2006/10/22

Até sempre campeão


Schumacher, vamos sentir a tua falta.

2006/10/20

Um blogue também serve para isto

Parabéns, meu caro amigo. Se não fosse eu nem te lembravas de que hoje fazias anos, não era?

Cromos da Cité Universitaire - 3 - a empregada de caixa da cantina


Esta empregada é uma instituição entre os portugueses da Cité Universitaire. É portuguesa, a tuga da cantina. Está nas caixas a receber o dinheiro e dar os trocos. Dava sempre “bonjour”, até que um dia logo ao princípio me disseram que era portuguesa. Desde então comigo passou a “bom dia”.
Às vezes metia conversa com ela. É do Minho. Costuma ir a Portugal em Setembro. No dia das eleições presidenciais perguntei-lhe quem é que ela achava que ganhava. Ela não se mostrava muito interessada: “sei lá, eles são todos a mesma coisa”. Mas se a mesma pergunta fosse feita em dia de Benfica-Sporting, aí a resposta era outra: “Benfica!”, disfarçando um sorriso.
Quando pedi para fotografar o ultratímido empregado de quem falei ontem, ele recusou, e só anuiu muito a custo. Quando pedi para fotografar esta afável minhota, ela aceitou logo, e só me pediu que esperasse um bocadinho para tirar o espelho da mala e se pentear.

2006/10/19

Cromos da Cité Universitaire - 2 - o servente da cantina


Foram vezes sem conta as refeições que este empregado me serviu. Ele e o colega. Sempre com a mesma cara, verdadeiramente impassível. Inalterada. De autómato. O homem atendia-nos automaticamente, todos os dias, uns ao almoço, outros ao jantar, sempre com a mesma expressão inexpressiva.
A teoria do meu colega do Técnico é mais ou menos confirmada: o senhor é notoriamente magro, e os pratos por ele servidos têm geralmente menos comida que os da sua colega referida no texto anterior. Mas com um pormenor que nem toda a gente conhece: ao contrário desta, e mesmo com o aviso, se lhe pedirmos ele não recusa uma colher extra de acompanhamentos. Com a quantidade de comida que é desperdiçada por ficar nos pratos, esta é capaz de ser uma boa solução, partindo do pressuposto que quem lhe pedir a dose extra comerá (como eu) a comida toda. O senhor punha a dose extra. Sempre com a mesma cara.
Na verdade foi graças a este carismático empregado que decidi começar esta série, que se estende até amanhã. E porquê? Primeiro dizia que não me havia de ir embora sem lhe despejar um copo de água em cima, a ver se ele ficava zangado e ao menos punha outra cara. Depois decidi: não, vou é tirar-lhe uma fotografia. E pô-la no blogue. E foi o que eu fiz. Mas, mais uma vez, a fotografia não me saiu como eu queria. É que, ao tirar-lha, ao fim de três anos foi a primeira vez que vi o homem sorrir.

2006/10/18

Cromos da Cité Universitaire - 1 - A servente da cantina



Tenho um amigo meu que tinha a teoria, quando ambos estudávamos no Técnico e almoçávamos na cantina, que, podendo, deveríamos escolher sempre o empregado mais gordo para nos servir. Os empregados gordos, dizia ele, põem sempre mais comida do que os magros.
A teoria desse meu amigo aplica-se à gordinha empregada que vêm na fotografia, no seu trabalho na cantina da Cité Universitaire de Paris. As doses dela são as mais bem servidas de toda a cantina, melhores do que as de qualquer outro empregado. Mas não adianta, ainda assim, pedir-lhe mais comida se se tiver muita fome. O aviso bem está lá afixado (vê-se na fotografia, à direita): não adianta pedir mais do que o que põem no prato. Se mesmo assim insistirmos, na esperança de algum tipo de "gaulês-porreirismo", a resposta que levamos é sempre a mesma: não nos diz nada, olha-nos nos olhos e aponta-nos para o aviso com a colher. Gostaria de ter fotografado este momento.

