2009/06/25

GNR no São João

Quero que você me aqueça no trabalho... e o público que complete: e que tudo o mais vá... É assim a versão dos GNR da clássica de Roberto Carlos Quero que você me aqueça neste Inverno e que tudo mais vá para o inferno.
Por incrível que pareça nunca tinha visto os GNR ao vivo até ao concerto na Casa da Música. Confirmei que Rui Reininho continua uma grande personagem, e tem uma excelente presença em palco. O meu São João valeu a pena sobretudo por isto.

2009/06/23

Não resisto ao centralismo tripeiro

O São João de Braga até pode ser muito bonito, mas eu vou mas é para o Porto. Quem já lá esteve no São João não resiste a voltar. O Rui Reininho e cia. chamam-me. E os martelinhos e o alho porro. Bom São João para todos.

2009/06/22

O nosso Berlusconi

Texto muito pertinente de Joel Neto no DN: O nosso Berlusconi.
Se alguma conclusão se pode tirar do frenesi subitamente gerado em torno de José Eduardo Moniz, é que Moniz está disponível. Disponível para o Benfica, disponível para "projectos", disponível para mudar de vida. De maneira nenhuma a expectativa teria chegado onde chegou se Moniz não se tivesse empenhado em marcar a actualidade. E de maneira nenhuma Moniz quer que a expectativa pare por aqui, ou não teria admitido que, em condições ligeira- mente diferentes, a história seria outra. Faz sentido. Depois de quinze anos a conceber, consagrar, manter e reforçar a liderança da TVI, José Eduardo Moniz tem mais do que razões para considerar chegada a hora de fazer outra coisa. Por outro lado, custa a acreditar que se trate apenas de futebol. Quem assiste àquela declaração em que Moniz diz ter desistido de uma candidatura à presidência do Benfica encontra ali muito mais o discurso de um político do que o discurso de um líder do futebol.

Se Moniz sair um dia da TVI para o Benfica, isso será mau para a TVI, mas bom para tudo o resto: para o Benfica, para a SIC, para a RTP - e mesmo, se calhar, para a qualidade média da televisão nacional. Pelo contrário, se acumular um dia as duas coisas, reeditando em Portugal o projecto tentacular que levou Berlusconi ao poder em Itália, isso será bom para o Benfica, razoável para a TVI, mau para a SIC e a RTP - e verdadeiramente péssimo para a qualidade da nossa televisão (pelo menos).

2009/06/19

65 anos - flor da idade

...e eu nunca, jamais me canso de o ouvir. Ouço-o tanto, e de tanto o ouvir ainda descubro novos aspectos de interesse nas suas canções. Parabéns, meu caro amigo.

2009/06/18

Má propaganda


Ana Bola a dizer que "não aparenta mais de 40 anos" pode ser uma boa propaganda. Excepto para uma marca de óculos. É que dá para duvidar da qualidade das lentes...

2009/06/17

António Ruella Ramos (1938-2009)

Depois de Fernando Piteira Santos e da sua mulher Stella, desaparece o director do Diário de Lisboa, jornal de referência da oposição ao salazarismo e o jornal da minha infância.

2009/06/16

Vantagens da edição da Europa-América de um romance que eu cá sei

A tradução da Europa-América do Guerra e Paz de Leão Tolstoi até pode ser má (embora seja de Isabel da Nóbrega e João Gaspar Simões, o que nem me parece assim tão mau). E tem uma grande vantagem: a páginas tantas (42, para ser exacto) lê-se:
Entabulou-se uma conversa tão pouco importante...
Nem todas as traduções, nem todas as edições, nem todos os romances inspiraram o Sérgio Godinho. Duvido muito que alguma edição da Penguin o tenha feito.

2009/06/13

Nos feriados e no Santo António

Os transportes públicos na região de Lisboa continuam a mesma organização.
Para apanhar o comboio para a Linha de Cascais, é preciso um cartão "Lisboa Viva". Na Estação do Cais do Sodré, uma multidão de lisboetas quer ir à prais no feriado e não sabe da novidade. Só uma das seis máquinas está em funcionamento.
Ontem, a Avenida da Liberdade estava encerrada ao trânsito a noite toda, e não funcionavam os autocarros da Rede da Madrugada (a não ser que fosse só a partir do Marquês de Pombal). Mas ninguém avisava quem esperava por estes autocarros no Rossio e nos Restauradores. Nas paragens lia-se "serviço perturbado" (mas não interrompido), e o tempo de espera era sempre "10 minutos". Após mais de vinte à espera, pus os pés a caminho e subi a avenida. Nenhum autocarro podia ali passar.

2009/06/09

75 anos de Donald



The band concert, a mais perfeita e prodigiosa curta-metragem de animação já realizada, tal como já afirmei no aniversário do Mickey. É a melhor homenagem que eu posso fazer ao Donald: passar um filme onde ele é a verdadeira estrela. Mas eu gosto é do Patinhas...

Suspendamos a democracia por quatro meses

Rangel: governo "está inibido de tomar decisões que retirem capacidade de manobra aos governos seguintes".

Copiam o Sporting em tudo

Eleições no Benfica a 3 de Julho.

2009/06/08

No rescaldo das europeias

  1. Parece ser unânime culpar Vital Moreira pela má prestação do PS. Não sei se isso é verdade ou não; da minha parte, não concordo. Quando se repete tantas vezes que “não houve debate sobre a Europa”, esquece-se que Vital foi o único candidato que o procurou introduzir. E com propostas europeístas (que pouco tinham de nacionalistas): o não-apoio a Barroso no Parlamento Europeu (espero que Vital seja consequente com essa sua proposta, independentemente do que o PS decidir) e o imposto europeu. Vital só esteve mal, a meu ver, na última semana, ao associar o PSD ao BPN. É pena que o PS não tenha sabido respeitar a independência do seu cabeça de lista – o político mais atacado, por todos os lados, nesta eleição. Vital Moreira, repito-o, parece-me ser o grande injustiçado destas eleições.
  2. Votei no Bloco de Esquerda, como aqui referi. Genericamente (e para isto eu não preciso de grandes campanhas eleitorais), o meu voto nas eleições europeias seria do Bloco de Esquerda, excepto por algum motivo excepcional. Sou europeísta, e não concordo com um bloqueio da construção europeia como forma de protesto (nisto estou em desacordo com o Bloco). Mas o Bloco é também um partido europeísta (ao contrário do “soberanista” PCP). E há que reconhecer que a Europa não vai nada bem, com os cidadãos a serem cada vez mais afastados dos processos de decisão (veja-se o caso da aprovação do recente Tratado de Lisboa). Insistir em prosseguir sem um verdadeiro apoio popular pode resultar num equívoco trágico. Numa situação em que os eleitores sejam chamados a pronunciar-se sobre esse processo (um referendo), provavelmente votarei contra o Bloco; por agora, entendi votar em quem defenda esse processo. Acresce que conheço pessoas do Bloco de Esquerda que votariam “sim” nesse referendo (o Rui Curado Silva e o Rui Tavares que, embora independente, é um eurodeputado eleito).
  3. O Rui Tavares. Como disse, o meu voto nestas eleições à partida seria naturalmente no BE. Para além disso, fico muito feliz por este meu voto ter contribuído para eleger um amigo (algo que não contribuiu para a minha decisão) e, principalmente, alguém que, tenho a certeza, vai ser um excelente deputado europeu. Espero que a eleição do Rui contribua para aproximar a Europa dos cidadãos.
  4. Finalmente (por hoje), os resultados nacionais. Estive na quinta feira no comício de encerramento da campanha do bloco em Braga. Ouvi Miguel Portas dizer coisas acertadas, mas outras irresponsáveis (criticar o governo pelo aumento das idades da reforma, sem se preocupar com a sustentabilidade da segurança social, ou criticar a avaliação dos professores sem propor uma alternativa que não fosse deixar tudo na mesma - mal). Tive de me vir embora; se ficasse para ouvir Francisco Louçã, iria acabar por mudar o meu sentido de voto mesmo nas europeias. Votei no Bloco porque estas são eleições europeias, nas quais eu votei a pensar na Europa e no mundo (e é o Bloco quem melhor me representa nestes assuntos, dos grandes partidos portugueses). Não é legítimo interpretar o meu voto à luz de política nacional. É muito pouco provável que o Bloco possa contar com o meu voto para as legislativas.

2009/06/07

Uma exposição interessante

"O frigorífico de Einstein", no Museu da Electricidade em Lisboa. Encerrava hoje (dia em que a fui ver). Se não vale como recomendação, vale como reconhecimento.

2009/06/05

Gaiteiros em Braga

O Pedro Morgado não refere, mas esta noite a cultura em Braga vai passar muito por um concerto dos Gaiteiros de Lisboa na Avenida Central. Será por ser também o comício de encerramento da campanha do Bloco de Esquerda, e o Pedro querer manter o blogue neutro? Ou será alergia ao nome "Gaiteiros de Lisboa"? De qualquer maneira fica aqui a informação. Lá estarei para ouvir. E para dar o meu apoio.

Entre a Manuela Moura Guedes e o Pedro Tadeu, ao menos este é de esquerda...

2009/06/04

Eleições (1)

As do Sporting, antes do dia do voto: não há presidentes perfeitos. José Eduardo Bettencourt é um betinho insuportável (e mais ainda o seu sobrinho Pedro Granger). Ainda assim, enquanto a oposição se resumir a candidatos como Sérgio Abrantes Mendes ou, agora, Paulo Pereira Cristóvão, não vejo melhor alternativa para o Sporting que a actual linha de dirigentes.

Ilustríssimo sr. Vasco...

...essa do Carlos Castro da blogosfera tem autor. (Se esse estaminé onde escrevem aceitasse comentários, eu deixaria lá um em vez de estar aqui a escrever.)

