2006/08/20

Quem é fixe, quem é?

Embrenhado da melhor filosofia católica (refiro-me à Universidade, faculdade de Economia) de que “não há almoços grátis” (no Brasil chama-se antes a filosofia do “portuga do botequim”), o André Azevedo Alves, em comentário, não deixou de lembrar que o meu agradecimento era “plenamente justificado”. (Entretanto o AAA vai citando a seu bel-prazer frases descontextualizadas, mas eu já nem estou para me chatear.) De facto eu sou adepto da gratidão, mas o meu objectivo quando falo de O Insurgente, blogue de que sou leitor desde o princípio, não é “fazer subir os contadores de visitas”: é antes expressar a minha opinião (e tratando-se do blogue em questão, a minha discordância). De qualquer maneira eu não deixei de agradecer, da mesma maneira que o Miguel, um gajo fixe do mesmo blogue, já havia feito antes. E só espero que ele me perdoe o “soarismo” do adjectivo. Na altura nem me passou pela cabeça notar que aquele era um “agradecimento plenamente justificado”. Lá está – modéstia à parte, eu sou mesmo um gajo fixe.

2006/08/18

Quotas de mulheres

O Presidente da República finalmente promulgou a lei que prevê quotas mínimas de mulheres nas listas dos partidos. A questão não é unânime à esquerda, tendo dado origem a uma interessante discussão no Caderno de Verão. Aqui eu não concordo com a posição do António Figueira, que em geral eu gosto tanto de ler.
A maior falácia usada contra as quotas é mesmo a questão do “mérito”, conforme já discuti aqui. Genericamente os deputados não têm mérito nenhum! É evidente que seria melhor fazer uma reforma em que os deputados passassem a ter mérito. É muito mais difícil, claro. Mas isso não invalida que não se avance com outras reformas necessárias. Muito cinicamente: o que é que a lei das quotas pode trazer de mau? Creio que haverá sempre lugar para os poucos deputados e deputadas competentes, pelo que o pior caso possível seria substituir-se uns quantos homens incompetentes por umas mulheres incompetentes. Ou seja, deixar tudo na mesma. Na mesma, não: uma das principais funções do Parlamento (mais do que juntar “os mais competentes”) é ser representativo. O Parlamento assim torna-se mais representativo, pelo que ficamos melhor com a lei das quotas. Queria ainda dizer ao António Figueira que, embora estas não sejam nenhuma panaceia, a esquerda não deve deixar cair de todo as engenharias sociais.

2006/08/17

Pequeno momento muito umbiguista



1 (1) O Avesso do Avesso 586 (+193)
2 (2) Luís Almeida 313 (+11)
3 (13) Lis Online 228 (+144)
4 (3) Substrato Blog Endrominado 222 (+59)
5 (6) Sorumbático 195 (+85)
6 (26) Diário da Roanita 166 (+118)
7 (11) Sesimbra 160 (+70)
8 (4) «Fragmagens» 155 (+30)
9 (36) . AnaBond . 150 (+112)
10 (5) Welcome to Elsinore 146 (+34)
11 (16) Klepsydra 110 (+44)
12 (10) SingleWhiteMale Blog 106 (+7)
13 (7) O céu sobre Lisboa 103 (-1)
14 (31) O Homem do Leme 97 (+55)
15 (8) M&M 94 (-9)
16 (19) Sabor a sal 88 (+28)
17 (22) Se quiseres subir ao céu... 88 (+36)
18 (15) Carlos Moura 84 (+15)
19 (18) Grilices 84 (+23)
20 (42) O Observador 77 (+43)

Obrigado a todos (e ao Blasfémias, Insurgente e Aspirina B; e já agora à Dia D). Voltem sempre.

2006/08/16

O mistério de Ettore Majorana continua a intrigar

...ou a demonstração do pluralismo da secção de Ciência do Público. Artigo publicado no Público de 13 de Agosto.



