2007/07/14
Compre o jornal no sábado, carago!
A mesquinhez, a inveja, a mentalidade pequena dos nossos regionalistas vê-se por pormenores destes. O CAA nem pensa em criar um semanário do Porto (os principais diários nacionais já são todos de capital nortenho): prefere queixar-se dos semanários existentes que saem um dia mais cedo para poderem publicar uma sondagem para a principal câmara do país. Ó CAA, mas se gosta do jornal ao sábado, compre-o ao sábado, canudo!
2007/07/13
No mundo ficcional da direita "liberal"
Admiti aqui que votarei na CDU no domingo. De acordo com estes senhores (e o seu habitual compagnon de route Luís Aguiar-Conraria), tal voto implica que eu quero "instaurar uma ditadura comunista" em Portugal. Certamente as dezenas de câmaras da CDU, de Peniche ao Alentejo, de Setúbal à Marinha Grande, vivem numa "ditadura comunista". Os doze anos em que a CDU partilhou a gestão autárquica de Lisboa (e que foram os melhores anos recentes da capital portuguesa) foram anos... de ditadura comunista. Agira já sabem. Agradeçam-lhes por vos avisarem. É melhor não os contrariar.
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Esquerda
Sondagens para a Câmara de Lisboa
Todas apontam para a vitória do PS, mas são bastante díspares quanto à colocação relativa dos restantes candidatos de esquerda. Se se confirmar a do Público (Carmona à frente de Negrão e Garcia Pereira à frente de Telmo Correia), eu vou rebolar a rir.
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Política
Até já, Ricardo

Foste muito mal vendido e, sinceramente, vou ter muitas saudades tuas. Espero que os dirigentes da SAD aprendam a acautelar as cláusulas de rescisão.
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Sporting
2007/07/12
A Portela + 1
Um texto de António Brotas que subscrevo na íntegra e que sumariza a minha posição relativamente ao futuro aeroporto.
A expressão "Portela + 1" , hoje muito usada na Comunicação Social pode significar que o aeroporto da Portela deve continuar em funcionamento durante um largo periodo (não inferior a duas décadas) e que devemos iniciar o mais rapidamente possivel a construção por fases de um novo aeroporto num local onde possa vir a ter uma muito grande possibilidade de expansão. Se a primeira fase (uma pista e algo mais) puder ser inaugurada daqui a 5 ou 6 anos, todas as difuculdades aeronauticas presentes e futuras da região de Lisboa ficam resolvidas. Daqui a uns 10 anos, ou mais, quando começarmos a pensar na construção da 2ª fase do novo aeroporto, teremos de decidir se ele se deve expandir de modo a substituir completamente a Portela, ou se devemos adoptar em definitivo o modelo dos dois aeroportos em funcionamento. Esta discussão agora é prematura.
A fórmula "Portela + 1" pode, no entanto, também significar que devemos, desde já, desviar para bases militares e outros aeroportos parte dos voos low cost que actualmente sobrecarregam a Portela, retardando assim a sua saturação. Tenho defendido esta solução, desde que ela seja feita com encargos muito reduzidos. As duas concepções são perfeiramente conciliáveis. O que me parece totalmente errado é encararmos a solução "Portela + bases militares" como uma solução definitiva que nos dispense de pensarmos num novo aeroporto.
O projecto de um novo aeroporto convenientemente planeado e a construir de um modo faseado numa zona onde possa ter uma grande possibilidade de expansão, como é o caso da Carreira de Alcochete, pode ser, com as actividades anexas que pode estimular e desenvolver , um projecto com um imenso impacto no desenvolvimento português neste meio século. (António Brotas)
2007/07/11
O Zé faz falta
Refiro-me ao José Cidade Mourão. (Obrigado pelo excelente artigo que me indicaste, Zé.
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LEFT
Mais “traduções” do Jay Leno

Estava eu noutro dia a preparar-me para ver a entrevista a John e Elizabeth Edwards no programa do Jay Leno, transmitido na SIC Mulher. No momento de comédia anterior à entrevista, Jay fala no ataque dos golfinhos que mordem as pessoas na Florida, “not to be confused with the dolphins that suck: those are from Miami”. Eu não percebo nada de futebol (ou qualquer outro desporto) americano, mas creio que a piada era clara: os “Miami Dolphins” são uma equipa de um desporto qualquer (a primeira coisa a aparecer se se procurar no Google), que joga mal, não presta (“suck”). Tradução nas legendas da SIC Mulher? “Não confundir com os golfinhos que chupam: esses são em Miami”. Autenticamente. Onde é que eu já vi isto?