2009/06/03

Crónica da Rússia (2)

Apesar do excelente sistema de metro, o tráfego automóvel tem vindo a aumentar em Moscovo nos últimos anos. Com excepção da Rua Arbat, Moscovo não é uma cidade muito simpática para os peões, que frequentemente para atravessarem as artérias principais têm que recorrer a passagens subterrâneas (é a única possibilidade). Existem polícias em toda a parte que não deixam os peões saírem das áreas designadas.
Esta experiência estende-se, para meu grande espanto, dentro do Kremlin, uma área protegida onde só circulam meia dúzia de viaturas do Estado. Mesmo assim, essas viaturas têm para elas reservadas várias vias, que os peões não podem sequer atravessar.
Compreendo que aquelas viaturas seguem em trabalho e que aquele é um território do estado russo, que é permitido aos turistas visitar (após desembolsarem uma bela maquia), mas ainda assim é território oficial. O que não ficaria mal ao estado russo seria explicar isso delicadamente aos seus visitantes de todas as nacionalidades, que pagaram para entrar, em vez de se limitarem a ter uns polícias que só falam russo a apitarem e a dirigirem-se com maus modos aos prevaricadores.

2009/06/02

Crónica da Rússia (1)

Os russos são um povo mais ou menos simpático, mas com a mania das grandezas, indisciplinado e que gosta muito de beber. Exactamente a impressão que eu tinha.
A falta de conhecimentos de inglês dos russos é geral, mesmo em cidades maiores como Moscovo. No laboratório onde estive, frequentado por muitos cientistas de todo o mundo, os empregados não falam inglês. Perguntar a alguém o caminho, ou outra coisa qualquer, é um tormento. Como um bom povo imperialista, não só os russos não falam outra língua que não a sua, como ainda acham que toda a gente deve entendê-la. E assim se se perguntar o caminho para algum lugar, levamos logo uma explicação detalhada em russo. Uma explicação que é uma pura perda de tempo, e que me fazia desesperar, mais a minha impaciência nova-iorquina. Várias vezes tal me sucedeu; várias vezes estive para os interromper e dizer em inglês: “Poupa o teu fôlego. Eu só vou olhar para o que me indicares com as mãos!”
Nesse aspecto os franceses são melhores. Mais eficientes. Também julgam que toda a gente deve falar francês, mas não perdemn muito tempo a explicar. Quem não perceber, pelo menos não perde tanto tempo a ouvi-los. Os franceses são antipáticos, e por isso são-me muito simpáticos. Os russos deveriam aprender com eles.

2009/06/01

De volta da Rússia, para o Cinco Dias

Escrevi uma versão deste comentário (de que já não disponho - alterada, mas no essencial a mesma coisa) neste texto do Cinco Dias. Não foi publicado. Não creio que o autor do texto tenha alguma coisa a ver com isto. Fica aqui o comentário para a posteridade.

"Possibilidade da TVI" e "possibilidade de a TVI" são duas coisas bem diferentes. A contracção do "de" com o "a" só se aplica quando ambos se referem a um substantivo. No caso concreto referido, "possibilidade de a TVI ter posto em causa", o "de" aplica-se ao verbo, a "ter posto em causa". "A TVI" poderia nem estar na frase: poderia ser somente ""possibilidade de ter posto em causa". Como o "de" se aplica ao verbo e o "a" ao substantivo (a TVI), não há lugar a qualquer contracção.

Nos próximos dias conto ir fazendo um relato da Rússia.

2009/05/29

O eclipse e a gravidade no ponto fixo

Passam hoje exactamente 90 anos desde que se estabeleceu a confirmacao experimental da relatividade generalizada de Einstein, com a observacao do desvio da luz pelo campo gravitacional, na ilha do Principe, durante um eclipse (como recorda Carlos Fiolhais).
Nao sei se por coincidencia ou se de proposito, a manha do dia de hoje, onde me encontro, foi dedicada a uma nova teoria, nao relativista, da gravidade (a gravidade de Horava/Lifshitz, de que o Lubos Motl ja tinha falado aqui e aqui). Uma teoria nao relativista que engloba a relatividade geral - e melhor comportada quanticamente! Ha muito trabalho a fazer ainda, mas confesso que fiquei impressionado. O autor nao e parvo nenhum (nem de perto nem de longe), e a proposta e sem duvida arrojada. Mas nao teve (nem tem que ter) destaque nos jornais, apesar de ja ter varias dezenas de artigos a ela dedicados. Mas nao tem ainda nenhum resultado crucial, experimental ou teorico, que justificasse tal atencao. Muito menos foi objecto de livros de divulgacao cientifica, ao contrario de certas "teorias" VSL (iniciais de "very silly"), que so foram trabalhadas pelo seu autor.
Gravidade de Horava - a seguir com atencao. Foi a vontade com que eu fiquei hoje.

2009/05/28

Primeiras impressoes da Russia

O Lenine converteu este pais ao calendario ocidental. Foi pena nao ter feito o mesmo com o alfabeto.

2009/05/27

As finais europeias

Hoje e o "jogo do ano", entre uma equipa que merece estar na final e uma outra que fez uma epoca extraordinaria, mas nao merece. So isso chega para eu decidir por quem vou estar, se conseguir ver o jogo no hotel. Mas venho falar da final de ha uma semana, da Taca UEFA.
Toda a gente viu a forma indiscutivel como o Sporting eliminou o Shaktar Donetsk da Liga dos Campeoes, com vitorias em Alvalade e na Ucrania. Grracas a essas vitorias o Sporting ficou em segundo no grupo, conquistano o direito a seguir em frente na Liga dos Campeoes.
Na altura achei que talvez tivesse sido melhor o Sporting ter ficado em terceiro e seguido na Taca UEFA. Creio que nao me enganei. O Sporting foi humilhado pelo Bayern de Munique; o Shaktar Donetsk, que era inferior ao Sporting (creio ter ficado bem claro) venceu a Taca UEFA. Este exemplo ilustra bem a diferenca entre as duas competicoes. A Taca UEFA (que se vai passar a chamar Liga Europa) e claramente uma segunda liga europeia.

Encontros com a imagem

Um recado de Dubna, so para apoiar a exposicao que o Pedro Morgado ja tinha recomendado, patente ate ao final do mes em varios espacos de Braga.
Uns autores sao melhores que outros. Recomendo sobretudo as fotografias no Museu D. Diogo de Sousa e na Torre de Menagem.

2009/05/25

Gota d'Agua

Assisti a peca no passado dia 16, no Cineteatro de Estarreja. Desde entao o album "Chico Buarque e Maria Bethania ao vivo", de 1975 (o do "Tanto Mar"), um dos discos da minha vida, ganhou outro significado. Particularmente as musicas "Gota d'Agua", "Flor da Idade" e "Bem Querer". A estas acrescenta-se "Basta Um Dia" e (para esta encenacao) "Partido Alto", "Atras da Porta" e "O Que Sera". Podem julgar que e mais um "concerto". Reconheco que a autoria do Chico Buarque para mim e um atractivo muito forte, mas garanto-vos que esta peca e muito mais do que um "concerto". Apesar de tudo, corre-se esse risco (especialmente para buarqueanos como eu). Talvez tenha sido por isso que, antes de a peca ter comecado, creio ter ouvido o aviso "E proibido cantar?!"
Recado directamente da Russia: depois de uma bem sucedida digressao pelo pais, "Gota d'Agua" repoe hoje, no Coliseu de Lisboa. Recomendo vivamente.

2009/05/21

A caminho da ex-URSS

Quando chegar lá eu escrevo. Se puder...

2009/05/18

Nos 50 anos do Cristo Rei


aqui tinha deixado claro que não aprecio particularmente estátuas gigantescas de Jesus Cristo. De qualquer maneira gosto do Cristo Rei e acho que faz falta uma vista como aquela sobre Lisboa (que tinha que ser construída, ao contrário de no Rio, onde já havia Corcovado antes do Redentor). É sobretudo para isso que o Cristo Rei serve: para uma bela vista panorâmica sobre Lisboa. Apesar de tudo, o Cristo Redentor do Rio de Janeiro tem uma vantagem em relação à sua imitação lisboeta: está de costas voltadas para a Mata da Tijuca, onde não mora ninguém. A estátua do Cristo Rei volta ostensivamente as costas à população de Almada (e da Margem Sul em geral). Se alguém se interrogou sobre a força do PCP nesta região, talvez esta explicação ajude.

2009/05/15

Novidades da nieuwenhuizen

Defequei pela primeira vez lá fez ontem uma semana. Cozinhei pela primeira vez (umas batatas fritas para comer com um leitão comprado no LiDL no meu fogareirinho) no sábado passado. E é melhor parar com estes textos antes que se tornem demasiadamente íntimos.

2009/05/14

Voltando às rendas

Será que o Luís Rainha já leu a opinião da sua besta negra sobre o arrendamento?
Lendo os comentários da posta do Blasfémias que o Gabriel fez com o texto de Henrique Raposo, parece-me que os leitores do Blasfémias são mais à esquerda que os do Cinco Dias. Pelo menos os que comentaram o texto do Gabriel, em comparação com os que compararam este meu (numa altura em que o Cinco Dias era completamente diferente do que é hoje). Seria interessante ver a reacção dos leitores do Cinco Dias de hoje a um texto como o meu.

2009/05/13

FHC



Não apoiei muitas das medidas do seu governo. "Apoio" esta excelente entrevista a Teresa de Sousa:

Há que inventar coisas novas. É óbvio que o liberalismo solto não funciona. Os mercados não têm capacidade para se auto-regularem. O que não significa dizer que os Estados têm. Então, tem de se inventar alguma coisa que não seja nem uma imposição estatal, nem uma liberdade de mercado. Agências reguladoras, maior participação da sociedade. Algo de novo tem de ser criado. E tem de ter alguma utopia, para inventar o futuro.

