2009/05/07
Vasco Granja (1925-2009)
Foi quem em português introduziu as palavras que as iniciais na etiqueta deste texto representam. E já não foi pouco.
2009/05/06
2009/05/05
Nieuwenhuizen
(O título deste texto é uma homenagem a um mestre.)
Andar nu pelos corredores da casa pela primeira vez. Urinar na sanita. Puxar o autoclismo pela primeira vez. Ando assim (e a limpar o pó, e a escolher electrodomésticos e móveis).
Andar nu pelos corredores da casa pela primeira vez. Urinar na sanita. Puxar o autoclismo pela primeira vez. Ando assim (e a limpar o pó, e a escolher electrodomésticos e móveis).
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2009/05/04
Entrevista a Carvalho da Silva
No conturbado fim de semana do Dia do Trabalhador. Entrevista a Anabela Mota Ribeiro no Jornal de Negócios. Um sumário aqui.
2009/04/30
A festa dos indigentes
Era eu caloiro e a Associação de estudantes do Instituto Superior Técnico promoveu um debate entre antigos dirigentes associativos. Vivia-se a “guerra” de combate às propinas, no cavaquismo. Diana Andringa deixou-nos um conselho que eu nunca esqueci: “Quando estiverem numa manifestação não bebam nem joguem às cartas: dá um mau aspecto do caraças.”
Vem isto a propósito de fazer-se uma “festa de protesto” a propósito do MayDay. O MayDay tem todo o meu apoio. Não tenho nada contra uma festa como a do Ateneu Comercial de Lisboa no passado dia 17 – é bem provável que até lá tivesse ido se estivesse em Lisboa. Mas fazer uma “festa de protesto”?
Os trabalhadores precários têm todo o meu respeito. Se fizessem um protesto a sério (desde que não violento), como se fazem em França, teriam todo o meu apoio. Agora fazerem como “acção de protesto” mais uma festa onde se come comida vegetariana e fumam uns charros soa-me – como dizer? – a beber ou jogar às cartas numa manifestação. Espero ao menos que a festa tenha sido boa. Bom MayDay para todos.
Vem isto a propósito de fazer-se uma “festa de protesto” a propósito do MayDay. O MayDay tem todo o meu apoio. Não tenho nada contra uma festa como a do Ateneu Comercial de Lisboa no passado dia 17 – é bem provável que até lá tivesse ido se estivesse em Lisboa. Mas fazer uma “festa de protesto”?
Os trabalhadores precários têm todo o meu respeito. Se fizessem um protesto a sério (desde que não violento), como se fazem em França, teriam todo o meu apoio. Agora fazerem como “acção de protesto” mais uma festa onde se come comida vegetariana e fumam uns charros soa-me – como dizer? – a beber ou jogar às cartas numa manifestação. Espero ao menos que a festa tenha sido boa. Bom MayDay para todos.
2009/04/29
Ruído de fundo
Foi na apresentação do novo livro do José Mário Silva, na livraria Pó dos Livros em Lisboa. Enquanto Jorge Silva Melo perorava sobre bares supostamente "decrépitos", ouviam-se buzinas cá fora. Pessoas na assistênci abandonavam o recinto para se certificarem de que não era o seu carro que estava a causar problemas de circulação. Eu sabia que a minha bicicleta é que não era.
Adenda: a foto é do Luis Rainha, que a tirou sem ninguém dar por isso.
2009/04/28
Everything that happens will happen tonight at Coliseu
Por onde poderei eu começar? Olhem, leiam por exemplo este texto do blogue dele. Leiam-no por favor do princípio ao fim, que vale a pena. Da largura de banda da internet às populações de peixe para pescar. Leiam bem o argumento que ele dá contra a privatização das praias - até chegar à importância de um serviço nacional de saúde.
Dele escreveu Caetano Veloso:
Caetano Veloso era, com David Byrne, o artista que eu mais vezes tinha visto em concerto. Era um empate. Hoje esse empate será desfeito. A favor do Byrne. Pelas razões que já expliquei aqui. Pelo que escreve. Pela sua fabulosa música ao longo de toda uma carreira. Por ser para mim uma inspiração. (Tenho a pretensão de dizer: quem me quiser entender deve ouvir o David Byrne. Eu acho que só me entendo com quem gosta do David Byrne e do Seinfeld.)
Aproveitei e vim por outros motivos, mas tenho que confessar que o principal, que me trouxe de Braga a Lisboa esta semana, foi este. Tudo o que acontece acontecerá esta noite no Coliseu.
Dele escreveu Caetano Veloso:
David é tudo que há de bom. Stop Making Sense é o mais lindo filme de show de rock, possivelmente porque o show dos Talking Heads era um dos mais lindos que já houve. Ele nunca perdeu a elegância. O show quefez com Margareth Menezes foi um grande sucesso da Margareth Menezes, mas ele estava um tanto invisível. Já os outros que vi dele, foram todos simplesmente geniais. Agora ele me disse que está fazendo um show show: com dançarinos e tudo. Deve ser fenomenal, porque ele é, como eu disse no show que fizemos juntos no Carnegie Hall (e do qual há, sim, Lucre, gravação com proposta para sair em CD), o mais chique dos roqueiros. Considero o entendimento que ele teve da música no Brasil um aspecto dessa chiqueza.
Caetano Veloso era, com David Byrne, o artista que eu mais vezes tinha visto em concerto. Era um empate. Hoje esse empate será desfeito. A favor do Byrne. Pelas razões que já expliquei aqui. Pelo que escreve. Pela sua fabulosa música ao longo de toda uma carreira. Por ser para mim uma inspiração. (Tenho a pretensão de dizer: quem me quiser entender deve ouvir o David Byrne. Eu acho que só me entendo com quem gosta do David Byrne e do Seinfeld.)
Aproveitei e vim por outros motivos, mas tenho que confessar que o principal, que me trouxe de Braga a Lisboa esta semana, foi este. Tudo o que acontece acontecerá esta noite no Coliseu.
2009/04/27
God got her

God will get you for that!, dizia a Maude quando ficava derrotada e não lhe restava mais nada para dizer. Morreu um ícone da televisão da minha adolescência.
Bea Arthur, Star of Two TV Comedies, Dies at 86
By BRUCE WEBER
Bea Arthur, who used her husky voice, commanding stature and flair for the comic jab to create two of the most endearing battle-axes in television history, Maude Findlay in the groundbreaking situation comedy “Maude” and Dorothy Zbornak in “The Golden Girls,” died Saturday at her home in Los Angeles. She was coy about her age, and sources give various dates for her birth, but a family spokesman, Dan Watt, said in an e-mail message she was 86.
The cause was cancer, Mr. Watt said.
Ms. Arthur received 11 Emmy Award nominations, winning twice — in 1977 for “Maude” and in 1988 for “The Golden Girls.”
She was a seasoned and accomplished theater actress and singer before she became a television star and a celebrity in midcareer, and she won a Tony Award in 1966 for playing Angela Lansbury’s best friend, the drunken actress Vera Charles, in “Mame.”
But while she was successful on stage, on television she made history. “Maude,” which was created by Norman Lear as a spinoff from “All in the Family,” was broadcast on CBS during the most turbulent years of the women’s movement, from 1972-78, and in the person of its central character, it offered feminism less as a cause than as an entertainment.
Maude Findlay was a woman in her 40s living in the suburbs with her fourth husband, Walter (played by Bill Macy), her divorced daughter, Carol (Adrienne Barbeau), and a grandson. An unabashed liberal, a bit of a loudmouth and a tough broad with a soft heart, she was, in the parlance of the time, a liberated woman, who sometimes got herself into trouble with boilerplate biases just the way her cultural opposite number, Archie Bunker, did. She was given a formidable physicality by Ms. Arthur, who was 5 feet 9 ½ inches and spoke in a distinctively brassy contralto.
The show was considered a sitcom, but like “All in the Family,” it used comedy to take on serious personal issues and thorny social ones — alcoholism, drugs, infidelity.
“We tackled everything except hemorrhoids,” Ms. Arthur said, sounding much like Maude, in a 2001 interview with the Archive of American Television, a collection of video oral histories compiled by the Academy of Television Arts and Sciences.
In the show’s first season, Maude, at the age of 47, learned she was pregnant; her distress was evident.
“Mother, what’s wrong? You’ve got to share this with me,” Carol says. Maude’s response is typical, with barbs aimed both inward and outward, delivered by Ms. Arthur with a flash of simultaneous anger, despair and humor: “Honey, I’d give anything to share it with you.”
The two-part episode was broadcast in November 1972, two months before Roe v. Wade, the Supreme Court case that made abortion legal nationwide, was decided. By the episode’s conclusion, Maude, who lived in Westchester County in New York, where abortion was already permitted, had chosen to end the pregnancy. Two CBS affiliates refused to broadcast the program, and Ms. Arthur received a shower of angry mail.
“The reaction really knocked me for a loop,” she recalled in a 1978 interview in The New York Times. “I really hadn’t thought about the abortion issue one way or the other. The only thing we concerned ourselves with was: Was the show good? We thought we did it brilliantly; we were so very proud of not copping out with it.”
“The Golden Girls,” an immensely popular show that was broadcast on NBC from 1985-92 and can still be seen daily in reruns, broke ground in another way. Created by Susan Harris (who wrote the “Maude” abortion episode), it focused on four previously married women sharing a house in Miami, and with its emphasis on decidedly older characters, it ran counter to the conventional wisdom that youthful sex appeal was the key to ratings success.
Which is not to say “The Golden Girls” wasn’t sexy. Like “Maude,” it was a comedy that dealt with serious issues, especially those involved with aging, but also matters like gun control, gay rights and domestic violence. And like “Maude,” it could be bawdy. The women were all active daters and, to different degrees, openly randy. As Dorothy, Ms. Arthur was coiffed and clothed in a softer, more emphatically feminine manner than she had been in “Maude,” but she was no less sharp-tongued, and she and the show’s other stars — Rue McClanahan, Betty White and Estelle Getty (who, though younger than Ms. Arthur, played Dorothy’s mother) — were frequently praised for portraying the lives of older women as lively, uncertain, dramatic and passion-filled as those of college sorority sisters.
Familiarly known as Bea, Ms. Arthur was billed in the theater and on television as Beatrice, but the name was one she made up. She was born Bernice Frankel in New York City on May 13, 1922, according to Mr. Watt. But she preferred to be called B — “I changed the Bernice almost as soon as I heard it,” she said — and later expanded it to Beatrice because, she said, she imagined it would look lovely on a theater marquee. The name Arthur is a modified version of the name of her first husband, the screenwriter and producer Robert Alan Aurthur.
When she was a child, her family moved to Cambridge, Md., on the Eastern Shore, where her parents ran a small women’s clothing store, and she dreamed of being a chanteuse and an actress, and entertained her friends with imitations of Mae West. She attended Blackstone College, a two-year school in Virginia, and later studied to be a medical technician, then eventually moved to New York to study acting with Erwin Piscator at the Dramatic Workshop of the New School for Social Research. Among her classmates were Tony Curtis, Walter Matthau and the actor and director Gene Saks, whom she married in 1950. (He directed her in “Mame.”) They divorced in 1978; their two sons, Matthew and Daniel, survive her. She had two granddaughters.
Ms. Arthur worked regularly Off Broadway and in summer stock, appearing as Lucy Brown in Marc Blitzstein’s adaptation of “The Threepenny Opera” at the Theater de Lys in 1954. And in 1955, in a well-received musical tidbit, “Shoestring Revue,” she was seen for the first time by the man who would become a lifelong friend and professional benefactor, Norman Lear.
She also sang in nightclubs and worked occasionally on television, appearing on “Kraft Television Theater” and other shows featuring live drama. On Broadway, in 1964, she played Yente, the matchmaker in “Fiddler on the Roof.” In the movies, she appeared in the comedy “Lovers and Other Strangers” (1970), and in a reprise of her stage performance as Vera Charles, she appeared in “Mame” (1974), again directed by her husband, this time alongside Lucille Ball.
In 1971, she was living in New York but visiting her husband, who was directing a movie, “The Last of the Red Hot Lovers,” in Los Angeles, when Mr. Lear persuaded her to do a guest spot on “All in the Family.” The role he created for her, Maude Findlay, was a cousin of Edith Bunker, Archie’s wife (Jean Stapleton), who arrives to care for the family when everyone gets sick. Her tart sparring with Archie (Carroll O’Connor, with whom she had worked on stage, in a play called “Ulysses in Nighttown”) was a hit with viewers. Almost immediately CBS ordered up a new series from Mr. Lear, with Ms. Arthur’s Maude at the center of it. It changed her life.
“I think we made television a little more adult,” Ms. Arthur said. “I really do.”
2009/04/25
2009/04/24
Quem quer casa paga
Nos EUA, quando comprei um carro, passei um cheque visado. Era um impresso especial (eles não têm carimbos) que me custou uma ninharia.
Em Portugal, para comprar uma casa, também passei um cheque visado. Era um cheque normal, com um carimbo, selo branco e duas assinaturas. Custou-me 31 euros. Agora que sou um homem do norte apetece dizer-me: "Fooooda-se, cabrões de banqueiros, vão roubar para o caralho!"
É claro que muito mais do que isso tive que pagar em impostos e comissões pela escritura e registo (mesmo com o "Casa Pronta"). Mas dos impostos não me queixo. Do que pago aos bancos (e aos mediadores), sim.
Em Portugal, para comprar uma casa, também passei um cheque visado. Era um cheque normal, com um carimbo, selo branco e duas assinaturas. Custou-me 31 euros. Agora que sou um homem do norte apetece dizer-me: "Fooooda-se, cabrões de banqueiros, vão roubar para o caralho!"
É claro que muito mais do que isso tive que pagar em impostos e comissões pela escritura e registo (mesmo com o "Casa Pronta"). Mas dos impostos não me queixo. Do que pago aos bancos (e aos mediadores), sim.
2009/04/23
Já tenho casa
Oficialmente, desde hoje: escritura assinada. Depois conto em mais pormenor o processo que me levou a decidir a casa (recordo a indecisão aqui). Fica um conselho: não comprem uma casa enquanto não se apaixonarem por ela. E eu apaixonei-me pela minha casa. Apaixonei-me por esta vista e por este pôr do sol, que a partir de hoje posso ter todos os dias.



