Estamos no pico do Verão e, com a interdição de algumas praias espanholas mesmo na altura em que são mais procuradas, fala-se em força na “praga das alforrecas”, devido às altas temperaturas das águas (aquecimento global) e à pesca excessiva. Devido, em suma, à actividade do homem. Agora é que o assunto está mesmo na ordem do dia. Mas outros jornalistas, revelando o seu notável poder de antecipação, já falavam no caso há três semanas atrás, antes de as praias serem invadidas por turistas.
Entretanto, para aqueles que se recusam a admitir o aquecimento global: que as alforrecas nunca lhes mordam o pezinho.
2006/08/10
2006/08/09
O país do Benfica
A imprensa de referência põe fotos de corpo inteiro de Francis Obikwelu na capa.
A imprensa "desportiva" põe fotos... do Nuno Gomes.
A imprensa "desportiva" põe fotos... do Nuno Gomes.
2006/08/08
Uma força europeia para quê?
Extracto de um artigo de Álvaro Vasconcelos no Público de hoje:
A guerra do Líbano, envolvendo três vizinhos da União Europeia com quem ela procura constituir uma área de democracia e paz, veio colocar de forma brutal a questão da violência, da sua legitimidade, das normas e regras do seu emprego. Estamos a falar do uso da força envolvendo entidades que fazem parte daquela que é provavelmente a mais ambiciosa política externa da União - a que desenvolve em relação aos países da sua periferia sul, com quem, no quadro do processo de Barcelona e da nova política de vizinhança, procura constituir uma área integrada, baseada na experiência dos alargamentos.
O envolvimento europeu, com forças militares, no Sul do Líbano exige da União uma condenação inequívoca da violência ilegítima e uma definição muito clara de objectivos. Caso contrário, a União poderá estar a envolver-se numa estratégia que não é a sua e perder o capital de simpatia e atracção de que goza na região.
É a credibilidade da União e de alguns dos seus Estados-membros, como a França, que explica por que uma tal força só pode ser liderada por europeus. Do Líbano a Marrocos há um desejo de mais Europa e por isso a União tem que ser capaz de corresponder não só às expectativas em termos de deliver, mas também, e sobretudo, em termos de política. Para que a União continue a ser uma alternativa para a paz e a democracia no Médio Oriente, a sua política não se pode confundir nem com a da Administração Bush nem com a de Israel.
Para a União, a violência é um último recurso, que só deve ser utilizado quando todos os demais estiverem esgotados. A repugnância europeia pelo uso da força, a convicção de que ela deve ser regulada e de que os que a usam em desrespeito dos valores e direitos fundamentais devem ser condenados tem de ser a característica fundamental da política externa da União. Pode haver Estados-membros que usem a força numa perspectiva de potência tradicional, mas a União nunca o poderá fazer sem pôr em causa os seus princípios fundadores.
2006/08/07
Segunda feira, dia de Dia D
A cada segunda feira, é publicado mais um Dia D. Se não sabem o que é o Dia D, eu explico-vos: é um suplemento semanal do jornal onde estagio. A cada número desta revista há secções que não falham: nas colunas de opinião há sempre espaço para 2 (dois) colaboradores de O Insurgente.
(Não sabem o que é O Insurgente? é um blogue onde se tenta vender a quem quiser comprar ideias como "a quase hegemonia da esquerda e um peso completamente desproporcional da extrema esquerda nos media e na opinião publicada.")
Há ainda uma secção, “A Minha Web”, onde uma figura conhecida vem relatar-nos as páginas da rede que costuma frequentar. Esta semana o escolhido foi um jovem escritor e (esporádico) ex-companheiro de blogue meu, o José Luís Peixoto. Pelos vistos o exclusivo Insurgente no Dia D esgota-se na opinião...
(Não sabem o que é O Insurgente? é um blogue onde se tenta vender a quem quiser comprar ideias como "a quase hegemonia da esquerda e um peso completamente desproporcional da extrema esquerda nos media e na opinião publicada.")
