2007/06/13

Ciao Roma!

Sigo hoje para Roma, para uma conferência em Frascati e um pouco de "turismo científico" na Cidade Eterna e nas imediações. Nos próximos dias não vou escrever com a mesma regularidade. Para a semana devo escrever qualquer coisa, mas só depois do São João devo voltar ao ritmo normal.

A liberalização (europeia) dos mercados de viagens

Há pouco menos de um ano, viajei de Lisboa para Berlim numa companhia holandesa, tendo o bilhete sido comprado (electronicamente) numa agência francesa.
Viajo hoje de Lisboa para Roma numa companhia espanhola, tendo o bilhete sido comprado (electronicamente) na mesma agência francesa.
A raão? O preço anunciado é o total (taxas incluídas), como é honesto, e como desde o princípio deste mês é obrigatório. Mas tem uma distinção que a lei portuguesa não contempla: entre as taxas de aeroporto e as taxas de emissão por parte da agência. São de natureza bem diferente, e nas agências portuguesas vêm sempre indiscriminadas como "taxas". Só que para o mesmo bilhete (qualquer que este seja), o preço nessa agência francesa é sempre sistematicamente 15 euros inferior ao de uma conhecida agência portuguesa do Grupo Espírito Santo. Na agência francesa a "frais d'émission", de 5€, é explícito. Naquela agência portuguesa é de 20€, e só é explícito após a reserva do bilhete.

2007/06/12

Cientistas portugueses em Inglaterra no DN

Recomendo a leitura da reportagem do Diário de Notícias. Para além do interesse geral da peça, há motivos pessoais. Encontro lá antigos alunos (quando eu era monitor de Matemática no IST), que já estão a acabar - alguns já acabaram - os seus doutoramentos. Encontro lá amigos. Encontro malta da LEFT. Encontro do melhor que Portugal produz e pode encontrar.

(Nuno, presenteias-nos com fotos dos teus piqueniques, presenteias-nos como fotos dos pés dos participantes nos teus piqueniques, mas não falas de nada disto?)

2007/06/11

AllStars em Alvalade (II)

Para além do último golo da carreira do Sá Pinto, registe-se a assistência do Chico Buarque para golo do Linz. Quando o Chico foi substituído, afirmou (com razão) que o seu futebol não tinha sido bem aproveitado pela equipa. O locutor da televisão pediu-lhe para cantar em directo um pouco da música O Futebol (que eu coloquei na entrada anterior). Corporativamente o Chico recusou, dizendo que tal "não fazia parte do contrato". E esquecendo-se de que havia pessoas que tinham sintonizado na TVI só para verem esse pedido satisfeito. Porra, Chico!

Obrigado por tudo, Ricardo Sá Pinto!

2007/06/10

Balanço pessoal de mais uma Feira do Livro de Lisboa

Já lá não ia há uns anos. Dado os (muitos) livros que tenho para ler, ia com a intenção de passear, ver as novidades e "não comprar nada". E vim com a sensação de "não ter comprado nada". Só que larguei 35 €. Tudo grandes negócios.

2007/06/09

AllStars em Alvalade


Luís Figo vai encher Alvalade de estrelas logo à noite, em mais uma edição do AllStars, organização da Fundação com o seu nome. A maior estrela de todas pode ser vista na fotografia de cima. É o do meio.

2007/06/08

A minha escala Warhol

Retomo aqui a ideia do Francisco Frazão e do Pedro Mexia, adaptada ao meu caso: físicos famosos. Não me refiro a assistir a seminários: refiro-me a físicos com quem tenha privado uns instantes que seja (não espero que nenhum deles se lembre de mim). Restrinjo-me a laureados com o Prémio Nobel. Que eu me lembro, foram os que se seguem.