Ninguém está propondo nada semelhante ao marxismo. Marx tinha o quê? Uma análise crítica do capitalismo, aliás muito bem feita. E havia no lado político a ideia de que era preciso substituir a propriedade privada dos meios de produção pela propriedade colectiva. Ninguém propõe isso hoje. Vamos ter de ter algum tipo de controlo social, algum mecanismo para gerar mais bem-estar social, não pela via só do mercado mas pela via da redistribuição.

O Estado tem que ter um papel maior. Tem que ter. Mas que Estado? O Estado democrático. Se o Estado for totalitário, também não resolve. E esse Estado democrático hoje exige participação da sociedade, mecanismos de parceria, órgãos de Estado e não de governo.

A Internet produziu uma revolução no mundo e o sistema partidário está "ilhado", não responde a boa parte da demanda da população porque ela não passa por aí, passa por outros mecanismos. Tenho cinco netos e vivem o dia inteiro no computador. Estão perdendo tempo? Não. Estão conectados. Com quê? Com o mundo. E cada um deles forma opinião e isso não passa pelos partidos.

Eu acho que uma das coisas boas do soft power do Brasil é essa. O Brasil tem uma certa capacidade de aceitar o outro. O mundo vai precisar de desenvolver essa capacidade. A Europa precisa. Está tentando. Se não, é a guerra de todos contra todos. É preciso mais espírito de tolerância, mas é preciso também que os grandes líderes se incumbam disso. Obama tem a virtude de ser ele próprio um exemplo disso. Porque ele é negro, viveu na Indonésia, o pai nasceu no Quénia, é doutor em Harvard e é Presidente dos EUA.

Acho que a Europa, apesar de ter esse espírito comum da Europa social e da Europa económica, não tem o espírito comum da Europa política, da Europa activa no mundo. Pesa menos do que poderia pesar.

A Europa, tem-se a sensação de que está a perder tempo. Tem de ter uma unificação política maior. Não pode ter peso se for só apêndice dos EUA.

Tenho a impressão que as lideranças actuais estão muito submergidas nos problemas nacionais. As lideranças do passado, como houve a guerra, tinham uma motivação muito grande. Schmidt, Kohl, Felipe González, Mitterrand, Mário Soares, tinham outro peso e outra visão. Depois, a Europa deu certo, enriqueceu, e o enriquecimento amolece. Ficou muito agradável, mas talvez tenha perdido a vontade. Tony Blair, que eu respeito, a certa altura poderia ter representado uma Europa modernizada e vigorosa. Mas aquela ligação...

Noutro dia alguém me perguntou o que é que nos faltava para sermos do primeiro mundo. Eu digo: falta educação, segurança, menos desigualdade. Hoje, o problema do Brasil não é tanto económico. A economia brasileira produz tudo, está forte, e a sociedade é dinâmica. Mas esses problemas têm de ser resolvidos.


Entrevista ao Público, 09-05-2009

2009/05/12

50 anos da batata a que chamam "queijo"

Um aspecto que eu nunca entendi na política portuguesa foi o episódio do "queijo limiano", com António Guterres. Para salvar um queijo propriamente dito, um queijo decente, como o da Serra da Estrela, o de Nisa ou o da Ilha de São Jorge, ainda poderia aceitar uma indecência política como a do “orçamento do queijo limiano” de há dez anos atrás. Agora para salvar uma batata a que os holandeses chamam “queijo”, e que só poderiam ter sido eles a inventar?
Parece que a “batata” limiana faz 50 anos. Triste sina, a do Minho. Como se não bastasse ter um refresco (chamado “verde”) que há quem julgue que é vinho, tem também um puré de batata (“limiano”) que há quem julgue que é queijo.

2009/05/11

Sobre o “caso Vital Moreira”

O PS exagerou ao exigir um pedido oficial de desculpas ao PCP e à CGTP. Não se pode garantir que os autores dos (lamentáveis) acontecimentos tenham sido militantes do PCP, nem este partido é responsável pelos actos de todos os seus militantes. Da mesma maneira, não se pode pedir à CGTP que se responsabilize por todos os participantes na manifestação. Foi um acto de indivíduos; as responsabilidades são individuais.
Refiro-me a desculpas oficiais. As desculpas no acto apresentadas pela CGTP, como organizadora no evento, eram inevitáveis. Ainda mais quando a própria CGTP tinha convidado o PS a visitar a manifestação. Reacções como as de quem diz que Vital Moreira “não deveria lá estar” e que tal “era uma provocação” nem merecem resposta.
Restam as reacções dos partidos. E aqui toda a gente, do Bloco de Esquerda ao CDS, condenou o sucedido. Com excepção do PCP. Está certo que não foram só militantes do PCP os responsáveis pelo sucedido. Se calhar nem foram mesmo miltantes do PCP de todo (até agora só se confirmou um elemento da Ruptura/FER). Compreendo a indignação de comunistas sérios como Vítor Dias, mas a verdade é que um acontecimento como este foi prontamente condenado por todos os partidos menos pelo PCP. A principal lição política a tirar deste caso é esta.

2009/05/10

Joaquim Agostinho


O seu mito reforçou o meu sportinguismo, numa época em que a grande crise de resultados ainda estava a começar. E motivou o meu gosto pelas bicicletas.
Joaquim Agostinho, o melhor ciclista português de todos os tempos, morreu (numa morte muito estúpida) há 25 anos.

2009/05/09

Sobre as finais europeias

Barcelona contra Manchester United. Messi contra Ronaldo. Sem dúvida há muitos anos que não se via um confronto assim. As audiências vão disparar. A final da Liga dos Campeões era o jogo que toda a gente queria ver. E é o jogo que a UEFA queria que toda a gente visse. A vítima, para isso, foi o Chelsea.
Para o Werder Bremen chegar à final da Taça UEFA, valeu-lhe o efeito borboleta. Em lugar de uma borboleta a bater as asas, tivemos um espectador que atirou uma bola de papel. Confiram aqui.

2009/05/07

Vasco Granja (1925-2009)


Foi quem em português introduziu as palavras que as iniciais na etiqueta deste texto representam. E já não foi pouco.

2009/05/05

Nieuwenhuizen

(O título deste texto é uma homenagem a um mestre.)

Andar nu pelos corredores da casa pela primeira vez. Urinar na sanita. Puxar o autoclismo pela primeira vez. Ando assim (e a limpar o pó, e a escolher electrodomésticos e móveis).

2009/05/04

Entrevista a Carvalho da Silva

No conturbado fim de semana do Dia do Trabalhador. Entrevista a Anabela Mota Ribeiro no Jornal de Negócios. Um sumário aqui.

2009/04/30

A festa dos indigentes

Era eu caloiro e a Associação de estudantes do Instituto Superior Técnico promoveu um debate entre antigos dirigentes associativos. Vivia-se a “guerra” de combate às propinas, no cavaquismo. Diana Andringa deixou-nos um conselho que eu nunca esqueci: “Quando estiverem numa manifestação não bebam nem joguem às cartas: dá um mau aspecto do caraças.”
Vem isto a propósito de fazer-se uma “festa de protesto” a propósito do MayDay. O MayDay tem todo o meu apoio. Não tenho nada contra uma festa como a do Ateneu Comercial de Lisboa no passado dia 17 – é bem provável que até lá tivesse ido se estivesse em Lisboa. Mas fazer uma “festa de protesto”?
Os trabalhadores precários têm todo o meu respeito. Se fizessem um protesto a sério (desde que não violento), como se fazem em França, teriam todo o meu apoio. Agora fazerem como “acção de protesto” mais uma festa onde se come comida vegetariana e fumam uns charros soa-me – como dizer? – a beber ou jogar às cartas numa manifestação. Espero ao menos que a festa tenha sido boa. Bom MayDay para todos.

2009/04/29

Ruído de fundo


Foi na apresentação do novo livro do José Mário Silva, na livraria Pó dos Livros em Lisboa. Enquanto Jorge Silva Melo perorava sobre bares supostamente "decrépitos", ouviam-se buzinas cá fora. Pessoas na assistênci abandonavam o recinto para se certificarem de que não era o seu carro que estava a causar problemas de circulação. Eu sabia que a minha bicicleta é que não era.

Adenda: a foto é do Luis Rainha, que a tirou sem ninguém dar por isso.

2009/04/28

Everything that happens will happen tonight at Coliseu

Por onde poderei eu começar? Olhem, leiam por exemplo este texto do blogue dele. Leiam-no por favor do princípio ao fim, que vale a pena. Da largura de banda da internet às populações de peixe para pescar. Leiam bem o argumento que ele dá contra a privatização das praias - até chegar à importância de um serviço nacional de saúde.
Dele escreveu Caetano Veloso:
David é tudo que há de bom. Stop Making Sense é o mais lindo filme de show de rock, possivelmente porque o show dos Talking Heads era um dos mais lindos que já houve. Ele nunca perdeu a elegância. O show quefez com Margareth Menezes foi um grande sucesso da Margareth Menezes, mas ele estava um tanto invisível. Já os outros que vi dele, foram todos simplesmente geniais. Agora ele me disse que está fazendo um show show: com dançarinos e tudo. Deve ser fenomenal, porque ele é, como eu disse no show que fizemos juntos no Carnegie Hall (e do qual há, sim, Lucre, gravação com proposta para sair em CD), o mais chique dos roqueiros. Considero o entendimento que ele teve da música no Brasil um aspecto dessa chiqueza.

Caetano Veloso era, com David Byrne, o artista que eu mais vezes tinha visto em concerto. Era um empate. Hoje esse empate será desfeito. A favor do Byrne. Pelas razões que já expliquei aqui. Pelo que escreve. Pela sua fabulosa música ao longo de toda uma carreira. Por ser para mim uma inspiração. (Tenho a pretensão de dizer: quem me quiser entender deve ouvir o David Byrne. Eu acho que só me entendo com quem gosta do David Byrne e do Seinfeld.)
Aproveitei e vim por outros motivos, mas tenho que confessar que o principal, que me trouxe de Braga a Lisboa esta semana, foi este. Tudo o que acontece acontecerá esta noite no Coliseu.