Ettore Majorana, um influente físico teórico italiano, desapareceu aos 31 anos em circunstâncias nunca explicadas. Passaram esta semana 100 anos sobre o seu nascimento e a especulação em torno do que se terá passado aumentou. Terá ele encenado o seu sumiço? A questão é controversa.
Majorana foi aluno de doutoramento de Enrico Fermi, que em conjunto com Paul Dirac introduziu o conceito de fermião (daí o nome), o tipo de partículas que constituem a matéria ao nível mais elementar, englobando os quarks e os leptões (como o electrão), e que têm um comportamento quântico distinto dos bosões (partículas que constituem a radiação). Cada fermião tem uma antipartícula, com a mesma massa e cargas diferentes: por exemplo, o antielectrão é o positrão.
Majorana aprofundou o trabalho de Fermi e Dirac, verificando que em certas circunstâncias existe um tipo de fermiões (chamados justamente de Majorana) que são a sua própria antipartícula, Foi o primeiro a propor que os neutrinos poderiam ter massa, algo que só em 1998 foi confirmado experimentalmente. Para Fermi, Majorana era um génio só comparável a Newton ou Galileu.
A produção científica de Majorana é muito influente, mas foi curta, pois o cientista desapareceu numa viagem de barco entre Palermo e Nápoles. Embora o caso tenha sido investigado, o seu corpo nunca foi encontrado.
Tal facto permitiu toda uma série de especulações sobre se Majorana se teria suicidado, teria sido raptado ou simplesmente estaria ainda vivo com outra identidade. Houve mesmo quem dissesse que seria um sósia seu que estaria no barco. O físico Erasmo Recami publicou um livro onde investiga a possibilidade de mais tarde Majorana ter vivido na Argentina.
Recentemente, surgiram hipóteses mais abstrusas. Num artigo disponível em http://www.arxiv.org, o físico ucraniano Oleg Zaslavskii, da Universidade Karazin Kharkiv, propôs que esta ambiguidade à volta do seu destino poderia ser uma simulação concebida pelo próprio Majorana para demonstrar a sobreposição quântica, segundo a qual uma partícula pode existir simultaneamente em dois estados quânticos mutuamente exclusivos. A proposta não é credível e não pode ser levada à letra. Já foi desmontada em blogues de cientistas, como o de Andrew Jaffe, do Imperial College, ou o português My Guide to Your Galaxy.
Na base da proposta estão as mensagens que Majorana enviou antes de desaparecer a Antonio Carrelli, director do Instituto de Física da Universidade de Nápoles, onde trabalhava.
Carrelli recebeu um telegrama de Palermo em que Majorana lhe pede que ignore uma carta que lhe teria escrito antes. Na carta, Majorana anuncia para breve o seu "desaparecimento repentino". Segue-se ainda outra missiva, onde Majorana revela que "o mar o recusou" e, como tal, regressaria no dia seguinte, "junto com esta carta", embora renunciasse ao seu cargo. A carta chegou, mas Majorana nunca regressou a Nápoles.
Numa passagem Majorana diz esperar que "o telegrama e a carta tenham chegado juntos". Estaria Majorana, de carácter introspectivo e pouco sociável, de alguma forma afectado pela nova teoria da Mecânica Quântica?
No romance La Scomparsa di Majorana, de 1975, editado em português pela Rocco, o escritor Leonardo Sciascia, siciliano como Majorana, propõe que este decidira desaparecer por ter previsto a invenção da bomba atómica, e por recear que Mussolini e Hitler pudessem utilizar o seu trabalho com esse objectivo. Supõe que o cientista, profundamente católico, estaria retirado num mosteiro.
Esta perspectiva de Majorana como crente é reforçada num artigo na última edição da revista CERN Courier, no qual o físico Antonino Zichichi relata que, segundo o seu confessor, Monsenhor Riccieri, Majorana experimentara crises místicas, mas que a hipótese de suicídio no mar deveria ser excluída. O resto Riccieri não poderia revelar, por segredo de confissão. Cem anos depois do seu nascimento, o destino e as motivações de Majorana permanecem um mistério.