A minha recente conversa com Claude Cohen-Tannoudji foi relatada aqui. Os meus encontros com David Gross (em Santiago de Compostela) e Franck Wilczek (em Minneapolis) foram descritos aqui. Com Gerard ‘t Hooft, a olhar para o mar da Corunha, enquanto discutia com um espanhol a direcção em que ficava a Grã-Bretanha, falou-se da “estrutura fractal da costa marítima” (‘t Hooft entrou assim na discussão). Via C.N. Yang muitas vezes (doutorei-me no Instituto com o seu nome), mas a única vez que lhe falei foi numa entrevista que ele me concedeu (e ao Nuno, que me visitava), e que deve vir a ser publicada em breve.

Passando para a Medalha Fields, na Matemática, via John Milnor todos os dias no meu doutoramento (o seu instituto era ao lado do meu). Ele dizia-me sempre “hi”. (Uma vez, em Princeton, vieram sentar-se na mesa que partilhava com outros colegas ao almoço ele e o célebre John Nash, mas não lhes dissemos nada.)

Não quero deixar de referir Juan Maldacena, outro físico célebre: na referida escola de Santiago de Compostela, ele veio-me pedir e a outro colega se lhe podíamos emprestar um despertador. Depois fomos jantar umas chuletas de ternera.

Se retirasse esta fasquia “nobel”, a lista seria maior, mas como se definiria a “celebridade” sem um prémio deste género?

Ainda dentro dos “nobeis”, mas desta vez da literatura, como qualquer português que visite a Feira do Livro de Lisboa, tenho um livro autografado por José Saramago (ainda ele não era “nobel”).

E é isto.

2007/06/07

2007/06/06

33 anos para isto


Em 1974, o que fazia falta era dar poder à malta. Agora, o que faz falta... é o Zé.

2007/06/05

Um pouco de “Fox News” nos comentários de um blogue de física

Passam hoje quarenta anos sobre o início da Guerra dos Seis Dias. Entretanto tem dado que falar a recusa do físico americano Steven Weinberg em participar numa conferência no Reino Unido em homenagem ao falecido físico paquistanês Abdus Salam, fundador do Centro Internacional de Física Teórica, dirigido principalmente a físicos dos países em desenvolvimento. Weinberg (judeu) e Salam (muçulmano) partilharam com Sheldon Glashow o prémio Nobel da Física de 1979 pela formulação do Modelo Padrão das interacções electrofracas, que permitiu unificar a descrição do electromagnetismo e de um certo tipo de forças nucleares.
A razão da recusa de Weinberg é um “boicote ao boicote”: académicos britânicos não desejam a presença no país dos seus colegas israelitas, como forma de protesto contra a política levada a cabo pelos sucessivos diferentes governos de Israel no Médio Oriente. Weinberg, americano e professor reformado da Universidade do Texas em Austin, decidiu solidarizar-se com os seus colegas israelitas por considerar o protesto britânico de cariz… (adivinhem!) anti-semita.
A carta de Weinberg, e os detalhes da história, podem ser lidos aqui. Lendo a carta, podemos aperceber-nos que Weinberg vê “anti-semitismo” (ou em alternativa “medo de provocar a comunidade muçulmana na Grã Bretanha”) em órgãos como a BBC, o The Guardian e o The Independent.
Devo esclarecer que não acho adequado o boicote à presença de académicos de uma certa nacionalidade ou credo. O credo ou a nacionalidade não vinculam ninguém à política colonialista e agressiva de Israel. Concordaria se o boicote se limitasse a mercadorias, a bens de consumo. Mas pessoas não são mercadorias. Deve boicotar-se o capital, mas não as pessoas. Por isso lamento o tal boicote e lamento profundamente a decisão de Weinberg. O seu colega Salam, que tão frutíferas colaborações com ele teve, não o merecia.
Soube deste episódio através do blogue The Reference Frame. E é para esta mesma entrada deste blogue que eu quero chamar a vossa atenção, nomeadamente para os seus comentários. Comentários que demonstram bem como é impossível ter uma discussão racional sobre o conflito israelo-palestiniano nos EUA. Eu tentei ter essa conversa por algumas vezes e sei o que me aconteceu. Um comentador de bom senso (europeu), Kasper Olsen, fala timidamente sobre o direito dos palestinianos a terem o seu próprio estado, e é imediatamente rodeado por falcões pró-israelitas. Convido-vos a passarem por lá e a fazerem o vosso próprio julgamento. Podem encontrar opiniões que em Portugal (por enquanto) só o colunista do DN Alberto Gonçalves tem o desplante de emitir (enquanto escreve “Palestina” entre aspas), como

“I would probably also give up at this moment and give them a country - which means that Palestinians have the right, too. If you asked what I really think, my answer would be No, they don't deserve it. The concept of the Palestinian nation is just an abstract, soft construct.”

