2009/07/22

No Quai Henri IV

Ali perto da Bastilha. Um rapaz diferencia-se, entre a multidão parisiense, por escarrar para o meio do chão com toda a gente a ver. Adivinham o que ele tinha estampado na camiseta? Certo (palavra de honra): “graças a Deus que sou português”!

2009/07/20

Ela quer ver o astronauta a descer na televisão

40 anos de “um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”. E quase 40 (39) de uma grande canção.

2009/07/19

Em Paris, em cada esquina um amigo

Paris continua a ser para mim uma cidade onde fiz (e continuo a fazer) muitos amigos. É um "ponto de acumulação" por onde toda a gente passa, onde se fazem amigos novos e onde se encontra aquele amigo que fizemos há uns anos na Cité Universitaire, que agora até está em Lisboa, onde nunca nos encontramos. Mas encontramo-nos por acaso em Paris. Ambas as coisas sucederam-me ontem.
Vou agora até Nantes. Mais tarde oontinuo com as crónicas parisienses.

2009/07/17

Laboratório Ibérico de Nanotecnologia

Enquanto ando (na verdade neste momento passeio) por Paris, não deixo de sentir orgulho de Braga.

2009/07/16

"What do you need R-symmetry for?"

Foi essa a pergunta que o Ed me fez ao assistir ao meu seminário. Ter o Ed Witten na audiência não deixa ninguém indiferente; no meu caso, não estava propriamente nervoso, mas tenho a sensação de que despachei tudo a correr, uma vez que nem precisei de usar o tempo todo disponível, algo que comigo nunca acontece. Mas garanto-vos: foi uma experiência para muito mais tarde recordar.

2009/07/15

O sítio do costume...

...continua a servir boas refeições a um preço módico, embora agora esteja fechado ao fim de semana. Ainda é o meu local de almoço quotidiano em Paris. Anteontem foi um rôti de dinde avec du riz sauvage perfumé.

Paris a arder

O fogo de artifício foi lindo.

2009/07/14

120 anos da Torre Eiffel


...e 220 da tomada da Bastilha. Viva a Liberdade! E viva a Igualdade!

Voos e refeições, cinco anos depois

Deram desta vez sandes de salmão fumado com queijo fundido. Estão a melhorar a olhos vistos em comparação com há cinco anos, mesmo se sejam menos portugueses na comida (a comida portuguesa não é comida de avião, e ainda bem). Eu estava esganado de fome, e fui pedir outra sandes, como é meu hábito (era de noite, e o avião vinha com metade da lotação). Fiquei à conversa com a simpatiquíssima tripulação, e ainda me perguntaram se eu não queria mais uma sandes. O meu jantar (repito, ia esganado de fome de Portugal) foi, assim, três sandes de salmão fumado, dois copos (cheios - à portuguesa) de Fontanário de Pegões branco (da região do Sado, Rui), duas saladas de frutas e dois cafés. No serviço (em quantidade, qualidade e sobretudo em simpatia) não há nada que chegue à nossa TAP. E em segurança. E, já agora, nada a registar em termos de pontualidade. Bem pode a liberal tripeiragem fugir dela – não se admirem é de depois haver menos voos para o Porto e virem meio cheios. É o mercado. É a procura.
Custa-me escrever o que escrevo a seguir, mas tenho que ser sincero – se eu tivesse pago a viagem do meu bolso, dificilmente teria optado pela TAP. Teria prescindido do jantar, da leitura a bordo, teria pago menos cinquenta ou cem euros e optado por uma low-cost (que não a Ryanair). Mas uma vez que foi o estado a pagar, e o estado não paga low-costs (e obriga-nos a reservar em agências que cobram 40 euros só de emitirem um bilhete), vim em económica, no bilhete mais barato que encontrei. Felizmente foi a TAP. Quando são os contribuintes a pagar, não há nada melhor que a TAP. Quando não são, também é muito boa. E barata às vezes.

2009/07/13

À Paris

...desta vez para os Encontros Marcel Grossmann, onde vou dar dois seminários cuja preparação me retirou muitas horas de sono na semana passada. É sempre um enorme prazer regressar a casa.

2009/07/12

O cu e as calças (3)

Fernanda,
condenar a violência policial injustificada é uma coisa. Que não tem nada a ver com este caso que referes.
Há muito boa gente (que fica muito entusiasmada com os protestos dos estudantes gregos - creio não ser o teu caso) que fala em "estado policial" e "fascista" cada vez que um polícia comete um excesso (acho muito bem que se apurem responsabilidades por esses excessos, atenção). Organizam vigílias e protestos. Mas não são capazes de terem uma palavra perante dois polícias que são baleados. Há muito boa gente (na blogosfera) para quem a vida de um polícia vale menos que as outras. Não queiras confundir tu o cu com as calças também.