Nota: Foi-me pedido que escrevesse sobre o centenário de Majorana e o referido artigo de Oleg Zaslavskii, que apesar de não ter credibilidade foi noticiado no New Scientist. Não dei deliberadamente grande destaque ao referido artigo, e fiz questão de incluir as melhores refutações que encontrei. Uma delas foi no blogue português My Guide to Your Galaxy, escrito por um estudante de física ultraliberal e antiesquerdista primário, destaque frequente no Insurgente. Como não poderia deixar de ser - mas nesta altura não deixa de ser bastante irónico... - o autor deste blogue, Sérgio dos Santos, estudante do Instituto Superior Técnico, no mesmo curso que eu, já escreveu um artigo... na Dia D!
O meu artigo foi submetido à editora de Ciência na sexta feira e publicado no domingo, bem antes de toda esta polémica despoletar. É um pequeno exemplo, mas espero que demonstre ao João Miranda que as minhas palavras sobre "a ciência de qualidade não ter credo, ideologia ou nacionalidade" não são só meras palavras ou declaração de intenções. São para levar a sério. A ciência de qualidade, qualquer que seja a sua origem, tem lugar na secção de Ciência do Público e em qualquer coisa escrita por mim... Gostaria de poder dizer o mesmo (mas não posso) do Blasfémias, e muito menos do Insurgente...

“Junk science” o quê?

O João Miranda tem o direito de pensar o que quiser sobre a ciência que eu faço para escrever textos como este. Já o usar o termo “anacleto” quando se refere a mim, parece-me desonesto, ainda mais num texto sobre ciência. Não é de agora que o João me lê. Não é de agora que ele sabe que eu tenho sérias divergências com o Bloco em assuntos científicos. Traduzidas em textos meus como este (com a ressalva de Francisco Louçã ser ele próprio um economista bastante competente, apesar de não entrar no Dia D). Ou este. E sobretudo textos como este, este e este, no Blogue de Esquerda, dedicados a desmontar baboseiras ditas por bloquistas e outros tipos de animadores culturais. O último valeu-me uma certa animosidade por parte do assessor de imprensa, manifestada mais tarde, uma vez mais a propósito da ciência (ler os comentários).
E falar na “falta de pluralismo” na secção de ciência do Público parece-me disparatado. Quanto muito deveria haver pluralismo nas diferentes áreas científicas que são cobertas e esse existe. Agora o conceito de pluralismo em ciência é discutível. Ao contrário de muitas luminárias (infelizmente) de esquerda, eu acredito que existe algo que pode ser classificado como “verdade”, e o objectivo da ciência é descobri-lo. Acredito que pode definir-se, dentro de certos limites, se algo é ou não “verdade”, e a partir daí deixa de haver espaço para “pluralismo”. Este conceito é muito mais fácil de definir nas ciências exactas (certas luminárias infelizmente de esquerda nem devem acreditar na existência de ciências exactas). Mas embora também existam sem dúvida “verdades” em Economia, esta não é uma ciência exacta. Ao contrário do que o João Miranda nos tenta convencer, há lugar para pluralismo em Economia. Em particular, é possível mesmo – suprema ousadia! - não concordar com ele! É tudo uma questão de condições fronteira, como eu disse uma vez.
Só se o João Miranda está preocupado com o pluralismo político da secção de ciência. Mas aí, embora eu não faça a mínima ideia do posicionamento político dos meus colegas, e nunca tenha falado de política desde que lá estou, asseguro-lhe que tal é irrelevante na referida secção. Conforme já escrevi repetidamente – ler por exemplo os comentários deliciosos a este texto – a ciência de qualidade não tem e nem pode ter ideologia, nacionalidade, credo… O que não significa que os cientistas – que são homens e mulheres – não os tenham: é evidente que os têm. Grave seria que argumentos de ideologia, nacionalidade ou credo contassem para alguma coisa em ciência, e que devido a eles a boa ciência ficasse pelo caminho. (No caso da secção de ciência de um jornal, que deixasse de ser publicada.) Se é essa a acusação do João Miranda à secção de Ciência do Público, ela não tem qualquer fundamento. Embora não me caiba a mim demonstrar nada, tentarei reforçar o que disse com um exemplo recente de um texto que me deu muito gosto escrever (e que já tinha intenção de pôr aqui de qualquer maneira). Já a seguir.

