2008/05/05

Grandes marcas com quanto por cento de desconto?


Anuncia-nos o Continente o vinho tinto regional da Adega Cooperativa de Nelas (colheita normalíssima) a 2,50€, com 50% de desconto em cartão, ou seja, para portadores do cartão “Continente” o referido vinho sai ao módico preço de 1,25€ a garrafa. Aparentemente um grande negócio… não se desse o facto de o preço normal desse mesmo vinho, no Minipreço, ser 1,39€. Então, das duas uma: ou o Continente vende em geral o vinho muito mais caro do que o Minipreço, ou o preço deste vinho foi inflacionado durante esta promoção, de forma a um desconto de 0,14€ ser assim apresentado como de 50%, ou seja, de 1,25€. Este tipo de inflação temporária, de forma a um pequeno desconto ser apresentado como substancial, é prática comum nas grandes superfícies (não só do Continente). A ASAE deveria estar atenta a estes casos. Se o mais importante aqui é a liberdade de o hipermercado fixar os preços do vinho, há que ser consistente com o preço fixo não só durante o período de promoção. Neste caso, haveria que obrigar o Continente a vender aquele vinho ao preço regular de 2,50€ durante um período considerável, digamos seis meses.

2008/05/04

No Dia das Mães

...e em todos os outros ouçamos Chico Buarque. A escolha para hoje: Cuidado com a outra, da autoria de Nélson Cavaquinho e Augusto Tomaz Jr., do álbum Sinal Fechado.

2008/05/02

Proselitismo de 1º de Maio

Em plena Alameda, na concentração da CGTP, resguardados da multidão, cá atrás, dois mórmones perguntam-me, com sotaque americano: "o senhor não quer preencher o nosso questionário?" Bem em frente ao antigo Império, sede da Igreja Universal do Reino de Deus.

2008/04/30

Já não há paciência para o Rui Patrício


Eu não estava a brincar quando afirmei que ia ter saudades do Ricardo. Nunca vi o Sporting sofrer tantos golos ridículos numa só época como nesta. Para mim a gota de água foi este fim de semana, no jogo contra o Marítimo. O Rui Patrício simplesmente não sabe segurar uma bola!
Mas pior do que os seus frangos é a atitude perante os seus colegas de defesa, nomeadamente o Anderson Polga. Das imagens da discussão entre Patrício e Polga após o ridículo golo do Marítimo este fim de semana transparecia a falta de respeito do campeão do mundo em 2002 pelo jovem guarda redes, que pode ser promissor mas está claramente a queimar etapas necessárias ao seu desenvolvimento. Já custou muitos pontos ao Sporting (e este fim de semana custaria mais dois, não fosse o árbitro ter sido benévolo ao assinalar uma grande penalidade para mim inexistente, mas que por acaso e para variar foi convertida). Uma equipa com as ambições do Sporting precisa de um guarda redes que transmita confiança e se faça respeitar, e claramente o Rui Patrício, pelo menos por agora, não reúne restas qualidades. O Polga tem toda a razão para ficar irritado. Ricardo, regressa depressa!

Retratos do trabalho na São Caetano à Lapa

Os apoiantes de Manuela Ferreira Leite querem um souvenir (TM).



(Foto do DN.)

2008/04/28

Max Mosley e os traseiros açoitados

No meu texto Viva a liberdade, viva a igualdade, viva a democracia referia-me a liberdades cívicas e, exclusivamente, a liberdades que interferem com as liberdades de outros. (Nos comentários dei o exemplo da liberdade de circular de carro dentro de uma cidade quando existem transportes públicos, o exemplo acabado de uma liberdade burguesa.) Restrições a esse tipo de liberdades são necessárias se se quer combater as desigualdades e lutar por um mundo mais sustentável.
Nada disso tem a ver com liberdades pessoais, de comportamentos que só digam respeito ao próprio indivíduo (e a adultos que voluntariamente se associem). Pertence a este grupo a privacidade sexual, incluindo fetiches que nos possam parecer repugnantes e que estejam associados a uma simbologia e a factos históricos que repudiamos. É este o caso das fantasias sexuais de Max Mosley, presidente da Federação Internacional do Desporto Automóvel, que mais uma vez faltou a um Grande Prémio de Fórmula 1. O passado político do seu pai não se recomenda mesmo nada, mas tal não torna legítimo julgar as suas fantasias sexuais, e muito menos pedir a sua demissão por um caso que não tem nada a ver com a Fórmula 1. Sobre este assunto, recomendo uma das recentes colunas “Piedra de Toque” de Mário Vargas Llosa.