2009/04/27

God got her











God will get you for that!, dizia a Maude quando ficava derrotada e não lhe restava mais nada para dizer. Morreu um ícone da televisão da minha adolescência.


Bea Arthur, Star of Two TV Comedies, Dies at 86
By BRUCE WEBER
Bea Arthur, who used her husky voice, commanding stature and flair for the comic jab to create two of the most endearing battle-axes in television history, Maude Findlay in the groundbreaking situation comedy “Maude” and Dorothy Zbornak in “The Golden Girls,” died Saturday at her home in Los Angeles. She was coy about her age, and sources give various dates for her birth, but a family spokesman, Dan Watt, said in an e-mail message she was 86.

The cause was cancer, Mr. Watt said.

Ms. Arthur received 11 Emmy Award nominations, winning twice — in 1977 for “Maude” and in 1988 for “The Golden Girls.”

She was a seasoned and accomplished theater actress and singer before she became a television star and a celebrity in midcareer, and she won a Tony Award in 1966 for playing Angela Lansbury’s best friend, the drunken actress Vera Charles, in “Mame.”

But while she was successful on stage, on television she made history. “Maude,” which was created by Norman Lear as a spinoff from “All in the Family,” was broadcast on CBS during the most turbulent years of the women’s movement, from 1972-78, and in the person of its central character, it offered feminism less as a cause than as an entertainment.

Maude Findlay was a woman in her 40s living in the suburbs with her fourth husband, Walter (played by Bill Macy), her divorced daughter, Carol (Adrienne Barbeau), and a grandson. An unabashed liberal, a bit of a loudmouth and a tough broad with a soft heart, she was, in the parlance of the time, a liberated woman, who sometimes got herself into trouble with boilerplate biases just the way her cultural opposite number, Archie Bunker, did. She was given a formidable physicality by Ms. Arthur, who was 5 feet 9 ½ inches and spoke in a distinctively brassy contralto.

The show was considered a sitcom, but like “All in the Family,” it used comedy to take on serious personal issues and thorny social ones — alcoholism, drugs, infidelity.

“We tackled everything except hemorrhoids,” Ms. Arthur said, sounding much like Maude, in a 2001 interview with the Archive of American Television, a collection of video oral histories compiled by the Academy of Television Arts and Sciences.

In the show’s first season, Maude, at the age of 47, learned she was pregnant; her distress was evident.

“Mother, what’s wrong? You’ve got to share this with me,” Carol says. Maude’s response is typical, with barbs aimed both inward and outward, delivered by Ms. Arthur with a flash of simultaneous anger, despair and humor: “Honey, I’d give anything to share it with you.”

The two-part episode was broadcast in November 1972, two months before Roe v. Wade, the Supreme Court case that made abortion legal nationwide, was decided. By the episode’s conclusion, Maude, who lived in Westchester County in New York, where abortion was already permitted, had chosen to end the pregnancy. Two CBS affiliates refused to broadcast the program, and Ms. Arthur received a shower of angry mail.

“The reaction really knocked me for a loop,” she recalled in a 1978 interview in The New York Times. “I really hadn’t thought about the abortion issue one way or the other. The only thing we concerned ourselves with was: Was the show good? We thought we did it brilliantly; we were so very proud of not copping out with it.”

“The Golden Girls,” an immensely popular show that was broadcast on NBC from 1985-92 and can still be seen daily in reruns, broke ground in another way. Created by Susan Harris (who wrote the “Maude” abortion episode), it focused on four previously married women sharing a house in Miami, and with its emphasis on decidedly older characters, it ran counter to the conventional wisdom that youthful sex appeal was the key to ratings success.

Which is not to say “The Golden Girls” wasn’t sexy. Like “Maude,” it was a comedy that dealt with serious issues, especially those involved with aging, but also matters like gun control, gay rights and domestic violence. And like “Maude,” it could be bawdy. The women were all active daters and, to different degrees, openly randy. As Dorothy, Ms. Arthur was coiffed and clothed in a softer, more emphatically feminine manner than she had been in “Maude,” but she was no less sharp-tongued, and she and the show’s other stars — Rue McClanahan, Betty White and Estelle Getty (who, though younger than Ms. Arthur, played Dorothy’s mother) — were frequently praised for portraying the lives of older women as lively, uncertain, dramatic and passion-filled as those of college sorority sisters.

Familiarly known as Bea, Ms. Arthur was billed in the theater and on television as Beatrice, but the name was one she made up. She was born Bernice Frankel in New York City on May 13, 1922, according to Mr. Watt. But she preferred to be called B — “I changed the Bernice almost as soon as I heard it,” she said — and later expanded it to Beatrice because, she said, she imagined it would look lovely on a theater marquee. The name Arthur is a modified version of the name of her first husband, the screenwriter and producer Robert Alan Aurthur.

When she was a child, her family moved to Cambridge, Md., on the Eastern Shore, where her parents ran a small women’s clothing store, and she dreamed of being a chanteuse and an actress, and entertained her friends with imitations of Mae West. She attended Blackstone College, a two-year school in Virginia, and later studied to be a medical technician, then eventually moved to New York to study acting with Erwin Piscator at the Dramatic Workshop of the New School for Social Research. Among her classmates were Tony Curtis, Walter Matthau and the actor and director Gene Saks, whom she married in 1950. (He directed her in “Mame.”) They divorced in 1978; their two sons, Matthew and Daniel, survive her. She had two granddaughters.

Ms. Arthur worked regularly Off Broadway and in summer stock, appearing as Lucy Brown in Marc Blitzstein’s adaptation of “The Threepenny Opera” at the Theater de Lys in 1954. And in 1955, in a well-received musical tidbit, “Shoestring Revue,” she was seen for the first time by the man who would become a lifelong friend and professional benefactor, Norman Lear.

She also sang in nightclubs and worked occasionally on television, appearing on “Kraft Television Theater” and other shows featuring live drama. On Broadway, in 1964, she played Yente, the matchmaker in “Fiddler on the Roof.” In the movies, she appeared in the comedy “Lovers and Other Strangers” (1970), and in a reprise of her stage performance as Vera Charles, she appeared in “Mame” (1974), again directed by her husband, this time alongside Lucille Ball.

In 1971, she was living in New York but visiting her husband, who was directing a movie, “The Last of the Red Hot Lovers,” in Los Angeles, when Mr. Lear persuaded her to do a guest spot on “All in the Family.” The role he created for her, Maude Findlay, was a cousin of Edith Bunker, Archie’s wife (Jean Stapleton), who arrives to care for the family when everyone gets sick. Her tart sparring with Archie (Carroll O’Connor, with whom she had worked on stage, in a play called “Ulysses in Nighttown”) was a hit with viewers. Almost immediately CBS ordered up a new series from Mr. Lear, with Ms. Arthur’s Maude at the center of it. It changed her life.

“I think we made television a little more adult,” Ms. Arthur said. “I really do.”

2009/04/25

35 de Abril



Sempre. Sempre.

2009/04/24

Quem quer casa paga

Nos EUA, quando comprei um carro, passei um cheque visado. Era um impresso especial (eles não têm carimbos) que me custou uma ninharia.
Em Portugal, para comprar uma casa, também passei um cheque visado. Era um cheque normal, com um carimbo, selo branco e duas assinaturas. Custou-me 31 euros. Agora que sou um homem do norte apetece dizer-me: "Fooooda-se, cabrões de banqueiros, vão roubar para o caralho!"
É claro que muito mais do que isso tive que pagar em impostos e comissões pela escritura e registo (mesmo com o "Casa Pronta"). Mas dos impostos não me queixo. Do que pago aos bancos (e aos mediadores), sim.

2009/04/23

Já tenho casa

Oficialmente, desde hoje: escritura assinada. Depois conto em mais pormenor o processo que me levou a decidir a casa (recordo a indecisão aqui). Fica um conselho: não comprem uma casa enquanto não se apaixonarem por ela. E eu apaixonei-me pela minha casa. Apaixonei-me por esta vista e por este pôr do sol, que a partir de hoje posso ter todos os dias.

2009/04/22

Feira do Livro de Braga

Já está a decorrer. Amanhã às 21:30 Licínio Chainho Pereira (físico molecular e antigo reitor da Universidade do Minho) e o Rui Tavares falam às 21:30 sobre "Memória do Universo, Universos de Memória". A não perder.

2009/04/20

Homenagem a José Sousa Ramos


Foi inaugurada no Sobral da Adiça, concelho de Moura, uma escultura em homenagem ao meu saudoso professor José Sousa Ramos. Não tendo podido comparecer, não deixo de me associar aqui a esta merecida homenagem.

2009/04/17

Freeport está para Apito Dourado...

como Sócrates está para Pinto da Costa, Charles Smith está para Carolina Salgado, o PS está para o FCP, o PSD está para o Benfica e Manuela Moura Guedes está para Leonor Pinhão. Aceito mais contribuições.

2009/04/16

"Café com blogues"

Finalmente foi actualizado o arquivo do programa da Rádio Universitária do Minho onde participo. Um dos últimos programas teve a participação especial do Paulo Querido. Vale a pena ouvirem.

2009/04/15

Pequenas vantagens de ser académico

O empregado da embaixada da Rússia a quem entregava a documentação para pedir visto viu a minha proveniência. Ao dizer-me a data de entrega do passaporte com visto, disse-lhe que nesse dia não poderia: só mais tarde. Ele disse: "se quiser, tratamos já aqui". Tive um visto na hora. Pelo mesmo preço. Há quem pague o dobro por um visto em 48 horas.
O ser académico e ter um convite de uma universidade deve ter ajudado. Mas o trabalhar longe de Lisboa também.

2009/04/14

"Vai andar...Vai andar..."