2006/08/15

15 de Agosto, dia de André Azevedo Alves

E pronto: aqui temos a resposta do André Azevedo Alves (fala-se no Insurgente e aparece logo ele), com a dose de histeria que seria de esperar de um fã da Ann Coulter e das “guerras santas”. O texto vem com uma imagem do Mao Tse-Tung, e de facto utiliza um estilo bem maoísta: o de caricaturar o alvo a atacar (neste caso, eu) e depois… atacar a caricatura. E não faz a coisa por menos: declara-me logo como “activista da extrema esquerda”! Eu nunca escondi a ninguém que sou de esquerda – fiz questão de o declarar na entrevista para a selecção dos cientistas candidatos a estagiarem no Público. Esquerda independente, disse eu na altura. E saliente-se que o jornalismo científico, que tenho a honra de ter sido convidado a fazer por algum tempo, não tem nada a ver com política. De resto é bem sabido que fui durante muito tempo colaborador do Blogue de Esquerda, de onde saí por divergências públicas com outro colaborador, nomeadamente por eu apoiar na eleição presidencial esse conhecido extremista que é Mário Soares. De resto, para o André Azevedo Alves e os seus modelos intelectuais da Fox News, metade do Partido Democrata americano é de “extrema esquerda”. Angelina Jolie, Sean Penn, Susan Sarandon, Michael Moore, Howard Dean (só para dar exemplos norte-americanos) são de “extrema esquerda”. O epíteto ”extrema esquerda” faz parte portanto da referida táctica maoísta, combinada com a mentalidade McCarthista – que o André Azevedo Alves gosta de defender – de ver conspirações comunistas em todo o lado.
Já o que francamente me surpreende é o de “activista” – logo eu que não sou e nem nunca fui filiado em nenhum partido ou organização política. O que saberá o André Azevedo Alves da minha actividade política para me declarar “activista de extrema esquerda”? Motivos mais sólidos tenho eu para julgar que o André Azevedo Alves é um activista do Opus Dei, e no entanto não o declaro.
Quanto às considerações do André Azevedo Alves sobre a “pobreza intelectual” dos meus textos: a opinião dele é livre. Conforme já disse uma vez, não me afecta a opinião sobre “pobreza intelectual” de criacionistas e de quem acha que a fonte suprema do conhecimento é a Bíblia.
Finalmente, o Dia D. Apesar de toda a histeria do André Azevedo Alves, é claro desde o princípio que eu não ponho em causa a independência (política ou de qualquer tipo) da publicação. Pelo contrário: no pouco tempo que levo na redacção do Público e em Portugal, já lá vi entrevistas a membros do Bloco de Esquerda e capas com militantes do Partido Socialista. Referia-me somente às duas colunas de opinião que são publicadas semanalmente. E aí desafio quem ler este texto a pesquisar os arquivos de O Insurgente. Todas as segundas feiras lá encontrarão ligações para dois textos do Dia D. Pelo menos um (quando não são os dois) texto de opinião é assinado por um autor de O Insurgente. O outro, quando não é de um autor de O Insurgente, é de um membro de um dos vários blogues da mesma linha e frequentemente citados em termos elogiosos pelo Insurgente. Sumariamente, em cada segunda feira há ligações para blogues amigos de O Insurgente a propósito de textos no Dia D. E não se vê isso em mais nenhum blogue. Não sou eu o único a ver isso, e só não vê quem não quer. No meio das insinuações e acusações sem fundamento do André Azevedo Alves eu não li nada que desmentisse este facto.

2006/08/14

Segunda feira, dia de Dia D (II)

A cada segunda feira, é publicado mais um Dia D. Se não se lembram do que é o Dia D, eu recordo-vos: é um suplemento do jornal onde estagio, que tem como subtítulo “A Economia que lhe interessa”. Todas as segundas feiras, o Dia D publica duas colunas de opinião. Na escolha de colunistas por parte do Dia D observa-se uma grande diversidade: os colaboradores do blogue O Insurgente vão-se todos revezando nessa função, o que demonstra especial preocupação com a imparcialidade, visto que O Insurgente, como é bem sabido, é constituído por gente das mais diversas proveniências ideológicas, e defendem todos ideias muito diferentes. Para aumentar o leque de opiniões disponíveis, e para ninguém pôr nenhum defeito, de vez em quando um dos colaboradores é um autor de um dos blogues satélite, ou algum dos comentadores mais frequentes de O Insurgente (daqueles que, a cada novo texto do André Azevedo Alves, logo surgem nas caixas de comentários do blogue – daquelas da haloscan – a largar uma porção de “smileys”). Maior variedade de opiniões, só mesmo na Soeiro Pereira Gomes, numa reunião do Comité Central. Estranhava-se por isso a ausência do chefe. Quando veríamos as muito católicas opiniões do André Azevedo Alves no Dia D? Foi hoje! Hoje é que foi mesmo o Dia D! E garante um muito maior leque de opiniões. É que com o André Azevedo Alves como articulista, poderemos ter em breve acesso na imprensa a opiniões que, verdade seja dita, mais ninguém publica (nem no Insurgente). Não tarda nada e leremos no Dia D artigos a defenderem o criacionismo e a invasão de todos os países árabes, e a branquearem o senador McCarthy. A não perder.

