2007/09/19

Bem vindo a casa, Ronaldo!

...mas espero que o resultado de logo seja o mesmo daquele jogo, entre as mesmas equipas, de inauguração do Estádio Alvalade XXI. O teu último jogo pelo Sporting.

"Com um estádio atrás de mim até eu lhe enfiava um tabefe"

João Miguel Tavares no Diário de Notícias:
O seleccionador devia ter vergonha não só pelo que fez mas pelas desculpas que arranjou. Porque, na verdade, não foi Scolari quem protegeu Quaresma, como até hoje ele continua a insistir. Foi Quaresma e a restante selecção que protegeram as costas de Scolari, enquanto ele perdia a cabeça em Alvalade.
Francamente o que mais me irrita na atitude de Scolari nem é o tabefe no sérvio em si. Espetar um tabefe num adversário, sendo uma atitude antidesportiva e condenável, revela um problema de temperamento. Não o saber assumir e refugiar-se em desculpas revela um problema de carácter.

2007/09/18

Os coelhos não são esferas - os coelhos são toros!

Reparem nos seguintes esclarecimentos de Dennis Overbye no The New York Times que, mais uma vez, até por isto é o melhor jornal do mundo:

August 18, 2006
Ask Science: Poincaré’s Conjecture
By DENNIS OVERBYE
Dennis Overbye answered select reader questions regarding his article about the Poincaré conjecture from this week's Science Times.

Q. The Poincaré Conjecture article has a side note stating "To a topologist, a rabbit is the same as a sphere." Every rabbit I've seen, however, has a hole (or tunnel if you prefer) running from its mouth to just under its tail. It seems to me a rabbit is really the same as a donut. – F. P. Katz

A. So you see, topology isn’t so hard after all. More readers than I care to count — by far a vast majority of those of you who wrote and phoned through all the different channels of communication available— took issue with my oversimplification of rabbit anatomy. Some were more scatalogical than the others. Yes, real live rabbits are like doughnuts, as are people, worms and sharks. As more than one reader pointed out, the development of a digestive system is no small feat for an organism.

My only excuse, and I admit it is a feeble one, is that the bunny in the graphic that accompanied this story was clearly a cleaned up version with no orifices, more like a chocolate bunny or a Disney animal than a real one. I also have to say that I never owned a rabbit, or any animal that lived in a cage that had to be cleaned up — an experience that might have reminded me of the inconvenient side of bunnies.

A mathematician friend tells me that the fact that so many readers caught me on this is very encouraging. “You should be ecstatic over this,” he wrote in an e-mail. “It means that a lot of non-mathematicians actually understood what you wrote!”

Sobre este assunto, e a relação entre a prova da conjectura de Poincaré e a teoria de supercordas, ler os comentários do Lubos Motl.

2007/09/17

22:15

Uff... Custou mas foi. Após muitas perifécias e imprevistos de última hora, a candidatura foi lacrada. Já não posso ver mais planos de trabalhos à frente. Uma vez mais alea jacta est.

2007/09/16

Recôncava


Claudionor Viana Teles Veloso, a Dona Canô, mãe de seis filhos, entre eles Caetano Veloso e Maria Bethânia, avó e bisavó, referência de Santo Amaro da Purificação na Bahia, faz hoje cem anos. Parabéns.

2007/09/14

How do we solve a problem like Scolari?

Admito, assumo, errei: quando li este texto da Fernanda Câncio, o pensamento que me veio à cabeça foi "as mulheres não percebem nada de futebol". Tal como o Scolari, eu não sou infalível (mas não preciso de me refugiar no Quaresma). Seria sempre errado chegar a esta generalização baseado num texto: no máximo, poderia chegar a alguma conclusão sobre... a Fernanda Câncio. Porque saberia que a Fernanda se irritaria, na altura decidi escrever nos comentários o eufemismo mais simpático de que me lembrei: a Fernanda "não estava nada preocupada" (eu queria era dizer "interessada") com o futebol. Mas se confirmação fosse precisa de que tal não é uma característica exclusiva das mulheres (e nem tem que ser de todas), ela foi-me dada por este texto ainda mais alucinado do Tiago Mendes. Obrigado, Tiago, por demonstrares que um homem também pode escrever despropósitos e exageros sobre futebol.
Tiago e Fernanda, eu gosto muito de vocês (a sério), apesar de provavelmente serem clientes do "El Corte Inglés" (espero que o Tiago ao menos não mande lá a criada). São duas pessoas a quem eu compraria um carro usado, como se diz nos EUA (se bem que não me parece que nenhum de vocês use carros utilitários). Mas convençam-se: o futebol é o território onde libertamos toda a nossa irracionalidade (se não fosse assim, como é que gajos de esquerda como eu estariam preocupados com gajos que ganham fortunas?). É claro que um individualista liberal como o Tiago julga que deveria partir de cada um (neste caso, de Scolari) a iniciativa de se autopunir, demitindo-se. Tal não é verdade, e nem a Federação deve tomar tal atitude, simplesmente porque tal seria desastroso, neste momento (friso o neste momento) para a selecção. Significa isto que o acto de Scolari deve passar impune? É claro que não, mas cabe a um moderador, um regulador (o equivalente ao Estado) a decidir a punição (este papel é da UEFA). A Federação deve deixar Scolari ficar até ao fim do Campeonato Europeu. Esta discussão é interessante (ler também o Daniel Oliveira); eu estou de acordo com o marialva (aqui e aqui).