Gaitinhas avistou Gineto logo à entrada da feira. A lua, bondosa, iluminava as barracas. E, se acaso se escondia entre as nuvens, lá estavam as mil lâmpadas de cores para a substituir.
Gineto e Gaitinhas pararam junto dos carróceis que eram dois. O maior, iluminado por lâmpadas multicores, tentava os olhos. Tinha cavalinhos com as patas no ar, galos de crista alta, bichos variados sobre um tapete rolante que oscilava como os barcos do rio. O outro, perro e mal iluminado, só tinha cavalinhos.
- Qual queres? – perguntou Gineto.
Gaitinhas demorou a resposta. Olhou o carrocel velho, sem ninguém, e os cavalinhos tristes, parados. A voz rouca do dono parecia chamá-lo.
- Vai andar...Vai andar...
- Vamos neste – disse Gaitinhas.
O cavalo galopava no espaço, através das estrelas e ele levava um sorriso nos lábios. O carrocel parou. Mas a alegria da viagem ficou ainda a bailar nos olhos de Gineto e nos lábios de Gaitinhas.
Este texto, do meu livro de leitura da 4ª classe, marcou a minha infância. Esteiros, o romance de onde foi tirado, e que li no meu oitavo ano, marcou-me de forma indelével. Inesquecíveis as aventuras do Gineto, do Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Sagui... O autor, Soeiro Pereira Gomes, nasceu há cem anos.

2009/04/13

Apelo à convergência de esquerda nas eleições de Lisboa

"Para que Lisboa cumpra a sua vocação e seja um exemplo para o resto do país. Deixemo-nos de sectarismos que só beneficiam a direita", apelei eu na minha assinatura (fui o primeiro a assinar!). A petição dos lisboetas dirigida aos partidos de esquerda foi apresentada hoje no Palácio Galveias em Lisboa e pode ser assinada aqui.

2009/04/11

250 anos de elevação a cidade



Menina da Ria - Caetano Veloso

Uma moça
De lá do outro lado da poça
Numa aparição transatlântica
Me encheu de elegante alegria
(Ai, Portugal, ovos moles, Aveiro)
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

E uma preta
(Parece que eu estou na Bahia)
Tão Linda quanto ela, dizia
No seu português lusitano:
“Pode o Caetano tirar uma foto?”
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

Arte Nova, um prédio art-nouveau numa margem
Em frente à marina-miragem:
Os barcos na Ria. E depois

Uma taça sobre o pubis glabro, um estudo
Nenhum descalabro se tudo
É sexo sem sexo em nós dois
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria


Parabéns a Aveiro! (Via Amigos d'Avenida)

2009/04/10

Páscoa em Newark


O The New York Times de anteontem descreve um cenário que me era bem familiar há uns anos. Leiam também as receitas para verem uma perspectiva americana da comida portuguesa. Boa Páscoa para todos.

April 8, 2009
Newark’s Portuguese Community Keeps Fires of Tradition Burning
By DAVID LEITE
NEWARK

FRANK ALEXANDRE was so excited to make his point that he hip-checked a table out of the way as he lurched toward the photograph on the wall. “Olhe! Olhe!” he said in his native Portuguese. (“Look! Look!”)

The picture, hanging in the Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, a social club (named after the desolate region in northeast Portugal) in the Ironbound section of this city, shows a clutch of sun-pummeled stone buildings, the roofs crenulated with scrub, the road thick with dust.

“This building here is the cookhouse,” said Mr. Alexandre, owner of a local auto repair and towing company, pointing to an imposing windowless stone structure pictured atop a hill. “There are four or five stone ovens inside.” He explained that in times gone by, the residents of the village in the photograph would forage for scraps of wood, build a fire in the ovens and cook communally: hotter fires roasted meats and baked breads while cooler embers burbled stews and braises and coddled eggy desserts. Families then divided the food and trekked home to dine.

“That,” he said, tapping the picture, “is how we survived.”

Nearly six decades after that photograph was taken and half a world away in Ironbound, where 25 percent of the population is of Portuguese descent, the tradition of communal cooking and eating remains — especially during Páscoa, or Easter.

“Last Easter I sold about 120 whole lambs, 60 kid goats and almost as many suckling pigs,” said Herminio Lopes, who owns the Lopes Sausage Company in Newark, one of the area’s most popular meat suppliers (he has also shipped sausages to the White House).

He explained that because home ovens can’t always accommodate a whole animal, the Portuguese-preferred way of roasting, many animals are brought to restaurant kitchens, where they are marinated or massaged with a customer’s own rub, then roasted and either enjoyed in the dining room or taken home. Other people dress the roasts themselves and cook them outdoors in hand-built brick ovens.

On a ride through the city and nearby Elizabeth, Mr. Alexandre pointed out small backyards co-opted by hulking ovens — the Portuguese equivalent of the American charcoal grill — in which, he said, it wasn’t unusual for one cook to roast not only his own family’s Easter dinner but those of several neighbors.

In the early 20th century, waves of immigrants from Portugal and the Azores settled in the Ironbound district, and by the 1920s the community had its first social club along with churches and retail stores lining Ferry Street, the neighborhood’s noisy thoroughfare.

Midcentury saw another boom, which was eclipsed in the ’70s and ’80s by immigration from former Portuguese colonies, including Brazil and Cape Verde. Although the Luso population has decreased because of relocation to the wealthier suburbs and restrictions on immigration, most Portuguese families in the area still cleave to the Catholic church, religious festivals and feasts.

Despite the economy, preparing whole animals remains a booming enterprise for rogue roasters, who turn a tidy profit. “We have several people in the area who cook for a fee,” said John Panneta, a tour guide who introduces groups to the Ironbound’s social, gastronomic and cultural pleasures. “Most of them cook from their backyards and deliver it to your house.”

A different business model of roaster-for-hire is Valença, a restaurant in Elizabeth run with precision by its owner, Martinho Pereira. His crew cranks out several hundred roast suckling pigs during the holiday season for in-house customers, catered events and families who prefer to dig into their pig in the privacy of their own dining room.

When asked what secret ingredients make his pork so popular, Mr. Pereira laughed and shrugged as if to say, “What secret?” Like most Portuguese roasts, his suckling pigs are coated with nothing more than lard, garlic, salt and black and white pepper.

Recently, at the Newark home of António and Magda Araujo, Mr. Alexandre and his wife, Maria, cooked up a lamb feast. But instead of cooking it whole, they had Mr. Lopes butcher it to show off two Easter favorites — borrego assado (roasted legs of spring lamb) and guisado de borrego (lamb stew). The scene, as Mrs. Araujo described it, was typically Portuguese: “loud and fast.”

“Everything is better with olive oil!” Mrs. Alexandre shouted as she rubbed some into the lamb legs. Mr. Alexandre countered with voluminous and rapid-fire requests for bowls, pans and cutting boards. Their frantic pas de deux continued, and they dipped and spun to avoid elbows and sharp knives as they whirred garlicky pastes in the food processor, peeled potatoes and dressed the meat. In under 45 minutes, four pans along with a flan were ready for the stove. Ervilhas com ovos, a staple of peas and bacon topped with poached eggs, would be made right before dinner.

Mr. Alexandre is no stranger to the kitchen, as he’s proud to announce, having won several contests at the social club for his folar, a traditional Easter bread that in Trás-os-Montes is stuffed with cured meat.

“I made the mistake of teaching one of the young men from the Azores how to make it,” he said, “and that year he won.” Mr. Alexandre is determined to win back his title this year.

A short time later, half a roast suckling pig from Valença and both lamb dishes were nestled in the center of the table. Potatoes, rice, bread and the egg-topped peas filled the gaps. Around the table sat 10 hungry guests.

Dinner was suddenly interrupted by the bleating of Mr. Alexandre’s cellphone. A Portuguese woman was stranded on the highway and called for a tow. He stood up, popped another chunk of lamb into his mouth, and shrugged on his jacket.

“Got to take care of our own,” he said, heading for the door. “It’s how we survive.”

Lamb Stew
Time: 2 hours, plus at least 2 hours’ marinating


1 6-pound bone-in lamb shoulder; bones removed and cut into 3-inch pieces, rinsed well and reserved, or 3 pounds boneless lamb shoulder (see note)

3 ounces chicken livers

5 garlic cloves, minced

3 bay leaves

1 tablespoon sweet paprika

1 1/2 cups dry white wine

4 tablespoons olive oil, or as needed

Coarse salt

Ground white pepper

1 yellow onion, cut crosswise into thin half-moons

2 cups beef stock

3 sprigs flat-leaf parsley, chopped, more for serving (optional)

Boiled red potatoes, cooked white rice for serving (optional).


1. Cut lamb and chicken livers into 1 1/2-inch chunks, and place in a glass, stainless steel or other nonreactive bowl. Add garlic, bay leaves, paprika, 1/4 cup wine, 2 tablespoons olive oil, 2 teaspoons salt and 1/2 teaspoon white pepper. Mix well. Cover and refrigerate at least 2 hours, preferably overnight.

2. When ready to cook, heat remaining 2 tablespoons olive oil in a large Dutch oven over medium-high heat. When oil shimmers, add bones and sear until well-browned, 7 to 10 minutes. Transfer to a plate. If pan is dry, add a bit more oil. Working in batches, add lamb mixture and sear, turning occasionally, until edged with brown, 6 to 8 minutes. Transfer to a plate.

3. Lower heat to medium, add onion and sauté until limp, about 10 minutes. Add lamb and any juices, the bones, remaining 1 1/4 cups wine, beef stock and parsley. Bring to a boil, reduce heat to low and cover. Simmer, stirring occasionally, until lamb is tender, about 1 1/2 hours; if liquid level becomes low, add water as needed. Season with salt and pepper.

4. Remove and discard bones and bay leaves. If a smooth sauce is desired, transfer lamb to a bowl, cover and keep warm. Strain and discard solids from liquid. To serve, spoon stew into shallow bowls. If desired, accompany with boiled peeled red potatoes or long grain white rice drizzled with olive oil and sprinkled generously with minced parsley.

Yield: 4 to 6 servings.