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2009/04/22
Feira do Livro de Braga
Já está a decorrer. Amanhã às 21:30 Licínio Chainho Pereira (físico molecular e antigo reitor da Universidade do Minho) e o Rui Tavares falam às 21:30 sobre "Memória do Universo, Universos de Memória". A não perder.
2009/04/21
Responsabilidade pela tortura

On Thursday, President Obama released memos that describe, in horrific detail, the torture techniques authorized by the Bush administration. The memos make clear that top Bush officials didn't just condone torture-they encouraged it.
So far there's been no accountability for the architects of Bush's torture program-the top officials who justified keeping detainees awake for 11 days straight, waterboarding them repeatedly, and forcing prisoners into coffin-like boxes with insects.
We need real consequences for those responsible-it's the only way to keep this from happening again.
Em Portugal, recordo, há quem prefira George W. Bush a Sócrates.
2009/04/20
Homenagem a José Sousa Ramos

Foi inaugurada no Sobral da Adiça, concelho de Moura, uma escultura em homenagem ao meu saudoso professor José Sousa Ramos. Não tendo podido comparecer, não deixo de me associar aqui a esta merecida homenagem.
2009/04/17
Freeport está para Apito Dourado...
como Sócrates está para Pinto da Costa, Charles Smith está para Carolina Salgado, o PS está para o FCP, o PSD está para o Benfica e Manuela Moura Guedes está para Leonor Pinhão. Aceito mais contribuições.
2009/04/16
"Café com blogues"
Finalmente foi actualizado o arquivo do programa da Rádio Universitária do Minho onde participo. Um dos últimos programas teve a participação especial do Paulo Querido. Vale a pena ouvirem.
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Blogues
2009/04/15
Pequenas vantagens de ser académico
O empregado da embaixada da Rússia a quem entregava a documentação para pedir visto viu a minha proveniência. Ao dizer-me a data de entrega do passaporte com visto, disse-lhe que nesse dia não poderia: só mais tarde. Ele disse: "se quiser, tratamos já aqui". Tive um visto na hora. Pelo mesmo preço. Há quem pague o dobro por um visto em 48 horas.
O ser académico e ter um convite de uma universidade deve ter ajudado. Mas o trabalhar longe de Lisboa também.
O ser académico e ter um convite de uma universidade deve ter ajudado. Mas o trabalhar longe de Lisboa também.
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2009/04/14
"Vai andar...Vai andar..."

Gaitinhas avistou Gineto logo à entrada da feira. A lua, bondosa, iluminava as barracas. E, se acaso se escondia entre as nuvens, lá estavam as mil lâmpadas de cores para a substituir.Este texto, do meu livro de leitura da 4ª classe, marcou a minha infância. Esteiros, o romance de onde foi tirado, e que li no meu oitavo ano, marcou-me de forma indelével. Inesquecíveis as aventuras do Gineto, do Gaitinhas, do Maquineta, do Malesso, do Sagui... O autor, Soeiro Pereira Gomes, nasceu há cem anos.
Gineto e Gaitinhas pararam junto dos carróceis que eram dois. O maior, iluminado por lâmpadas multicores, tentava os olhos. Tinha cavalinhos com as patas no ar, galos de crista alta, bichos variados sobre um tapete rolante que oscilava como os barcos do rio. O outro, perro e mal iluminado, só tinha cavalinhos.
- Qual queres? – perguntou Gineto.
Gaitinhas demorou a resposta. Olhou o carrocel velho, sem ninguém, e os cavalinhos tristes, parados. A voz rouca do dono parecia chamá-lo.
- Vai andar...Vai andar...
- Vamos neste – disse Gaitinhas.
O cavalo galopava no espaço, através das estrelas e ele levava um sorriso nos lábios. O carrocel parou. Mas a alegria da viagem ficou ainda a bailar nos olhos de Gineto e nos lábios de Gaitinhas.
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2009/04/13
Apelo à convergência de esquerda nas eleições de Lisboa
"Para que Lisboa cumpra a sua vocação e seja um exemplo para o resto do país. Deixemo-nos de sectarismos que só beneficiam a direita", apelei eu na minha assinatura (fui o primeiro a assinar!). A petição dos lisboetas dirigida aos partidos de esquerda foi apresentada hoje no Palácio Galveias em Lisboa e pode ser assinada aqui.
2009/04/11
250 anos de elevação a cidade

Menina da Ria - Caetano Veloso
Uma moça
De lá do outro lado da poça
Numa aparição transatlântica
Me encheu de elegante alegria
(Ai, Portugal, ovos moles, Aveiro)
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria
E uma preta
(Parece que eu estou na Bahia)
Tão Linda quanto ela, dizia
No seu português lusitano:
“Pode o Caetano tirar uma foto?”
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria
Arte Nova, um prédio art-nouveau numa margem
Em frente à marina-miragem:
Os barcos na Ria. E depois
Uma taça sobre o pubis glabro, um estudo
Nenhum descalabro se tudo
É sexo sem sexo em nós dois
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria
Parabéns a Aveiro! (Via Amigos d'Avenida)
2009/04/10
Páscoa em Newark

