Paris continua a ser para mim uma cidade onde fiz (e continuo a fazer) muitos amigos. É um "ponto de acumulação" por onde toda a gente passa, onde se fazem amigos novos e onde se encontra aquele amigo que fizemos há uns anos na Cité Universitaire, que agora até está em Lisboa, onde nunca nos encontramos. Mas encontramo-nos por acaso em Paris. Ambas as coisas sucederam-me ontem.
Vou agora até Nantes. Mais tarde oontinuo com as crónicas parisienses.
2009/07/19
2009/07/17
Laboratório Ibérico de Nanotecnologia
Enquanto ando (na verdade neste momento passeio) por Paris, não deixo de sentir orgulho de Braga.
2009/07/16
"What do you need R-symmetry for?"
Foi essa a pergunta que o Ed me fez ao assistir ao meu seminário. Ter o Ed Witten na audiência não deixa ninguém indiferente; no meu caso, não estava propriamente nervoso, mas tenho a sensação de que despachei tudo a correr, uma vez que nem precisei de usar o tempo todo disponível, algo que comigo nunca acontece. Mas garanto-vos: foi uma experiência para muito mais tarde recordar.
2009/07/15
O sítio do costume...
...continua a servir boas refeições a um preço módico, embora agora esteja fechado ao fim de semana. Ainda é o meu local de almoço quotidiano em Paris. Anteontem foi um rôti de dinde avec du riz sauvage perfumé.
2009/07/14
Voos e refeições, cinco anos depois
Deram desta vez sandes de salmão fumado com queijo fundido. Estão a melhorar a olhos vistos em comparação com há cinco anos, mesmo se sejam menos portugueses na comida (a comida portuguesa não é comida de avião, e ainda bem). Eu estava esganado de fome, e fui pedir outra sandes, como é meu hábito (era de noite, e o avião vinha com metade da lotação). Fiquei à conversa com a simpatiquíssima tripulação, e ainda me perguntaram se eu não queria mais uma sandes. O meu jantar (repito, ia esganado de fome de Portugal) foi, assim, três sandes de salmão fumado, dois copos (cheios - à portuguesa) de Fontanário de Pegões branco (da região do Sado, Rui), duas saladas de frutas e dois cafés. No serviço (em quantidade, qualidade e sobretudo em simpatia) não há nada que chegue à nossa TAP. E em segurança. E, já agora, nada a registar em termos de pontualidade. Bem pode a liberal tripeiragem fugir dela – não se admirem é de depois haver menos voos para o Porto e virem meio cheios. É o mercado. É a procura.
Custa-me escrever o que escrevo a seguir, mas tenho que ser sincero – se eu tivesse pago a viagem do meu bolso, dificilmente teria optado pela TAP. Teria prescindido do jantar, da leitura a bordo, teria pago menos cinquenta ou cem euros e optado por uma low-cost (que não a Ryanair). Mas uma vez que foi o estado a pagar, e o estado não paga low-costs (e obriga-nos a reservar em agências que cobram 40 euros só de emitirem um bilhete), vim em económica, no bilhete mais barato que encontrei. Felizmente foi a TAP. Quando são os contribuintes a pagar, não há nada melhor que a TAP. Quando não são, também é muito boa. E barata às vezes.
Custa-me escrever o que escrevo a seguir, mas tenho que ser sincero – se eu tivesse pago a viagem do meu bolso, dificilmente teria optado pela TAP. Teria prescindido do jantar, da leitura a bordo, teria pago menos cinquenta ou cem euros e optado por uma low-cost (que não a Ryanair). Mas uma vez que foi o estado a pagar, e o estado não paga low-costs (e obriga-nos a reservar em agências que cobram 40 euros só de emitirem um bilhete), vim em económica, no bilhete mais barato que encontrei. Felizmente foi a TAP. Quando são os contribuintes a pagar, não há nada melhor que a TAP. Quando não são, também é muito boa. E barata às vezes.
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Aviação
2009/07/13
À Paris
...desta vez para os Encontros Marcel Grossmann, onde vou dar dois seminários cuja preparação me retirou muitas horas de sono na semana passada. É sempre um enorme prazer regressar a casa.
2009/07/12
O cu e as calças (3)
Fernanda,
condenar a violência policial injustificada é uma coisa. Que não tem nada a ver com este caso que referes.
Há muito boa gente (que fica muito entusiasmada com os protestos dos estudantes gregos - creio não ser o teu caso) que fala em "estado policial" e "fascista" cada vez que um polícia comete um excesso (acho muito bem que se apurem responsabilidades por esses excessos, atenção). Organizam vigílias e protestos. Mas não são capazes de terem uma palavra perante dois polícias que são baleados. Há muito boa gente (na blogosfera) para quem a vida de um polícia vale menos que as outras. Não queiras confundir tu o cu com as calças também.
condenar a violência policial injustificada é uma coisa. Que não tem nada a ver com este caso que referes.
Há muito boa gente (que fica muito entusiasmada com os protestos dos estudantes gregos - creio não ser o teu caso) que fala em "estado policial" e "fascista" cada vez que um polícia comete um excesso (acho muito bem que se apurem responsabilidades por esses excessos, atenção). Organizam vigílias e protestos. Mas não são capazes de terem uma palavra perante dois polícias que são baleados. Há muito boa gente (na blogosfera) para quem a vida de um polícia vale menos que as outras. Não queiras confundir tu o cu com as calças também.
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Portugal
2009/07/09
2009/07/08
Physical Reality Of String Theory Shown In Quantum-critical State Of Electrons
Para quem questiona que a teoria de supercordas possa apresentar alguma vez resultados palpáveis, aqui está um mistério, em física da matéria condensada, que só foi explicado recorrendo a teoria de supercordas. O que mais custa aos críticos das supercordas é isto: não existe melhor educação em física teórica do que um doutoramento em teoria de supercordas ou num assunto relacionado (física estatística ou teoria quântica de campo). Assuntos que permitem (como nenhum outro) trabalhar em muitos outros campos. Eles sabem-no bem.
É com prazer que acrescento que um dos autores, o Koenraad Schalm, foi meu colega mais velho de doutoramento. É mais um produto da escola holandesa, uma das melhores em física teórica (Stony Brook, apesar de ser em Nova Iorque, pertence à escola holandesa em física teórica). Embora não tenhamos tido muito tempo em comum, o Koen serviu-me como exemplo e inspiração. Parabéns, Koen!
(E obrigado, Luís.)
É com prazer que acrescento que um dos autores, o Koenraad Schalm, foi meu colega mais velho de doutoramento. É mais um produto da escola holandesa, uma das melhores em física teórica (Stony Brook, apesar de ser em Nova Iorque, pertence à escola holandesa em física teórica). Embora não tenhamos tido muito tempo em comum, o Koen serviu-me como exemplo e inspiração. Parabéns, Koen!
(E obrigado, Luís.)
2009/07/07
2009/07/06
Novos blogues
Graças ao destaque que a Palmira teve a gentileza de dar ao meu texto "A revolta dos equiparados", o Carlos Santos descobriu o Avesso do Avesso e teve a gentileza de nos destacar como "blogue da semana". E não é um destaque qualquer: é nuns termos que eu, sem querer parecer falsamente modesto (que não sou), considero muito lisongeiros. Muito obrigado e um abraço ao Carlos pela gentileza!
E graças aos destaques da Palmira e do Carlos, também pude descobrir o blogue de um amigo, o Porto do Graal. O Valor das Ideias e Porto do Graal: dois blogues a seguir.
E graças aos destaques da Palmira e do Carlos, também pude descobrir o blogue de um amigo, o Porto do Graal. O Valor das Ideias e Porto do Graal: dois blogues a seguir.
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Blogues
2009/07/03
O caso Pinho
O "esquerda.net" é muito influente: muitos blogues, mesmo de direita, republicam o vídeo lá publicado.
O melhor comentário foi do Pedro Lomba, no Facebook: "Afinal os chifres foram para Louçã ou para Bernardino? Parece haver uma disputa."
Também gostei do do Jornal de Negócios, citado pela Maria João Pires: Indicadores traem Manuel Pinho.
Dito isto, creio que globalmente o episódio foi bom para o governo. Livram-se (sem terem que o demitir) de um ministro que até poderia ser bom tecnicamente, mas era um desastre em comunicação. E as suas gaffes tinham sempre consequências políticas (como a da Farinha Maizena, que Paulo Rangel ainda lhe deve agradecer). Manuel Pinho era um embaraço para o governo, e saiu de forma apesar de tudo airosa.
O melhor comentário foi do Pedro Lomba, no Facebook: "Afinal os chifres foram para Louçã ou para Bernardino? Parece haver uma disputa."
Também gostei do do Jornal de Negócios, citado pela Maria João Pires: Indicadores traem Manuel Pinho.
Dito isto, creio que globalmente o episódio foi bom para o governo. Livram-se (sem terem que o demitir) de um ministro que até poderia ser bom tecnicamente, mas era um desastre em comunicação. E as suas gaffes tinham sempre consequências políticas (como a da Farinha Maizena, que Paulo Rangel ainda lhe deve agradecer). Manuel Pinho era um embaraço para o governo, e saiu de forma apesar de tudo airosa.
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Política
2009/07/02
Partes baixas
Há alturas em que ignorante é o melhor que podemos supor de uma pessoa.
Sempre supus que quem se queixa de "Lisboa" por tudo e por nada só pode ser ignorante. Provavelmente conhece a Baixa do Porto (incluindo o excelente "Piolho", onde vou há doze anos) e pouco mais.
Comparar Mariano Gago a um agente da GNR, conhecendo-se a biografia do actual ministro do Ensino Superior (nomeadamente como dirigente associativo), na melhor das hipóteses revela ignorância. Na pior, é muito, muito baixo, e revela até que ponto se pode chegar para defender um emprego na universidade pública. Um emprego - assistente universitário de carreira - que não tem razão de ser nos dias de hoje, como já escrevi várias vezes. Mas essa já é outra conversa.
(Nota: o que defendo - há muito tempo - aplica-se a todos os assistentes universitários, e não ao assistente universitário Carlos Abreu Amorim em particular, bem entendido. Mas teria ficado bem a CAA esclarecer que é parte interessada quando escreve sobre este assunto.)
Sempre supus que quem se queixa de "Lisboa" por tudo e por nada só pode ser ignorante. Provavelmente conhece a Baixa do Porto (incluindo o excelente "Piolho", onde vou há doze anos) e pouco mais.
Comparar Mariano Gago a um agente da GNR, conhecendo-se a biografia do actual ministro do Ensino Superior (nomeadamente como dirigente associativo), na melhor das hipóteses revela ignorância. Na pior, é muito, muito baixo, e revela até que ponto se pode chegar para defender um emprego na universidade pública. Um emprego - assistente universitário de carreira - que não tem razão de ser nos dias de hoje, como já escrevi várias vezes. Mas essa já é outra conversa.
(Nota: o que defendo - há muito tempo - aplica-se a todos os assistentes universitários, e não ao assistente universitário Carlos Abreu Amorim em particular, bem entendido. Mas teria ficado bem a CAA esclarecer que é parte interessada quando escreve sobre este assunto.)
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LEFT,
Universidade
2009/06/30
A revolta dos equiparados
Na notícia do Público on-line sobre a recente manifestação dos docentes do ensino politécnico, lêem-se comentários como:
Não é verdade que os professores em causa tenham entrado nos politécnicos e nas universidades através de um concurso propriamente dito: se fosse esse o caso, pertenceriam aos quadros dessas instituições. Mas o protesto tem a ver com os docentes que não pertencem ao quadro e que, como tal, nunca foram aprovados num concurso como os concursos devem ser, com um júri com membros externos. Estes docentes foram contratados a termo certo por concursos, sim, mas com júris exclusivamente internos. Em grande parte, foram isso sim contratados “por urgente conveniência de serviço”, o que é um belo justificativo para contratações ad-hoc, muitas vezes do compadre da esquina. Basta ler o Diário da República para confirmar, com regularidade, estas contratações “por conveniência de serviço”. Mas não os tais “concursos” com júris internos que referi: esses não vêm em Diário da República nem têm que ser divulgados. Na melhor das hipóteses estes concursos são anunciados (por exemplo, em jornais ou na net). Mas na maior parte das vezes um anúncio na secção de pessoal chega; os candidatos “convenientes” tomarão sempre conhecimento da vaga. Concursos públicos, publicados em edital e abertos a todos os candidatos qualificados, são os das bolsas de investigação dos tais que “não edificaram o sistema politécnico”.
