2008/10/10

O Nobel de Nambu

Nambu foi galardoado pela aplicação da quebra espontânea de simetria à física teórica de partículas. Ora o melhor exemplo de aplicação da quebra espontânea de simetria neste campo reside no mecanismo de Higgs, em que as partículas adquirem massa através da presença do célebre bosão anónimo. Faria mais sentido atribuir-se o nobel a Nambu depois da descoberta do bosão de Higgs. Mas não “a propósito” do bosão de Higgs: se este for descoberto, há pelo menos seis físicos teóricos candidatos a receberem o nobel pelo mecanismo “de Higgs”, assim baptizado por ‘t Hooft: Higgs e mais cinco. Quando as regras do nobel só permitem três premiados em cada ano. Acrescentar-lhes Nambu aumentaria a confusão.
Isto se se descobrir o bosão de Higgs: se este nunca for descoberto, tal representa uma severa machadada na “quebra espontânea de simetria em física de partículas” (não noutros campos da física). A quebra espontânea de simetria é um fenómeno fascinante; porém, estritamente em física de partículas nunca foi observada em simetrias exactas, de gauge (no caso da simetria electrofraca tal constituiria o mecanismo de Higgs).
Desta forma, este prémio Nobel pode parecer um pouco prematuro. A não ser que se queira premiar a quebra espontânea de simetria nos casos em que esta é realmente verificada: em simetrias globais (que não são de gauge), aproximadas. Mas aí é também, naturalmente, um fenómeno aproximado. Se for este o caso (presumo que sim) parece-me óptimo, com dois reparos importantes.
É injusto premiar Nambu e não premiar Goldstone, que previu as partículas sem massa que se formam nesta situação (os justamente chamados bosões de Nambu-Goldstone, e que nas situações aproximadas de que eu falei correspondem a partículas de massa muito pequena, os piões). É portanto a segunda grande injustiça que se comete com este Nobel (em conjunto com Cabibbo). Este Nobel deveria, portanto, ter sido dividido em dois, um agora e outro noutro ano (até pela diferença nos temas).
Ao antecipar-se a atribuição deste prémio, está-se a reconhecer a importância desta ideia, mesmo que ela não se venha a verificar em toda a sua plenitude. Tal facto abre um precedente na história do Nobel da Física, e poderá dar origem a que venham a ser atribuídos prémios a ideias com origem nas teorias de supercordas (mesmo que estas não se venham a confirmar) e que tiveram aplicações para além destas teorias. Há vários exemplos: diversos tipos de dualidades, a holografia, a correspondência AdS/CFT... Nem de propósito, Nambu foi um dos grandes percursores da teoria de cordas (com a acção de Nambu-Goto). É o segundo prémio Nobel dado a um físico que trabalha ou trabalhou em teorias de cordas (depois de David Gross em 2004). A quem critica a teoria de cordas por criticar muitas vezes faria bem estudá-la um pouco...

Para ler mais: The Reference Frame e Cosmic Variance (aqui e aqui).