(A tradução era de Ana Sofia Jesus.)
PS: Não encontrei outra fotografia para ilustrar este texto que não esta, de 2004, era John Edwards também candidato presidencial. Na crónica de João Lopes no DN, sobre esta entrevista (recente), a foto era a mesma.)
2007/07/10
O meu voto em Lisboa
Falar sobre eleições, mantendo-se independente, por vezes é complicado. Não quero usar este espaço para criticar candidatos à Câmara de Lisboa (mesmo aqueles que dizem que se houvesse mais como eles, haveria menos carros, mas numa entrevista publicada pouco tempo antes de as eleições terem sido convocadas afirmam tranquilamente que só andam de transporte privado dentro da cidade: boleia ou táxi. Desculpem mas não resisti).
Mas o sentido do meu voto está decidido, e eu não vou escondê-lo, até porque é sobre ele que eu vou falar. Nestas eleições vou votar na CDU. Não tenho e nem nunca tive nenhuma ligação ao PCP ou a nenhum outro partido e, talvez por isso mesmo, ao contrário da maioria dos blógueres de esquerda, não acho que este partido tenha “lepra” e sei reconhecer o mérito do trabalho dos seus eleitos. O meu voto nestas eleições é na CDU (como noutras é noutros partidos) por achar genuinamente que esta é a melhor candidatura, a que melhor serve os lisboetas, embora não seja a única boa opção (não teria problemas em votar noutras candidaturas, e acho que os lisboetas não se podem queixar de falta de boas alternativas). Mas, vejam bem, o meu objectivo com este texto é mesmo criticar a campanha desta candidatura (e não fazer campanha por ela, algo que não seria adequado neste espaço – e nem eu o faria).
A verdade é que a campanha da CDU é má, e não tira proveito nenhum dos seus candidatos. A desorientação desta campanha começa pelo slogan fácil e estereotipado, “CDU – força alternativa”. Mas alternativa a quê? O PCP não é e nunca foi “alternativo”. Quem vota no PCP não está à procura de uma “alternativa”: está à procura daquilo que o PCP sempre foi, e que em termos de trabalho nas autarquias sempre foi muito bom. “Alternativo” é o Bloco de Esquerda. Se isto continua assim, algum dia temos comida vegetariana ou japonesa e cerveja com sabor a pêssego na Festa do Avante! Começamos mal.
Um dos principais motivos para o meu voto é mesmo o candidato. Em qualquer inquérito, em qualquer pergunta que lhe seja feita, vê-se imediatamente que Rúben de Carvalho, para além de ser um homem de cultura (no verdadeiro sentido da palavra), é um lisboeta autêntico, que conhece a cidade e gosta dela como poucos. É de esquerda e tem uma cultura de esquerda como nenhum dos outros candidatos apoiados por partidos de esquerda (não necessariamente “candidatos de esquerda”) tem. E conhece bem a Câmara (sem ser responsável pelo descalabro a que lá se chegou). Não é nenhum pára-quedista: é um candidato natural, e um excelente candidato. O PCP sempre se viu como um “colectivo” e sempre recusou qualquer protagonismo individual. Faz parte da cultura do partido, e só quem o conhecer (ou, pelo menos, quem tiver lido uns livros do Álvaro Cunhal) a poderá entender. Creio sinceramente que Rúben de Carvalho representa uma mais-valia da CDU nestas eleições (como o era, ainda mais, por exemplo Carlos de Sousa em Setúbal há dois anos). Mais-valia que não está a ser usada de todo na campanha. Será que o PCP quer ficar à vontade para poder substituir o candidato, mais tarde, depois de ele ser eleito? Esperemos que não seja esse o caso.
