2009/09/02

Bicicletas, capacetes e ciclovias

Tenho andado envolvido numa discussão nos comentários do Klepsýdra sobre estes assuntos. Sugiro que passem por lá. Entretanto decidi transcrever para aqui algumas ideias minhas sobre este assunto que lá escrevi.

Bem, começo por esclarecer que vivi seis anos nos EUA, depois dois em França e nove meses na Holanda. Sempre usei bicicleta, e nunca tive capacete. Quando voltei para Portugal passei a usar capacete. As razões são duas: há muito maiores inclinações em Portugal, pelo que uma eventual queda teria riscos mais graves, e não há ciclovias. Mesmo assim ando sem capacete às vezes.

Não defendo a obrigatoriedade do uso do capacete, embora tal não me repugne. Mas lanço uma pergunta – que podem à vontade classificar como “argumento à João Miranda”. Se um de vocês cair de cabeça (sem nenhum carro) e esmigalhar os miolos todos, sem ter feito tudo o que era possível para minimizar essa situação (usar um capacete), por que raio é que os meus impostos (via SNS) hão-de financiar a vossa cura? Ao menos que paguem uma multa. Não me venham por favor comparar com “anedoctal evidences”. Ter um acidente de bicicleta não é uma “anedoctal evidence”. Se for, por essa ordem de ideias ter um acidente de carro também é, e por isso não se deveria usar cinto. Os argumentos contra o capacete parecem-me os contra o cinto de segurança.

O “estudo que mostra que os automobilistas tomam menos cuidados perto de ciclistas com capacete” de que o Miguel fala é mais um estudo daqueles tipo “freakonomics”, cujo único objectivo é chamar idiotas aos leitores. Pressupõem sempre que o visado dispõe de toda a informação e os outros não dispõem de informação nenhuma. Os automobilistas podem ser mais cuidadosos se um ciclista não usar capacete (ou luzes de presença à noite), não se todos não os usarem. (Parece que “teorias” dessas também já tentaram demonstrar que o uso de preservativo não faz nada pela prevenção da SIDA. Quem sabe vocês encontrem aliados contra o uso do capacete no Vaticano.)

Quanto às posições da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta, João, tu respeitarias uma posição do Automóvel Clube de Portugal que dissesse respeito ao uso de carros? Eu não. Cada vez menos.

Será que é o mesmo tipo de “estudo” que demonstra, nas palavras do Mário, ser “errado que em meios urbanos os ciclistas estejam mais seguros se circularem segregados do resto do tráfego”? Eu ando de bicicleta na cidade, e para mim uma ciclovia, para além de mais segura, é muito mais confortável. Não tenho que ziguezaguear entre os carros parados em engarrafamentos nem que me preocupar com carros a estacionarem e a abrirem portas. Estudo nenhum consegue provar o contrário, a menos que o objectivo do estudo seja acabar com os carros. (Sem dúvida, se não houvesse carros não eram precisas ciclovias. Se não houvesse carros nem bicicletas não eram precisos passeios para peões.) Se for esse o objectivo, força, agora deve ser assumido com clareza e não sustentado em estudos com objectivos políticos e que tornam a vida mais difícil a todos.

Quanto ao capacete, eu não disse que era favorável à sua obrigatoriedade. Disse que não a excluía. Julgo que o sensato será não avançar com a obrigatoriedade para já. Se houver uma massificação do uso da bicicleta, como esperamos, e começar a haver muitos acidentes, então avança-se para a obrigatoriedade. Foi assim que se fez para o cinto de segurança do carro, que não era obrigatório há umas décadas. (Claro que ainda hoje há reaccionários provincianos que se opõem ao uso do cinto de segurança. Viva a liberdade individual!)

Quanto à “teoria da compensação de risco”, não a compro. Já te disse: é baseada no pressuposto de que um actor privilegiado dispõe da informação toda e os outros com quem ele interage são uns bárbaros ignorantes. Recuso-me a aceitar estes pressupostos. Um automobilista é um potencial assassino. Qualquer indivíduo que tenha sexo desprotegido é um potencial transmissor de doenças. Mas eu recuso-me a tratar todos os automobilistas como assassinos. Recuso-me. Prefiro informar as pessoas. Um automobilista informado não é um assassino. Um indivíduo informado tem sexo protegido.
A tua teoria da compensação de risco serve para negar a eficácia do preservativo, o aquecimento global (googla-se “compensação de risco” e a primeira coisa que nos aparece é o Insurgente). Nos EUA servirá para defender o livre porte de armas. E serve para negar a eficácia do uso do capacete. Meus caros, fiquem vocês com a vossa “teoria”.
Aproveito para esclarecer que não me revejo minimamente no modelo que vocês propõem, em que só os mais fortes têm responsabilidade civil e criminal. Vai totalmente contra os meus princípios. Daí essa minha discordância, que é de base. Concordo que um automobilista é mais “forte” que um ciclista, que é mais “forte” que um peão, mas todos têm que ter a sua responsabilidade. O que vocês preconizam, que é a abolição o código de estrada, iria criar uma nova classe de inimputáveis. Sou por uma cultura de responsabilidade, como referi, e para mim ninguém pode ser inimputável perante a sociedade e perante o estado. Recuso totalmente esse projecto, que, apesar de o Mário não querer ver, tem uma base anarquista evidente. O código de estrada, é o insuspeito Noam Chomsky que o afirma, é dos melhores exemplos de um contrato social estabelecidos até hoje.

Quanto às ciclovias: hoje, enquanto vocês, losers, ficavam aqui a comentar no Klepsýdra, eu fui aproveitar o bom tempo para o Guincho. No acesso para a praia, pela povoação de Areia, há uma estrada com muito pouco movimento (ao pé do parque de campismo da Orbitur). E uma “pista para ciclistas” que serve também como passeio pedonal. Para começar não há necessidade de uma ciclovia numa rua tão pouco movimentada. Pior ainda estaremos se essa ciclovia for ridícula, e partilhada com peões. As ciclovias são de uso obrigatório, mas ser obrigado a usar aquela “ciclovia” é péssimo. Mais valia que não houvesse ciclovia nenhuma. Se as vossas objecções às ciclovias se devem a recearem que sejam “ciclovias” como a que eu vi hoje, compreendo-as (e apoio-as). Vamos lá a ver se a gente se entende: as ciclovias que eu defendo são ciclovias a sério, em ruas movimentadas, que servem para garantir SEMPRE um espaço desimpedido para os ciclistas (e não devem ser para partilhar com os peões). Sou um firme defensor das ciclovias, com estes pressupostos (como há na minha querida Paris, a cidade onde mais gosto de andar de bicicleta). Ciclovias da treta, sou contra, claro.

2009/08/31

Tchau Roca

Aeroporto de Lisboa, zona de embarques, Janeiro de 2006
Obrigado por tudo. E estou farto do treinador que não te soube aproveitar.

2009/08/28

Efeméride 3 - 400 anos do telescópio de Galileu

Passam 400 anos sobre as observações e, por isso, este é o Ano Internacional da Astronomia. Nada melhor para ler do que o Klepsýdra.

2009/08/23

2009/08/21

Efeméride 1 - o Raul morreu há 20 anos atrás

O "concorrente"

Entendo que as grandes superfícies de comércio alimentar precisem de propaganda televisiva para terem visibilidade (o saudoso Carrefour deveria ter apostado mais nisso). Entendo menos a propaganda que visa somente denegrir o concorrente (que foi inaugurada pelo Pingo Doce e seguida pelo Jumbo). Nisso o Minipreço é exemplar. Lamento que o LiDL a siga. E não compreendo esta sanha contra o Continente (de que eu estou longe de ser fã, como é sabido), quando o principal concorrente do LiDL nem é o hipermercado da Sonae.

2009/08/19

António Brotas sobre o ensino da medicina

Leio hoje em título, na primeira página do DN, a notícia de que 40 médicos cubanos vão ser contratados para cobrir a falta de médicos em Portugal.

É sabido que Cuba tem dado no campo da saúde uma significativa ajuda a países que estão ainda hoje numa situação de atraso, mas que começam, muito rapidamente, a deixar para trás a situação de países em via de desenvolvimento.

A decisão de contratar médicos cubanos é, possivelmente, neste momento, uma decisão acertada, mas a população portuguesa tem o direito de ser informada dos antecedentes que fazem com que hoje sejamos, provavelmente, o único país da Europa a precisar do auxílio cubano.

Em 1973, numa altura em que não havia números clausus no acesso ao Ensino Superior, entraram nas Faculdades de Medicina portuguesas cerca de 4000 estudantes. Este número tinha vindo a crescer vertiginosamente desde 1970. O regime, que precisava de médicos para a guerra em África, não se preocupou muito com o assunto porque é relativamente simples assegurar nas faculdades o ensino dos três primeiros anos de medicina. O problema é depois, com o ensino hospitalar no 4º ano. À medida que aumentava o número de alunos nos primeiros anos, o número de chumbos em Anatomia diminuía e, assim, o número de alunos no 4º ano de medicina em Outubro de 1974 aproximava-se dos 4000.

Este foi o problema de mais difícil e que nos exigiu mais trabalho, ao Secretário de Estado do Ensino Superior, Avelãs Nunes, que me antecedeu em 1974-75, e a mim próprio em 1975-76. Mas havia, sobretudo, que cuidar do futuro. Avelãs Nunes tomou a decisão de que em 1975 não haveria inscrições no primeiro ano de Medicina, mas num
tronco comum a vários cursos, entre eles o de Medicina, com a duração de um ou dois anos consoante a vontade das faculdades.