Há ainda uma secção, “A Minha Web”, onde uma figura conhecida vem relatar-nos as páginas da rede que costuma frequentar. Esta semana o escolhido foi um jovem escritor e (esporádico) ex-companheiro de blogue meu, o José Luís Peixoto. Pelos vistos o exclusivo Insurgente no Dia D esgota-se na opinião...
2006/08/06
O meu amigo Artur
Este rapaz é um geniozinho, como podem ver por ser orador convidado do mais importante simpósio internacional de Física Matemática. Mesmo ao lado nem mais nem menos do que o Ed Witten (consultem o horário), que é só o físico mais citado de sempre e mais influente da actualidade. E é meu amigo - uma grande honra para mim - como podem ver se consultarem a página dele. E companheiro de jantaradas sempre muito bem regadas. Enquanto ele não ganha a medalha Fields, espero que hoje ele acrescente mais uma foto na página dele. A discutir com o Witten. Sempre de copo de vinho na mão, claro.
2006/08/04
As emoções e as decisões irracionais
Já aqui tinha referido que só era capaz de me aborrecer com pessoas de quem gostasse. Não só de me aborrecer: por vezes perder as estribeiras e mesmo ter atitudes irracionais. Parece que agora essa minha conclusão foi confirmada num estudo científico. Nada de muito surpreendente, não é? O que ainda assim me distingue é que eu vou ainda mais longe: a minha definição de “pessoas de quem gosto” é mesmo “pessoas com quem sou capaz de tomar atitudes irracionais”.
2006/08/03
Aspirina comenta
Recentemente o Aspirina B introduziu um sistema de selecção de comentários: só aparecem no blogue os comentários que são previamente aprovados pelos autores do mesmo. Não tenho nada contra o procedimento por princípio; realmente andava admirado pela ausência da Brigada Bigornas e, especialmente nestes tempos de crise no Médio Oriente, do Euroliberal. A única dúvida que me resta é a seguinte: será que eles aceitam comentários do Luís Rainha e dos seus heterónimos?
Adenda: parece que o sistema de selecção de comentários era temporário e alheio à vontade dos autores do Aspirina B - os RIAPAS voltaram e em força... Mas a pergunta pode manter-se, mesmo se baseada numa suposição.
Adenda: parece que o sistema de selecção de comentários era temporário e alheio à vontade dos autores do Aspirina B - os RIAPAS voltaram e em força... Mas a pergunta pode manter-se, mesmo se baseada numa suposição.
2006/08/01
I want my MTV
E porque o tema é Dire Straits, e porque a MTV faz hoje 25 anos, fica aqui um vídeo histórico. Money for nothing and chicks for free. Grande vídeo. Grande música.
Clareza buarqueana
Bastou um pequeno texto, aliás uma pequena frase no fim, para a Ana Sá Lopes clarificar a posição da Fernanda Câncio. Obrigado, Ana. Que pena eu tenho por ter perdido o Francis no outro dia, mas não estava em Lisboa. Já tem bilhetes para o Coliseu, em Novembro?
Quanto aos Dire Straits, a minha explicação sobre a minha posição seria tão clara como uma explicação da Fernanda Câncio. Assim cheia de "mas"... Mas defendo claramente que o Mark Knopfler é um dos melhores guitarristas de sempre. Gosto de ouvir o Alchemy enquanto estou a guiar.
Quanto aos Dire Straits, a minha explicação sobre a minha posição seria tão clara como uma explicação da Fernanda Câncio. Assim cheia de "mas"... Mas defendo claramente que o Mark Knopfler é um dos melhores guitarristas de sempre. Gosto de ouvir o Alchemy enquanto estou a guiar.
2006/07/31
De volta a Lisboa
...e com uma conclusão nova. Eu sou suspeito, pois tive a sorte de viver nas duas, mas eu julgava que só existiam duas cidades dignas desse nome no mundo: Nova Iorque e Paris. Durante esta semana que passou, descobri que existe uma outra: Berlim. O resto vai ser documentado aqui, gradualmente e com calma.
2006/07/28
De Berlim, sem acentos
...e sem muito tempo para escrever. So quero chamar a atencao para dois textos indisoensaveis no Agreste Avena (Einstein, esse grande anti-semita)e no Esquerda Republicana/Diario Ateista (Israel nao e um estado laico).
