Há uma amiga minha, cozinheira de mão cheia - já aqui lhe gabei o caldo verde, mas ela prepara muitas outras iguarias -, que está em Paris a fazer um MBA em hotelaria. Como parte da sua especialização teve de preparar uma página na internet de anúncio a um complexo hoteleiro numa região turística francesa. A nota de uma das cadeiras do MBA dela - acreditem! - vai ser determinada pelo número de visitas que a página que ela fez receber. Posso assegurar-vos a sua competência, e espero que ela venha um dia a servir, no seu próprio restaurante, as suas excelentes especialidades (que vão muito para além da bifana e da sardinha assada), cozinhadas por ela e sem ser por vinte euros. Mas para isso esta minha amiga precisa de acabar o seu curso com boa nota. Dado o engenhoso método de classificação, posso-vos pedir uma visita à página da Diana? Não é nenhum tipo de publicidade - nem sequer precisam de ler nada; basta mesmo, acreditem, clicarem aqui. Obrigado.
(Diana, quando abrires o teu restaurante, nada de comida japonesa, OK?)
2007/03/16
2007/03/15
A Fórmula 1 sem Schumacher
Que esperar desta época de Fórmula 1, agora que o maior dos campeões desta especialidade se retirou? Ficará a Fórmula 1 órfã de Schumacher? Por algum tempo é possível que sim, e não me refiro somente aos ferraristas como eu. Refiro-me à modalidade.
No que diz respeito à minha equipa, vamos ver o que faz Raikkonen. Simpatizei com este piloto na época de 2005 – creio que teria sido um justo campeão do mundo, não fosse o azar que o perseguiu, em várias corridas, ao longo de toda a época. Mas a forma categórica e inquestionável como foi batido por Schumacher na última temporada, e sobretudo aquela ultrapassagem da última corrida, quando Schumacher partira de trás para a última das suas recuperações, sem nada a ganhar ou a perder, e “arrumou” assim, limpinho, o seu substituto na equipa, tornam impossível, pelo menso por agora, torcer por Raikkonen sem aumentar as saudades do Schumacher. Primeiro é preciso ver-se um grande momento de condução deste piloto ao volante do Ferrari. É preciso que ele mostre que merece o lugar que ocupa. A pressão vai ser grande. Veremos se ele está à altura.
Por quem é que eu vou torcer, então? Na infância sempre sonhei que um dia um piloto que falasse português, se chamasse Filipe, o seu apelido tivesse cinco letras, a primeira das quais “m” e a última “a”, viesse a ser campeão do mundo de Fórmula 1. Ao volante de um Ferrari, como é evidente. Veremos se este ano se cumpre este meu sonho de infância.
No que diz respeito à minha equipa, vamos ver o que faz Raikkonen. Simpatizei com este piloto na época de 2005 – creio que teria sido um justo campeão do mundo, não fosse o azar que o perseguiu, em várias corridas, ao longo de toda a época. Mas a forma categórica e inquestionável como foi batido por Schumacher na última temporada, e sobretudo aquela ultrapassagem da última corrida, quando Schumacher partira de trás para a última das suas recuperações, sem nada a ganhar ou a perder, e “arrumou” assim, limpinho, o seu substituto na equipa, tornam impossível, pelo menso por agora, torcer por Raikkonen sem aumentar as saudades do Schumacher. Primeiro é preciso ver-se um grande momento de condução deste piloto ao volante do Ferrari. É preciso que ele mostre que merece o lugar que ocupa. A pressão vai ser grande. Veremos se ele está à altura.
Por quem é que eu vou torcer, então? Na infância sempre sonhei que um dia um piloto que falasse português, se chamasse Filipe, o seu apelido tivesse cinco letras, a primeira das quais “m” e a última “a”, viesse a ser campeão do mundo de Fórmula 1. Ao volante de um Ferrari, como é evidente. Veremos se este ano se cumpre este meu sonho de infância.
2007/03/14
Wikipédia e originalidade
A propósito deste caso exemplar que nos é contado pelo Santiago no Conta Natura, recordo outro caso em que esteve e discussão (entre outras coisas) a utilização de fontes da internet por parte de um jornalista científico.
Devo começar por esclarecer que colaborei recentemente com a secção de Ciência do PÚBLICO, tendo sido um dos seleccionados para o programa "Cientistas na Redacção". Nunca tive nenhum tipo de relação com a jornalista em questão que não fosse de trabalho e, desde que terminou a minha colaboração com o jornal, no passado mês de Outubro, não voltei a falar com ela.
Não me vou pronunciar sobre a utilização por parte da jornalista de artigos publicados em outras revistas, científicas ou não, embora segundo julgo ter percebido todas as revistas consultadas tenham sido referidas (o que torna mais difícil, relativamente às mesmas, qualquer acusação de "plágio"). Quero concentrar-me somente sobre a utilização por parte de um jornalista de fontes que são do domínio público, que estão na Internet, mais concretamente na Wikipédia.