2006/10/17

O Estado Social ao serviço do utente

Desde 2005 que a cantina da Cité Universitaire de Paris começou a dar prejuízo, algo inédito desde que abriu e incompreensível para uma cantina considerada um modelo (a melhor da Ilha de França, a região de Paris), que fornece um serviço em geral de qualidade muito aceitável tendo em vista os preços praticados. Um serviço que nunca se via nos países anglo-saxónicos (a estes preços) ou em Portugal (com esta qualidade). Esta cantina era um exemplo do Estado Social francês no seu melhor.
No ano lectivo passado tentou “salvar-se” a cantina, recorrendo à receita mais fácil: a redução drástica de custos. Houve alguns empregados antigos afastados (reformados), mas foram substituídos por outros. O problema não era excesso de pessoal.
Onde decidiram reduzir os custos foi no melhor que tinham: na qualidade (e quantidade) das refeições. Mantiveram um menu “barato”, mas com menor quantidade (menos um item à escolha) e muito pior qualidade. A escolha de pratos era mínima e só com um acompanhamento. Simultaneamente criaram um menu de qualidade comparável ao anterior, só que muito mais caro.
O resultado foi que a frequência da cantina baixou ainda mais, para números nunca vistos. Ao jantar tinha uma ocupação de menos de metade do que costumava ter (estimativa minha). Note-se que estamos a falar do único sítio onde todos os estudantes da Cité Universitaire (que não tinham um estúdio, mas um quarto com cozinha partilhada) podia jantar.
Aos fins de semana então o cenário era ainda mais desolador. Em 2004 e 2005, aos domingos, a fila para almoçar o cuscus chegava a ser perto de meia hora. Em 2005/06, o cuscus passou a prato “de luxo”. Para almoçar aos domingos não havia fila nenhuma...
Os mais radicais de entre os “redutores drásticos de custos” passaram mesmo a defender publicamente o impensável: o encerramento puro e simples da cantina. Essa hipótese chegou mesmo a ser discutida, mas não foi aprovada. O que foi aprovado, e era dado como certo no final do ano lectivo passado, foi o encerramento aos fins de semana, por falta de rentabilidade. Tirei mesmo fotografias ao último cuscus que lá comi no ano passado, julgando que era o último cuscus que lá comeria de todo.
Cheguei agora e verifiquei com agrado que a filosofia de redução cega de custos mudou. Embora se mantenha o menu “barato” e o “menos barato”, a qualidade do primeiro melhorou substancialmente, para níveis próximos dos de 2004 e 2005. A cantina continua aberta aos fins de semana e o tradicional cuscus de domingo até passou a ser prato “barato”. Mais: a cantina agora, ao fim de semana, até passou a estar aberta todo o dia! (E não só ao almoço e ao jantar.) O que é que eles concluíram?
Que os estudantes ao fim se demana têm um horário mais flexível. Provavelmente não querem almoçar tão cedo (mesmo se os almoços são servidos todos os dias até às 14:30). Que fizeram então? A partir desta hora, aos sábados e domingos, passam a servir só um ou dois pratos (sempre os mesmos, de carne grelhada). É muito útil para quem, como eu, só chegou do aeroporto depois das três. E fiquei surpreendido com a quantidade de pessoas que encontrei a almoçar a essa hora! A outra redução foi na escolha de pratos do fim de semana: é mais limitada que durante a semana. Mas a cantina continua aberta aos fins de semana, e pelo movimento que lá tenho visto parece-me bem rentável.
Moral da história? Varios. Por um lado, atender às necessidades efectivas dos utentes e não se limitar a uma redução cega de custos é indispensável para a manutenção de um Estado Social. Por outro, esta manutenção tem que ser um objectivo de todos, e exige cooperação de todos. Não acompanhei o processo, mas imagino que os sindicatos mais conservadores não hão-de ter achado graça nenhuma a alguns (pouquíssimos) trabalhadores passarem a trabalhar ao sábado e domingo à tarde (só a cozinhar, servir e vender senhas; os pratos ficam para lavar mais tarde). Ainda bem que chegaram todos a um acordo. E voltei a comer o meu cuscus.

"Derangement syndrome" com a demagogia propagandística da extrema direita

Ando com a cabeça ocupada com outros assuntos e não quero perder tempo com esta gente enquanto estou em Paris, mas tranquiliza-me ver que há mais quem não lhes dê descanso.

2006/10/16

Bienvenu en France

Com o Jacto Fácil cheguei ao Terminal 3 do Aeroporto Charles de Gaulle sem grandes problemas. Uma vez lá, queria apanhar o comboio regional para o centro de Paris, para o qual tinha que comprar o bilhete (8 euros). Para tal havia máquinas automáticas e guichets.
As máquinas automáticas estavam TODAS em panne. Só havia dois guichets abertos (e outros tantos fechados). Havia vários funcionários que se iam revesando, pois não podiam (e não queriam) trabalhar mais do que o que estava estipulado.
Já me tinha esquecido de como era a França...
Para este texto não ficar totalmente "anti-francês", acrescento que a maior parte do tempo dos funcionários dos dois guichets era ocupado a responder às dúvidas de turistas americanos e ingleses. Cada um passava cinco minutos a pôr todo o tipo de questões sobre bilhetes de comboio e passes. Mas aqui a culpa também era dos funcionários, que lhes respondiam em vez de os recambiarem para o guichet de informações, mesmo ao lado, que estava aberto e às moscas.
Quem estivesse atrás que esperasse. E quem (como eu) sabia perfeitamente o que queria (um bilhete para Paris), que desesperasse, que os funcionários não queriam saber e o seu salário ao fim do mês era certo. Desesperar, foi o que eu fiz. Se acrescentarmos ao tempo de espera para comprar o bilhete de comboio o de recolher a bagagem e os 45 minutos da viagem até à Cité Universitaire, digo-vos: sem exagero, demorei mais tempo do Aeroporto Charles de Gaulle à Cité do que do Aeroporto da Portela ao Charles de Gaulle.
O que vale é que estar em Paris é uma festa e compensa tudo. Mas não me retira a vontade de protestar, como um bom francês.