Se é aborrecido ler comentários deste género (principalmente quando se é bolseiro, ou era até há pouco tempo), mais aborrecido se torna encontrar uma carta como a dos docentes do Instituto Politécnico do Porto, divulgada na sua página e apoiada por um sindicato, o Sindicato Nacional do Ensino Superior. Sindicato esse que até tem um Núcleo de Bolseiros entre os seus sócios. Que pensarão os membros desse núcleo de passagens como esta?
É notável este receio de disputar o “seu” posto de trabalho “com um número indeterminado de candidatos”. E é eloquente esta ideia de que o seu “mérito absoluto” não possa ser questionado, mesmo se seja somente através de provas e avaliações internas. Mas o melhor é mesmo o medo xenófobo dos candidatos “sem qualquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.” Mesmo se estes candidatos defenderam teses nas melhores universidades e têm artigos publicados nas melhores revistas, algo que a maioria destes docentes não faz a mínima ideia do que seja. Só o que é da “Escola” é bom para a Escola.
Quando eu era bolseiro (e antes de conseguir um contrato com uma universidade pública, por meio de um júri internacional), muitas vezes me foi vedada a entrada nos concursos de admissão ao quadro destes institutos, com os argumentos mais estapafúrdios. Outras vezes, era admitido a concurso, e ficava (em conjunto com outros colegas bolseiros) sempre no fim da tabela. Os primeiros lugares eram sempre para candidatos internos. Mesmo assim, estes eram mais que o número de vagas, e os que perdiam impugnavam os concursos, com argumentos do tipo “o candidato vencedor tem mais publicações que eu, mas eu demonstro mais interesse pela Escola - sou membro da Assembleia de Representantes!” (Os bolseiros só não são membros das Assembleias de Representantes porque não os deixam.)
Sempre desconfiei que havia um preconceito contra os candidatos de fora, principalmente os bolseiros de investigação, nestes concursos. Foi preciso vir esta proposta do governo para tornar essa desconfiança cristalina - como é claro do comentário do Público online e da carta do ISEP. Pelo menos esse mérito essa proposta tem.
Uma das críticas que mais se ouvem a este governo é o de pôr os portugueses uns contra os outros. Da parte dos bolseiros de investigação, esta proposta não pode ser entendida por esse prisma. Em nenhum país desenvolvido uma reivindicação como esta teria lugar, uma vez nestes países ninguém tem lugar numa universidade sem ser doutorado. Em Portugal, devido a um estatuto totalmente anacrónico, as universidades e os politécnicos foram contratando temporariamente não-doutorados, que, baseados nessa tradição, tinham expectativas em entrarem automaticamente no quadro. Esses contratados tinham todas as regalias de um funcionário público. Ao mesmo tempo, os bolseiros de investigação (os melhores alunos das melhores universidades) tinham a mesma precariedade (e, ao contrário dos docentes, sem nunca saberem se teriam outra bolsa quando a actual se acabasse, e sem nenhuma protecção social, com descontos sobre o salário mínimo e sem subsídios de férias ou Natal).
Ninguém quer excluir esses docentes temporários dos concursos para posições do quadro. Tudo o que os bolseiros pedem é igualdade de oportunidades no acesso a estes lugares. Seguramente, muitos dos candidatos internos que a eles concorrem são competentes. Por outro lado, essa igualdade de oportunidades não pode traduzir-se numa indistinção nos critérios de avaliação. Não é legítimo pretender-se que o currículo de investigação de um docente do ensino politécnico seja o mesmo que o de um bolseiro (ou, sequer, de um docente de uma universidade). Mas da mesma forma não é legítimo pretender-se que a experiência docente seja a mesma. Ora estes concursos valorizam sempre muito mais a experiência docente que a de investigação, se é que dão algum valor à investigação de todo!
O que se pretende, portanto, é que a nenhum candidato competente seja negada à partida a possibilidade de se candidatar a essas vagas, de forma a estas serem sempre preenchidas pelos melhores candidatos. Para optimizar o esforço que tem sido feito na formação de recursos humanos em Portugal. E sobretudo para garantir um melhor ensino superior às gerações futuras! Infelizmente, não parece ser essa a vontade de muitos desses docentes, a começar pelos sindicatos.
"Os professores na sua grande maioria entraram por concurso. O que o senhor ministro quer é que se submetam a novo concurso colocando o seu lugar à disposição de outros que apesar de terem doutoramento e curriculo em investigação, nada fizeram para edificar o sistema politécnico e por isso, tiveram todo o tempo pago com bolsas para fazerem investigação."
Não é verdade que os professores em causa tenham entrado nos politécnicos e nas universidades através de um concurso propriamente dito: se fosse esse o caso, pertenceriam aos quadros dessas instituições. Mas o protesto tem a ver com os docentes que não pertencem ao quadro e que, como tal, nunca foram aprovados num concurso como os concursos devem ser, com um júri com membros externos. Estes docentes foram contratados a termo certo por concursos, sim, mas com júris exclusivamente internos. Em grande parte, foram isso sim contratados “por urgente conveniência de serviço”, o que é um belo justificativo para contratações ad-hoc, muitas vezes do compadre da esquina. Basta ler o Diário da República para confirmar, com regularidade, estas contratações “por conveniência de serviço”. Mas não os tais “concursos” com júris internos que referi: esses não vêm em Diário da República nem têm que ser divulgados. Na melhor das hipóteses estes concursos são anunciados (por exemplo, em jornais ou na net). Mas na maior parte das vezes um anúncio na secção de pessoal chega; os candidatos “convenientes” tomarão sempre conhecimento da vaga. Concursos públicos, publicados em edital e abertos a todos os candidatos qualificados, são os das bolsas de investigação dos tais que “não edificaram o sistema politécnico”.
Se é aborrecido ler comentários deste género (principalmente quando se é bolseiro, ou era até há pouco tempo), mais aborrecido se torna encontrar uma carta como a dos docentes do Instituto Politécnico do Porto, divulgada na sua página e apoiada por um sindicato, o Sindicato Nacional do Ensino Superior. Sindicato esse que até tem um Núcleo de Bolseiros entre os seus sócios. Que pensarão os membros desse núcleo de passagens como esta?
“Não é aceitável uma proposta que obrigue esses mesmos docentes, cujo mérito absoluto pode ser inquestionavelmente comprovado, ou por provas ou por concursos públicos a que já se submeteram no passado, ou por outras provas públicas que verdadeiramente se adeqúem a um regime de transição desta natureza, a disputar o seu posto de trabalho com um número indeterminado de candidatos, estes últimos sem quaisquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.”
É notável este receio de disputar o “seu” posto de trabalho “com um número indeterminado de candidatos”. E é eloquente esta ideia de que o seu “mérito absoluto” não possa ser questionado, mesmo se seja somente através de provas e avaliações internas. Mas o melhor é mesmo o medo xenófobo dos candidatos “sem qualquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.” Mesmo se estes candidatos defenderam teses nas melhores universidades e têm artigos publicados nas melhores revistas, algo que a maioria destes docentes não faz a mínima ideia do que seja. Só o que é da “Escola” é bom para a Escola.
Quando eu era bolseiro (e antes de conseguir um contrato com uma universidade pública, por meio de um júri internacional), muitas vezes me foi vedada a entrada nos concursos de admissão ao quadro destes institutos, com os argumentos mais estapafúrdios. Outras vezes, era admitido a concurso, e ficava (em conjunto com outros colegas bolseiros) sempre no fim da tabela. Os primeiros lugares eram sempre para candidatos internos. Mesmo assim, estes eram mais que o número de vagas, e os que perdiam impugnavam os concursos, com argumentos do tipo “o candidato vencedor tem mais publicações que eu, mas eu demonstro mais interesse pela Escola - sou membro da Assembleia de Representantes!” (Os bolseiros só não são membros das Assembleias de Representantes porque não os deixam.)
Sempre desconfiei que havia um preconceito contra os candidatos de fora, principalmente os bolseiros de investigação, nestes concursos. Foi preciso vir esta proposta do governo para tornar essa desconfiança cristalina - como é claro do comentário do Público online e da carta do ISEP. Pelo menos esse mérito essa proposta tem.
Uma das críticas que mais se ouvem a este governo é o de pôr os portugueses uns contra os outros. Da parte dos bolseiros de investigação, esta proposta não pode ser entendida por esse prisma. Em nenhum país desenvolvido uma reivindicação como esta teria lugar, uma vez nestes países ninguém tem lugar numa universidade sem ser doutorado. Em Portugal, devido a um estatuto totalmente anacrónico, as universidades e os politécnicos foram contratando temporariamente não-doutorados, que, baseados nessa tradição, tinham expectativas em entrarem automaticamente no quadro. Esses contratados tinham todas as regalias de um funcionário público. Ao mesmo tempo, os bolseiros de investigação (os melhores alunos das melhores universidades) tinham a mesma precariedade (e, ao contrário dos docentes, sem nunca saberem se teriam outra bolsa quando a actual se acabasse, e sem nenhuma protecção social, com descontos sobre o salário mínimo e sem subsídios de férias ou Natal).
Ninguém quer excluir esses docentes temporários dos concursos para posições do quadro. Tudo o que os bolseiros pedem é igualdade de oportunidades no acesso a estes lugares. Seguramente, muitos dos candidatos internos que a eles concorrem são competentes. Por outro lado, essa igualdade de oportunidades não pode traduzir-se numa indistinção nos critérios de avaliação. Não é legítimo pretender-se que o currículo de investigação de um docente do ensino politécnico seja o mesmo que o de um bolseiro (ou, sequer, de um docente de uma universidade). Mas da mesma forma não é legítimo pretender-se que a experiência docente seja a mesma. Ora estes concursos valorizam sempre muito mais a experiência docente que a de investigação, se é que dão algum valor à investigação de todo!
O que se pretende, portanto, é que a nenhum candidato competente seja negada à partida a possibilidade de se candidatar a essas vagas, de forma a estas serem sempre preenchidas pelos melhores candidatos. Para optimizar o esforço que tem sido feito na formação de recursos humanos em Portugal. E sobretudo para garantir um melhor ensino superior às gerações futuras! Infelizmente, não parece ser essa a vontade de muitos desses docentes, a começar pelos sindicatos.
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Universidade
2009/06/26
Strings 2009
Decorre esta semana (acaba hoje) a conferência anual, este ano em Roma. O nosso leitor (e colega) Pedro Gil Vieira fala hoje à tarde. Creio que é a primeira vez que um português (ainda por cima bastante jovem) fala numa conferência Strings, para mais numa sessão de encerramento. Parabéns, Pedro.
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Física
2009/06/25
GNR no São João
Quero que você me aqueça no trabalho... e o público que complete: e que tudo o mais vá... É assim a versão dos GNR da clássica de Roberto Carlos Quero que você me aqueça neste Inverno e que tudo mais vá para o inferno.
Por incrível que pareça nunca tinha visto os GNR ao vivo até ao concerto na Casa da Música. Confirmei que Rui Reininho continua uma grande personagem, e tem uma excelente presença em palco. O meu São João valeu a pena sobretudo por isto.
Por incrível que pareça nunca tinha visto os GNR ao vivo até ao concerto na Casa da Música. Confirmei que Rui Reininho continua uma grande personagem, e tem uma excelente presença em palco. O meu São João valeu a pena sobretudo por isto.
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Música
2009/06/23
Não resisto ao centralismo tripeiro
O São João de Braga até pode ser muito bonito, mas eu vou mas é para o Porto. Quem já lá esteve no São João não resiste a voltar. O Rui Reininho e cia. chamam-me. E os martelinhos e o alho porro. Bom São João para todos.
2009/06/22
O nosso Berlusconi
Texto muito pertinente de Joel Neto no DN: O nosso Berlusconi.
Se alguma conclusão se pode tirar do frenesi subitamente gerado em torno de José Eduardo Moniz, é que Moniz está disponível. Disponível para o Benfica, disponível para "projectos", disponível para mudar de vida. De maneira nenhuma a expectativa teria chegado onde chegou se Moniz não se tivesse empenhado em marcar a actualidade. E de maneira nenhuma Moniz quer que a expectativa pare por aqui, ou não teria admitido que, em condições ligeira- mente diferentes, a história seria outra. Faz sentido. Depois de quinze anos a conceber, consagrar, manter e reforçar a liderança da TVI, José Eduardo Moniz tem mais do que razões para considerar chegada a hora de fazer outra coisa. Por outro lado, custa a acreditar que se trate apenas de futebol. Quem assiste àquela declaração em que Moniz diz ter desistido de uma candidatura à presidência do Benfica encontra ali muito mais o discurso de um político do que o discurso de um líder do futebol.