2009/07/08

Physical Reality Of String Theory Shown In Quantum-critical State Of Electrons

Para quem questiona que a teoria de supercordas possa apresentar alguma vez resultados palpáveis, aqui está um mistério, em física da matéria condensada, que só foi explicado recorrendo a teoria de supercordas. O que mais custa aos críticos das supercordas é isto: não existe melhor educação em física teórica do que um doutoramento em teoria de supercordas ou num assunto relacionado (física estatística ou teoria quântica de campo). Assuntos que permitem (como nenhum outro) trabalhar em muitos outros campos. Eles sabem-no bem.
É com prazer que acrescento que um dos autores, o Koenraad Schalm, foi meu colega mais velho de doutoramento. É mais um produto da escola holandesa, uma das melhores em física teórica (Stony Brook, apesar de ser em Nova Iorque, pertence à escola holandesa em física teórica). Embora não tenhamos tido muito tempo em comum, o Koen serviu-me como exemplo e inspiração. Parabéns, Koen!
(E obrigado, Luís.)

2009/07/06

Novos blogues

Graças ao destaque que a Palmira teve a gentileza de dar ao meu texto "A revolta dos equiparados", o Carlos Santos descobriu o Avesso do Avesso e teve a gentileza de nos destacar como "blogue da semana". E não é um destaque qualquer: é nuns termos que eu, sem querer parecer falsamente modesto (que não sou), considero muito lisongeiros. Muito obrigado e um abraço ao Carlos pela gentileza!
E graças aos destaques da Palmira e do Carlos, também pude descobrir o blogue de um amigo, o Porto do Graal. O Valor das Ideias e Porto do Graal: dois blogues a seguir.

2009/07/03

O caso Pinho

O "esquerda.net" é muito influente: muitos blogues, mesmo de direita, republicam o vídeo lá publicado.
O melhor comentário foi do Pedro Lomba, no Facebook: "Afinal os chifres foram para Louçã ou para Bernardino? Parece haver uma disputa."
Também gostei do do Jornal de Negócios, citado pela Maria João Pires: Indicadores traem Manuel Pinho.
Dito isto, creio que globalmente o episódio foi bom para o governo. Livram-se (sem terem que o demitir) de um ministro que até poderia ser bom tecnicamente, mas era um desastre em comunicação. E as suas gaffes tinham sempre consequências políticas (como a da Farinha Maizena, que Paulo Rangel ainda lhe deve agradecer). Manuel Pinho era um embaraço para o governo, e saiu de forma apesar de tudo airosa.

2009/07/02

Partes baixas

Há alturas em que ignorante é o melhor que podemos supor de uma pessoa.
Sempre supus que quem se queixa de "Lisboa" por tudo e por nada só pode ser ignorante. Provavelmente conhece a Baixa do Porto (incluindo o excelente "Piolho", onde vou há doze anos) e pouco mais.
Comparar Mariano Gago a um agente da GNR, conhecendo-se a biografia do actual ministro do Ensino Superior (nomeadamente como dirigente associativo), na melhor das hipóteses revela ignorância. Na pior, é muito, muito baixo, e revela até que ponto se pode chegar para defender um emprego na universidade pública. Um emprego - assistente universitário de carreira - que não tem razão de ser nos dias de hoje, como já escrevi várias vezes. Mas essa já é outra conversa.

(Nota: o que defendo - há muito tempo - aplica-se a todos os assistentes universitários, e não ao assistente universitário Carlos Abreu Amorim em particular, bem entendido. Mas teria ficado bem a CAA esclarecer que é parte interessada quando escreve sobre este assunto.)

2009/06/30

A revolta dos equiparados

Na notícia do Público on-line sobre a recente manifestação dos docentes do ensino politécnico, lêem-se comentários como:
"Os professores na sua grande maioria entraram por concurso. O que o senhor ministro quer é que se submetam a novo concurso colocando o seu lugar à disposição de outros que apesar de terem doutoramento e curriculo em investigação, nada fizeram para edificar o sistema politécnico e por isso, tiveram todo o tempo pago com bolsas para fazerem investigação."

Não é verdade que os professores em causa tenham entrado nos politécnicos e nas universidades através de um concurso propriamente dito: se fosse esse o caso, pertenceriam aos quadros dessas instituições. Mas o protesto tem a ver com os docentes que não pertencem ao quadro e que, como tal, nunca foram aprovados num concurso como os concursos devem ser, com um júri com membros externos. Estes docentes foram contratados a termo certo por concursos, sim, mas com júris exclusivamente internos. Em grande parte, foram isso sim contratados “por urgente conveniência de serviço”, o que é um belo justificativo para contratações ad-hoc, muitas vezes do compadre da esquina. Basta ler o Diário da República para confirmar, com regularidade, estas contratações “por conveniência de serviço”. Mas não os tais “concursos” com júris internos que referi: esses não vêm em Diário da República nem têm que ser divulgados. Na melhor das hipóteses estes concursos são anunciados (por exemplo, em jornais ou na net). Mas na maior parte das vezes um anúncio na secção de pessoal chega; os candidatos “convenientes” tomarão sempre conhecimento da vaga. Concursos públicos, publicados em edital e abertos a todos os candidatos qualificados, são os das bolsas de investigação dos tais que “não edificaram o sistema politécnico”.
Se é aborrecido ler comentários deste género (principalmente quando se é bolseiro, ou era até há pouco tempo), mais aborrecido se torna encontrar uma carta como a dos docentes do Instituto Politécnico do Porto, divulgada na sua página e apoiada por um sindicato, o Sindicato Nacional do Ensino Superior. Sindicato esse que até tem um Núcleo de Bolseiros entre os seus sócios. Que pensarão os membros desse núcleo de passagens como esta?
“Não é aceitável uma proposta que obrigue esses mesmos docentes, cujo mérito absoluto pode ser inquestionavelmente comprovado, ou por provas ou por concursos públicos a que já se submeteram no passado, ou por outras provas públicas que verdadeiramente se adeqúem a um regime de transição desta natureza, a disputar o seu posto de trabalho com um número indeterminado de candidatos, estes últimos sem quaisquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.”

