2006/11/21

Telescópio Hubble mostra que o Universo jovem já tinha energia negra

Porque estamos na Semana da Ciência, e há descobertas recentes relevantes: ler no Público e no excelente Cosmic Variance.

2006/11/20

Lição para o futuro

Passei o dia a tentar entrar no blogger e não consegui. O Frangos conseguia, o Nélson conseguia (coragem, pá - o teu primeiro clube até vai à frente do teu segundo clube!), o Leonardo conseguia. E o Luís e o Ricardo. Até o irregular Pedro Lomba. Toda a gente menos eu... Só consegui discutir a definição de "mentira" nos comentários.
Mudei de browser. Entrei logo sem problemas.
Volto amanhã. Boa noite.

2006/11/19

Com tranquilidade...


...defendem-se mesmo os penaltis falsos.

2006/11/18

Eu, órfão de Jospin, me confesso

Texto originalmente publicado no Cinco Dias.

Vêm aí as primárias do Partido Socialista francês para decidir quem será o candidato às eleições presidenciais. Embora havendo de certeza outros candidatos à esquerda (para já está confirmada Marie-George Buffet e fala-se em Jean-Pierre Chevènement), para um observador externo o que mais importa é o candidato do PSF, em princípio o único de esquerda com possibilidades de chegar ao Eliseu. Mesmo não sendo eu agora um observador próximo, tenho procurado seguir o processo com atenção. E o cenário não se apresenta particularmente estimulante.

Embora tenha vindo a cair nas sondagens, tudo indica que a candidata escolhida será Ségolène Royal. Pelo que tenho visto esta escolha está longe de me deixar sorridente. E com grande pena minha, pois bem gostaria de ver uma mulher a presidir aos destinos de uma sociedade tão patriarcal como ainda é a francesa. Só que – lamento ter que o dizer – parece-me que quem acusa Ségolène Royal de não ter ideias bem definidas e nem um projecto concreto tem razão. Pelas suas declarações, Ségolène tanto deve agradar a Francisco Louçã (quando fala em endurecer restrições ao capitalismo ultraliberal) como a Paulo Portas (quando fala num endurecimento das leis da imigração). Pelo meio, declara-se admiradora de Tony Blair. É obra!

A meu ver Ségolène tem o mérito de não fugir aos problemas e de os saber colocar sem tabus ideológicos, algo que é frequentemente muito difícil para a esquerda. Onde tem falhado, pelo menos no que eu tenho notado, é em propor soluções e alternativas para esses mesmos problemas, parecendo sempre querer agradar a toda a gente. Espero que, se for eleita presidente, se revele melhor na prática política do que na campanha (e tal não seria a primeira vez). É que as alternativas dentro do seu partido, para além de perdedoras face ao provável candidato da direita Sarkozy (ao contrário de Ségolène - dizem as sondagens), são ainda menos animadoras.

Dominique Strauss-Kahn é um barão, um cinzento homem do aparelho, sem grande capacidade para mobilizar o seu partido, muito menos a França e a Europa. Quanto a Laurent Fabius, é um populista oportunista (e de baixo nível, como atesta a sua pergunta sobre como seria ter Ségolène presidente: "E quem vai tomar conta dos filhos?"). A sua eventual escolha como candidato só serviria para descredibilizar e desmoralizar o PSF, lançando a esquerda francesa numa crise de resultados imprevisíveis (quiçá piores do que os de 2002).

Durante muito tempo, mesmo quando já se dava como garantido o duelo Ségo-Sarko, tive a esperança de um regresso de Lionel Jospin. Mesmo depois de, após a forma totalmente inglória e imerecida como falhou a passagem à segunda volta das eleições de 2002, ter dado por finda a sua carreira política. Pelos sinais que deu durante este ano é óbvio que pretendia voltar. Teria sido melhor ter-se mantido como reserva, sem nunca ter fechado a porta. Optou por uma "estratégia do tabu", sem dar indicações claras se pretendia avançar ou não. E quando é assim, os apoios não surgem: dirigem-se mais facilmente para quem avança sem reservas. Por vezes os calculismos pagam-se caro: quando Jospin foi à procura de apoios, já não os tinha e teve de recuar. Para a história fica um grande político, protagonista de uma era de paz e progresso no mundo como poucas outras.

Sendo assim, agora é indispensável encontrar-se um candidato de esquerda capaz de vencer a eleição. Mas, primeiro – e se calhar mais difícil do que isso – é garantir que esse candidato chegue à segunda volta.