2007/09/13

Não “empatámos” com a Sérvia, mas demos um murro num adversário

Este, sim, é um caso em que se pode usar o plural (embora a responsabilidade do acto seja exclusiva de Luís Filipe Scolari). Empatar, ganhar, perder, passar eliminatórias em futebol, râguebi ou básquete, sucede a todos os povos de todos os países, ou quase. Agredir adversários, árbitros, treinadores, rodear o árbitro a protestar, ser indisciplinado e ter conduta violenta, isso sim, marca a nossa imagem enquanto povo. Por muito que isso nos custe. (Ainda a propósito da polémica com o Nelson e do texto anterior.)

2007/09/12

“Ganhámos” ou “passámos”? Quem?

Deve ser defeito meu, mas confesso que me custa a compreender referências a supostos “representantes” de Portugal na primeira pessoa do plural. Para perceberem melhor o meu ponto de vista sobre esta questão, devo esclarecer que nos agradecimentos na minha tese de doutoramento coloquei as habituais referências ao meu orientador, aos meus professores, aos meus colegas, ao instituto. Mas só depois de me referir... a mim. A primeira frase desta secção da minha tese é: “Esta tese deve-se sobretudo a mim e ao meu esforço (a modéstia é para os enganadores).” Há outras razões para esta minha atitude, que eu não vou estar agora aqui a explicar. Mas o essencial é: sou mesmo muito sensível ao reconhecimento de um trabalho. Não gosto de levar louros por trabalho dos outros, mas também não gosto nada (e nem permito) que levem louros por causa do meu trabalho.
E é por isso que me faz confusão a leviandade com que se diz “ganhámos” ou “perdemos” quando se refere a uma selecção nacional. Quem “ganha” ou “perde” é a equipa (treinador incluído). E não adianta virem falar-me que eles estão a “representar o país”: nenhum deles (jogadores ou treinador) é insubstituível. Se estão lá, é porque foram escolhidos. Por isso mesmo, façam o que fizerem, a responsabilidade é deles. E os resultados que obtiverem também.
É particularmente irónico que quem escreva “ganhámos a Israel!” referindo-se à selecção de básquete seja um tipo que nem 1,70 m de altura tem. Mais ainda: o mesmo tipo tem, sem exagero, menos de metade do peso de um jogador de râguebi típico, mas escreve “perdemos 56-10”. Nelson, não jogues râguebi ou podes não sair vivo... E então empatámos 2-2 com a Polónia, hã? Aquela bola que entrou na nossa baliza depois de bater ingloriamente nas costas também teve a tua participação? Mas que grande frangueiro tu me saíste!

(Espero que hoje à noite contra a Sérvia as coisas corram bem à nossa equipa.)

2007/09/11

Ainda Pavarotti

Pude observar a reacção dos media portugueses ao falecimento de Luciano Pavarotti, e comparar o tempo nos telejornais ou as páginas nos jornais a ele dedicadas, comparadas com as dedicadas aos dez anos da morte de Diana Spencer ou ao desaparecimento da pequena Maddie Mc Cann. Cada um saberá ao que atribui mais importância, incluindo quem escreve nos jornais ou faz os telejornais. Eu tenho pena da miúda inglesa e fiquei consternado com a morte da princesa. Mas crianças raptadas e mortes por acidentes de carro infelizmente ocorrem todos os dias, e eu não posso dizer sinceramente que a minha vida fique mais pobre sem elas. A minha vida ficará, no entanto, muito mais pobre sem Luciano Pavarotti.