Note: Ask butcher to bone shoulder, cut bones into pieces and remove excess fat. Three pounds of lamb is needed; if necessary, add boneless shoulder.

Peas With Poached Eggs
Time: 20 minutes


6 ounces thick-cut slab bacon, sliced crosswise into 1/4-inch pieces (see note)

1 yellow onion, diced

1 tablespoon white vinegar

4 to 6 large eggs

3 cups (about 1 pound) frozen baby peas, thawed

1 medium tomato, seeded and diced

Coarse salt

Ground white pepper

1 tablespoon minced parsley, for garnish.


1. In a large skillet over medium heat, sauté bacon until crispy-chewy, about 5 minutes. Using a slotted spoon, transfer to paper towels. Reduce heat to low and add onion to skillet. Sauté in bacon fat until golden brown, about 10 minutes.

2. Meanwhile, fill a deep skillet with 3 inches water and add vinegar. Place over medium heat and bring to a bare simmer. Break an egg into a 1/3-cup measuring cup and gently tip into water. Repeat with remaining eggs. Poach to taste, 3 to 4 minutes. Remove with a slotted spoon, transfer to a plate and trim neatly. Cover and keep warm.

3. Add peas to skillet with onions and toss until warmed. Add tomato and bacon bits, and season with salt and pepper.

4. To serve, transfer pea mixture to a warmed serving bowl. Make an indentation in peas for each egg, nestle in eggs and sprinkle with parsley. Instruct guests to scoop peas onto their plates and crown with an egg.

Yield: 4 to 6 servings.

Note: For a smokier flavor, reduce the amount of bacon to 3 ounces and add 3 ounces diced chouriço.

Flan With Tea
Time: 1 1/2 to 2 hours, plus 3 hours’ chilling


2 cups whole milk

2 tablespoons strong-flavored tea leaves, like Lapsang souchong

2 cups sugar

6 large eggs, at room temperature

1 large egg yolk, at room temperature.


1. Heat oven to 325 degrees. Fill a kettle of water to bring to a boil. In a small saucepan, combine milk and tea leaves. Place over medium-low heat and bring to a bare simmer; remove from heat and allow to steep until deeply infused, about 10 minutes. Strain into a bowl, discard solids, and allow to cool until just warm.

2. In a small saucepan, combine 1 cup sugar and 2 tablespoons water. Place over medium heat without stirring until sugar melts and begins to take on a bit of color. Do not stir; instead, swirl pan occasionally. Continue to cook until mixture is dark maple-syrup brown and has an aroma of caramel, 10 to 15 minutes. Carefully pour into a 1 1/2-quart flan mold or metal baking dish (such as an 8-inch square baking pan), tilting pan to coat sides and bottom. Set aside.

3. In a mixing bowl, combine eggs, yolk and remaining 1 cup sugar. Stir until sugar is dissolved, about 3 minutes. Slowly stir in the milk mixture until blended. Pour into flan mold, and set mold in a small roasting pan. Place in oven and pour enough boiling water into roasting pan to come halfway up mold.

4. Bake flan until set around edges but slightly jiggly in middle, 45 minutes to 1 hour 15 minutes, depending on oven, and size and depth of mold. Remove from water bath and place on a work surface to cool to room temperature. Refrigerate until well chilled, about 3 hours.

5. To serve, run a sharp knife around inside edge of pan. Place a deep plate on top and flip. Remove mold, and serve.

Yield: 8 servings.

2009/04/09

A última carta

Recebi muitas cartas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, quase sempre a anunciarem o pagamento de mais um mês de bolsa. Este mês recebi a última. A anunciar o contrário: descontaram o cheque de 1495 euros que eu lhes passei pelo mês de bolsa que me tinham pago a mais.

2009/04/08

"Newton às voltas no caixão"?

"Lá na Abadia de Westminster, Newton deve andar às voltas no caixão", dizia a minha (excelente, e portista) professora de Física do 12º ano sempre que alguém cometia um erro.
Parece que o FC Porto invocou Newton para contestar a punição a Lisandro Lopéz (talvez alguém tenha sido aluno dela na SAD portista). Pelo que eu vejo no vídeo citado por Carlos Fiolhais, porém, a decisão do árbitro durante o jogo, a avaliação da causalidade daquela queda, é que deve ter deixado Newton às voltas no colchão. Entretanto parabéns pelo empate de ontem em Manchester, e boa sorte na Liga dos Campeões.

2009/04/07

Actualização dos montantes das bolsas de investigação

O governo criou novas oportunidades de trabalho para bolseiros de investigação científica, com contrato (eu sou um dos beneficiados, bem como a maioria dos meus colegas). Mas não melhorou em nada o estatuto do bolseiro de investigação científica, para os bolseiros que continuam nesta situação. E há muito a melhorar para estes profissionais ultra-precários e sem regalias (eu era um até há meses), como bem denuncia a ABIC. Assinem esta petição.

2009/04/06

Sócrates perdeu o tino

Confundir uma coluna de opinião do João Miguel Tavares (com quem me solidarizo totalmente) com o "Jornal de Sexta" da TVI e a Manuela Moura Guedes revela total desorientação. Assim não vai longe.

2009/04/03

Névoa fora da Braval

Francisco Louçã em pessoa acabou de me entregar na Avenida Central de Braga um panfleto com um apelo a esta petição. Assinem!

2009/04/02

Ponte das Barcas, 200 anos depois

Não me lembro de ter estudado a tragédia da Ponte das Barcas em nenhuma disciplina de História. A verdade - tenho que o admitir - é que se até à semana passada me perguntassem o que tinha sido a tragédia da Ponte das Barcas, não saberia responder ao certo. É provável que o episódio venha referido no livro Uma Aventura no Porto, que eu devo ter lido há 20 anos. Talvez me lembrasse de um acidente na fuga às tropas de Soult, mas não imaginava que tivesse tido a dimensão que teve.
Ora isto é muito grave. A tragédia da Ponte das Barcas, como o Pogrom de Lisboa de 1506, sendo duas tragédias bem distintas na sua natureza, são episódios importantíssimos da História de Portugal, que não podemos ignorar. No caso da Ponte das Barcas, em termos absolutos - mais de 4000 mortes - é uma tragédia bem maior que o 11 de Setembro de 2001. Para não falar em termos relativos: o Porto não é a Nova Iorque de hoje, e muito menos o era há 200 anos. 4000 pessoas representavam muito mais para o Porto daquela altura do que para a Nova Iorque de hoje. Bem sei que - com respeito por todos os mortos - o que tornou o 11 de Setembro horrendo foi o acto em si, mais do que o número de mortos. Mas justamente por isso, o que impressiona na Ponte das Barcas é a dimensão da tragédia. Tal como Leiria (como eu referi há três meses), depois das invasões napoleónicas o Porto não era a mesma cidade de antes. A principal lição histórica é esta, e eu não creio que seja bem aprendida.

2009/04/01

"Concerto a la carte"

Monólogo de Franz-Xaver Kroetz com Ana Bustorff. Em cena no Teatro Circo em Braga até sexta feira e, depois, noutras cidades do país. Eu fui ver e gostei.

2009/03/30

O futuro campeão mundial de Fórmula 1

Ross Brawn é o Mourinho da Fórmula 1: o "treinador" torna-se mais importante que os "jogadores". Já "deu" os sete títulos a Michael Schumacher. Alguém duvida que, nas suas funções, é o melhor?

O próximo presidente do Sporting

É este o meu balanço do Congresso.

2009/03/28

BdE - Blogue de Esquerda (III)

José Mário Silva. Luís Rainha. Mesmo sendo um blogue da revista Sábado, é impossível eu (e quem o leu) não se recordar do blogue onde eu verdadeiramente descobri a blogosfera. Da minha primeira experiência num blogue de larga audiência. Do local onde bloguei com mais amor à arte e à camisola e onde blogar me deu mais gozo.
O Luís Rainha continua em forma:
Foi delicioso ver Fernando Rosas a comentar na TV o caso da investigadora da Universidade Nova que não conseguiu vender a sua patente de transístores em papel a empresas portuguesas. Entusiasmado com a invenção, o historiador – que não sei se saberá o que é um transístor – até exprimiu a sua pena de que não fosse uma empresa como a Renova a explorar o revolucionário dispositivo. Imaginem as possibilidades: papel higiénico com música, rolos de cozinha capazes de enviar emails...
A ele e aos outros (o Vasco Barreto e a Ana Leonardo) eu desejo todas as felicidades e boas postagens. Façam o que sempre fizeram e já será muito bom.

2009/03/26

Os Pintos e a "pintada" do Pedro Silva

Sá Pinto e João Pinto defendem a atitude do Pedro Silva. Nada de especial (eu também defendo o Pedro Silva). Mas tendo em conta o historial dos dois jogadores citados (dois excelentes profissionais de futebol), outra posição da sua parte é que seria de admirar, não é? Não acredito que não haja outros jogadores a defenderem o Pedro Silva.

2009/03/25

Sobre as declarações do Papa


Há simplesmente que reconhecer que, tratando-se de sexualidade, o Papa não sabe do que está a falar.

Fotografia roubada ao Rui Curado Silva

2009/03/24

The special doctor


O mais mediático aluno da Universidade Técnica de Lisboa. Parabéns, José Mourinho.

2009/03/23

As casas da minha grande indecisão

Vou explicar-vos as diferenças entre elas (para além do preço). Se me puderem ajudar com sugestões agradeço.

A mais barata tem 20 anos, a mais cara tem 14.

Ambas têm garagem individual fechada. Em termos de localização, ambas são bem localizadas, na mesma rua (uma rua principal de Braga), uma de frente para a outra. Uma é um sexto, outra é um sétimo andar.

A mais barata tem despensa e áreas (ligeiramente) melhores. Tem duas frentes com duas excelentes varandas. A mais cara não tem despensa. Tem uma boa varanda.