2006/11/17

Com o Beaujolais novo veio Ségolène

Quando escrevi a minha contribuição desta semana para o Cinco Dias, estava convencido de que as eleições primárias no PS francês seriam hoje. Mas não: já foram ontem. Se soubesse teria ajustado um pouco os tempos verbais. Mas a ideia principal, a minha opinião sobre os candidatos e a minha orfandade de Jospin, mantém-se.
Ségolène Royal foi portanto escolhida pelos militantes do PS como candidata à presidência da República no mesmo dia em que é provada (e vendida) a nova colheita do vinho Beaujolais. Que grande bebedeira deve ter sido na Rue de Solférino!

O meu texto Eu, órfão de Jospin, me confesso pode ser lido aqui.

2006/11/16

A América segundo Miguel Sousa Tavares

Tudo acontecia como nos filmes, era tudo rigorosamente verdade: aquela era verdadeiramente “ the land of the free”, um país onde a liberdade individual, a sensação de que se é absolutamente dono de si, do seu tempo, da sua vontade e do seu destino, era tal forma inebriante que era preciso um esforço de contenção diário para não se deixar ir atrás do fluxo, aparentemente sem nexo, das coisas e do tempo.


Um excelente artigo no Expresso, que eu encontrei aqui via Aspirina B. Está recheado de imprecisões históricas diligentemente colectadas por Joaquim Vieira, mas que em nada afectam a ideia principal do texto, como sempre muito bem transmitida. Que alguém se dê ao trabalho de expor estas imprecisões (algumas bem óbvias, outras nem tanto) sem ao mesmo tempo comentar sequer o conteúdo do (repito, óptimo) artigo só revela como o Miguel Sousa Tavares é objecto de inveja para muito boa gente. No caso de Joaquim Vieira, deve ter a ver com a extinta “Grande Reportagem”.

2006/11/15

A ciência de qualidade é “inconstitucional”?

Refiro-me a um lamentável artigo de António Fidalgo publicado no último domingo no “Diário de Notícias”. Sobre este assunto há alguns pequenos esclarecimentos a fazer.
Talvez não seja tanto assim com ciências sociais, mas em ciências naturais há uma grande diferença entre a divulgação científica e o fazer ciência a sério. A primeira deve ser, em Portugal, feita em português sempre que possível. A segunda, pelo contrário, presentemente só pode ser feita em inglês. Há uma questão essencial, que eu já aqui foquei várias vezes: a ciência de qualidade não tem (não pode ter) nacionalidade. Deve interessar (e, por isso, poder ser entendida) por qualquer especialista em qualquer lugar do mundo. Por isso inevitavelmente a ciência de qualidade tem de ser comunicada, entendida e avaliada (todas as três) numa “língua franca”, que hoje em dia só pode ser o inglês. Na eventualidade de mais ninguém no mundo entender a ciência do Prof. António Fidalgo que não uns lusófonos (ou espanhóis), só posso lamentá-lo. Mas o Prof. António Fidalgo tem de entender que é ele que tem de se adaptar aos padrões da ciência de qualidade (uma actividade global no sentido mais completo do termo), e não o contrário. A sua proposta é ainda mais anacrónica no contexto de Bolonha. Presentemente as melhores universidades europeias (incluindo supostamente “chauvinistas” universidades francesas) organizam-se para fornecerem formação avançada em parcerias. Obviamente em inglês.
O artigo chega ao ponto de utilizar argumentos que seriam inacreditáveis se não estivessem escritos e pudessem ser lidos, como de “constitucionalidade”. Cito ainda esta passagem:
“os falantes nativos têm acesso ao substrato de uma língua de uma forma que não têm os que a falam como segunda língua. O inglês enquanto língua franca não é o inglês das literaturas inglesa e americana, antes um inglês de superfície, onde as palavras e as expressões são despidas da sua profundidade histórica, do seu sentido múltiplo. É um inglês à Forrest Gump, de uma dimensão simplista e por vezes idiota. A síndrome de Asperger, de que essa conhecida personagem fílmica sofre, encontra o seu espelho na forma como o inglês é falado pela grande maioria dos que o falam como segunda língua: repetem os mesmos termos e expressões, ignoram segundos, terceiros e ulteriores sentidos, adquirem tiques estranhos, e é-lhes inacessível o humor e a ironia.”

Num artigo científico não há “humor” ou “ironia”. Há comunicação científica objectiva e rigorosa, que pode ser feita mesmo por quem nunca tenha lido Shakespeare e só tenha da língua conhecimentos técnicos (uma noção que pelos vistos escapa ao Prof. Fidalgo). Quem frequentemente parece o “Forrest Gump” a falar inglês nas conferências são cientistas de países onde certas concepções do Prof. Fidalgo prevalecem, nomeadamente havendo dobragens e não legendagem de filmes e séries na televisão, como a Itália ou a Espanha.
Esta posição de António Fidalgo pelos vistos não é de agora. Recomendo a leitura de uma resposta de António Granado a uma outra tomada de posição deste autor.