O The New York Times de anteontem descreve um cenário que me era bem familiar há uns anos. Leiam também as receitas para verem uma perspectiva americana da comida portuguesa. Boa Páscoa para todos.
April 8, 2009
Newark’s Portuguese Community Keeps Fires of Tradition Burning
By DAVID LEITE
NEWARK
FRANK ALEXANDRE was so excited to make his point that he hip-checked a table out of the way as he lurched toward the photograph on the wall. “Olhe! Olhe!” he said in his native Portuguese. (“Look! Look!”)
The picture, hanging in the Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, a social club (named after the desolate region in northeast Portugal) in the Ironbound section of this city, shows a clutch of sun-pummeled stone buildings, the roofs crenulated with scrub, the road thick with dust.
“This building here is the cookhouse,” said Mr. Alexandre, owner of a local auto repair and towing company, pointing to an imposing windowless stone structure pictured atop a hill. “There are four or five stone ovens inside.” He explained that in times gone by, the residents of the village in the photograph would forage for scraps of wood, build a fire in the ovens and cook communally: hotter fires roasted meats and baked breads while cooler embers burbled stews and braises and coddled eggy desserts. Families then divided the food and trekked home to dine.
“That,” he said, tapping the picture, “is how we survived.”
Nearly six decades after that photograph was taken and half a world away in Ironbound, where 25 percent of the population is of Portuguese descent, the tradition of communal cooking and eating remains — especially during Páscoa, or Easter.
“Last Easter I sold about 120 whole lambs, 60 kid goats and almost as many suckling pigs,” said Herminio Lopes, who owns the Lopes Sausage Company in Newark, one of the area’s most popular meat suppliers (he has also shipped sausages to the White House).
He explained that because home ovens can’t always accommodate a whole animal, the Portuguese-preferred way of roasting, many animals are brought to restaurant kitchens, where they are marinated or massaged with a customer’s own rub, then roasted and either enjoyed in the dining room or taken home. Other people dress the roasts themselves and cook them outdoors in hand-built brick ovens.
On a ride through the city and nearby Elizabeth, Mr. Alexandre pointed out small backyards co-opted by hulking ovens — the Portuguese equivalent of the American charcoal grill — in which, he said, it wasn’t unusual for one cook to roast not only his own family’s Easter dinner but those of several neighbors.
In the early 20th century, waves of immigrants from Portugal and the Azores settled in the Ironbound district, and by the 1920s the community had its first social club along with churches and retail stores lining Ferry Street, the neighborhood’s noisy thoroughfare.
Midcentury saw another boom, which was eclipsed in the ’70s and ’80s by immigration from former Portuguese colonies, including Brazil and Cape Verde. Although the Luso population has decreased because of relocation to the wealthier suburbs and restrictions on immigration, most Portuguese families in the area still cleave to the Catholic church, religious festivals and feasts.
Despite the economy, preparing whole animals remains a booming enterprise for rogue roasters, who turn a tidy profit. “We have several people in the area who cook for a fee,” said John Panneta, a tour guide who introduces groups to the Ironbound’s social, gastronomic and cultural pleasures. “Most of them cook from their backyards and deliver it to your house.”
A different business model of roaster-for-hire is Valença, a restaurant in Elizabeth run with precision by its owner, Martinho Pereira. His crew cranks out several hundred roast suckling pigs during the holiday season for in-house customers, catered events and families who prefer to dig into their pig in the privacy of their own dining room.
When asked what secret ingredients make his pork so popular, Mr. Pereira laughed and shrugged as if to say, “What secret?” Like most Portuguese roasts, his suckling pigs are coated with nothing more than lard, garlic, salt and black and white pepper.
Recently, at the Newark home of António and Magda Araujo, Mr. Alexandre and his wife, Maria, cooked up a lamb feast. But instead of cooking it whole, they had Mr. Lopes butcher it to show off two Easter favorites — borrego assado (roasted legs of spring lamb) and guisado de borrego (lamb stew). The scene, as Mrs. Araujo described it, was typically Portuguese: “loud and fast.”
“Everything is better with olive oil!” Mrs. Alexandre shouted as she rubbed some into the lamb legs. Mr. Alexandre countered with voluminous and rapid-fire requests for bowls, pans and cutting boards. Their frantic pas de deux continued, and they dipped and spun to avoid elbows and sharp knives as they whirred garlicky pastes in the food processor, peeled potatoes and dressed the meat. In under 45 minutes, four pans along with a flan were ready for the stove. Ervilhas com ovos, a staple of peas and bacon topped with poached eggs, would be made right before dinner.
Mr. Alexandre is no stranger to the kitchen, as he’s proud to announce, having won several contests at the social club for his folar, a traditional Easter bread that in Trás-os-Montes is stuffed with cured meat.
“I made the mistake of teaching one of the young men from the Azores how to make it,” he said, “and that year he won.” Mr. Alexandre is determined to win back his title this year.
A short time later, half a roast suckling pig from Valença and both lamb dishes were nestled in the center of the table. Potatoes, rice, bread and the egg-topped peas filled the gaps. Around the table sat 10 hungry guests.
Dinner was suddenly interrupted by the bleating of Mr. Alexandre’s cellphone. A Portuguese woman was stranded on the highway and called for a tow. He stood up, popped another chunk of lamb into his mouth, and shrugged on his jacket.
“Got to take care of our own,” he said, heading for the door. “It’s how we survive.”
Lamb Stew
Time: 2 hours, plus at least 2 hours’ marinating
1 6-pound bone-in lamb shoulder; bones removed and cut into 3-inch pieces, rinsed well and reserved, or 3 pounds boneless lamb shoulder (see note)
3 ounces chicken livers
5 garlic cloves, minced
3 bay leaves
1 tablespoon sweet paprika
1 1/2 cups dry white wine
4 tablespoons olive oil, or as needed
Coarse salt
Ground white pepper
1 yellow onion, cut crosswise into thin half-moons
2 cups beef stock
3 sprigs flat-leaf parsley, chopped, more for serving (optional)
Boiled red potatoes, cooked white rice for serving (optional).
1. Cut lamb and chicken livers into 1 1/2-inch chunks, and place in a glass, stainless steel or other nonreactive bowl. Add garlic, bay leaves, paprika, 1/4 cup wine, 2 tablespoons olive oil, 2 teaspoons salt and 1/2 teaspoon white pepper. Mix well. Cover and refrigerate at least 2 hours, preferably overnight.
2. When ready to cook, heat remaining 2 tablespoons olive oil in a large Dutch oven over medium-high heat. When oil shimmers, add bones and sear until well-browned, 7 to 10 minutes. Transfer to a plate. If pan is dry, add a bit more oil. Working in batches, add lamb mixture and sear, turning occasionally, until edged with brown, 6 to 8 minutes. Transfer to a plate.
3. Lower heat to medium, add onion and sauté until limp, about 10 minutes. Add lamb and any juices, the bones, remaining 1 1/4 cups wine, beef stock and parsley. Bring to a boil, reduce heat to low and cover. Simmer, stirring occasionally, until lamb is tender, about 1 1/2 hours; if liquid level becomes low, add water as needed. Season with salt and pepper.
4. Remove and discard bones and bay leaves. If a smooth sauce is desired, transfer lamb to a bowl, cover and keep warm. Strain and discard solids from liquid. To serve, spoon stew into shallow bowls. If desired, accompany with boiled peeled red potatoes or long grain white rice drizzled with olive oil and sprinkled generously with minced parsley.
Yield: 4 to 6 servings.
Note: Ask butcher to bone shoulder, cut bones into pieces and remove excess fat. Three pounds of lamb is needed; if necessary, add boneless shoulder.
Peas With Poached Eggs
Time: 20 minutes
6 ounces thick-cut slab bacon, sliced crosswise into 1/4-inch pieces (see note)
1 yellow onion, diced
1 tablespoon white vinegar
4 to 6 large eggs
3 cups (about 1 pound) frozen baby peas, thawed
1 medium tomato, seeded and diced
Coarse salt
Ground white pepper
1 tablespoon minced parsley, for garnish.
1. In a large skillet over medium heat, sauté bacon until crispy-chewy, about 5 minutes. Using a slotted spoon, transfer to paper towels. Reduce heat to low and add onion to skillet. Sauté in bacon fat until golden brown, about 10 minutes.
2. Meanwhile, fill a deep skillet with 3 inches water and add vinegar. Place over medium heat and bring to a bare simmer. Break an egg into a 1/3-cup measuring cup and gently tip into water. Repeat with remaining eggs. Poach to taste, 3 to 4 minutes. Remove with a slotted spoon, transfer to a plate and trim neatly. Cover and keep warm.
3. Add peas to skillet with onions and toss until warmed. Add tomato and bacon bits, and season with salt and pepper.
4. To serve, transfer pea mixture to a warmed serving bowl. Make an indentation in peas for each egg, nestle in eggs and sprinkle with parsley. Instruct guests to scoop peas onto their plates and crown with an egg.
Yield: 4 to 6 servings.
Note: For a smokier flavor, reduce the amount of bacon to 3 ounces and add 3 ounces diced chouriço.
Flan With Tea
Time: 1 1/2 to 2 hours, plus 3 hours’ chilling
2 cups whole milk
2 tablespoons strong-flavored tea leaves, like Lapsang souchong
2 cups sugar
6 large eggs, at room temperature
1 large egg yolk, at room temperature.
1. Heat oven to 325 degrees. Fill a kettle of water to bring to a boil. In a small saucepan, combine milk and tea leaves. Place over medium-low heat and bring to a bare simmer; remove from heat and allow to steep until deeply infused, about 10 minutes. Strain into a bowl, discard solids, and allow to cool until just warm.
2. In a small saucepan, combine 1 cup sugar and 2 tablespoons water. Place over medium heat without stirring until sugar melts and begins to take on a bit of color. Do not stir; instead, swirl pan occasionally. Continue to cook until mixture is dark maple-syrup brown and has an aroma of caramel, 10 to 15 minutes. Carefully pour into a 1 1/2-quart flan mold or metal baking dish (such as an 8-inch square baking pan), tilting pan to coat sides and bottom. Set aside.
3. In a mixing bowl, combine eggs, yolk and remaining 1 cup sugar. Stir until sugar is dissolved, about 3 minutes. Slowly stir in the milk mixture until blended. Pour into flan mold, and set mold in a small roasting pan. Place in oven and pour enough boiling water into roasting pan to come halfway up mold.
4. Bake flan until set around edges but slightly jiggly in middle, 45 minutes to 1 hour 15 minutes, depending on oven, and size and depth of mold. Remove from water bath and place on a work surface to cool to room temperature. Refrigerate until well chilled, about 3 hours.
5. To serve, run a sharp knife around inside edge of pan. Place a deep plate on top and flip. Remove mold, and serve.
Yield: 8 servings.
2009/04/09
A última carta
Recebi muitas cartas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, quase sempre a anunciarem o pagamento de mais um mês de bolsa. Este mês recebi a última. A anunciar o contrário: descontaram o cheque de 1495 euros que eu lhes passei pelo mês de bolsa que me tinham pago a mais.
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2009/04/08
"Newton às voltas no caixão"?
"Lá na Abadia de Westminster, Newton deve andar às voltas no caixão", dizia a minha (excelente, e portista) professora de Física do 12º ano sempre que alguém cometia um erro.
Parece que o FC Porto invocou Newton para contestar a punição a Lisandro Lopéz (talvez alguém tenha sido aluno dela na SAD portista). Pelo que eu vejo no vídeo citado por Carlos Fiolhais, porém, a decisão do árbitro durante o jogo, a avaliação da causalidade daquela queda, é que deve ter deixado Newton às voltas no colchão. Entretanto parabéns pelo empate de ontem em Manchester, e boa sorte na Liga dos Campeões.
Parece que o FC Porto invocou Newton para contestar a punição a Lisandro Lopéz (talvez alguém tenha sido aluno dela na SAD portista). Pelo que eu vejo no vídeo citado por Carlos Fiolhais, porém, a decisão do árbitro durante o jogo, a avaliação da causalidade daquela queda, é que deve ter deixado Newton às voltas no colchão. Entretanto parabéns pelo empate de ontem em Manchester, e boa sorte na Liga dos Campeões.
2009/04/07
Actualização dos montantes das bolsas de investigação
O governo criou novas oportunidades de trabalho para bolseiros de investigação científica, com contrato (eu sou um dos beneficiados, bem como a maioria dos meus colegas). Mas não melhorou em nada o estatuto do bolseiro de investigação científica, para os bolseiros que continuam nesta situação. E há muito a melhorar para estes profissionais ultra-precários e sem regalias (eu era um até há meses), como bem denuncia a ABIC. Assinem esta petição.
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Universidade
2009/04/06
Sócrates perdeu o tino
Confundir uma coluna de opinião do João Miguel Tavares (com quem me solidarizo totalmente) com o "Jornal de Sexta" da TVI e a Manuela Moura Guedes revela total desorientação. Assim não vai longe.
2009/04/03
Névoa fora da Braval
Francisco Louçã em pessoa acabou de me entregar na Avenida Central de Braga um panfleto com um apelo a esta petição. Assinem!
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Esquerda
2009/04/02
Ponte das Barcas, 200 anos depois
Não me lembro de ter estudado a tragédia da Ponte das Barcas em nenhuma disciplina de História. A verdade - tenho que o admitir - é que se até à semana passada me perguntassem o que tinha sido a tragédia da Ponte das Barcas, não saberia responder ao certo. É provável que o episódio venha referido no livro Uma Aventura no Porto, que eu devo ter lido há 20 anos. Talvez me lembrasse de um acidente na fuga às tropas de Soult, mas não imaginava que tivesse tido a dimensão que teve.
Ora isto é muito grave. A tragédia da Ponte das Barcas, como o Pogrom de Lisboa de 1506, sendo duas tragédias bem distintas na sua natureza, são episódios importantíssimos da História de Portugal, que não podemos ignorar. No caso da Ponte das Barcas, em termos absolutos - mais de 4000 mortes - é uma tragédia bem maior que o 11 de Setembro de 2001. Para não falar em termos relativos: o Porto não é a Nova Iorque de hoje, e muito menos o era há 200 anos. 4000 pessoas representavam muito mais para o Porto daquela altura do que para a Nova Iorque de hoje. Bem sei que - com respeito por todos os mortos - o que tornou o 11 de Setembro horrendo foi o acto em si, mais do que o número de mortos. Mas justamente por isso, o que impressiona na Ponte das Barcas é a dimensão da tragédia. Tal como Leiria (como eu referi há três meses), depois das invasões napoleónicas o Porto não era a mesma cidade de antes. A principal lição histórica é esta, e eu não creio que seja bem aprendida.
Ora isto é muito grave. A tragédia da Ponte das Barcas, como o Pogrom de Lisboa de 1506, sendo duas tragédias bem distintas na sua natureza, são episódios importantíssimos da História de Portugal, que não podemos ignorar. No caso da Ponte das Barcas, em termos absolutos - mais de 4000 mortes - é uma tragédia bem maior que o 11 de Setembro de 2001. Para não falar em termos relativos: o Porto não é a Nova Iorque de hoje, e muito menos o era há 200 anos. 4000 pessoas representavam muito mais para o Porto daquela altura do que para a Nova Iorque de hoje. Bem sei que - com respeito por todos os mortos - o que tornou o 11 de Setembro horrendo foi o acto em si, mais do que o número de mortos. Mas justamente por isso, o que impressiona na Ponte das Barcas é a dimensão da tragédia. Tal como Leiria (como eu referi há três meses), depois das invasões napoleónicas o Porto não era a mesma cidade de antes. A principal lição histórica é esta, e eu não creio que seja bem aprendida.
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Portugal
2009/04/01
"Concerto a la carte"
Monólogo de Franz-Xaver Kroetz com Ana Bustorff. Em cena no Teatro Circo em Braga até sexta feira e, depois, noutras cidades do país. Eu fui ver e gostei.
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Cultura
2009/03/30
O futuro campeão mundial de Fórmula 1
Ross Brawn é o Mourinho da Fórmula 1: o "treinador" torna-se mais importante que os "jogadores". Já "deu" os sete títulos a Michael Schumacher. Alguém duvida que, nas suas funções, é o melhor?
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Fórmula 1
2009/03/28
BdE - Blogue de Esquerda (III)
José Mário Silva. Luís Rainha. Mesmo sendo um blogue da revista Sábado, é impossível eu (e quem o leu) não se recordar do blogue onde eu verdadeiramente descobri a blogosfera. Da minha primeira experiência num blogue de larga audiência. Do local onde bloguei com mais amor à arte e à camisola e onde blogar me deu mais gozo.
O Luís Rainha continua em forma:
O Luís Rainha continua em forma:
Foi delicioso ver Fernando Rosas a comentar na TV o caso da investigadora da Universidade Nova que não conseguiu vender a sua patente de transístores em papel a empresas portuguesas. Entusiasmado com a invenção, o historiador – que não sei se saberá o que é um transístor – até exprimiu a sua pena de que não fosse uma empresa como a Renova a explorar o revolucionário dispositivo. Imaginem as possibilidades: papel higiénico com música, rolos de cozinha capazes de enviar emails...A ele e aos outros (o Vasco Barreto e a Ana Leonardo) eu desejo todas as felicidades e boas postagens. Façam o que sempre fizeram e já será muito bom.
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Blogues
2009/03/26
Os Pintos e a "pintada" do Pedro Silva
Sá Pinto e João Pinto defendem a atitude do Pedro Silva. Nada de especial (eu também defendo o Pedro Silva). Mas tendo em conta o historial dos dois jogadores citados (dois excelentes profissionais de futebol), outra posição da sua parte é que seria de admirar, não é? Não acredito que não haja outros jogadores a defenderem o Pedro Silva.
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Sporting
2009/03/25
Sobre as declarações do Papa