Assim, em Outubro de 1975, inscreveram-se neste tronco comum 4.500 estudantes, dos quais cerca de 1.200 na Universidade do Porto. A Faculdade de Medicina do Porto fez-me saber que queria um tronco comum só com um ano, e que no ano seguinte só aceitaria 300 alunos em medicina. A Secretaria de Estado do Ensino Superior teve, assim, no curto espaço de 10 meses, de activar a entrada em funcionamento de uma nova escola de medicina, o Instituto Abel Salazar, de criar de raiz uma Escola de Medicina Dentária, de criar um curso de Nutricionismo e de reorganizar o ensino da Educação Física no Porto. No ano seguinte, dos 1.200 inicialmente inscritos no Porto tronco comum, entraram em medicina, após negociação com a faculdade, 350. Em Lisboa, a faculdade preferiu um tronco comum com dois anos, e no ano seguinte deixou entrar todos em medicina.

Mas havia que pensar no futuro. Se eu não tomasse não tomasse nenhuma decisão, em Outubro de 1976, inscreviam-se de novo 4.500 estudantes no tronco comum. Fixei por isso, por despacho, no final do meu mandato como Secretário de Estado, creio que em Julho, em 1600 o número de estudantes a admitir em Outubro no tronco comum repartidos pelas várias Universidades. Pensei que destes, cerca de 800 viriam a seguir medicina.

O que sucedeu foi que, nas duas décadas seguintes, as faculdades de medicina desceram este número a cerca de 400. É este cavado entre o número de 800, que deveria subir lentamente, e os 400 efectivamente entrados, que nos obriga hoje a recorrer aos médicos cubanos.

Hoje, vejo os Reitores de muitas Universidades acordar para este problema e todos a exigir a sua faculdadezinha de medicina. Quando fui Secretário de Estado do Ensino Superior, reunia-me uma vez por mês, em diferentes cidades do país, com todos as escolas. Sempre pensei que, depois, seriam criados órgãos horizontais, que reunissem todas as escolas de Medicina, todas as escolas de Agricultura, todas as Escolas de Engenharia.... Seriam estes órgãos que dariam ao Ministério uma visão de conjunto e o aconselhariam sobre o que haveria a fazer. Agora, obviamente, com o concurso dos Partidos e da Assembleia da República.

Para terminar desejo dizer que o tronco comum instituído pelo Avelãs Nunes, em 1975, é o que hoje usa a França. É muito, provavelmente, o que permite uma melhor escolha dos futuros médicos, pois permite às faculdades influenciarem esta escolha e não ficarem unicamente obrigadas a receber os alunos seleccionados pelas notas altas
obtidas no Secundário.

Penso que a população portuguesa tem o direito de ser informada destes assuntos que dizem respeito não unicamente ao seu passado, mas também ao seu futuro.

António Brotas

2009/08/17

Depois dos amigos do Bonifácio, os amigos do Moita de Deus

Sobre o fait-divers que tem vindo a ocupar a silly season (desculpem os estrangeirismos): depois de apontar tão bem as contradições da direita, não percebo que haja quem seja contra a aplicação das leis da república. É isso que distingue a república, e torna a monarquia inaceitável: na primeira, não há (em teoria) cidadãos privilegiados, e as leis são as mesmas para todos. A menos que não se concorde com as leis da república (ou por puro amiguismo). Era bom que se esclarecesse este ponto de vista. Ler o Ricardo Alves.

(Nota: embora não o conheça pessoalmente, tenho grande simpatia pelo Rodrigo Moita de Deus (um excelente blóguer), que já me ofereceu a sua solidariedade em “casos” da blogosfera. Infelizmente, e desde que se cumpra sempre a lei, não lhe posso oferecer a minha neste caso. Apesar de tudo, bem mais sério do que puro html.)

2009/08/12

Varanda do disparate

Quando fui para Paris li pela primeira vez o Sol, que era um dos títulos diponíveis para serem oferecidos aos passageiros. (Andar na TAP tem destas vantagens.) Encontrei esta crónica de Mário Ramires repleta de erros factuais. Apesar de eu subscrever a ideia base de que há que melhorar os transportes públicos, tal não pode ser desculpa para tudo.
Não é verdade que uma viagem de comboio entre Lisboa e Carcavelos custe 2,20 euros: tal inclui o preço do Cartão Lisboa Viva (50 cêntimos), que só é pago uma vez, é recarregável e dura um ano. A única coisa que eu acho estúpida neste cartão é o facto de ele só durar um ano (o meu andante do Porto tem três ou quatro anos e funciona lindamente). Mas não é verdade que se tenha que comprar um em cada viagem, como se parece concluir da crónica do referido senhor. Que também refere os preços "exorbitantes" dos transportes públicos em Lisboa, que é um outro disparate (sugeria-lhe que saísse um bocadinho e comparasse com os de outras cidades). Se o senhor está tão preocupado com os preços, já pensou no preço do jornal que escreve? Já pensou em quem desembolsa 2,50 euros (não é o meu caso) para ler semelhantes baboseiras?

2009/08/10

Se isto é um "Blogue de Esquerda"

Mesmo não conhecendo de todo o processo de recrutamento, e apesar de reconhecer que a ideia por trás dele possa ter sido alguma reorientação mais próxima do PS, não me parece que a principal responsabilidade pelas escolhas para o novo "Blogue de Esquerda" (assim entre aspas) seja da administração da Sábado. O problema é que quem escolhe os novos membros não conhece muito mais para além do Eleven e, portanto, não consegue formar outro tipo de equipa. Até mete a ala direita do PSD. Mas a política é o menos, não é, cara Marta Rebelo?

(Ler o regressado Luís M. Jorge.)

2009/08/08

A esquerda tem sempre que redistribuir

Embora concorde que a esquerda responsável tem que procurar criar riqueza, nisso se distinguindo da extrema esquerda, discordo do tom deste texto do João Galamba, que secundariza a redistribuição em relação à criação de riqueza. O papel histórico da esquerda sempre foi redistribuir. É o seu código genético. O PS (em quem eu vou votar em Setembro) tem de se distinguir à sua esquerda por ser capaz de gerar riqueza e à sua direita por a redistribuir. Uma esquerda que secundarize a redistribuição em pouco ou nada se distingue do centro e da direita.
O texto do João é pura "terceira via". A "terceira via" não está a ter um lindo fim. Respostas diferentes precisam-se.

2009/08/06

O “caso Bonifácio”: muita liberdade e nenhuma responsabilidade

Na blogosfera que eu li - vários blogues, da esquerda à direita – é a unanimidade nacional: a liberdade de opinião de João Bonifácio, enquanto crítico musical, é absoluta e indiscutível. João Bonifácio é intocável. Mesmo que Bonifácio, para criticar um concerto de um grupo que não gostava e a que não lhe apetecia ter assistido, se refira de uma forma de gosto muito duvidoso a esse grupo e aos adeptos de um clube de futebol. Uma vez mais, a blogosfera parece reduzida a um grupo de amigos que fazem do João Bonifácio a nova causa. Falo de pessoas por quem tenho consideração: aqui, aqui. E também aqui.
Ora bem: João Bonifácio é crítico. Ou seja, é jornalista. Ser jornalista é bem diferente de assinar uma coluna de opinião. Um jornalista tem que fazer trabalhos de que não gosta, como toda a gente. E, embora uma crítica (musical, de futebol, seja do que for) seja sempre subjectiva, parece-me evidente que um crítico, enquanto jornalista, não pode ter a mesma liberdade criativa que um colunista de opinião. Apesar de em ambos os casos os textos virem assinados, o que um crítico escreve vincula muito mais o jornal do que o que é escrito por um colunista. Quanto mais não seja porque um crítico é (ou deve ser) um assalariado do jornal, com um contrato de trabalho. Um colunista em geral não tem um contrato de trabalho com o jornal.
Se João Bonifácio quer ter a liberdade de expressão, e sobretudo se não quer ter a responsabilidade associada ao cargo de jornalista, tem bom remédio: que passe de jornalista a colunista. Peça ao Público para lhe alterarem o contrato de trabalho. Se não perceber bem a diferença entre um colunista e um jornalista, pergunte ao João Miguel Tavares a diferença.

2009/08/04

Rue de la Tombe Issoire




Por razões pessoais, sentimentais, esta é a minha rua favorita de Paris. Nunca aqui morei (morava no Bd. Jourdan, como todos os residentes da Cité Universitaire), mas era a rua onde eu mais andava (e mais gostava de andar) de bicicleta (e as ruas que se lhe seguiam, quando se saía do 14ème: a do Fb. St. Jacques e de St. Jacques, todas elas parte do Caminho de Santiago de Compostela). Seguia nela sempre que me dirigia ao centro ou regressava a casa. Nomeadamente, para os seminários no Instituto Poincaré.
Gostava tanto desta rua, o símbolo da "minha" Paris, que pensei mesmo em criar um blogue com o seu nome. Não podia deixar de lá passar, neste meu regresso à cidade-luz. E encontro uma surpresa - uma escultura de um gigante, pendurada na escola primária. Associada a essa escultura, a explicação da mesma - e do nome da rua, algo que sempre me intrigara. E que muito me surpreendeu. Então não é que "Issoire" era um português (na altura em que Portugal estava sob domínio mouro), de Coimbra? Diz a lenda que este português tinha "a altura de três homens" e se dedicava a atacar (e matar) peregrinos do Caminho de Santiago, na cidade de Orleães. A certa altura, Issoire dirigia-se a Paris, com o objectivo de a conquistar. Morreu decapitado num combate com Guilherme d'Orange. Como Issoire era demasiado grande e pesado para que pudesse ser transportado, a população decidiu enterrá-lo no local onde ele morreu. Este local é, hoje, a Rue de la Tombe Issoire!
Nunca esperei que esta rua estivesse associada ao túmulo de um português!
Para mais informações vejam aqui, aqui, aqui e aqui, de onde vêm as fotos.

2009/08/03

Restaurante "franco-italiano"


Na verdade é bem português, como a bandeira indica. Mas em Paris (e em grande parte do resto do mundo) ser "português" continua a não "vender". É uma pena.

2009/07/31

Bobby Robson (1933-2009)


Um treinador inesquecível. Imortal, como bem referiu José Mourinho.