Se Moniz sair um dia da TVI para o Benfica, isso será mau para a TVI, mas bom para tudo o resto: para o Benfica, para a SIC, para a RTP - e mesmo, se calhar, para a qualidade média da televisão nacional. Pelo contrário, se acumular um dia as duas coisas, reeditando em Portugal o projecto tentacular que levou Berlusconi ao poder em Itália, isso será bom para o Benfica, razoável para a TVI, mau para a SIC e a RTP - e verdadeiramente péssimo para a qualidade da nossa televisão (pelo menos).
2009/06/19
65 anos - flor da idade
...e eu nunca, jamais me canso de o ouvir. Ouço-o tanto, e de tanto o ouvir ainda descubro novos aspectos de interesse nas suas canções. Parabéns, meu caro amigo.
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Chico Buarque
2009/06/18
Má propaganda

Ana Bola a dizer que "não aparenta mais de 40 anos" pode ser uma boa propaganda. Excepto para uma marca de óculos. É que dá para duvidar da qualidade das lentes...
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Comércio
2009/06/17
António Ruella Ramos (1938-2009)
Depois de Fernando Piteira Santos e da sua mulher Stella, desaparece o director do Diário de Lisboa, jornal de referência da oposição ao salazarismo e o jornal da minha infância.
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Jornais
2009/06/16
Vantagens da edição da Europa-América de um romance que eu cá sei
A tradução da Europa-América do Guerra e Paz de Leão Tolstoi até pode ser má (embora seja de Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões, o que nem me parece assim tão mau). E tem uma grande vantagem: a páginas tantas (42, para ser exacto) lê-se:
Entabulou-se uma conversa tão pouco importante...Nem todas as traduções, nem todas as edições, nem todos os romances inspiraram o Sérgio Godinho. Duvido muito que alguma edição da Penguin o tenha feito.
2009/06/15
2009/06/13
Nos feriados e no Santo António
Os transportes públicos na região de Lisboa continuam a mesma organização.
Para apanhar o comboio para a Linha de Cascais, é preciso um cartão "Lisboa Viva". Na Estação do Cais do Sodré, uma multidão de lisboetas quer ir à prais no feriado e não sabe da novidade. Só uma das seis máquinas está em funcionamento.
Ontem, a Avenida da Liberdade estava encerrada ao trânsito a noite toda, e não funcionavam os autocarros da Rede da Madrugada (a não ser que fosse só a partir do Marquês de Pombal). Mas ninguém avisava quem esperava por estes autocarros no Rossio e nos Restauradores. Nas paragens lia-se "serviço perturbado" (mas não interrompido), e o tempo de espera era sempre "10 minutos". Após mais de vinte à espera, pus os pés a caminho e subi a avenida. Nenhum autocarro podia ali passar.
Para apanhar o comboio para a Linha de Cascais, é preciso um cartão "Lisboa Viva". Na Estação do Cais do Sodré, uma multidão de lisboetas quer ir à prais no feriado e não sabe da novidade. Só uma das seis máquinas está em funcionamento.
Ontem, a Avenida da Liberdade estava encerrada ao trânsito a noite toda, e não funcionavam os autocarros da Rede da Madrugada (a não ser que fosse só a partir do Marquês de Pombal). Mas ninguém avisava quem esperava por estes autocarros no Rossio e nos Restauradores. Nas paragens lia-se "serviço perturbado" (mas não interrompido), e o tempo de espera era sempre "10 minutos". Após mais de vinte à espera, pus os pés a caminho e subi a avenida. Nenhum autocarro podia ali passar.
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Lisboa,
Transportes
2009/06/09
75 anos de Donald
The band concert, a mais perfeita e prodigiosa curta-metragem de animação já realizada, tal como já afirmei no aniversário do Mickey. É a melhor homenagem que eu posso fazer ao Donald: passar um filme onde ele é a verdadeira estrela. Mas eu gosto é do Patinhas...
2009/06/08
No rescaldo das europeias
- Parece ser unânime culpar Vital Moreira pela má prestação do PS. Não sei se isso é verdade ou não; da minha parte, não concordo. Quando se repete tantas vezes que “não houve debate sobre a Europa”, esquece-se que Vital foi o único candidato que o procurou introduzir. E com propostas europeístas (que pouco tinham de nacionalistas): o não-apoio a Barroso no Parlamento Europeu (espero que Vital seja consequente com essa sua proposta, independentemente do que o PS decidir) e o imposto europeu. Vital só esteve mal, a meu ver, na última semana, ao associar o PSD ao BPN. É pena que o PS não tenha sabido respeitar a independência do seu cabeça de lista – o político mais atacado, por todos os lados, nesta eleição. Vital Moreira, repito-o, parece-me ser o grande injustiçado destas eleições.
- Votei no Bloco de Esquerda, como aqui referi. Genericamente (e para isto eu não preciso de grandes campanhas eleitorais), o meu voto nas eleições europeias seria do Bloco de Esquerda, excepto por algum motivo excepcional. Sou europeísta, e não concordo com um bloqueio da construção europeia como forma de protesto (nisto estou em desacordo com o Bloco). Mas o Bloco é também um partido europeísta (ao contrário do “soberanista” PCP). E há que reconhecer que a Europa não vai nada bem, com os cidadãos a serem cada vez mais afastados dos processos de decisão (veja-se o caso da aprovação do recente Tratado de Lisboa). Insistir em prosseguir sem um verdadeiro apoio popular pode resultar num equívoco trágico. Numa situação em que os eleitores sejam chamados a pronunciar-se sobre esse processo (um referendo), provavelmente votarei contra o Bloco; por agora, entendi votar em quem defenda esse processo. Acresce que conheço pessoas do Bloco de Esquerda que votariam “sim” nesse referendo (o Rui Curado Silva e o Rui Tavares que, embora independente, é um eurodeputado eleito).
- O Rui Tavares. Como disse, o meu voto nestas eleições à partida seria naturalmente no BE. Para além disso, fico muito feliz por este meu voto ter contribuído para eleger um amigo (algo que não contribuiu para a minha decisão) e, principalmente, alguém que, tenho a certeza, vai ser um excelente deputado europeu. Espero que a eleição do Rui contribua para aproximar a Europa dos cidadãos.
- Finalmente (por hoje), os resultados nacionais. Estive na quinta feira no comício de encerramento da campanha do bloco em Braga. Ouvi Miguel Portas dizer coisas acertadas, mas outras irresponsáveis (criticar o governo pelo aumento das idades da reforma, sem se preocupar com a sustentabilidade da segurança social, ou criticar a avaliação dos professores sem propor uma alternativa que não fosse deixar tudo na mesma - mal). Tive de me vir embora; se ficasse para ouvir Francisco Louçã, iria acabar por mudar o meu sentido de voto mesmo nas europeias. Votei no Bloco porque estas são eleições europeias, nas quais eu votei a pensar na Europa e no mundo (e é o Bloco quem melhor me representa nestes assuntos, dos grandes partidos portugueses). Não é legítimo interpretar o meu voto à luz de política nacional. É muito pouco provável que o Bloco possa contar com o meu voto para as legislativas.
2009/06/07
Uma exposição interessante
"O frigorífico de Einstein", no Museu da Electricidade em Lisboa. Encerrava hoje (dia em que a fui ver). Se não vale como recomendação, vale como reconhecimento.
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Física
2009/06/05
Gaiteiros em Braga
O Pedro Morgado não refere, mas esta noite a cultura em Braga vai passar muito por um concerto dos Gaiteiros de Lisboa na Avenida Central. Será por ser também o comício de encerramento da campanha do Bloco de Esquerda, e o Pedro querer manter o blogue neutro? Ou será alergia ao nome "Gaiteiros de Lisboa"? De qualquer maneira fica aqui a informação. Lá estarei para ouvir. E para dar o meu apoio.
2009/06/04
Eleições (1)
As do Sporting, antes do dia do voto: não há presidentes perfeitos. José Eduardo Bettencourt é um betinho insuportável (e mais ainda o seu sobrinho Pedro Granger). Ainda assim, enquanto a oposição se resumir a candidatos como Sérgio Abrantes Mendes ou, agora, Paulo Pereira Cristóvão, não vejo melhor alternativa para o Sporting que a actual linha de dirigentes.
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Sporting
Ilustríssimo sr. Vasco...
...essa do Carlos Castro da blogosfera tem autor. (Se esse estaminé onde escrevem aceitasse comentários, eu deixaria lá um em vez de estar aqui a escrever.)
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Blogues
2009/06/03
Crónica da Rússia (2)
Apesar do excelente sistema de metro, o tráfego automóvel tem vindo a aumentar em Moscovo nos últimos anos. Com excepção da Rua Arbat, Moscovo não é uma cidade muito simpática para os peões, que frequentemente para atravessarem as artérias principais têm que recorrer a passagens subterrâneas (é a única possibilidade). Existem polícias em toda a parte que não deixam os peões saírem das áreas designadas.
Esta experiência estende-se, para meu grande espanto, dentro do Kremlin, uma área protegida onde só circulam meia dúzia de viaturas do Estado. Mesmo assim, essas viaturas têm para elas reservadas várias vias, que os peões não podem sequer atravessar.
Compreendo que aquelas viaturas seguem em trabalho e que aquele é um território do estado russo, que é permitido aos turistas visitar (após desembolsarem uma bela maquia), mas ainda assim é território oficial. O que não ficaria mal ao estado russo seria explicar isso delicadamente aos seus visitantes de todas as nacionalidades, que pagaram para entrar, em vez de se limitarem a ter uns polícias que só falam russo a apitarem e a dirigirem-se com maus modos aos prevaricadores.
Esta experiência estende-se, para meu grande espanto, dentro do Kremlin, uma área protegida onde só circulam meia dúzia de viaturas do Estado. Mesmo assim, essas viaturas têm para elas reservadas várias vias, que os peões não podem sequer atravessar.
Compreendo que aquelas viaturas seguem em trabalho e que aquele é um território do estado russo, que é permitido aos turistas visitar (após desembolsarem uma bela maquia), mas ainda assim é território oficial. O que não ficaria mal ao estado russo seria explicar isso delicadamente aos seus visitantes de todas as nacionalidades, que pagaram para entrar, em vez de se limitarem a ter uns polícias que só falam russo a apitarem e a dirigirem-se com maus modos aos prevaricadores.
2009/06/02
Crónica da Rússia (1)
Os russos são um povo mais ou menos simpático, mas com a mania das grandezas, indisciplinado e que gosta muito de beber. Exactamente a impressão que eu tinha.
A falta de conhecimentos de inglês dos russos é geral, mesmo em cidades maiores como Moscovo. No laboratório onde estive, frequentado por muitos cientistas de todo o mundo, os empregados não falam inglês. Perguntar a alguém o caminho, ou outra coisa qualquer, é um tormento. Como um bom povo imperialista, não só os russos não falam outra língua que não a sua, como ainda acham que toda a gente deve entendê-la. E assim se se perguntar o caminho para algum lugar, levamos logo uma explicação detalhada em russo. Uma explicação que é uma pura perda de tempo, e que me fazia desesperar, mais a minha impaciência nova-iorquina. Várias vezes tal me sucedeu; várias vezes estive para os interromper e dizer em inglês: “Poupa o teu fôlego. Eu só vou olhar para o que me indicares com as mãos!”
Nesse aspecto os franceses são melhores. Mais eficientes. Também julgam que toda a gente deve falar francês, mas não perdemn muito tempo a explicar. Quem não perceber, pelo menos não perde tanto tempo a ouvi-los. Os franceses são antipáticos, e por isso são-me muito simpáticos. Os russos deveriam aprender com eles.
A falta de conhecimentos de inglês dos russos é geral, mesmo em cidades maiores como Moscovo. No laboratório onde estive, frequentado por muitos cientistas de todo o mundo, os empregados não falam inglês. Perguntar a alguém o caminho, ou outra coisa qualquer, é um tormento. Como um bom povo imperialista, não só os russos não falam outra língua que não a sua, como ainda acham que toda a gente deve entendê-la. E assim se se perguntar o caminho para algum lugar, levamos logo uma explicação detalhada em russo. Uma explicação que é uma pura perda de tempo, e que me fazia desesperar, mais a minha impaciência nova-iorquina. Várias vezes tal me sucedeu; várias vezes estive para os interromper e dizer em inglês: “Poupa o teu fôlego. Eu só vou olhar para o que me indicares com as mãos!”
Nesse aspecto os franceses são melhores. Mais eficientes. Também julgam que toda a gente deve falar francês, mas não perdemn muito tempo a explicar. Quem não perceber, pelo menos não perde tanto tempo a ouvi-los. Os franceses são antipáticos, e por isso são-me muito simpáticos. Os russos deveriam aprender com eles.