É possível que haja excepções, uma vez que a informação disponível na Internet é muito vasta e variada, mas pode dizer-se que, em grande parte, os conteúdos da Wikipédia não são nada originais. São baseados em informações que podem ser colhidas noutros sítios da rede, mas também em livros, jornais e revistas, especializados ou não. Em grande parte das vezes, quando se trata de informação factual, nem sequer é fornecida a fonte dessa mesma informação.
Tratando-se de dados factuais do domínio público (e que, portanto, não constituem por si valor noticioso), a utilização da Wikipédia como fonte de informação sobre estes factos parece-me tão válida como outra qualquer. Eu mesmo, enquanto jornalista científico, utilizei várias vezes informações provenientes da Wikipédia. Eram sempre informações factuais, que poderia encontrar num livro especializado - que eu provavelmente poderia encontrar numa biblioteca ou na minha colecção particular -, mas que não seria a fonte mais prática de consultar, estando na redacção do jornal e sem acesso a eles.
Refiro-me, é claro, a conceitos que são conhecidos por especialistas mas não pelo leitor comum, tendo por isso de ser explicados de uma forma básica pelo jornalista ao dar a notícia. Sobretudo - e isto é que é importante: são informações complementares, sem nenhum tipo de valor jornalístico, nunca constituindo o motivo ou o conteúdo principal do texto. Não me parece por isso correcto acusar alguém de "plágio" só por utilizar este tipo de informações num artigo. Foi este tipo de informações que eu usei (e creio poder dizer-se o mesmo das utilizadas pela jornalista do PÚBLICO).
É claro que são de evitar transcrições textuais de textos de qualquer fonte, incluindo a Wikipédia, mas convém esclarecer que, com definições técnicas, é inevitável a repetição de ideias, palavras e conceitos. Desafio quem pensar de outra forma a enunciar o teorema de Pitágoras de outra forma que não seja "o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos". Será esta última frase plágio? É assim que vem na Wikipédia.
Finalmente, convém esclarecer a prática relativa aos direitos de autor em textos de índole científica, mesmo se de divulgação. É uma prática provavelmente diferente em alguns aspectos da do jornalismo clássico, mas que se aplicará melhor ao jornalismo científico, que tem especificidades próprias. Num texto deste tipo há sempre uma distinção clara entre o que é um conceito ou facto original e o que é uma revisão. A única fonte que há a obrigação de citar é o autor do original, e não os das revisões que foram feitas desde então. Desde que não se cometam transcrições integrais, nenhum autor de uma revisão - por revisão também pode entender-se uma página da Internet como a Wikipédia - pode considerar "plágio" outro trabalho de revisão, ou pedir para ser por este citado. O que é mal visto na comunidade científica é falar-se de temas e citar-se trabalhos que não se conhece bem. É esperado que um autor de um texto entenda o que escreveu, de forma a poder ser considerado realmente o autor desse texto, mesmo se se tratar de uma revisão. Creio que o mesmo critério pode e deve ser aplicado ao jornalismo científico. É isso que distingue um bom de um mau jornalista científico. É muito fácil para um especialista, ao ler uma notícia, distinguir se quem a escreveu a entendeu ou não.
Entramos assim num domínio - a avaliação da competência de alguém - que não é e nem pode ser democrático.
Devo começar por esclarecer que colaborei recentemente com a secção de Ciência do PÚBLICO, tendo sido um dos seleccionados para o programa "Cientistas na Redacção". Nunca tive nenhum tipo de relação com a jornalista em questão que não fosse de trabalho e, desde que terminou a minha colaboração com o jornal, no passado mês de Outubro, não voltei a falar com ela.
Não me vou pronunciar sobre a utilização por parte da jornalista de artigos publicados em outras revistas, científicas ou não, embora segundo julgo ter percebido todas as revistas consultadas tenham sido referidas (o que torna mais difícil, relativamente às mesmas, qualquer acusação de "plágio"). Quero concentrar-me somente sobre a utilização por parte de um jornalista de fontes que são do domínio público, que estão na Internet, mais concretamente na Wikipédia.
É possível que haja excepções, uma vez que a informação disponível na Internet é muito vasta e variada, mas pode dizer-se que, em grande parte, os conteúdos da Wikipédia não são nada originais. São baseados em informações que podem ser colhidas noutros sítios da rede, mas também em livros, jornais e revistas, especializados ou não. Em grande parte das vezes, quando se trata de informação factual, nem sequer é fornecida a fonte dessa mesma informação.
Tratando-se de dados factuais do domínio público (e que, portanto, não constituem por si valor noticioso), a utilização da Wikipédia como fonte de informação sobre estes factos parece-me tão válida como outra qualquer. Eu mesmo, enquanto jornalista científico, utilizei várias vezes informações provenientes da Wikipédia. Eram sempre informações factuais, que poderia encontrar num livro especializado - que eu provavelmente poderia encontrar numa biblioteca ou na minha colecção particular -, mas que não seria a fonte mais prática de consultar, estando na redacção do jornal e sem acesso a eles.