2006/07/27
Física em Berlim
Uma adaptação deste texto foi publicada na edição de terça-feira do Público.
Começou ontem o 11º Encontro Marcel Grossmann na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha. Estes encontros, organizados pelo Centro Internacional de Astrofísica Relativista (ICRA) desde 1975, têm como objectivo a discussão e apresentação dos mais recentes desenvolvimentos em Relatividade Geral Teórica e Experimental, Gravitação e Teoria de Campo Relativista, facilitando a comunicação entre cientistas. A presente edição conta com cerca de 950 participantes de todo o mundo.
Dentro das principais palestras encontram-se tópicos que têm tido desenvolvimentos recentes notáveis como a relação entre a Cosmologia e as Teorias de Supercordas, as Supercordas Cósmicas, o Buraco Negro no Centro da Nossa Galáxia. Serão também apresentadas as futuras grandes experiências internacionais em Astronomia e Astrofísica, como os detectores de ondas gravitacionais por interferometria laser LIGO (na Califórnia) e VIRGO (na Itália), a Antena Espacial por Interferometria Laser LISA e o observatório de neutrinos de alta energia de um quilómetro cúbico de volume IceCube, a instalar nas profundidades do gelo da Antárctida.
No decorrer do encontro, que terá a duração de uma semana, são ainda atribuídos os prémios Marcel Grossmann por parte do ICRA. Este ano os galardoados são o físico teórico Roy Kerr e os astrofísicos George Coyne e Joachim Trumper. Roy Kerr, da Universidade de Canterbury na Nova Zelândia, foi premiado "pela sua contribuição fundamental para a teoria de Einstein da Relatividade Geral". Kerr descobriu uma solução das equações de Einstein que modela o campo gravitacional criado por um corpo com massa e em rotação, generalizando o trabalho anterior de Schwarzschild, somente para corpos que não rodavam. A solução de Kerr pode também ser aplicada à descrição de buracos negros, algo necessário visto que estes objectos são em geral criados a partir do colapso de estrelas que também rodam.
George Coyne, Director do Obstervatório do Vaticano situado na Universidade de Tucson, no estado americano do Arizona, foi premiado "pelo seu apoio e dedicação ao desenvolvimento internacional da Astrofísica Relativista, e pelo seu estímulo a uma relação esclarecida entre a ciência e a religião".
Joachim Trumper, antigo director do Instituto Max Planck de Vida Extraterrestre, em Garching, na Alemanha, recebeu o prémio "pelas suas excepcionais contribuições para a física dos objectos astrofísicos compactos e pela sua liderança da muito bem sucedida missão ROSAT, que descobriu mais de 200 000 fontes de raios X galácticas e extra-galácticas, um grande passo nas capacidades observacionais da astronomia de raios X e no conhecimento do Universo".
O encontro tem o nome de Marcel Grossmann em homenagem ao distinto matemático suíço, colega de Universidade e grande amigo de Albert Einstein. Foi através do pai de Grossmann que Einstein arranjou o seu emprego numa repartição de patentes em Berna, por volta de 1905, altura em que formulou a relatividade restrita, o efeito fotoeléctrico e o movimento browniano. Grossmann entrara como assistente na Universidade em Zurique, algo que Einstein não conseguira. Seria Grossmann a ensinar a Einstein alguns dos aspectos de cálculo tensorial que se revelariam decisivos na formulação da relatividade geral, tendo ambos colaborado em alguns artigos preliminares. Mas o grande público terá sobretudo ouvido falar de Grossmann como o colega de Einstein que lhe facultava os apontamentos das aulas a que este sistematicamente faltava...
Começou ontem o 11º Encontro Marcel Grossmann na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha. Estes encontros, organizados pelo Centro Internacional de Astrofísica Relativista (ICRA) desde 1975, têm como objectivo a discussão e apresentação dos mais recentes desenvolvimentos em Relatividade Geral Teórica e Experimental, Gravitação e Teoria de Campo Relativista, facilitando a comunicação entre cientistas. A presente edição conta com cerca de 950 participantes de todo o mundo.