2009/06/01
De volta da Rússia, para o Cinco Dias
Escrevi uma versão deste comentário (de que já não disponho - alterada, mas no essencial a mesma coisa) neste texto do Cinco Dias. Não foi publicado. Não creio que o autor do texto tenha alguma coisa a ver com isto. Fica aqui o comentário para a posteridade.
"Possibilidade da TVI" e "possibilidade de a TVI" são duas coisas bem diferentes. A contracção do "de" com o "a" só se aplica quando ambos se referem a um substantivo. No caso concreto referido, "possibilidade de a TVI ter posto em causa", o "de" aplica-se ao verbo, a "ter posto em causa". "A TVI" poderia nem estar na frase: poderia ser somente ""possibilidade de ter posto em causa". Como o "de" se aplica ao verbo e o "a" ao substantivo (a TVI), não há lugar a qualquer contracção.
Nos próximos dias conto ir fazendo um relato da Rússia.
"Possibilidade da TVI" e "possibilidade de a TVI" são duas coisas bem diferentes. A contracção do "de" com o "a" só se aplica quando ambos se referem a um substantivo. No caso concreto referido, "possibilidade de a TVI ter posto em causa", o "de" aplica-se ao verbo, a "ter posto em causa". "A TVI" poderia nem estar na frase: poderia ser somente ""possibilidade de ter posto em causa". Como o "de" se aplica ao verbo e o "a" ao substantivo (a TVI), não há lugar a qualquer contracção.
Nos próximos dias conto ir fazendo um relato da Rússia.
2009/05/29
O eclipse e a gravidade no ponto fixo
Passam hoje exactamente 90 anos desde que se estabeleceu a confirmacao experimental da relatividade generalizada de Einstein, com a observacao do desvio da luz pelo campo gravitacional, na ilha do Principe, durante um eclipse (como recorda Carlos Fiolhais).
Nao sei se por coincidencia ou se de proposito, a manha do dia de hoje, onde me encontro, foi dedicada a uma nova teoria, nao relativista, da gravidade (a gravidade de Horava/Lifshitz, de que o Lubos Motl ja tinha falado aqui e aqui). Uma teoria nao relativista que engloba a relatividade geral - e melhor comportada quanticamente! Ha muito trabalho a fazer ainda, mas confesso que fiquei impressionado. O autor nao e parvo nenhum (nem de perto nem de longe), e a proposta e sem duvida arrojada. Mas nao teve (nem tem que ter) destaque nos jornais, apesar de ja ter varias dezenas de artigos a ela dedicados. Mas nao tem ainda nenhum resultado crucial, experimental ou teorico, que justificasse tal atencao. Muito menos foi objecto de livros de divulgacao cientifica, ao contrario de certas "teorias" VSL (iniciais de "very silly"), que so foram trabalhadas pelo seu autor.
Gravidade de Horava - a seguir com atencao. Foi a vontade com que eu fiquei hoje.
Nao sei se por coincidencia ou se de proposito, a manha do dia de hoje, onde me encontro, foi dedicada a uma nova teoria, nao relativista, da gravidade (a gravidade de Horava/Lifshitz, de que o Lubos Motl ja tinha falado aqui e aqui). Uma teoria nao relativista que engloba a relatividade geral - e melhor comportada quanticamente! Ha muito trabalho a fazer ainda, mas confesso que fiquei impressionado. O autor nao e parvo nenhum (nem de perto nem de longe), e a proposta e sem duvida arrojada. Mas nao teve (nem tem que ter) destaque nos jornais, apesar de ja ter varias dezenas de artigos a ela dedicados. Mas nao tem ainda nenhum resultado crucial, experimental ou teorico, que justificasse tal atencao. Muito menos foi objecto de livros de divulgacao cientifica, ao contrario de certas "teorias" VSL (iniciais de "very silly"), que so foram trabalhadas pelo seu autor.
Gravidade de Horava - a seguir com atencao. Foi a vontade com que eu fiquei hoje.
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Física
2009/05/28
Primeiras impressoes da Russia
O Lenine converteu este pais ao calendario ocidental. Foi pena nao ter feito o mesmo com o alfabeto.
2009/05/27
As finais europeias
Hoje e o "jogo do ano", entre uma equipa que merece estar na final e uma outra que fez uma epoca extraordinaria, mas nao merece. So isso chega para eu decidir por quem vou estar, se conseguir ver o jogo no hotel. Mas venho falar da final de ha uma semana, da Taca UEFA.
Toda a gente viu a forma indiscutivel como o Sporting eliminou o Shaktar Donetsk da Liga dos Campeoes, com vitorias em Alvalade e na Ucrania. Grracas a essas vitorias o Sporting ficou em segundo no grupo, conquistano o direito a seguir em frente na Liga dos Campeoes.
Na altura achei que talvez tivesse sido melhor o Sporting ter ficado em terceiro e seguido na Taca UEFA. Creio que nao me enganei. O Sporting foi humilhado pelo Bayern de Munique; o Shaktar Donetsk, que era inferior ao Sporting (creio ter ficado bem claro) venceu a Taca UEFA. Este exemplo ilustra bem a diferenca entre as duas competicoes. A Taca UEFA (que se vai passar a chamar Liga Europa) e claramente uma segunda liga europeia.
Toda a gente viu a forma indiscutivel como o Sporting eliminou o Shaktar Donetsk da Liga dos Campeoes, com vitorias em Alvalade e na Ucrania. Grracas a essas vitorias o Sporting ficou em segundo no grupo, conquistano o direito a seguir em frente na Liga dos Campeoes.
Na altura achei que talvez tivesse sido melhor o Sporting ter ficado em terceiro e seguido na Taca UEFA. Creio que nao me enganei. O Sporting foi humilhado pelo Bayern de Munique; o Shaktar Donetsk, que era inferior ao Sporting (creio ter ficado bem claro) venceu a Taca UEFA. Este exemplo ilustra bem a diferenca entre as duas competicoes. A Taca UEFA (que se vai passar a chamar Liga Europa) e claramente uma segunda liga europeia.
Encontros com a imagem
Um recado de Dubna, so para apoiar a exposicao que o Pedro Morgado ja tinha recomendado, patente ate ao final do mes em varios espacos de Braga.
Uns autores sao melhores que outros. Recomendo sobretudo as fotografias no Museu D. Diogo de Sousa e na Torre de Menagem.
Uns autores sao melhores que outros. Recomendo sobretudo as fotografias no Museu D. Diogo de Sousa e na Torre de Menagem.
2009/05/25
Gota d'Agua
Assisti a peca no passado dia 16, no Cineteatro de Estarreja. Desde entao o album "Chico Buarque e Maria Bethania ao vivo", de 1975 (o do "Tanto Mar"), um dos discos da minha vida, ganhou outro significado. Particularmente as musicas "Gota d'Agua", "Flor da Idade" e "Bem Querer". A estas acrescenta-se "Basta Um Dia" e (para esta encenacao) "Partido Alto", "Atras da Porta" e "O Que Sera". Podem julgar que e mais um "concerto". Reconheco que a autoria do Chico Buarque para mim e um atractivo muito forte, mas garanto-vos que esta peca e muito mais do que um "concerto". Apesar de tudo, corre-se esse risco (especialmente para buarqueanos como eu). Talvez tenha sido por isso que, antes de a peca ter comecado, creio ter ouvido o aviso "E proibido cantar?!"
Recado directamente da Russia: depois de uma bem sucedida digressao pelo pais, "Gota d'Agua" repoe hoje, no Coliseu de Lisboa. Recomendo vivamente.
Recado directamente da Russia: depois de uma bem sucedida digressao pelo pais, "Gota d'Agua" repoe hoje, no Coliseu de Lisboa. Recomendo vivamente.
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Chico Buarque
2009/05/21
2009/05/18
Nos 50 anos do Cristo Rei

Já aqui tinha deixado claro que não aprecio particularmente estátuas gigantescas de Jesus Cristo. De qualquer maneira gosto do Cristo Rei e acho que faz falta uma vista como aquela sobre Lisboa (que tinha que ser construída, ao contrário de no Rio, onde já havia Corcovado antes do Redentor). É sobretudo para isso que o Cristo Rei serve: para uma bela vista panorâmica sobre Lisboa. Apesar de tudo, o Cristo Redentor do Rio de Janeiro tem uma vantagem em relação à sua imitação lisboeta: está de costas voltadas para a Mata da Tijuca, onde não mora ninguém. A estátua do Cristo Rei volta ostensivamente as costas à população de Almada (e da Margem Sul em geral). Se alguém se interrogou sobre a força do PCP nesta região, talvez esta explicação ajude.
2009/05/15
Novidades da nieuwenhuizen
Defequei pela primeira vez lá fez ontem uma semana. Cozinhei pela primeira vez (umas batatas fritas para comer com um leitão comprado no LiDL no meu fogareirinho) no sábado passado. E é melhor parar com estes textos antes que se tornem demasiadamente íntimos.
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Pessoal
2009/05/14
Voltando às rendas
Será que o Luís Rainha já leu a opinião da sua besta negra sobre o arrendamento?
Lendo os comentários da posta do Blasfémias que o Gabriel fez com o texto de Henrique Raposo, parece-me que os leitores do Blasfémias são mais à esquerda que os do Cinco Dias. Pelo menos os que comentaram o texto do Gabriel, em comparação com os que compararam este meu (numa altura em que o Cinco Dias era completamente diferente do que é hoje). Seria interessante ver a reacção dos leitores do Cinco Dias de hoje a um texto como o meu.
Lendo os comentários da posta do Blasfémias que o Gabriel fez com o texto de Henrique Raposo, parece-me que os leitores do Blasfémias são mais à esquerda que os do Cinco Dias. Pelo menos os que comentaram o texto do Gabriel, em comparação com os que compararam este meu (numa altura em que o Cinco Dias era completamente diferente do que é hoje). Seria interessante ver a reacção dos leitores do Cinco Dias de hoje a um texto como o meu.
2009/05/13
FHC

Não apoiei muitas das medidas do seu governo. "Apoio" esta excelente entrevista a Teresa de Sousa:
Há que inventar coisas novas. É óbvio que o liberalismo solto não funciona. Os mercados não têm capacidade para se auto-regularem. O que não significa dizer que os Estados têm. Então, tem de se inventar alguma coisa que não seja nem uma imposição estatal, nem uma liberdade de mercado. Agências reguladoras, maior participação da sociedade. Algo de novo tem de ser criado. E tem de ter alguma utopia, para inventar o futuro.
Ninguém está propondo nada semelhante ao marxismo. Marx tinha o quê? Uma análise crítica do capitalismo, aliás muito bem feita. E havia no lado político a ideia de que era preciso substituir a propriedade privada dos meios de produção pela propriedade colectiva. Ninguém propõe isso hoje. Vamos ter de ter algum tipo de controlo social, algum mecanismo para gerar mais bem-estar social, não pela via só do mercado mas pela via da redistribuição.
O Estado tem que ter um papel maior. Tem que ter. Mas que Estado? O Estado democrático. Se o Estado for totalitário, também não resolve. E esse Estado democrático hoje exige participação da sociedade, mecanismos de parceria, órgãos de Estado e não de governo.
A Internet produziu uma revolução no mundo e o sistema partidário está "ilhado", não responde a boa parte da demanda da população porque ela não passa por aí, passa por outros mecanismos. Tenho cinco netos e vivem o dia inteiro no computador. Estão perdendo tempo? Não. Estão conectados. Com quê? Com o mundo. E cada um deles forma opinião e isso não passa pelos partidos.
Eu acho que uma das coisas boas do soft power do Brasil é essa. O Brasil tem uma certa capacidade de aceitar o outro. O mundo vai precisar de desenvolver essa capacidade. A Europa precisa. Está tentando. Se não, é a guerra de todos contra todos. É preciso mais espírito de tolerância, mas é preciso também que os grandes líderes se incumbam disso. Obama tem a virtude de ser ele próprio um exemplo disso. Porque ele é negro, viveu na Indonésia, o pai nasceu no Quénia, é doutor em Harvard e é Presidente dos EUA.
Acho que a Europa, apesar de ter esse espírito comum da Europa social e da Europa económica, não tem o espírito comum da Europa política, da Europa activa no mundo. Pesa menos do que poderia pesar.
A Europa, tem-se a sensação de que está a perder tempo. Tem de ter uma unificação política maior. Não pode ter peso se for só apêndice dos EUA.
Tenho a impressão que as lideranças actuais estão muito submergidas nos problemas nacionais. As lideranças do passado, como houve a guerra, tinham uma motivação muito grande. Schmidt, Kohl, Felipe González, Mitterrand, Mário Soares, tinham outro peso e outra visão. Depois, a Europa deu certo, enriqueceu, e o enriquecimento amolece. Ficou muito agradável, mas talvez tenha perdido a vontade. Tony Blair, que eu respeito, a certa altura poderia ter representado uma Europa modernizada e vigorosa. Mas aquela ligação...