Refiro-me, é claro, a conceitos que são conhecidos por especialistas mas não pelo leitor comum, tendo por isso de ser explicados de uma forma básica pelo jornalista ao dar a notícia. Sobretudo - e isto é que é importante: são informações complementares, sem nenhum tipo de valor jornalístico, nunca constituindo o motivo ou o conteúdo principal do texto. Não me parece por isso correcto acusar alguém de "plágio" só por utilizar este tipo de informações num artigo. Foi este tipo de informações que eu usei (e creio poder dizer-se o mesmo das utilizadas pela jornalista do PÚBLICO).
É claro que são de evitar transcrições textuais de textos de qualquer fonte, incluindo a Wikipédia, mas convém esclarecer que, com definições técnicas, é inevitável a repetição de ideias, palavras e conceitos. Desafio quem pensar de outra forma a enunciar o teorema de Pitágoras de outra forma que não seja "o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos". Será esta última frase plágio? É assim que vem na Wikipédia.
Finalmente, convém esclarecer a prática relativa aos direitos de autor em textos de índole científica, mesmo se de divulgação. É uma prática provavelmente diferente em alguns aspectos da do jornalismo clássico, mas que se aplicará melhor ao jornalismo científico, que tem especificidades próprias. Num texto deste tipo há sempre uma distinção clara entre o que é um conceito ou facto original e o que é uma revisão. A única fonte que há a obrigação de citar é o autor do original, e não os das revisões que foram feitas desde então. Desde que não se cometam transcrições integrais, nenhum autor de uma revisão - por revisão também pode entender-se uma página da Internet como a Wikipédia - pode considerar "plágio" outro trabalho de revisão, ou pedir para ser por este citado. O que é mal visto na comunidade científica é falar-se de temas e citar-se trabalhos que não se conhece bem. É esperado que um autor de um texto entenda o que escreveu, de forma a poder ser considerado realmente o autor desse texto, mesmo se se tratar de uma revisão. Creio que o mesmo critério pode e deve ser aplicado ao jornalismo científico. É isso que distingue um bom de um mau jornalista científico. É muito fácil para um especialista, ao ler uma notícia, distinguir se quem a escreveu a entendeu ou não.
Entramos assim num domínio - a avaliação da competência de alguém - que não é e nem pode ser democrático.
2007/03/13
Encontros presidenciais
Que eu me recorde, cruzei-me três vezes com Presidentes da República em exercício. Duas no mesmo sítio, o Salão Nobre do Instituto Superior Técnico, uma vez com Jorge Sampaio (em 1996), a outra com Cavaco Silva (hoje, no seu Roteiro para a Ciência). A outra vez foi também com Sampaio, no cinema, a ver Good Bye Lenin!
A breve visita do Presidente foi rodeada de cuidados que não devem surpreender ninguém. As velhas portas corta-fogo dos corredores, que costumam permanecer abertas, estavam desta vez bem fechadas, para não se verem paredes mal pintadas, cadeiras a monte e andaimes de obras. Houve um cuidado natural na preparação da exposição, sobre fontes de energia amigas do ambiente, para a visita do Presidente: afinal, era nesta altura que vinha a comunicação social. Só que a exposição continua patente, e a partir de amanhã ninguém se importa se é visitada ou não. Se puderem, vão vê-la que vale a pena.
A breve visita do Presidente foi rodeada de cuidados que não devem surpreender ninguém. As velhas portas corta-fogo dos corredores, que costumam permanecer abertas, estavam desta vez bem fechadas, para não se verem paredes mal pintadas, cadeiras a monte e andaimes de obras. Houve um cuidado natural na preparação da exposição, sobre fontes de energia amigas do ambiente, para a visita do Presidente: afinal, era nesta altura que vinha a comunicação social. Só que a exposição continua patente, e a partir de amanhã ninguém se importa se é visitada ou não. Se puderem, vão vê-la que vale a pena.
Gostei de ler
- Copenhaga e nós, no Vida Breve;
- Autoridade livre, Opinião pública e 4 instituições protestantes de descoberta da verdade, no Blasfémias.
2007/03/12
Quando as letras não pagam as expectativas II
Seguiu-se uma discussão muito interessante na caixa de comentários do meu texto “Quando as letras não pagam as expectativas”, que vale a pena ser lida.
Entre os comentários que recebi por email estão os de um sociólogo que me fez ver um lapso meu: para entrar no curso de Sociologia é necessária a frequência de Matemática nos ecundário. Dos cinco licenciados referidos, “apenas” quatro não tiveram Matemática.
Também valem a pena serem lidos dois textos do Tiago Mendes, um que eu já conhecia e outro que o autor teve a gentileza de me fazer chegar: Licença para pensar, sobre a empregabilidade dos cursos das universidades inglesas, e Rigor criativo, sobre a importância da Matemática.
