2006/09/16

Fujam!

Vem aí o arquitecto! ©

2006/09/15

Debater o evolucionismo: com quem e para quê?

Curioso o repto do João Miranda (rapidamente secundado pela comissão obreira) para se iniciar um “debate” sobre a questão do criacionismo versus evolucionismo. Curioso vindo de quem vem, que escreve textos de Economia que nos tentam convencer de que o ultraliberalismo é uma “lei da Natureza”, que “não admite discussão”. “Discutir” o quê, e com quem? O João deveria saber – e sabe, apesar de não lhe dar jeito admitir – que a ciência não é (felizmente) democrática. Não se “discute” como se fosse futebol ou política. Democráticas são as condições-fronteira (conceito matemático) que impomos no mercado (escolhidas pelo Governo, escolhido por nós). Discutíveis são os textos do João Miranda.
Ainda mais curioso é o critério do João para nos convencer de que um professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e defensor do criacionismo “não tem nada de ignorante” no que diz respeito à teoria da Evolução de Darwin: o professor Jónatas Machado tem um currículo notável... a comentar livros que leu, na Amazon! Algo comparável a escrever um blogue ou comentar nele, que qualquer pessoa sem nenhum tipo de preparação científica pode fazer. Pelos vistos o João Miranda avaliaria o meu conhecimento em supersimetria e supergravidade por este comentário que escrevi enquanto principiante.
Embora tal não diga respeito à minha área política, é com tristeza que verifico que a pior direita encontra aqui um aliado, justamente quem mais a deveria renovar.
Sobre o assunto vale a pena ler quem sabe o que escreve: o Memória Inventada e o Conta Natura. Deste último texto destaco a frase
Eu, que sou cientista, digo-lhe de caras exactamente o oposto: "É um erro pensar que é preciso ensinar filosofia para ensinar ciência".

É curioso que uma opinião contrária parta do João Miranda, um defensor do sistema económico norte-americano, mas pelos vistos não do sistema educativo. Nos EUA estuda-se ciência a sério, e pouca gente que estuda ciência estuda ao mesmo tempo filosofia.

2006/09/14

Sobre as teorias de conspiração do 11 de Setembro

9/11 Conspiracy Theories: The 9/11 Truth Movement in Perspective por Phil Mole, via Esquerda Republicana.
As teorias da conspiração não vão no entanto "acabar", e espero que não acabem, desde que a discussão seja bem fundamentada com pressupostos científicos, como esta. É este tipo de discussões que fazem da América um país livre e avançado.

Cohen-Tannoudji, o bacalhau com natas e o cabritinho

Seguiu-se a segunda palestra de Claude Cohen-Tannoudji, hoje de manhã, num anfiteatro mais pequeno no Complexo Interdisciplinar da Universidade de Lisboa. Sendo esta palestra mais especializada, teve a vantagem de só ter gente interessada na assistência (e nenhum – nenhum – “engravatado”).
A anfitriã de Cohen-Tannoudji, que não tinha nada a ver com os episódios que relatei ontem, e que conhece a minha condição temporária de jornalista-científico-que-faz-física, teve a gentileza de me convidar a juntar-me ao almoço (informal, self-service) que a Universidade oferecia ao cientista e a outros 25 convidados, na cantina do Complexo. Não sei se estaria a violar alguma regra deontológica, e é quase de certeza verdade que tal convite se deveu à condição actual de jornalista (e ao interesse que sempre demonstrei em falar com o cientista). Aceitei com todo o gosto, e agradeço.
Cohen-Tannoudji nem tocou na morue à la creme. Experimentou antes um pouco de um estranhíssimo cabrito com ervilhas e laranja. Azar o seu, que estava muito bom.
Portugal tem muitos defeitos, mas tem esta característica intrínseca que é o nacional-porreirismo.