Eu sou contra a Intifada, mas notem que toda esta opinião – o “desistir e dar-lhes um país”, apesar de achar que os palestinianos não têm direito a ele – é o melhor argumento a favor dessa mesma Intifada que eu já li.
Quero ainda destacar

“The problem is that the more land and authority they were granted... the more israelis died in terrorist attacks...”

Como se os territórios ocupados fossem uma concessão feita aos palestinianos, uma prenda que se lhes dava – e não uma devolução daquilo que legitimamente sempre lhes pertenceu. É esta a visão que prevalece na opinião pública americana (que defende um “Grande Israel”) e nos principais meios de comunicação social (não é só a “Fox News”).
Não julguem que estes comentadores são necessariamente neoconservadores, ou mesmo simplesmente republicanos. Pelo contrário: muitos deles são, infelizmente, democratas.
Espero que esta pequena (mas representativa) amostra demonstre que a principal prioridade em política internacional é a necessidade de acabar com o apoio incondicional dos EUA a Israel, se se quer ter um mundo mais seguro. Enquanto isso não acontecer, no que a Europa deve apostar é numa política de defesa comum e autónoma (sem pôr em causa as suas alianças) o mais depressa possível. Que nos proteja das ameaças dos talibãs e dos Ahmenijads, sem dúvida. Mas que nos proteja também dos Drs. Estranhoamores de Washington e dos falcões de Tel Aviv.

Publicado também no Cinco Dias.

2007/06/04

Diálogo entre um filósofo e um físico

Vale a pena ler o texto Serão as constantes da natureza contingentes? de Desidério Murcho, e os comentários dos leitores. Sobretudo do Ricardo S. Carvalho que, ausente que tem andado do blogue onde é residente, nem por isso deixa de estar atento ao que se passa. Com a licença do Ricardo (que tem um estilo "fernanda câncio" de escrita - suponho que coma brócolos do El Corte Inglés) transcrevo esta passagem, que acho imperdível. À atenção de Boaventura de Sousa Santos.

Às frases de Desidério Murcho
"...Quanto ao resto, dizer que uma equação guarda mais ideias do que as palavras permitem alcançar é só uma maneira não muito feliz de dizer que por vezes não compreendemos claramente as próprias equações que temos razões para acreditar que são verdadeiras..."
o Ricardo contrapõe
lamento, mas é falso! ou, então, temos outro problema de comunicção :-)

as equações de einstein, por exemplo, guardam muitas surpresas que só com a sua exploração conseguimos aprender. nenhuma argumentação sobre gravitação nos teria levado a muitos conceitos fundamentais de física moderna sem realmente estudarmos com atenção e cuidado as soluções dessas equações!

um exemplo claro e recente neste sentido está relacionado com a "interpretação" da mecânica quântica. os físicos do princípio do século escolheram a via de copenhaga "shut up and compute" com um sucesso inegável. ao mesmo tempo, muitos argumentos foram debatidos ao longo dos anos sobre as "implicações filosóficas" das diversas interpretações da mecânica quântica, produzindo barbaridades científicas sem limite (até tempos recentes: lembro-me de uma conferência em boston em meados da década de 90 onde a parvoíce dita e incomprensão da mecânica quântica, por parte das pessoas que apenas se ficavam pelos "argumentos", não tinham limite).

hoje a via das equações provou a sua superioridade para atingir este fim: temos uma descrição a caminho de ser bastante completa de todos os aspectos da mecânica quântica, fazendo uso das ideias de decoerência. décadas de argumentação nem lá perto chegaram.

com isto não quero dizer que os argumentos de nada serviam; óbvio que não!! apenas quero dizer que, muitas vezes, é útil conhecer as equações e aprender a estudá-las, antes de decidir argumentar sobre certas coisas...