Noutro dia alguém me perguntou o que é que nos faltava para sermos do primeiro mundo. Eu digo: falta educação, segurança, menos desigualdade. Hoje, o problema do Brasil não é tanto económico. A economia brasileira produz tudo, está forte, e a sociedade é dinâmica. Mas esses problemas têm de ser resolvidos.
Entrevista ao Público, 09-05-2009
2009/05/12
50 anos da batata a que chamam "queijo"
Um aspecto que eu nunca entendi na política portuguesa foi o episódio do "queijo limiano", com António Guterres. Para salvar um queijo propriamente dito, um queijo decente, como o da Serra da Estrela, o de Nisa ou o da Ilha de São Jorge, ainda poderia aceitar uma indecência política como a do “orçamento do queijo limiano” de há dez anos atrás. Agora para salvar uma batata a que os holandeses chamam “queijo”, e que só poderiam ter sido eles a inventar?
Parece que a “batata” limiana faz 50 anos. Triste sina, a do Minho. Como se não bastasse ter um refresco (chamado “verde”) que há quem julgue que é vinho, tem também um puré de batata (“limiano”) que há quem julgue que é queijo.
Parece que a “batata” limiana faz 50 anos. Triste sina, a do Minho. Como se não bastasse ter um refresco (chamado “verde”) que há quem julgue que é vinho, tem também um puré de batata (“limiano”) que há quem julgue que é queijo.
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Comida,
Falta de tino,
Minho
2009/05/11
Sobre o “caso Vital Moreira”
O PS exagerou ao exigir um pedido oficial de desculpas ao PCP e à CGTP. Não se pode garantir que os autores dos (lamentáveis) acontecimentos tenham sido militantes do PCP, nem este partido é responsável pelos actos de todos os seus militantes. Da mesma maneira, não se pode pedir à CGTP que se responsabilize por todos os participantes na manifestação. Foi um acto de indivíduos; as responsabilidades são individuais.
Refiro-me a desculpas oficiais. As desculpas no acto apresentadas pela CGTP, como organizadora no evento, eram inevitáveis. Ainda mais quando a própria CGTP tinha convidado o PS a visitar a manifestação. Reacções como as de quem diz que Vital Moreira “não deveria lá estar” e que tal “era uma provocação” nem merecem resposta.
Restam as reacções dos partidos. E aqui toda a gente, do Bloco de Esquerda ao CDS, condenou o sucedido. Com excepção do PCP. Está certo que não foram só militantes do PCP os responsáveis pelo sucedido. Se calhar nem foram mesmo miltantes do PCP de todo (até agora só se confirmou um elemento da Ruptura/FER). Compreendo a indignação de comunistas sérios como Vítor Dias, mas a verdade é que um acontecimento como este foi prontamente condenado por todos os partidos menos pelo PCP. A principal lição política a tirar deste caso é esta.
Refiro-me a desculpas oficiais. As desculpas no acto apresentadas pela CGTP, como organizadora no evento, eram inevitáveis. Ainda mais quando a própria CGTP tinha convidado o PS a visitar a manifestação. Reacções como as de quem diz que Vital Moreira “não deveria lá estar” e que tal “era uma provocação” nem merecem resposta.
Restam as reacções dos partidos. E aqui toda a gente, do Bloco de Esquerda ao CDS, condenou o sucedido. Com excepção do PCP. Está certo que não foram só militantes do PCP os responsáveis pelo sucedido. Se calhar nem foram mesmo miltantes do PCP de todo (até agora só se confirmou um elemento da Ruptura/FER). Compreendo a indignação de comunistas sérios como Vítor Dias, mas a verdade é que um acontecimento como este foi prontamente condenado por todos os partidos menos pelo PCP. A principal lição política a tirar deste caso é esta.
2009/05/10
Joaquim Agostinho

O seu mito reforçou o meu sportinguismo, numa época em que a grande crise de resultados ainda estava a começar. E motivou o meu gosto pelas bicicletas.
Joaquim Agostinho, o melhor ciclista português de todos os tempos, morreu (numa morte muito estúpida) há 25 anos.
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2009/05/09
Sobre as finais europeias
Barcelona contra Manchester United. Messi contra Ronaldo. Sem dúvida há muitos anos que não se via um confronto assim. As audiências vão disparar. A final da Liga dos Campeões era o jogo que toda a gente queria ver. E é o jogo que a UEFA queria que toda a gente visse. A vítima, para isso, foi o Chelsea.
Para o Werder Bremen chegar à final da Taça UEFA, valeu-lhe o efeito borboleta. Em lugar de uma borboleta a bater as asas, tivemos um espectador que atirou uma bola de papel. Confiram aqui.
Para o Werder Bremen chegar à final da Taça UEFA, valeu-lhe o efeito borboleta. Em lugar de uma borboleta a bater as asas, tivemos um espectador que atirou uma bola de papel. Confiram aqui.
2009/05/07
Vasco Granja (1925-2009)
Foi quem em português introduziu as palavras que as iniciais na etiqueta deste texto representam. E já não foi pouco.
2009/05/06
2009/05/05
Nieuwenhuizen
(O título deste texto é uma homenagem a um mestre.)
Andar nu pelos corredores da casa pela primeira vez. Urinar na sanita. Puxar o autoclismo pela primeira vez. Ando assim (e a limpar o pó, e a escolher electrodomésticos e móveis).
Andar nu pelos corredores da casa pela primeira vez. Urinar na sanita. Puxar o autoclismo pela primeira vez. Ando assim (e a limpar o pó, e a escolher electrodomésticos e móveis).
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2009/05/04
Entrevista a Carvalho da Silva
No conturbado fim de semana do Dia do Trabalhador. Entrevista a Anabela Mota Ribeiro no Jornal de Negócios. Um sumário aqui.
2009/04/30
A festa dos indigentes
Era eu caloiro e a Associação de estudantes do Instituto Superior Técnico promoveu um debate entre antigos dirigentes associativos. Vivia-se a “guerra” de combate às propinas, no cavaquismo. Diana Andringa deixou-nos um conselho que eu nunca esqueci: “Quando estiverem numa manifestação não bebam nem joguem às cartas: dá um mau aspecto do caraças.”
Vem isto a propósito de fazer-se uma “festa de protesto” a propósito do MayDay. O MayDay tem todo o meu apoio. Não tenho nada contra uma festa como a do Ateneu Comercial de Lisboa no passado dia 17 – é bem provável que até lá tivesse ido se estivesse em Lisboa. Mas fazer uma “festa de protesto”?
Os trabalhadores precários têm todo o meu respeito. Se fizessem um protesto a sério (desde que não violento), como se fazem em França, teriam todo o meu apoio. Agora fazerem como “acção de protesto” mais uma festa onde se come comida vegetariana e fumam uns charros soa-me – como dizer? – a beber ou jogar às cartas numa manifestação. Espero ao menos que a festa tenha sido boa. Bom MayDay para todos.
Vem isto a propósito de fazer-se uma “festa de protesto” a propósito do MayDay. O MayDay tem todo o meu apoio. Não tenho nada contra uma festa como a do Ateneu Comercial de Lisboa no passado dia 17 – é bem provável que até lá tivesse ido se estivesse em Lisboa. Mas fazer uma “festa de protesto”?
Os trabalhadores precários têm todo o meu respeito. Se fizessem um protesto a sério (desde que não violento), como se fazem em França, teriam todo o meu apoio. Agora fazerem como “acção de protesto” mais uma festa onde se come comida vegetariana e fumam uns charros soa-me – como dizer? – a beber ou jogar às cartas numa manifestação. Espero ao menos que a festa tenha sido boa. Bom MayDay para todos.
2009/04/29
Ruído de fundo
Foi na apresentação do novo livro do José Mário Silva, na livraria Pó dos Livros em Lisboa. Enquanto Jorge Silva Melo perorava sobre bares supostamente "decrépitos", ouviam-se buzinas cá fora. Pessoas na assistênci abandonavam o recinto para se certificarem de que não era o seu carro que estava a causar problemas de circulação. Eu sabia que a minha bicicleta é que não era.
Adenda: a foto é do Luis Rainha, que a tirou sem ninguém dar por isso.
2009/04/28
Everything that happens will happen tonight at Coliseu
Por onde poderei eu começar? Olhem, leiam por exemplo este texto do blogue dele. Leiam-no por favor do princípio ao fim, que vale a pena. Da largura de banda da internet às populações de peixe para pescar. Leiam bem o argumento que ele dá contra a privatização das praias - até chegar à importância de um serviço nacional de saúde.
Dele escreveu Caetano Veloso:
Caetano Veloso era, com David Byrne, o artista que eu mais vezes tinha visto em concerto. Era um empate. Hoje esse empate será desfeito. A favor do Byrne. Pelas razões que já expliquei aqui. Pelo que escreve. Pela sua fabulosa música ao longo de toda uma carreira. Por ser para mim uma inspiração. (Tenho a pretensão de dizer: quem me quiser entender deve ouvir o David Byrne. Eu acho que só me entendo com quem gosta do David Byrne e do Seinfeld.)
Aproveitei e vim por outros motivos, mas tenho que confessar que o principal, que me trouxe de Braga a Lisboa esta semana, foi este. Tudo o que acontece acontecerá esta noite no Coliseu.
Dele escreveu Caetano Veloso:
David é tudo que há de bom. Stop Making Sense é o mais lindo filme de show de rock, possivelmente porque o show dos Talking Heads era um dos mais lindos que já houve. Ele nunca perdeu a elegância. O show quefez com Margareth Menezes foi um grande sucesso da Margareth Menezes, mas ele estava um tanto invisível. Já os outros que vi dele, foram todos simplesmente geniais. Agora ele me disse que está fazendo um show show: com dançarinos e tudo. Deve ser fenomenal, porque ele é, como eu disse no show que fizemos juntos no Carnegie Hall (e do qual há, sim, Lucre, gravação com proposta para sair em CD), o mais chique dos roqueiros. Considero o entendimento que ele teve da música no Brasil um aspecto dessa chiqueza.
Caetano Veloso era, com David Byrne, o artista que eu mais vezes tinha visto em concerto. Era um empate. Hoje esse empate será desfeito. A favor do Byrne. Pelas razões que já expliquei aqui. Pelo que escreve. Pela sua fabulosa música ao longo de toda uma carreira. Por ser para mim uma inspiração. (Tenho a pretensão de dizer: quem me quiser entender deve ouvir o David Byrne. Eu acho que só me entendo com quem gosta do David Byrne e do Seinfeld.)
Aproveitei e vim por outros motivos, mas tenho que confessar que o principal, que me trouxe de Braga a Lisboa esta semana, foi este. Tudo o que acontece acontecerá esta noite no Coliseu.
2009/04/27
God got her

God will get you for that!, dizia a Maude quando ficava derrotada e não lhe restava mais nada para dizer. Morreu um ícone da televisão da minha adolescência.
Bea Arthur, Star of Two TV Comedies, Dies at 86
By BRUCE WEBER
Bea Arthur, who used her husky voice, commanding stature and flair for the comic jab to create two of the most endearing battle-axes in television history, Maude Findlay in the groundbreaking situation comedy “Maude” and Dorothy Zbornak in “The Golden Girls,” died Saturday at her home in Los Angeles. She was coy about her age, and sources give various dates for her birth, but a family spokesman, Dan Watt, said in an e-mail message she was 86.
The cause was cancer, Mr. Watt said.
Ms. Arthur received 11 Emmy Award nominations, winning twice — in 1977 for “Maude” and in 1988 for “The Golden Girls.”
She was a seasoned and accomplished theater actress and singer before she became a television star and a celebrity in midcareer, and she won a Tony Award in 1966 for playing Angela Lansbury’s best friend, the drunken actress Vera Charles, in “Mame.”
But while she was successful on stage, on television she made history. “Maude,” which was created by Norman Lear as a spinoff from “All in the Family,” was broadcast on CBS during the most turbulent years of the women’s movement, from 1972-78, and in the person of its central character, it offered feminism less as a cause than as an entertainment.
Maude Findlay was a woman in her 40s living in the suburbs with her fourth husband, Walter (played by Bill Macy), her divorced daughter, Carol (Adrienne Barbeau), and a grandson. An unabashed liberal, a bit of a loudmouth and a tough broad with a soft heart, she was, in the parlance of the time, a liberated woman, who sometimes got herself into trouble with boilerplate biases just the way her cultural opposite number, Archie Bunker, did. She was given a formidable physicality by Ms. Arthur, who was 5 feet 9 ½ inches and spoke in a distinctively brassy contralto.