2006/11/14

Era bom que trocássemos umas ideias...

Exactamente no mesmo dia em que fui ver a peça do Mário de Carvalho ao Instituto Franco Português (entre os espectadores estava o próprio autor), a passada sexta feira, Pedro Correia no Diário de Notícias recolhe uma série de depoimentos sobre "o que é ser de esquerda". De todos o que mais gostei foi o de Carlos Brito:
É lutar pela igualdade tendo sempre presente que um valor essencial para isso é a liberdade.

A diferença entre um quiosque e a blogosfera

Indispensável igualmente o artigo de Pacheco Pereira no Público na passada quinta feira. Fica aqui um extracto.

Ah! Diz-me uma voz, mas estás a misturar tudo! Pois estou, é como fazem os que falam dos blogues misturando tudo, como Miguel Sousa Tavares e Eduardo Prado Coelho fizeram recentemente para se defenderem (o que é legítimo) de acusações e falsificações anónimas. É verdade que os jornais e revistas têm responsáveis e não são como as cartas anónimas, ou os blogues que funcionam como cartas anónimas, mas quando os primeiros transcrevem os segundos ficam iguais. No caso do Miguel Sousa Tavares, o que falhou foi a imprensa tradicional, que aceitou citar fontes anónimas, sem um julgamento de mérito. A notícia não é que um blogue anónimo acuse Miguel Sousa Tavares de plágio, a notícia é que Miguel Sousa Tavares cometeu plágio, se o tivesse cometido, e aí o autor da notícia devia fazer o seu próprio julgamento e só publicar caso esse julgamento fosse que sim. Não sendo, o blogue é como uma carta anónima, incitável e inaceitável. Foi isso que falhou e hoje em dia falha cada vez mais, porque a comunicação social escrita precisa de pretextos para violar as regras de que se gaba como sendo distintivas e, na Internet, encontra-os com facilidade, entrando depois facilmente na selvajaria. Está lá no computador, para milhões verem, por isso está "publicado", logo posso citar e levar a sério, sem ter responsabilidade.
O mal não está nos blogues em si, está na nossa incapacidade para ler e escrever blogues, como para ler e escrever jornais com uma decência mínima. O problema é mais comum do que se pensa, embora seja verdade que as pessoas se sentem mais impotentes para se defenderem da Internet do que no mundo da comunicação social tradicional, mas o que é crime cá fora é crime lá dentro.
Mas a reacção aos blogues, selvagens, inúteis, desviadores da atenção, perdulários do nosso tempo, oculta-nos muita coisa de interessante que está a passar-se diante dos nossos olhos e que não percebemos porque os vemos tão misturados como o Jornal do Crime está com o PÚBLICO no quiosque de jornais, ou como se o PÚBLICO para falar de ciência citasse o Guia Astrológico como fonte. Os blogues são apenas uma das pontas do mundo novo em que já estamos, uma pequena ponta, mas tão reveladora que mesmo estes episódios lesivos de Miguel Sousa Tavares (acusado de plágio) e de Eduardo Prado Coelho (que tem um texto falso a circular na Rede) são dele sinal. Ora nunca ninguém disse que era o Admirável Mundo Novo, a não ser os utopistas que pensam que as tecnologias mudam o mundo sem o pano de fundo das sociedades onde elas existem.

2006/11/13

Tão boas séries, tão má televisão

Tanto elogio os artigos do João Miguel Tavares que há-de chegar sempre um dia com um contraexemplo. Esse ocorreu na semana passada, com o artigo Tão boas séries, tão má televisão, onde contrapõe a (falta de) qualidade das séries do horário nobre dos nossos canais de sinal aberto com a excelência das do canal americano HBO. Mas antes de entrar em comparações infundadas, convém perguntar ao João Miguel duas coisas. Saberá ele que o canal HBO é de subscrição paga (e bem paga)? Conhecerá ele a programação dos canais americanos de sinal aberto durante o horário nobre? Só esta pode ser comparada, e não fica muito longe da portuguesa. Lá como cá, quem quer boa televisão paga-a.
A única coisa que a televisão portuguesa tem má (muito má) é o total incumprimento de horários, directamente relacionado com a extensão absurda dos telejornais. Tudo estratégias de contraprogramação. Aí, sim, temos um bom retrato do país que somos.
Fossem os horários cumpridos e eu não me importaria nada que as boas séries (como as da HBO) dessem às três ou quatro da manhã. Hoje em dia um videogravador já não se pode considerar um luxo.

