

Repete "a maior coreografia alguma vez realizada num estádio de futebol", segundo foi anunciado. Nesta altura as esperanças eram legítimas.
"Interacções de todo o universo, unificai-vos!"

Quatro ideias para a reforma do ensino superior que, nem sempre pelas boas razões, está na agenda política. Quatro ideias que, sem gastos orçamentais, garantem uma revolução e são aqui apresentadas de borla! Não serão tudo, mas têm sucesso garantido quando aplicadas tanto às universidades públicas como aos politécnicos.
1. Primeira sugestão: apenas, e só, as instituições com investigação avaliada pela FCT com "muito bom" ou "excelente" podem dar o grau de doutor. É-me indiferente se é um politécnico ou é uma universidade que concede doutoramentos; o que é relevante é saber se existe nessa instituição uma actividade de investigação regular e minimamente credível. Sem investigação não há doutoramentos sérios e se a instituição não tem um centro de investigação de qualidade fica vedada a possibilidade de os conceder. Caso contrário (ou seja, na situação actual), a mediocridade reproduz-se e os doutoramentos passam a fazer parte de jogos internos de poder - quem mais doutorados produzir, mais amigos tem e mais votos terá para ser eleito para qualquer coisa dentro da sua coutada. É esta a "vida académica" de muitas instituições!
A qualidade dos doutoramentos, com esta primeira sugestão, ficaria minimamente assegurada.
2. Segunda sugestão: qualquer instituição fica proibida (sem excepções) de recrutar os seus próprios doutorados no primeiro emprego e durante, digamos, três anos. Este ponto é importantíssimo e é prática aceite nas boas escolas e já é seguida, que eu saiba, pelo menos numa faculdade em Portugal.
Desde logo, os jogos de poder dentro da instituição do tipo que referi atrás ficam muito mitigados. Os contratos para o início de uma carreira docente - professor auxiliar - são por concurso, aberto e obrigatoriamente para pessoas fora da instituição. Mais importante, cria-se um mercado de doutorados, aumenta a mobilidade, evitando a acomodação dos docentes com contratos, na prática, prematuramente vitalícios.
Hoje, se um professor quiser sair da sua faculdade tem, de facto, muita dificuldade em entrar noutra escola, pois não existe um verdadeiro mercado para professores do ensino superior. Além disso, tenho tido conhecimento de graves atropelos, se não da lei, pelo menos da ética, em matéria de concursos para professores a vários níveis. Por último, a investigação sairia beneficiada, pois o incesto intelectual seria vedado. O doutorado só se poderá candidatar à universidade onde se doutorou depois de provar que é capaz de "voar sozinho".
É de fora para dentro que as instituições de ensino superior se reformam e a obediência estrita a esta regra dará uma lufada de ar fresco que sacudiria muita poeira que existe nas nossas escolas superiores.
3. Terceira sugestão: a autogestão tem de acabar no ensino superior. Isto vem a propósito da lufada de ar fresco. É que a autogestão deu sempre maus resultados e não foi só na Jugoslávia. Os directores e reitores são eleitos, basicamente, por aqueles que devem dirigir, o que leva a um pecado original insanável. Dito de outro modo, falta accountability à sua gestão. As únicas áreas onde tal existe é na área financeira, onde há auditorias externas às contas, e na investigação, onde existem, felizmente, avaliações pela FCT com júris internacionais e independentes.
A designação e a responsabilização devem ser distintas e exteriores à instituição. Não vejo grandes problemas em admitir, por exemplo, um reitor que não seja um "professor da casa" ou até que nem seja académico. A propósito deste espírito corporativo, e como já sugeri publicamente há anos, o CRUP deve acabar nos moldes actuais. Deve haver uma instância de diálogo do ministério com as universidades, mas com outro enquadramento. Há bastante tempo, em conversa com um reitor de então, defendia exactamente isto e explicava que, estando de fora, tinha a sensação de que um terço dos membros do CRUP, reitores naturalmente, bajulava estudantes, colegas e funcionários porque tinha eleições à porta, outro terço deliciava-se em deitar cascas de banana ao ministro porque eles próprios eram candidatos a ministro e só o outro terço estava verdadeiramente preocupado com a universidade. Ao que o meu amigo reitor me respondeu: "Está muito enganado, não chegam a um terço!"
Nestas áreas da governância está em discussão um conjunto de reformas que devemos estudar atentamente. São apenas um pé da reforma mas uma parte importante. Pelo que já li, há aspectos positivos - designação do reitor, por exemplo -, mas nem se vai tão longe quanto o necessário e noutros aspectos deixa muito a desejar. Veremos.
Por último, a quarta sugestão é sujeitar as instituições do ensino superior a avaliações e acreditações académicas com júris internacionais. Sobre este ponto específico me pronunciei há duas semanas e - pese embora o gosto do meu ego para a autocitação - fico por aqui.
Vão dizer que ainda faltam mais umas vinte e sete outras medidas, mas estas quatro que proponho não custam dinheiro aos contribuintes e garantem uma pequena revolução. A eficiência do ensino superior daria um salto em poucos anos.
Com a mão-de-obra barata da China e da Índia, a nossa defesa não deve ser as tarifas alfandegárias mas antes a qualidade técnica e científica da nossa juventude e essa passa por um ensino superior de qualidade.