Dentro das principais palestras encontram-se tópicos que têm tido desenvolvimentos recentes notáveis como a relação entre a Cosmologia e as Teorias de Supercordas, as Supercordas Cósmicas, o Buraco Negro no Centro da Nossa Galáxia. Serão também apresentadas as futuras grandes experiências internacionais em Astronomia e Astrofísica, como os detectores de ondas gravitacionais por interferometria laser LIGO (na Califórnia) e VIRGO (na Itália), a Antena Espacial por Interferometria Laser LISA e o observatório de neutrinos de alta energia de um quilómetro cúbico de volume IceCube, a instalar nas profundidades do gelo da Antárctida.
No decorrer do encontro, que terá a duração de uma semana, são ainda atribuídos os prémios Marcel Grossmann por parte do ICRA. Este ano os galardoados são o físico teórico Roy Kerr e os astrofísicos George Coyne e Joachim Trumper. Roy Kerr, da Universidade de Canterbury na Nova Zelândia, foi premiado "pela sua contribuição fundamental para a teoria de Einstein da Relatividade Geral". Kerr descobriu uma solução das equações de Einstein que modela o campo gravitacional criado por um corpo com massa e em rotação, generalizando o trabalho anterior de Schwarzschild, somente para corpos que não rodavam. A solução de Kerr pode também ser aplicada à descrição de buracos negros, algo necessário visto que estes objectos são em geral criados a partir do colapso de estrelas que também rodam.
George Coyne, Director do Obstervatório do Vaticano situado na Universidade de Tucson, no estado americano do Arizona, foi premiado "pelo seu apoio e dedicação ao desenvolvimento internacional da Astrofísica Relativista, e pelo seu estímulo a uma relação esclarecida entre a ciência e a religião".
Joachim Trumper, antigo director do Instituto Max Planck de Vida Extraterrestre, em Garching, na Alemanha, recebeu o prémio "pelas suas excepcionais contribuições para a física dos objectos astrofísicos compactos e pela sua liderança da muito bem sucedida missão ROSAT, que descobriu mais de 200 000 fontes de raios X galácticas e extra-galácticas, um grande passo nas capacidades observacionais da astronomia de raios X e no conhecimento do Universo".
O encontro tem o nome de Marcel Grossmann em homenagem ao distinto matemático suíço, colega de Universidade e grande amigo de Albert Einstein. Foi através do pai de Grossmann que Einstein arranjou o seu emprego numa repartição de patentes em Berna, por volta de 1905, altura em que formulou a relatividade restrita, o efeito fotoeléctrico e o movimento browniano. Grossmann entrara como assistente na Universidade em Zurique, algo que Einstein não conseguira. Seria Grossmann a ensinar a Einstein alguns dos aspectos de cálculo tensorial que se revelariam decisivos na formulação da relatividade geral, tendo ambos colaborado em alguns artigos preliminares. Mas o grande público terá sobretudo ouvido falar de Grossmann como o colega de Einstein que lhe facultava os apontamentos das aulas a que este sistematicamente faltava...
2006/07/23
Altura para uma pausa
Estou até hoje numa conferência no Porto. Para a semana estarei em Berlim, numa outra conferência, onde dou outro seminário. Mas a minha profissão neste momento, e durante este verão, é a de jornalista: estagiário na redacção do Público como jornalista científico. Esta minha nova ocupação tem-me deixado pouco tempo para fazer ciência (não para contar a dos outros). Neste momento é imperioso que eu use algum do meu tempo para fazer ciência. E para ir a conferências - ao menos isso. A próxima semana e meia vai ser agradável, mas as últimas três ou quatro foram duríssimas, e é provável que as seguintes voltem a ser. Além disso o ter que escrever todos os dias no jornal tira-me alguma da vontade de escrever por fora. E há o verão, a praia, e menos vontade para os blogues... Para os leitores há as férias; para mim não (quanto muito uma ou outra escapadela).
Serve isto para dizer que até meados de Setembro só vou escrever aqui esporadicamente, e não com a regularidade de desde que comecei o blogue. No outono voltarei ao ritmo normal. Até lá, bom verão para todos.