2006/11/12

Uma viagem à Palestina

Passada a fase ultra-buarqueana, é altura de ler o que ficou por ler. Do mais recomendável que ficou por referir foi o relato da viagem à Palestina do Daniel Oliveira. A ler de uma ponta à outra. Deixo aqui dois extractos.

Jerusalém é um bom retrato (exagerado) do que está a acontecer à sociedade israelita (e à árabe, e à americana...). Os ortodoxos tomaram conta da cidade. Reproduzem-se a um ritmo alucinante, compram ruas inteiras, fecham ruas ao sábado, apedrejam quem se atreve a conduzir naquele dia e, paulatinamente, vão comprando todas as casas numa guerra de posições. (...) Alguns ortodoxos limitam-se a receber dinheiro do Estado para não fazer nada a não ser ler os textos sagrados. As mulheres de outros são obrigadas a rapar o cabelo depois de casar e usam peruca no seu lugar. Recentemente, um representante dos ortodoxos na municipalidade quis proibir homens e mulheres de viajarem no mesmo lugares dos transportes públicos. Se alguém tomasse esta gente por legítimos representantes dos judeus, toda a gente se indignaria. Com justiça. Só que quando se toma a minoria fanática islâmica pela voz dos muçulmanos, toda a gente acha normal. (...)

[Em Gaza] Com o encerramento das fronteiras, a maquinaria para fábricas não entra e não há investimento possível. Quando chegam ao mercado os custos de transporte representam o dobro dos custos de produção. Depois de verificados ao milímetro, e esperarem durante dias no porto israelita de Ashdod (os palestinianos têm de pagar a espera), os produtos só podem ser transportados por empresas israelitas certificadas. Elas aproveitam o monopólio e inflacionam os preços. Depois, em princípio, ficam semanas ou meses à espera na fronteira, ao sabor dos humores do oficial de serviço. Se forem perecíveis, já nem vale a pena saírem de lá. Os produtos de consumo de produção israelita entram, claro. Há que fazer negócio. Os preços são muito mais altos do que em Israel e os salários infinitamente mais baixos. O pouco que os palestinianos ainda conseguem produzir para exportação só sai depois de apodrecer. O funcionamento do porto em Gaza seria uma grande ajuda para os palestinianos. Mas os israelitas não permitem que ele reabra. Entre as duas partes dos territórios (Gaza e Cisjordânia) praticamente não existem movimentos comerciais possíveis.
Como ninguém entra ou sai, o investimento externo é uma miragem. Ninguém quer empatar dinheiro com tanto risco se nem pode ter contacto com o seu negócio. Os empresários de Gaza não podem ir a reuniões no estrangeiro, tratar de negócios. Estão presos. Um gestor explica-me: «Israel retirou mas continuamos ocupados, muito pior do que antes, estamos aqui presos e condenados à miséria. Somos pessoas educadas, preparadas para os nossos negócios. Não precisamos de caridade. Apenas queremos que nos deixem trabalhar.»
Há sete meses que os funcionários públicos de Gaza e da Cisjordânia não recebem um tostão. É Israel que colecta os impostos dos palestinianos. Desde que o Hamas ganhou as eleições que fica com eles. São dois terços do Orçamento da Autoridade Palestiniana que Israel rouba e usa para seu proveito. Só os médicos recebem: 300 dólares por mês. O resto, de professores a polícias, nada. Num território com mais de 3500 pessoas por quilómetro quadrado, o poder está na rua. Não há dinheiro mas não faltam armas. Estão três mil para entrar. E os EUA fazem pressão junto de Israel para que autorize. Quer armar a Fatah para uma provável guerra civil que se avizinha. Assim como quer que entrem mais homens para engrossar a guarda pretoriana do Presidente Abbas. A Europa (que paga tudo, das infra-estruturas que os israelitas se divertem a desfazer às ajudas ao governo) descobriu o ovo do Colombo. Vai criar um regime extraordinário em que o dinheiro é entregue directamente aos funcionários, através de bancos, sem passarpelo governo. Outra parte do dinheiro irá directamente para pagar a electricidade e água que Israel fornece à Palestina. Fica-lhes com os impostos e cobra-lhes pela energia.

2006/11/11

O concerto - conclusão

É mesmo verdade que Chico não parece sentir-se muito à vontade num concerto. Está sempre retraído, não se mexe. Mas comunicou com o público.Infelizmente o Chico do século XXI não consegue escrever clássicos como os de entre os anos 60 e 80. Chico nunca se enganaria a cantar um clássico, mas esqueceu-se da letra da “Ode aos Ratos”. Mais vale Chico concentrar-se nos clássicos. O público que esgotou o Coliseu seis noites em Lisboa fica à espera de um regresso.