O pior aspecto da campanha da CDU reside, a meu ver, numa confusão deliberada entre a política nacional e a política autárquica. O PCP aposta em capitalizar algum descontentamento popular com as políticas do governo, e se tiver um bom resultado vai com certeza falar em “derrota do governo”. Esta é uma aposta errada por duas razões. A primeira é que o descontentamento popular talvez seja mais aparente do que real, principalmente entre a população residente em Lisboa. Talvez o tiiro lhes saia pela culatra. Independentemente dessa circunstância, e mais importante ainda: estas são eleições locais, que nunca devem ser confundidas com eleições nacionais. É perfeitamente possível (e muito frequente) votar-se na CDU nas eleições autárquicas e apoiar-se, pelo menos na generalidade, as políticas no governo.
Vou votar na CDU e espero que tenham um bom resultado mas, no caso de este não ser atingido (ou seja, se pelo menos não se mantiver a vereação actual), a culpa será só do PCP e da sua estratégia.
Mas o sentido do meu voto está decidido, e eu não vou escondê-lo, até porque é sobre ele que eu vou falar. Nestas eleições vou votar na CDU. Não tenho e nem nunca tive nenhuma ligação ao PCP ou a nenhum outro partido e, talvez por isso mesmo, ao contrário da maioria dos blógueres de esquerda, não acho que este partido tenha “lepra” e sei reconhecer o mérito do trabalho dos seus eleitos. O meu voto nestas eleições é na CDU (como noutras é noutros partidos) por achar genuinamente que esta é a melhor candidatura, a que melhor serve os lisboetas, embora não seja a única boa opção (não teria problemas em votar noutras candidaturas, e acho que os lisboetas não se podem queixar de falta de boas alternativas). Mas, vejam bem, o meu objectivo com este texto é mesmo criticar a campanha desta candidatura (e não fazer campanha por ela, algo que não seria adequado neste espaço – e nem eu o faria).
A verdade é que a campanha da CDU é má, e não tira proveito nenhum dos seus candidatos. A desorientação desta campanha começa pelo slogan fácil e estereotipado, “CDU – força alternativa”. Mas alternativa a quê? O PCP não é e nunca foi “alternativo”. Quem vota no PCP não está à procura de uma “alternativa”: está à procura daquilo que o PCP sempre foi, e que em termos de trabalho nas autarquias sempre foi muito bom. “Alternativo” é o Bloco de Esquerda. Se isto continua assim, algum dia temos comida vegetariana ou japonesa e cerveja com sabor a pêssego na Festa do Avante! Começamos mal.
Um dos principais motivos para o meu voto é mesmo o candidato. Em qualquer inquérito, em qualquer pergunta que lhe seja feita, vê-se imediatamente que Rúben de Carvalho, para além de ser um homem de cultura (no verdadeiro sentido da palavra), é um lisboeta autêntico, que conhece a cidade e gosta dela como poucos. É de esquerda e tem uma cultura de esquerda como nenhum dos outros candidatos apoiados por partidos de esquerda (não necessariamente “candidatos de esquerda”) tem. E conhece bem a Câmara (sem ser responsável pelo descalabro a que lá se chegou). Não é nenhum pára-quedista: é um candidato natural, e um excelente candidato. O PCP sempre se viu como um “colectivo” e sempre recusou qualquer protagonismo individual. Faz parte da cultura do partido, e só quem o conhecer (ou, pelo menos, quem tiver lido uns livros do Álvaro Cunhal) a poderá entender. Creio sinceramente que Rúben de Carvalho representa uma mais-valia da CDU nestas eleições (como o era, ainda mais, por exemplo Carlos de Sousa em Setúbal há dois anos). Mais-valia que não está a ser usada de todo na campanha. Será que o PCP quer ficar à vontade para poder substituir o candidato, mais tarde, depois de ele ser eleito? Esperemos que não seja esse o caso.
O pior aspecto da campanha da CDU reside, a meu ver, numa confusão deliberada entre a política nacional e a política autárquica. O PCP aposta em capitalizar algum descontentamento popular com as políticas do governo, e se tiver um bom resultado vai com certeza falar em “derrota do governo”. Esta é uma aposta errada por duas razões. A primeira é que o descontentamento popular talvez seja mais aparente do que real, principalmente entre a população residente em Lisboa. Talvez o tiiro lhes saia pela culatra. Independentemente dessa circunstância, e mais importante ainda: estas são eleições locais, que nunca devem ser confundidas com eleições nacionais. É perfeitamente possível (e muito frequente) votar-se na CDU nas eleições autárquicas e apoiar-se, pelo menos na generalidade, as políticas no governo.