2009/07/30

Voos e refeições, dez dias depois

Infelizmente, a minha impressão da TAP, no voo do regresso, é totalmente oposta à da ida. O avião estava cheio (em grande parte de senegaleses, que iam apanhar uma ligação para Dakar), ao contrário da ida. Isso explica muito, mas não explica tudo. O queijo fundido das sandes ligava muito bem com o salmão, mas não com porco ou peru (nem percebi bem de que eram as sandes desta vez). Mas o pior nem foi isso. Havia uma certa turbulência, mas nada que justificasse não servirem café (apanhei turbulências muito piores noutras viagens de Paris, e nunca deixaram de me servir café). A comandante era nova (e provavelmente novata). Ou ela não quis arriscar, ou serviu como desculpa para algum plano de contenção de custos. O facto é que desde que se entrou em Espanha a turbulência passou. Teria havido tempo de servir café a toda a gente, regularmente. Mas o café só foi servido algo aleatoriamente, em chávenas já cheias, aos passageiros que se queixaram (como era o meu caso, que com falta de cafeína fico ainda mais rabugento). Mas fiquei com muito má impressão.

2009/07/29

2009/07/28

Paris evolui (I)




Em 2005 não havia nada a ligar o Quai de Bercy à Biblioteca François Mitterrand. Desde 2006 há a Ponte Simone de Beauvoir.

2009/07/27

A revolta dos equiparados (2)

Cometários ao texto "Filhos de um deus menor":

O presente diploma não coloca ninguém na rua. Coloca as pessoas a concurso. É evidente que uma pessoa competente, que se tenha doutorado, e que esteja há dez, 20 anos naquelas funções terá vantagem sobre um outro candidato de fora. É assim em qualquer lado. O problema são os outros, a saber:

  • os que se andam lá a arrastar há dez, 15, 20 anos e nunca fizeram o doutoramento (ou, pior, agora fazem um doutoramento a martelo porque são obrigados - conheço vários casos assim) - contavam com o empregozinho e nunca fizeram nada para progredirem (que é o que um professor do ensino superior deve fazer - progredir, investigar, melhorar);
  • os que entraram há pouco tempo (e que são muitos) - são novos, licenciados há poucos anos. Esses que peçam bolsa à FCT se querem fazer um doutoramento. A FCT aliás não deveria dar bolsas a este tipo de candidatos (que sejam ao mesmo tempo docentes contratados e remunerados). De resto não há razão absolutamente nenhuma para que estes candidatos sejam beneficiados e os bolseiros preteridos. E não me venham falar em precariedade. Ninguém sabe melhor no meio académico o que é a precariedade que um bolseiro. O que é que esta gente é mais do que os bolseiros para os estar a discriminar assim, só porque estão agarrados ao lugarzinho?
Eu pretendo ir para o sistema universitário. Já fiz o doutoramento há seis anos e nunca passei a prof. auxiliar. Porquê? Porque nunca fui assistente! Na prática o sistema de que o Miguel Campilho se queixa já não existe - as universidades já não contratam assistentes (pelo menos em ciências e engenharia), e ainda bem. Vejam se metem na cabeça - lugares no ensino superior, só para doutorados! É assim em qualquer país civilizado. É mais uma das boas medidas deste governo, que eu há muito ansiava.
Mas o mais incrível do texto do post é mesmo a interrogação final: "como cativar pessoal novo para o politécnico?" Em que mundo é que o autor vive? Num lugar com muito poucos doutorados, não? Eu conheço muitos doutorados prontos a aceitarem uma vaga no ensino politécnico. O ensino politécnico assim torna-se menos atraente a recém-licenciados, de facto. E ainda bem.

2009/07/22

No Quai Henri IV

Ali perto da Bastilha. Um rapaz diferencia-se, entre a multidão parisiense, por escarrar para o meio do chão com toda a gente a ver. Adivinham o que ele tinha estampado na camiseta? Certo (palavra de honra): “graças a Deus que sou português”!

2009/07/20

Ela quer ver o astronauta a descer na televisão

40 anos de “um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”. E quase 40 (39) de uma grande canção.

2009/07/19

Em Paris, em cada esquina um amigo

Paris continua a ser para mim uma cidade onde fiz (e continuo a fazer) muitos amigos. É um "ponto de acumulação" por onde toda a gente passa, onde se fazem amigos novos e onde se encontra aquele amigo que fizemos há uns anos na Cité Universitaire, que agora até está em Lisboa, onde nunca nos encontramos. Mas encontramo-nos por acaso em Paris. Ambas as coisas sucederam-me ontem.
Vou agora até Nantes. Mais tarde oontinuo com as crónicas parisienses.

2009/07/17

2009/07/16

"What do you need R-symmetry for?"

Foi essa a pergunta que o Ed me fez ao assistir ao meu seminário. Ter o Ed Witten na audiência não deixa ninguém indiferente; no meu caso, não estava propriamente nervoso, mas tenho a sensação de que despachei tudo a correr, uma vez que nem precisei de usar o tempo todo disponível, algo que comigo nunca acontece. Mas garanto-vos: foi uma experiência para muito mais tarde recordar.

2009/07/15

O sítio do costume...

...continua a servir boas refeições a um preço módico, embora agora esteja fechado ao fim de semana. Ainda é o meu local de almoço quotidiano em Paris. Anteontem foi um rôti de dinde avec du riz sauvage perfumé.

Paris a arder

O fogo de artifício foi lindo.

2009/07/14

120 anos da Torre Eiffel


...e 220 da tomada da Bastilha. Viva a Liberdade! E viva a Igualdade!

Voos e refeições, cinco anos depois

Deram desta vez sandes de salmão fumado com queijo fundido. Estão a melhorar a olhos vistos em comparação com há cinco anos, mesmo se sejam menos portugueses na comida (a comida portuguesa não é comida de avião, e ainda bem). Eu estava esganado de fome, e fui pedir outra sandes, como é meu hábito (era de noite, e o avião vinha com metade da lotação). Fiquei à conversa com a simpatiquíssima tripulação, e ainda me perguntaram se eu não queria mais uma sandes. O meu jantar (repito, ia esganado de fome de Portugal) foi, assim, três sandes de salmão fumado, dois copos (cheios - à portuguesa) de Fontanário de Pegões branco (da região do Sado, Rui), duas saladas de frutas e dois cafés. No serviço (em quantidade, qualidade e sobretudo em simpatia) não há nada que chegue à nossa TAP. E em segurança. E, já agora, nada a registar em termos de pontualidade. Bem pode a liberal tripeiragem fugir dela – não se admirem é de depois haver menos voos para o Porto e virem meio cheios. É o mercado. É a procura.
Custa-me escrever o que escrevo a seguir, mas tenho que ser sincero – se eu tivesse pago a viagem do meu bolso, dificilmente teria optado pela TAP. Teria prescindido do jantar, da leitura a bordo, teria pago menos cinquenta ou cem euros e optado por uma low-cost (que não a Ryanair). Mas uma vez que foi o estado a pagar, e o estado não paga low-costs (e obriga-nos a reservar em agências que cobram 40 euros só de emitirem um bilhete), vim em económica, no bilhete mais barato que encontrei. Felizmente foi a TAP. Quando são os contribuintes a pagar, não há nada melhor que a TAP. Quando não são, também é muito boa. E barata às vezes.

2009/07/13

À Paris

...desta vez para os Encontros Marcel Grossmann, onde vou dar dois seminários cuja preparação me retirou muitas horas de sono na semana passada. É sempre um enorme prazer regressar a casa.

2009/07/12

O cu e as calças (3)

Fernanda,
condenar a violência policial injustificada é uma coisa. Que não tem nada a ver com este caso que referes.
Há muito boa gente (que fica muito entusiasmada com os protestos dos estudantes gregos - creio não ser o teu caso) que fala em "estado policial" e "fascista" cada vez que um polícia comete um excesso (acho muito bem que se apurem responsabilidades por esses excessos, atenção). Organizam vigílias e protestos. Mas não são capazes de terem uma palavra perante dois polícias que são baleados. Há muito boa gente (na blogosfera) para quem a vida de um polícia vale menos que as outras. Não queiras confundir tu o cu com as calças também.

2009/07/08

Physical Reality Of String Theory Shown In Quantum-critical State Of Electrons

Para quem questiona que a teoria de supercordas possa apresentar alguma vez resultados palpáveis, aqui está um mistério, em física da matéria condensada, que só foi explicado recorrendo a teoria de supercordas. O que mais custa aos críticos das supercordas é isto: não existe melhor educação em física teórica do que um doutoramento em teoria de supercordas ou num assunto relacionado (física estatística ou teoria quântica de campo). Assuntos que permitem (como nenhum outro) trabalhar em muitos outros campos. Eles sabem-no bem.
É com prazer que acrescento que um dos autores, o Koenraad Schalm, foi meu colega mais velho de doutoramento. É mais um produto da escola holandesa, uma das melhores em física teórica (Stony Brook, apesar de ser em Nova Iorque, pertence à escola holandesa em física teórica). Embora não tenhamos tido muito tempo em comum, o Koen serviu-me como exemplo e inspiração. Parabéns, Koen!
(E obrigado, Luís.)

2009/07/06

Novos blogues

Graças ao destaque que a Palmira teve a gentileza de dar ao meu texto "A revolta dos equiparados", o Carlos Santos descobriu o Avesso do Avesso e teve a gentileza de nos destacar como "blogue da semana". E não é um destaque qualquer: é nuns termos que eu, sem querer parecer falsamente modesto (que não sou), considero muito lisongeiros. Muito obrigado e um abraço ao Carlos pela gentileza!
E graças aos destaques da Palmira e do Carlos, também pude descobrir o blogue de um amigo, o Porto do Graal. O Valor das Ideias e Porto do Graal: dois blogues a seguir.