De tudo o que eu li, gostaria de acrescentar que na situação portuguesa muitos alunos nunca chegam (e nunca chegaram) a estudar realmente matemática a partir do 6º ano: pura e simplesmente “desistem” da matemática. Decidem que irão para letras e logo se vê, pois sabem que o “pesadelo” das ciências exactas só dura até ao 9º ano.
Por outro lado, o ensino da matemática não deve ser feito a pensar que todos os alunos serão matemáticos, ou sequer estudarão ciências. Não defendo que haja falta de matemáticos; agora, há um excesso de licenciados sem nenhuns conhecimentos de matemática, que orientaram todos os seus estudos só para fugirem à matemática, e por isso mesmo não se sabe muito bem o que se lhes há-de fazer. Pior: nem esses licenciados sabem muito bem o que hão-de fazer fora da sua área de estudos. A flexibilidade e a capacidade de adaptação de que o Tiago Mendes fala, e que são absolutamente indispensáveis num mundo em evolução tecnológica vertiginosa, só se podem alcançar com uma boa base matemática. Se não compreendermos isto arriscamo-nos a continuar a formar reveladores de fotografias na era da fotografia digital.
Entre os comentários que recebi por email estão os de um sociólogo que me fez ver um lapso meu: para entrar no curso de Sociologia é necessária a frequência de Matemática nos ecundário. Dos cinco licenciados referidos, “apenas” quatro não tiveram Matemática.
Também valem a pena serem lidos dois textos do Tiago Mendes, um que eu já conhecia e outro que o autor teve a gentileza de me fazer chegar: Licença para pensar, sobre a empregabilidade dos cursos das universidades inglesas, e Rigor criativo, sobre a importância da Matemática.
De tudo o que eu li, gostaria de acrescentar que na situação portuguesa muitos alunos nunca chegam (e nunca chegaram) a estudar realmente matemática a partir do 6º ano: pura e simplesmente “desistem” da matemática. Decidem que irão para letras e logo se vê, pois sabem que o “pesadelo” das ciências exactas só dura até ao 9º ano.
Por outro lado, o ensino da matemática não deve ser feito a pensar que todos os alunos serão matemáticos, ou sequer estudarão ciências. Não defendo que haja falta de matemáticos; agora, há um excesso de licenciados sem nenhuns conhecimentos de matemática, que orientaram todos os seus estudos só para fugirem à matemática, e por isso mesmo não se sabe muito bem o que se lhes há-de fazer. Pior: nem esses licenciados sabem muito bem o que hão-de fazer fora da sua área de estudos. A flexibilidade e a capacidade de adaptação de que o Tiago Mendes fala, e que são absolutamente indispensáveis num mundo em evolução tecnológica vertiginosa, só se podem alcançar com uma boa base matemática. Se não compreendermos isto arriscamo-nos a continuar a formar reveladores de fotografias na era da fotografia digital.
2007/03/09
Barak, a Fox e o fumo
Eu acho bem que se protejam os direitos dos não-fumadores. Sobretudo, que se acabe com a cultura vigente em Portugal que faz com que o acto de fumar fique completamente impune. Até há uns anos um não-fumador em Portugal estava completamente indefeso. Mas o objectivo deve ser só o de proteger a saúde, e nunca o de estigmatizar e ostracizar o fumador e o acto de fumar. Via Zona Fantasma, deixo-vos com um vídeo que demonstra bem onde não se pode e não se deve chegar. E que vos dá uma ideia, ao mesmo tempo, da independência da cadeia de televisão americana Fox. Imaginem agora como são apresentados os conflitos internacionais, e quem critica a política externa americana!
Voltando ao assunto do vídeo: lamentavelmente, receio que se Barak Obama quer ter hipóteses de lutar pela nomeação democrata, terá que deixar de fumar. E isso já se confirmou: já o anunciou a semana passada.
Publicado originalmente no Cinco Dias.
2007/03/08
Receita Dia da Mulher 2007
Reactivando um hábito de outros anos, e porque entendo que o feminismo começa verdadeiramente na distribuição das tarefas domésticas elementares, de acordo com a minha ética proletária, observo o Dia da Mulher... com uma receita. Homens para a cozinha, pois então!
