Uma sociedade sem deveres
Começo por apresentar o meu cadastro 'fracturante': fui sempre a favor da despenalização do aborto, porque nunca entendi que a maternidade pudesse ser imposta como um castigo a quem engravidou sem querer, ou o aborto, nessas circunstâncias, fosse tratado como um crime; sou a favor da equiparação de direitos entre as uniões de facto e os casamentos - mas sou contra a transposição integral dos direitos do casamento para as uniões de facto, que é um regime onde apenas existem direitos e não existem deveres; sou a favor do casamento entre homossexuais, exactamente porque a simples união de facto, ainda que com deveres consagrados legalmente, não lhes permite aceder a um regime em que possam ter todos os direitos conjugais e respectivos deveres, apenas porque é diversa a sua orientação sexual; (...) sou contra 'o fim do divórcio litigioso', tal como previsto no projecto chumbado do BE e a ser retomado em breve pelo PS, em moldes semelhantes. Em matérias ditas fracturantes, estou assim completamente fracturado. Mas tenho a presunção de manter alguma coerência neste ziguezague ideológico: defendo os regimes em que existem direitos a que correspondem obrigações. Rejeito aqueles em que apenas existem direitos sem deveres.
A lei actual prevê que, não havendo acordo para um divórcio por mútuo consentimento, o cônjuge que se ache não culpado da situação de ruptura conjugal possa intentar contra o outro uma acção de divórcio litigioso, com fundamento em qualquer facto que, pela sua gravidade, comprometa a possibilidade de continuidade da vida comum, designadamente a violação dos deveres de coabitação, assistência e fidelidade. Num mundo perfeito e numa situação serena, esta possibilidade deveria manter-se letra morta, porque um divórcio litigioso nunca aproveita a ninguém: nem ao requerente, nem ao requerido, nem, sobretudo, aos filhos comuns. Mas, apesar de tudo, há alguma salvaguarda que a lei garante ao cônjuge declarado não culpado de um divórcio litigioso - na partilha de bens, por exemplo - e é legítimo que quem não teve culpa no divórcio possa reclamá-la para si. E, acima de tudo, existe uma razão de ordem pessoal e íntima para que alguém recuse divorciar-se contra sua vontade ou, no limite, só aceite fazê-lo de forma litigiosa e pedindo ao tribunal que declare então o outro culpado pela ruptura: acontece com os que pensam que o casamento é um contrato inquebrável, até à morte, e que defendê-lo sempre, por mais difíceis que sejam as circunstâncias, é um dever e um direito que lhes assiste. Eu não penso assim, mas não me sinto no direito de impor o que penso aos casamentos alheios.
Isto quer dizer que não há actualmente, na nossa lei civil, a possibilidade de requerer o divórcio, mesmo que o outro não queira, dizendo simplesmente que se deixou de o amar. Dito desta maneira, pode parecer muito chocante, nas sociedades urbanas e sentimentalmente libérrimas em que vivemos, mas convém olhar as coisas com mais cautela. Em primeiro lugar, embora o princípio legal vigente seja este, existe uma excepção que tudo muda: a lei prevê que possa ser fundamento de divórcio litigioso a separação de facto existente - dantes, ao fim de seis anos, agora de três e em breve de um ano apenas, que é quase o mesmo que nada. Ou seja, não apenas o cônjuge abandonado pode invocar tal facto como fundamento de divórcio, como também aquele que abandonou o pode fazer: sai de casa, espera um tempo e obtém o divórcio contra a vontade do outro e sem culpa do outro. Parece que já chegava e sobrava como defesa suficiente da instabilidade sentimental. Mas não: pretende-se também acabar de vez com a possibilidade de alguém obter em tribunal a declaração de que não foi culpado no divórcio. E, na reveladora justificação do líder parlamentar do PS, consagrar um regime legal que estipule que 'o casamento baseia-se nos afectos e não nos deveres'.
Eu sou contra isto. Contra uma sociedade que, em todos os domínios da vida, acha que faz parte dos direitos fundamentais do indivíduo nunca ter deveres. Pegando num exemplo recente, são os pais que acham que não têm o dever de educar os filhos e que basta dar-lhes telemóveis e iPod's para que eles não chateiem; são os filhos que acham que não têm o dever de obedecer e respeitar os professores na escola; os professores e os conselhos directivos que acham que não têm o dever de impor disciplina e respeito, custe o que custar; e os teóricos da educação que acham que não têm o dever de castigar a sério os alunos mal-educados, pondo-os a fazer trabalhos para a comunidade nos dias de folga, em lugar de os suspender ou transferi-los de escola. Esta teoria chega agora ao casamento e ao direito de família, pela mão da modernidade imbecil do PS e do Bloco de Esquerda. Estão convencidos de que assim mostram a sua abertura de 'esquerda', mas estão completamente enganados: fora dos meios urbanos, ricos e cultivados das grandes cidades, no país pobre, interior e onde a família conjugal é, a maior parte das vezes, a única defesa contra a solidão, a doença e as agruras da vida, o fim instantâneo do casamento por simples vontade de uma das partes vai traduzir-se apenas na vontade do mais forte contra o mais fraco. Mas talvez isto seja demasiado complicado para explicar àquelas cabecinhas pré-formatadas dos socialistas e dos bloquistas.