PS: A verdade é que, felizmente, o conteúdo noticioso do resto da revista Dia D não obedece à agenda Insurgente. Ainda hoje, por exemplo, é publicada uma crítica altamente elogiosa ao livro An Inconvenient Truth, de Al Gore, classificado como "uma obra demolidora e genial". O que não é propriamente a opinião de O Insurgente. Se a revista é assim no conteúdo noticioso, por que será que se nota esta predominância nas colunas de opinião dos "defensores da escola austríaca" e os seus compagnons de route (ou antes "road companions", que esta malta não gosta de francês)? Não haverá outros economistas?

2006/08/12

Coimbra é uma lição

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra dá o exemplo: para o seu quadro docente só entram doutorados. Uma causa que há muito defendo, nunca escondendo que sou parte interessada, mas sei que estou a lutar por uma causa justíssima. (Pode ser que um dia eu conte aqui as histórias por que já passei a candidatar-me a posições docentes no Ensino Superior Politécnico.) E agrada-me ver que os sindicatos defendem uma medida crucial para a qualidade do Ensino Superior em Portugal.

2006/08/10

A praga das alforrecas

Estamos no pico do Verão e, com a interdição de algumas praias espanholas mesmo na altura em que são mais procuradas, fala-se em força na “praga das alforrecas”, devido às altas temperaturas das águas (aquecimento global) e à pesca excessiva. Devido, em suma, à actividade do homem. Agora é que o assunto está mesmo na ordem do dia. Mas outros jornalistas, revelando o seu notável poder de antecipação, já falavam no caso há três semanas atrás, antes de as praias serem invadidas por turistas.
Entretanto, para aqueles que se recusam a admitir o aquecimento global: que as alforrecas nunca lhes mordam o pezinho.

2006/08/09

O país do Benfica

A imprensa de referência põe fotos de corpo inteiro de Francis Obikwelu na capa.
A imprensa "desportiva" põe fotos... do Nuno Gomes.

Mais uma medalha para o Sporting



Parabéns, Francis Obikwelu.

2006/08/08

Uma força europeia para quê?

Extracto de um artigo de Álvaro Vasconcelos no Público de hoje:

A guerra do Líbano, envolvendo três vizinhos da União Europeia com quem ela procura constituir uma área de democracia e paz, veio colocar de forma brutal a questão da violência, da sua legitimidade, das normas e regras do seu emprego. Estamos a falar do uso da força envolvendo entidades que fazem parte daquela que é provavelmente a mais ambiciosa política externa da União - a que desenvolve em relação aos países da sua periferia sul, com quem, no quadro do processo de Barcelona e da nova política de vizinhança, procura constituir uma área integrada, baseada na experiência dos alargamentos.
O envolvimento europeu, com forças militares, no Sul do Líbano exige da União uma condenação inequívoca da violência ilegítima e uma definição muito clara de objectivos. Caso contrário, a União poderá estar a envolver-se numa estratégia que não é a sua e perder o capital de simpatia e atracção de que goza na região.
É a credibilidade da União e de alguns dos seus Estados-membros, como a França, que explica por que uma tal força só pode ser liderada por europeus. Do Líbano a Marrocos há um desejo de mais Europa e por isso a União tem que ser capaz de corresponder não só às expectativas em termos de deliver, mas também, e sobretudo, em termos de política. Para que a União continue a ser uma alternativa para a paz e a democracia no Médio Oriente, a sua política não se pode confundir nem com a da Administração Bush nem com a de Israel.
Para a União, a violência é um último recurso, que só deve ser utilizado quando todos os demais estiverem esgotados. A repugnância europeia pelo uso da força, a convicção de que ela deve ser regulada e de que os que a usam em desrespeito dos valores e direitos fundamentais devem ser condenados tem de ser a característica fundamental da política externa da União. Pode haver Estados-membros que usem a força numa perspectiva de potência tradicional, mas a União nunca o poderá fazer sem pôr em causa os seus princípios fundadores.