2007/09/10

O “Diário de Notícias” não é um jornal para “eles”

Sobre os convidados colombianos do PCP para a Festa do Avante, não tenho muito mais a dizer do que o Nuno Ramos de Almeida: “o facto do governo da Colômbia ter presos em condições inumanas milhares de militantes de esquerda não pode justificar raptos como a da candidata presidencial Ingrid Betancourt.” Acho normais os protestos na blogosfera, apesar de o partido presente na Festa ser legal e ter representação parlamentar (ao contrário do que sucedeu o ano passado, este ano todas as referências às FARC na Festa foram eliminadas, certamente um resultado da pressão mediática). Nem sequer vou exigir que, para condenar a acção terrorista das FARC, se tenha de condenar no mesmo texto o terrorismo de estado apoiado pelo governo colombiano: as acções das FARC são condenáveis só por si. O que eu não posso aceitar é que se condene as FARC ao mesmo tempo que se apoia o governo colombiano, que mantém prisioneiros políticos e apoia grupos paramilitares assassinos de extrema-direita.
O Tiago Barbosa Ribeiro, um “habitué” em assuntos como este, coligiu diligentemente todo o material publicado nos blogues nos últimos dias sobre este assunto, incitando mesmo os autores de blogues a escreverem. Tratando-se de fazer campanhas contra o PCP, o Tiago faz tudo o que lhe for possível, nem que para isso tenha que passar uma semana a escrever sempre a mesma coisa. Num protesto desta envergadura, seria bom que o Tiago procurasse garantir uma condenação dos métodos do governo colombiano ou, pelo menos, que não incluísse na sua colectânea textos de quem o apoia. Só que não é esse o caso. A obsessão anti-PCP do Tiago é tamanha que ele nem se importa de incluir textos de apoiantes do governo de Uribe. Apoiantes esses que nunca tinham escrito nenhum material sobre Ingrid Betancourt, antes de este caso da festa do Avante ter surgido. Será que a indignação só surgiu agora? O que encontrei naquele blogue foram vários textos em defesa do governo colombiano.
Mas tudo bem: o blogue é do Tiago e ele faz o que quer nele. Ele que não venha é depois tentar passar por independente em assuntos que envolvam o PCP. Acho mais espantoso quando a parcialidade e o sectarismo são assumidos por um órgão de informação, que se deveria limitar a relatar notícias. O acto em si foi involuntário; talvez uma distracção. Mas, ao escrever, “fugiu a mão para a verdade” ao jornalista Pedro Correia, quando intitulou uma notícia como “Eles já chamam fascista a Sócrates”. Esclareço que discordo profundamente do PCP neste ponto, mas a questão principal é mesmo a do “eles”. Se um jornal se dirige aos seus leitores referindo terceiros como “eles”, não espera que estes “eles” façam parte do grupo dos leitores. Será que o DN já nem conta com os comunistas como seus leitores? De um ostracismo dos comunistas como este eu não me lembro nem nos tempos da direcção de Fernando Lima.
Aproveito para esclarecer o Pedro Correia de que a “força do PC” se vê nestes ostracismos da comunicação social, que sofre como mais nenhum outro partido. E que “eles” são dos portugueses mais honestos, bravos e trabalhadores que se podem encontrar.

2007/09/07

Uma furtiva lágrima por Pavarotti



Não o referi neste texto e nem o tinha concluído nessa altura, mas após um exame de consciência, se eu ia mais à ópera em Nova Iorque do que, por exemplo, em Lisboa, era porque lá encontrava óperas clássicas, conhecidas, que tornam o gostar de ópera mais fácil para um principiante. E pelo elenco.
A primeira vez que fui à ópera, foi justamente ver este "O Elixir do Amor", de Donizetti, na Ópera Metropolitana de Nova Iorque. Julgava que ia ver o Pavarotti; ele fazia parte do elenco. Só que ele não apareceu e foi substituído. Nunca o vi assim ao vivo, mas não por isso que eu não gostei da ópera (uma das minhas favoritas) ou que deixei de gostar do tenor agora desaparecido. Se a ópera de facto não é um espectáculo para ricos, muito o deve a este homem.