2008/10/09

O Nobel de Kobayashi e Maskawa

Cada um dos galardoados com o Prémio Nobel da Física em 2008 merece por si este reconhecimento. Dito isto, é bastante discutível a forma como foram agrupados. Uma das formas de ver isto, mesmo para um leigo, consiste em notar como o anúncio do prémio de Nambu aparece separado do de Kobayashi e Maskawa. São dois prémios de física teórica de partículas, particularmente do conhecido modelo padrão das interacções electrofracas. Mas pouco mais têm em comum.
Claro que Kobayashi e Maskawa tinham que receber o prémio juntos, mas estranha-se este não ter sido atribuído igualmente ao italiano Nicola Cabibbo. A descoberta destes cientistas é a universalidade das interacções nucleares fracas, generalizando-as para os casos em que há mais do que uma família de quarks. Kobayashi e Maskawa estabeleceram o resultado (através de uma matriz de massa, cujos vectores próprios são os estados físicos) na forma final, com três famílias de quarks. O trabalho de Cabibbo é anterior, e aplica-se somente a duas famílias. A matriz de massa escrita por Cabibbo só tem assim um parâmetro (o ângulo de Cabibbo) - actua num espaço bidimensional, das duas famílias de quarks, mudando-as de base. Mas a ideia física básica, a universalidade, está lá. Kobayashi e Maskawa introduziram (naquele que é o terceiro artigo mais citado da história da física) uma matriz para três famílias, contendo mais parâmetros que por sua vez dão origem ao fenómeno da violação de CP (cuja descoberta experimental foi premiada com o prémio Nobel em 1980, e que deverá estar na origem da assimetria bariónica do universo), e que não seria possível somente com duas famílias. Esta matriz chama-se CKM (Cabibbo-Kobayashi-Maskawa), ilustrando bem o facto de ser uma generalização (fisicamente mais rica, é verdade) do trabalho original de Cabibbo. Por isso mesmo considero uma injustiça que este prémio Nobel não seja partilhado igualmente entre os três autores da matriz CKM (que vai continuar a ser conhecida assim, apesar de só dois deles terem sido galardoados). Isto não quer dizer de maneira nenhuma que eu considere que Nambu não merece um prémio Nobel. Mas isso discutirei noutro texto.

2008/10/08

Da tradução para o acordo ortográfico

Não sei se seria essa a intenção original do autor, mas como comentário (assinado por "Antónimo") a este texto da Fernanda Câncio encontra-se um excelente argumento a favor do acordo ortográfico da língua portuguesa. Passo a transcrevê-lo (ligeiramente adaptado para este contexto):
Embora as editoras mais do que abusem (por exemplo, é raro pagarem direitos de autor - só o fazem a consagrados -, escondem as vendas a sete chaves e os livros que saem aí com jornais e revistas - tiragens de 30 mil exemplares - têm um custo de produção de 90 cêntimos) é um bocado complicado os livros em português ficarem ao preço de um da Penguin, não é?
Uma Guerra e Paz da Penguin, em inglês tem centenas de milhões de leitores. Até podiam dar os livros que não se sentia. Não há direitos de autor e imagino que as traduções foram pagas há décadas. Se os nossos leitores ainda preferem ir comprá-los em vez dos desgraçados três mil exemplares que a exemplar tradução portuguesa não esgota, mesmo se publicada desde 2005, a coisa piora.
No fundo, paga 15 euros por uma coisa que não custou nada a produzir em vez de pagar 60 euros por algo que custou consideravelmente mais.

Pois é, Fernanda, o que falta para termos livros baratos em português é um verdadeiro mercado global do livro em língua portuguesa!

(Já agora: à entrada da livraria do Instituto Superior Técnico está um anúncio desta editora onde ela se gaba de publicar "autores nacionais", e recomenda aos estudantes que escolham os livros por ela publicados em detrimento das "traduções brasileiras" (inclui mesmo a frase "Não estudes por traduções brasileiras!"). Esta editora tem desenvolvido um trabalho meritório na publicação de bons livros técnicos de autores portugueses. Mas precisava de os "promover" utilizando um "argumento" tão mesquinho e rasteiro?)

2008/10/07

Prognósticos só no fim do campeonato (que vai ser longo)

Mas, face a isto (Paulo "Peseiro" Bento? Ninguém merece tal comparação), só me resta reafirmar isto e isto. No fim a gente fala.

2008/10/06

Será estado de negação?

Em uma semana o Sporting perdeu (bem em ambos os casos) com os seus dois principais adversários na corrida ao título de campeão. Eu continuo a achar que foram dois acidentes de percurso. Que o Sporting tem a melhor equipa, o melhor treinador e uma grande possibilidade de ser campeão. Assim regressem os lesionados.