2006/09/13

Claude Cohen-Tannoudji e a feira das vaidades

Confesso que, após uns anos “lá fora”, eu já me tinha desabituado destas coisas. Aliás, como nunca estive muito por dentro do meio académico em Portugal, a bem dizer eu nunca me tinha habituado.
Então foi assim. Na conferência de Claude Cohen-Tannoudji, hoje de manhã, num grande anfiteatro da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, havia uma série de lugares “reservados” na primeira fila. Esses lugares eram destinados a convidados especiais, que à medida que iam chegando se iam cumprimentando, com beijinhos e apertos de mão efusivos. Já não se viam desde o último seminário que fosse também “evento social”, como este era.
Entre esses convidados, reitores, professores, gestores, directores, eu sei lá, estava o actual Presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, um homem sério e que me parecia genuinamente interessado em conhecer o Prémio Nobel de Física de 1997 e saber um pouco do seu trabalho. Foi convidado... por ser o “homem do dinheiro”, e foi assim que foi apresentado a Cohen-Tannoudji. No dia em que deixar de ser presidente da FCT, já não será mais convidado de honra, o que não sucedia aos outros. Nitidamente, não era membro do “clube”.
Os membros do “clube” falavam entre si, e nenhum deles parecia minimamente interessado no trabalho de Cohen-Tannoudji. Mas só eles tinham acesso à conversa com o físico francês, que cumprimentavam e com quem tentavam manter uma conversa de circunstância. Distinguiam-se da restante audiência, para além dos lugares reservados, pelo porte: fato e gravata, imprescindível nos homens, ou um bom vestido nas mulheres.
Nas filas traseiras instalou-se quem realmente queria ouvir Cohen-Tannoudji: quem não tinha fato e gravata, fossem estudantes de licenciatura ou doutoramento, investigadores ou professores.
Após a conferência seguiu-se a sessão de perguntas. Uma senhora, membro do “clube”, colocou algumas questões num inglês pouco menos do que macarrónico. Numa ocasião, traduziu “êxito” por “exit”. Levou como resposta do Prémio Nobel um “sorry, I do not understand your question”.
Seguiram-se as questões relevantes, colocadas a partir das filas traseiras (ninguém usava gravata ou traje académico). A anfitriã, uma professora da Faculdade, dava por encerrada a sessão, a que se seguiram umas fotografias. Entretanto, dois gestores grisalhos e barrigudos recordavam-se que também já tinham estudado Física em tempos e discutiam o conceito de arrefecimento dos átomos. O que era ali a temperatura? A anfitriã tentava recordar-lhes a distribuição de Maxwell e Boltzmann.
Seguia-se o almoço com o Prémio Nobel, para o qual tinham sido convidados pelo menos alguns dos membros do “clube”. Antes havia uma rápida conferência de imprensa, onde o Prémio Nobel ia responder a algumas questões dos dois jornalistas (eu e um colega da revista 2010) que tinham aparecido no evento. Um dos engravatados, à minha frente, perguntava a outro se a conferência de imprensa ainda ia demorar muito tempo (deveria ter pressa para voltar à sua “investigação”, talvez a jogar na bolsa). Outro engravatado respondeu-lhe que não, que não deveria haver muitas perguntas a fazer: “estes jornalistas científicos não percebem nada de Física!”

A reportagem sobre as conferências de Cohen-Tannoudji – há mais amanhã – e as suas respostas a algumas das minhas perguntas surgirão em breve no Público.

Sporting Clube dos Putos


Da esquerda para a direita: Miguel Veloso (18 anos), João Moutinho (20 anos), o velho Marco Caneira (27 anos), Nani (19 anos). Ganharam ao Inter de Milão, de Figo, Crespo & cia.

2006/09/12

Claude Cohen-Tannoudji em Lisboa

Amanhã e depois (ver informações). É entrar, senhoras e senhores, meninas e meninos, é entrar.

"Milhares de pessoas têm de desistir do carro para Portugal cumprir Quioto"

Aguardo legislação nesse sentido, como há noutros países. E não são as pessoas que "têm de desistir do carro" que são umas pobres vítimas. Vítimas somos todos das pessoas que egoística e irresponsavelmente usam o carro nas cidades todos os dias.