2008/04/25

Viva a liberdade, viva a igualdade, viva a democracia

Existe a tendência de chamar ao 25 de Abril o Dia da Liberdade. É verdade que, durante o fascismo salazarista, o bem mais escasso, o bem mais reprimido, era a liberdade. Não havia liberdades políticas, liberdades cívicas, liberdades mínimas. Porém, num regime totalitário existe sempre uma classe para quem tudo é permitido. Para essa classe a liberdade existe, e é uma liberdade que não conhece limites. Que se confunde com prepotência. Que não acaba nos limites dos que não a têm, ou seja, é uma liberdade que não é admissível numa democracia. No fascismo salazarista, a liberdade era para muito poucos; com o 25 de Abril, a liberdade passou a ser para todos. E isto é liberdade, mas também é igualdade. É a esta combinação que se chama democracia, e é esta a grande conquista do 25 de Abril. Por isso, a meu ver o 25 de Abril deveria chamar-se não Dia da Liberdade, mas Dia da Democracia.
Não é correcto associar-se o 25 de Abril somente à liberdade (ignorando a igualdade) porque, como é bem sabido (na blogosfera é o que não falta) há muita gente que defende a liberdade e não quer nada com a igualdade. A recente (com pouco mais de um ano) campanha para o branqueamento do ditador Salazar, que culminou na sua designação como “O Maior Português” num programa de televisão, teve origem na blogosfera que só defende a liberdade (mas que eu nunca vi defender a democracia). Aliás eu tenho cá para mim que a maior ameaça à democracia, presentemente, provém (não só em Portugal) dos chamados “libertários”, os defensores incondicionais da liberdade. Eles próprios dizem: o 25 de Abril não é o dia deles.
A liberdade não pode ser ilimitada, porque acaba por colidir com a liberdade dos outros. Só pode ser irrestrita quando tal não originar conflitos com a igualdade. Senão, tal viola a democracia. Sobretudo, a mais liberdade corresponde sempre mais responsabilidade. Querer mais liberdade só por querer tem sempre outras consequências. Para o indivíduo e para todos. Pensem nisto.
Bom 25 de Abril.

2008/04/23

O divórcio e o código laboral

Do editorial de sábado do DN:
José António Barros, o próximo presidente da Associação Empresarial de Portugal, veio a público lamentar o facto de "ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado, o que é um contra-senso porque o casamento deveria ser mais estável do que a legislação laboral". Casado pela quarta vez, o empresário sabe do que fala e põe o dedo na ferida de duas liberdades cuja ampliação esteve esta semana em cima da mesa. (...) Não faz sentido que continue a ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado.
“Isto” é “João Marcelino” puro (mesmo que até nem tenha sido ele a escrever). A comparação entre o casamento e um contrato de trabalho não é para ser tomada à letra (como o editorialista, bem como o presidente da AEP, tomam). Isto porque o casamento é uma relação que deve pressupor igualdade de direitos e deveres entre ambos os cônjuges, não existindo perante a lei um mais poderoso. Já numa relação patrão-empregado tal igualdade não existe: o empregado será sempre o elo mais fraco. É isto que a direita liberalizadora se “esquece” sempre de referir. E será sempre assim, a menos que o trabalhador pudesse passar a poder despedir o patrão... Por isso os trabalhadores precisam de sindicatos e de legislação que lhes dê direitos e garantias (e que os proteja da arbitrariedade dos patrões). Não é legítimo querer alterar as leis laborais com base nas recentes alterações à lei do divórcio.
Dito isto, é claro que está implícita uma sensação de confiança e tranquilidade no trabalhador casado, que não existe se de um momento para o outro puder ser despedido ou o seu cônjuge pedir (e obtiver) automaticamente o divórcio. A sensação de insegurança é a mesma. É claro que se for essa a opção dos cônjuges, nada a opor. Em, teoria, nenhuma das opções (divórcio imediato a pedido ou só por comum acordo) viola a igualdade dos cônjuges, e a meu ver deveriam poder existir ambas. Cada casal escolheria a que quisesse e que mais se adaptasse à sua forma de encarar o casamento. Ao decidir assim unilateralmente pela possibilidade do divórcio a pedido, sem dar satisfações ao cônjuge, e sem salvaguardar o modelo anterior, o governo está a dar um sinal de que os termos de todos os contratos devem passar a ser assim, unilaterais. De que a precariedade deve passar a ser estendida ao casamento. Embora a nova legislação laboral não consagre esse princípio (e ninguém crê que alguém no governo julgue que devesse consagrar), o sinal dado é claro. Os editorialistas de direita e o patronato já estão a aproveitar esse sinal. Que o Bloco de Esquerda não o distinga, não me surpreende. O que me surpreende é o PS e, principalmente, o PCP não o distinguirem. Agora aturem-nos.