2008/10/03

Deolinda

Uma semana depois do Arraial do Caloiro, foi isto que "ficou no ouvido", Musicalmente, o arraial valeu a pena sobretudo por este grupo de Lisboa.

2008/10/02

Na segunda fase do metro do Porto

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, queria uma linha a percorrer a avenida da Boavista. Mas o governo central não lhe fez a vontade, e avança antes com uma linha a percorrer a rua do Campo Alegre. Seguiu o parecer da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que afirma que esta opção trará mais utentes. E contrariou a câmara. Um exemplo para os defensores da regionalização. Deve ser por isso que aqui ainda não se escreveu uma linha sobre este assunto.

2008/10/01

Após o arraial do caloiro no Técnico

É claro que o presidente do IST, Carlos Matos Ferreira, ao proibir as praxes, tinha que fazer alguma concessão aos alunos. E essa concessão foi realizar o arraial do caloiro no campus do Técnico. Ficámos melhor assim. Para não haver praxes humilhantes (e este ano eu não as vi) poderia haver um arraial no campus do Técnico por semana. Todas as boas universidades têm festas no campus.
Só quem não tem ideia do que é ouvir boa música, beber e conviver com amigos e de repente olhar para trás e ver que tudo aquilo se passa naquela mesma alameda onde se passa todos os dias (e nem se olha bem para ela) é que pode criticar a presença do arraial na Alameda. E mirar as torres e os feios pavilhões desenhados pelo Pardal Monteiro? Vê-se o Técnico de outra forma completamente diferente através do arraial. E é importante que se veja. Durante o semestre o Técnico pode tornar-se um local deprimente. A recordação do momento daquele arraial durante o semestre é importante. Tal como é importante que o arraial se realize no Técnico mesmo e não em sítios que só alguns lisboetas conhecem e que caloiros com 18 anos (e mesmo alunos mais velhos)não conhecem. Atrai muito mais gente. E ainda bem que é assim.

2008/09/30

Dez anos

Faz hoje dez anos que encerrou a Expo 98.
Faz hoje igualmente dez anos que, no stand da Hyundai de Huntington, NY, comprei o meu querido Accent vermelho. O único carro que tive na vida.

2008/09/29

Joaquim Maria Machado de Assis

Morreu faz hoje cem anos. Escrevia muito bem, lindamente, mesmo. Dominava a língua portuguesa como ninguém. Mas, sinceramente, não creio que isso bastasse para fazer dele um grande escritor.

2008/09/26

Regresso à Alameda

Está na altura de ir jantar, enquanto actua a tuna. Depois lá estarei.

Assim se vê a força do PC

Creio que com as reformas que são no momento necessárias (e estão ainda em curso) a presença do PCP na governo não seria de todo desejável. (O mesmo se aplica ao Bloco de Esquerda: em política interna, não vejo diferença absolutamente nenhuma entre os dois partidos. Em política externa há e não é pouca, mas ninguém põe a hipótese de termos um ministro dos negócios estrangeiros destes partidos.) Não tenho votado na CDU nas eleições legislativas e nem tenciono votar nas próximas. Mas ao ler textos como este do João Galamba, palavra que me apetece ir a correr votar no PCP. Não o farei, mas outros o farão por mim. Se o João Galamba escolhe ostracizar estes portugueses, é com ele. Eu não ostracizo, e merecem-me todo o respeito, mesmo não concordando com eles. E sei que chegará o dia em que vão perceber melhor o mundo em que vivem. Mas parece-me um reeo crasso julgá-los irrelevantes ou alheados deste mundo. Pelo respeito que me merecem, não me sinto capaz de os tratar como “dementes”. O João trata-os. Mas o João também se acha no direito de criticar António Damásio por não ter lido este ou aquele livro. Se ele me permite, recomendo-lhe este trecho de um artigo do Público de 18.09.2008, por Constança Cunha e Sá.

