessoalmente, tenho grande simpatia pelo Rodrigo Moita de Deus (um excelente blóguer), que já me ofereceu a sua solidariedade em “casos” da blogosfera. Infelizmente, e desde que se cumpra sempre a lei, não lhe posso oferecer a minha neste caso. Apesar de tudo, bem mais sério do que puro html.)

2009/08/12

Varanda do disparate

Quando fui para Paris li pela primeira vez o Sol, que era um dos títulos diponíveis para serem oferecidos aos passageiros. (Andar na TAP tem destas vantagens.) Encontrei esta crónica de Mário Ramires repleta de erros factuais. Apesar de eu subscrever a ideia base de que há que melhorar os transportes públicos, tal não pode ser desculpa para tudo.
Não é verdade que uma viagem de comboio entre Lisboa e Carcavelos custe 2,20 euros: tal inclui o preço do Cartão Lisboa Viva (50 cêntimos), que só é pago uma vez, é recarregável e dura um ano. A única coisa que eu acho estúpida neste cartão é o facto de ele só durar um ano (o meu andante do Porto tem três ou quatro anos e funciona lindamente). Mas não é verdade que se tenha que comprar um em cada viagem, como se parece concluir da crónica do referido senhor. Que também refere os preços "exorbitantes" dos transportes públicos em Lisboa, que é um outro disparate (sugeria-lhe que saísse um bocadinho e comparasse com os de outras cidades). Se o senhor está tão preocupado com os preços, já pensou no preço do jornal que escreve? Já pensou em quem desembolsa 2,50 euros (não é o meu caso) para ler semelhantes baboseiras?

2009/08/10

Se isto é um "Blogue de Esquerda"

Mesmo não conhecendo de todo o processo de recrutamento, e apesar de reconhecer que a ideia por trás dele possa ter sido alguma reorientação mais próxima do PS, não me parece que a principal responsabilidade pelas escolhas para o novo "Blogue de Esquerda" (assim entre aspas) seja da administração da Sábado. O problema é que quem escolhe os novos membros não conhece muito mais para além do Eleven e, portanto, não consegue formar outro tipo de equipa. Até mete a ala direita do PSD. Mas a política é o menos, não é, cara Marta Rebelo?

(Ler o regressado Luís M. Jorge.)

2009/08/08

A esquerda tem sempre que redistribuir

Embora concorde que a esquerda responsável tem que procurar criar riqueza, nisso se distinguindo da extrema esquerda, discordo do tom deste texto do João Galamba, que secundariza a redistribuição em relação à criação de riqueza. O papel histórico da esquerda sempre foi redistribuir. É o seu código genético. O PS (em quem eu vou votar em Setembro) tem de se distinguir à sua esquerda por ser capaz de gerar riqueza e à sua direita por a redistribuir. Uma esquerda que secundarize a redistribuição em pouco ou nada se distingue do centro e da direita.
O texto do João é pura "terceira via". A "terceira via" não está a ter um lindo fim. Respostas diferentes precisam-se.