Há simplesmente que reconhecer que, tratando-se de sexualidade, o Papa não sabe do que está a falar.
Fotografia roubada ao Rui Curado Silva
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Religião
2009/03/24
2009/03/23
As casas da minha grande indecisão
Vou explicar-vos as diferenças entre elas (para além do preço). Se me puderem ajudar com sugestões agradeço.
A mais barata tem 20 anos, a mais cara tem 14.
Ambas têm garagem individual fechada. Em termos de localização, ambas são bem localizadas, na mesma rua (uma rua principal de Braga), uma de frente para a outra. Uma é um sexto, outra é um sétimo andar.
A mais barata tem despensa e áreas (ligeiramente) melhores. Tem duas frentes com duas excelentes varandas. A mais cara não tem despensa. Tem uma boa varanda.
A mais cara tem arrecadação, lareira na sala, uma segunda casa de banho (sanita e lavatório), vidros duplos, gás canalizado. A mais barata não tem nada disto (nem gás canalizado).
A mais barata tem duas frentes (nascente/poente). A mais cara tem uma só frente (nascente), mas muito boas janelas, a toda a largura das divisões, o que lhe dá boa iluminação.
A mais barata tem soalho de corticite nos quartos (teria que pôr flutuante - é barato de pôr). A mais cara tem parquet.
A mais barata precisa de ser pintada (portas envernizadas incluídas), o que também não é caro. A mais cara tem a pintura em bom estado.
A mais barata precisa também de envernizamento e pequenos restauros dos móveis da cozinha, que de resto é uma cozinha mais antiga (mas grande). A mais cara tem a cozinha impecável (embora um pouco pequena).
Ambas têm canos de origem. A mais barata tem canalização de ferro (com 20 anos). No prédio dizem-me que os canos nunca deram problemas nenhuns, mas estes estão parados há uns meses, o que aumenta o risco de oxidação...). É este o meu principal medo. A mais cara também tem os canos parados há uns meses, mas a canalização é de cobre.
A mais cara tem umas placas exteriores (na fachada, mesmo por cima) partidas. É da responsabilidade do condomínio. Espero que não dê origem a infiltrações.
A diferença de preços entre ambas é de cerca de 16000 euros. Será que todas as vantagens da mais cara que eu referi valem esse dinheiro? Reparem que em Braga tudo é mais barato (as casas e a mão de obra de trabalhos, e se calhar mesmo os materiais). Comparem a devida proporção entre os preços, e não nos padrões de Lisboa (onde nem o dobro do dinheiro compraria ambas as casas).
O que dizem disto aqueles de vós atentos ao mercado imobiliário? Agradeço sugestões pertinentes nos próximos dias. Obrigado.
A mais barata tem 20 anos, a mais cara tem 14.
Ambas têm garagem individual fechada. Em termos de localização, ambas são bem localizadas, na mesma rua (uma rua principal de Braga), uma de frente para a outra. Uma é um sexto, outra é um sétimo andar.
A mais barata tem despensa e áreas (ligeiramente) melhores. Tem duas frentes com duas excelentes varandas. A mais cara não tem despensa. Tem uma boa varanda.
A mais cara tem arrecadação, lareira na sala, uma segunda casa de banho (sanita e lavatório), vidros duplos, gás canalizado. A mais barata não tem nada disto (nem gás canalizado).
A mais barata tem duas frentes (nascente/poente). A mais cara tem uma só frente (nascente), mas muito boas janelas, a toda a largura das divisões, o que lhe dá boa iluminação.
A mais barata tem soalho de corticite nos quartos (teria que pôr flutuante - é barato de pôr). A mais cara tem parquet.
A mais barata precisa de ser pintada (portas envernizadas incluídas), o que também não é caro. A mais cara tem a pintura em bom estado.
A mais barata precisa também de envernizamento e pequenos restauros dos móveis da cozinha, que de resto é uma cozinha mais antiga (mas grande). A mais cara tem a cozinha impecável (embora um pouco pequena).
Ambas têm canos de origem. A mais barata tem canalização de ferro (com 20 anos). No prédio dizem-me que os canos nunca deram problemas nenhuns, mas estes estão parados há uns meses, o que aumenta o risco de oxidação...). É este o meu principal medo. A mais cara também tem os canos parados há uns meses, mas a canalização é de cobre.
A mais cara tem umas placas exteriores (na fachada, mesmo por cima) partidas. É da responsabilidade do condomínio. Espero que não dê origem a infiltrações.
A diferença de preços entre ambas é de cerca de 16000 euros. Será que todas as vantagens da mais cara que eu referi valem esse dinheiro? Reparem que em Braga tudo é mais barato (as casas e a mão de obra de trabalhos, e se calhar mesmo os materiais). Comparem a devida proporção entre os preços, e não nos padrões de Lisboa (onde nem o dobro do dinheiro compraria ambas as casas).
O que dizem disto aqueles de vós atentos ao mercado imobiliário? Agradeço sugestões pertinentes nos próximos dias. Obrigado.
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Pessoal
2009/03/20
Ganhou Paris
Não sabia por quem haveria de torcer no confronto entre o Sp. Braga e o Paris St. Germain - afinal, nenhum dos dois clubes é o meu; são apenas os clubes de duas cidades que são (uma é-o agora e a outra sê-lo-á sempre) minhas. A minha preferência pelo Sp. Braga para este encontro tinha mais a ver com ser bom para o futebol português. Ganhou o Paris St. Germain e aqui em Braga ficaram todos cabisbaixos. O que aborrece é que em Paris ninguém ficou alegre: ficou tudo indiferente.
2009/03/18
Os ovos da galinha dos Saltimbancos
No espectáculo de que aqui falei, uma fábula protagonizada por animais, existe um burro, um cão, uma gata e uma galinha. Esta última a certa altura larga uns "ovos" que, na encenação da Seiva Trupe, são umas bolas de ping-pong da Sport Zone (nem mais nem menos).
No final da peça, decidi pegar numa delas para levar para casa (eu tinha assistido à peça na primeira fila). Foi o suficiente para que várias crianças, guiadas pelo meu mau exemplo, quisessem levar igualmente uma bola para casa, no que eram contrariadas pelas mães: "Para que é que tu queres uma bola? Eles precisam das bolas. Não estão aqui para nós as levarmos".
A questão é que as crianças queriam uma bola de ping-pong. Eu queria trazer (e trouxe, e guardei) um "ovo" da peça. Como explicar a diferença às crianças? Nem sei se as mães se aperceberam.
No final da peça, decidi pegar numa delas para levar para casa (eu tinha assistido à peça na primeira fila). Foi o suficiente para que várias crianças, guiadas pelo meu mau exemplo, quisessem levar igualmente uma bola para casa, no que eram contrariadas pelas mães: "Para que é que tu queres uma bola? Eles precisam das bolas. Não estão aqui para nós as levarmos".
A questão é que as crianças queriam uma bola de ping-pong. Eu queria trazer (e trouxe, e guardei) um "ovo" da peça. Como explicar a diferença às crianças? Nem sei se as mães se aperceberam.
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Pessoal
2009/03/17
So long, Conan
Como qualquer pessoa que siga o programa (eu via-o para aí desde 1999, com um interregno enquanto vivia em França), tenho pena da saída de Conan O'Brien do Late Night e estou apreensivo com a sua transferência para o Tonight Show. Este último é o principal palco da TV americana, o único programa ao vivo a receber um presidente (já esta semana). É sem dúvida uma promoção para o Conan. Mas é em Los Angeles, e o Conan, um bostoniano de ascendência irlandesa, tornou-se um ícone de Nova Iorque. E o Tonight Show é um programa muito mais institucional, e é provável que continue a sê-lo. O que implica que o Conan iconoclasta que nos habituámos ao longo dos anos acabou. A partir do outono cá estaremos para ver. Espero que me engane. Entretanto o último Late Night é transmitido hoje na SIC Radical, tendo o penúltimo (com Jerry Seinfeld) sido transmitido ontem.
2009/03/16
Os Saltimbancos