2006/10/15

Parabéns supergravidade!

Sejam os 25 anos, sejam os 30 anos: as comemorações do aniversário da supergravidade são sempre em “minha casa”. A conferência dos 25 anos foi literalmente "em minha casa"; a presente comemoração não se pode dizer que seja na minha “casa” presentemente (já foi). Mas estará sempre nestes dois locais uma boa parte das minhas melhores recordações.

2006/10/14

Teremos sempre Paris. A Cité Universitaire

Regresso temporário a Paris, a partir de hoje, aproveitando uma conferência e as tarifas de uma companhia de baixo custo (eu não posso estar aqui a fazer propaganda; digamos... o Jacto Fácil). Enquanto aqui estiver é provável que adopte um tom mais descritivo (sem ser necessariamente intimista) para o blogue. As polémicas à Blogue de Esquerda ficam para Lisboa; por agora permitam-me que aproveite (escrever no blogue também faz parte) o meu breve regresso a um sítio onde fui feliz.

2006/10/13

Festas académicas (II)

E vejo anunciado o “Arraial do Caloiro” do Técnico. Tudo bem – isto já havia “no meu tempo”. Mas “no meu tempo” os arraiais eram... no Técnico,que tem uma bela alameda para isso! Agora são num armazém nas Docas, em Alcântara!
Para além de perderem autenticidade – o que torna uma festa “do Técnico” é o facto de ocorrer no Técnico; nas Docas faz-se qualquer festa! -, o Técnico perde assim outra característica sua, das mais genuínas, e de que eu tinha saudades quando estava fora. Uma vez em cada semestre, tinha-se um Super Arraial. Assistia-se à montagem do palco e aos preparativos, e por vezes a concertos memoráveis, como um dos Xutos. E o principal: mesmo que o arraial fosse na sexta-feira à noite, na semana seguinte o Técnico todo ainda cheirava a cerveja e a vomitado. É uma pena que já não seja assim.

Festas académicas (I)

Vejo anunciada uma “festa Erasmus” em Lisboa, algo que eu só estava habituado a ver em Paris e que não havia quando eu era estudante aqui. Ainda bem: tal sigifica que as nossas universidades se tornam mais cosmopolitas e atractivas para alunos estrangeiros. Achei graça ao pormenor de a festa ser patrocinada pelo “Licor Beirão”. Será que no meio da festa (destinada essencialmente a estudantes estrangeiros, que pedirão vodka e whisky) vai aparecer o Zé Diogo Quintela vestido de campino a perguntar “vocês são portugueses ou são camones”?

(Quem não perceber este texto veja aqui e aqui.)

2006/10/12

O último IDS da semana

Na verdade não tenho especificamente um IDS; tenho um “derangement syndrome” com a extrema direita em geral. Mas vamos então a isto.
Já “agradeceram” ao André Azevedo Alves a presença de Salazar na lista dos “grandes portugueses” para a RTP? Saibam que tal presença muito se deve às suas diligências de obreiro extremoso e extremista. Ficamos assim a saber que para o André Azevedo Alves a omissão de Salazar da referida lista é “gritante”. De vez em quando, depois de se queixar dos desvios “centristas” do actual líder conservador, o AAA recorda-nos que existem alternativas à direita no Reino Unido. Já a subida da extrema direita na Flandres foi evusivamente (três textos) anunciada no Insurgente, mas com cópias de notícias. Ficamos sem saber o que pensa o AAA deste resultado eleitoral. Esta, sim, é uma omissão gritante, penso eu.

2006/10/11

Boa onda

É o slogan da nova campanha da Rádio Renascença. Associado a ele, boas músicas como esta. Quem conhecerá esta versão original? Eu mesmo só a conhecia numa (bela) interpretação do Caetano Veloso.

Anita vai ao Colombo

Está patente até ao próximo domingo no Centro Comercial Colombo uma exposição evocativa dos cinquenta anos da famosa Anita (que eu nunca li). Será que a Alice e o recém-chegado Pedro gostarão um dia de ler a Anita? Será que a pensar nessa hipótese o Zé Mário e a Margarida foram lá pedir um autógrafo ao autor? Bem gostaria de saber.