Extracto da entrevista de Ana Paula Vitorino ao Público:

A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, não tem dúvidas: para aumentar o número de pessoas que andam nos transportes públicos, não basta apenas melhorar a oferta, mas é preciso também criar dificuldades a quem prefere andar de carro. "Temos de penalizar o transporte individual", disse Ana Paula Vitorino ao PÚBLICO.
A secretária de Estado justifica com o seu próprio exemplo. Ana Vitorino mora em frente a uma estação do metro, em Lisboa. Mas muitas vezes vai à Baixa de carro, porque há um parque de estacionamento com tarifas baratas - o do Martim Moniz. "Não se devem construir mais parques de estacionamento no centro", afirma.
Ana Vitorino tem outras críticas às facilidades concedidas aos automóveis particulares, como a construção de infra-estruturas que melhoram o acesso aos grandes aglomerados. "Não existem razões para facilitar as entradas nas cidades", afirma.
Enquanto estava na oposição, durante o anterior Governo, Ana Vitorino criticou a construção do polémico túnel do Marquês, que pretende aliviar o trânsito numa das principais entradas de Lisboa. Agora, a secretária de Estado diz que não se pronuncia sobre o assunto.
"Se utilizássemos todos o carro, Lisboa ficava parada, ninguém podia ir a lado nenhum", acrescenta a governante. "Temos de penalizar os circuitos, para que as pessoas sintam o desconforto do transporte individual e optem pelo transporte colectivo."

2006/09/11

Haverá terrorismo aceitável?

Cinco anos depois do dia que mudou a História, vale a pena reflectir sobre a questão do título.
A meu ver, uma das grandes falácias que se seguiram ao 11 de Setembro de 2001 foi esta: passou a colocar-se todo o tipo de terrorismo no mesmo saco, e a condená-lo indiscriminadamente. Será este procedimento honesto e aceitável? Julgo que não. Visa somente satisfazer os objectivos da direita e extrema direita no poder nos EUA. Lamentavelmente este tipo de raciocínio tende por vezes a ser adoptado mesmo por pessoas que eu respeito e gosto muito de ler.
A meu ver, o terrorismo não é aceitável em Estados de Direito. Os métodos usados por organizações como a ETA ou o IRA não são, portanto, aceitáveis (vamos deixar Israel e a Palestina de fora da discussão por agora). O que não significa que sejam indefensáveis os objectivos destas organizações; só o são os seus métodos. A partir do 11 de Setembro de 2001 passou a considerar-se “ilegítima” e “indefensável” qualquer causa que fosse defendida por um grupo terrorista, e impensável sequer tentar compreender os motivos por trás do surgimento deste terrorismo. Quem o tentar fazer é logo acusado de “conivência” com o terrorismo (este ponto da discussão já se aplica perfeitamente ao conflito israelo-palestiniano).
Há no entanto a meu ver casos em que uma resistência armada (que pode ser chamada “terrorista”) é inevitável: é quando a autoridade não é um Estado de Direito e pratica ela mesma o terrorismo. Foi o caso do ANC de Nelson Mandela (sim, Nelson Mandela, a meu ver o Homem do séc. XX, também foi considerado “terrorista”), a resistir ao apartheid da África do Sul, e de muitos movimentos anticolonialistas. Foi também esse o caso de muitos movimentos de luta contra as ditaduras da América Latina entre os anos 60 e 80. Em qualquer um desses casos a luta armada parece-me aceitável e, em alguns casos, provavelmente inevitável.
O que não é aceitável é o uso de violência contra inocentes. Os casos que eu anteriormente foquei usavam a violência contra agentes da autoridade. Agentes corruptos e ditatoriais.
Na Colômbia vigora um regime corrupto de extrema-direita dominado por militares e barões da droga, que aterrorizam quem se lhes opuser. A resistência armada a um regime destes é aceitável e legítima.
Lamentavelmente, não é só isto que fazem as FARC. As FARC raptam e matam indiscriminadamente. O exemplo mais conhecido e mediático é o de Ingrid Betancourt, candidata pelo Partido Ecologista às eleições presidenciais de 2002, sem nenhuma ligação ao governo colombiano, e raptada e mantida em cativeiro pelas FARC desde essa altura. Por isso as FARC são um movimento terrorista, tal como o é o Sendero Luminoso no Peru. Quando os actos terroristas são ilegítimos, uma resposta armada é legítima.
Queria terminar referindo que os terríveis acontecimentos de há cinco anos foram um atentado terrorista ilegítimo, e como tal, na mesma ordem de ideias do que tenho vindo a escrever (e sempre defendi), a resposta dos Estados Unidos da América foi legítima.