2007/09/06

Ainda sobre os transgénicos

Um pequeno comentário que deixei no Cinco Dias:

Esta questão dos transgénicos parece-me semelhante à da energia nuclear. É possível que com um melhor aproveitamento dos recursos existentes – que estão muito mal aproveitados – o recurso a elas seja desnecessário, mas tal não invalida que se investiguem e proponham formas novas de produção. O que me causa espécie é que esta investigação é logo catalogada como “sede de lucro”. Alguém duvida que, se a URSS ainda existisse, estaria a investigar em transgénicos? Seria esta putativa investigação da URSS movida pelo lucro? Não; esta história do “lucro” é só uma desculpa para disfarçar a desconfiança pela ciência e pela tecnologia. Os mesmos que são contra os transgénicos por causa da ganância propõem que os charlatães das homeopatias e outras medicinas “alternativas” sejam subsidiados pelos nossos impostos. Isto tudo é a influência do Prof. Boaventura. E só demonstra a desorientação de alguma esquerda desde a queda do muro de Berlim.

Sobre este assunto, sugiro a leitura deste texto do Rui Curado Silva.

2007/09/04

Entretanto

...amanhã começa a XVI Fall Workshop on Geometry and Physics, e parece que eu tenho que preparar uma apresentação. Vamos a isso, então.

E pronto

São 17:33. Por uma vez vou esquecer-me que o latim é uma língua de fachos e padres e dizer: alea jacta est.

2007/09/03

Xutos em Lisboa

Pela quantidade de pessoas de várias idades vestidas a rigor com t-shirts do grupo, ontem à noite na Torre de Belém pude confirmar que os Xutos são uma marca, uma gama, um estilo. Que perdura no tempo. e como não há outros em Portugal, goste-se ou não. O mérito é todo deles.
Ser-se "consagrado" musicalmente é isto: não vamos à espera de novidades, não queremos novidades. Queremos ouvir as músicas que sempre ouvimos e gostámos. Cujas letras conhecemos de cabeça. É isso que eu espero de um concerto dos Xutos.
O concerto de ontem à noite não foi bem isso. Houve músicas que eu não conhecia (mais de metade, dos álbuns mais recentes). Todas as músicas estavam vestidas com um arranjo novo, tocadas com uma orquestra de metal. Tudo bem, e parabéns aos Xutos por não se acomodarem. Mas o que me entusiasmou mesmo foram alguns dos clássicos... Ao ouvi-los, uma vontade de rir nasceu do fundo do meu ser.

(E agora, leitores, dêem-me licença mas ando apertadíssimo com um prazo muito importante. Dou comigo agarrado ao ponteiro mais pequeno.)

2007/08/29

Eduardo Prado Coelho (1944-2007)


Foi graças a Eduardo Prado Coelho que entrei no mundo dos blogues. Foi numa das suas crónicas diárias no "Público", onde teria alegadamente catalogado o pobre Pedro Mexia como "de extrema direita". Na resposta o Pedro Mexia referiu que as suas posições políticas estavam disponíveis, para quem quisesse julgá-las, em http://colunainfame.blogspot.com/ Graças às precipitações e simplismos de Eduardo Prado Coelho, cheguei aos blogues antes da maioria das pessoas e pude acompanhar dia a dia um dos melhores blogues portugueses de sempre. Devo-lhe isso.
O curiosos é que o (saudoso) EPC foi talvez o primeiro blóguer português. A sua (igualmente saudosa) coluna diária "o Fio do Horizonte", no Público, não diferia em nada de um blogue, no estilo ou no conteúdo. EPC foi um blóguer que nunca precisou de ter um blogue.

2007/08/27

Andebol, basquetebol, mão; futebol, pé

É a máxima de Paulo Bento, se bem se recordam, há cerca de um ano, a seguir ao golo sofrido com a mão no jogo Sporting-Paços de Ferreira (foi divulgada na célebre rábula do Gato Fedorento). Está na altura de o Paulo Bento a ensinar ao Stoikovic, em tratando-se de atrasos feitos por colegas de equipa. Ou então, de pôr o Rui Patrício a jogar. (Eu sabia que haveria de ter saudades do Ricardo.)

(PS: O mais cómico era ver, nos comentários da TVI, Jorge Coroado a criticar a decisão do árbitro de marcar livre indirecto, uma vez que Polga, supostamente, “não teria a intenção de passar a bola ao guarda-redes”. Ó Jorge Coroado, qual seria a intenção do Polga ao atirar a bola no sentido da baliza, marcar autogolo?