2009/07/03

O caso Pinho

O "esquerda.net" é muito influente: muitos blogues, mesmo de direita, republicam o vídeo lá publicado.
O melhor comentário foi do Pedro Lomba, no Facebook: "Afinal os chifres foram para Louçã ou para Bernardino? Parece haver uma disputa."
Também gostei do do Jornal de Negócios, citado pela Maria João Pires: Indicadores traem Manuel Pinho.
Dito isto, creio que globalmente o episódio foi bom para o governo. Livram-se (sem terem que o demitir) de um ministro que até poderia ser bom tecnicamente, mas era um desastre em comunicação. E as suas gaffes tinham sempre consequências políticas (como a da Farinha Maizena, que Paulo Rangel ainda lhe deve agradecer). Manuel Pinho era um embaraço para o governo, e saiu de forma apesar de tudo airosa.

2009/07/02

Partes baixas

Há alturas em que ignorante é o melhor que podemos supor de uma pessoa.
Sempre supus que quem se queixa de "Lisboa" por tudo e por nada só pode ser ignorante. Provavelmente conhece a Baixa do Porto (incluindo o excelente "Piolho", onde vou há doze anos) e pouco mais.
Comparar Mariano Gago a um agente da GNR, conhecendo-se a biografia do actual ministro do Ensino Superior (nomeadamente como dirigente associativo), na melhor das hipóteses revela ignorância. Na pior, é muito, muito baixo, e revela até que ponto se pode chegar para defender um emprego na universidade pública. Um emprego - assistente universitário de carreira - que não tem razão de ser nos dias de hoje, como já escrevi várias vezes. Mas essa já é outra conversa.

(Nota: o que defendo - há muito tempo - aplica-se a todos os assistentes universitários, e não ao assistente universitário Carlos Abreu Amorim em particular, bem entendido. Mas teria ficado bem a CAA esclarecer que é parte interessada quando escreve sobre este assunto.)

2009/06/30

A revolta dos equiparados

Na notícia do Público on-line sobre a recente manifestação dos docentes do ensino politécnico, lêem-se comentários como:
"Os professores na sua grande maioria entraram por concurso. O que o senhor ministro quer é que se submetam a novo concurso colocando o seu lugar à disposição de outros que apesar de terem doutoramento e curriculo em investigação, nada fizeram para edificar o sistema politécnico e por isso, tiveram todo o tempo pago com bolsas para fazerem investigação."

Não é verdade que os professores em causa tenham entrado nos politécnicos e nas universidades através de um concurso propriamente dito: se fosse esse o caso, pertenceriam aos quadros dessas instituições. Mas o protesto tem a ver com os docentes que não pertencem ao quadro e que, como tal, nunca foram aprovados num concurso como os concursos devem ser, com um júri com membros externos. Estes docentes foram contratados a termo certo por concursos, sim, mas com júris exclusivamente internos. Em grande parte, foram isso sim contratados “por urgente conveniência de serviço”, o que é um belo justificativo para contratações ad-hoc, muitas vezes do compadre da esquina. Basta ler o Diário da República para confirmar, com regularidade, estas contratações “por conveniência de serviço”. Mas não os tais “concursos” com júris internos que referi: esses não vêm em Diário da República nem têm que ser divulgados. Na melhor das hipóteses estes concursos são anunciados (por exemplo, em jornais ou na net). Mas na maior parte das vezes um anúncio na secção de pessoal chega; os candidatos “convenientes” tomarão sempre conhecimento da vaga. Concursos públicos, publicados em edital e abertos a todos os candidatos qualificados, são os das bolsas de investigação dos tais que “não edificaram o sistema politécnico”.
Se é aborrecido ler comentários deste género (principalmente quando se é bolseiro, ou era até há pouco tempo), mais aborrecido se torna encontrar uma carta como a dos docentes do Instituto Politécnico do Porto, divulgada na sua página e apoiada por um sindicato, o Sindicato Nacional do Ensino Superior. Sindicato esse que até tem um Núcleo de Bolseiros entre os seus sócios. Que pensarão os membros desse núcleo de passagens como esta?
“Não é aceitável uma proposta que obrigue esses mesmos docentes, cujo mérito absoluto pode ser inquestionavelmente comprovado, ou por provas ou por concursos públicos a que já se submeteram no passado, ou por outras provas públicas que verdadeiramente se adeqúem a um regime de transição desta natureza, a disputar o seu posto de trabalho com um número indeterminado de candidatos, estes últimos sem quaisquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.”

É notável este receio de disputar o “seu” posto de trabalho “com um número indeterminado de candidatos”. E é eloquente esta ideia de que o seu “mérito absoluto” não possa ser questionado, mesmo se seja somente através de provas e avaliações internas. Mas o melhor é mesmo o medo xenófobo dos candidatos “sem qualquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.” Mesmo se estes candidatos defenderam teses nas melhores universidades e têm artigos publicados nas melhores revistas, algo que a maioria destes docentes não faz a mínima ideia do que seja. Só o que é da “Escola” é bom para a Escola.
Quando eu era bolseiro (e antes de conseguir um contrato com uma universidade pública, por meio de um júri internacional), muitas vezes me foi vedada a entrada nos concursos de admissão ao quadro destes institutos, com os argumentos mais estapafúrdios. Outras vezes, era admitido a concurso, e ficava (em conjunto com outros colegas bolseiros) sempre no fim da tabela. Os primeiros lugares eram sempre para candidatos internos. Mesmo assim, estes eram mais que o número de vagas, e os que perdiam impugnavam os concursos, com argumentos do tipo “o candidato vencedor tem mais publicações que eu, mas eu demonstro mais interesse pela Escola - sou membro da Assembleia de Representantes!” (Os bolseiros só não são membros das Assembleias de Representantes porque não os deixam.)
Sempre desconfiei que havia um preconceito contra os candidatos de fora, principalmente os bolseiros de investigação, nestes concursos. Foi preciso vir esta proposta do governo para tornar essa desconfiança cristalina - como é claro do comentário do Público online e da carta do ISEP. Pelo menos esse mérito essa proposta tem.
Uma das críticas que mais se ouvem a este governo é o de pôr os portugueses uns contra os outros. Da parte dos bolseiros de investigação, esta proposta não pode ser entendida por esse prisma. Em nenhum país desenvolvido uma reivindicação como esta teria lugar, uma vez nestes países ninguém tem lugar numa universidade sem ser doutorado. Em Portugal, devido a um estatuto totalmente anacrónico, as universidades e os politécnicos foram contratando temporariamente não-doutorados, que, baseados nessa tradição, tinham expectativas em entrarem automaticamente no quadro. Esses contratados tinham todas as regalias de um funcionário público. Ao mesmo tempo, os bolseiros de investigação (os melhores alunos das melhores universidades) tinham a mesma precariedade (e, ao contrário dos docentes, sem nunca saberem se teriam outra bolsa quando a actual se acabasse, e sem nenhuma protecção social, com descontos sobre o salário mínimo e sem subsídios de férias ou Natal).
Ninguém quer excluir esses docentes temporários dos concursos para posições do quadro. Tudo o que os bolseiros pedem é igualdade de oportunidades no acesso a estes lugares. Seguramente, muitos dos candidatos internos que a eles concorrem são competentes. Por outro lado, essa igualdade de oportunidades não pode traduzir-se numa indistinção nos critérios de avaliação. Não é legítimo pretender-se que o currículo de investigação de um docente do ensino politécnico seja o mesmo que o de um bolseiro (ou, sequer, de um docente de uma universidade). Mas da mesma forma não é legítimo pretender-se que a experiência docente seja a mesma. Ora estes concursos valorizam sempre muito mais a experiência docente que a de investigação, se é que dão algum valor à investigação de todo!
O que se pretende, portanto, é que a nenhum candidato competente seja negada à partida a possibilidade de se candidatar a essas vagas, de forma a estas serem sempre preenchidas pelos melhores candidatos. Para optimizar o esforço que tem sido feito na formação de recursos humanos em Portugal. E sobretudo para garantir um melhor ensino superior às gerações futuras! Infelizmente, não parece ser essa a vontade de muitos desses docentes, a começar pelos sindicatos.

2009/06/26

Strings 2009

Decorre esta semana (acaba hoje) a conferência anual, este ano em Roma. O nosso leitor (e colega) Pedro Gil Vieira fala hoje à tarde. Creio que é a primeira vez que um português (ainda por cima bastante jovem) fala numa conferência Strings, para mais numa sessão de encerramento. Parabéns, Pedro.

Morreu o Thriller

2009/06/25

GNR no São João

Quero que você me aqueça no trabalho... e o público que complete: e que tudo o mais vá... É assim a versão dos GNR da clássica de Roberto Carlos Quero que você me aqueça neste Inverno e que tudo mais vá para o inferno.
Por incrível que pareça nunca tinha visto os GNR ao vivo até ao concerto na Casa da Música. Confirmei que Rui Reininho continua uma grande personagem, e tem uma excelente presença em palco. O meu São João valeu a pena sobretudo por isto.

2009/06/23

Não resisto ao centralismo tripeiro

O São João de Braga até pode ser muito bonito, mas eu vou mas é para o Porto. Quem já lá esteve no São João não resiste a voltar. O Rui Reininho e cia. chamam-me. E os martelinhos e o alho porro. Bom São João para todos.

2009/06/22

O nosso Berlusconi

Texto muito pertinente de Joel Neto no DN: O nosso Berlusconi.
Se alguma conclusão se pode tirar do frenesi subitamente gerado em torno de José Eduardo Moniz, é que Moniz está disponível. Disponível para o Benfica, disponível para "projectos", disponível para mudar de vida. De maneira nenhuma a expectativa teria chegado onde chegou se Moniz não se tivesse empenhado em marcar a actualidade. E de maneira nenhuma Moniz quer que a expectativa pare por aqui, ou não teria admitido que, em condições ligeira- mente diferentes, a história seria outra. Faz sentido. Depois de quinze anos a conceber, consagrar, manter e reforçar a liderança da TVI, José Eduardo Moniz tem mais do que razões para considerar chegada a hora de fazer outra coisa. Por outro lado, custa a acreditar que se trate apenas de futebol. Quem assiste àquela declaração em que Moniz diz ter desistido de uma candidatura à presidência do Benfica encontra ali muito mais o discurso de um político do que o discurso de um líder do futebol.