Vou votar na CDU e espero que tenham um bom resultado mas, no caso de este não ser atingido (ou seja, se pelo menos não se mantiver a vereação actual), a culpa será só do PCP e da sua estratégia.
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Cinco Dias,
Esquerda
2007/07/09
Cristo maravilhoso?

Eu não quero de todo aborrecer católicos ou brasileiros, especialmente cariocas. Mas alguém pode explicar-me o que há de maravilhoso nisto, quando comparado com a Acrópole, a Torre Eiffel ou o Kremlin? A imagem é bonita, mas bonita é a cidade. Lindo é o Rio de Janeiro.
2007/07/07
Contestação global ao aquecimento global
LiveEarth - a globalização de que eu gosto.
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Ecologia
2007/07/06
A RIAPA chegou ao Insurgente
Se calhar a minha hipótese não é correcta, e nem tem de ser, mas presumo que pelo menos uma grande parte dos que aqui me lêem eram também leitores do extinto Blogue de Esquerda. Se não for esse o caso, também o resto do texto não conta muito.
Achei que não valia a pena estar a dar muita atenção às sentenças da Dra. Patrícia Lança. E isto porque toda a blogosfera está a ter uma das reacções que se impõem: ou ignora (principalmente se se situar no campo político da autora) ou ri. (Exceptuando os “leais orgânicos” André Azevedo Alves e João Miranda, que põem a protecção do seu grupo - neste caso ideológico - acima da busca da verdade. Afinal, sempre tinha alguma razão o Pedro Arroja.)
Mesmo assim há aspectos interessantes para discutir nos textos de Patrícia Lança, bem mais na forma que no conteúdo. Consta que Patrícia, há muitos anos, foi professora de raparigas de 16 anos; assim se justifica o tom com que ela escreve e se dirige aos leitores, como se fossem todos adolescentes da primeira metade do século XX, que a ouvissem e lhe obedecessem acriticamente. Embora eu creia que as posições de Patrícia Lança sejam insustentáveis, tal não significa que sejam indefensáveis: como notou, por exemplo, o Vasco Barreto, Patrícia poderia – e deveria – apresentá-las, se tivessem nenhuma base científica. Mas, como bem notou o zèd, trata-se somente de um caso de “distorção de informação na tentativa de justificar "cientificamente" uma posição cuja única justificação é moralista.” Daí o tal tom de senhora experiente a dar sermões aos jovens adolescentes.
Sempre se notou tal tom; só com os recentes textos sobre sexo anal é que tal se tornou mais visível. Reparemos nestas sentenças sobre Israel: uma série de sentenças curtas e sem nenhum tipo de justificação, que poderiam ser vinte comentários da "Quitéria Barbuda" do RIAPA no BdE. Esses comentários também tinham um ar de cartilha disfarçados de revista científica, uma suposta erudição que a autora não se cansava de apregoar, e também se auto-citavam em abundância. Ao ler o seu último texto, sobre a “sabedoria lencastriana”, só me lembrei da “sabedoria paço-arquiana”, tão apregoada era nos comentários da RIAPA no BdE (eu fartei-me de apagar comentários que se referiam a ela). Temos assim um sucedâneo da RIAPA instalado no Insurgente; quem será o “Comandante Guelas”?
Achei que não valia a pena estar a dar muita atenção às sentenças da Dra. Patrícia Lança. E isto porque toda a blogosfera está a ter uma das reacções que se impõem: ou ignora (principalmente se se situar no campo político da autora) ou ri. (Exceptuando os “leais orgânicos” André Azevedo Alves e João Miranda, que põem a protecção do seu grupo - neste caso ideológico - acima da busca da verdade. Afinal, sempre tinha alguma razão o Pedro Arroja.)