2006/09/10

E agora, Ferrari?


Para quem tiver dúvidas: Michael Schumacher ultrapassou e dominou com facilidade o seu sucessor, dando a entender que para o ano, se continuase a correr, seria um candidato mais forte do que ele. Filipe Massa nem vê-lo. Teve azar com o carro de Alonso à frente, mas tinha sido ultrapassado sem apelo nem agravo nas mudanças de pneus.
A Fórmula 1 para o ano vai ser muito aborrecida. Valham-nos pilotos como o Robert Kubica (pódio à terceira corrida).

Agora até sou o "Professor Chanfrado"!

Caros visitantes ocasionais:
Sei que estais aqui de passagem, motivados pelas ligações a este blogue por parte do Insurgente, de A Causa Foi Modificada e do Franco Atirador. Queria aproveitar para vos agradecer – para mim é uma enorme honra ter-vos aqui. Eu sei que o que escrevo a seguir pode parecer abuso da minha parte, e desculpai-me se eu vos parecer inconveniente. A verdade é que eu só tenho é que vos agradecer as visitas. Afinal dia após dia eu contorço-me a imaginar esquemas para vos trazer cá. Ora provoco este, ora chateio aquele, a ver se alguém me liga e me linca, para ver os contadores de visitas dispararem. Dia após dia, é essa a minha luta. É essa a razão por que eu estou na blogosfera, e diria mesmo que é só para isso que eu vivo. Preciso de vós como do ar que eu respiro. Por isso mesmo eu só tenho que vos agradecer, e é preciso ter uma grande lata para ainda vos vir pedir alguma coisa por cima. Ora lata é o que menos me falta. Por isso, já que aqui estão, eu queria pedir-vos um favor.
Existe um blóguer muito simpático, chamado Rui Castro, que escreve nos Incontinentes Verbais. O senhor dedicou-me primeiro o texto chamado "Pecados Mortais", que eu achei que não tinha comentário possível a não ser o que eu lá deixei – o autor deveria comprar uma fralda... para a boca (para os incontinentes verbais, estais a ver a chalaça?). Pois bem: o referido texto foi lamentavelmente omitido da colectânea organizada pelo André Azevedo Alves. O comentário da fralda para a boca até foi lá deixado primeiro, como a minha forma de protesto por esta omissão tão pouco católica. Afinal, o Rui dispara que se farta, e em todas as direcções. Bem: mais até naquelas em que o André Azevedo Alves costuma disparar, o que torna a sua omissão ainda mais injusta.
Até que, nisto... o Rui Castro dedicou-me outro texto! Intitulado, notai bem, “Filipe Moura, o professor chanfrado!” Cheio de considerações que eu também me abstenho de comentar, mas que me fazem verificar, como um bom cientista, que o Rui ainda não comprou a fralda. Mas o título e, sobretudo, aquela fotografia... Sim, porque o Rui não fez a coisa por menos: ilustrou o texto – reparai – com a célebre fotografia do Einstein com a língua de fora! Tanta simpatia e tanta originalidade deixaram-me verdadeiramente comovido.
Por este motivo, eu queria aproveitar a vossa presença aqui, agora nestes dias que faltam antes de regressar a um número de visitantes semelhante ao do Rui Castro, para vos endereçar o seguinte pedido, e corrigir a omissão do André Azevedo Alves: já que aqui estais, não deixeis de visitar igualmente os Incontinentes Verbais, o blogue do Rui Castro. Muito agradecido. Deus vos pague.

2006/09/09

Universo Particular

Marisa Monte conquistou o Coliseu com músicas antigas, dos Tribalistas e dos dois álbuns mais recentes, num espectáculo cuidado e profissional.


Ninguém como Marisa combina a música moderna com a música tradicional.


Perfeito o concerto de ontem à noite da maior cantora brasileira da actualidade.

2006/09/08

A Festa do Avante! anda muito mal frequentada



Camaradas, acho que vou lançar uma petição blogosférica. Quiçá até pedir um voto no
plenário da Assembleia da República.