2007/06/03

31 no Bloco

Imperdível a cobertura no 31 da Armada da convenção do Bloco de Esquerda. Destaco sobretudo os textos Ponto Verde e a Crónica Final. Parabéns ao Rodrigo Moita de Deus, ao Henrique Burnay e ao Bloco de Esquerda. Tal (excelente) cobertura não ocorreria com qualquer partido. Nem com qualquer blóguer.

2007/06/02

Filipe Moura assinou por Carmona Rodrigues

Participei ontem na recolha de assinaturas por parte de Carmona Rodrigues para a sua candidatura à Câmara de Lisboa. Antes de assinar, deixei bem claro que Carmona não era o meu candidato, e que só assinava por querer que Carmona retire votos a Fernando Negrão, que considero o pior de todos os candidatos. Aceitaram a minha assinatura, algo contrafeitos. A democracia também é isto.

2007/06/01

O primeiro livro de ficção do Rui Tavares

...chama-se O Arquitecto, é sobre Minoru Yamasaki, "um artista amaldiçoado pela história, mais célebre pelas obras que lhe destruiram do que pelas que construiu". O livro é uma edição da Tinta da China e terá uma sessão de autógrafos com a presença do autor hoje às 21:30 na Feira do Livro de Lisboa.

A Física e a pseudociência das constantes

Vale a pena ler: Varying Speed of Light (VSL) theories: crackpots par excellence (sobre o trabalho de João Magueijo) no The Reference Frame, e ainda E ao terceiro livro passou-se: a pseudociência do ano; O que é o princípio antrópico?; Cosmologia, Deus e a Ressureição, todos no De Rerum Natura.

2007/05/31

O fim do trio-maravilha



Quem assiste aos jogos pela televisão não se apercebe tanto. Só quem assistiu ao vivo aos jogos do Sporting (como eu assisti com o Belenenses) pode aperceber-se da enorme cumplicidade entre Nani, Djaló e Miguel Veloso. João Moutinho, sendo da mesma geração, ascendeu à equipa principal mais cedo do que eles. É mais "adulto", na mentalidade, na atitude. Mas Djaló, Miguel Veloso e Nani, juntos, pareciam três colegas do liceu. Voltar a vê-los juntos, só na selecção. Desejo as maiores felicidades ao Nani, e que os outros dois façam carreiras brilhantes no Sporting.

2007/05/30

Lançamento: "O Fim do Mundo Está Próximo?"

O livro é da autoria de Jorge Buescu e é lançado em Lisboa hoje pelas 18h30, na Fnac do Centro Comercial Colombo. A apresentação do livro estará a cargo de Fernando Santo, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, e de Nuno Crato, Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.

A greve preventiva

Eu não estou de greve. Sou trabalhador independente precário, tanto posso trabalhar à noite e ao domingo como não trabalhar durante a semana (com limites). Em qualquer circunstância, um bolseiro como eu dizer que estava "de greve" seria ridículo. Mas não percebo os objectivos desta greve. As greves devem fazer-se quando há objectivos concretos, e não para protestar contra o governo. Para isso há as eleições. Eu não vi objectivos concretos na convocatória desta greve (que esteve longe de ser unânime, mesmo dentro da CGTP). Assim, o mecanismo da greve só fica empobrecido.