O PSD levou a sua liderança bicéfala ao 'Alentejo profundo' - o que quer dizer Alqueva. E quando um político vai ao Alqueva, é fatal que oiça queixas. Tantos anos a reclamar a barragem e, afinal, depois de pronta, depois dos milhões a perder de vista investidos na albufeira e nos sistemas de irrigação agrícola, quando seria de esperar que estivessem agradecidos ao esforço financeiro do país, é o contrário que se passa. Porque, como explicou um autarca local a Luís Filipe Menezes, "temos água com fartura, mas não temos mais nada". A Aldeia da Luz queixa-se que (depois de lhes terem feito uma aldeia nova, inteirinha) ainda não fizeram o centro de dia; a Aldeia da Estrela queixa-se que tem a água à porta, mas não tem um pontão para barcos; outros queixam-se do "olival intensivo dos espanhóis" (a quem eles venderem as terras por um preço dez vezes acima do que vigorava antes do Alqueva); e outros ainda queixam-se porque "o Governo não previu os efeitos económicos das alterações climáticas" e eles venderam aos espanhóis o girassol (que serve para fazer biocombustíveis) a 250 euros a tonelada e agora vale 620. Menezes ouviu tudo e concordou: "o governo fez questão de não apostar no empreendedorismo local". Eis um retrato do Portugal profundo: todos têm direitos inesgotáveis, sem deveres alguns. Nem ao menos o de aproveitarem as oportunidades que lhes caiem do céu. Menezes, como está na oposição, chama a isto "empreendedorismo". Eu chamo-lhe a atitude de estar sentado no café à espera do subsídio e a dizer mal de tudo.
2008/04/08
Miguel Sousa Tavares: uma sociedade sem deveres
Não tenho tido oportunidade de escrever sobre as propostas de lei do casamento civil do PS e do Bloco de Esquerda. Mas subscrevo quase todo o conteúdo do último artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso. Para não entrar numa outra discussão que agora não vem a propósito, transcrevo-o omitindo uma pequena parte.
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2008/04/07
A classe média e o ensino privado
A minha opinião sobre uma intervenção no último Prós e Contras (e sobre "classe média" em geral) no Cinco Dias.
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2008/04/04
Right becomes wrong and left becomes right
Numa entrevista antiga, que li anos depois na rede mas de que perdi o rasto, Caetano Veloso queixava-se da pouca atenção que as rádios brasileiras devotavam à sua canção Terra (uma música que, apesar dos seus muitos fãs, eu nunca achei nada de especial). Caetano falava mais ou menos nestes termos ao jornal (se eu bem me recordo, o JB): “Todo o mundo canta Terra, mas os radialistas nunca passam Terra porque dizem que é muito longo! Mas estão sempre passando essa merda de Dire Straits – cada canção dura dez minutos!”
Eu gosto muito do Caetano, mas logo não vou perder a oportunidade de assistir ao concerto do vocalista dos Dire Straits (e um dos maiores guitarristas de sempre), no Campo Pequeno, em Lisboa. Talvez até leve uma fita para o cabelo.
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2008/04/03
Revista das petas de 1º de Abril (2)
A minha contribuição modesta, no Cinco Dias.
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2008/04/02
Revista das petas de 1º de Abril
Em A Bola, "a águia Vitória está desaparecida". No Record, Rui Alves "não gosta de portugueses" e quer a independência da Madeira. O que até é capaz de nem ser mentira nenhuma...
Não vislumbrei nenhuma mentira no Diário de Notícias. O matutino dirigido por João Marcelino só dedicou as centrais a recordar algumas partidas pregadas aos leitores em anos anteriores. No tempo em que o DN contava mentiras a 1 de Abril. No tempo em que o DN era um jornal sério.
Não vislumbrei nenhuma mentira no Diário de Notícias. O matutino dirigido por João Marcelino só dedicou as centrais a recordar algumas partidas pregadas aos leitores em anos anteriores. No tempo em que o DN contava mentiras a 1 de Abril. No tempo em que o DN era um jornal sério.
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2008/04/01
2008/03/28
Em Portimão
(Mais um) excelente texto do Tárique.
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2008/03/27
Um país de blogues
Cinco anos passaram sobre a invasão do Iraque e sobre o boom da blogosfera. Para recordar esta realidade de que também tenho participado, transcrevo na íntegra o artigo de Luís Miguel Queirós no Público de 22.03.2008. Vale a pena ler, entretanto, este comentário.