Mesmo assim há aspectos interessantes para discutir nos textos de Patrícia Lança, bem mais na forma que no conteúdo. Consta que Patrícia, há muitos anos, foi professora de raparigas de 16 anos; assim se justifica o tom com que ela escreve e se dirige aos leitores, como se fossem todos adolescentes da primeira metade do século XX, que a ouvissem e lhe obedecessem acriticamente. Embora eu creia que as posições de Patrícia Lança sejam insustentáveis, tal não significa que sejam indefensáveis: como notou, por exemplo, o Vasco Barreto, Patrícia poderia – e deveria – apresentá-las, se tivessem nenhuma base científica. Mas, como bem notou o zèd, trata-se somente de um caso de “distorção de informação na tentativa de justificar "cientificamente" uma posição cuja única justificação é moralista.” Daí o tal tom de senhora experiente a dar sermões aos jovens adolescentes.
Sempre se notou tal tom; só com os recentes textos sobre sexo anal é que tal se tornou mais visível. Reparemos nestas sentenças sobre Israel: uma série de sentenças curtas e sem nenhum tipo de justificação, que poderiam ser vinte comentários da "Quitéria Barbuda" do RIAPA no BdE. Esses comentários também tinham um ar de cartilha disfarçados de revista científica, uma suposta erudição que a autora não se cansava de apregoar, e também se auto-citavam em abundância. Ao ler o seu último texto, sobre a “sabedoria lencastriana”, só me lembrei da “sabedoria paço-arquiana”, tão apregoada era nos comentários da RIAPA no BdE (eu fartei-me de apagar comentários que se referiam a ela). Temos assim um sucedâneo da RIAPA instalado no Insurgente; quem será o “Comandante Guelas”?
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Blogues
2007/07/05
Maravilhas da gastronomia portuguesa
Antes do almoço: um conhecido hotel e restaurante de Coimbra pôs a votos as sete maravilhas da gastronomia portuguesa. As minhas escolhidas são: Leitão da Bairrada, Cabrito Assado, Bacalhau à Lagareiro, Arroz de Marisco, Migas, Pastel de Nata e Ovos Moles de Aveiro. E as vossas?
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Comida
2007/07/04
A União
Enquanto alguém vai para o trabalho de bicicleta em Amesterdão, um coro ensaia na Estónia e um barco pesca em Malta. Turistas esperam para entrar num museu de Florença. Turcos vendem kebab em Edimburgo. Estudantes de Frankfurt passam o seu Erasmus em Istambul, esforçando-se por dominar dois ou mesmo três idiomas. Pode comprar-se leite de rena na Lapónia ou houmous em Creta usando sempre a mesma moeda; melhor ainda, pode ir-se de um lugar ao outro sem mostrar o passaporte.
Quem diria? Para muitos, este é o retrato de um continente em decadência. Na verdade, todas as cidades e regiões atrás citadas (à excepção de Istambul, que não está na UE mas cujo país já participa no programa Erasmus de troca de estudantes) fazem parte da mais interessante experiência política dos nossos tempos. São quase 500 milhões de humanos (só a China e a Índia têm mais população) numa extensão maior do que a de muitos impérios da história. Mas não é um império, é outra coisa, não se sabe bem o quê. Para muitos, deveria ser uma federação. Na verdade, pouco importa o que lhe chamemos. Eu sou um europeísta não por qualquer ufanismo europeu (na verdade estou mais próximo de um cabo-verdiano do que de um letão, e isso agrada-me) mas porque olhando para a União vejo que ela tem sido uma força de paz, liberdade e até alguma solidariedade. Com os seus muitos defeitos, a União está na primeira linha do Tribunal Penal Internacional, do Protocolo de Quioto, da cooperação e desenvolvimento. Nada disto é perfeito, mas pelo menos tenta-se.
Mas também sou um europeísta porque a União tem um grande futuro. Conheço bem, há muitos anos, as queixas dos europessimistas. Acho-as pouco convincentes. Que a União está velha (temos os velhos mais saudáveis e potencialmente mais produtivos do mundo). Que há muitos muçulmanos (que medo!, qualquer dia são quase três por cento). Que há poucos bebés (mas até os portugueses têm três meses de licença de parto paga, ao contrário dos norte-americanos). Que há imigrantes a mais (mas afinal não havia falta de gente em idade activa?). Que não faz parte da revolução tecnológica (só se inventou a Web, e em tempos mais recentes o Skype). Que está para trás na globalização (mas Londres, uma cidade da União, ultrapassou recentemente Nova Iorque como capital financeira do planeta). Enfim, que as regulamentações europeias são absurdas (mas graças a elas todo o mundo compra brinquedos mais seguros ou electrodomésticos menos poluentes).