Esta semana, também, foi publicada uma sondagem, no Correio da Manhã, que para além de assegurar a vitória do PS e a descida do CDS e do PSD, confirma, mais uma vez, o peso eleitoral do PCP e do Bloco de Esquerda, que, juntos, conseguem obter cerca de 20 por cento das intenções de voto. O Partido Comunista, em particular, surge em terceiro lugar, com um resultado superior a dez por cento, como, aliás, já tinha acontecido numa sondagem anterior. É verdade que, com o tempo, a popularidade de Jerónimo de Sousa deixou de ser uma "novidade", transformando-se num facto normal e previsível que já não suscita a admiração de ninguém. No entanto, a persistência do fenómeno não só não lhe retira singularidade como lhe acrescenta relevância política. O voto de protesto, embora explique parte do sucesso, não justifica, por si só, a capacidade de mobilização que tem, neste momento, o partido.
Ao contrário do Bloco de Esquerda, que sempre beneficiou do interesse dos jornalistas, o PCP, visto como uma aberração ideológica, foi durante muito tempo um partido ignorado, incapaz de contribuir para um debate sério sobre o desenvolvimento do país. Envelhecido, desprovido de quadros e sem intelectuais ao dispor, o PCP parecia ter os dias contados: para todos os efeitos, era uma espécie de relíquia histórica que mais tarde ou mais cedo acabaria por desaparecer, levado pela inflexibilidade de uma ortodoxia que se recusava a evoluir. Quando Carlos Carvalhas, o espelho do impasse em que se encontrava o PCP, abandonou a liderança, foi substituído, como se disse, pela velha guarda do partido. Imune às subtilezas da teoria, Jerónimo de Sousa confirmou as piores expectativas dos "renovadores". Com ele, os comunistas deixaram-se de evasivas ideológicas e, recuando no tempo, recuperaram acriticamente as suas teses do passado. Mas - e isso passou desapercebido - sem se preocuparem excessivamente com elas: o novo líder do PCP podia ser estalinista, sonhar com a antiga União Soviética ou defender regimes totalitários, mas nunca perdeu tempo a discutir o estalinismo, o modelo soviético ou o regime de Fidel. Ignorando ostensivamente as grandes questões doutrinais que envolveram a queda do Muro e o futuro do socialismo, Jerónimo de Sousa reduziu o debate ideológico aos problemas concretos dos portugueses. Daí à famosa "afectividade" que supostamente o distingue foi um passo que se acelerou com a eleição do eng.º Sócrates e com o "socialismo de mercado" que actualmente nos governa.
Pode-se dizer que a necessidade de controlar o défice, o arranque de algumas reformas e o progressivo esvaziamento dos direitos adquiridos é um terreno fértil ao florescimento do PCP e à demagogia de grande parte das suas propostas. Como se pode dizer que o projecto apresentado pelos comunistas não tem viabilidade, nem representa qualquer tipo de alternativa. Mas não se pode ignorar que grande parte da força que o PCP tem, neste momento, ultrapassa um modelo de desenvolvimento que nem sequer existe e se prende com a hipocrisia de um sistema cada vez mais desigual que privilegia os fortes e prejudica os fracos. A sobranceria do Governo e de grande parte da comunicação social em relação às questões sociais revela um arrivismo insuportável e uma total incompreensão da realidade humana e dos problemas dos mais desfavorecidos. Entre o autismo de uns e os êxtases liberais de outros, o triste quotidiano de grande parte dos portugueses fica necessariamente de fora, entregue à afectividade (se é isso que lhe querem chamar) de qualquer Jerónimo de Sousa.

Ana Rita Canário

Se havia pessoa que não gostava de praxes e tradição académica era a Rita.
Em memória da Rita está a ser feito um blogue.