Há meia-dúzia de anos, poucos sabiam o que era um blogue. Hoje haverá quase 200 mil em Portugal. A blogosfera já nos "deu" a erudição sexual de O Meu Pipi, o humor dos Gato Fedorento, as crónicas de Pedro Mexia ou os comentários de Rui Tavares. E sem ela talvez não tivéssemos visto, há dias, cem mil professores na rua. Por Luís Miguel Queirós
Em Outubro de 2002, quando Pedro Mexia, Pedro Lomba e João Pereira Coutinho lançaram o blogue Coluna Infame, calcula-se que os blogues portugueses não excedessem umas escassas centenas. Ninguém sabe ao certo quantos existem hoje, mas Mexia diz que "já se fala em 200 mil". E um estudo internacional recente indica que Portugal é, de facto, em termos relativos, um dos países onde mais gente escreve em blogues e os lê. Segundo uma sondagem da Nielsen, mais de vinte por cento dos cibernautas portugueses visitam blogues diariamente, o que representa o dobro da média europeia.
Números que parecem apontar para um país com uma opinião pública numerosa, interessada e interveniente. Se não houvesse razões mais óbvias para suspeitar de que não será bem assim, o próprio estudo da Nielsen forneceria motivos de reserva suficientes, já que conclui que os países europeus com mais baixos índices de escrita e leitura de blogues são os escandinavos, ao passo que aqueles em que a blogosfera se mostra mais dinâmica são, além de Portugal, a Grécia e a Itália.
Criar um blogue é fácil e gratuito. Até há pouco tempo, quem quisesse criar uma página pessoal na internet, tinha de dominar a linguagem de programação "html" (HyperText Markup Language), que sempre exige alguns conhecimentos técnicos, e ainda de pagar o alojamento do seu site. Mesmo com os blogues, começou por ser assim, o que explica que muitos dos pioneiros da blogosfera mundial fossem informáticos. Agora, qualquer pessoa minimamente familiarizada com computadores pode abrir e alimentar um blogue, e ainda por cima sem pagar nada por isso.
Estes são argumentos que seguramente ajudam a justificar o insólito sucesso da blogosfera portuguesa, e também a sua extrema variedade, já que, para cada Abrupto (o blogue de Pacheco Pereira) ou Causa Nossa (onde escrevem, entre outros, Vital Moreira e Ana Gomes), há umas centenas de blogues que nunca chegam aos media tradicionais e que, na expressão de Pedro Mexia, "o radar não acusa". O co-fundador da Coluna Infame divide-as em duas categorias principais: "páginas de adolescentes sem interesse nenhum", e aquilo a que chama "a blogosfera javardola". Uma designação eventualmente aplicável a blogues como o popular Gaijas da TV - estava ontem dois lugares acima do Abrupto no Blogómetro, um ranking de popularidade gerido pelo portal "weblog.com.pt" -, para não citar outros blogues com nomes e conteúdos ainda mais sugestivos.
A inflação da blogosfera será, paradoxalmente, resultante de um certo subdesenvolvimento? Ivan Nunes, que manteve o blogue A Praia e colabora hoje no Cinco Dias, não exclui que seja assim, mas interessa-lhe mais realçar que se traduz num "mecanismo de desenvolvimento". E não lhe parece muito relevante saber se os portugueses criam muitos blogues por serem "pobrezinhos, solitários ou conservadores". Pacheco Pereira sublinha que "muitos blogues são muito maus, como não podia deixar de ser, porque reflectem o mundo cá fora que também não é brilhante", mas acredita que "o facto de haver milhares de pessoas em Portugal a ler e escrever blogues é um avanço no espaço público". Rui Tavares, que se revelou no desaparecido blogue colectivo Barnabé, não tem dúvidas de que a dimensão da blogosfera é positiva, e acha que o próprio discurso sobre o atraso português deve ser escrutinado, já que tem dúvidas de que se possa falar de um "atraso cultural". O que "talvez haja", diz, "é um atraso académico".
Para este colunista do PÚBLICO, a suposta "imobilidade" da sociedade portuguesa, e a sua alegada "mediocridade generalizada", são mitos que vêm do regime anterior, e que foram perpetuados pela geração que ascendeu ao poder após o 25 de Abril. Este retrato do país, considera, "não é um diagnóstico, é uma estratégia de defesa". Na sua opinião, a blogosfera apenas "revelou algo que já tinha condições para existir: um debate mais amplo e diverso, com mais qualidade e mais conhecimento, inclusive técnico e científico". A crescente presença de cientistas na blogosfera parece-lhe ser um sinal particularmente positivo: "Hoje, quando um tipo diz um disparate em biologia ou física, caem-lhe logo em cima".
Um dos mitos sobre a blogosfera é o de que esta só adquire a visibilidade que os jornais e a televisão lhe dão, e não teria grande influência real e directa na sociedade. A manifestação de cem mil porfessores em Lisboa, em grande medida organizada através de blogues, como, por exemplo, o Sala de Professores, parece desmentir este juízo.