2008/04/22

John Archibald Wheeler (1911-2008)

Foi o introdutor do termo “buraco negro” na terminologia corrente (apesar de não ter sido o descobridor dos “buracos negros” – só inventou a terminologia). Mas tem trabalhos importantes em física nuclear e introduziu a matriz S em teoria quântica de campo. Foi o orientador de físicos celebérrimos como Jakob Bekenstein (percursor da termodinâmica dos buracos negros) e Richard Feynman (que, a seu respeito, costumava dizer: “toda a gente diz que Wheeler está a dar em maluco, mas ele sempre foi maluco!”). Participou no Projecto Manhattan e apoiou a Guerra do Vietname. Para mim, há de ser recordado como um dos autores do horrendo “Gravitation”, um calhamaço de mais de cinco quilos que nunca ninguém leu. Nem os próprios autores o leram todo: o livro tem o texto principal (com que os três autores estavam de acordo) e umas caixas, a fundo cinzento (com que, diz a lenda, só um dos autores concordava, mas que eram publicadas na mesma). O resultado foi aquilo. Tive oportunidade de comprar o Gravitation, como novo, em segunda mão, por cinco ou dez dólares. Recusei.

Para saber mais: uma página toda dedicada a Wheeler, incluindo os obituários (destaque, como sempre, para o do The New York Times) e o The Reference Frame. E, no fim do mês, um novo volume da sua Gazeta de Física.

2008/04/21

Quem é o responsável pela crise alimentar?

Um muito interessante artigo de Nicolau Santos no Expresso.

Uma equipa fiável e que oferece garantias

Refiro-me ao FC Porto, obviamente, a quem aproveito para dar os parabéns por mais um título de campeão nacional. Espero que mantenham a regularidade a que nos habituaram para a semana, ou a luta emocionante a que eu me referia faz uma semana vai ser mesmo só pelo terceiro lugar.

2008/04/18

Meneses, amigo, estamos contigo!

Com o Santana Lopes era diferente: afinal, ele era primeiro ministro (ainda não sabemos bem como, e nem o próprio deve saber). Havia um motivo. Agora (e esta é uma pergunta aos blógueres de esquerda) qual era o problema com o Luís Filipe Meneses? O Luís Filipe Meneses não passava (e nunca passaria) de líder do PSD. Estou certo de que a principal razão da sua demissão são os ataques vindos de dentro do próprio PSD, e não à esquerda. Mas ainda assim, os blógueres de esquerda escusavam de ter ajudado à festa. Onde é que se vai arranjar alguém que sirva tão bem para líder do PSD como Meneses agora?
Só falta os sportinguistas a seguir começarem a atacar o Chalana e o Luís Filipe Vieira.

2008/04/17

Só faltou o sexto

1


2


3 (o golo mais decisivo da noite - eu sabia que o Derlei haveria de marcar contra o Benfica!)