A análise que faço da vitória de Sarkozy, da qual estou absolutamente convencido, é que será também uma vitória da propaganda sobre a comunicação. Existe a convicção de que na ausência dos grandes discursos ideológicos, o que é importante é a comunicação. Mas não é, porque já não há essas grandes ideologias em que as pessoas se decidem unicamente com pequenas frases, slogans, ou astúcias de comunicadores. Nicolas Sarkozy percebeu isso e fez um verdadeiro trabalho ideológico de preparação desta eleição. Fez da UMP um partido com uma tradição ideológica, um programa. (...)
A esquerda demonstrou não ter ideias claras sobre nada. Sobre todas as questões de fundo, as pessoas de esquerda estão divididas e não sabem o que dizer precisamente: sobre Europa, imigração e segurança. Há por exemplo uma parte da esquerda e do Partido Socialista que é securitária como Ségolène Royal. Não têm um projecto real. E o projecto de Ségolène Royal, o seu pacto presidencial, é em parte o antigo projecto socialista clássico, intervencionista, e em parte um projecto inspirado de Tony Blair. Mas não há nenhuma ligação entre os dois. Não há coerência. Enquanto Sarkozy tem um projecto liberal-conservador, ou liberal-autoritário, com uma coerência. A dinâmica liberal para os quadros superiores, as profissões liberais e os empresários; a segurança, a ordem, a autoridade para as classes populares. Essa é a receita da direita americana. (...)
A política faz-se com uma certa habilidade e com uma certa coerência. Podemos abrir-nos ao centro, mas sobre as questões de fundo. Ségolène falou muito pouco delas. Em vez disso, fez diligências politiqueiras propondo incluir num governo ministros da UDF e eventualmente um primeiro-ministro. Bayrou não teria existido se o PS tivesse apresentado um candidato ou uma candidata credível. Bayrou saiu do seu nicho de seis ou sete por cento porque o PS não tinha uma candidatura muito clara. O mal está feito. A França permanece um dos países mais à esquerda na Europa, mas esta é uma evolução importante.
Mourinho é o melhor treinador português de todos os tempos. Não precisaria de fazer mais nada na sua carreira para merecer, desde já, essa distinção.
É verdade, no entanto, que ele é responsável por muitos dos anticorpos que ganhou. Uma coisa são os mind games em que tenta desestabilizar o adversário. Outra, bem diferente, é descer ao nível mostrado aquando do incidente da camisola de Rui Jorge. Ou, mais recentemente, quando questionou a cultura de Cristiano Ronaldo. Foi uma coisa rasteira e deselegante. E injusta para com um jogador a quem a vida não ofereceu as mesmas oportunidades que Mourinho teve. Ao não responder, Ronaldo mostrou-lhe que as boas escolas não são solução para tudo.
Mourinho é o expoente máximo do pragmatismo. E alguém que sempre percebeu que, no futebol, não se ganha com boas acções. Ele não está interessado em prémios de popularidade, sempre demasiado datados no tempo. Aprendeu-o em casa, se não pelo discurso, de certeza pelos exemplos que retirou da carreira do pai, tantas vezes vítima de injustiças, até no Setúbal.
Mas se é natural que tenha assimilado uma visão prática das coisas do futebol, já parece menos razoável que insista em vender a faceta de fanfarrão inveterado. Tudo o que é demasiado é moléstia e a verdade é que o reconhecimento do mérito do seu trabalho começa a ser minado por aquela imagem arrogante que ainda rende na publicidade, mas que lhe cria cada vez mais inimigos. "Mourinho só se dá bem com os que não lhe ganham", disse há dias Rafael Benítez. Alex Ferguson queixa-se mais ou menos do mesmo.
Por isso, é chegada a altura de Mourinho fazer um exame de consciência. E de mudar. Não a parte em se prepara e trabalha mais do que todos os outros treinadores. Nem aquela em que estimula os seus jogadores e transforma o seu balneário numa colmeia de operários solícitos e rendidos ao mestre. Nem sequer aquela em que deixa escapar, de supetão, duas ou três frases-chave que sabe antecipadamente irem sair nos títulos dos jornais. O que Mourinho precisa de resolver é a parte em que não respeita os adversários (...). Quando o fizer, até as vontades e as mudanças de humor de Abramovich deixarão de ter a mesma importância...