Confesso no entanto que a receita que escolhi este ano não foi a pensar em nenhuma mulher: é mais dedicada ao jornalista, crítico gastronómico e blóguer Duarte Calvão. O Duarte Calvão costuma publicar crónicas no Diário de Notícias sobre os excelentes restaurantes que visita, em Portugal e no mundo inteiro. E confirma-nos aquela máxima da cozinha portuguesa que a torna verdadeiramente atractiva e democrática: pobres e ricos comem as mesmas coisas (excluo os "muito pobres", como é evidente, que mal tenham dinheiro para comer). O que quero mesmo dizer é o seguinte: se excluirmos restaurantes de luxo, é frequente encontrarmos ementas semelhantes em restaurantes mais caros e mais baratos. A diferença de preço está só no local onde se come. No Brasil, pelos vistos, a situação não é muito diferente. E é assim que vemos o Duarte Calvão, na sua crónica do DN, todo orgulhoso por ter pago 15 euros em São Paulo por um hambúrguer. Recordo-me que o mesmo jornalista, no passado mês de Junho, por altura dos santos populares, escreveu outra crónica onde gabava umas sardinhas assadas que tinha comido em Alfama, pelas quais tinha pago a módica quantia de... 20 euros. Tinha gostado tanto que voltara ao mesmo restaurante para comer... umas febras de porco! Um prato que já não comia há dois anos! O crítico gastronómico Duarte Calvão não comia febras de porco há dois anos. E ficou tão comovido por as descobrir no mesmo sítio onde tinha pago 20 euros pelas sardinhas que voltou lá de propósito, só para as comer, tendo voltado a desembolsar 20 euros por um prato!
Eu não sou o Duarte Calvão, mas quando pago 20 euros por um prato num restaurante (é muito raro, mas pode acontecer), não é para comer febras de porco. Sendo assim, hoje, Dia da Mulher, dia em que os homens se deveriam habituar a ir mais à cozinha (como todos os outros), eu deixo aqui uma receita de febras de porco. Dedicada ao Duarte Calvão.
Tome as febras, tempere-as com colorau, louro e um pouco de pimenta. Junte-lhes uns dentes de alho em rodelas (Duarte, se for cortar os alhos, tenha cuidado não se vá cortar). Junte um pouco de vinho branco e deixe marinar por umas horas. Escorra-as na marinada e leve-as a fritar em margarina ou banha, a seu gosto. Estando fritas, junte a marinada até esta reduzir. Acompanhe com umas boas batatas cozidas com casca. (Duarte, se for cozer as batatas, lave-as bem primeiro, corte-as – cuidado, não se corte! É melhor não as descascar! -, ponha-as em água com sal que entretanto pôs ao lume (cuidado, não se queime!) e deixe-as cozinhar até ficarem tenras.)
E pronto: com ingredientes que compram em qualquer supermercado, têm aqui um pitéu que vale, nos restaurantes que o Duarte Calvão costuma frequentar, 20 euros. Et voilá, como dizem os chefs desses restaurantes. Bon appétit.
Publicado também no Cinco Dias.
Confesso no entanto que a receita que escolhi este ano não foi a pensar em nenhuma mulher: é mais dedicada ao jornalista, crítico gastronómico e blóguer Duarte Calvão. O Duarte Calvão costuma publicar crónicas no Diário de Notícias sobre os excelentes restaurantes que visita, em Portugal e no mundo inteiro. E confirma-nos aquela máxima da cozinha portuguesa que a torna verdadeiramente atractiva e democrática: pobres e ricos comem as mesmas coisas (excluo os "muito pobres", como é evidente, que mal tenham dinheiro para comer). O que quero mesmo dizer é o seguinte: se excluirmos restaurantes de luxo, é frequente encontrarmos ementas semelhantes em restaurantes mais caros e mais baratos. A diferença de preço está só no local onde se come. No Brasil, pelos vistos, a situação não é muito diferente. E é assim que vemos o Duarte Calvão, na sua crónica do DN, todo orgulhoso por ter pago 15 euros em São Paulo por um hambúrguer. Recordo-me que o mesmo jornalista, no passado mês de Junho, por altura dos santos populares, escreveu outra crónica onde gabava umas sardinhas assadas que tinha comido em Alfama, pelas quais tinha pago a módica quantia de... 20 euros. Tinha gostado tanto que voltara ao mesmo restaurante para comer... umas febras de porco! Um prato que já não comia há dois anos! O crítico gastronómico Duarte Calvão não comia febras de porco há dois anos. E ficou tão comovido por as descobrir no mesmo sítio onde tinha pago 20 euros pelas sardinhas que voltou lá de propósito, só para as comer, tendo voltado a desembolsar 20 euros por um prato!
Eu não sou o Duarte Calvão, mas quando pago 20 euros por um prato num restaurante (é muito raro, mas pode acontecer), não é para comer febras de porco. Sendo assim, hoje, Dia da Mulher, dia em que os homens se deveriam habituar a ir mais à cozinha (como todos os outros), eu deixo aqui uma receita de febras de porco. Dedicada ao Duarte Calvão.
Tome as febras, tempere-as com colorau, louro e um pouco de pimenta. Junte-lhes uns dentes de alho em rodelas (Duarte, se for cortar os alhos, tenha cuidado não se vá cortar). Junte um pouco de vinho branco e deixe marinar por umas horas. Escorra-as na marinada e leve-as a fritar em margarina ou banha, a seu gosto. Estando fritas, junte a marinada até esta reduzir. Acompanhe com umas boas batatas cozidas com casca. (Duarte, se for cozer as batatas, lave-as bem primeiro, corte-as – cuidado, não se corte! É melhor não as descascar! -, ponha-as em água com sal que entretanto pôs ao lume (cuidado, não se queime!) e deixe-as cozinhar até ficarem tenras.)