Serve isto para dizer que até meados de Setembro só vou escrever aqui esporadicamente, e não com a regularidade de desde que comecei o blogue. No outono voltarei ao ritmo normal. Até lá, bom verão para todos.
2006/07/22
Pegões? 1,59 euros! Côtes du Rhône? 1,99 euros!
Há aspectos na questão do preço do vinho nos restaurantes que, pela resposta do João Miranda, não ficaram claros.
Quando falo "na terra dele" (João Miranda), onde os vinhos nos restaurantes seriam muito mais baratos, refiro-me à cidade do Porto (onde eu presumo que ele vive), onde me encontro para a minha sempre muito agradável visita anual e de onde neste momento escrevo. E mais uma vez pude confirmar o que afirmei, e não é só com o vinho. A comida (e a bebida) nos restaurantes do Porto é muito mais caseira, muito menos turística, muito mais honesta, muito mais bem servida, muito mais barata do que em Lisboa. Aliás, é assim por todo o país, excepção feita ao Algarve e à Área Metropolitana de Lisboa. Nestas regiões é cada vez mais difícil encontrar um restaurante com as características que eu referi. Isso é particularmente sensível nos preços do vinho, que constituem uma autêntica exploração. Como pode um consumidor contrariar esta "tendência do mercado", pode o João explicar-nos? Apanhando o Intercidades e vindo jantar ao Porto?
Eu deveria recordar ao João que, mesmo nos mercados livres, a especulação não é permitida. E em Lisboa, com os vinhos nos restaurantes, é de especulação que se trata.
Talvez a melhor solução seria os restaurantes de Lisboa abandonarem o pedantismo de que eu falava no meu texto anterior. Mas algo teria que ser feito.
Sobretudo nunca, mas mesmo NUNCA, se considere o vinho como um artigo de luxo, como o João (que parece ser um agente ao serviço da Coca-Cola) faz na sua resposta. Nunca, em Portugal ou em qualquer país mediterrânico!
Quanto às consequências da imposição de um limite superior do preço dos vinhos nos restaurantes, o João Miranda que considere a equação de Black-Scholes com a condição fronteira do limite da margem de lucro e impondo um cut-off no preço e que reporte a solução no Blasfémias. Depois conversamos.
Quando falo "na terra dele" (João Miranda), onde os vinhos nos restaurantes seriam muito mais baratos, refiro-me à cidade do Porto (onde eu presumo que ele vive), onde me encontro para a minha sempre muito agradável visita anual e de onde neste momento escrevo. E mais uma vez pude confirmar o que afirmei, e não é só com o vinho. A comida (e a bebida) nos restaurantes do Porto é muito mais caseira, muito menos turística, muito mais honesta, muito mais bem servida, muito mais barata do que em Lisboa. Aliás, é assim por todo o país, excepção feita ao Algarve e à Área Metropolitana de Lisboa. Nestas regiões é cada vez mais difícil encontrar um restaurante com as características que eu referi. Isso é particularmente sensível nos preços do vinho, que constituem uma autêntica exploração. Como pode um consumidor contrariar esta "tendência do mercado", pode o João explicar-nos? Apanhando o Intercidades e vindo jantar ao Porto?
Eu deveria recordar ao João que, mesmo nos mercados livres, a especulação não é permitida. E em Lisboa, com os vinhos nos restaurantes, é de especulação que se trata.
Talvez a melhor solução seria os restaurantes de Lisboa abandonarem o pedantismo de que eu falava no meu texto anterior. Mas algo teria que ser feito.
Sobretudo nunca, mas mesmo NUNCA, se considere o vinho como um artigo de luxo, como o João (que parece ser um agente ao serviço da Coca-Cola) faz na sua resposta. Nunca, em Portugal ou em qualquer país mediterrânico!
Quanto às consequências da imposição de um limite superior do preço dos vinhos nos restaurantes, o João Miranda que considere a equação de Black-Scholes com a condição fronteira do limite da margem de lucro e impondo um cut-off no preço e que reporte a solução no Blasfémias. Depois conversamos.