Uma marca genética
Outro dos efeitos já observáveis da blogosfera foi a renovação do espectro de colunistas e cronistas nos jornais, com nomes como os de Rui Tavares, Pedro Mexia, Pedro Lomba, Ricardo Araújo Pereira ou, mais recentemente, João Miranda, do blogue Blasfémias, entre outros. Todos eles tinham já uma reputação firmada nos respectivos blogues quando chegaram aos jornais ou à televisão. Para Ivan Nunes, uma das coisas mais gratificantes desses primórdios da blogosfera nacional foi justamente a oportunidade de "descobrir gente da [sua] geração que praticamente não escrevia em lado nenhum".
Rui Tavares acha que esse boom inicial de blogues empenhados no comentário político se deveu, em parte, "à asfixia dos canais de opinião", com o pouco espaço disponível nos jornais dominado por um conjunto de comentadores muito próximos em termos geracionais, e quase sempre oriundos dos partidos políticos. "Muita gente", acredita, "começou a escrever na blogosfera porque não se sentia representada em nada do que lia".
Não sendo óbvio que a opinião publicada nos jornais por esses anos de 2002 e 2003 fosse maioritariamente de esquerda, não deixa de ser curioso que, desde o início e até hoje, a blogosfera mais marcadamente política tenha revelado "uma nítida sobre-representação da direita", para usar uma expressão de Ivan Nunes, que crê que essa tendência ainda hoje se mantém. Pedro Mexia subscreve o diagnóstico, e julga que, na origem, o fenómeno está ligado ao atentado às Torres Gémeas, em 2001. "Entre a queda do Muro de Berlim e o 11 de Setembro, não se sabia muito bem o que eram a esquerda e a direita", diz, mas "após o 11 de Setembro, houve uma repolitização evidente, para a qual a posterior guerra do Iraque também contribuiu".
Mexia, que mantém hoje blogue Estado Civil, chama também a atenção para o facto de partidos com pequena representação parlamentar, como o CDS ou o Bloco de Esquerda, estarem provavelmente mais representados na blogosfera do que o PS ou o PSD. E considera "um mistério" o aparente "desinteresse" do PCP: "Um blogue com gente nova do PC, não conheço nenhum".
Embora os mais antigos blogues portugueses datem ainda do final do século passado, foram espaços como a Coluna Infame, a partir do final de 2002, e o pouco posterior Blog de Esquerda, lançado por José Mário Silva e Manuel Deniz Silva, que vieram dar alguma visibilidade à blogosfera. Quando João Pereira Coutinho respondeu torto a um post de Daniel Oliveira, colocado no Blog de Esquerda, e Mexia e Lomba, achando que o seu companheiro tinha passado das marcas, decidiram acabar com o projecto comum, no dia 10 de Junho de 2002, a blogosfera já era algo suficientemente relevante para que José Manuel Fernandes celebrasse o requiem da Coluna Infame no editorial do PÚBLICO. Uma visibilidade que também ficava muito a dever-se ao facto de, cerca de um mês antes, Pacheco Pereira se ter tornado a primeira figura conhecida do grande público a lançar o seu próprio blogue, o Abrupto.
Apesar de existirem blogues sobre tudo e mais alguma coisa - do futebol à religião, da pornografia ao wrestling, do humor à mobilidade sustentada -, a visibilidade que o debate político e ideológico assumiu nos primórdios da blogosfera portuguesa é uma marca genética que ainda hoje se faz sentir. Quando se comenta a blogosfera, é quase sempre nessa blogosfera restrita - a do debate político e da discussão cultural - que se está pensar. De resto, política, cultura e humor andaram muitas vezes interligados nos mesmo blogues, como aconteceu e acontece, por exemplo, nos de Pedro Mexia.
Chegaram os Pinkerton
O crescimento exponencial da blogosfera foi-a transformando, também, de uma pequena cidade onde todos se conhecem e se cruzam na rua, numa grande metrópole, um pouco menos "cozy", para adoptar um termo usado por Pacheco Pereira num texto que suscitou muitos comentários. Já em 2004, este escrevia que "os amigos e conhecidos foram sucessivamente sendo substituídos por estranhos, os círculos de influência, que eram também de troca de reconhecimento, foram-se desagregando, e isso torna os blogues um meio mais duro, menos satisfatório em termos psicológicos". E concluía o autor que "a blogosfera é agora mais hostil do que cozy.".
Pedro Mexia concorda que "as pessoas eram poucas e conheciam-se mais", mas acha que "o ambiente nunca foi cozy", lembrando, com manifesto conhecimento de causa, que até os co-autores de um mesmo blogue se zangavam.