E pronto: com ingredientes que compram em qualquer supermercado, têm aqui um pitéu que vale, nos restaurantes que o Duarte Calvão costuma frequentar, 20 euros. Et voilá, como dizem os chefs desses restaurantes. Bon appétit.
Publicado também no Cinco Dias.
2007/03/07
Blogues novos, blógueres não tão novos
Aproveito o aniversário do blogue para rearrumar a lista de hiperligações. Retiro alguns blogues desactivados e acrescento outros. Sem querer ser exaustivo, refiro aqui alguns.
Vítor Dias tem um blogue que merece leitura atenta. O Tempo das Cerejas é o título do blogue, e é também o título de uma canção que se tornou um símbolo da Comuna de Paris, Le Temps des Cérises. Bem vindo, Vítor Dias.
O título desta canção inspirou também o nome de um dos meus restaurantes favoritos de Paris, em plena Butte Aux Cailles, um bairro boémio do 13ème e símbolo da Comuna. No Le Temps des Cérises (um restaurante-cooperativa onde todos trabalham e todos lucram), gosto de comer as fantásticas entradas de arenque fumado (como não há outras) e o boudin noir à normanda. Quem me recomendou este restaurante foi outro blóguer histórico, o Vasco Barreto, que volta à blogosfera como autor de muitos blogues, demasiados para serem todos referidos, como se fossem suplementos de um jornal. O blogue central, federador dos outros, é o Caderno I. Alguém entendido em html dá uma ajuda com o modelo ao Vasco?
Destaco também blogues de dois antigos companheiros do saudoso Blogue de Esquerda, o Bidão Vil (um blogue que só agora descobri) e a Zona Fantasma, onde escreve um rapaz chamado Luís Rainha (o "Fantasma do Natal Passado"), fã do Tio Patinhas como eu.
O Luís que, entretanto, deixou há algum tempo um comentário sobre este texto do Miguel Sousa Tavares. Sem querer perder mais tempo: tem razão, o Luís. Creio no entanto que tal se trata simplesmente de uma passagem (muito) infeliz, mas que não chega a estragar o resto do bom artigo. É claro que o Luís, com o seu reconhecido feitio, não concorda neste ponto e "deita tudo abaixo". E faz o mesmo nos comentários do blogue de onde entretanto saíra, o Aspirina B. Mas mantém o velho hábito de fazer comentários anónimos aos textos de companheiros de blogue. Não é a pensar em mim, primeiro porque eu já conheço de ginjeira o estilo de escrita do Luís e, segundo, porque felizmente ele já assina os comentários que me deixa. Mas, se ele me permite, gostaria de lhe dar um conselho.
(Luís, se não queres mesmo ser identificado como autor de comentários anónimos, procede como te sugiro. Escreve como os outros comentadores anónimos; não precisa de ser mal, mas não com o teu português rebuscado que nenhum comentador (anónimo ou não) usa. Não uses expressões que na blogosfera só tu usas (e provavelmente só tu conheces o significado), como "supina", "fruste", "sinecura"... Sobretudo não uses uma marca do teu estilo que é única e exclusiva e que te identificaria em qualquer blogue ou fórum: não uses ponto e vírgula a seguir a "irra". Bem vindo de volta.)
Finalmente, para verem como a blogosfera é diferente da sociedade, mesmo no que diz respeito à esquerda. Os comunistas como Vítor Dias escrevem sozinhos (ó Vítor Dias, não arranja um "verde" para lhe fazer companhia?). O Peão, por sua vez, é uma grande coligação democrática unitária de blógueres de esquerda (mas, que eu saiba, sem comunistas). Inclui alguns veteranos consagrados da blogosfera. Tem uma dinâmica interna muito apreciável, como há muito não se via num blogue colectivo de esquerda. Bem vindos. Faziam falta.
Boas blogagens a todos.
Vítor Dias tem um blogue que merece leitura atenta. O Tempo das Cerejas é o título do blogue, e é também o título de uma canção que se tornou um símbolo da Comuna de Paris, Le Temps des Cérises. Bem vindo, Vítor Dias.
O título desta canção inspirou também o nome de um dos meus restaurantes favoritos de Paris, em plena Butte Aux Cailles, um bairro boémio do 13ème e símbolo da Comuna. No Le Temps des Cérises (um restaurante-cooperativa onde todos trabalham e todos lucram), gosto de comer as fantásticas entradas de arenque fumado (como não há outras) e o boudin noir à normanda. Quem me recomendou este restaurante foi outro blóguer histórico, o Vasco Barreto, que volta à blogosfera como autor de muitos blogues, demasiados para serem todos referidos, como se fossem suplementos de um jornal. O blogue central, federador dos outros, é o Caderno I. Alguém entendido em html dá uma ajuda com o modelo ao Vasco?