2008/09/25

Chama-se provincianismo

Acerca de uma questão com um ano:

23.09.2008 - 00h58 - Tuga, Berlenga
O recrudescimento da praxe em Portugal mostra que em diversas vertentes o país andou para trás. Ela é bem o reflexo do nosso atraso de mentalidade (se fosse só económico!...). Mas a cobardia - e em demasiados casos a simpatia e até a concordância - das autoridades escolares e governativas tem sido clamorosa. Para os que acham muito úteis estas praxes à portuguesa, mesmo quando despojadas da sua quase sempre boçalidade, sugiro-lhes que procurem coisa semelhante nas faculdades de Paris, Roma, Berlim, Londres, etc. Durante a ditadura a praxe foi quase até ao fim um bastião do conservadorismo e do regime. E em Lisboa, cidade mais aberta, evoluida e cosmopolita, não existia. Agora está por todo o lado. Qual será de facto esta doença profunda que nos impede de evoluir?

É por isso que eu gosto desta escola (e deste curso)

Uma selecção minha dos comentários à notícia do Público

23.09.2008 - 10h14 - jsgm, Lisboa, Portugal
Em Setembro de 1995 um caloiro recusou as praxes "voluntárias". Perante a pressão dos veteranos que o empurravam e queriam encurralar num canto do Pav. de Civil deu um soco num "veterano". Foi perseguido por uma horda que queria tirar desforço da afronta. Refugiou-se no Conselho Directivo e os "assaltantes" quiseram rebentar as portas para o extrair de lá e "fazerem justiça". Perguntem aos Prof. Gaspar Martinho e Carlos Salema que lá estavam quanto tempo durou o cerco, que só terminou com a chegada de uma secção da PSP para dispersar a turba e escoltar o caloiro para fora do campus da Alameda.

23.09.2008 - 06h26 - Tiago Marques, Lisboa, Portugal
Acabei este ano um curso de Engenharia no IST e como tal vejo-me na condição de poder comentar este assunto. Ao longo dos 5 anos que passei no Técnico vi bastantes praxes (apesar do meu curso ser o único anti-praxe do IST) entre as quais muitas verdadeiramente humilhantes. Sem dúvida aplaudo esta decisão do Prof. Matos Ferreira, uma vez que discordo completamente da necessidade de praxe. Os seus defensores vão dizer que é para receber e integrar os alunos do primeiro ano, mas para tal não são precisas praxes. Vejam o exemplo do meu curso, Engenharia Física e Tecnológica em que tínhamos uma comissão de recepção aos alunos do primeiro ano para os integrar, mostrar-lhes o Técnico e Lisboa e realizar uma série de actividades como jogos, desporto e jantares. Acho a praxe representativa daqueles alunos que estão mais preocupados com "a vida académica" do que com a Universidade. No Técnico é para se trabalhar, se estão mal vão para a Independente.

23.09.2008 - 00h35 - Anónimo, Lisboa
Estudei no Técnico e por lá continuo, sou investigador e estudante de Doutoramento... Acho esta manifestação completamente disparatada, porque praxes, que me lembre acho que tive um dia ou dois, e não foi coisa que me fizesse perder muito tempo... Acho que existem formas diferentes de se conhecer pessoas do que a partir de um conceito completamente ultrapassado. Normalmente as pessoas no Técnico unem-se por grupos, e não é por haver praxe que se unem mais ou menos... É completamente ultrapassado e seria bom acabar com esse conceito de uma vez por todas... Hoje em dia acho que não faz sentido absolutamente nenhum...

22.09.2008 - 23h44 - Anónimo, Lisboa, Portugal
Haja alguém com bom senso!! Parabéns pela decisão Prof. Matos Ferreira. Tão ridículo quanto as praxes, só mesmo os trajes académicos e toda a atitute parva que normalmente a acompanha. Este país tem que perder a "mania da importância de ser dr". Ser estudante universitário ainda é um previlégio e escusam de exibi-lo a tanta e tanta gente que nunca o consegui ser. Sejam educados. Divirtam-se, mas educadamente