Do lado europeísta, uma das coisas que mais se censuram à Europa é ela não ter exército nem hard power (assim em inglês "americano"). Isso não me preocupa. O "poder brando" é mais eficaz: os países que querem entrar sabem que têm de respeitar mínimos de democracia e direitos humanos. A União não exporta democracia à bomba, importa democracia com democracia. A questão que temos de resolver agora é: como manter a democracia dentro da União. A União não é uma utopia; é um compromisso. Mas deve ser, acima de tudo, um compromisso com a democracia. Ela é o nosso motor e o nosso horizonte; na falta de um cimento nacional ou linguístico, é a democracia que nos segura. É por isso que é difícil, exasperante até, ser europeísta com líderes europeus que têm medo da democracia.
Esquecem-se que irresponsável não é quem exige mais democracia, é quem foge a ela. Por mim, não me forcem a escolher entre os meus instintos europeístas e os meus instintos democráticos. Nesse caso, terei de preferir mais democracia com menos Europa a mais Europa com menos democracia.
Artigo de Rui Tavares no Público de 2 de Julho. Foi publicado parcialmente - e o "parcialmente" tem aqui mais do que um sentido - no Esquerda Republicana. O Ricardo Alves parece estar mesmo convencido de que a escolha é entre democracia ou europatriotismo. Não é essa a minha opinião, nem a do Rui Tavares.
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Europa
Conferência de Ignacio Ramonet
«A Europa e os Novos Desafios Geopolíticos Contemporâneos», hoje a partir das 18h30 no Instituto Franco-Português, em Lisboa (mais informações aqui).
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Esquerda
2007/07/03
Democratic Party

Na edição deste ano da festa de L’Unitá de Roma, nas termas de Caracalla, pensava-se o nome do futuro grande partido italiano de centro-esquerda. A festa, organizada pelo jornal L’Unitá, afecto aos Democratas de Esquerda, descendentes do antigo Partido Comunista Italiano e integrantes do futuro “Partido Democrático”, tinha por slogan “Democratic Party”, e visava quer a festa quer o partido.
Quantos italianos, mesmo dentre os participantes na festa, percebiam o duplo sentido? A avaliar pelos que sabiam inglês quando se lhes perguntava alguma coisa, muito poucos, garanto-vos. Praticamente ninguém.
A festa em si? Muito comércio; pouca comida local – o que é uma pena, pois a comida local é das melhores do mundo; alguma comida sul-americana; alguma comida africana; cuscus... vegetariano (só descobri depois de ser servido; reclamei, pois com certeza, e desenrascaram-me umas lascas de kebab por cima; mas só eu é que me lembrava de ir para ali em turismo); cervejas e vinho muito caros. Música ao vivo (parece que noutros dias também há debates). Muitos livros, de Bertinotti a Achille Ochetto e Massimo d’Alema. Traduções italianas de Marx e Engels. Rosa do Luxemburgo. E Gramsci, muito Gramsci. E ícones típicos da esquerda. Imagens de Che Guevara (o PDS italiano deve ser o único partido da Internacional Socialista que organiza uma festa com imagens de Che Guevara) alternavam com stands de empresas privadas, patrocinadoras da festa, de entrada gratuita e aberta a toda a gente.
Uma festa que mistura empresas privadas com Che Guevara se calhar não é para se levar muito a sério. Mas se toda a Itália não é para levar muito a sério, por que razão uma festa da esquerda seria? Eu em certas circunstâncias nem me importo que a esquerda não se leve demasiadamente a sério. Desde que a esquerda seja de esquerda.
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Cinco Dias,
Esquerda,
Viagens
2007/07/02
A não perder
Do enviesamento ao princípio da incerteza, pelo Tiago Mendes no Cinco Dias. Deveria ser lido com atenção especialmente no Centro de Estudos Sociais.
Já mais antigo, mas mesmo muito bom: Para que serve a Matemática?, por Jorge Buescu no De Rerum Natura.
Já mais antigo, mas mesmo muito bom: Para que serve a Matemática?, por Jorge Buescu no De Rerum Natura.