Se Moniz sair um dia da TVI para o Benfica, isso será mau para a TVI, mas bom para tudo o resto: para o Benfica, para a SIC, para a RTP - e mesmo, se calhar, para a qualidade média da televisão nacional. Pelo contrário, se acumular um dia as duas coisas, reeditando em Portugal o projecto tentacular que levou Berlusconi ao poder em Itália, isso será bom para o Benfica, razoável para a TVI, mau para a SIC e a RTP - e verdadeiramente péssimo para a qualidade da nossa televisão (pelo menos).

2009/06/19

65 anos - flor da idade

...e eu nunca, jamais me canso de o ouvir. Ouço-o tanto, e de tanto o ouvir ainda descubro novos aspectos de interesse nas suas canções. Parabéns, meu caro amigo.

2009/06/18

Má propaganda


Ana Bola a dizer que "não aparenta mais de 40 anos" pode ser uma boa propaganda. Excepto para uma marca de óculos. É que dá para duvidar da qualidade das lentes...

2009/06/17

António Ruella Ramos (1938-2009)

Depois de Fernando Piteira Santos e da sua mulher Stella, desaparece o director do Diário de Lisboa, jornal de referência da oposição ao salazarismo e o jornal da minha infância.

2009/06/16

Vantagens da edição da Europa-América de um romance que eu cá sei

A tradução da Europa-América do Guerra e Paz de Leão Tolstoi até pode ser má (embora seja de Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões, o que nem me parece assim tão mau). E tem uma grande vantagem: a páginas tantas (42, para ser exacto) lê-se:
Entabulou-se uma conversa tão pouco importante...
Nem todas as traduções, nem todas as edições, nem todos os romances inspiraram o Sérgio Godinho. Duvido muito que alguma edição da Penguin o tenha feito.

2009/06/13

Nos feriados e no Santo António

Os transportes públicos na região de Lisboa continuam a mesma organização.
Para apanhar o comboio para a Linha de Cascais, é preciso um cartão "Lisboa Viva". Na Estação do Cais do Sodré, uma multidão de lisboetas quer ir à prais no feriado e não sabe da novidade. Só uma das seis máquinas está em funcionamento.
Ontem, a Avenida da Liberdade estava encerrada ao trânsito a noite toda, e não funcionavam os autocarros da Rede da Madrugada (a não ser que fosse só a partir do Marquês de Pombal). Mas ninguém avisava quem esperava por estes autocarros no Rossio e nos Restauradores. Nas paragens lia-se "serviço perturbado" (mas não interrompido), e o tempo de espera era sempre "10 minutos". Após mais de vinte à espera, pus os pés a caminho e subi a avenida. Nenhum autocarro podia ali passar.

2009/06/09

75 anos de Donald



The band concert, a mais perfeita e prodigiosa curta-metragem de animação já realizada, tal como já afirmei no aniversário do Mickey. É a melhor homenagem que eu posso fazer ao Donald: passar um filme onde ele é a verdadeira estrela. Mas eu gosto é do Patinhas...

Suspendamos a democracia por quatro meses

Rangel: governo "está inibido de tomar decisões que retirem capacidade de manobra aos governos seguintes".

Copiam o Sporting em tudo

Eleições no Benfica a 3 de Julho.

2009/06/08

No rescaldo das europeias

  1. Parece ser unânime culpar Vital Moreira pela má prestação do PS. Não sei se isso é verdade ou não; da minha parte, não concordo. Quando se repete tantas vezes que “não houve debate sobre a Europa”, esquece-se que Vital foi o único candidato que o procurou introduzir. E com propostas europeístas (que pouco tinham de nacionalistas): o não-apoio a Barroso no Parlamento Europeu (espero que Vital seja consequente com essa sua proposta, independentemente do que o PS decidir) e o imposto europeu. Vital só esteve mal, a meu ver, na última semana, ao associar o PSD ao BPN. É pena que o PS não tenha sabido respeitar a independência do seu cabeça de lista – o político mais atacado, por todos os lados, nesta eleição. Vital Moreira, repito-o, parece-me ser o grande injustiçado destas eleições.
  2. Votei no Bloco de Esquerda, como aqui referi. Genericamente (e para isto eu não preciso de grandes campanhas eleitorais), o meu voto nas eleições europeias seria do Bloco de Esquerda, excepto por algum motivo excepcional. Sou europeísta, e não concordo com um bloqueio da construção europeia como forma de protesto (nisto estou em desacordo com o Bloco). Mas o Bloco é também um partido europeísta (ao contrário do “soberanista” PCP). E há que reconhecer que a Europa não vai nada bem, com os cidadãos a serem cada vez mais afastados dos processos de decisão (veja-se o caso da aprovação do recente Tratado de Lisboa). Insistir em prosseguir sem um verdadeiro apoio popular pode resultar num equívoco trágico. Numa situação em que os eleitores sejam chamados a pronunciar-se sobre esse processo (um referendo), provavelmente votarei contra o Bloco; por agora, entendi votar em quem defenda esse processo. Acresce que conheço pessoas do Bloco de Esquerda que votariam “sim” nesse referendo (o Rui Curado Silva e o Rui Tavares que, embora independente, é um eurodeputado eleito).
  3. O Rui Tavares. Como disse, o meu voto nestas eleições à partida seria naturalmente no BE. Para além disso, fico muito feliz por este meu voto ter contribuído para eleger um amigo (algo que não contribuiu para a minha decisão) e, principalmente, alguém que, tenho a certeza, vai ser um excelente deputado europeu. Espero que a eleição do Rui contribua para aproximar a Europa dos cidadãos.
  4. Finalmente (por hoje), os resultados nacionais. Estive na quinta feira no comício de encerramento da campanha do bloco em Braga. Ouvi Miguel Portas dizer coisas acertadas, mas outras irresponsáveis (criticar o governo pelo aumento das idades da reforma, sem se preocupar com a sustentabilidade da segurança social, ou criticar a avaliação dos professores sem propor uma alternativa que não fosse deixar tudo na mesma - mal). Tive de me vir embora; se ficasse para ouvir Francisco Louçã, iria acabar por mudar o meu sentido de voto mesmo nas europeias. Votei no Bloco porque estas são eleições europeias, nas quais eu votei a pensar na Europa e no mundo (e é o Bloco quem melhor me representa nestes assuntos, dos grandes partidos portugueses). Não é legítimo interpretar o meu voto à luz de política nacional. É muito pouco provável que o Bloco possa contar com o meu voto para as legislativas.

2009/06/07

Uma exposição interessante

"O frigorífico de Einstein", no Museu da Electricidade em Lisboa. Encerrava hoje (dia em que a fui ver). Se não vale como recomendação, vale como reconhecimento.

2009/06/05

Gaiteiros em Braga

O Pedro Morgado não refere, mas esta noite a cultura em Braga vai passar muito por um concerto dos Gaiteiros de Lisboa na Avenida Central. Será por ser também o comício de encerramento da campanha do Bloco de Esquerda, e o Pedro querer manter o blogue neutro? Ou será alergia ao nome "Gaiteiros de Lisboa"? De qualquer maneira fica aqui a informação. Lá estarei para ouvir. E para dar o meu apoio.

Entre a Manuela Moura Guedes e o Pedro Tadeu, ao menos este é de esquerda...

2009/06/04

Eleições (1)

As do Sporting, antes do dia do voto: não há presidentes perfeitos. José Eduardo Bettencourt é um betinho insuportável (e mais ainda o seu sobrinho Pedro Granger). Ainda assim, enquanto a oposição se resumir a candidatos como Sérgio Abrantes Mendes ou, agora, Paulo Pereira Cristóvão, não vejo melhor alternativa para o Sporting que a actual linha de dirigentes.

Ilustríssimo sr. Vasco...

...essa do Carlos Castro da blogosfera tem autor. (Se esse estaminé onde escrevem aceitasse comentários, eu deixaria lá um em vez de estar aqui a escrever.)

2009/06/03

Crónica da Rússia (2)

Apesar do excelente sistema de metro, o tráfego automóvel tem vindo a aumentar em Moscovo nos últimos anos. Com excepção da Rua Arbat, Moscovo não é uma cidade muito simpática para os peões, que frequentemente para atravessarem as artérias principais têm que recorrer a passagens subterrâneas (é a única possibilidade). Existem polícias em toda a parte que não deixam os peões saírem das áreas designadas.
Esta experiência estende-se, para meu grande espanto, dentro do Kremlin, uma área protegida onde só circulam meia dúzia de viaturas do Estado. Mesmo assim, essas viaturas têm para elas reservadas várias vias, que os peões não podem sequer atravessar.
Compreendo que aquelas viaturas seguem em trabalho e que aquele é um território do estado russo, que é permitido aos turistas visitar (após desembolsarem uma bela maquia), mas ainda assim é território oficial. O que não ficaria mal ao estado russo seria explicar isso delicadamente aos seus visitantes de todas as nacionalidades, que pagaram para entrar, em vez de se limitarem a ter uns polícias que só falam russo a apitarem e a dirigirem-se com maus modos aos prevaricadores.

2009/06/02

Crónica da Rússia (1)

Os russos são um povo mais ou menos simpático, mas com a mania das grandezas, indisciplinado e que gosta muito de beber. Exactamente a impressão que eu tinha.
A falta de conhecimentos de inglês dos russos é geral, mesmo em cidades maiores como Moscovo. No laboratório onde estive, frequentado por muitos cientistas de todo o mundo, os empregados não falam inglês. Perguntar a alguém o caminho, ou outra coisa qualquer, é um tormento. Como um bom povo imperialista, não só os russos não falam outra língua que não a sua, como ainda acham que toda a gente deve entendê-la. E assim se se perguntar o caminho para algum lugar, levamos logo uma explicação detalhada em russo. Uma explicação que é uma pura perda de tempo, e que me fazia desesperar, mais a minha impaciência nova-iorquina. Várias vezes tal me sucedeu; várias vezes estive para os interromper e dizer em inglês: “Poupa o teu fôlego. Eu só vou olhar para o que me indicares com as mãos!”
Nesse aspecto os franceses são melhores. Mais eficientes. Também julgam que toda a gente deve falar francês, mas não perdemn muito tempo a explicar. Quem não perceber, pelo menos não perde tanto tempo a ouvi-los. Os franceses são antipáticos, e por isso são-me muito simpáticos. Os russos deveriam aprender com eles.