Destaco também blogues de dois antigos companheiros do saudoso Blogue de Esquerda, o Bidão Vil (um blogue que só agora descobri) e a Zona Fantasma, onde escreve um rapaz chamado Luís Rainha (o "Fantasma do Natal Passado"), fã do Tio Patinhas como eu.
O Luís que, entretanto, deixou há algum tempo um comentário sobre este texto do Miguel Sousa Tavares. Sem querer perder mais tempo: tem razão, o Luís. Creio no entanto que tal se trata simplesmente de uma passagem (muito) infeliz, mas que não chega a estragar o resto do bom artigo. É claro que o Luís, com o seu reconhecido feitio, não concorda neste ponto e "deita tudo abaixo". E faz o mesmo nos comentários do blogue de onde entretanto saíra, o Aspirina B. Mas mantém o velho hábito de fazer comentários anónimos aos textos de companheiros de blogue. Não é a pensar em mim, primeiro porque eu já conheço de ginjeira o estilo de escrita do Luís e, segundo, porque felizmente ele já assina os comentários que me deixa. Mas, se ele me permite, gostaria de lhe dar um conselho.
(Luís, se não queres mesmo ser identificado como autor de comentários anónimos, procede como te sugiro. Escreve como os outros comentadores anónimos; não precisa de ser mal, mas não com o teu português rebuscado que nenhum comentador (anónimo ou não) usa. Não uses expressões que na blogosfera só tu usas (e provavelmente só tu conheces o significado), como "supina", "fruste", "sinecura"... Sobretudo não uses uma marca do teu estilo que é única e exclusiva e que te identificaria em qualquer blogue ou fórum: não uses ponto e vírgula a seguir a "irra". Bem vindo de volta.)
Finalmente, para verem como a blogosfera é diferente da sociedade, mesmo no que diz respeito à esquerda. Os comunistas como Vítor Dias escrevem sozinhos (ó Vítor Dias, não arranja um "verde" para lhe fazer companhia?). O Peão, por sua vez, é uma grande coligação democrática unitária de blógueres de esquerda (mas, que eu saiba, sem comunistas). Inclui alguns veteranos consagrados da blogosfera. Tem uma dinâmica interna muito apreciável, como há muito não se via num blogue colectivo de esquerda. Bem vindos. Faziam falta.
Boas blogagens a todos.
2007/03/06
Seinfeld - The Lost Episode
Num interessante blogue de apoio a Barack Obama - This Much Left - encontrei um vídeo com uma colagem de episódios do Seinfeld, e com um da vida real pelo meio. Para um fã do Kramer como eu custa fazer isto, mas aqui vai. Afinal custa muito mais saber o que se passou. Mas o Michael Richards pedu desculpa.
2007/03/05
Obrigado!
Em geral não costumo assinalar no meu blogue o aniversário de outros blogues. Não é por antipatia ou por snobismo: é porque penso que o aniversário de um blogue só diz respeito a esse mesmo blogue, e o resto da blogosfera não tem nenhuma obrigação de estar a assinalar a data. Nestas datas, o que eu costumo fazer é deixar uma felicitação nas caixas de comentários dos blogues de que mais gosto. É por isso uma grande honra para mim que blogues e blógueres de que eu gosto muito tenham tido a gentileza de assinalar o aniversário do Avesso do Avesso. Não havia necessidade, não havia necessidade. E quem são eles? Espero não me esquecer de ninguém. São alguns insurgentes que me felicitaram nos seus blogues pessoais: o Adolfo Mesquita Nunes na Arte da Fuga e o André Abrantes Amaral e respectivas leitoras no Observador. Malta de outros Carnavais, como o João André e o Henrique Fialho. O kontroverso Tiago Barbosa Ribeiro, cujo blogue “nasceu” no mesmo dia que este. O Rui Curado Silva, cuja frase no Klepsýdra me deixou sem palavras e a quem mando um abraço especial. E o Nuno Ramos de Almeida, que adivinhou a minha predilecção pela mais famosa de todas as loiras e deixou-me no Cinco Dias uma lindíssima prenda. E são ainda todos os leitores que assinalaram a data nas caixas de comentários. A todos um grande abraço e muito obrigado!
Actualização: obrigado também ao Daniel Oliveira e ao Pedro Correia.
Actualização: obrigado também ao Daniel Oliveira e ao Pedro Correia.
2007/03/04
O velho esquema desmorona dessa vez para valer
E não é que acabou a famosa revista Dia D? Já foi há uma semana, mas só hoje é que me lembrei da música mais adequada à ocasião. Um final de tarde a ouvir o Caetano Veloso deu nisto. À defunta revista eu dedico um grande Não Enche. Cantemos então:
À luz desse dia D
eu vou viver sem você!
Manuel Bento (1948-2007)

Era um dos “cromos” da minha infância. Quando era miúdo, o que eu mais gostava era de o ver sofrer golos. Mas no fundo gostava dele. Dele e de toda a equipa do Benfica da primeira metade da década de oitenta. Os jogadores eram quase todos provenientes da margem sul do Tejo, de localidades operárias. Chalana, Pietra, Veloso, Nené, Diamantino... Sven Goran Eriksson era o treinador. E Bento era o capitão. E o mais emblemático.