The show was considered a sitcom, but like “All in the Family,” it used comedy to take on serious personal issues and thorny social ones — alcoholism, drugs, infidelity.
“We tackled everything except hemorrhoids,” Ms. Arthur said, sounding much like Maude, in a 2001 interview with the Archive of American Television, a collection of video oral histories compiled by the Academy of Television Arts and Sciences.
In the show’s first season, Maude, at the age of 47, learned she was pregnant; her distress was evident.
“Mother, what’s wrong? You’ve got to share this with me,” Carol says. Maude’s response is typical, with barbs aimed both inward and outward, delivered by Ms. Arthur with a flash of simultaneous anger, despair and humor: “Honey, I’d give anything to share it with you.”
The two-part episode was broadcast in November 1972, two months before Roe v. Wade, the Supreme Court case that made abortion legal nationwide, was decided. By the episode’s conclusion, Maude, who lived in Westchester County in New York, where abortion was already permitted, had chosen to end the pregnancy. Two CBS affiliates refused to broadcast the program, and Ms. Arthur received a shower of angry mail.
“The reaction really knocked me for a loop,” she recalled in a 1978 interview in The New York Times. “I really hadn’t thought about the abortion issue one way or the other. The only thing we concerned ourselves with was: Was the show good? We thought we did it brilliantly; we were so very proud of not copping out with it.”
“The Golden Girls,” an immensely popular show that was broadcast on NBC from 1985-92 and can still be seen daily in reruns, broke ground in another way. Created by Susan Harris (who wrote the “Maude” abortion episode), it focused on four previously married women sharing a house in Miami, and with its emphasis on decidedly older characters, it ran counter to the conventional wisdom that youthful sex appeal was the key to ratings success.
Which is not to say “The Golden Girls” wasn’t sexy. Like “Maude,” it was a comedy that dealt with serious issues, especially those involved with aging, but also matters like gun control, gay rights and domestic violence. And like “Maude,” it could be bawdy. The women were all active daters and, to different degrees, openly randy. As Dorothy, Ms. Arthur was coiffed and clothed in a softer, more emphatically feminine manner than she had been in “Maude,” but she was no less sharp-tongued, and she and the show’s other stars — Rue McClanahan, Betty White and Estelle Getty (who, though younger than Ms. Arthur, played Dorothy’s mother) — were frequently praised for portraying the lives of older women as lively, uncertain, dramatic and passion-filled as those of college sorority sisters.
Familiarly known as Bea, Ms. Arthur was billed in the theater and on television as Beatrice, but the name was one she made up. She was born Bernice Frankel in New York City on May 13, 1922, according to Mr. Watt. But she preferred to be called B — “I changed the Bernice almost as soon as I heard it,” she said — and later expanded it to Beatrice because, she said, she imagined it would look lovely on a theater marquee. The name Arthur is a modified version of the name of her first husband, the screenwriter and producer Robert Alan Aurthur.
When she was a child, her family moved to Cambridge, Md., on the Eastern Shore, where her parents ran a small women’s clothing store, and she dreamed of being a chanteuse and an actress, and entertained her friends with imitations of Mae West. She attended Blackstone College, a two-year school in Virginia, and later studied to be a medical technician, then eventually moved to New York to study acting with Erwin Piscator at the Dramatic Workshop of the New School for Social Research. Among her classmates were Tony Curtis, Walter Matthau and the actor and director Gene Saks, whom she married in 1950. (He directed her in “Mame.”) They divorced in 1978; their two sons, Matthew and Daniel, survive her. She had two granddaughters.
Ms. Arthur worked regularly Off Broadway and in summer stock, appearing as Lucy Brown in Marc Blitzstein’s adaptation of “The Threepenny Opera” at the Theater de Lys in 1954. And in 1955, in a well-received musical tidbit, “Shoestring Revue,” she was seen for the first time by the man who would become a lifelong friend and professional benefactor, Norman Lear.
She also sang in nightclubs and worked occasionally on television, appearing on “Kraft Television Theater” and other shows featuring live drama. On Broadway, in 1964, she played Yente, the matchmaker in “Fiddler on the Roof.” In the movies, she appeared in the comedy “Lovers and Other Strangers” (1970), and in a reprise of her stage performance as Vera Charles, she appeared in “Mame” (1974), again directed by her husband, this time alongside Lucille Ball.
In 1971, she was living in New York but visiting her husband, who was directing a movie, “The Last of the Red Hot Lovers,” in Los Angeles, when Mr. Lear persuaded her to do a guest spot on “All in the Family.” The role he created for her, Maude Findlay, was a cousin of Edith Bunker, Archie’s wife (Jean Stapleton), who arrives to care for the family when everyone gets sick. Her tart sparring with Archie (Carroll O’Connor, with whom she had worked on stage, in a play called “Ulysses in Nighttown”) was a hit with viewers. Almost immediately CBS ordered up a new series from Mr. Lear, with Ms. Arthur’s Maude at the center of it. It changed her life.
“I think we made television a little more adult,” Ms. Arthur said. “I really do.”
2009/04/25
2009/04/24
Quem quer casa paga
Nos EUA, quando comprei um carro, passei um cheque visado. Era um impresso especial (eles não têm carimbos) que me custou uma ninharia.
Em Portugal, para comprar uma casa, também passei um cheque visado. Era um cheque normal, com um carimbo, selo branco e duas assinaturas. Custou-me 31 euros. Agora que sou um homem do norte apetece dizer-me: "Fooooda-se, cabrões de banqueiros, vão roubar para o caralho!"
É claro que muito mais do que isso tive que pagar em impostos e comissões pela escritura e registo (mesmo com o "Casa Pronta"). Mas dos impostos não me queixo. Do que pago aos bancos (e aos mediadores), sim.
Em Portugal, para comprar uma casa, também passei um cheque visado. Era um cheque normal, com um carimbo, selo branco e duas assinaturas. Custou-me 31 euros. Agora que sou um homem do norte apetece dizer-me: "Fooooda-se, cabrões de banqueiros, vão roubar para o caralho!"
É claro que muito mais do que isso tive que pagar em impostos e comissões pela escritura e registo (mesmo com o "Casa Pronta"). Mas dos impostos não me queixo. Do que pago aos bancos (e aos mediadores), sim.
2009/04/23
Já tenho casa
Oficialmente, desde hoje: escritura assinada. Depois conto em mais pormenor o processo que me levou a decidir a casa (recordo a indecisão aqui). Fica um conselho: não comprem uma casa enquanto não se apaixonarem por ela. E eu apaixonei-me pela minha casa. Apaixonei-me por esta vista e por este pôr do sol, que a partir de hoje posso ter todos os dias.



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Pessoal
2009/04/22
Feira do Livro de Braga
Já está a decorrer. Amanhã às 21:30 Licínio Chainho Pereira (físico molecular e antigo reitor da Universidade do Minho) e o Rui Tavares falam às 21:30 sobre "Memória do Universo, Universos de Memória". A não perder.
2009/04/21
Responsabilidade pela tortura

On Thursday, President Obama released memos that describe, in horrific detail, the torture techniques authorized by the Bush administration. The memos make clear that top Bush officials didn't just condone torture-they encouraged it.
So far there's been no accountability for the architects of Bush's torture program-the top officials who justified keeping detainees awake for 11 days straight, waterboarding them repeatedly, and forcing prisoners into coffin-like boxes with insects.
We need real consequences for those responsible-it's the only way to keep this from happening again.
Em Portugal, recordo, há quem prefira George W. Bush a Sócrates.
2009/04/20
Homenagem a José Sousa Ramos

Foi inaugurada no Sobral da Adiça, concelho de Moura, uma escultura em homenagem ao meu saudoso professor José Sousa Ramos. Não tendo podido comparecer, não deixo de me associar aqui a esta merecida homenagem.
2009/04/17
Freeport está para Apito Dourado...
como Sócrates está para Pinto da Costa, Charles Smith está para Carolina Salgado, o PS está para o FCP, o PSD está para o Benfica e Manuela Moura Guedes está para Leonor Pinhão. Aceito mais contribuições.
2009/04/16
"Café com blogues"
Finalmente foi actualizado o arquivo do programa da Rádio Universitária do Minho onde participo. Um dos últimos programas teve a participação especial do Paulo Querido. Vale a pena ouvirem.
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Blogues
2009/04/15
Pequenas vantagens de ser académico
O empregado da embaixada da Rússia a quem entregava a documentação para pedir visto viu a minha proveniência. Ao dizer-me a data de entrega do passaporte com visto, disse-lhe que nesse dia não poderia: só mais tarde. Ele disse: "se quiser, tratamos já aqui". Tive um visto na hora. Pelo mesmo preço. Há quem pague o dobro por um visto em 48 horas.
O ser académico e ter um convite de uma universidade deve ter ajudado. Mas o trabalhar longe de Lisboa também.
O ser académico e ter um convite de uma universidade deve ter ajudado. Mas o trabalhar longe de Lisboa também.
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Pessoal
2009/04/14
"Vai andar...Vai andar..."

Gaitinhas avistou Gineto logo à entrada da feira. A lua, bondosa, iluminava as barracas. E, se acaso se escondia entre as nuvens, lá estavam as mil lâmpadas de cores para a substituir.Este texto, do meu livro de leitura da 4ª classe, marcou a minha infância. Esteiros, o romance de onde foi tirado, e que li no meu oitavo ano, marcou-me de forma indelével. Inesquecíveis as aventuras do Gineto, do Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Sagui... O autor, Soeiro Pereira Gomes, nasceu há cem anos.
Gineto e Gaitinhas pararam junto dos carróceis que eram dois. O maior, iluminado por lâmpadas multicores, tentava os olhos. Tinha cavalinhos com as patas no ar, galos de crista alta, bichos variados sobre um tapete rolante que oscilava como os barcos do rio. O outro, perro e mal iluminado, só tinha cavalinhos.
- Qual queres? – perguntou Gineto.
Gaitinhas demorou a resposta. Olhou o carrocel velho, sem ninguém, e os cavalinhos tristes, parados. A voz rouca do dono parecia chamá-lo.
- Vai andar...Vai andar...
- Vamos neste – disse Gaitinhas.
O cavalo galopava no espaço, através das estrelas e ele levava um sorriso nos lábios. O carrocel parou. Mas a alegria da viagem ficou ainda a bailar nos olhos de Gineto e nos lábios de Gaitinhas.
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Livros
2009/04/13
Apelo à convergência de esquerda nas eleições de Lisboa
"Para que Lisboa cumpra a sua vocação e seja um exemplo para o resto do país. Deixemo-nos de sectarismos que só beneficiam a direita", apelei eu na minha assinatura (fui o primeiro a assinar!). A petição dos lisboetas dirigida aos partidos de esquerda foi apresentada hoje no Palácio Galveias em Lisboa e pode ser assinada aqui.
2009/04/11
250 anos de elevação a cidade

Menina da Ria - Caetano Veloso
Uma moça
De lá do outro lado da poça
Numa aparição transatlântica
Me encheu de elegante alegria
(Ai, Portugal, ovos moles, Aveiro)
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria
E uma preta
(Parece que eu estou na Bahia)
Tão Linda quanto ela, dizia
No seu português lusitano:
“Pode o Caetano tirar uma foto?”
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria
Arte Nova, um prédio art-nouveau numa margem
Em frente à marina-miragem:
Os barcos na Ria. E depois
Uma taça sobre o pubis glabro, um estudo
Nenhum descalabro se tudo
É sexo sem sexo em nós dois
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria
Parabéns a Aveiro! (Via Amigos d'Avenida)
2009/04/10
Páscoa em Newark

O The New York Times de anteontem descreve um cenário que me era bem familiar há uns anos. Leiam também as receitas para verem uma perspectiva americana da comida portuguesa. Boa Páscoa para todos.
April 8, 2009
Newark’s Portuguese Community Keeps Fires of Tradition Burning
By DAVID LEITE
NEWARK
FRANK ALEXANDRE was so excited to make his point that he hip-checked a table out of the way as he lurched toward the photograph on the wall. “Olhe! Olhe!” he said in his native Portuguese. (“Look! Look!”)
The picture, hanging in the Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, a social club (named after the desolate region in northeast Portugal) in the Ironbound section of this city, shows a clutch of sun-pummeled stone buildings, the roofs crenulated with scrub, the road thick with dust.
“This building here is the cookhouse,” said Mr. Alexandre, owner of a local auto repair and towing company, pointing to an imposing windowless stone structure pictured atop a hill. “There are four or five stone ovens inside.” He explained that in times gone by, the residents of the village in the photograph would forage for scraps of wood, build a fire in the ovens and cook communally: hotter fires roasted meats and baked breads while cooler embers burbled stews and braises and coddled eggy desserts. Families then divided the food and trekked home to dine.