2009/06/01

De volta da Rússia, para o Cinco Dias

Escrevi uma versão deste comentário (de que já não disponho - alterada, mas no essencial a mesma coisa) neste texto do Cinco Dias. Não foi publicado. Não creio que o autor do texto tenha alguma coisa a ver com isto. Fica aqui o comentário para a posteridade.

"Possibilidade da TVI" e "possibilidade de a TVI" são duas coisas bem diferentes. A contracção do "de" com o "a" só se aplica quando ambos se referem a um substantivo. No caso concreto referido, "possibilidade de a TVI ter posto em causa", o "de" aplica-se ao verbo, a "ter posto em causa". "A TVI" poderia nem estar na frase: poderia ser somente ""possibilidade de ter posto em causa". Como o "de" se aplica ao verbo e o "a" ao substantivo (a TVI), não há lugar a qualquer contracção.

Nos próximos dias conto ir fazendo um relato da Rússia.

2009/05/29

O eclipse e a gravidade no ponto fixo

Passam hoje exactamente 90 anos desde que se estabeleceu a confirmacao experimental da relatividade generalizada de Einstein, com a observacao do desvio da luz pelo campo gravitacional, na ilha do Principe, durante um eclipse (como recorda Carlos Fiolhais).
Nao sei se por coincidencia ou se de proposito, a manha do dia de hoje, onde me encontro, foi dedicada a uma nova teoria, nao relativista, da gravidade (a gravidade de Horava/Lifshitz, de que o Lubos Motl ja tinha falado aqui e aqui). Uma teoria nao relativista que engloba a relatividade geral - e melhor comportada quanticamente! Ha muito trabalho a fazer ainda, mas confesso que fiquei impressionado. O autor nao e parvo nenhum (nem de perto nem de longe), e a proposta e sem duvida arrojada. Mas nao teve (nem tem que ter) destaque nos jornais, apesar de ja ter varias dezenas de artigos a ela dedicados. Mas nao tem ainda nenhum resultado crucial, experimental ou teorico, que justificasse tal atencao. Muito menos foi objecto de livros de divulgacao cientifica, ao contrario de certas "teorias" VSL (iniciais de "very silly"), que so foram trabalhadas pelo seu autor.
Gravidade de Horava - a seguir com atencao. Foi a vontade com que eu fiquei hoje.

2009/05/28

Primeiras impressoes da Russia

O Lenine converteu este pais ao calendario ocidental. Foi pena nao ter feito o mesmo com o alfabeto.

2009/05/27

As finais europeias

Hoje e o "jogo do ano", entre uma equipa que merece estar na final e uma outra que fez uma epoca extraordinaria, mas nao merece. So isso chega para eu decidir por quem vou estar, se conseguir ver o jogo no hotel. Mas venho falar da final de ha uma semana, da Taca UEFA.
Toda a gente viu a forma indiscutivel como o Sporting eliminou o Shaktar Donetsk da Liga dos Campeoes, com vitorias em Alvalade e na Ucrania. Grracas a essas vitorias o Sporting ficou em segundo no grupo, conquistano o direito a seguir em frente na Liga dos Campeoes.
Na altura achei que talvez tivesse sido melhor o Sporting ter ficado em terceiro e seguido na Taca UEFA. Creio que nao me enganei. O Sporting foi humilhado pelo Bayern de Munique; o Shaktar Donetsk, que era inferior ao Sporting (creio ter ficado bem claro) venceu a Taca UEFA. Este exemplo ilustra bem a diferenca entre as duas competicoes. A Taca UEFA (que se vai passar a chamar Liga Europa) e claramente uma segunda liga europeia.

Encontros com a imagem

Um recado de Dubna, so para apoiar a exposicao que o Pedro Morgado ja tinha recomendado, patente ate ao final do mes em varios espacos de Braga.
Uns autores sao melhores que outros. Recomendo sobretudo as fotografias no Museu D. Diogo de Sousa e na Torre de Menagem.

2009/05/25

Gota d'Agua

Assisti a peca no passado dia 16, no Cineteatro de Estarreja. Desde entao o album "Chico Buarque e Maria Bethania ao vivo", de 1975 (o do "Tanto Mar"), um dos discos da minha vida, ganhou outro significado. Particularmente as musicas "Gota d'Agua", "Flor da Idade" e "Bem Querer". A estas acrescenta-se "Basta Um Dia" e (para esta encenacao) "Partido Alto", "Atras da Porta" e "O Que Sera". Podem julgar que e mais um "concerto". Reconheco que a autoria do Chico Buarque para mim e um atractivo muito forte, mas garanto-vos que esta peca e muito mais do que um "concerto". Apesar de tudo, corre-se esse risco (especialmente para buarqueanos como eu). Talvez tenha sido por isso que, antes de a peca ter comecado, creio ter ouvido o aviso "E proibido cantar?!"
Recado directamente da Russia: depois de uma bem sucedida digressao pelo pais, "Gota d'Agua" repoe hoje, no Coliseu de Lisboa. Recomendo vivamente.

2009/05/21

A caminho da ex-URSS

Quando chegar lá eu escrevo. Se puder...

2009/05/18

Nos 50 anos do Cristo Rei


aqui tinha deixado claro que não aprecio particularmente estátuas gigantescas de Jesus Cristo. De qualquer maneira gosto do Cristo Rei e acho que faz falta uma vista como aquela sobre Lisboa (que tinha que ser construída, ao contrário de no Rio, onde já havia Corcovado antes do Redentor). É sobretudo para isso que o Cristo Rei serve: para uma bela vista panorâmica sobre Lisboa. Apesar de tudo, o Cristo Redentor do Rio de Janeiro tem uma vantagem em relação à sua imitação lisboeta: está de costas voltadas para a Mata da Tijuca, onde não mora ninguém. A estátua do Cristo Rei volta ostensivamente as costas à população de Almada (e da Margem Sul em geral). Se alguém se interrogou sobre a força do PCP nesta região, talvez esta explicação ajude.

2009/05/15

Novidades da nieuwenhuizen

Defequei pela primeira vez lá fez ontem uma semana. Cozinhei pela primeira vez (umas batatas fritas para comer com um leitão comprado no LiDL no meu fogareirinho) no sábado passado. E é melhor parar com estes textos antes que se tornem demasiadamente íntimos.

2009/05/14

Voltando às rendas

Será que o Luís Rainha já leu a opinião da sua besta negra sobre o arrendamento?
Lendo os comentários da posta do Blasfémias que o Gabriel fez com o texto de Henrique Raposo, parece-me que os leitores do Blasfémias são mais à esquerda que os do Cinco Dias. Pelo menos os que comentaram o texto do Gabriel, em comparação com os que compararam este meu (numa altura em que o Cinco Dias era completamente diferente do que é hoje). Seria interessante ver a reacção dos leitores do Cinco Dias de hoje a um texto como o meu.

2009/05/13

FHC



Não apoiei muitas das medidas do seu governo. "Apoio" esta excelente entrevista a Teresa de Sousa:

Há que inventar coisas novas. É óbvio que o liberalismo solto não funciona. Os mercados não têm capacidade para se auto-regularem. O que não significa dizer que os Estados têm. Então, tem de se inventar alguma coisa que não seja nem uma imposição estatal, nem uma liberdade de mercado. Agências reguladoras, maior participação da sociedade. Algo de novo tem de ser criado. E tem de ter alguma utopia, para inventar o futuro.

Ninguém está propondo nada semelhante ao marxismo. Marx tinha o quê? Uma análise crítica do capitalismo, aliás muito bem feita. E havia no lado político a ideia de que era preciso substituir a propriedade privada dos meios de produção pela propriedade colectiva. Ninguém propõe isso hoje. Vamos ter de ter algum tipo de controlo social, algum mecanismo para gerar mais bem-estar social, não pela via só do mercado mas pela via da redistribuição.

O Estado tem que ter um papel maior. Tem que ter. Mas que Estado? O Estado democrático. Se o Estado for totalitário, também não resolve. E esse Estado democrático hoje exige participação da sociedade, mecanismos de parceria, órgãos de Estado e não de governo.

A Internet produziu uma revolução no mundo e o sistema partidário está "ilhado", não responde a boa parte da demanda da população porque ela não passa por aí, passa por outros mecanismos. Tenho cinco netos e vivem o dia inteiro no computador. Estão perdendo tempo? Não. Estão conectados. Com quê? Com o mundo. E cada um deles forma opinião e isso não passa pelos partidos.

Eu acho que uma das coisas boas do soft power do Brasil é essa. O Brasil tem uma certa capacidade de aceitar o outro. O mundo vai precisar de desenvolver essa capacidade. A Europa precisa. Está tentando. Se não, é a guerra de todos contra todos. É preciso mais espírito de tolerância, mas é preciso também que os grandes líderes se incumbam disso. Obama tem a virtude de ser ele próprio um exemplo disso. Porque ele é negro, viveu na Indonésia, o pai nasceu no Quénia, é doutor em Harvard e é Presidente dos EUA.

Acho que a Europa, apesar de ter esse espírito comum da Europa social e da Europa económica, não tem o espírito comum da Europa política, da Europa activa no mundo. Pesa menos do que poderia pesar.

A Europa, tem-se a sensação de que está a perder tempo. Tem de ter uma unificação política maior. Não pode ter peso se for só apêndice dos EUA.

Tenho a impressão que as lideranças actuais estão muito submergidas nos problemas nacionais. As lideranças do passado, como houve a guerra, tinham uma motivação muito grande. Schmidt, Kohl, Felipe González, Mitterrand, Mário Soares, tinham outro peso e outra visão. Depois, a Europa deu certo, enriqueceu, e o enriquecimento amolece. Ficou muito agradável, mas talvez tenha perdido a vontade. Tony Blair, que eu respeito, a certa altura poderia ter representado uma Europa modernizada e vigorosa. Mas aquela ligação...