Ivan Nunes pensa que, nesses anos de formação da blogosfera, era possível, de facto, falar-se de uma "comunidade" em sentido mais restrito. "Criaram-se laços de amizade entre pessoas de orientação ideológica diferente", diz, acrescentando: "Sinto que pertenci a essa comunidade, embora outros a ela tenham pertencido de muito mais pleno direito do que eu". Não é por acaso que conjuga o verbo "pertencer" no passado, tendo em conta que continua activo na blogosfera, no Cinco Dias e no ex-Ivan Nunes. No entanto, até admite que hoje possa continuar a falar-se de "comunidade", mas restringida a um grupo de blogues "que se opõem e se citam reciprocamente". Está a pensar em "blogues políticos, que percebem que lhes é útil polemizar para suscitar audiências". Como exemplos, adianta o 31 da Armada, o Blasfémias, o Insurgente, o 5 Dias (onde ele próprio colabora), o Ladrões de Bicicletas ou o Arrastão.
Rui Tavares é o menos nostálgico desses tempos - muito próximos de nós, mas já um tanto míticos - em que a blogosfera seria uma espécie de reunião familiar alargada, à qual se admitia com gosto o primo que votava no partido errado ou gostava de livros e filmes duvidosos. O historiador e colunista do PÚBLICO acha que a blogosfera nunca foi especialmente acolhedora - "o Pacheco Pereira gostava era que ela fosse cozy para ele" - e acha que assim é que está bem. "Se fosse uma espécie de clube britânico, não tinha graça nenhuma", diz Tavares, que acha que aos blogues só não devem permitir-se "as calúnias e a falta de sentido de humor".
Pacheco Pereira recorre a analogias com o velho faroeste americano para caracterizar a blogosfera portuguesa e o modo como esta foi evoluindo. Acha que, entre os blogues com maior expressão, "existem várias tribos, e uma comunidade geral, uma "nação índia", com regras de sociabilidade mais ou menos comuns". Mas crê que se "passou de um ambiente "comunitário" primitivo para uma "luta de classes" agressiva, em grande parte", argumenta, "porque a blogosfera é um campo de recrutamento dos media tradicionais e os bens são escassos na opinião". E acrescenta que "já há tentativas de ganhar dinheiro, criando redes de blogues que se citam artificialmente uns aos outros para depois serem vendidas a algum operador que se pretenda instalar na blogosfera". Recuperando a metáfora inicial, resume: "Continua o far west, mas já chegaram as companhias ferroviárias e os Pinkerton". A recente transferência de muitos dos blogues mais conhecidos para a plataforma fornecida pelo Sapo, alguns deles a convite do próprio portal, parece dar-lhe razão.
Ao contrário de Ivan Nunes ou Mexia, Pacheco Pereira nunca se sentiu parte da comunidade bloguística. "O Abrupto dirige-se em primeiro lugar para fora da blogosfera", diz, "e é daí que vem a maioria dos seus leitores e, penso, a razão do seu sucesso consistente desde 2003". Algo que, afirma, "irrita muita gente, mas é indesmentível nos números".
Casanova e maradona
Os "números" são uma coisa que preocupa todos os bloggers, incluindo, garante Mexia, os que dizem que não lhes ligam nenhuma. Há diversas instituições que fornecem estatísticas relativas à blogosfera, recorrendo aos mais variados métodos e critérios. A popularidade dos blogues pode ser medida pelo número de vezes que alguém a ele acedeu, ou pelo número de páginas visitadas, ou pelo tempo médio que dura cada visita, ou ainda pela quantidade de links para um determinado blogue. Este último processo, utilizado pelo Technorati - que, já em 2007, afirmava rastrear mais de 112 milhões de blogues - propõe-se avaliar não tanto a popularidade, mas aquilo a que esta empresa chama a "autoridade" de um blogue. Isto dito em linguagem simples. O blogue Pastoral Portuguesa, cujo autor assina Rogério Casanova, oferece uma definição mais académica do termo "Technorati", recorrendo ao estilo das entradas de dicionário: "palavra derivada do calão Fenício para "mercador cujas bugigangas gozam de sucesso considerável entre os Hititas". Designa actualmente o instrumento utilizado para medir a relevância ontológica de um sujeito X, em relação a um padrão abstracto Z denominado, por convenção, "Pacheco Pereira"".
O poeta e cronista Manuel António Pina não tem dúvidas em sugerir este Pastoral Portuguesa como um dos mais recomendáveis blogues portugueses em actividade. E sabe do que fala, porque é um leitor infatigável da blogosfera. Já em 2003 afirmava, na Visão (esta e outras informações foram colhidas na muito útil cronologia comentada da blogosfera portuguesa que Leonel Vicente vem disponibilizando em "http://leonelvicente.jottit.com), que "a blogosfera é o lugar onde hoje melhor se escreve e se pensa em português".
Mexia e Ivan Nunes também apreciam o autor que se esconde sob o pseudónimo Rogério Casanova , mas, quando se lhes pergunta que talentos oculta a blogosfera que não tenham ainda "saltado" para os jornais, para a televisão, ou para as páginas de um livro, referem ambos o mesmo nome: alguém que se assina "maradona", assim mesmo, sem maiúscula inicial, e que alimenta o blogue A Causa foi Modificada.