A mais cara tem arrecadação, lareira na sala, uma segunda casa de banho (sanita e lavatório), vidros duplos, gás canalizado. A mais barata não tem nada disto (nem gás canalizado).

A mais barata tem duas frentes (nascente/poente). A mais cara tem uma só frente (nascente), mas muito boas janelas, a toda a largura das divisões, o que lhe dá boa iluminação.

A mais barata tem soalho de corticite nos quartos (teria que pôr flutuante - é barato de pôr). A mais cara tem parquet.

A mais barata precisa de ser pintada (portas envernizadas incluídas), o que também não é caro. A mais cara tem a pintura em bom estado.

A mais barata precisa também de envernizamento e pequenos restauros dos móveis da cozinha, que de resto é uma cozinha mais antiga (mas grande). A mais cara tem a cozinha impecável (embora um pouco pequena).

Ambas têm canos de origem. A mais barata tem canalização de ferro (com 20 anos). No prédio dizem-me que os canos nunca deram problemas nenhuns, mas estes estão parados há uns meses, o que aumenta o risco de oxidação...). É este o meu principal medo. A mais cara também tem os canos parados há uns meses, mas a canalização é de cobre.

A mais cara tem umas placas exteriores (na fachada, mesmo por cima) partidas. É da responsabilidade do condomínio. Espero que não dê origem a infiltrações.

A diferença de preços entre ambas é de cerca de 16000 euros. Será que todas as vantagens da mais cara que eu referi valem esse dinheiro? Reparem que em Braga tudo é mais barato (as casas e a mão de obra de trabalhos, e se calhar mesmo os materiais). Comparem a devida proporção entre os preços, e não nos padrões de Lisboa (onde nem o dobro do dinheiro compraria ambas as casas).

O que dizem disto aqueles de vós atentos ao mercado imobiliário? Agradeço sugestões pertinentes nos próximos dias. Obrigado.

2009/03/20

Ganhou Paris

Não sabia por quem haveria de torcer no confronto entre o Sp. Braga e o Paris St. Germain - afinal, nenhum dos dois clubes é o meu; são apenas os clubes de duas cidades que são (uma é-o agora e a outra sê-lo-á sempre) minhas. A minha preferência pelo Sp. Braga para este encontro tinha mais a ver com ser bom para o futebol português. Ganhou o Paris St. Germain e aqui em Braga ficaram todos cabisbaixos. O que aborrece é que em Paris ninguém ficou alegre: ficou tudo indiferente.

2009/03/18

Os ovos da galinha dos Saltimbancos

No espectáculo de que aqui falei, uma fábula protagonizada por animais, existe um burro, um cão, uma gata e uma galinha. Esta última a certa altura larga uns "ovos" que, na encenação da Seiva Trupe, são umas bolas de ping-pong da Sport Zone (nem mais nem menos).
No final da peça, decidi pegar numa delas para levar para casa (eu tinha assistido à peça na primeira fila). Foi o suficiente para que várias crianças, guiadas pelo meu mau exemplo, quisessem levar igualmente uma bola para casa, no que eram contrariadas pelas mães: "Para que é que tu queres uma bola? Eles precisam das bolas. Não estão aqui para nós as levarmos".
A questão é que as crianças queriam uma bola de ping-pong. Eu queria trazer (e trouxe, e guardei) um "ovo" da peça. Como explicar a diferença às crianças? Nem sei se as mães se aperceberam.

2009/03/17

So long, Conan



Como qualquer pessoa que siga o programa (eu via-o para aí desde 1999, com um interregno enquanto vivia em França), tenho pena da saída de Conan O'Brien do Late Night e estou apreensivo com a sua transferência para o Tonight Show. Este último é o principal palco da TV americana, o único programa ao vivo a receber um presidente (já esta semana). É sem dúvida uma promoção para o Conan. Mas é em Los Angeles, e o Conan, um bostoniano de ascendência irlandesa, tornou-se um ícone de Nova Iorque. E o Tonight Show é um programa muito mais institucional, e é provável que continue a sê-lo. O que implica que o Conan iconoclasta que nos habituámos ao longo dos anos acabou. A partir do outono cá estaremos para ver. Espero que me engane. Entretanto o último Late Night é transmitido hoje na SIC Radical, tendo o penúltimo (com Jerry Seinfeld) sido transmitido ontem.

2009/03/16

Os Saltimbancos



Disse-me o meu antigo companheiro de blogue, mal acabámos de jantar: “Bom concerto!” “Mas não vou ver um concerto: é uma peça de teatro”, disse-lhe eu. Ele tinha razão, no entanto: o que mais me atraía no espectáculo eram as músicas de Chico Buarque e Sérgio Badotti. Era ver o conto dos irmãos Grimm a acabar ao som de “Tanto Mar”. Mas a peça era engraçada, bem encenada e os actores eram bons. Só até dia 18 no Teatro do Campo Alegre, no Porto (Seiva Trupe). De seguida percorre algumas outras cidades em digressão. Recomendo.

2009/03/14

Resumo da sexta-feira 13

Comprei uma bicicleta espectacular (a sério). O pedal partiu-se a meio da primeira viagem, entre o Continente de Braga e a minha casa.

2009/03/12

Ainda o Sporting - Bayern Munique

Há duas semanas, convenci-me da superioridade do Bayern, mas andava a dizer que números tão dilatados sucediam uma vez e eram um exagero. O que mais dói é ter concluído, quinze dias depois, que tais números não sucediam só uma vez e nem eram um exagero.
Salve-se o Derlei, a pensar já no próximo jogo e a não atirar a toalha ao chão. O Derlei deveria ser treinador do Sporting um dia.

2009/03/11

16-1

É o recorde de uma goleada nas competições europeias, e pertence ao Sporting. Foi contra o Apoel de Chipre na época de 1963/64. Em Chipre o Sporting ganhou 2-0, pelo que a eliminatória ficou por uns esclarecedores 18-1 para o Sporting. Achei que seria bom recordar hoje tal facto.

2009/03/10

O mundo é simples: os judeus não conhecem limites

Com toda a sinceridade: quando li no Público de há uma semana uma matéria sobre o queijo da serra kosher, duvidei da sua relevância. Não do queijo kosher e dos seus fabricantes, a quem felicito pela iniciativa de divulgar o que de melhor há em Portugal por outras comunidades e desejo as maiores felicidades. Mas a relevância da notícia em si. O Público interessa-se pelo queijo kosher mas nunca se interessou pelo peixe congelado “Gonsalves” (assim com “s” para os americanos pronunciarem bem) vindo de Peniche, que eu comprava nos EUA. Da mesma forma também nunca se interessou pela comida das comunidades imigrantes em Portugal – já há lojas especializadas em produtos da Europa de leste, pelo menos em Lisboa, bem como da China e da Índia ou do Brasil ou África. Mas não é de se estranhar: afinal trata-se do mesmo jornal que conta entre os seus colunistas (para defender incondicionalmente Israel) com Esther Mucznik, representante de uma confissão religiosa ultraminoritária em Portugal, mas nem um único negro.
Foi por esse critério do Público que eu achei natural a referência ao queijo kosher. Mas qual não é o meu espanto quando descubro que há quem ache que tal artigo não é propaganda (gratuita) suficiente, e depois de tudo o que eu disse ainda consegue encontrar nele… anti-semitismo! Um gajo qualquer decide fabricar queijo kosher para exportação; o Público dedica duas páginas a tão importante e relevante matéria e ainda é anti-semita! Sinceramente tal blogue, em vez de “Boina Frígia”, deveria chamar-se “kippah”. Dá má fama à República – republicanos são estes. Mas nem se pense que isto tem algo a ver com república ou monarquia – o blogue onde encontrei a referência a tal texto até tem autores com fama de terem simpatias monárquicas. Não sei se tal é o caso de Henrique Burnay. Burnay não é nome de banqueiro? Pois… bem me queria parecer. Não há paciência para esta gente. Eu, pelo menos, não tenho.

2009/03/09

No dia delas, referência a uma mulher especial

Prestei um depoimento à Sábado a pedido da jornalista que queria fazer um perfil da Fernanda Câncio. Confesso que estava cheio de receio que me deturpassem as palavras ou mudassem o seu sentido – nunca se sabe… Lido o que foi publicado e que me diga respeito (é só isso a que me refiro), é com alívio que verifico que a única incorrecção foi referirem-me no texto (não no contacto pessoal - mas os depoimentos têm destas coisas) como um “adversário” da Fernanda (sem nunca mencionarem que até partilhávamos um blogue até há uns meses atrás). Se o mundo se resumisse ao aluguer de casas e a certos aspectos da política internacional (guerra do Iraque e tal), aí sim, a Fernanda seria minha “adversária”. Como há (felizmente) muito mais causas, eu não considero meus adversários nem a Fernanda nem a generalidade das pessoas de esquerda (exceptuando certos malucos). E estou certo de que a Fernanda sabe disso, pelo que o erro na Sábado não é importante.

2009/03/08

Dia da Mulher 2009 – como cozinhar massas

É uma tradição minha publicar uma receita no Dia da Mulher. Desta vez, porém, vou publicar um interessantíssimo artigo de Harold McGee no The New York Times do passado dia 24 de Fevereiro. É curioso ver que McGee, que tem alguma formação científica, cozinha a massa tal e qual como eu: com um mínimo de água e colocando-a originalmente em água fria, para poupar energia, e aproveitando a deliciosa goma resultante. Recomendo a todos. E bom dia da mulher!

February 25, 2009
The Curious Cook
How Much Water Does Pasta Really Need?
By HAROLD McGEE
SOME time ago, as I emptied a big pot of pasta water into the sink and waited for the fog to lift from my glasses, a simple question occurred to me. Why boil so much more water than pasta actually absorbs, only to pour it down the drain? Couldn’t we cook pasta just as well with much less water and energy? Another question quickly followed: if we could, what would the defenders of Italian tradition say?