2006/09/07

As mexidas na Câmara de Setúbal

Sobre o caso da Câmara de Setúbal: que fique bem claro que eu lamento profundamente a saída de Carlos de Sousa. Se o PCP está a procurar simplesmente “limpar a cara” por causa do caso das aposentações compulsivas ou não, é algo que não fica claro. Agora uma coisa é certa: nas eleições autárquicas há uma hierarquia clara dos candidatos, pelo que na saída do presidente os eleitores sabem quem é o vice-presidente. Votam numa lista. Já nas legislativas não é assim, pois só conhecem o nome do candidato a Primeiro Ministro. Santana Lopes não participou sequer nas eleições legislativas de 2002, ao contrário da Presidente indigitada da Câmara de Setúbal. A substituição de Carlos de Sousa, sendo sempre lamentável (pelo autarca que é), é muito mais comparável à “rotação” de deputados anteriormente praticada pelo Bloco de Esquerda. É esta a minha resposta a esta entrada do velho Daniel Oliveira que, com o seu costumeiro moralismo, lança acusações aos outros sem antes olhar bem para a sua própria “casa”.
Também não concordo com João Pedro Henriques quando, ao comparar este caso com o de Fátima Felgueiras, fala em "dois pesos e duas medidas". Primeiro, não creio que este caso seja comparável ao de Fátima Felgueiras (ou os de Gondomar, Oeiras ou Marco de Canavezes), onde as acusações de corrupção aos autarcas visam crimes de peculato e um enriquecimento ilícito pessoal. Já em Setúbal, se houve alguma ilegalidade (ninguém confirmou ainda), foi em proveito... da autarquia (que está na bancarrota, já desde a anterior gestão) e de alguns trabalhadores (e à custa do Estado). Finalmente, não me parece que as atitudes dos partidos (o PS, ao preservar Fátima Felgueiras para ganhar eleições; o PCP, ao substituir Carlos Sousa para evitar a dissolução da Câmara e eleições antecipadas) sejam assim tão diferentes: ambas visam simplesmente a preservação do poder.
O assunto não é simples e nem permite uma interpretação única, mas do que foi dito concordo plenamente com Vital Moreira.