E, como nota Ivan Nunes, há blogues que conseguiram atingir um estatuto de referência no interior da blogosfera, ainda antes de serem conhecidos fora dela. "Nunca esqueçamos", diz, "o Gato Fedorento, que foi um blogue antes de ser tudo o resto, e antes de eles imaginarem que podia ser tudo o resto, e ainda menos esqueçamos O Meu Pipi, que foi um fenómeno extraordinário". Este último, que ostentava uma assombrosa erudição em matéria de gíria aplicável aos órgãos e actividades sexuais, e que chegou mesmo à edição em livro, é ainda hoje um enigma por desvendar. A identidade do seu autor nunca foi revelada.
Apesar destes exemplos, Mexia e Ivan Nunes coincidem em sugerir que haverá apenas "uns cem blogues" que vale a pena ler. Mexia sublinha que o número é arbitrário e que é um modo de dizer que a blogosfera não é um viveiro de talentos ocultos. Rui Tavares, sem propriamente discordar, acha que há, ainda assim, bastantes autores talentosos a escrever em blogues, e nota que o panorama dos colunistas e comentadores que fizeram o seu nome nos jornais não é mais animador. "Se deixarmos ficar só os melhores, os que são bons e escrevem bem, temos o Pacheco Pereira, o Vasco Pulido Valente, o Manuel António Pina, o Ferreira Fernandes... quem mais?".
2008/03/25
A angústia dos avançados do Sporting no momento do penálti
Como escreveu o Ricardo Araújo Pereira, um penálti a favor do Sporting é um castigo... contra o Sporting. Parabéns ao Vitória de Setúbal. E espero que a vingança venha na Taça de Portugal.
2008/03/24
Pequenas vigarices que a ASAE não detecta
A ASAE continua a actuar, mesmo na quadra de Páscoa, sem olhar a quem. Continuem!
Pelo meu texto anterior talvez possam concluir que sou favorável ao encerramento das grandes superfícies ao domingo. Não é necessariamente verdade; simplesmente gosto que as leis sejam cumpridas. (Sobre a abertura das grandes superfícies ao domingo, em princípio sou favorável, pois o contrário parece-me anacrónico. Mas não faço disso um combate: há assuntos muito mais importantes e, de resto, é minha opinião que desde que o Carrefour voluntariamente saiu de Portugal deixou de haver grandes superfícies que valham mesmo a pena.)
No sábado de Páscoa desloquei-me ao Continente para comprar um folar. No folheto de propaganda vinham anunciados a 3,45€ o quilo. Ao chegar lá, encontro o sinal grande pendurado: “artigo de folheto: folar - 3,45€/kg”. Mesmo por baixo, todos os folares que encontro têm o mesmo preço: 2,24€. O seu peso não vem indicado em lado nenhum. Desconfiado, pego num e levo-o à frutaria para pedir que mo pesem. 400 g, têm aqueles folares. Não é preciso ter uma grande cabeça para concluir que o preço ao quilo daqueles folares é bem superior aos 3,45€ anunciados. Queixo-me na padaria; dizem-me que os folares àquele preço estavam a chegar; era uma questão de esperar um bocadinho. E acabaram por chegar, a 3,45€ o quilo, de tamanhos diferentes, com pesos diferentes e sempre indicados. A maior parte deles eram maiores e mais baratos que os outros sem peso indicado. Desapareceram rapidamente. E lá continuaram os folares que estavam antes: de 400 g, mas sem indicação do peso (só o preço e a data), vendidos a um preço bem superior. Mesmo por baixo do cartaz que indicava: “artigo de folheto: folar - 3,45€/kg”.
Pelo meu texto anterior talvez possam concluir que sou favorável ao encerramento das grandes superfícies ao domingo. Não é necessariamente verdade; simplesmente gosto que as leis sejam cumpridas. (Sobre a abertura das grandes superfícies ao domingo, em princípio sou favorável, pois o contrário parece-me anacrónico. Mas não faço disso um combate: há assuntos muito mais importantes e, de resto, é minha opinião que desde que o Carrefour voluntariamente saiu de Portugal deixou de haver grandes superfícies que valham mesmo a pena.)
No sábado de Páscoa desloquei-me ao Continente para comprar um folar. No folheto de propaganda vinham anunciados a 3,45€ o quilo. Ao chegar lá, encontro o sinal grande pendurado: “artigo de folheto: folar - 3,45€/kg”. Mesmo por baixo, todos os folares que encontro têm o mesmo preço: 2,24€. O seu peso não vem indicado em lado nenhum. Desconfiado, pego num e levo-o à frutaria para pedir que mo pesem. 400 g, têm aqueles folares. Não é preciso ter uma grande cabeça para concluir que o preço ao quilo daqueles folares é bem superior aos 3,45€ anunciados. Queixo-me na padaria; dizem-me que os folares àquele preço estavam a chegar; era uma questão de esperar um bocadinho. E acabaram por chegar, a 3,45€ o quilo, de tamanhos diferentes, com pesos diferentes e sempre indicados. A maior parte deles eram maiores e mais baratos que os outros sem peso indicado. Desapareceram rapidamente. E lá continuaram os folares que estavam antes: de 400 g, mas sem indicação do peso (só o preço e a data), vendidos a um preço bem superior. Mesmo por baixo do cartaz que indicava: “artigo de folheto: folar - 3,45€/kg”.