2006/07/21
Bastante oportuno

Zapatero demonstra assim mais uma vez ser o mais firme e determinado político europeu do momento. Quem deveria no entanto explicar a imagem acima são aqueles fãs de Zapatero pelas suas políticas fracturantes mas que no que diz respeito à invasão do Líbano e Gaza por Israel, e mesmo no conflito israelo-palestiniano, têm posições que considero pouco claras, como Fernanda Câncio.
2006/07/20
Deste proteccionismo sejamos proteccionistas!
O PS quer acabar com as exorbitantes margens de lucro dos restaurantes na venda de vinhos para consumo. Confesso que não esperava esta medida da parte de um governo que no momento tem elementos como Nuno Severiano Teixeira, responsável há cinco anos pela triste ideia do limite da taxa de alcoolemia nos condutores a 0.2 g de álcool por litro de sangue, quando em toda a Europa é 0.5 g/l. Da mesma forma, não conheço cidade em toda a Europa onde os vinhos sejam tão caros nos restaurantes como Lisboa, excepção feita às cidades do Reino Unido tão querido dos nossos neoconservadores. (Deixem-me portanto refazer a frase: não conheço cidade em toda a Europa civilizada...) É talvez por isso que o meu muito prezado e infalível João Miranda se atreve a contestar a medida: é que lá na terra dele os vinhos (e os restaurantes em geral) são muito mais baratos. (Desculpem lá, mas quem diz isto conhece de viagens no último ano restaurantes de França, Espanha, Bélgica, Holanda, Alemanha e Suíça.) A medida em si é profilática, embora a raiz do problema esteja mais num certo pedantismo lisboeta associado ao consumo de vinho (é raro em Lisboa o restaurante que sirva vinho a jarro, por exemplo). Mas nem por isso o João deixa de ter em teoria uma certa razão: tal medida pode levar, de acordo com as infalíveis leis do mercado, a que os empresários da restauração deixem de ter os vinhos mais baratos no menu. Para isso não há nada como ir contra as leis do mercado. É para isso mesmo que temos governos e Estado. Proponho por isso que, em acrescento à proposta anterior, pura e simplesmente se coloque um limite superior no preço do vinho nos restaurantes. E bebamos uns copos com o bom vinho português.
2006/07/19
Entre as ruínas, ninguém leva a melhor
«Importa dizer que, num conflito armado, o ataque a forças militares e a captura de soldados não podem ser equiparados a terrorismo ou a "tomada de reféns" (noções que só têm sentindo quando as vítimas sejam civis), como quer fazer crer o Governo israelita, seguido nessa linguagem, acriticamente, por muitos observadores coniventes ou desatentos. Israel ocupa ilegalmente, e pela força militar, os territórios de Gaza e da Cisjordânia, desde há quase 40 anos. A resistência dos palestinianos à ocupação é perfeitamente legítima e o ataque a objectivos militares e a forças militares ocupantes é um direito seu. Muitos dos que criticam a resistência palestiniana fariam o mesmo que eles, se colocados no seu lugar. Apodar de "terroristas" essas acções tem somente por objectivo confundir os conceitos e tentar deslegitimar a resistência palestiniana contra a infindável ocupação e opressão israelita.