22.09.2008 - 21h52 - Tiago Carvalho, Lisboa
Muito boa medida do Sr. Reitor, porque em Portugal o que se quer é não respeitar a autoridade enquanto se atropelam outros direitos arrogando-se, claro está, também duma autoridade. E digo isto no sentido mais amplo. No caso do IST, como antigo estudante e actual bolseiro: só quem é parvo é que defende as praxes por estas servirem para integrar. Não há mais maneiras de as pessoas conhecerem-se senão através de jogos ridículos que só servem para acentuar a diferença hierárquica? Piadas foleiras e sexuais acompanhadas de cerveja? É singular observar-se que as mesmas alimárias que defendem e exercem a praxe são os mesmos imbecis que se vão arrastando pelo curso sem empenho e trabalho e têm a sua masturbação trajada de capa e batina só quando os caloiros entram em Setembro. Com sorte pescam uma caloira e depois entregam-nos todos à sua sorte. Não tenham dúvidas: as pessoas que praxam não são exemplo, bem pelo contrário, são um tipo de sujeitos totalmente acéfalo e preguiçosa que regozijam com a humilhação dos outros; dos caloiros não tenho pena nenhuma porque também se deixam submeter. Se querem "integrar" combinem uma hora, façam uma vaquinha, bebam uns copos. Simples e garantido

22.09.2008 - 20h58 - afonso, Portugal
a polícia fascista do politicamente correcto anda a fazer das suas... a verdadeira praxe no IST é acabar o curso

22.09.2008 - 21h13 - GZP, Lisboa
É mentira que as praxes no IST sejam puramente voluntárias. Eu entrei em Eng. Civil em 1995 e consegui escapar às brincadeiras grosseiras desses meninos por pura sorte e manha. No ano seguinte esforcei-me por ajudar outros alunos recém-chegados a fazerem o mesmo e quase que fui agredido. Concordo inteiramente com a medida do reitor: o IST não tem que ser conivente com este tipo de práticas bárbaras; se o fizerem fora do campus, no espaço público, aí valem claramente as leis civis que proíbem a agressão e a coacção.

22.09.2008 - 20h50 - F. Correia, Porto
Eu fui praxado, quando entrei na FCUL, contra a minha vontade. Fui lancado ao lago do campo grande, em Lisboa, por me recusar a obedecer aos 'veteranos' do meu curso. O resultado foi ter ficado uma semana doente (provavelmente devido à ingestao da àgua estagnada)... Nunca percebí esta necessidade que muitos estudantes universitários têm de achincalhar e abusar dos seus colegas mais novos. Mesmo nas suas manifestacoes mais brandas, a praxe resume-se a comandar os caloiros. Se esta é a forma correcta de colegas se tratarem, vou alí e já venho.

22.09.2008 - 19h31 - CM, Lisboa
Eh pessoal, mas nao acham que essa coisa de praxes cheira a provincianismo com pouca graca? Saudacoes

22.09.2008 - 19h25 - vg, oeiras
Estes meninos deviam ter juizo.Quando lá andei,aquilo era uma escola para rapazes ,com boas instalações desportivas.Agora são "tunas " e praxes à moda do Norte...Bimbos

22.09.2008 - 19h17 - Anónimo, Caldas da Rainha
As praxes são tradição no IST??????? Quando oiço falar nas praxes e na capa e batina no IST é rir a bandeiras despregadas com a historieta.

22.09.2008 - 19h01 - JT, Portugal
Praxe voluntária? Ter um brotamontes mais velho, desconhecido, numa cidade desconhecida a gritar-te aos ouvidos, enquanto estás de joelhos a olhar para o chão, que se não fores praxado és um mer... que vais ser posto de parte durante o tempo que durar o curso, etc,... isso torna a praxe voluntária? Srs Estudantes, que tal um pouco de raciocínio, de preferência antes da sétima imperial? Será que é verdade, que no século XXI , o conservadorismo obscurantista que sempre foi combatido a partir dos meios académicos, agora é defendido, sobre o pretexto do álcool, por estes? As razões dos estudantes(?) são tão válidas com as dos que defendiam que as mulheres não tinham inteligência suficiente para votar (alguns deles, de caneca na mão dirão "E têm?"), ou que os não nobres não tinham capacidades governativas (E o estudante com a capa cheia de cerveja dirá "pois claro, hic, não estudavam...")