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2008/03/19
Camacho
Volta a estar na ordem do dia a questão do treinador do Benfica, depois da demissão de Camacho. Deve Chalana ficar até ao fim da época?
Não sou benfiquista e nem tenho nada a ver com isso, mas não posso deixar de criticar entretanto a atitude do treinador espanhol, análoga à de Octávio Machado há dez anos no Sporting: sair precipitadamente, numa fase crucial da época. No caso de Camacho, essa atitude é reincidente: já a tinha tomado no Real Madrid. Não creio que seja bom para a sua imagem enquanto treinador: revela que não sabe lidar com a pressão e falha enquanto líder. Se não conseguia motivar os seus jogadores, a culpa também é sua. Não há como negá-lo: ao sair da forma que saiu, Camacho falhou no Benfica. Teve medo de perder. E quem tem medo de perder nunca pode ganhar. De facto, a única coisa que Camacho ganhou até hoje, enquanto treinador, foi uma Taça de Portugal...
Da minha parte, quero que o Sporting fique com o Paulko Bento pelo menos até ao fim da época. Felizmente isso não parece estar em causa.
Não sou benfiquista e nem tenho nada a ver com isso, mas não posso deixar de criticar entretanto a atitude do treinador espanhol, análoga à de Octávio Machado há dez anos no Sporting: sair precipitadamente, numa fase crucial da época. No caso de Camacho, essa atitude é reincidente: já a tinha tomado no Real Madrid. Não creio que seja bom para a sua imagem enquanto treinador: revela que não sabe lidar com a pressão e falha enquanto líder. Se não conseguia motivar os seus jogadores, a culpa também é sua. Não há como negá-lo: ao sair da forma que saiu, Camacho falhou no Benfica. Teve medo de perder. E quem tem medo de perder nunca pode ganhar. De facto, a única coisa que Camacho ganhou até hoje, enquanto treinador, foi uma Taça de Portugal...
Da minha parte, quero que o Sporting fique com o Paulko Bento pelo menos até ao fim da época. Felizmente isso não parece estar em causa.
2008/03/18
Mais Delanoe em Paris

Paris continua à gauche. E bem: embora eu só lá tenha vivido com Bertrand Delanoe como maire, pareceu-me uma cidade muito bem administrada. Delanoe é um exemplo para outros presidentes de câmara da Europa. Se se confirmarem os prognósticos, tem condições de ser o futuro líder do PS francês.
Destaque ainda para a eleição do português Hermano Ruivo, fundador da Cap Magellan, nas listas do PS, no "meu" XIVème arrondissement.
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Paris
2008/03/17
Trinta anos a ser sustentado por todos os portugueses

A receber o que Alberto João Jardim todos os anos recebe do "continente", qualquer um teria a "obra feita" (que eu admito que ele tenha). O que nem toda a gente faria era manter um controlo policial sobre a ilha, controlar a imprensa, pagar a colunistas e manter sob seu controlo (como empregador) um quarto da população. Mas parece que agora já não lhe chega o subsídio: quer mais dois mil euros do Daniel Oliveira (fora os juros) a título pessoal.
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2008/03/14
NVIDIA graphics driver
Era esse o nome do problema.
Desde há mais de uma semana o meu computador estava instável. Cada vez que eu queria ver um vídeo ele entrava em pane e tinha que ser reinicializado. Apercebi-me de que o problema deveria ser uma driver. Fiz todo o tipo de troubleshooting do Windows. Nada. O problema continuava. Cada vez que eu entrava inadvertidamente numa página com vídeo (como acontece com A Bola, por exemplo) o computador entrava em pane e eu tinha que o reinicializar.
Decidi então reinstalar algum software. Primeiro o Windows Media Player (com os codecs todos). Depois o Internet Explorer. O problema melhorou: em vez de o computador entrar em pane, reinicializou-se automaticamente. Por isso, a análise ao sistema após a reinicialização detectou aquilo que todos os troubleshootings que eu fizera não foram capazes. O problema era este. E a solução era reinstalar a driver.
Moral da história: quando o computador entra em pane, é preferível se ele se reinicializar sozinho. Se o tivermos que reinicializar nós, podemos ter problemas.
Desde há mais de uma semana o meu computador estava instável. Cada vez que eu queria ver um vídeo ele entrava em pane e tinha que ser reinicializado. Apercebi-me de que o problema deveria ser uma driver. Fiz todo o tipo de troubleshooting do Windows. Nada. O problema continuava. Cada vez que eu entrava inadvertidamente numa página com vídeo (como acontece com A Bola, por exemplo) o computador entrava em pane e eu tinha que o reinicializar.