Noutro dia alguém me perguntou o que é que nos faltava para sermos do primeiro mundo. Eu digo: falta educação, segurança, menos desigualdade. Hoje, o problema do Brasil não é tanto económico. A economia brasileira produz tudo, está forte, e a sociedade é dinâmica. Mas esses problemas têm de ser resolvidos.


Entrevista ao Público, 09-05-2009

2009/05/12

50 anos da batata a que chamam "queijo"

Um aspecto que eu nunca entendi na política portuguesa foi o episódio do "queijo limiano", com António Guterres. Para salvar um queijo propriamente dito, um queijo decente, como o da Serra da Estrela, o de Nisa ou o da Ilha de São Jorge, ainda poderia aceitar uma indecência política como a do “orçamento do queijo limiano” de há dez anos atrás. Agora para salvar uma batata a que os holandeses chamam “queijo”, e que só poderiam ter sido eles a inventar?
Parece que a “batata” limiana faz 50 anos. Triste sina, a do Minho. Como se não bastasse ter um refresco (chamado “verde”) que há quem julgue que é vinho, tem também um puré de batata (“limiano”) que há quem julgue que é queijo.

2009/05/11

Sobre o “caso Vital Moreira”

O PS exagerou ao exigir um pedido oficial de desculpas ao PCP e à CGTP. Não se pode garantir que os autores dos (lamentáveis) acontecimentos tenham sido militantes do PCP, nem este partido é responsável pelos actos de todos os seus militantes. Da mesma maneira, não se pode pedir à CGTP que se responsabilize por todos os participantes na manifestação. Foi um acto de indivíduos; as responsabilidades são individuais.
Refiro-me a desculpas oficiais. As desculpas no acto apresentadas pela CGTP, como organizadora no evento, eram inevitáveis. Ainda mais quando a própria CGTP tinha convidado o PS a visitar a manifestação. Reacções como as de quem diz que Vital Moreira “não deveria lá estar” e que tal “era uma provocação” nem merecem resposta.
Restam as reacções dos partidos. E aqui toda a gente, do Bloco de Esquerda ao CDS, condenou o sucedido. Com excepção do PCP. Está certo que não foram só militantes do PCP os responsáveis pelo sucedido. Se calhar nem foram mesmo miltantes do PCP de todo (até agora só se confirmou um elemento da Ruptura/FER). Compreendo a indignação de comunistas sérios como Vítor Dias, mas a verdade é que um acontecimento como este foi prontamente condenado por todos os partidos menos pelo PCP. A principal lição política a tirar deste caso é esta.

2009/05/10

Joaquim Agostinho


O seu mito reforçou o meu sportinguismo, numa época em que a grande crise de resultados ainda estava a começar. E motivou o meu gosto pelas bicicletas.
Joaquim Agostinho, o melhor ciclista português de todos os tempos, morreu (numa morte muito estúpida) há 25 anos.

2009/05/09

Sobre as finais europeias

Barcelona contra Manchester United. Messi contra Ronaldo. Sem dúvida há muitos anos que não se via um confronto assim. As audiências vão disparar. A final da Liga dos Campeões era o jogo que toda a gente queria ver. E é o jogo que a UEFA queria que toda a gente visse. A vítima, para isso, foi o Chelsea.
Para o Werder Bremen chegar à final da Taça UEFA, valeu-lhe o efeito borboleta. Em lugar de uma borboleta a bater as asas, tivemos um espectador que atirou uma bola de papel. Confiram aqui.

2009/05/07

Vasco Granja (1925-2009)


Foi quem em português introduziu as palavras que as iniciais na etiqueta deste texto representam. E já não foi pouco.

2009/05/05

Nieuwenhuizen

(O título deste texto é uma homenagem a um mestre.)

Andar nu pelos corredores da casa pela primeira vez. Urinar na sanita. Puxar o autoclismo pela primeira vez. Ando assim (e a limpar o pó, e a escolher electrodomésticos e móveis).

2009/05/04

Entrevista a Carvalho da Silva

No conturbado fim de semana do Dia do Trabalhador. Entrevista a Anabela Mota Ribeiro no Jornal de Negócios. Um sumário aqui.

2009/04/30

A festa dos indigentes

Era eu caloiro e a Associação de estudantes do Instituto Superior Técnico promoveu um debate entre antigos dirigentes associativos. Vivia-se a “guerra” de combate às propinas, no cavaquismo. Diana Andringa deixou-nos um conselho que eu nunca esqueci: “Quando estiverem numa manifestação não bebam nem joguem às cartas: dá um mau aspecto do caraças.”
Vem isto a propósito de fazer-se uma “festa de protesto” a propósito do MayDay. O MayDay tem todo o meu apoio. Não tenho nada contra uma festa como a do Ateneu Comercial de Lisboa no passado dia 17 – é bem provável que até lá tivesse ido se estivesse em Lisboa. Mas fazer uma “festa de protesto”?
Os trabalhadores precários têm todo o meu respeito. Se fizessem um protesto a sério (desde que não violento), como se fazem em França, teriam todo o meu apoio. Agora fazerem como “acção de protesto” mais uma festa onde se come comida vegetariana e fumam uns charros soa-me – como dizer? – a beber ou jogar às cartas numa manifestação. Espero ao menos que a festa tenha sido boa. Bom MayDay para todos.

2009/04/29

Ruído de fundo


Foi na apresentação do novo livro do José Mário Silva, na livraria Pó dos Livros em Lisboa. Enquanto Jorge Silva Melo perorava sobre bares supostamente "decrépitos", ouviam-se buzinas cá fora. Pessoas na assistênci abandonavam o recinto para se certificarem de que não era o seu carro que estava a causar problemas de circulação. Eu sabia que a minha bicicleta é que não era.

Adenda: a foto é do Luis Rainha, que a tirou sem ninguém dar por isso.

2009/04/28

Everything that happens will happen tonight at Coliseu

Por onde poderei eu começar? Olhem, leiam por exemplo este texto do blogue dele. Leiam-no por favor do princípio ao fim, que vale a pena. Da largura de banda da internet às populações de peixe para pescar. Leiam bem o argumento que ele dá contra a privatização das praias - até chegar à importância de um serviço nacional de saúde.
Dele escreveu Caetano Veloso:
David é tudo que há de bom. Stop Making Sense é o mais lindo filme de show de rock, possivelmente porque o show dos Talking Heads era um dos mais lindos que já houve. Ele nunca perdeu a elegância. O show quefez com Margareth Menezes foi um grande sucesso da Margareth Menezes, mas ele estava um tanto invisível. Já os outros que vi dele, foram todos simplesmente geniais. Agora ele me disse que está fazendo um show show: com dançarinos e tudo. Deve ser fenomenal, porque ele é, como eu disse no show que fizemos juntos no Carnegie Hall (e do qual há, sim, Lucre, gravação com proposta para sair em CD), o mais chique dos roqueiros. Considero o entendimento que ele teve da música no Brasil um aspecto dessa chiqueza.

Caetano Veloso era, com David Byrne, o artista que eu mais vezes tinha visto em concerto. Era um empate. Hoje esse empate será desfeito. A favor do Byrne. Pelas razões que já expliquei aqui. Pelo que escreve. Pela sua fabulosa música ao longo de toda uma carreira. Por ser para mim uma inspiração. (Tenho a pretensão de dizer: quem me quiser entender deve ouvir o David Byrne. Eu acho que só me entendo com quem gosta do David Byrne e do Seinfeld.)
Aproveitei e vim por outros motivos, mas tenho que confessar que o principal, que me trouxe de Braga a Lisboa esta semana, foi este. Tudo o que acontece acontecerá esta noite no Coliseu.

2009/04/27

God got her











God will get you for that!, dizia a Maude quando ficava derrotada e não lhe restava mais nada para dizer. Morreu um ícone da televisão da minha adolescência.


Bea Arthur, Star of Two TV Comedies, Dies at 86
By BRUCE WEBER
Bea Arthur, who used her husky voice, commanding stature and flair for the comic jab to create two of the most endearing battle-axes in television history, Maude Findlay in the groundbreaking situation comedy “Maude” and Dorothy Zbornak in “The Golden Girls,” died Saturday at her home in Los Angeles. She was coy about her age, and sources give various dates for her birth, but a family spokesman, Dan Watt, said in an e-mail message she was 86.

The cause was cancer, Mr. Watt said.

Ms. Arthur received 11 Emmy Award nominations, winning twice — in 1977 for “Maude” and in 1988 for “The Golden Girls.”

She was a seasoned and accomplished theater actress and singer before she became a television star and a celebrity in midcareer, and she won a Tony Award in 1966 for playing Angela Lansbury’s best friend, the drunken actress Vera Charles, in “Mame.”

But while she was successful on stage, on television she made history. “Maude,” which was created by Norman Lear as a spinoff from “All in the Family,” was broadcast on CBS during the most turbulent years of the women’s movement, from 1972-78, and in the person of its central character, it offered feminism less as a cause than as an entertainment.

Maude Findlay was a woman in her 40s living in the suburbs with her fourth husband, Walter (played by Bill Macy), her divorced daughter, Carol (Adrienne Barbeau), and a grandson. An unabashed liberal, a bit of a loudmouth and a tough broad with a soft heart, she was, in the parlance of the time, a liberated woman, who sometimes got herself into trouble with boilerplate biases just the way her cultural opposite number, Archie Bunker, did. She was given a formidable physicality by Ms. Arthur, who was 5 feet 9 ½ inches and spoke in a distinctively brassy contralto.

The show was considered a sitcom, but like “All in the Family,” it used comedy to take on serious personal issues and thorny social ones — alcoholism, drugs, infidelity.

“We tackled everything except hemorrhoids,” Ms. Arthur said, sounding much like Maude, in a 2001 interview with the Archive of American Television, a collection of video oral histories compiled by the Academy of Television Arts and Sciences.