2006/08/07

Segunda feira, dia de Dia D

A cada segunda feira, é publicado mais um Dia D. Se não sabem o que é o Dia D, eu explico-vos: é um suplemento semanal do jornal onde estagio. A cada número desta revista há secções que não falham: nas colunas de opinião há sempre espaço para 2 (dois) colaboradores de O Insurgente.
(Não sabem o que é O Insurgente? é um blogue onde se tenta vender a quem quiser comprar ideias como "a quase hegemonia da esquerda e um peso completamente desproporcional da extrema esquerda nos media e na opinião publicada.")
Há ainda uma secção, “A Minha Web”, onde uma figura conhecida vem relatar-nos as páginas da rede que costuma frequentar. Esta semana o escolhido foi um jovem escritor e (esporádico) ex-companheiro de blogue meu, o José Luís Peixoto. Pelos vistos o exclusivo Insurgente no Dia D esgota-se na opinião...

2006/08/06

O meu amigo Artur

Este rapaz é um geniozinho, como podem ver por ser orador convidado do mais importante simpósio internacional de Física Matemática. Mesmo ao lado nem mais nem menos do que o Ed Witten (consultem o horário), que é só o físico mais citado de sempre e mais influente da actualidade. E é meu amigo - uma grande honra para mim - como podem ver se consultarem a página dele. E companheiro de jantaradas sempre muito bem regadas. Enquanto ele não ganha a medalha Fields, espero que hoje ele acrescente mais uma foto na página dele. A discutir com o Witten. Sempre de copo de vinho na mão, claro.

2006/08/04

As emoções e as decisões irracionais

aqui tinha referido que só era capaz de me aborrecer com pessoas de quem gostasse. Não só de me aborrecer: por vezes perder as estribeiras e mesmo ter atitudes irracionais. Parece que agora essa minha conclusão foi confirmada num estudo científico. Nada de muito surpreendente, não é? O que ainda assim me distingue é que eu vou ainda mais longe: a minha definição de “pessoas de quem gosto” é mesmo “pessoas com quem sou capaz de tomar atitudes irracionais”.

2006/08/03

Aspirina comenta

Recentemente o Aspirina B introduziu um sistema de selecção de comentários: só aparecem no blogue os comentários que são previamente aprovados pelos autores do mesmo. Não tenho nada contra o procedimento por princípio; realmente andava admirado pela ausência da Brigada Bigornas e, especialmente nestes tempos de crise no Médio Oriente, do Euroliberal. A única dúvida que me resta é a seguinte: será que eles aceitam comentários do Luís Rainha e dos seus heterónimos?

Adenda: parece que o sistema de selecção de comentários era temporário e alheio à vontade dos autores do Aspirina B - os RIAPAS voltaram e em força... Mas a pergunta pode manter-se, mesmo se baseada numa suposição.

2006/08/01

I want my MTV

E porque o tema é Dire Straits, e porque a MTV faz hoje 25 anos, fica aqui um vídeo histórico. Money for nothing and chicks for free. Grande vídeo. Grande música.

Clareza buarqueana

Bastou um pequeno texto, aliás uma pequena frase no fim, para a Ana Sá Lopes clarificar a posição da Fernanda Câncio. Obrigado, Ana. Que pena eu tenho por ter perdido o Francis no outro dia, mas não estava em Lisboa. Já tem bilhetes para o Coliseu, em Novembro?
Quanto aos Dire Straits, a minha explicação sobre a minha posição seria tão clara como uma explicação da Fernanda Câncio. Assim cheia de "mas"... Mas defendo claramente que o Mark Knopfler é um dos melhores guitarristas de sempre. Gosto de ouvir o Alchemy enquanto estou a guiar.