Eu estava pelo “outro lado”, que eram o Jordão, o Oliveira, o Venâncio, o Carlos Xavier, mais tarde o regressado Vítor Damas. Manuel Fernandes, também da margem sul do Tejo, era o capitão. E o principal adversário. As grandes rivalidades naquela altura eram estas; depois é que apareceu o Pinto da Costa e mudou tudo.
Quem faz a grandeza do Benfica não são os tais famosos “seis milhões”: é o ter na sua história homens como o Bento.
2007/03/01
Um ano
O Avesso do Avesso faz hoje um ano. Muito obrigado a todos os que vão por aqui passando e que contribuiram para as 38656 visitas que o blogue já teve, tendo a página sido carregada um total de 50675 vezes. Desde que o blogue começou, 68% dos visitantes vêm de Portugal, 6,5% de França, 6% do Brasil e 4,1% dos EUA. 10% ao sábado e ao domingo, 15% à segunda e à sexta, 16,6% à terça, quarta e quinta.
Este blogue tem sido o meu espaço de liberdade (e de prisão, às vezes). Espero que quem o visita encontre tanto prazer nisso como eu encontro em escrevê-lo. É para vocês, mas não é por vocês que eu escrevo. Por isso devo agradecer mais uma vez as vossas visitas. Muito obrigado e um abraço a todos.
Este blogue tem sido o meu espaço de liberdade (e de prisão, às vezes). Espero que quem o visita encontre tanto prazer nisso como eu encontro em escrevê-lo. É para vocês, mas não é por vocês que eu escrevo. Por isso devo agradecer mais uma vez as vossas visitas. Muito obrigado e um abraço a todos.
2007/02/28
Carnaval na Mealhada - o Rei não ia nu

O Rei do Carnaval da Mealhada (considerado o mais brasileiro de Portugal) foi, pela primeira vez, um actor português, Ricardo Pereira. Que, mesmo assim, foi apresentado como participando na telenovela brasileira "Pé Na Jaca".
Se eu quisesse ter tirado esta fotografia, provavelmente não a teria conseguido. Mas a verdade é que a tirei. E, por acaso, nessa altura o "rei" parece estar mesmo a puxar a roupa para cima. Roupa que, pelos vistos, lhe estava grande...
Carnaval na Mealhada - Tropicália
Carnaval na Mealhada - a realeza dos bambas que quis se mostrar

Chegou a capital do samba
Dando boa noite com alegria
Viemos lhe apresentar o que a Mangueira tem
Mocidade, samba e harmonia
Nossas baianas com seus colares e guias
Até parece que eu estou na Bahia
Até parece que eu estou na Bahia
(Capital do Samba, José Ramos)
As baianas mais formosas também eram as da Mangueira.
2007/02/27
Carnaval na Mealhada - o desfile
Bella Italia - onde a esquerda é sinistra
A recente minicrise italana teve duas consequências (ao nível da blogosfera de esquerda portuguesa) que eu não esperava: fez-me concordar genericamente com o Daniel Oliveira (registo com agrado a sua evolução face a tomadas de posição anteriores sobre o mesmo assunto). E discordar frontalmente do Nuno Ramos de Almeida, que tão gentilmente me acolhe às sextas no Cinco Dias.
Telegraficamente, o que diz então o Nuno? Concorda: "é fundamental impedir o acesso ao governo à direita de Berlusconi, mas para isso não é necessário ir para o governo, bastava um acordo de incidência parlamentar." Tem graça que neste caso o que falhou mesmo foi o referido "acordo de incidência parlamentar". A crise foi gerada no Senado; não teve origem no governo. E "ir para o governo, ganhando alguns lugares, em troca de abdicar do programa" não é necessariamente uma afirmação de coragem, mas também não é de oportunismo. É uma afirmação de responsabilidade: de preferir trabalhar, implementar medidas concretas e fazer o melhor que se for possível, não se limitando à posição confortável (e sem responsabilidades) da crítica no café, nas colunas de jornal ou no blogue.
Telegraficamente, o que diz então o Nuno? Concorda: "é fundamental impedir o acesso ao governo à direita de Berlusconi, mas para isso não é necessário ir para o governo, bastava um acordo de incidência parlamentar." Tem graça que neste caso o que falhou mesmo foi o referido "acordo de incidência parlamentar". A crise foi gerada no Senado; não teve origem no governo. E "ir para o governo, ganhando alguns lugares, em troca de abdicar do programa" não é necessariamente uma afirmação de coragem, mas também não é de oportunismo. É uma afirmação de responsabilidade: de preferir trabalhar, implementar medidas concretas e fazer o melhor que se for possível, não se limitando à posição confortável (e sem responsabilidades) da crítica no café, nas colunas de jornal ou no blogue.
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