É notável este receio de disputar o “seu” posto de trabalho “com um número indeterminado de candidatos”. E é eloquente esta ideia de que o seu “mérito absoluto” não possa ser questionado, mesmo se seja somente através de provas e avaliações internas. Mas o melhor é mesmo o medo xenófobo dos candidatos “sem qualquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.” Mesmo se estes candidatos defenderam teses nas melhores universidades e têm artigos publicados nas melhores revistas, algo que a maioria destes docentes não faz a mínima ideia do que seja. Só o que é da “Escola” é bom para a Escola.
Quando eu era bolseiro (e antes de conseguir um contrato com uma universidade pública, por meio de um júri internacional), muitas vezes me foi vedada a entrada nos concursos de admissão ao quadro destes institutos, com os argumentos mais estapafúrdios. Outras vezes, era admitido a concurso, e ficava (em conjunto com outros colegas bolseiros) sempre no fim da tabela. Os primeiros lugares eram sempre para candidatos internos. Mesmo assim, estes eram mais que o número de vagas, e os que perdiam impugnavam os concursos, com argumentos do tipo “o candidato vencedor tem mais publicações que eu, mas eu demonstro mais interesse pela Escola - sou membro da Assembleia de Representantes!” (Os bolseiros só não são membros das Assembleias de Representantes porque não os deixam.)
Sempre desconfiei que havia um preconceito contra os candidatos de fora, principalmente os bolseiros de investigação, nestes concursos. Foi preciso vir esta proposta do governo para tornar essa desconfiança cristalina - como é claro do comentário do Público online e da carta do ISEP. Pelo menos esse mérito essa proposta tem.
Uma das críticas que mais se ouvem a este governo é o de pôr os portugueses uns contra os outros. Da parte dos bolseiros de investigação, esta proposta não pode ser entendida por esse prisma. Em nenhum país desenvolvido uma reivindicação como esta teria lugar, uma vez nestes países ninguém tem lugar numa universidade sem ser doutorado. Em Portugal, devido a um estatuto totalmente anacrónico, as universidades e os politécnicos foram contratando temporariamente não-doutorados, que, baseados nessa tradição, tinham expectativas em entrarem automaticamente no quadro. Esses contratados tinham todas as regalias de um funcionário público. Ao mesmo tempo, os bolseiros de investigação (os melhores alunos das melhores universidades) tinham a mesma precariedade (e, ao contrário dos docentes, sem nunca saberem se teriam outra bolsa quando a actual se acabasse, e sem nenhuma protecção social, com descontos sobre o salário mínimo e sem subsídios de férias ou Natal).
Ninguém quer excluir esses docentes temporários dos concursos para posições do quadro. Tudo o que os bolseiros pedem é igualdade de oportunidades no acesso a estes lugares. Seguramente, muitos dos candidatos internos que a eles concorrem são competentes. Por outro lado, essa igualdade de oportunidades não pode traduzir-se numa indistinção nos critérios de avaliação. Não é legítimo pretender-se que o currículo de investigação de um docente do ensino politécnico seja o mesmo que o de um bolseiro (ou, sequer, de um docente de uma universidade). Mas da mesma forma não é legítimo pretender-se que a experiência docente seja a mesma. Ora estes concursos valorizam sempre muito mais a experiência docente que a de investigação, se é que dão algum valor à investigação de todo!
O que se pretende, portanto, é que a nenhum candidato competente seja negada à partida a possibilidade de se candidatar a essas vagas, de forma a estas serem sempre preenchidas pelos melhores candidatos. Para optimizar o esforço que tem sido feito na formação de recursos humanos em Portugal. E sobretudo para garantir um melhor ensino superior às gerações futuras! Infelizmente, não parece ser essa a vontade de muitos desses docentes, a começar pelos sindicatos.

2009/06/26

Strings 2009

Decorre esta semana (acaba hoje) a conferência anual, este ano em Roma. O nosso leitor (e colega) Pedro Gil Vieira fala hoje à tarde. Creio que é a primeira vez que um português (ainda por cima bastante jovem) fala numa conferência Strings, para mais numa sessão de encerramento. Parabéns, Pedro.

Morreu o Thriller