2006/11/10

Algumas estatísticas do concerto

Todos os temas têm a assinatura do Chico Buarque, excepto Sem Compromisso.
O concerto baseou-se em canções do mais recente álbum Carioca e dos anos 80.
Clássicos dos anos 60, só Quem Te Viu, Quem Te Vê. Dos anos 70, Mambembe, Tanto Mar e João e Maria. Os clássicos ficaram ou para a introdução, ou para o encore. Os anos 90 também ficaram reduzidos a Futuros Amantes.
Exceptuando Carioca, o álbum de originais mais representado no concerto foi Vida, com quatro temas. Do Grande Circo Místico saíram três temas. De Uma Palavra saíram cinco canções, mas este é um álbum de versões (com arranjos semelhantes às que foram cantadas). Do álbum ao vivo em Paris também saíram cinco canções.

Para a posteridade

Fica aqui o registo de uma noite inesquecível.

Mambembe
Dura na Queda
O Futebol
Morena de Angola
Renata Maria
Outros Sonhos
Imagina
Porque Era Ela, Porque Era Eu
Sempre
Mil Perdões
A História de Lily Braun
A Bela e a Fera
Ela É Dançarina
As Atrizes
Ela Faz Cinema
Eu Te Amo
Palavra de Mulher
Leve
Bolero Blues
As Vitrines
Subúrbio
Morro Dois Irmãos
Futuros Amantes
Bye Bye Brasil
Cantando no Toró
Grande Hotel
Ode aos Ratos
Na Carreira

Encore:

Tanto Mar
Quem Te Viu, Quem Te Vê
João e Maria
Sem Compromisso
Deixa a Menina

2006/11/09

Encore

Aqui o meu show de karaoke foi completo, do princípio ao fim. Começou com Tanto Mar, segundo Chico uma “música antiga que marca a minha relação com Portugal”. A versão cantada foi a de 1975, a do “Sei que estás em festa, pá”. Não sei se já não disse isto, mas Chico não muda mesmo. E é muito bom. Foi por mim entoada em plenos pulmões.
Quem Te Viu, Quem Te Vê foi cantada com a delicadeza que a sublime letra exige:
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade, por favor não dê na vista
Bate palmas com vontade, faz de conta que é turista
João e Maria é presença habitual no final dos concertos de Chico. E quando tudo parecia que ia acabar, eis que regressa ao palco para acabar em beleza com Sem compromisso e Deixa a menina. Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz. Era meia noite e o samba estava quente. Ficámos por ali, à espera de mais.

Na carreira

Uma boa escolha para o final de espectáculo.

Ode aos ratos

Uma das melhores músicas recentes de Chico e Edu Lobo. A letra, porém, nem sempre é muito natural, e não entra logo no ouvido, uma característica do Chico século XXI. Isso mesmo foi confirmado pelo próprio Chico. A certa altura era suposto ouvir-se qualquer coisa como

Rato de rua
Aborígene do lodo
Fuça gelada
Couraça de sabão
Quase risonho
Profanador de tumba
Sobrevivente
À chacina e à lei do cão


Mas não se ouvia cantar nada: só a música. Chico encolheu os ombros e só largou um “esqueci”, sem se desmanchar. A música continuou e Chico retomou no refrão. Mesmo assim considero este episódio bastante significativo.

Grande hotel

Uma parceria com o baterista Wilson das Neves que, apesar da idade, ainda deu um passinho de dança e mostrou estar bem em forma. O desengonçado Chico nem tentou acompanhá-lo: mal se mexia. Pouco antes ocorrera um remoque ao João Miguel Tavares: “li nos jornais que eu não falo com o público, que eu nem me mexo”… Chico justificou-se com os fones, que poderiam cair.

Futuros amantes

Uma bela canção de amor, melhor que o “Eu Te Amo”. Mais simples, mais directa, mais convincente. Claro que a cantei toda: “Não se afobe não que nada é para já, amores serão sempre amáveis…” De 1993. Carioquíssima, tal como as anteriores, “Subúrbio” (de 2006) e “Morro Dois Irmãos” (de 1989).

As vitrines

Uma presença habitual nos concertos de Chico (ou pelo menos nos discos ao vivo). Umas vezes ele canta “captando a poesia que entornas no chão”; outras, como ontem, “catando”. Eu sei que se a poesia é entornada no chão, é mais lógico ser “catada”. Mas eu prefiro o “captando”. Catar não é nada poético!