2006/09/06

Agora explico eu

Não há dúvida de que o Miguel Esteves Cardoso é um assunto tabu, e quem ousar meter-se com ele tem de levar com os seus amiguinhos, de direita ou supostamente de esquerda. Quem se meter com os amiguinhos dele também, que eles funcionam todos em bloco (salvo seja). Todos eles consideram-se muito especiais por pertencerem ao grupinho, influência provável do líder intelectual. Esta gente julga-se eleita, e não me refiro ao “povo eleito” no sentido judaico, apesar de uma regra essencial para pertencer ao grupo ser apoiar-se incondicionalmente as políticas do estado de Israel, mesmo as mais criminosas.
A melhor demonstração do tipo de pessoas que é esta gente (os amiguinhos do Miguel Esteves Cardoso) ocorreu há mais de três anos, no episódio que originou o fim da Coluna Infame. Está certo que a provocação do Daniel Oliveira ao chamar de “extrema direita” ao João Pereira Coutinho surge do nada, é completamente infundada e desnecessária. Mas e a reacção do João Pereira Coutinho? Não se deve à “extrema direita” propriamente dita – deve-se a um membro da “ralé” ter-se atrevido (é mesmo a palavra) a insultar o “Pereira Coutinho”. Provavelmente João Pereira Coutinho gostaria de ter resolvido a questão com um duelo! João Pereira Coutinho tem uma formação oxfordiana, e para ele ter sido abordado assim por um qualquer Oliveira é como se um estudante se atrevesse a frequentar as áreas reservadas a professores. O cavalheirismo é importante, mas mais importante é o “respeitinho”. Toda a sua reacção é de quem foi mimado a vida toda.
Daí que não espante que se diga que o cavalheiro é talentosíssimo, genial e escreve muito bem, mas ninguém do referido grupo se tenha sequer dignado a criticar-lhe os modos. O mesmo pode ser dito relativamente ao seu companheiro de armas, no que diz respeito a textos tão dignificantes como este. A Bomba ainda se dá ao luxo de o destacar. E o bobo da corte, mais preocupado com o Hamlet e o Rei Lear, ainda faz reparos ao penteado de Vital Moreira. Qual é a reacção dos amiguinhos do MEC e das pessoas “cool-tas”? «Ah, o maradona (com minúscula!) é tão engraçado! Ah, o maradona (com minúscula!) escreve tão bem, ele e a Charlotte! E o João e o Alberto! São tão talentosos! São mesmo uns geniozinhos, uns queridíssimos!» Para o que esta gente escreve ou diz, a impunidade é total. Nesse aspecto estão muito bem para o Estado de Israel. Não admira que apoiem as suas acções criminosas incondicionalmente.
Queria ainda fazer um esclarecimento aos muitos visitantes que apareceram aqui ontem a julgar que eu sou “professor”: eu não sou “professor”, embora gostasse de o vir a ser um dia, quem sabe. Dei aulas em Portugal e nos EUA, sempre enquanto estudava. A última vez que dei aulas em Portugal foi há nove anos, quando ainda ninguém sabia o que era um blogue. Os visitantes que aqui vêm não são meus “alunos”. São pessoas livres e que pensam pela sua cabeça – se aqui vêm é porque tomam essa decisão livremente. Não pertencem a nenhuma “seita”, como a dos amigos do MEC e da Bomba, que se lincam mutuamente e são todos lincados pela Bomba, e tratados por “queridíssimos”. Basta entrar no referido Bomba Inteligente para verificar – todos os dias há entradas que são respostas directas e descontextualizadas aos amigos da Bomba (e do MEC), de forma a que quem não pertença ao “grupo” não saiba do que se está a falar, e tenha de ir visitar os outros amiguinhos (que assim partilham os visitantes dos seus blogues). Isto se (há gente para tudo…) alguém estiver interessado no que a Bomba quer dizer. Aquilo é um verdadeiro “chá das tias”. Não me incomoda o sucesso do blogue em si, tal como nunca me incomodou o sucesso da revista Caras; há leitores para tudo. Eu não pactuo é com falta de vergonha na cara, e isso aquela gente não sabe o que é. Em particular, não me incomoda nada ter uma média de cento e poucas visitas por dia, enquanto a Charlotte tem 863 (incluindo os que só lá vão via Google Image Search à procura das muitas imagens que o blogue tem), como o maradona faz questão de recordar. Os meus visitantes, por poucos que sejam, são cidadãos livres que escolhem aqui vir; não são membros de nenhum clube privado nem seguidores de nenhum guru.
Dito isto, eu não quero ter mais nada a ver com esta elite muito orgulhosa de si mesma, apesar de não fazer nada de palpável, mas que supostamente é muito “talentosa”, embora os seus talentos até hoje só tenham sido aferidos em comparação uns com os dos outros. Não quero perder mais tempo com gente (de esquerda e de direita) cujos valores são completamente diferentes dos meus – e aqui é mesmo uma questão de valores de que se trata -, a verdadeira negação da “ética protestante”. Gente que não quer que o país passe da cepa torta. A atenção e o poder mediático que esta gente tem explicam e muito o nosso atraso – só em Portugal estes indivíduos alcançariam o destaque que têm.

No chá sem a Bomba

Ironicamente (tendo em conta o assunto que se segue e o título do texto que lhe deu motivo) passei o dia de ontem a beber chá e a comer torradas. Motivo: indisposição e sérios transtornos gástricos. Nada a ver com a blogosfera.

2006/09/04

Apenas um homem vulgar


Pela primeira vez na vida entrei no Casino Estoril, na passada quinta feira. Para o concerto do Jorge Palma. Para o concerto de um cantor que já começou algo “tocado” – notava-se na forma como esbarrava no microfone, que lhe fugia enquanto cantava (por vezes nem dava para o ouvir bem), e quando tropeçou -, mas que nem por isso, no meio de um calor infernal de uma sala sem grandes condições, deixou de ir bebendo cerveja ao longo da noite. Que não teve problemas em acender um cigarro e ir fumando enquanto tocava piano.
O Jorge Palma é um grande compositor e eu gosto muito de o ouvir. Por um lado eu gosto de ver um homem livre que não cede aos ditames do politicamente correcto. Por outro lado, pelo menos enquanto actuava ao vivo, o Jorge Palma não demonstrou ser muito profissional. Não tem autocontrolo. Exagerou. Gostei de ter ido ao concerto, mas porque era à borla. Conforme eu já desconfiava, não gostaria de ter pago um bilhete para o ver actuar como na passada quinta.