Disse-me o meu antigo companheiro de blogue, mal acabámos de jantar: “Bom concerto!” “Mas não vou ver um concerto: é uma peça de teatro”, disse-lhe eu. Ele tinha razão, no entanto: o que mais me atraía no espectáculo eram as músicas de Chico Buarque e Sérgio Badotti. Era ver o conto dos irmãos Grimm a acabar ao som de “Tanto Mar”. Mas a peça era engraçada, bem encenada e os actores eram bons. Só até dia 18 no Teatro do Campo Alegre, no Porto (Seiva Trupe). De seguida percorre algumas outras cidades em digressão. Recomendo.
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Chico Buarque,
Cultura,
LEFT
2009/03/14
Resumo da sexta-feira 13
Comprei uma bicicleta espectacular (a sério). O pedal partiu-se a meio da primeira viagem, entre o Continente de Braga e a minha casa.
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Continente,
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Transportes
2009/03/12
Ainda o Sporting - Bayern Munique
Há duas semanas, convenci-me da superioridade do Bayern, mas andava a dizer que números tão dilatados sucediam uma vez e eram um exagero. O que mais dói é ter concluído, quinze dias depois, que tais números não sucediam só uma vez e nem eram um exagero.
Salve-se o Derlei, a pensar já no próximo jogo e a não atirar a toalha ao chão. O Derlei deveria ser treinador do Sporting um dia.
Salve-se o Derlei, a pensar já no próximo jogo e a não atirar a toalha ao chão. O Derlei deveria ser treinador do Sporting um dia.
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Sporting
2009/03/11
16-1
É o recorde de uma goleada nas competições europeias, e pertence ao Sporting. Foi contra o Apoel de Chipre na época de 1963/64. Em Chipre o Sporting ganhou 2-0, pelo que a eliminatória ficou por uns esclarecedores 18-1 para o Sporting. Achei que seria bom recordar hoje tal facto.
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Sporting
2009/03/10
O mundo é simples: os judeus não conhecem limites
Com toda a sinceridade: quando li no Público de há uma semana uma matéria sobre o queijo da serra kosher, duvidei da sua relevância. Não do queijo kosher e dos seus fabricantes, a quem felicito pela iniciativa de divulgar o que de melhor há em Portugal por outras comunidades e desejo as maiores felicidades. Mas a relevância da notícia em si. O Público interessa-se pelo queijo kosher mas nunca se interessou pelo peixe congelado “Gonsalves” (assim com “s” para os americanos pronunciarem bem) vindo de Peniche, que eu comprava nos EUA. Da mesma forma também nunca se interessou pela comida das comunidades imigrantes em Portugal – já há lojas especializadas em produtos da Europa de leste, pelo menos em Lisboa, bem como da China e da Índia ou do Brasil ou África. Mas não é de se estranhar: afinal trata-se do mesmo jornal que conta entre os seus colunistas (para defender incondicionalmente Israel) com Esther Mucznik, representante de uma confissão religiosa ultraminoritária em Portugal, mas nem um único negro.
Foi por esse critério do Público que eu achei natural a referência ao queijo kosher. Mas qual não é o meu espanto quando descubro que há quem ache que tal artigo não é propaganda (gratuita) suficiente, e depois de tudo o que eu disse ainda consegue encontrar nele… anti-semitismo! Um gajo qualquer decide fabricar queijo kosher para exportação; o Público dedica duas páginas a tão importante e relevante matéria e ainda é anti-semita! Sinceramente tal blogue, em vez de “Boina Frígia”, deveria chamar-se “kippah”. Dá má fama à República – republicanos são estes. Mas nem se pense que isto tem algo a ver com república ou monarquia – o blogue onde encontrei a referência a tal texto até tem autores com fama de terem simpatias monárquicas. Não sei se tal é o caso de Henrique Burnay. Burnay não é nome de banqueiro? Pois… bem me queria parecer. Não há paciência para esta gente. Eu, pelo menos, não tenho.
Foi por esse critério do Público que eu achei natural a referência ao queijo kosher. Mas qual não é o meu espanto quando descubro que há quem ache que tal artigo não é propaganda (gratuita) suficiente, e depois de tudo o que eu disse ainda consegue encontrar nele… anti-semitismo! Um gajo qualquer decide fabricar queijo kosher para exportação; o Público dedica duas páginas a tão importante e relevante matéria e ainda é anti-semita! Sinceramente tal blogue, em vez de “Boina Frígia”, deveria chamar-se “kippah”. Dá má fama à República – republicanos são estes. Mas nem se pense que isto tem algo a ver com república ou monarquia – o blogue onde encontrei a referência a tal texto até tem autores com fama de terem simpatias monárquicas. Não sei se tal é o caso de Henrique Burnay. Burnay não é nome de banqueiro? Pois… bem me queria parecer. Não há paciência para esta gente. Eu, pelo menos, não tenho.
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Religião
2009/03/09
No dia delas, referência a uma mulher especial
Prestei um depoimento à Sábado a pedido da jornalista que queria fazer um perfil da Fernanda Câncio. Confesso que estava cheio de receio que me deturpassem as palavras ou mudassem o seu sentido – nunca se sabe… Lido o que foi publicado e que me diga respeito (é só isso a que me refiro), é com alívio que verifico que a única incorrecção foi referirem-me no texto (não no contacto pessoal - mas os depoimentos têm destas coisas) como um “adversário” da Fernanda (sem nunca mencionarem que até partilhávamos um blogue até há uns meses atrás). Se o mundo se resumisse ao aluguer de casas e a certos aspectos da política internacional (guerra do Iraque e tal), aí sim, a Fernanda seria minha “adversária”. Como há (felizmente) muito mais causas, eu não considero meus adversários nem a Fernanda nem a generalidade das pessoas de esquerda (exceptuando certos malucos). E estou certo de que a Fernanda sabe disso, pelo que o erro na Sábado não é importante.
2009/03/08
Dia da Mulher 2009 – como cozinhar massas
É uma tradição minha publicar uma receita no Dia da Mulher. Desta vez, porém, vou publicar um interessantíssimo artigo de Harold McGee no The New York Times do passado dia 24 de Fevereiro. É curioso ver que McGee, que tem alguma formação científica, cozinha a massa tal e qual como eu: com um mínimo de água e colocando-a originalmente em água fria, para poupar energia, e aproveitando a deliciosa goma resultante. Recomendo a todos. E bom dia da mulher!
February 25, 2009
The Curious Cook
How Much Water Does Pasta Really Need?
By HAROLD McGEE
SOME time ago, as I emptied a big pot of pasta water into the sink and waited for the fog to lift from my glasses, a simple question occurred to me. Why boil so much more water than pasta actually absorbs, only to pour it down the drain? Couldn’t we cook pasta just as well with much less water and energy? Another question quickly followed: if we could, what would the defenders of Italian tradition say?
After some experiments, I’ve found that we can indeed make pasta in just a few cups of water and save a good deal of energy. Not that much in your kitchen or mine — just the amount needed to keep a burner on high for a few more minutes. But Americans cook something like a billion pounds of pasta a year, so those minutes could add up.
My rough figuring indicates an energy savings at the stove top of several trillion B.T.U.s. At the power plant, that would mean saving 250,000 to 500,000 barrels of oil, or $10 million to $20 million at current prices. Significant numbers, though these days they sound like small drops in a very large pot.
The standard method for cooking pasta, found in Italian cookbooks and on pasta packages, is to heat to a rolling boil 4 to 6 quarts of well-salted water per pound of pasta. The usual rationales are that abundant water quickly recovers the boil when the pasta is added, gives the noodles room so that they don’t stick to one another, and dilutes the starch they release, so they don’t end up with a “gluey” surface.
To see which of these factors are really significant, I put a pound of spaghetti into a pot, added just 2 quarts of cold water and 2 teaspoons salt and turned on the heat. The water took about 8 minutes to reach the boil, during which I had to push the noodles around occasionally to keep them from sticking. They took another 10 minutes to cook through.
When I drained the pasta, it had the texture and saltiness I expected, seemed about as sticky as usual, and when tossed with a little oil, seemed perfectly normal.
So I tried reducing the water even further, to 1 1/2 quarts. I had to stir often because that’s not quite enough to keep all the pasta immersed all the time, but again the spaghetti came out fine.
Why can pasta cook normally in a small volume of water that starts out cold? Because the noodles absorb water only very slowly at temperatures much below the boil, so little happens to them in the few minutes it takes for the water to heat up. And no matter how starchy the cooking water is, the solid noodle surfaces themselves are starchier, and will be sticky until they’re lubricated by sauce or oil.
I described my method in e-mail messages to two of this country’s best-known advocates of Italian cuisine. Lidia Bastianich told me: “My grandmother would have thought of the idea surely as blasphemous. I think it is curious.” And Marcella Hazan said, “I am a very curious person, and I’m glad people are exploring new ways.” Both of them gave it a try.
Ms. Bastianich responded with a controlled experiment. She started spaghettini in pots of cold water and boiling water (4 quarts each instead of her usual 6) side by side and found the cold-water version lacking in the gradation of texture she looks for. As for the flavor, she said “I felt that the cold-water pasta had lost some of the nutty flavor of a good semolina pasta cooked properly.”
Ms. Bastianich agreed that using less water is O.K. “Yes, I think it’s doable to reduce the cooking water by one third,” from 6 quarts per pound to 4. “But please ‘butta la pasta’ in boiling water.”
Ms. Hazan tried starting a batch of shell pasta in a somewhat reduced amount of cold water, and found that it needed constant stirring to avoid sticking. “Maybe you save heat energy, but you also have to work a lot harder,” she told me in a follow-up call. “It’s not so convenient. I don’t know if I would cook pasta this way.”
Heartened by the experts’ willingness to experiment, I went back to work, this time starting with hot water. I found that it’s possible to butta la pasta in 1 1/2 or 2 quarts of boiling water without having the noodles stick. Short shapes just require occasional stirring. Long strands and ribbons need a quick wetting with cold water just before they go into the pot, then frequent stirring for a minute or two.
Except for capellini, which cooks too quickly, I find that both the cold and hot versions of the minimal-water method work well with the common shapes I’ve tried, with whole wheat pasta, and even fresh pasta, as long as any surface flour is rinsed off first.
I prefer starting with cold water, because the noodles don’t stick together at all as they go into the pot, and because I don’t notice a difference in flavor once they’re drained and sauced. It’s true, though, that no matter what temperature you start with, this method requires more attention. That’s a disadvantage when you’re cooking several things at once.
If you cook pasta often, try experimenting with different starting temperatures and amounts of water. You can even cook pasta in the manner of a risotto, adding the liquid in small doses and stirring constantly. Be sure to use a pot broad enough for the noodles to lie flat on the bottom, and to reduce the salt for smaller volumes of water.
There’s one other dividend to cooking pasta in minimal water that I hadn’t anticipated: the leftover pasta water. It’s thick, but you can still easily ladle it out by tilting the pan. And it’s very pleasant tasting: not too salty, lots of body, and lots of semolina flavor. Whole-wheat pasta water is surprisingly delicious.
Italian recipes often suggest adding pasta water to adjust the consistency of a sauce, but this thick water is almost a sauce in itself. When I anointed a batch of spaghetti with olive oil and then tossed it with a couple of ladles-full, the oil dispersed into tiny droplets in the liquid, and the oily coating became an especially creamy one.
Restaurant cooks prize thick pasta water. In “Heat,” his best-selling account of working in Mario Batali’s restaurant Babbo, Bill Buford describes how in the course of an evening, water in the pasta cooker goes from clear to cloudy to muddy, a stage that is “yucky-sounding but wonderful,” because the water “behaves like a sauce thickener, binding the elements and flavoring the pasta with the flavor of itself.”
Mr. Buford suggests that the muddy pasta water should be bottled and sold, because home cooking never produces anything like it. Cooking one batch of pasta in minimal water can’t smooth out the starch as completely or generate those long-cooked flavors. But it does make pasta water good enough to sip.
2009/03/06
Bicicleta paga, MEC de brinde
O meu apreço por ciclistas é zero. São sugadores de recursos asfaltados que não só não pagam como enervam os automobilistas pagadores, que ziguezagueiam a ver se os conseguem evitar. (Miguel Esteves Cardoso, PÚBLICO, 27-02-2009
O meu apreço por quem escreve estes dislates (e muitos outros, há muitos anos) é zero. É (desde há décadas) um sugador de recursos impressos que não só não paga, como enerva os leitores pagadores, que ziguezagueiam e saltam páginas a ver se conseguem evitar a sua prosa imbecil.
Leitura complementar: De quem me sinto mais longe (política e ideologicamente) na República Portuguesa; Ó MEC, fale por si; A cepa torta do MEC; 48 anos de cepa torta; finalmente, Obsessões, pelo indispensável João Branco.
2009/03/05
Carnaval de Canelas - os vídeos
Para quem lá não pôde estar. E para o ano há mais!
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Aveiro
2009/03/04
Carnaval de Canelas - as urgências

Deixo-vos com algumas fotos do "Carnaval Trapalhão" da aldeia dos meus avós, no concelho de Estarreja. Este Carnaval cada vez atrai mais forasteiros à aldeia. Na foto podem ver as "urgências", desde que a urgência do Hospital Visconde de Salreu, em Estarreja, fechou.
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Aveiro
2009/03/03
Carnaval de Ovar 2009
Este ano o Carnaval não foi tão cedo (comparado com o ano passado, que foi em plena época de exames académicos). Como resultado, a noite de segunda para terça feira do Carnaval de Ovar tornou-se uma concentração de estudantes (de várias nacionalidades) das Universidades de Aveiro e do Porto, que enchiam até transbordar os comboios suburbanos (serviço reforçado) que a CP efectuou entre Aveiro e Ermesinde nessa noite, em busca de uma festa (com muito álcool) antes do início do novo semestre. Mal se viam carros alegóricos; não se viu um único trio eléctrico (ao contrário do ano passado, onde os havia muito bons); não se ouviu um único samba. Pelo contrário: a noite toda ouviu-se música "académica" (Quim Barreiros e Emanuel). A única diferença entre uma qualquer queima das fitas e aquela triste noite ovarense foi que os estudantes, em vez de se mascararem de urubus (com os habituais "trajes académicos"), usavam máscaras de Carnaval. Pode ser que assim o Carnaval de Ovar tenha mais viabilidade económica, só que de Carnaval aquela noite não tinha nada.
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Noite de dérbi
Não, não me refiro ao Benfica-Sporting: refiro-me ao Braga-Guimarães (assim, sem "Sporting" nem "Vitória"), o dérbi minhoto. Em termos de ambiente não é muito diferente do lisboeta. Quando regressava a casa da universidade, após o fim do jogo, dois autocarros com adeptos vimaranenses passaram por mim. Gritavam "Filhos da puta!". Os adeptos bracarenses respondiam-lhes. Um senhor ao meu lado gritava-lhes "e se fossem à merda?". Confesso que ignorava que esta rivalidade fosse tão profunda. Julgava que só fosse assim em Lisboa. O Minho, que tanto se queixa das desigualdades em relação a Lisboa, bem poderia dispensar esta semelhança neste caso. Em ambos os casos (Lisboa e Minho), estas mesmas pessoas que se insultam no dia a seguir vão trabalhar umas com as outras nos mesmos empregos, encontrar-se nas compras nas mesmas lojas ou estudar nas mesmas escolas. Este comportamento faz algum sentido?
2009/03/01
Estatísticas de três anos
De acordo com o sitemeter, 125143 visitas, 156542 carregamentos de página.
De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 129699 visitas, 64,3% das quais de Portugal, 16,3% do Brasil, 4,2% de França, 2,9% dos EUA, 2,5% do Reino Unido, 1,8% da Suíça, 1,7% da Alemanha, 1,2% da Espanha, 0,8% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,7% de outros países. 15,6% à segunda, 16,0% à terça, 16,1% à quarta, 15,9% à quinta, 14,6% à sexta, 10,7% ao sábado e 11,1% ao domingo.
Muito obrigado a quem vai por aqui passando.
De acordo com o motigo (não muito apreciado por alguns leitores...), 129699 visitas, 64,3% das quais de Portugal, 16,3% do Brasil, 4,2% de França, 2,9% dos EUA, 2,5% do Reino Unido, 1,8% da Suíça, 1,7% da Alemanha, 1,2% da Espanha, 0,8% da Holanda, 0,5% da Bélgica e 3,7% de outros países. 15,6% à segunda, 16,0% à terça, 16,1% à quarta, 15,9% à quinta, 14,6% à sexta, 10,7% ao sábado e 11,1% ao domingo.
Muito obrigado a quem vai por aqui passando.
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O Avesso do Avesso – três anos num computador perto de si
Tudo começou numa quarta feira de Cinzas. Ainda esta semana, por falar nisso, clocarei aqui imagens do meu Carnaval. Entretanto obrigado a todos os leitores pela preferência.
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Pessoal
2009/02/27
2009/02/26
Foi mesmo assim

Os gigantes de Munique fizeram aquilo que sabem, fizeram sete remates à baliza e colheram cinco golos – quatro na segunda parte. E o Sporting também fez aquilo que sabe, que não é muito nesta competição: em 12, apenas um incomodou Rensing, resultando em zero golos. E essa é a grande diferença entre os dois emblemas.
Foi a pior derrota caseira em toda a história do Sporting (eram os 6-3 com o Benfica). Espero que esta derrota não tenha consequências como teve, por exemplo, a de 7-0 do Benfica em Vigo há dez anos.
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Sporting
2009/02/25
Em Braga, indecências nem no Carnaval