Decidi então reinstalar algum software. Primeiro o Windows Media Player (com os codecs todos). Depois o Internet Explorer. O problema melhorou: em vez de o computador entrar em pane, reinicializou-se automaticamente. Por isso, a análise ao sistema após a reinicialização detectou aquilo que todos os troubleshootings que eu fizera não foram capazes. O problema era este. E a solução era reinstalar a driver.
Moral da história: quando o computador entra em pane, é preferível se ele se reinicializar sozinho. Se o tivermos que reinicializar nós, podemos ter problemas.
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2008/03/13
Não há pachorra para as redes sociais
Refiro-me a coisas como o hi5, o Zorpia, o Plaxo, o Star Tracker... Tenho uma conta neles todos e nunca a uso. As desvantagens da diversidade vêem-se aqui: não seria muito melhor uma “concentração de redes”?
Cada amigo meu tem uma rede diferente, e cada um convida-me a pertencer a uma rede diferente. Uma amiga minha, então, pertence às redes todas, e manda-me sempre convites que eu vou aceitando, algo acriticamente, para nunca mais lhes ligar.
Tirando o hi5 (uma rede “social” para adolescentes), as outras redes têm como objectivo ter contactos, e manter os contactos actualizados, algo importante num mundo onde as pessoas vivem em mutação constante. Se eu mudar a minha morada, telefone, emprego, em vez de contactar todos os meus amigos e conhecidos, altero os meus dados no meu perfil na rede, sem dar trabalho nenhum aos meus amigos, que no máximo (se quiserem) receberão a informação num email. Está sempre tudo disponível na rede. Cada pessoa trata assim dos seus dados e corrige-os nas “agendas” dos outros. É simples. O complicado é ter que fazer alterações destas em todas as redes!
Decidi portanto só tomar a sério as redes onde encontro a maioria dos meus amigos e conhecidos. E são duas: o LinkedIn, altamente profissional, e o Facebook, bem mais informal (uma versão um pouquinho menos infanto-juvenil do hi5). Porquê o Facebook? Porque por alguma razão encontro lá montes de colegas meus, físicos teóricos, que se inscreveram lá independentemente (recebi o convite de um).
Cada amigo meu tem uma rede diferente, e cada um convida-me a pertencer a uma rede diferente. Uma amiga minha, então, pertence às redes todas, e manda-me sempre convites que eu vou aceitando, algo acriticamente, para nunca mais lhes ligar.
Tirando o hi5 (uma rede “social” para adolescentes), as outras redes têm como objectivo ter contactos, e manter os contactos actualizados, algo importante num mundo onde as pessoas vivem em mutação constante. Se eu mudar a minha morada, telefone, emprego, em vez de contactar todos os meus amigos e conhecidos, altero os meus dados no meu perfil na rede, sem dar trabalho nenhum aos meus amigos, que no máximo (se quiserem) receberão a informação num email. Está sempre tudo disponível na rede. Cada pessoa trata assim dos seus dados e corrige-os nas “agendas” dos outros. É simples. O complicado é ter que fazer alterações destas em todas as redes!
Decidi portanto só tomar a sério as redes onde encontro a maioria dos meus amigos e conhecidos. E são duas: o LinkedIn, altamente profissional, e o Facebook, bem mais informal (uma versão um pouquinho menos infanto-juvenil do hi5). Porquê o Facebook? Porque por alguma razão encontro lá montes de colegas meus, físicos teóricos, que se inscreveram lá independentemente (recebi o convite de um).
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2008/03/12
Bilbau, cidade de arquitectura (conclusão)

Bilbau tem uma ponte pedonal que é uma miniatura da Gare do Oriente de Lisboa. Para reforçar a comparação que atrás fiz entre Bilbau e Nova Iorque falta um análogo da Ponte de Brooklyn. Esse análogo é esta ponte de Santiago Calatrava. Também o terminal do aeroporto é da autoria do arquitecto valenciano. Todo o trabalho de Calatrava é facilmente identificável e muito do meu agrado. Lisboa deveria orgulhar-se da Gare do Oriente, que é uma beleza. Talvez não seja muito prática para apanhar o comboio, mas para isso temos a velhinha Santa Apolónia, que agora até tem metro... A avaliar pelas amostras de Bilbau, gosto do Gehry mas prefiro o Calatrava.
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Viagens
2008/03/10
A Sexta e o Dia da Mulher
Considero o semanário Sexta a melhor publicação gratuita portuguesa (e uma interessantíssima leitura, qualquer que fosse o seu preço). Por isso aborrece-me vê-la transformada num encarte publicitário a propósito do Dia da Mulher. Ler mais no Cinco Dias em dois textos (aqui e aqui).
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2008/03/07
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