2006/09/03

Força camarada!



Fidel Castro (ou era o Che Guevara?) plantou canas de açúcar (ou era milho?) no meio dos agricultores cubanos. Nesta semana, Jerónimo de Sousa ajudou a montar a Festa do Avante!, dando uma mãozinha aos militantes de base anónimos. "Isto descontrai", disse ele. Assim se constroem os mitos.

2006/09/02

O mundo de Bush

Subscrevo na íntegra este editorial de João Morgado Fernandes:

A seguir ao 11 de Setembro, a América reagiu da melhor maneira. A invasão do ninho de terroristas do Afeganistão e o reforço das medidas de segurança interna, mesmo com sacrifícios das liberdades, mereceram aplauso geral e, passados cinco anos, o balanço é francamente positivo.

A aventura do Iraque, pela desmesura de meios despendidos tendo em conta os resultados, as fundas divisões que criou na comunidade internacional e a descredibilização da própria América, fragilizou irremediavelmente o lado "dos bons".

Agora que o mundo está, de facto, perante a ameaça real de um Irão radical, apoiante de terroristas, a trabalhar para a bomba atómica, pouco mais podemos fazer que aguardar estupefactos por um improvável assomo de bom senso. Porque, seja o que for que a América ou "nós" fizermos para conter os fanáticos de Teerão, teremos sempre de contar com a resposta do vespeiro de terroristas que Bush criou ali ao lado, no Iraque.

2006/09/01

O fim de "O Independente" e a velha direita

Contam-se pelos dedos de um pé as vezes que li "O Independente", sempre na fase considerada “áurea”, de Paulo Portas & Miguel Esteves Cardoso. Não vou mentir – não gostava, e o meu balanço do jornal está longe de ser tão favorável como se lê genericamente pela blogosfera fora. E a razão é uma – e nisso estou de acordo com os leitores de "O Independente" – a marca de Miguel Esteves Cardoso no jornal. Só que ao contrário da maioria das pessoas “cool-tas” da minha geração, eu abomino o Miguel Esteves Cardoso e mais o seu insuportável elitismo sem ter onde cair morto. Já o afirmei aqui, onde afirmava não compreender o fascínio de uma esquerda por este autor. Mas, embora não diga respeito às minhas ideias políticas, igualmente não compreendo o mesmo fascínio por parte de quem deveria ser uma “nova direita”, como é o caso do André Abrantes Amaral, um meu amigo que eu não conheço. O André foi o colaborador de O Insurgente a quem coube a tarefa de escrever esta semana na opinião da Dia D – um texto muito interessante, e que embora seja aparentemente dirigido à direita poderia ser dirigido ao país todo. No fundo o que o André advoga é um pouco mais daquilo que se chama “ética protestante”, algo que está indesmentivelmente presente nos países mais desenvolvidos e de que a mentalidade das elites portuguesas – de esquerda e de direita – foge como o diabo da cruz. Em grande medida aquilo que o André defende passa por aí. Como pode o André então defender o Miguel Esteves Cardoso, defensor dos privilégios e tradições e a maior negação da “ética protestante”, e ao mesmo tempo pedir uma “nova direita”? E genericamente como se pode falar de "O Independente" como “nova direita”? Para mim “O Independente” representava uma direita portuguesa bem velha. Tenho cá para mim que uma “nova direita” deve muito mais a certos autores do Blasfémias – onde nunca vi ninguém elogiar o Miguel Esteves Cardoso - do que a “O Independente”.

Relativamente a "O Independente", de que tenho pena? Como em todos os projectos, há profissionais sérios que ficam sem trabalho, e é isso que eu mais lamento. Particularmente quando um deles é outro amigo que eu não conheço, o Leonardo Ralha, um tipo que pensa muito pela sua cabeça e a quem desejo que esta situação passe depressa. Sou jornalista até ao fim deste mês – quem sabe ainda o encontro aqui pela Rua Viriato?