Passei o Carnaval como de costume no distrito de Aveiro (reportagem fotográfica no fim de semana!). Quando vi o telejornal à noite e ouvi este caso, nem queria acreditar. Faço minhas as palavras do Pedro Morgado: "Para lá do evidente moralismo, esta afirmação abre mais um precedente gravíssimo. Nem quero imaginar o que sucederia se estivesse nas mãos da PSP decidir o que deve e o que não deve ser exposto numa Feira do Livro..." Felizmente o Ministério da Administração Interna já condenou a medida...
(Ilustração roubada ao Pedro Vieira)
2009/02/23
2009/02/22
Hoje soube-me a pouco
Depois do dérbi desta noite o Sporting é provisoriamente terceiro, mas poderia (e deveria) perfeitamente ser segundo. Esperemos que os golos que ficaram por marcar não venham a fazer falta. Dos que foram marcados, destaque para os do levezinho, claro.
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Sporting
2009/02/20
Vera Fisher
Já foi a mulher mais desejada do Brasil. Agora ainda é bonita, e ouve conselhos que o João Branco também deveria ouvir (ver entre os minutos 6:44 e 7:22).
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Liberdade
2009/02/19
2009/02/17
2009/02/16
Grandes marcas com quanto por cento de desconto? (2)

Na sequência deste texto de Maio, e para que conste.
Refiro-me ao vinho tinto "Mestre Franco Reserva 2007", da Adega Cooperativa de Mourão (Granja-Amareleja).
No Continente, o preço "normal" é 4.99€. Com 50% de "desconto", a "grande promoção" fica em 2.49€.
Em qualquer Minipreço encontra-se o mesmíssimo vinho ao preço regular de 2.39€ (encontra-se também o vinho regional, sem ser reserva, a 1.99€.)
Em Novembro e em Janeiro eu tive cupões ("que complicação!", diria um concorrente de ambas as cadeias) respectivamente de 25% e 20% de desconto, com os quais o preço deste vinho passava a 1.80€ e 1.91€. Mas estes cupões que aparecem de vez em quando nem são o mais relevante. O importante é comparar o preço normal numa outra loja com o preço "de desconto" do Continente.
Não vou voltar a chamar a esta discrepância uma "vigarice". Vigarice, para mim, seria aumentar artificialmente o preço de um artigo para depois o vender, a um preço normal, chamando-lhe "promoção". Nunca tinha visto o vinho "Mestre Franco" no Continente, pelo que não sei se tal é ou não verdade. Interessa somente comparar a política de preços de uma cadeia de lojas com a qual (segundo ela mesmo afirma) "podemos contar".
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Comércio,
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2009/02/13
"Israel ainda pode vir a ser a terra do comunismo"
Um pouco de esperança, apesar dos desoladores resultados das eleições legislativas. Apontamentos interessantes, nomeadamente: um israelita que tenha sido contra a guerra de Gaza não tem muito por onde escolher. Entrevista publicada no Público.
Ele acredita em Mandela, Marx e Moisés
06.02.2009, Alexandra Lucas Coelho, em Telavive
Israel ainda pode vir a ser a terra do comunismo, segundo Dov Hanin. Sim, o comunismo falhou no século XX, mas a lição a tirar não é o capitalismo. Israel nunca esteve tão à direita. Em quem pode votar quem não apoiou a guerra? Num comunista. 85 por cento dos jovens de Telavive queriam-no para presidente da câmara
É uma espécie de senha. Pergunta-se a um israelita jovem, secular, cosmopolita, de esquerda, em quem vai votar e ele responde: Dov Hanin. Pergunta-se a outro - e outro - e outro, quem há de interessante na política israelita, e a resposta é: Dov Hanin.
A quatro dias das eleições, Israel está mais à direita que nunca nas sondagens. O líder da extrema-direita, Avigdor Lieberman, sobe, vai em terceiro lugar à frente dos trabalhistas, e Bibi Netanyahu já disse que, se for mesmo primeiro-ministro, lhe dá um ministério "importante".
A esquerda sente-se deprimida. Os políticos não o dirão, mas nas famílias de esquerda as conversas vão desde votar em Tzipi Livni para derrotar Netanyahu até sair do país. O centro-esquerda tem a opção de votar nos moderados do Meretz, mas isso é para quem apoiou a guerra de Gaza.
Em quem podem votar os israelitas que não apoiaram a guerra de Gaza? Em Dov Hanin.
O mais espantoso - num país tão consumista e americanizado como Israel - é que Dov Hanin é um comunista. Não um ex-comunista, um comunista-comunista.
Mas há três meses, quando se candidatou à Câmara de Telavive, as últimas sondagens deram-lhe nada menos que 85 por cento dos votos na faixa abaixo dos 35 anos - ou seja, a esmagadora maioria da juventude.
Foi com esses votos que Hanin acabou por ter uns notáveis 35 por cento do total dos votos, correndo contra o presidente da câmara, que se recandidatava com o apoio de todos os partidos, incluindo os religiosos.
Esta rara campanha - um comunista de um lado, todos os outros unidos do outro, e o comunista leva mais de um terço - foi "uma manifestação clara" de que há algo de novo na sociedade israelita, resume Dov Hanin, sentado num dos muitos cafés acolhedores de Telavive.
Uma hora depois, despede-se a dizer: "Ainda não verá a nova esquerda nestas eleições. Provavelmente, vai vê-la nas próximas."
Verdes e voluntários
Pai de três filhos, neto de rabinos da Bielorrússia, este advogado de 50 anos tem uma boa amostra do país na sua própria família alargada, "aí umas 150 pessoas", que discutem intensamente. Desde a direita do Likud ao próprio Dov, passando pelos partidos religiosos, há votantes para tudo - menos Lieberman.
A conversa começa com Hanin a oferecer um caderninho reciclado, que no verso é um bloco e no reverso é campanha. "As pessoas podem usá-lo." A mensagem é: não gastar dinheiro em coisas inúteis, até porque não o têm.
"Fizemos a campanha da câmara com o entusiasmo dos jovens. No dia das eleições, tínhamos 2500 voluntários por toda a cidade. Andar por Telavive era uma espécie de revolução. Éramos os únicos na rua. Não tínhamos dinheiro para grandes cartazes, então só fizemos uns anúncios que as pessoas podiam pôr nas varandas, e 3000 varandas em Telavive puseram-nos. Foi espantoso." Cada anúncio, diz, custou "menos de dois dólares".
Entretanto, as mesmas sondagens que lhe davam 85 por cento na faixa "menos de 35 anos" davam-lhe apenas 15 na faixa "acima de 50". "Ensinei Direito e Ciência Política e não conheço paralelo de uma divisão tão grande entre novos e velhos."
Os novos serão os menos ideológicos. Têm menos memória da guerra fria e do comunismo. O que é que Dov Hanin e o seu partido Hadash - que junta árabes e judeus - têm que os atraia?
"Há uma linha em Israel, que é a política de poder. Muita gente acredita nela, até as 'pombas' do Meretz, que apoiaram a guerra de Gaza. Mas quando se usa o poder encontra-se resistência, e usa-se mais poder, e há mais resistência, e do sangue vem mais violência. Esta é a História de Israel." E qual é a alternativa? "Não nos construírmos como uma fortaleza, mas como um lugar que procura uma relação neutra com o mundo árabe."
Dov Hanin não é sionista. Explica o seu não-sionismo assim: "Uma pessoa está a afogar-se no mar. Tem o direito de trepar para cima de um pedaço de madeira com uma pessoa lá em cima? A minha resposta é: sim, absolutamente. Mas tem o direito de deitar ao mar a outra pessoa? A minha resposta é: não, absolutamente. Essa é a diferença entre mim e um sionista."
Não questiona a fundação de Israel: "Os judeus foram vítimas de uma tragédia imensa no século XX. Têm o direito de se autodeterminar. O que não têm é o direito de discriminar os árabes. Portanto, se Estado judaico quer dizer autodeterminação, sim, se quer dizer discriminação nacional, não."
Há quem pense assim e defenda a solução de um único Estado, binacional, com judeus e palestinianos. Mas Hanin acredita em dois Estados. "Esta terra desenvolveu-se historicamente de forma diferente, e é a vontade destas duas nações viver separadamente."
Se fosse primeiro-ministro, "Jerusalém seria dividida em duas capitais". E quanto ao direito de retorno de quase dois milhões de palestinianos refugiados no Líbano, Jordânia e Síria? "Primeiro, reconhecer que têm esse direito. E depois a sua implementação prática tem que ser negociada entre as duas partes."
Estaria disposto a retirar centenas de milhares de colonos da Cisjordânia e Jerusalém-Leste? É possível? "É. Israel aborveu mais de um milhão de pessoas da ex-União Soviética, e muitos nem falavam hebraico. Os colonos ao menos falam hebraico."
Qualquer judeu tem o direito de vir para Israel. É o que se chama fazer aliyah. Dov Hanin manteria isto? "Israel deve continuar aberto a todos os judeus perseguidos por serem judeus."
Corrigir o século XX
Hanin sabe que a sua popularidade não vem de ser comunista, pelo contrário. Há quem o escolha apesar dele ser comunista e há quem o escolheria se ele não fosse um comunista.
"Como é possível votar num comunista em 2009?" é a pergunta de muitos israelitas de esquerda, que até acham Hanin "um homem bom", ou um "homem decente".
"Para mim, o comunismo é a tentativa radical de mudar o mundo", diz Hanin, para começo de resposta. "Vai dizer-me que já foi tentado, e tem razão. Essa tentativa falhou, e foram cometidos vários erros e crimes. O estalinismo foi um erro e criou muitos crimes. O estalinismo foi o maior desastre do comunismo. Muita gente concluiu que a única alternativa era o capitalismo e eu não aceito isso. A verdadeira lição é aprender com o que aconteceu no século XX. Não quero repetir esses erros."
Então, além do conflito israelo-palestiniano, que faria Hanin se fosse primeiro-ministro? "Libertava mais esferas da dominância do mercado. Um sistema em que cada cidadão tivesse direito a segurança social, saúde e educação financiadas pelo Estado." E nacionalizava bancos. "Há dois ou três anos as pessoas achariam isto perigoso, e veja-se o que aconteceu na América e em Inglaterra." A crise mundial, diz, "foi um sinal de como o capitalismo podia falhar".
Defender tudo isto tem um preço: "Agitaram bandeiras a chamar-me anti-sionista e apoiante dos refuseniks, por eu ter sido advogado de refuseniks." Como a esmagadora maioria dos israelitas, Hanin fez o serviço militar (entre 1976 e 1979, uma fase calma), mas recusou servir nos territórios palestinianos. Aqueles que recusam o próprio serviço militar são muito poucos e muito mal-vistos. "O Exército é a instituição mais forte de Israel", resume Hanin.
Exemplo de uma sociedade próxima do seu ideal? Pensa e não acha. "Há exemplos que podemos tirar de uma e de outra." Quais? "A segurança social da Escandinávia. O sistema de saúde em Cuba." Fica por aqui. O que ia buscar à América? "A cultura pop, o movimento antiguerra do Vietname, Martin Luther King." Obama? "Tem potencial. Espero que tenha a coragem de fazer o necessário."
Exemplos de líderes? "Nelson Mandela", responde de imediato. "Um líder da mudança, de uma mudança muito complicada, um homem sensato." Mais? "Karl Marx, claro. O maior pensador de todos, na capacidade de analisar a sociedade." Quando a crise rebentou, muito se disse que Keynes estava actual. "Keynes é um reformador, mas Marx está mais vivo que nunca. O que não terá chorado ou rido nesta crise..." E finalmente? "Moisés, o líder dos escravos, aquele que os levou da escravatura egípcia para o deserto, e nessa viagem longa fez deles um povo muito interessante. Foi um libertador. Pode perguntar-me: acha que Moisés existiu? Não importa. Vive na memória e na tradição das pessoas."
Essas pessoas são Israel, e o que Hanin gostava era que "Israel fosse o lugar de uma ideia para outras sociedades".
Ele acredita em Mandela, Marx e Moisés
06.02.2009, Alexandra Lucas Coelho, em Telavive
Israel ainda pode vir a ser a terra do comunismo, segundo Dov Hanin. Sim, o comunismo falhou no século XX, mas a lição a tirar não é o capitalismo. Israel nunca esteve tão à direita. Em quem pode votar quem não apoiou a guerra? Num comunista. 85 por cento dos jovens de Telavive queriam-no para presidente da câmara
É uma espécie de senha. Pergunta-se a um israelita jovem, secular, cosmopolita, de esquerda, em quem vai votar e ele responde: Dov Hanin. Pergunta-se a outro - e outro - e outro, quem há de interessante na política israelita, e a resposta é: Dov Hanin.
A quatro dias das eleições, Israel está mais à direita que nunca nas sondagens. O líder da extrema-direita, Avigdor Lieberman, sobe, vai em terceiro lugar à frente dos trabalhistas, e Bibi Netanyahu já disse que, se for mesmo primeiro-ministro, lhe dá um ministério "importante".
A esquerda sente-se deprimida. Os políticos não o dirão, mas nas famílias de esquerda as conversas vão desde votar em Tzipi Livni para derrotar Netanyahu até sair do país. O centro-esquerda tem a opção de votar nos moderados do Meretz, mas isso é para quem apoiou a guerra de Gaza.
Em quem podem votar os israelitas que não apoiaram a guerra de Gaza? Em Dov Hanin.
O mais espantoso - num país tão consumista e americanizado como Israel - é que Dov Hanin é um comunista. Não um ex-comunista, um comunista-comunista.
Mas há três meses, quando se candidatou à Câmara de Telavive, as últimas sondagens deram-lhe nada menos que 85 por cento dos votos na faixa abaixo dos 35 anos - ou seja, a esmagadora maioria da juventude.
Foi com esses votos que Hanin acabou por ter uns notáveis 35 por cento do total dos votos, correndo contra o presidente da câmara, que se recandidatava com o apoio de todos os partidos, incluindo os religiosos.
Esta rara campanha - um comunista de um lado, todos os outros unidos do outro, e o comunista leva mais de um terço - foi "uma manifestação clara" de que há algo de novo na sociedade israelita, resume Dov Hanin, sentado num dos muitos cafés acolhedores de Telavive.
Uma hora depois, despede-se a dizer: "Ainda não verá a nova esquerda nestas eleições. Provavelmente, vai vê-la nas próximas."
Verdes e voluntários
Pai de três filhos, neto de rabinos da Bielorrússia, este advogado de 50 anos tem uma boa amostra do país na sua própria família alargada, "aí umas 150 pessoas", que discutem intensamente. Desde a direita do Likud ao próprio Dov, passando pelos partidos religiosos, há votantes para tudo - menos Lieberman.
A conversa começa com Hanin a oferecer um caderninho reciclado, que no verso é um bloco e no reverso é campanha. "As pessoas podem usá-lo." A mensagem é: não gastar dinheiro em coisas inúteis, até porque não o têm.
"Fizemos a campanha da câmara com o entusiasmo dos jovens. No dia das eleições, tínhamos 2500 voluntários por toda a cidade. Andar por Telavive era uma espécie de revolução. Éramos os únicos na rua. Não tínhamos dinheiro para grandes cartazes, então só fizemos uns anúncios que as pessoas podiam pôr nas varandas, e 3000 varandas em Telavive puseram-nos. Foi espantoso." Cada anúncio, diz, custou "menos de dois dólares".
Entretanto, as mesmas sondagens que lhe davam 85 por cento na faixa "menos de 35 anos" davam-lhe apenas 15 na faixa "acima de 50". "Ensinei Direito e Ciência Política e não conheço paralelo de uma divisão tão grande entre novos e velhos."
Os novos serão os menos ideológicos. Têm menos memória da guerra fria e do comunismo. O que é que Dov Hanin e o seu partido Hadash - que junta árabes e judeus - têm que os atraia?
"Há uma linha em Israel, que é a política de poder. Muita gente acredita nela, até as 'pombas' do Meretz, que apoiaram a guerra de Gaza. Mas quando se usa o poder encontra-se resistência, e usa-se mais poder, e há mais resistência, e do sangue vem mais violência. Esta é a História de Israel." E qual é a alternativa? "Não nos construírmos como uma fortaleza, mas como um lugar que procura uma relação neutra com o mundo árabe."
Dov Hanin não é sionista. Explica o seu não-sionismo assim: "Uma pessoa está a afogar-se no mar. Tem o direito de trepar para cima de um pedaço de madeira com uma pessoa lá em cima? A minha resposta é: sim, absolutamente. Mas tem o direito de deitar ao mar a outra pessoa? A minha resposta é: não, absolutamente. Essa é a diferença entre mim e um sionista."
Não questiona a fundação de Israel: "Os judeus foram vítimas de uma tragédia imensa no século XX. Têm o direito de se autodeterminar. O que não têm é o direito de discriminar os árabes. Portanto, se Estado judaico quer dizer autodeterminação, sim, se quer dizer discriminação nacional, não."
Há quem pense assim e defenda a solução de um único Estado, binacional, com judeus e palestinianos. Mas Hanin acredita em dois Estados. "Esta terra desenvolveu-se historicamente de forma diferente, e é a vontade destas duas nações viver separadamente."
Se fosse primeiro-ministro, "Jerusalém seria dividida em duas capitais". E quanto ao direito de retorno de quase dois milhões de palestinianos refugiados no Líbano, Jordânia e Síria? "Primeiro, reconhecer que têm esse direito. E depois a sua implementação prática tem que ser negociada entre as duas partes."
Estaria disposto a retirar centenas de milhares de colonos da Cisjordânia e Jerusalém-Leste? É possível? "É. Israel aborveu mais de um milhão de pessoas da ex-União Soviética, e muitos nem falavam hebraico. Os colonos ao menos falam hebraico."
Qualquer judeu tem o direito de vir para Israel. É o que se chama fazer aliyah. Dov Hanin manteria isto? "Israel deve continuar aberto a todos os judeus perseguidos por serem judeus."
Corrigir o século XX
Hanin sabe que a sua popularidade não vem de ser comunista, pelo contrário. Há quem o escolha apesar dele ser comunista e há quem o escolheria se ele não fosse um comunista.
"Como é possível votar num comunista em 2009?" é a pergunta de muitos israelitas de esquerda, que até acham Hanin "um homem bom", ou um "homem decente".