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Ciência
2007/06/29
"Um passo a pé gasta as caligae..."

Na figura vê-se a Via Appia antiga (no piso original - e que engraçado é ver os carros a lá passarem!), local das catacumbas onde se refugiavam os cristãos, quando eram perseguidos. Vale a pena visitá-la. É mesmo muito longa. Recomendo que tomem um autocarro se lá forem. Não façam como eu, que fui a pé a partir das termas de Caracalla (de acordo com as descrições do meu péssimo guia, tudo parece muito perto).
Ao regressar estive quase uma hora à espera do tal autocarro, porém. Conformei-me em ter de regressar a pé, e meti de novo os pés a caminho. Entre duas paragens, o autocarro apareceu. Felizmente vi-o a tempo de correr para a paragem seguinte (e fazer com que ele me visse) e apanhá-lo. Neste aspecto, a minha verdadeira experiência italiana não foi (e ainda bem) completa.
(Pergunta: quem conhece a citação do título?)
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Viagens
2007/06/28
Luís Rainha no Público?
Para quem, como é o meu caso, se questiona sobre o que será feito do Luís, aqui têm uma bela pista: esta iniciativa do Público, a que cheguei via Nélson. Não se vê o nome dele na ficha técnica, mas eu diria que uma ideia destas só poderia sair da cabeça dele.
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Blogues
2007/06/27
Até já, Tony Blair

Tenho sentimentos ambíguos em relação a Tony Blair. Na política internacional creio que o seu balanço é sem dúvida muito negativo, tal resultando principalmente (mas não só) da desastrosa e irresponsável invasão do Iraque. Já na política interna britânica, apesar de não a conhecer aprofundadamente, creio que o seu balanço é largamente positivo, embora não isento de problemas. A economia cresce e o desemprego é baixo. O investimento público é alto, mas os serviços públicos são muito maus. Recorde-se a paz na Irlanda do Norte, a transferência de poderes para a Escócia e, sobretudo, as alterações democratizantes introduzidas na Câmara dos Lordes.
É claro que a Grã-Bretanha ainda é uma monarquia eurocéptica. Enfim, é claro que a Grã-Bretanha ainda é... a Grã-Bretanha, mesmo se por vontade de Blair devesse ser muito mais europeia. A minha simpatia (apesar de tudo) por este homem deve-se a isto: ele é muito maior, de horizontes bem mais largos, do que o seu próprio país. Era difícil imaginar que da Grã-Bretanha pudesse vir coisa melhor. Agora, que serviços poderá Blair ainda prestar à Europa e ao mundo?
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Europa
2007/06/26
O novo tratado europeu
Sem tempo para escrever eu mesmo, gostaria ainda assim de propor a leitura do texto "Fabius chuta contra o Tratado eee... auto-golo!", do Rui Curado Silva. Destaco as seguintes partes:
A Europa é actualmente líder nalguns dos principais desafios do planeta: combate às alterações climáticas, moderação de conflitos regionais (no Líbano foi evidente), respeito pelos direitos humanos, da sexualidade, da laicidade e da paridade. Estes são desafios muito caros à esquerda, mas se os erros da esquerda retirarem à Europa a sua capacidade de iniciativa esta caberá aos EUA e à China e todos sabemos muito bem a leviandade com que cada um destes países trata estes assuntos. A responsabilidade da Esquerda Europeia estende-se à aproximação da UE aos cidadãos. Neste particular, o actual formato de realização de 27 referendos dispersos no tempo não faz qualquer sentido do ponto de vista democrático e matemático (...). Deste modo, um NÃO tem um peso excessivo, que favorece claramente a generalidade das posições anti-europeístas. Um referendo a nível europeu, realizado no mesmo dia, de uma forma clara e simples para todo o cidadão europeu, não só reforçaria o sentimento que vivemos numa casa comum, com um destino comum, como evitaria o falseamento democrático dos resultados e das reais escolhas dos europeus. Somados os votos de todos os referendos ao Tratado Constitucional, qual foi a percentagem de voto NÃO? 20%? 30%? E entre os votos NÃO havia mais esquerda ou mais direita? Havia certamente muito mais direita, e havia direita da piorzinha...
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Europa
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