After some experiments, I’ve found that we can indeed make pasta in just a few cups of water and save a good deal of energy. Not that much in your kitchen or mine — just the amount needed to keep a burner on high for a few more minutes. But Americans cook something like a billion pounds of pasta a year, so those minutes could add up.

My rough figuring indicates an energy savings at the stove top of several trillion B.T.U.s. At the power plant, that would mean saving 250,000 to 500,000 barrels of oil, or $10 million to $20 million at current prices. Significant numbers, though these days they sound like small drops in a very large pot.

The standard method for cooking pasta, found in Italian cookbooks and on pasta packages, is to heat to a rolling boil 4 to 6 quarts of well-salted water per pound of pasta. The usual rationales are that abundant water quickly recovers the boil when the pasta is added, gives the noodles room so that they don’t stick to one another, and dilutes the starch they release, so they don’t end up with a “gluey” surface.

To see which of these factors are really significant, I put a pound of spaghetti into a pot, added just 2 quarts of cold water and 2 teaspoons salt and turned on the heat. The water took about 8 minutes to reach the boil, during which I had to push the noodles around occasionally to keep them from sticking. They took another 10 minutes to cook through.

When I drained the pasta, it had the texture and saltiness I expected, seemed about as sticky as usual, and when tossed with a little oil, seemed perfectly normal.

So I tried reducing the water even further, to 1 1/2 quarts. I had to stir often because that’s not quite enough to keep all the pasta immersed all the time, but again the spaghetti came out fine.

Why can pasta cook normally in a small volume of water that starts out cold? Because the noodles absorb water only very slowly at temperatures much below the boil, so little happens to them in the few minutes it takes for the water to heat up. And no matter how starchy the cooking water is, the solid noodle surfaces themselves are starchier, and will be sticky until they’re lubricated by sauce or oil.

I described my method in e-mail messages to two of this country’s best-known advocates of Italian cuisine. Lidia Bastianich told me: “My grandmother would have thought of the idea surely as blasphemous. I think it is curious.” And Marcella Hazan said, “I am a very curious person, and I’m glad people are exploring new ways.” Both of them gave it a try.

Ms. Bastianich responded with a controlled experiment. She started spaghettini in pots of cold water and boiling water (4 quarts each instead of her usual 6) side by side and found the cold-water version lacking in the gradation of texture she looks for. As for the flavor, she said “I felt that the cold-water pasta had lost some of the nutty flavor of a good semolina pasta cooked properly.”

Ms. Bastianich agreed that using less water is O.K. “Yes, I think it’s doable to reduce the cooking water by one third,” from 6 quarts per pound to 4. “But please ‘butta la pasta’ in boiling water.”

Ms. Hazan tried starting a batch of shell pasta in a somewhat reduced amount of cold water, and found that it needed constant stirring to avoid sticking. “Maybe you save heat energy, but you also have to work a lot harder,” she told me in a follow-up call. “It’s not so convenient. I don’t know if I would cook pasta this way.”

Heartened by the experts’ willingness to experiment, I went back to work, this time starting with hot water. I found that it’s possible to butta la pasta in 1 1/2 or 2 quarts of boiling water without having the noodles stick. Short shapes just require occasional stirring. Long strands and ribbons need a quick wetting with cold water just before they go into the pot, then frequent stirring for a minute or two.

Except for capellini, which cooks too quickly, I find that both the cold and hot versions of the minimal-water method work well with the common shapes I’ve tried, with whole wheat pasta, and even fresh pasta, as long as any surface flour is rinsed off first.

I prefer starting with cold water, because the noodles don’t stick together at all as they go into the pot, and because I don’t notice a difference in flavor once they’re drained and sauced. It’s true, though, that no matter what temperature you start with, this method requires more attention. That’s a disadvantage when you’re cooking several things at once.

If you cook pasta often, try experimenting with different starting temperatures and amounts of water. You can even cook pasta in the manner of a risotto, adding the liquid in small doses and stirring constantly. Be sure to use a pot broad enough for the noodles to lie flat on the bottom, and to reduce the salt for smaller volumes of water.

There’s one other dividend to cooking pasta in minimal water that I hadn’t anticipated: the leftover pasta water. It’s thick, but you can still easily ladle it out by tilting the pan. And it’s very pleasant tasting: not too salty, lots of body, and lots of semolina flavor. Whole-wheat pasta water is surprisingly delicious.

Italian recipes often suggest adding pasta water to adjust the consistency of a sauce, but this thick water is almost a sauce in itself. When I anointed a batch of spaghetti with olive oil and then tossed it with a couple of ladles-full, the oil dispersed into tiny droplets in the liquid, and the oily coating became an especially creamy one.

Restaurant cooks prize thick pasta water. In “Heat,” his best-selling account of working in Mario Batali’s restaurant Babbo, Bill Buford describes how in the course of an evening, water in the pasta cooker goes from clear to cloudy to muddy, a stage that is “yucky-sounding but wonderful,” because the water “behaves like a sauce thickener, binding the elements and flavoring the pasta with the flavor of itself.”

Mr. Buford suggests that the muddy pasta water should be bottled and sold, because home cooking never produces anything like it. Cooking one batch of pasta in minimal water can’t smooth out the starch as completely or generate those long-cooked flavors. But it does make pasta water good enough to sip.

2009/03/06

Bicicleta paga, MEC de brinde

O meu apreço por ciclistas é zero. São sugadores de recursos asfaltados que não só não pagam como enervam os automobilistas pagadores, que ziguezagueiam a ver se os conseguem evitar. (Miguel Esteves Cardoso, PÚBLICO, 27-02-2009

O meu apreço por quem escreve estes dislates (e muitos outros, há muitos anos) é zero. É (desde há décadas) um sugador de recursos impressos que não só não paga, como enerva os leitores pagadores, que ziguezagueiam e saltam páginas a ver se conseguem evitar a sua prosa imbecil.

Leitura complementar: De quem me sinto mais longe (política e ideologicamente) na República Portuguesa; Ó MEC, fale por si; A cepa torta do MEC; 48 anos de cepa torta; finalmente, Obsessões, pelo indispensável João Branco.

2009/03/05

Carnaval de Canelas - os vídeos





Para quem lá não pôde estar. E para o ano há mais!

2009/03/04

Carnaval de Canelas - paragem para a mijinha


Os gays mijam de pé!

Carnaval de Canelas - a parada gay


Mesmo em frente à igreja! Quando o meu avô era sacristão não havia disto!

Carnaval de Canelas - o TGV


Enquanto o TGV não chega, em Canelas passam os comboios urbanos do Porto, que dão muito jeito.

Carnaval de Canelas - as urgências


Deixo-vos com algumas fotos do "Carnaval Trapalhão" da aldeia dos meus avós, no concelho de Estarreja. Este Carnaval cada vez atrai mais forasteiros à aldeia. Na foto podem ver as "urgências", desde que a urgência do Hospital Visconde de Salreu, em Estarreja, fechou.

2009/03/03

Carnaval de Ovar 2009

Este ano o Carnaval não foi tão cedo (comparado com o ano passado, que foi em plena época de exames académicos). Como resultado, a noite de segunda para terça feira do Carnaval de Ovar tornou-se uma concentração de estudantes (de várias nacionalidades) das Universidades de Aveiro e do Porto, que enchiam até transbordar os comboios suburbanos (serviço reforçado) que a CP efectuou entre Aveiro e Ermesinde nessa noite, em busca de uma festa (com muito álcool) antes do início do novo semestre. Mal se viam carros alegóricos; não se viu um único trio eléctrico (ao contrário do ano passado, onde os havia muito bons); não se ouviu um único samba. Pelo contrário: a noite toda ouviu-se música "académica" (Quim Barreiros e Emanuel). A única diferença entre uma qualquer queima das fitas e aquela triste noite ovarense foi que os estudantes, em vez de se mascararem de urubus (com os habituais "trajes académicos"), usavam máscaras de Carnaval. Pode ser que assim o Carnaval de Ovar tenha mais viabilidade económica, só que de Carnaval aquela noite não tinha nada.

Noite de dérbi

Não, não me refiro ao Benfica-Sporting: refiro-me ao Braga-Guimarães (assim, sem "Sporting" nem "Vitória"), o dérbi minhoto. Em termos de ambiente não é muito diferente do lisboeta. Quando regressava a casa da universidade, após o fim do jogo, dois autocarros com adeptos vimaranenses passaram por mim. Gritavam "Filhos da puta!". Os adeptos bracarenses respondiam-lhes. Um senhor ao meu lado gritava-lhes "e se fossem à merda?". Confesso que ignorava que esta rivalidade fosse tão profunda. Julgava que só fosse assim em Lisboa. O Minho, que tanto se queixa das desigualdades em relação a Lisboa, bem poderia dispensar esta semelhança neste caso. Em ambos os casos (Lisboa e Minho), estas mesmas pessoas que se insultam no dia a seguir vão trabalhar umas com as outras nos mesmos empregos, encontrar-se nas compras nas mesmas lojas ou estudar nas mesmas escolas. Este comportamento faz algum sentido?

2009/03/01

Estatísticas de três anos

De acordo com o sitemeter, 125143 visitas, 156542 carregamentos de página.
De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 129699 visitas, 64,3% das quais de Portugal, 16,3% do Brasil, 4,2% de França, 2,9% dos EUA, 2,5% do Reino Unido, 1,8% da Suíça, 1,7% da Alemanha, 1,2% da Espanha, 0,8% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,7% de outros países. 15,6% à segunda, 16,0% à terça, 16,1% à quarta, 15,9% à quinta, 14,6% à sexta, 10,7% ao sábado e 11,1% ao domingo.
Muito obrigado a quem vai por aqui passando.

O Avesso do Avesso – três anos num computador perto de si

Tudo começou numa quarta feira de Cinzas. Ainda esta semana, por falar nisso, clocarei aqui imagens do meu Carnaval. Entretanto obrigado a todos os leitores pela preferência.