22.09.2008 - 19h00 - Anónimo, lisboa
Concordo plenamente com o fim das praxes. As mesmas não são mais que: fizeste-me a mim, hei-de fazer a ti. É tempo de os nossos futuros Engenheiros pensarem em receber dignamente os nossos caloiros em que a maior parte deles necessita de apoio e não de praxes. Uma brincadeira de uma hora ou um dia aceito, agora praxe de uma semana? Não sejam ridículos e defendam um nome tão grande como Instituto Superior Técnico. Eu fui aí estudante e nunca participei em nenhum evento dessa natureza.

É por isso que eu gosto desta escola

Uma vez mais, o Instituto Superior Técnico dá o exemplo para o resto do país.

Comunicado do Presidente sobre praxes académicas no IST
19 Setembro 2008

Na sequência da carta enviada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior dirigida ao Presidente do Conselho de Reitores no passado dia 10 de Setembro, repudiando de forma veemente a prática das praxes académicas infligidas aos estudantes que ingressam no Ensino Superior, e dando conta da intenção de responsabilizar civil e criminalmente, por acção e por omissão, os órgãos próprios da instituição sempre que se demonstre a existência de práticas ofensivas para os estudantes, fica decidido:

Não reconhecer legitimidade a qualquer auto-denominada comissão de praxe, proibindo as actividades que neste momento lhes estão associadas nos campi da Alameda e do Taguspark;
Proibir a prática de praxes académicas nos campi da Alameda e do Taguspark, qualquer que seja a forma como são organizadas.
Qualquer violação a esta directiva deverá ser comunicada ao Conselho Directivo da Escola, que agirá em conformidade, não estando excluída a possibilidade de abertura de um processo disciplinar ao(s) elemento(s) prevaricador(es).

Carlos Matos Ferreira
Presidente do IST

2008/09/24

Sobre o cartão magnético de acesso às escolas

Ponto prévio: acredito que a principal preocupação de muitos pais ainda seja o controlo total dos filhos adolescentes, e partilho a grande preocupação da Maria João Pires quanto a este facto.
Dito isto, eu não vejo a introdução de um cartão magnético necessariamente ou exclusivamente como uma medida de “controlo total”. É-o em parte e é aí que eu o critico. Não me parece razoável que um aluno do secundário não possa entrar e sair livremente da escola. Não me parece sobretudo razoável que alunos do 2º ciclo (de 10 e 11 anos) sejam tratados da mesma forma que adolescentes pré-universitários. São idades muito diferentes, e esta indistinção origina uma imaturidade que hoje já se nota nos alunos do primeiro ano das universidades.
De qualquer forma, da maneira como o cartão é apresentado pela Maria João, parece que as escolas passam a ser uma espécie de “Big Brother”, onde todos os passos lá dentro são vigiados, os intervalos, o convívio com colegas, eventuais demonstrações de afecto e experiências que é suposto ter-se nesta idade. Não é assim, e ainda bem que não é. O cartão parece-me positivo até ao 9º ano, e com algumas alterações e salvaguardas importantes (poder vir cá fora ao café da D. Maria fumar um cigarrinho no intervalo – afinal não se pode fumar dentro das escolas, não é?) também mesmo no secundário.
Um dos aspectos importantes do cartão é o controlo da assiduidade. É aqui que eu não concordo com a Maria João, nomeadamente com a frase “A ideia de que alguém se mostre satisfeito pela existência de um cartão que lhe permite, por exemplo, ser avisado em tempo real de uma simples balda de um filho arrepia-me.” O controlo da assiduidade e o combate ao absentismo são de uma extrema importância em todas as actividades profissionais ao longo da vida, e a escola secundária é um bom local para começar a aprendê-lo. Nenhum aluno é impedido de faltar por isto. Aliás, tanto quanto eu sei, a única alteração deste cartão vai ser mesmo a comunicação da falta em tempo real ao encarregado de educação, pois ele já poderia tomar conhecimento de todas as faltas (não em tempo real) se assim desejasse. O cartão é é uma medida de responsabilização: o estudante deve habituar-se a assumir a responsabilidade pelos seus actos, nomeadamente pelas suas faltas. Não é encarando-as como “uma simples balda”, um “pequeno disparate” a que não se liga muito que se fomenta essa responsabilidade. A este respeito convém recordar as reacções dos alunos que vêm do estrangeiro, nomeadamente filhos de imigrantes, ao compararem a escola dos seus países de origem com a portuguesa. Todos referem que a escola portuguesa é menos exigente, que a atitude dos alunos portugueses é muito diferente da deles. Para eles a escola é para se aprender, e “uma simples balda” é algo impensável. É com estes alunos que temos que nos comparar e é como estes alunos que devemos querer que os nossos filhos sejam.
Resumindo, para mim a introdução do novo cartão é uma medida a elogiar, embora se deva rever a sua aplicação.