“That,” he said, tapping the picture, “is how we survived.”
Nearly six decades after that photograph was taken and half a world away in Ironbound, where 25 percent of the population is of Portuguese descent, the tradition of communal cooking and eating remains — especially during Páscoa, or Easter.
“Last Easter I sold about 120 whole lambs, 60 kid goats and almost as many suckling pigs,” said Herminio Lopes, who owns the Lopes Sausage Company in Newark, one of the area’s most popular meat suppliers (he has also shipped sausages to the White House).
He explained that because home ovens can’t always accommodate a whole animal, the Portuguese-preferred way of roasting, many animals are brought to restaurant kitchens, where they are marinated or massaged with a customer’s own rub, then roasted and either enjoyed in the dining room or taken home. Other people dress the roasts themselves and cook them outdoors in hand-built brick ovens.
On a ride through the city and nearby Elizabeth, Mr. Alexandre pointed out small backyards co-opted by hulking ovens — the Portuguese equivalent of the American charcoal grill — in which, he said, it wasn’t unusual for one cook to roast not only his own family’s Easter dinner but those of several neighbors.
In the early 20th century, waves of immigrants from Portugal and the Azores settled in the Ironbound district, and by the 1920s the community had its first social club along with churches and retail stores lining Ferry Street, the neighborhood’s noisy thoroughfare.
Midcentury saw another boom, which was eclipsed in the ’70s and ’80s by immigration from former Portuguese colonies, including Brazil and Cape Verde. Although the Luso population has decreased because of relocation to the wealthier suburbs and restrictions on immigration, most Portuguese families in the area still cleave to the Catholic church, religious festivals and feasts.
Despite the economy, preparing whole animals remains a booming enterprise for rogue roasters, who turn a tidy profit. “We have several people in the area who cook for a fee,” said John Panneta, a tour guide who introduces groups to the Ironbound’s social, gastronomic and cultural pleasures. “Most of them cook from their backyards and deliver it to your house.”
A different business model of roaster-for-hire is Valença, a restaurant in Elizabeth run with precision by its owner, Martinho Pereira. His crew cranks out several hundred roast suckling pigs during the holiday season for in-house customers, catered events and families who prefer to dig into their pig in the privacy of their own dining room.
When asked what secret ingredients make his pork so popular, Mr. Pereira laughed and shrugged as if to say, “What secret?” Like most Portuguese roasts, his suckling pigs are coated with nothing more than lard, garlic, salt and black and white pepper.
Recently, at the Newark home of António and Magda Araujo, Mr. Alexandre and his wife, Maria, cooked up a lamb feast. But instead of cooking it whole, they had Mr. Lopes butcher it to show off two Easter favorites — borrego assado (roasted legs of spring lamb) and guisado de borrego (lamb stew). The scene, as Mrs. Araujo described it, was typically Portuguese: “loud and fast.”
“Everything is better with olive oil!” Mrs. Alexandre shouted as she rubbed some into the lamb legs. Mr. Alexandre countered with voluminous and rapid-fire requests for bowls, pans and cutting boards. Their frantic pas de deux continued, and they dipped and spun to avoid elbows and sharp knives as they whirred garlicky pastes in the food processor, peeled potatoes and dressed the meat. In under 45 minutes, four pans along with a flan were ready for the stove. Ervilhas com ovos, a staple of peas and bacon topped with poached eggs, would be made right before dinner.
Mr. Alexandre is no stranger to the kitchen, as he’s proud to announce, having won several contests at the social club for his folar, a traditional Easter bread that in Trás-os-Montes is stuffed with cured meat.
“I made the mistake of teaching one of the young men from the Azores how to make it,” he said, “and that year he won.” Mr. Alexandre is determined to win back his title this year.
A short time later, half a roast suckling pig from Valença and both lamb dishes were nestled in the center of the table. Potatoes, rice, bread and the egg-topped peas filled the gaps. Around the table sat 10 hungry guests.
Dinner was suddenly interrupted by the bleating of Mr. Alexandre’s cellphone. A Portuguese woman was stranded on the highway and called for a tow. He stood up, popped another chunk of lamb into his mouth, and shrugged on his jacket.
“Got to take care of our own,” he said, heading for the door. “It’s how we survive.”
Lamb Stew
Time: 2 hours, plus at least 2 hours’ marinating
1 6-pound bone-in lamb shoulder; bones removed and cut into 3-inch pieces, rinsed well and reserved, or 3 pounds boneless lamb shoulder (see note)
3 ounces chicken livers
5 garlic cloves, minced
3 bay leaves
1 tablespoon sweet paprika
1 1/2 cups dry white wine
4 tablespoons olive oil, or as needed
Coarse salt
Ground white pepper
1 yellow onion, cut crosswise into thin half-moons
2 cups beef stock
3 sprigs flat-leaf parsley, chopped, more for serving (optional)
Boiled red potatoes, cooked white rice for serving (optional).
1. Cut lamb and chicken livers into 1 1/2-inch chunks, and place in a glass, stainless steel or other nonreactive bowl. Add garlic, bay leaves, paprika, 1/4 cup wine, 2 tablespoons olive oil, 2 teaspoons salt and 1/2 teaspoon white pepper. Mix well. Cover and refrigerate at least 2 hours, preferably overnight.
2. When ready to cook, heat remaining 2 tablespoons olive oil in a large Dutch oven over medium-high heat. When oil shimmers, add bones and sear until well-browned, 7 to 10 minutes. Transfer to a plate. If pan is dry, add a bit more oil. Working in batches, add lamb mixture and sear, turning occasionally, until edged with brown, 6 to 8 minutes. Transfer to a plate.
3. Lower heat to medium, add onion and sauté until limp, about 10 minutes. Add lamb and any juices, the bones, remaining 1 1/4 cups wine, beef stock and parsley. Bring to a boil, reduce heat to low and cover. Simmer, stirring occasionally, until lamb is tender, about 1 1/2 hours; if liquid level becomes low, add water as needed. Season with salt and pepper.
4. Remove and discard bones and bay leaves. If a smooth sauce is desired, transfer lamb to a bowl, cover and keep warm. Strain and discard solids from liquid. To serve, spoon stew into shallow bowls. If desired, accompany with boiled peeled red potatoes or long grain white rice drizzled with olive oil and sprinkled generously with minced parsley.
Yield: 4 to 6 servings.
Note: Ask butcher to bone shoulder, cut bones into pieces and remove excess fat. Three pounds of lamb is needed; if necessary, add boneless shoulder.
Peas With Poached Eggs
Time: 20 minutes
6 ounces thick-cut slab bacon, sliced crosswise into 1/4-inch pieces (see note)
1 yellow onion, diced
1 tablespoon white vinegar
4 to 6 large eggs
3 cups (about 1 pound) frozen baby peas, thawed
1 medium tomato, seeded and diced
Coarse salt
Ground white pepper
1 tablespoon minced parsley, for garnish.
1. In a large skillet over medium heat, sauté bacon until crispy-chewy, about 5 minutes. Using a slotted spoon, transfer to paper towels. Reduce heat to low and add onion to skillet. Sauté in bacon fat until golden brown, about 10 minutes.
2. Meanwhile, fill a deep skillet with 3 inches water and add vinegar. Place over medium heat and bring to a bare simmer. Break an egg into a 1/3-cup measuring cup and gently tip into water. Repeat with remaining eggs. Poach to taste, 3 to 4 minutes. Remove with a slotted spoon, transfer to a plate and trim neatly. Cover and keep warm.
3. Add peas to skillet with onions and toss until warmed. Add tomato and bacon bits, and season with salt and pepper.
4. To serve, transfer pea mixture to a warmed serving bowl. Make an indentation in peas for each egg, nestle in eggs and sprinkle with parsley. Instruct guests to scoop peas onto their plates and crown with an egg.
Yield: 4 to 6 servings.
Note: For a smokier flavor, reduce the amount of bacon to 3 ounces and add 3 ounces diced chouriço.
Flan With Tea
Time: 1 1/2 to 2 hours, plus 3 hours’ chilling
2 cups whole milk
2 tablespoons strong-flavored tea leaves, like Lapsang souchong
2 cups sugar
6 large eggs, at room temperature
1 large egg yolk, at room temperature.
1. Heat oven to 325 degrees. Fill a kettle of water to bring to a boil. In a small saucepan, combine milk and tea leaves. Place over medium-low heat and bring to a bare simmer; remove from heat and allow to steep until deeply infused, about 10 minutes. Strain into a bowl, discard solids, and allow to cool until just warm.
2. In a small saucepan, combine 1 cup sugar and 2 tablespoons water. Place over medium heat without stirring until sugar melts and begins to take on a bit of color. Do not stir; instead, swirl pan occasionally. Continue to cook until mixture is dark maple-syrup brown and has an aroma of caramel, 10 to 15 minutes. Carefully pour into a 1 1/2-quart flan mold or metal baking dish (such as an 8-inch square baking pan), tilting pan to coat sides and bottom. Set aside.
3. In a mixing bowl, combine eggs, yolk and remaining 1 cup sugar. Stir until sugar is dissolved, about 3 minutes. Slowly stir in the milk mixture until blended. Pour into flan mold, and set mold in a small roasting pan. Place in oven and pour enough boiling water into roasting pan to come halfway up mold.
4. Bake flan until set around edges but slightly jiggly in middle, 45 minutes to 1 hour 15 minutes, depending on oven, and size and depth of mold. Remove from water bath and place on a work surface to cool to room temperature. Refrigerate until well chilled, about 3 hours.
5. To serve, run a sharp knife around inside edge of pan. Place a deep plate on top and flip. Remove mold, and serve.
Yield: 8 servings.
2009/04/09
A última carta
Recebi muitas cartas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, quase sempre a anunciarem o pagamento de mais um mês de bolsa. Este mês recebi a última. A anunciar o contrário: descontaram o cheque de 1495 euros que eu lhes passei pelo mês de bolsa que me tinham pago a mais.
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Pessoal
2009/04/08
"Newton às voltas no caixão"?
"Lá na Abadia de Westminster, Newton deve andar às voltas no caixão", dizia a minha (excelente, e portista) professora de Física do 12º ano sempre que alguém cometia um erro.
Parece que o FC Porto invocou Newton para contestar a punição a Lisandro Lopéz (talvez alguém tenha sido aluno dela na SAD portista). Pelo que eu vejo no vídeo citado por Carlos Fiolhais, porém, a decisão do árbitro durante o jogo, a avaliação da causalidade daquela queda, é que deve ter deixado Newton às voltas no colchão. Entretanto parabéns pelo empate de ontem em Manchester, e boa sorte na Liga dos Campeões.
Parece que o FC Porto invocou Newton para contestar a punição a Lisandro Lopéz (talvez alguém tenha sido aluno dela na SAD portista). Pelo que eu vejo no vídeo citado por Carlos Fiolhais, porém, a decisão do árbitro durante o jogo, a avaliação da causalidade daquela queda, é que deve ter deixado Newton às voltas no colchão. Entretanto parabéns pelo empate de ontem em Manchester, e boa sorte na Liga dos Campeões.
2009/04/07
Actualização dos montantes das bolsas de investigação
O governo criou novas oportunidades de trabalho para bolseiros de investigação científica, com contrato (eu sou um dos beneficiados, bem como a maioria dos meus colegas). Mas não melhorou em nada o estatuto do bolseiro de investigação científica, para os bolseiros que continuam nesta situação. E há muito a melhorar para estes profissionais ultra-precários e sem regalias (eu era um até há meses), como bem denuncia a ABIC. Assinem esta petição.
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Universidade
2009/04/06
Sócrates perdeu o tino
Confundir uma coluna de opinião do João Miguel Tavares (com quem me solidarizo totalmente) com o "Jornal de Sexta" da TVI e a Manuela Moura Guedes revela total desorientação. Assim não vai longe.
2009/04/03
Névoa fora da Braval
Francisco Louçã em pessoa acabou de me entregar na Avenida Central de Braga um panfleto com um apelo a esta petição. Assinem!
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Esquerda
2009/04/02
Ponte das Barcas, 200 anos depois
Não me lembro de ter estudado a tragédia da Ponte das Barcas em nenhuma disciplina de História. A verdade - tenho que o admitir - é que se até à semana passada me perguntassem o que tinha sido a tragédia da Ponte das Barcas, não saberia responder ao certo. É provável que o episódio venha referido no livro Uma Aventura no Porto, que eu devo ter lido há 20 anos. Talvez me lembrasse de um acidente na fuga às tropas de Soult, mas não imaginava que tivesse tido a dimensão que teve.