4


5

Após o dérbi

Das caixas de comentários do Público:
“Disse aos jogadores que tínhamos o jogo ganho ao intervalo.” ” Aconteceu o quarto golo e depois o quinto”" Temos de levantar a cabeça, falar uns com os outros.”“E os jogadores é que estão lá dentro do campo. E foi isto que aconteceu.” Podiam ser os gato fedorento que também foram a Alvalade mas foi o rapaz que dá a cara pela equipa técnica do Benfica que proferiu estas belas palavras. O rapaz a driblar era o pequeno genial, nas conferências de imprensa o seu bigode e humor lembram Groucho Marx. E essa de tirar o Di Maria a gente agradece.Continuem assim que vão no bom caminho. A caminho do quinto. Ah, e não se esqueçam que o L.F.Vieira sabe o que quer para o Benfica. E quem sabe, sabe. Sabe ele e sabemos nós, que também o queremos lá por muitos e bons anos. A ele e à águia Vitória.

2008/04/15

Dez coisas a saber sobre John McCain

Depois de, nas primárias - a meu ver mal - ter apoiado um candidato (Barack Obama), o movimento de tendência democrata MoveOn resolveu finalmente eleger como seu adversário John McCain, não contribuindo para a divisão do Partido Democrata. E aponta-nos alguns factos dignos de registo, que são interessantes pelo que revelam não só do candidato mas também, principalmente, da direita norte-americana:

10 things you should know about John McCain (but probably don't):

1. John McCain voted against establishing a national holiday in honor of Dr. Martin Luther King, Jr. Now he says his position has "evolved," yet he's continued to oppose key civil rights laws.

2. According to Bloomberg News, McCain is more hawkish than Bush on Iraq, Russia and China. Conservative columnist Pat Buchanan says McCain "will make Cheney look like Gandhi."

3. His reputation is built on his opposition to torture, but McCain voted against a bill to ban waterboarding, and then applauded President Bush for vetoing that ban.

4. McCain opposes a woman's right to choose. He said, "I do not support Roe versus Wade. It should be overturned."

5. The Children's Defense Fund rated McCain as the worst senator in Congress for children. He voted against the children's health care bill last year, then defended Bush's veto of the bill.

6. He's one of the richest people in a Senate filled with millionaires. The Associated Press reports he and his wife own at least eight homes! Yet McCain says the solution to the housing crisis is for people facing foreclosure to get a "second job" and skip their vacations.
7. Many of McCain's fellow Republican senators say he's too reckless to be commander in chief. One Republican senator said: "The thought of his being president sends a cold chill down my spine. He's erratic. He's hotheaded. He loses his temper and he worries me."

8. McCain talks a lot about taking on special interests, but his campaign manager and top advisers are actually lobbyists. The government watchdog group Public Citizen says McCain has 59 lobbyists raising money for his campaign, more than any of the other presidential candidates.

9. McCain has sought closer ties to the extreme religious right in recent years. The pastor McCain calls his "spiritual guide," Rod Parsley, believes America's founding mission is to destroy Islam, which he calls a "false religion." McCain sought the political support of right-wing preacher John Hagee, who believes Hurricane Katrina was God's punishment for gay rights and called the Catholic Church "the Antichrist" and a "false cult."

10. He positions himself as pro-environment, but he scored a 0--yes, zero--from the League of Conservation Voters last year.

2008/04/14

Benfica beneficiado em Setúbal

O Vitória de Setúbal foi evidentemente prejudicado no jogo com o FC Porto do passado sábado. O grande beneficiado não é obviamente o FC Porto, mas o Benfica. Apesar de o clube da Luz continuar a ser beneficiado pelas arbitragens, prevejo que até ao fim do campeonato a luta pelo quarto lugar vai ser renhida.

2008/04/11

Paris respeita os direitos do homem em toda a parte



O Rui Pereira, autor do excelente (e infelizmente acabado) Stopping Light, indicou-me um álbum com fotos da passagem da tocha olímpica por Paris. Como a que eu mostro, de um cartaz afixado pela Câmara Municipal no respectivo edifício.

2008/04/10

O orgulho português em França


O primeiro português a transportar a tocha olímpica na história das Olimpíadas. Precisamente aquele que é o maior símbolo da comunidade portuguesa em França. Devemos agradecer ao Pauleta, mas também ao actual Presidente da Câmara de Paris: este reconhecimento deve-se também a ele. Parabéns, Pauleta.
A tocha olímpica desceu o Boulevard Jourdan, passou pela Cité Universitaire mesmo à porta da “minha” casa, até chegar ao Stade Charlety (mesmo ao lado da Casa de Portugal). Alguém tem fotos do evento?