2008/09/23

Edward Norton Lorenz (1917-2008)

Lorenz, o pai do "efeito borboleta", durante a Segunda Guerra Mundial trabalhou como meteorologista para as Forças Armadas americanas, e descobriu este comportamento caótico enquanto estudava modelos para a previsão do tempo. A descoberta foi feita completamente por acaso: ao reintroduzir os mesmos dados no mesmo modelo, Lorenz obteve resultados completamente diferentes! Ao reexaminar mais cuidadosamente os seus dados, verificou que se enganara numa casa decimal, que significara uma diferença pequeníssima numa condição inicial!

Para saber mais, os sítios do costume: o obituário do The New York Times, o The Reference Frame e a Gazeta de Física, de onde o texto foi retirado (nº 3 do volume 31).

2008/09/22

Na semana da mobilidade

Mais uma vez, o “Dia sem carros” que, em Lisboa, consiste em fechar o trânsito entre o Rossio e o Terreiro do Paço. De utilidade muito duvidosa esta medida. Bem mais úteis são as medidas anunciadas para o transporte público nocturno ao fim de semana e véspera de feriado. De parabéns a Câmara Municipal de Lisboa, Secretaria de Estado dos Transportes e Ministério da Administração Interna.
O “Dia sem carros” é presentemente uma iniciativa simbólica que não incomoda ninguém, e não resolve o problema principal – andar de carro, em Portugal, é uma questão de status. Ainda “parece mal” andar de transporte público ou bicicleta. O “crédito fácil”, a “bolha” que parece que está a rebentar e que se traduz em os portugueses viverem aima das suas possibilidades também se reflecte no número elevado de carros novos. No entanto, conforme é visível, cada vez há mais portugueses a andarem de bicicleta. Por muito que isso custe aos bondosos proponentes destas campanhas cívicas, tal atitude dos portugueses só começou quando começaram a sentir no bolso os efeitos da – abençoada! – “crise do petróleo”.
É útil aliás perder um pouco de tempo a ler os comentários dos leitores destas notícias e comparar os comentários dos portugueses residentes no estrangeiro com alguns dos de residentes em Portugal. Como sempre, em Portugal, o bom exemplo tem que vir de fora – dos países onde há muito andar de bicicleta é um hábito corrente. Talvez assim se torne moda – se torne chic!

2008/09/19

Cravos vermelhos

"Para o funeral de uma democrata", disse eu à florista. A Rita gostaria.
Adeus Rita, minha colega no Conselho Pedagógico do IST e um símbolo da LEFT.