2007/05/29

O novo aeroporto e o poder local

Estou convencido da necessidade da construção de um novo Aeroporto de Lisboa. Sobre a sua localização, inclino-me mais para a Margem Sul do Tejo (Poceirão ou Faias, os tais “desertos” de que o ministro falava, que aparentemente não têm grandes problemas ambientais ou de segurança), embora não tenha uma opinião definitiva. Mas admiro-me com quem a já tem, e defende a opção Ota sem prestar atenção devida a outros argumentos.
Houve vários aspectos risíveis nas declarações desastradas da semana passada, quer do ministro Mário Lino, quer de Almeida Santos. Independentemente de só este último, creio eu, ter medo de construir pontes por causa dos “atentados terroristas”, a verdade é que a necessidade da construção de uma nova ponte sobre o Tejo para um aeroporto na Margem Sul é usada como argumento pelos defensores da Ota, que são maioritariamente provenientes dos distritos de Santarém, Leiria e Coimbra (não conheço praticamente nenhum defensor da Ota que não provenha de um destes distritos). O extraordinário é que estes cidadãos (que, recorde-se, já têm – ou vão ter – uma ligação ferroviária de alta velocidade que os liga aos aeroportos de Lisboa – seja ele onde for – e Porto) crêem mesmo que a margem sul é um deserto, e que serão provavelmente eles os únicos utentes do futuro aeroporto. Ninguém pensa na acessibilidade de um aeroporto na Ota aos habitantes da margem sul (especialmente do Barreiro). As Faias ou o Poceirão ficam à mesma distância de Lisboa que a Ota, é verdade. Mas ficam mais próximas da população da Margem Sul de Lisboa e Setúbal, que de outra forma ficaria muito longe de um aeroporto internacional. Ninguém parece discernir que, seja para ligar os passageiros da margem norte ao Poceirão ou para ligar partes da margem sul à Ota, uma terceira travessia do Tejo vai mesmo ter de ser construída. Chegar à Ota não é a mesma coisa que à Portela. Por muito que isso assuste Almeida Santos. Ou então se calhar há quem repare, mas nos últimos tempos para defender a Ota tem valido tudo.
Ainda por outras duas razões, e embora não tenha ainda uma opinião definitiva e nem recuse liminarmente nenhuma das hipóteses, eu tendo a preferir um aeroporto na margem sul. A primeira é por esta localização ser mais distante do Porto, e é do interesse nacional que o aeroporto do Porto não seja subalternizado em relação à Ota. O norte e centro-norte do país devem ser servidos preferencialmente pelo aeroporto do Porto. A segunda, e quanto a mim a razão principal, é que tanto quanto sei um aeroporto nas Faias ou no Poceirão será mais seguro, mais barato e terá maior expansibilidade que um aeroporto na Ota.
Mas como sempre em Portugal tudo se reduz aos interesses locais. Toda a gente quer ter um aeroporto próximo da sua cidade ou freguesia. Receio que a questão do aeroporto seja decisiva nas próximas eleições autárquicas de Lisboa (quando não é um assunto só de Lisboa). Autarcas da região centro, das mais variadas cores políticas (CDS à CDU), defendem a construção do aeroporto da Ota. Entre os muitos autarcas do PSD que apoiam esta localização está Francisco Moita Flores, presidente da Câmara de Santarém, que, com uma grande honestidade intelectual, recorda que a Ota sempre foi defendida pelo PSD até a o governo Sócrates decidir avançar. Ou seja, os interesses locais estão acima de tudo o resto, interesses partidários ou nacionais. Que seja assim com os interesses nacionais, acho pena. E o novo aeroporto de Lisboa é um grande projecto nacional (sem subalternizar os outros, como escrevi), que não diz só respeito a passageiros nacionais (se calhar diz mesmo mais respeito a passageiros estrangeiros). Deve permitir a transferência e o tráfego de passageiros entre a América do Sul, a África e outros países da Europa. Deve permitir a exportação de bens de consumo, de cargas que a Portela não está em condições de permitir. Deve ser grande o suficiente para tudo isto, que não é irrealista nem megalómano: dois pequenos/médios aeroportos, a alternativa que muita gente gosta de propor, não permitiriam nenhuma destas possibilidades.
Mas se o país se encontrasse dividido em regiões, como muita gente continua a insistir em propor, o mais provável é que se acabasse mesmo com dois aeroportos pequenos, em localizações distintas. O interesse nacional raramente coincide com a sobreposição de meros interesses locais. É bom que pensemos nisto.

Adenda: podem consultar-se as distâncias das diferentes opções a diferentes cidades no Blasfémias. A estes dados acrescento, a partir do Barreiro: Portela - 47 km, Poceirão - 54 km, Ota - 85 km.

Publicado também no Cinco Dias.