2006/10/10

Assim se vê a influência do Expresso

Na semana passada lá voltou a sair um Expresso cuja manchete era “fabricada”. Tratava-se de um “rumor”, de que Paulo Portas e Marcelo Rebelo de Sousa tinham um acordo sobre o aborto. Nenhum tipo de fundamentação. Só um “rumor”. Nada mais.
O “rumor” foi prontamente desmentido pelos envolvidos. Só que, no domingo, lá vinham o Público e o Diário de Notícias desmentir... o rumor do Expresso!
A “escola” do Arquitecto Saraiva (e a bem dizer, do Professor Marcelo) é esta: arranjar “rumores” que não podem ser provados, criar “casos”, tentar sempre influenciar a agenda política, sempre por dentro do “sistema”. (Ao menos o velho Independente não se limitava a publicar rumores: fazia acusações concretas. Podia só acabar em tribunal, mas as suas manchetes referiam-se a factos eventualmente comprováveis, por muito falsos que por vezes fossem. E não era um jornal do “sistema”.) O Arquitecto Saraiva gostava de se gabar e dizer que o Expresso que ele dirigia era “o mais influente jornal português”.
Agora o Arquitecto Saraiva já não dirige o Expresso, mas a sua “escola” mantém-se. E por muito que me custe admiti-lo (por não gostar nada do jornal), a “influência” também. O que dizer de um jornal que publica notícias falsas na primeira página, para no dia seguinte serem desmentidas... pelos outros jornais? Para mim, de facto, isto é "ser influente".

2006/10/09

O colectivo decidiu, está decidido – iliteracia económica geral!

Agora, para o colectivo insurgente, tudo o que se afaste da ortodoxia ultraliberal, como elogiar o papel dos sindicatos, ou mesmo o keynesianismo, revela “iliteracia económica”. Compare-se este nível com o do João Miranda, que mesmo se manipula os números (e mesmo se por vezes é críptico) argumenta. Pode ter tiques de educador do povo (que eu pessoalmente acho uma delícia), mas nunca arrumaria uma questão com argumentos de “iliteracia económica”... Assim se vê mais uma vez que quem nasceu para colectivo insurgente nunca chegará a João Miranda.
Quem poderá chegar bem a João Miranda (assim não se deixe estragar pelas práticas do colectivo insurgente) é o dos Santos. Espero que os seus textos no Insurgente, mesmo se (obviamente) ultratendenciosos (não se espera outra coisa), mantenham o nível de sempre.

2006/10/08

Paris é uma festa (mas a partir de hoje nem tanto)

Paris perdeu grande parte do seu ambiente festivo desde hoje, quando o meu amigo Sandro regressou (aparentemente de vez) a Portugal, para concluir o doutoramento. Mesmo depois da Nuit Blanche, este fim de semana, onde espero que se tenha divertido tanto como nos divertimos o ano passado. Toda a gente vai chorar em Paris: das rodas do Bando do Chorão (o samba vai virar choro) às pedras da calçada da Rue de La Tombe Issoire, principalmente perto do Gevaudan. Por onde este rapaz passe a festa é certa e boa. Mas acima de tudo vão-se entristecer os habitantes da Cité Universitaire, especialmente do sexo feminino.
Espero que o nosso país saiba aprovaitar os muitos talentos do Sandro.

2006/10/07

Ciência de qualidade na blogosfera lusa

No Cinco Dias um texto do Rui Curado Silva, autor do imprescindível Klepsýdra (se julgam que exagero no adjectivo, não sabem o que perdem).
Vale a pena acompanhar a troca de ideias entre o Agreste Avena e o Conta Natura. Ainda neste último blogue, a estreia do José Natário na blogosfera, com um texto sobre o Prémio Nobel da Física deste ano. Esperemos que esta colaboração continue.

2006/10/06

Como é bom!



Como é bom viver com liberdade de expressão e poder ofender centenas de milhões de europeus!
Como é bom ser-se brasileiro, escrever-se num blogue europeu que é "asqueroso" ver-se uma bandeira da União Europeia e a única reacção do "colectivo" dos outros membros do blogue - que vivem e pagam impostos na União Europeia - que se tem... são cinco "smileys"!
Como é bom saber que se tem a impunidade de poder ofender e ninguém ligar nenhuma! Principalmente num blogue - escrito na União Europeia - que seria o primeiro a denunciar nos termos histéricos habituais qualquer ofensa a uma bandeira de Israel ou dos Estados Unidos da América!
Como é bom ser-se brasileiro e escrever-se tal coisa - num blogue lido na sua esmagadora maioria por europeus - a partir do Brasil, onde uma ofensa à bandeira nacional é crime!
Como é bom poder escrever textos asquerosos.