"Para mim, o comunismo é a tentativa radical de mudar o mundo", diz Hanin, para começo de resposta. "Vai dizer-me que já foi tentado, e tem razão. Essa tentativa falhou, e foram cometidos vários erros e crimes. O estalinismo foi um erro e criou muitos crimes. O estalinismo foi o maior desastre do comunismo. Muita gente concluiu que a única alternativa era o capitalismo e eu não aceito isso. A verdadeira lição é aprender com o que aconteceu no século XX. Não quero repetir esses erros."
Então, além do conflito israelo-palestiniano, que faria Hanin se fosse primeiro-ministro? "Libertava mais esferas da dominância do mercado. Um sistema em que cada cidadão tivesse direito a segurança social, saúde e educação financiadas pelo Estado." E nacionalizava bancos. "Há dois ou três anos as pessoas achariam isto perigoso, e veja-se o que aconteceu na América e em Inglaterra." A crise mundial, diz, "foi um sinal de como o capitalismo podia falhar".
Defender tudo isto tem um preço: "Agitaram bandeiras a chamar-me anti-sionista e apoiante dos refuseniks, por eu ter sido advogado de refuseniks." Como a esmagadora maioria dos israelitas, Hanin fez o serviço militar (entre 1976 e 1979, uma fase calma), mas recusou servir nos territórios palestinianos. Aqueles que recusam o próprio serviço militar são muito poucos e muito mal-vistos. "O Exército é a instituição mais forte de Israel", resume Hanin.
Exemplo de uma sociedade próxima do seu ideal? Pensa e não acha. "Há exemplos que podemos tirar de uma e de outra." Quais? "A segurança social da Escandinávia. O sistema de saúde em Cuba." Fica por aqui. O que ia buscar à América? "A cultura pop, o movimento antiguerra do Vietname, Martin Luther King." Obama? "Tem potencial. Espero que tenha a coragem de fazer o necessário."
Exemplos de líderes? "Nelson Mandela", responde de imediato. "Um líder da mudança, de uma mudança muito complicada, um homem sensato." Mais? "Karl Marx, claro. O maior pensador de todos, na capacidade de analisar a sociedade." Quando a crise rebentou, muito se disse que Keynes estava actual. "Keynes é um reformador, mas Marx está mais vivo que nunca. O que não terá chorado ou rido nesta crise..." E finalmente? "Moisés, o líder dos escravos, aquele que os levou da escravatura egípcia para o deserto, e nessa viagem longa fez deles um povo muito interessante. Foi um libertador. Pode perguntar-me: acha que Moisés existiu? Não importa. Vive na memória e na tradição das pessoas."
Essas pessoas são Israel, e o que Hanin gostava era que "Israel fosse o lugar de uma ideia para outras sociedades".
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2009/02/12
O biólogo evolucionista e o estadista americano
Hoje há dois bicentenários, qualquer um deles muito relevante.
De Charles Darwin muito se fala na blogosfera (e ainda bem). Do que li desejo destacar os textos dos biólogos Vasco Barreto e André Levy.
O outro bicentenário que não deve ser esquecido é uma das figuras políticas que para mim são mais inpiradoras: Abraham Lincoln, o primeiro presidente republicano dos EUA (na época em que o Partido Republicano era o mais à esquerda). Lincoln não recuou nas suas convicções antiesclavagistas, tendo por isso de travar uma guerra. Ganhou-a, soube manter a unidade nacional e – muito mais importante – conseguiu impor os seus ideais progressistas e democráticos, que triunfaram sobre o separatismo esclavagista sulista.
Numa altura em que se volta a falar de regionalização em Portugal, um processo que eu temo que venha a reforçar o poder de caciques reaccionários (não nos basta o da Madeira?) que demagogicamente protestam contra “Lisboa” e o “estado” (como se protesta aqui e aqui), é bom termos Lincoln sempre presente. Para mim, este presidente americano é um exemplo do verdadeiro estadista.
De Charles Darwin muito se fala na blogosfera (e ainda bem). Do que li desejo destacar os textos dos biólogos Vasco Barreto e André Levy.
O outro bicentenário que não deve ser esquecido é uma das figuras políticas que para mim são mais inpiradoras: Abraham Lincoln, o primeiro presidente republicano dos EUA (na época em que o Partido Republicano era o mais à esquerda). Lincoln não recuou nas suas convicções antiesclavagistas, tendo por isso de travar uma guerra. Ganhou-a, soube manter a unidade nacional e – muito mais importante – conseguiu impor os seus ideais progressistas e democráticos, que triunfaram sobre o separatismo esclavagista sulista.
Numa altura em que se volta a falar de regionalização em Portugal, um processo que eu temo que venha a reforçar o poder de caciques reaccionários (não nos basta o da Madeira?) que demagogicamente protestam contra “Lisboa” e o “estado” (como se protesta aqui e aqui), é bom termos Lincoln sempre presente. Para mim, este presidente americano é um exemplo do verdadeiro estadista.
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2009/02/11
"A ascensão da extrema-direita em Israel é alarmante"
A propósito das eleições em Israel, vale a pena recordar uma entrevista de Tom Segev a Alexandra Lucas Coelho no Público. Destaco:
Tom Segev, 64 anos, é um dos mais relevantes e traduzidos historiadores israelitas. Publicou “One Palestine Complete”, “The Seventh Million”, “Elvis in Jerusalem” e “1967”. Acabou de escrever uma biografia de Simon Wiesenthal, o “caçador” de nazis. Esta entrevista foi feita na sua casa de Jerusalém, cheia de livros e com uma velha primeira página de jornal emoldurada. É do dia em que o Estado de Israel foi declarado.
Entre os israelitas, esta guerra parece ter sido a mais popular em anos. É verdade?
Foi definitivamente mais popular que a anterior do Líbano, que não correu bem.
Há quem fale em euforia.
Não foi euforia, mas as pessoas dizem que algo tinha que ser feito contra o Hamas. Temos esta tradição de acreditar que determinamos a política palestiniana bombardeando o Hamas, ou quem não gostamos. E convencemo-nos de que é só uma organização terrorista. Mas é também um movimento político e religioso genuíno.
A tentativa de ditar aos palestinianos os seus líderes não resulta. Estão a disparar rockets até hoje.
O que é que a satisfação quanto à guerra revela sobre o estado da sociedade israelita?
Primeiro, nenhum país pode viver com rockets nas suas cidades. Netanyahu continua a dizer às televisões do mundo, consoante de onde vêem: “Imagine que isto acontecia em Lisboa...”
Com a diferença de que Lisboa não ocupa Espanha.
Mas é verdade que não é possível viver com rockets, sobretudo antes de eleições. Portanto, por várias razões, a sociedade israelita moveu-se para a direita – para a extrema-direita.
Agora temos um partido de extrema-direita muito forte [Yisrael Beytenu, dirigido por Avigdor Lieberman, em terceiro nas sondagens, à frente dos trabalhistas]. É o nosso Haider. O ódio racista agora é legítimo, ele está a legitimá-lo. E não é dirigido contra os palestinianos nos territórios, pior, é dirigido contra palestinianos que são cidadãos israelitas. É xenófobo, é racista. Este é o tipo de partido por causa do qual Israel chamou o seu embaixador na Áustria, quando Haider teve 25 por cento dos votos.
Porque é que é forte? Porque há um sentimento de desespero quanto à paz. A maior parte dos israelitas já não acredita na paz. Dêem-lhes paz, eles ficarão felizes, mas já não acreditam nisso.
Isto é fúria, mas também há um elemento de vingança.
Tendo em conta que não há hipótese de paz, que os palestinianos continuam a disparar rockets, que os governos anteriores falharam, primeiro com a guerra no Líbano, depois com toda a corrupção de Olmert – e este corrupto Olmert, que toda a gente odeia, vem com estranhas declarações sobre como devíamos devolver os territórios –, as pessoas moveram-se para o outro lado. Acho que é natural.
E não nos devemos enganar. Não são só pessoas vindas da Rússia. São também israelitas nascidos aqui. Portanto, ele [Lieberman] está a trazer ao de cima o pior que temos.
Geralmente diz-se que não há nenhuma sociedade democrática sem cerca de cinco por cento de fascistas. Mas este partido é muito mais forte. Acho isso alarmante.
O psiquiatra palestiniano Eyad Sarraj diz que a sociedade israelita está doente.
Não é como se o Hamas fosse um movimento liberal, democrático, aberto... O melhor que se pode dizer é que temos duas sociedades doentes, aqui. O Hamas é apoiado por uma maioria de pessoas em Gaza – porque é que apoiam uma organização tão horrível? Para mim, qualquer sociedade que se desloque em números maciços para a extrema-direita está de alguma forma doente. O fascismo é uma espécie de doença.
O desespero quanto à paz, o sentimento de que a política não serve para nada, e a continuação do terrorismo palestiniano – tudo isto levou a Lieberman.
A guerra em Gaza fortaleceu Lieberman?
Absolutamente. E é também um resultado de Lieberman, porque este é o tipo de pessoas que pressiona o governo, e com a eleição era inevitável que a guerra acontecesse.
Começou quando começou por causa dos rockets, das eleições, de serem os últimos dias de Bush, de ser época de festas, e de os céus estarem azuis, tornando fácil os aviões voarem. Era inevitável.
Não nos levou a lado algum. Não há um cessar-fogo que não pudéssemos ter alcançado antes. E a coisa alarmante é o pouco que os israelitas se estão a importar com a destruição de Gaza.
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2009/02/10
Rescaldo futebolístico do fim de semana
- Destaco a reacção de Jesualdo Ferreira, a afirmar que o FC Porto tinha "perdido dois pontos" depois do empate com o Benfica, arrancado após um penálti claramente inexistente (mas que não mereceu nenhuma referência). É preciso falta de vergonha na cara e falta de respeito pelo Benfica, onde Jesualdo até já trabalhou (e eu nem sou do Benfica).
- Do jogo de Alvalade ainda não vi imagens conclusivas, nomeadamente sobre o terceiro golo. Mas comprova-se uma vez mais que o Sporting é sempre prejudicado. O Braga é roubado perante o Benfica e o FC Porto; não é roubado perante o Sporting porquê? É injusto.
- É nestas alturas que se deve exibir o nosso orgulho. Passeei-me hoje pelo campus de Gualtar, em Braga, com o meu cachecol do Sporting. Muitos sportinguistas vieram ter comigo.
- Arranjem uma playstation ao Pedro Morgado.
2009/02/09
Carmen Miranda
A maior embaixatriz da cultura brasileira faria hoje cem anos.
É originária de Marco de Canaveses, como recorda a canção de David Byrne e Caetano Veloso.
É originária de Marco de Canaveses, como recorda a canção de David Byrne e Caetano Veloso.
2009/02/08
Desidério Murcho, os "pobres", o metro e a escola pública
Na sua habitual linha de pensamento político liberal, Desidério Murcho pergunta quais as vantagens e desvantagens de um imposto único. Tal já havia sido objecto de debate entre o Luís Aguiar Conraria (que, aliás, já tinha apresentado a ideia, e responde a Desidério) e Vital Moreira (que havia respondido à altura por duas vezes). As respostas ao texto de Desidério nos comentários são boas (particularmente a do anónimo Artur), mostrando que, mais do que económica, esta é uma questão política. Mas, lendo os mesmos comentários, reparei num particularmente significativo do próprio Desidério:
Para eu ser “bizarro” para o Desidério, só me falta mesmo ter dois milhões de euros no banco. Mas, portanto, escolhas pessoais como não ter carro e opções cívicas como andar de transporte público são, para Desidério, para “pobres”. (Um rico que as tome é “bizarro”.)
Curiosamente o mesmo Desidério Murcho muito insiste na elevação de conteúdos ensinados na escola pública, insurgindo-se contra o preconceito de considerar que os pobres “não gostam” de ciência, filosofia ou literatura a sério como motivo para “aligeirar” os conteúdos dos programas de ensino. Desidério defende o ensino na escola pública da melhor ciência, da melhor filosofia, da melhor literatura. Para percebermos melhor o conceito de escola pública de Desidério Murcho, convinha que ele respondesse a uma ou duas perguntas, relacionadas com este seu comentário. Um “pobre” que se interesse por ciência ou literatura ou filosofia, é bizarro? Um rico que ande na escola pública, é bizarro? Se Desidério achar que sim, julga que a escola pública é “para pobres”. Se achar que não, não é bizarro, por que raio é que o haveria de ser o andar de metro?
Ter dois milhões de euros no banco e viver em Chelas num apartamento de 20 mil euros, sem carro e andando de metro é algo bizarro, não? Isto devia ser evidente.
Para eu ser “bizarro” para o Desidério, só me falta mesmo ter dois milhões de euros no banco. Mas, portanto, escolhas pessoais como não ter carro e opções cívicas como andar de transporte público são, para Desidério, para “pobres”. (Um rico que as tome é “bizarro”.)
Curiosamente o mesmo Desidério Murcho muito insiste na elevação de conteúdos ensinados na escola pública, insurgindo-se contra o preconceito de considerar que os pobres “não gostam” de ciência, filosofia ou literatura a sério como motivo para “aligeirar” os conteúdos dos programas de ensino. Desidério defende o ensino na escola pública da melhor ciência, da melhor filosofia, da melhor literatura. Para percebermos melhor o conceito de escola pública de Desidério Murcho, convinha que ele respondesse a uma ou duas perguntas, relacionadas com este seu comentário. Um “pobre” que se interesse por ciência ou literatura ou filosofia, é bizarro? Um rico que ande na escola pública, é bizarro? Se Desidério achar que sim, julga que a escola pública é “para pobres”. Se achar que não, não é bizarro, por que raio é que o haveria de ser o andar de metro?
2009/02/05
Rescaldo da Taça da Liga
Já aqui o Nélson apontou os pormenores técnicos como só ele sabe. É claro que não conheço nenhuma prova em que não fosse o Guimarães a ser apurado para as meias finais. O importante não é isso: é a ambiguidade no regulamento da Taça da Liga. Tudo isto porque em lugar de uma definição matemática precisa, quem escreveu aquele regulamento resolveu escudar-se num termo de uso corrente em Portugal com significado errado, e afinal com um significado oficial bem diferente. Embora desportivamente julgasse que deveria ser o Guimarães a passar, confesso que simpatizava com as reivindicações do Belenenses. É que só neste país é que o regulamento de uma prova oficial é escrito nesta forma displicente e pouco rigorosa! Se fosse o Belenenses a ter passado, seria uma lição importante para este país pouco habituado à Matemática e às ciências exactas.
Entretanto o Sporting goleou o FC Porto como não goleava há 33 anos e chegou à final da Taça da Liga. Eu trocava bem esta final por estar na meia final da Taça de Portugal (de onde o Sporting foi tão mal eliminado), cujo sorteio se realiza hoje...
Entretanto o Sporting goleou o FC Porto como não goleava há 33 anos e chegou à final da Taça da Liga. Eu trocava bem esta final por estar na meia final da Taça de Portugal (de onde o Sporting foi tão mal eliminado), cujo sorteio se realiza hoje...
2009/02/04
O voto por correspondência
Funciona mais ou menos assim: há dois envelopes. Colocas o teu voto num, mais pequeno, que é lacrado. Coloca-lo dentro de um outro, e adicionas um documento assinado que te identifica. Fechas o segundo envelope. (Percebeste, Maria João?) Um processo seguro, e o segundo envelope garante confidencialidade. Creio que são os segundos envelopes que são depositados nas urnas, tornando-se indistinguíveis, antes de serem abertos.
Foi assim que eu votei nas últimas presidenciais. Ainda assim, tive de me deslocar ao consulado, pois encontro-me recenseado em Portugal apesar de na altura viver no estrangeiro. Foi o consulado que enviou o meu voto para a minha secção de voto em Portugal. Não percebo por que não o poderia fazer eu mesmo, em casa. Tal como não percebo por que só me deixavam votar assim (estando eu no estrangeiro) nas presidenciais e não nas legislativas ou autárquicas ou europeias. Tal como não percebo por que não é permitido a qualquer pessoa fazer isto para qualquer eleição, desde que comunique a sua ausência no dia das eleições a tempo à mesa. É assim que funciona noutros países, onde o voto por correspondência é corriqueiro. Facilita a vida às pessoas e diminui a abstenção.
Esteve portanto muito bem Cavaco Silva no seu veto. Só lamento que este processo do voto por correspondência não se alargue.
Ironicamente, a única vez que votei por correspondência foi para votar contra quem agora assegurou a continuidade deste tipo de voto...
Foi assim que eu votei nas últimas presidenciais. Ainda assim, tive de me deslocar ao consulado, pois encontro-me recenseado em Portugal apesar de na altura viver no estrangeiro. Foi o consulado que enviou o meu voto para a minha secção de voto em Portugal. Não percebo por que não o poderia fazer eu mesmo, em casa. Tal como não percebo por que só me deixavam votar assim (estando eu no estrangeiro) nas presidenciais e não nas legislativas ou autárquicas ou europeias. Tal como não percebo por que não é permitido a qualquer pessoa fazer isto para qualquer eleição, desde que comunique a sua ausência no dia das eleições a tempo à mesa. É assim que funciona noutros países, onde o voto por correspondência é corriqueiro. Facilita a vida às pessoas e diminui a abstenção.
Esteve portanto muito bem Cavaco Silva no seu veto. Só lamento que este processo do voto por correspondência não se alargue.
Ironicamente, a única vez que votei por correspondência foi para votar contra quem agora assegurou a continuidade deste tipo de voto...
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Portugal
2009/02/02
Regressa o Dr. House