Ora isto é muito grave. A tragédia da Ponte das Barcas, como o Pogrom de Lisboa de 1506, sendo duas tragédias bem distintas na sua natureza, são episódios importantíssimos da História de Portugal, que não podemos ignorar. No caso da Ponte das Barcas, em termos absolutos - mais de 4000 mortes - é uma tragédia bem maior que o 11 de Setembro de 2001. Para não falar em termos relativos: o Porto não é a Nova Iorque de hoje, e muito menos o era há 200 anos. 4000 pessoas representavam muito mais para o Porto daquela altura do que para a Nova Iorque de hoje. Bem sei que - com respeito por todos os mortos - o que tornou o 11 de Setembro horrendo foi o acto em si, mais do que o número de mortos. Mas justamente por isso, o que impressiona na Ponte das Barcas é a dimensão da tragédia. Tal como Leiria (como eu referi há três meses), depois das invasões napoleónicas o Porto não era a mesma cidade de antes. A principal lição histórica é esta, e eu não creio que seja bem aprendida.
Ora isto é muito grave. A tragédia da Ponte das Barcas, como o Pogrom de Lisboa de 1506, sendo duas tragédias bem distintas na sua natureza, são episódios importantíssimos da História de Portugal, que não podemos ignorar. No caso da Ponte das Barcas, em termos absolutos - mais de 4000 mortes - é uma tragédia bem maior que o 11 de Setembro de 2001. Para não falar em termos relativos: o Porto não é a Nova Iorque de hoje, e muito menos o era há 200 anos. 4000 pessoas representavam muito mais para o Porto daquela altura do que para a Nova Iorque de hoje. Bem sei que - com respeito por todos os mortos - o que tornou o 11 de Setembro horrendo foi o acto em si, mais do que o número de mortos. Mas justamente por isso, o que impressiona na Ponte das Barcas é a dimensão da tragédia. Tal como Leiria (como eu referi há três meses), depois das invasões napoleónicas o Porto não era a mesma cidade de antes. A principal lição histórica é esta, e eu não creio que seja bem aprendida.
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Portugal
2009/04/01
"Concerto a la carte"
Monólogo de Franz-Xaver Kroetz com Ana Bustorff. Em cena no Teatro Circo em Braga até sexta feira e, depois, noutras cidades do país. Eu fui ver e gostei.
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Cultura
2009/03/30
O futuro campeão mundial de Fórmula 1
Ross Brawn é o Mourinho da Fórmula 1: o "treinador" torna-se mais importante que os "jogadores". Já "deu" os sete títulos a Michael Schumacher. Alguém duvida que, nas suas funções, é o melhor?
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Fórmula 1
2009/03/28
BdE - Blogue de Esquerda (III)
José Mário Silva. Luís Rainha. Mesmo sendo um blogue da revista Sábado, é impossível eu (e quem o leu) não se recordar do blogue onde eu verdadeiramente descobri a blogosfera. Da minha primeira experiência num blogue de larga audiência. Do local onde bloguei com mais amor à arte e à camisola e onde blogar me deu mais gozo.
O Luís Rainha continua em forma:
O Luís Rainha continua em forma:
Foi delicioso ver Fernando Rosas a comentar na TV o caso da investigadora da Universidade Nova que não conseguiu vender a sua patente de transístores em papel a empresas portuguesas. Entusiasmado com a invenção, o historiador – que não sei se saberá o que é um transístor – até exprimiu a sua pena de que não fosse uma empresa como a Renova a explorar o revolucionário dispositivo. Imaginem as possibilidades: papel higiénico com música, rolos de cozinha capazes de enviar emails...A ele e aos outros (o Vasco Barreto e a Ana Leonardo) eu desejo todas as felicidades e boas postagens. Façam o que sempre fizeram e já será muito bom.
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Blogues
2009/03/26
Os Pintos e a "pintada" do Pedro Silva
Sá Pinto e João Pinto defendem a atitude do Pedro Silva. Nada de especial (eu também defendo o Pedro Silva). Mas tendo em conta o historial dos dois jogadores citados (dois excelentes profissionais de futebol), outra posição da sua parte é que seria de admirar, não é? Não acredito que não haja outros jogadores a defenderem o Pedro Silva.
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Sporting
2009/03/25
Sobre as declarações do Papa

Há simplesmente que reconhecer que, tratando-se de sexualidade, o Papa não sabe do que está a falar.
Fotografia roubada ao Rui Curado Silva
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Religião
2009/03/24
2009/03/23
As casas da minha grande indecisão
Vou explicar-vos as diferenças entre elas (para além do preço). Se me puderem ajudar com sugestões agradeço.
A mais barata tem 20 anos, a mais cara tem 14.
Ambas têm garagem individual fechada. Em termos de localização, ambas são bem localizadas, na mesma rua (uma rua principal de Braga), uma de frente para a outra. Uma é um sexto, outra é um sétimo andar.
A mais barata tem despensa e áreas (ligeiramente) melhores. Tem duas frentes com duas excelentes varandas. A mais cara não tem despensa. Tem uma boa varanda.
A mais cara tem arrecadação, lareira na sala, uma segunda casa de banho (sanita e lavatório), vidros duplos, gás canalizado. A mais barata não tem nada disto (nem gás canalizado).
A mais barata tem duas frentes (nascente/poente). A mais cara tem uma só frente (nascente), mas muito boas janelas, a toda a largura das divisões, o que lhe dá boa iluminação.
A mais barata tem soalho de corticite nos quartos (teria que pôr flutuante - é barato de pôr). A mais cara tem parquet.
A mais barata precisa de ser pintada (portas envernizadas incluídas), o que também não é caro. A mais cara tem a pintura em bom estado.
A mais barata precisa também de envernizamento e pequenos restauros dos móveis da cozinha, que de resto é uma cozinha mais antiga (mas grande). A mais cara tem a cozinha impecável (embora um pouco pequena).
Ambas têm canos de origem. A mais barata tem canalização de ferro (com 20 anos). No prédio dizem-me que os canos nunca deram problemas nenhuns, mas estes estão parados há uns meses, o que aumenta o risco de oxidação...). É este o meu principal medo. A mais cara também tem os canos parados há uns meses, mas a canalização é de cobre.
A mais cara tem umas placas exteriores (na fachada, mesmo por cima) partidas. É da responsabilidade do condomínio. Espero que não dê origem a infiltrações.
A diferença de preços entre ambas é de cerca de 16000 euros. Será que todas as vantagens da mais cara que eu referi valem esse dinheiro? Reparem que em Braga tudo é mais barato (as casas e a mão de obra de trabalhos, e se calhar mesmo os materiais). Comparem a devida proporção entre os preços, e não nos padrões de Lisboa (onde nem o dobro do dinheiro compraria ambas as casas).
O que dizem disto aqueles de vós atentos ao mercado imobiliário? Agradeço sugestões pertinentes nos próximos dias. Obrigado.
A mais barata tem 20 anos, a mais cara tem 14.
Ambas têm garagem individual fechada. Em termos de localização, ambas são bem localizadas, na mesma rua (uma rua principal de Braga), uma de frente para a outra. Uma é um sexto, outra é um sétimo andar.
A mais barata tem despensa e áreas (ligeiramente) melhores. Tem duas frentes com duas excelentes varandas. A mais cara não tem despensa. Tem uma boa varanda.
A mais cara tem arrecadação, lareira na sala, uma segunda casa de banho (sanita e lavatório), vidros duplos, gás canalizado. A mais barata não tem nada disto (nem gás canalizado).
A mais barata tem duas frentes (nascente/poente). A mais cara tem uma só frente (nascente), mas muito boas janelas, a toda a largura das divisões, o que lhe dá boa iluminação.
A mais barata tem soalho de corticite nos quartos (teria que pôr flutuante - é barato de pôr). A mais cara tem parquet.
A mais barata precisa de ser pintada (portas envernizadas incluídas), o que também não é caro. A mais cara tem a pintura em bom estado.
A mais barata precisa também de envernizamento e pequenos restauros dos móveis da cozinha, que de resto é uma cozinha mais antiga (mas grande). A mais cara tem a cozinha impecável (embora um pouco pequena).
Ambas têm canos de origem. A mais barata tem canalização de ferro (com 20 anos). No prédio dizem-me que os canos nunca deram problemas nenhuns, mas estes estão parados há uns meses, o que aumenta o risco de oxidação...). É este o meu principal medo. A mais cara também tem os canos parados há uns meses, mas a canalização é de cobre.
A mais cara tem umas placas exteriores (na fachada, mesmo por cima) partidas. É da responsabilidade do condomínio. Espero que não dê origem a infiltrações.
A diferença de preços entre ambas é de cerca de 16000 euros. Será que todas as vantagens da mais cara que eu referi valem esse dinheiro? Reparem que em Braga tudo é mais barato (as casas e a mão de obra de trabalhos, e se calhar mesmo os materiais). Comparem a devida proporção entre os preços, e não nos padrões de Lisboa (onde nem o dobro do dinheiro compraria ambas as casas).
O que dizem disto aqueles de vós atentos ao mercado imobiliário? Agradeço sugestões pertinentes nos próximos dias. Obrigado.
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2009/03/20
Ganhou Paris
Não sabia por quem haveria de torcer no confronto entre o Sp. Braga e o Paris St. Germain - afinal, nenhum dos dois clubes é o meu; são apenas os clubes de duas cidades que são (uma é-o agora e a outra sê-lo-á sempre) minhas. A minha preferência pelo Sp. Braga para este encontro tinha mais a ver com ser bom para o futebol português. Ganhou o Paris St. Germain e aqui em Braga ficaram todos cabisbaixos. O que aborrece é que em Paris ninguém ficou alegre: ficou tudo indiferente.
2009/03/18
Os ovos da galinha dos Saltimbancos
No espectáculo de que aqui falei, uma fábula protagonizada por animais, existe um burro, um cão, uma gata e uma galinha. Esta última a certa altura larga uns "ovos" que, na encenação da Seiva Trupe, são umas bolas de ping-pong da Sport Zone (nem mais nem menos).
No final da peça, decidi pegar numa delas para levar para casa (eu tinha assistido à peça na primeira fila). Foi o suficiente para que várias crianças, guiadas pelo meu mau exemplo, quisessem levar igualmente uma bola para casa, no que eram contrariadas pelas mães: "Para que é que tu queres uma bola? Eles precisam das bolas. Não estão aqui para nós as levarmos".
A questão é que as crianças queriam uma bola de ping-pong. Eu queria trazer (e trouxe, e guardei) um "ovo" da peça. Como explicar a diferença às crianças? Nem sei se as mães se aperceberam.
No final da peça, decidi pegar numa delas para levar para casa (eu tinha assistido à peça na primeira fila). Foi o suficiente para que várias crianças, guiadas pelo meu mau exemplo, quisessem levar igualmente uma bola para casa, no que eram contrariadas pelas mães: "Para que é que tu queres uma bola? Eles precisam das bolas. Não estão aqui para nós as levarmos".
A questão é que as crianças queriam uma bola de ping-pong. Eu queria trazer (e trouxe, e guardei) um "ovo" da peça. Como explicar a diferença às crianças? Nem sei se as mães se aperceberam.
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Pessoal
2009/03/17
So long, Conan
Como qualquer pessoa que siga o programa (eu via-o para aí desde 1999, com um interregno enquanto vivia em França), tenho pena da saída de Conan O'Brien do Late Night e estou apreensivo com a sua transferência para o Tonight Show. Este último é o principal palco da TV americana, o único programa ao vivo a receber um presidente (já esta semana). É sem dúvida uma promoção para o Conan. Mas é em Los Angeles, e o Conan, um bostoniano de ascendência irlandesa, tornou-se um ícone de Nova Iorque. E o Tonight Show é um programa muito mais institucional, e é provável que continue a sê-lo. O que implica que o Conan iconoclasta que nos habituámos ao longo dos anos acabou. A partir do outono cá estaremos para ver. Espero que me engane. Entretanto o último Late Night é transmitido hoje na SIC Radical, tendo o penúltimo (com Jerry Seinfeld) sido transmitido ontem.
2009/03/16
Os Saltimbancos

Disse-me o meu antigo companheiro de blogue, mal acabámos de jantar: “Bom concerto!” “Mas não vou ver um concerto: é uma peça de teatro”, disse-lhe eu. Ele tinha razão, no entanto: o que mais me atraía no espectáculo eram as músicas de Chico Buarque e Sérgio Badotti. Era ver o conto dos irmãos Grimm a acabar ao som de “Tanto Mar”. Mas a peça era engraçada, bem encenada e os actores eram bons. Só até dia 18 no Teatro do Campo Alegre, no Porto (Seiva Trupe). De seguida percorre algumas outras cidades em digressão. Recomendo.
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