In the show’s first season, Maude, at the age of 47, learned she was pregnant; her distress was evident.

“Mother, what’s wrong? You’ve got to share this with me,” Carol says. Maude’s response is typical, with barbs aimed both inward and outward, delivered by Ms. Arthur with a flash of simultaneous anger, despair and humor: “Honey, I’d give anything to share it with you.”

The two-part episode was broadcast in November 1972, two months before Roe v. Wade, the Supreme Court case that made abortion legal nationwide, was decided. By the episode’s conclusion, Maude, who lived in Westchester County in New York, where abortion was already permitted, had chosen to end the pregnancy. Two CBS affiliates refused to broadcast the program, and Ms. Arthur received a shower of angry mail.

“The reaction really knocked me for a loop,” she recalled in a 1978 interview in The New York Times. “I really hadn’t thought about the abortion issue one way or the other. The only thing we concerned ourselves with was: Was the show good? We thought we did it brilliantly; we were so very proud of not copping out with it.”

“The Golden Girls,” an immensely popular show that was broadcast on NBC from 1985-92 and can still be seen daily in reruns, broke ground in another way. Created by Susan Harris (who wrote the “Maude” abortion episode), it focused on four previously married women sharing a house in Miami, and with its emphasis on decidedly older characters, it ran counter to the conventional wisdom that youthful sex appeal was the key to ratings success.

Which is not to say “The Golden Girls” wasn’t sexy. Like “Maude,” it was a comedy that dealt with serious issues, especially those involved with aging, but also matters like gun control, gay rights and domestic violence. And like “Maude,” it could be bawdy. The women were all active daters and, to different degrees, openly randy. As Dorothy, Ms. Arthur was coiffed and clothed in a softer, more emphatically feminine manner than she had been in “Maude,” but she was no less sharp-tongued, and she and the show’s other stars — Rue McClanahan, Betty White and Estelle Getty (who, though younger than Ms. Arthur, played Dorothy’s mother) — were frequently praised for portraying the lives of older women as lively, uncertain, dramatic and passion-filled as those of college sorority sisters.

Familiarly known as Bea, Ms. Arthur was billed in the theater and on television as Beatrice, but the name was one she made up. She was born Bernice Frankel in New York City on May 13, 1922, according to Mr. Watt. But she preferred to be called B — “I changed the Bernice almost as soon as I heard it,” she said — and later expanded it to Beatrice because, she said, she imagined it would look lovely on a theater marquee. The name Arthur is a modified version of the name of her first husband, the screenwriter and producer Robert Alan Aurthur.

When she was a child, her family moved to Cambridge, Md., on the Eastern Shore, where her parents ran a small women’s clothing store, and she dreamed of being a chanteuse and an actress, and entertained her friends with imitations of Mae West. She attended Blackstone College, a two-year school in Virginia, and later studied to be a medical technician, then eventually moved to New York to study acting with Erwin Piscator at the Dramatic Workshop of the New School for Social Research. Among her classmates were Tony Curtis, Walter Matthau and the actor and director Gene Saks, whom she married in 1950. (He directed her in “Mame.”) They divorced in 1978; their two sons, Matthew and Daniel, survive her. She had two granddaughters.

Ms. Arthur worked regularly Off Broadway and in summer stock, appearing as Lucy Brown in Marc Blitzstein’s adaptation of “The Threepenny Opera” at the Theater de Lys in 1954. And in 1955, in a well-received musical tidbit, “Shoestring Revue,” she was seen for the first time by the man who would become a lifelong friend and professional benefactor, Norman Lear.

She also sang in nightclubs and worked occasionally on television, appearing on “Kraft Television Theater” and other shows featuring live drama. On Broadway, in 1964, she played Yente, the matchmaker in “Fiddler on the Roof.” In the movies, she appeared in the comedy “Lovers and Other Strangers” (1970), and in a reprise of her stage performance as Vera Charles, she appeared in “Mame” (1974), again directed by her husband, this time alongside Lucille Ball.

In 1971, she was living in New York but visiting her husband, who was directing a movie, “The Last of the Red Hot Lovers,” in Los Angeles, when Mr. Lear persuaded her to do a guest spot on “All in the Family.” The role he created for her, Maude Findlay, was a cousin of Edith Bunker, Archie’s wife (Jean Stapleton), who arrives to care for the family when everyone gets sick. Her tart sparring with Archie (Carroll O’Connor, with whom she had worked on stage, in a play called “Ulysses in Nighttown”) was a hit with viewers. Almost immediately CBS ordered up a new series from Mr. Lear, with Ms. Arthur’s Maude at the center of it. It changed her life.

“I think we made television a little more adult,” Ms. Arthur said. “I really do.”

2009/04/24

Quem quer casa paga

Nos EUA, quando comprei um carro, passei um cheque visado. Era um impresso especial (eles não têm carimbos) que me custou uma ninharia.
Em Portugal, para comprar uma casa, também passei um cheque visado. Era um cheque normal, com um carimbo, selo branco e duas assinaturas. Custou-me 31 euros. Agora que sou um homem do norte apetece dizer-me: "Fooooda-se, cabrões de banqueiros, vão roubar para o caralho!"
É claro que muito mais do que isso tive que pagar em impostos e comissões pela escritura e registo (mesmo com o "Casa Pronta"). Mas dos impostos não me queixo. Do que pago aos bancos (e aos mediadores), sim.

2009/04/23

Já tenho casa

Oficialmente, desde hoje: escritura assinada. Depois conto em mais pormenor o processo que me levou a decidir a casa (recordo a indecisão aqui). Fica um conselho: não comprem uma casa enquanto não se apaixonarem por ela. E eu apaixonei-me pela minha casa. Apaixonei-me por esta vista e por este pôr do sol, que a partir de hoje posso ter todos os dias.

2009/04/22

Feira do Livro de Braga

Já está a decorrer. Amanhã às 21:30 Licínio Chainho Pereira (físico molecular e antigo reitor da Universidade do Minho) e o Rui Tavares falam às 21:30 sobre "Memória do Universo, Universos de Memória". A não perder.

2009/04/20

Homenagem a José Sousa Ramos


Foi inaugurada no Sobral da Adiça, concelho de Moura, uma escultura em homenagem ao meu saudoso professor José Sousa Ramos. Não tendo podido comparecer, não deixo de me associar aqui a esta merecida homenagem.

2009/04/17

Freeport está para Apito Dourado...

como Sócrates está para Pinto da Costa, Charles Smith está para Carolina Salgado, o PS está para o FCP, o PSD está para o Benfica e Manuela Moura Guedes está para Leonor Pinhão. Aceito mais contribuições.

2009/04/16

"Café com blogues"

Finalmente foi actualizado o arquivo do programa da Rádio Universitária do Minho onde participo. Um dos últimos programas teve a participação especial do Paulo Querido. Vale a pena ouvirem.

2009/04/15

Pequenas vantagens de ser académico

O empregado da embaixada da Rússia a quem entregava a documentação para pedir visto viu a minha proveniência. Ao dizer-me a data de entrega do passaporte com visto, disse-lhe que nesse dia não poderia: só mais tarde. Ele disse: "se quiser, tratamos já aqui". Tive um visto na hora. Pelo mesmo preço. Há quem pague o dobro por um visto em 48 horas.
O ser académico e ter um convite de uma universidade deve ter ajudado. Mas o trabalhar longe de Lisboa também.

2009/04/14

"Vai andar...Vai andar..."



Gaitinhas avistou Gineto logo à entrada da feira. A lua, bondosa, iluminava as barracas. E, se acaso se escondia entre as nuvens, lá estavam as mil lâmpadas de cores para a substituir.
Gineto e Gaitinhas pararam junto dos carróceis que eram dois. O maior, iluminado por lâmpadas multicores, tentava os olhos. Tinha cavalinhos com as patas no ar, galos de crista alta, bichos variados sobre um tapete rolante que oscilava como os barcos do rio. O outro, perro e mal iluminado, só tinha cavalinhos.
- Qual queres? – perguntou Gineto.
Gaitinhas demorou a resposta. Olhou o carrocel velho, sem ninguém, e os cavalinhos tristes, parados. A voz rouca do dono parecia chamá-lo.
- Vai andar...Vai andar...
- Vamos neste – disse Gaitinhas.
O cavalo galopava no espaço, através das estrelas e ele levava um sorriso nos lábios. O carrocel parou. Mas a alegria da viagem ficou ainda a bailar nos olhos de Gineto e nos lábios de Gaitinhas.
Este texto, do meu livro de leitura da 4ª classe, marcou a minha infância. Esteiros, o romance de onde foi tirado, e que li no meu oitavo ano, marcou-me de forma indelével. Inesquecíveis as aventuras do Gineto, do Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Sagui... O autor, Soeiro Pereira Gomes, nasceu há cem anos.

2009/04/13

Apelo à convergência de esquerda nas eleições de Lisboa

"Para que Lisboa cumpra a sua vocação e seja um exemplo para o resto do país. Deixemo-nos de sectarismos que só beneficiam a direita", apelei eu na minha assinatura (fui o primeiro a assinar!). A petição dos lisboetas dirigida aos partidos de esquerda foi apresentada hoje no Palácio Galveias em Lisboa e pode ser assinada aqui.

2009/04/11

250 anos de elevação a cidade



Menina da Ria - Caetano Veloso

Uma moça
De lá do outro lado da poça
Numa aparição transatlântica
Me encheu de elegante alegria
(Ai, Portugal, ovos moles, Aveiro)
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

E uma preta
(Parece que eu estou na Bahia)
Tão Linda quanto ela, dizia
No seu português lusitano:
“Pode o Caetano tirar uma foto?”
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

Arte Nova, um prédio art-nouveau numa margem
Em frente à marina-miragem:
Os barcos na Ria. E depois

Uma taça sobre o pubis glabro, um estudo
Nenhum descalabro se tudo
É sexo sem sexo em nós dois
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria


Parabéns a Aveiro! (Via Amigos d'Avenida)