"Do que eu gosto mais na personagem [Dr. House] é a sua absoluta confiança na racionalidade humana para resolver os problemas. (...)
Espanto-me quando vejo pessoas entusiasmadas com tratamentos ou curas "naturais" e "tradicionais", "como se fazia antigamente". Antigamente vivia-se trinta anos!"
(Hugh Laurie em entrevista a Conan O'Brien, Dezembro de 2008. Cito de memória, mas não desvirtuo o que foi dito.)
2009/01/29
Pode-se viajar no tempo?

Conferência hoje no Instituto Franco-Português por Etienne Klein, investigador no meu bem conhecido Commissariat à l'Energie Atomique de Saclay.
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Física
2009/01/28
Ainda sobre o referendo em Viana
No Prós e Contras da semana passada, o lamentável apoiante do "sim" (creio que se chamava António Gonçalves, mas posso estar errado) teve esta frase lapidar em directo: a principal função de qualquer autarca é extrair o máximo que puder do Estado central! Quanto mais extrair (eu diria extorquir) melhor!
É também graças a frases como estas que a regionalização é rejeitada por permitir que surjam mais Albertos Joões Jardins!
É também graças a frases como estas que a regionalização é rejeitada por permitir que surjam mais Albertos Joões Jardins!
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Regionalização
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