Our hearts and the hearts of all Americans go out to the victims and their families. Sympathy was not enough at the time of Columbine, and eight years later it is not enough. What is needed, urgently, is stronger controls over the lethal weapons that cause such wasteful carnage and such unbearable loss.No blogue Cosmic Variance: It is good to see some outrage
The number of children under the age of 17 shot by guns in America every year is greater than the gun-related deaths of children in all the industrialized nations of the world COMBINED.

O fax do "desconsolo"É assim que se contratam docentes do ensino superior em Portugal. Nas "universidades" privadas de vão de escada, tipo "Independente", é o pão-nosso de cada dia. Ele é Sócrates, ele é Marques Mendes, ele é Santana, ele é Alberto João... Tudo grandes académicos.
"Foi mandado em Novembro de 1996. O professor Luís Arouca convidou-me para dar aulas na universidade, depois de eu me licenciar. E eu estava tentado a aceitar, achava até honroso o convite. Depois descobri que não podia dar aulas porque estava impedido por lei. E mandei as duas leis, fundamentalmente a de 95 como digo no fax, em que é referido a expressa incompatibilidade de funções entre membros do Governo e qualquer actividade regular de dar aulas. O desconsolo é por isso, é por não ter podido aceitar"
Vale a pena ler a entrevista de Teresa Firmino ao descobridor da estrutura do ADN, director do laboratório de Cold Spring Harbor e Prémio Nobel da Medicina, no Público de sábado. O Tiago Barbosa Ribeiro reproduz algumas partes.
"É só no palco que a gente pode mensurar realmente o trabalho que a gente faz. Eu jamais estou dentro da casa de um ouvinte quando ele está ouvindo um disco meu. Mas no palco eu vejo a reacção de cada um."
"Existe um poeta que já faleceu, Paulo Leminski, que dizia uma coisa muito interessante acerca do poder. Ele dizia que o poder é o sexo dos velhos."
"A minha formação socialista não me permite esquecer que eu tenho na música uma ferramenta realmente de transformação. Eu acho que a música - e a arte de uma maneira geral - é uma ferramenta de transformação dos povos."
"Compor para a Bethânia é uma coisa, compor para a Maria Rita é outra, compor para a Fernanda Abreu é outra e compor para a Elba Ramalho é outra."
"Imitar é o início de tudo. Qualquer um dos grandes criadores pode se sentir fragilizado em dizer isso mas eu desacredito de qualquer intérprete ou músico ou compositor que tenha começado a sua carreira sem se espelhar em alguém. Você imita alguém até ao momento em que isso começa a te incomodar e você quer esconder isso e nesse processo descobre um caminho que é seu."
A Europa e o movimento europeu foram a grande utopia da segunda metade do século XX. Evidentemente que o socialismo é uma utopia e continuará a ser. Mas a utopia que mais foi concretizada durante estes anos foi a utopia europeia. Eu costumo dizer que não há ninguém de esquerda que não seja também europeu. Se a esquerda não é europeia não é nada. (...)
Quer se queira quer não, as coisas vão avançar. Há dois anos toda a gente pensava que não se ia ter Constituição nenhuma e agora está de novo em cima da mesa. (...)
Hoje estou a ler livros dos antigos presidentes do Banco Mundial, dos homens do FMI, dos conselheiros de Clinton e tantos outros, que eram o mais establishment possível, e que hoje estão a dizer: temos de olhar para as pessoas, temos de defender o sistema social, se não o capitalismo afunda-se, se continua nesta balbúrdia em que está, com a corrupção e os negócios escuros, sem valores nem princípios nem nada e só o dinheiro é que vale. (...)
A Inglaterra tem uma grande influência na Europa, não tenho dúvida. Mas é indispensável que se diga o seguinte: quem quer avança, quem não quer não avança. Como no euro e como em Schengen. Temos de construir uma Europa da defesa e uma Europa política, com uma política externa. A questão é: quem quer fazer parte? A Inglaterra não quer, mas não pode prejudicar os outros. Podemos fazer uma cooperação reforçada para avançar. (...) Já se sabe que eles (britânicos) têm a bomba atómica e os franceses também. O que era interessante é que, se houver uma proliferação nuclear perigosa como se está a ver, será necessário europeizar as bombas deles. Sempre pensei assim.