É evidente que Israel pode responder militarmente aos ataques contra as suas forças militares, e ainda mais os que atinjam o seu território, desde que tenha por objectivo os responsáveis por eles. Mas não foi isso que sucedeu. Em resposta ao ataque do braço armado do Hamas, Israel resolveu lançar uma ofensiva-relâmpago contra a Faixa de Gaza, que aliás prossegue, atingindo primariamente objectivos exclusivamente civis (pontes, estradas e outras infra-estruturas) e matando pessoas ao acaso, numa orgia de violência que seria sempre desproporcionada, mesmo se fosse justificada, o que não era. Do mesmo modo, contra a segunda acção, a do Hezbolah, essa vinda do exterior, Telavive lançou-se indiscriminadamente sobre o Líbano, de novo sobre objectivos civis (estradas, pontes, o aeroporto civil de Beirute, portos, bairros urbanos, etc.,) e novamente com um saldo de numerosas vítimas inocentes.» (Vital Moreira, Público, 18-07-05)
É evidente que Israel pode responder militarmente aos ataques contra as suas forças militares, e ainda mais os que atinjam o seu território, desde que tenha por objectivo os responsáveis por eles. Mas não foi isso que sucedeu. Em resposta ao ataque do braço armado do Hamas, Israel resolveu lançar uma ofensiva-relâmpago contra a Faixa de Gaza, que aliás prossegue, atingindo primariamente objectivos exclusivamente civis (pontes, estradas e outras infra-estruturas) e matando pessoas ao acaso, numa orgia de violência que seria sempre desproporcionada, mesmo se fosse justificada, o que não era. Do mesmo modo, contra a segunda acção, a do Hezbolah, essa vinda do exterior, Telavive lançou-se indiscriminadamente sobre o Líbano, de novo sobre objectivos civis (estradas, pontes, o aeroporto civil de Beirute, portos, bairros urbanos, etc.,) e novamente com um saldo de numerosas vítimas inocentes.» (Vital Moreira, Público, 18-07-05)
2006/07/18
Leitura altamente recomendada
O seguinte artigo de Mário Vargas Llosa no El Pais, que eu encontrei no Franco Atirador mas reproduzo aqui na íntegra. Dedicado aos auto-intitulados "amigos de Israel", que é o que mais há pela blogosfera.
Israel y los matices
Illan Pappe, historiador revisionista israelí, procede de una familia de judíos alemanes de sólidas credenciales liberales, y él mismo fue educado dentro de esta corriente de pensamiento que defiende la sociedad abierta, el mercado, al individuo contra el Estado y opone al colectivismo -la definición del ciudadano por su pertenencia a una clase social, una raza, una cultura o una religión- la soberanía individual. Hace unos días le oí contar que, cuando empezó a tomar distancias contra el sionismo, doctrina que sustenta la creación y la naturaleza del Estado de Israel, pensó que su evolución política estaba dentro de la ortodoxia liberal y que cuestionar la ideología sionista era, además de otras cosas, dar una batalla contra el colectivismo. Pero no encontró en su país partido o movimiento político liberal donde encajaran sus ideas, pues la inmensa mayoría de los liberales israelíes eran sionistas. Esto lo fue acercando a quienes, por doctrina, eran sus naturales adversarios políticos, los comunistas, con quienes discrepaba en todo lo demás, pero coincidía en su posición crítica del sionismo. Y eso hace que desde entonces, se quejaba, los amantes de la simplificación y enemigos de los matices, lo cataloguen de "comunista".
La abolición de los matices facilita mucho las cosas a la hora de juzgar a un ser humano, analizar una situación política, un problema social, un hecho de cultura, y permite dar rienda suelta a las filias y a las fobias personales sin censuras y sin el menor remordimiento. Pero es, también, la mejor manera de reemplazar las ideas por los estereotipos, el conocimiento racional por la pasión y el instinto, y de malentender trágicamente el mundo en que vivimos. Hay ciertos conflictos que, por la violencia y los antagonismos que suscitan, conducen casi irresistiblemente a quienes los viven o siguen de cerca a liquidar los matices a fin de promover mejor sus tesis y, sobre todo, desbaratar las de sus adversarios.
Quiero ilustrar con un ejemplo personal lo que trato de decir. La Fundación Internacional para la Libertad organizó hace unos días, en Madrid, un encuentro entre intelectuales judíos y árabes, en el cual, en una de sus intervenciones, el periodista Gideon Levy, crítico severo del Gobierno de su país, dijo que él militaba contra la ocupación de Cisjordania porque no quería sentirse avergonzado de ser israelí. Yo, por mi parte, al clausurar el evento, parafraseando a Levy, dije que mis críticas a la política con los palestinos de los dos últimos gobiernos de ese país se debían a que tampoco quería sentirme avergonzado de ser amigo de Israel. Dos días después, el diario israelí Haaretz publicaba una crónica del propio Gideon Levy sobre el encuentro madrileño, bastante exacta, pero con un título que, al cambiar el matiz, me hacía decir algo que yo no había dicho: "Vargas Llosa tiene vergüenza de ser amigo de Israel".
El diario recibió 199 cartas de lectores israelíes indignados, que publicó en su blog. Las he ojeado con cierta estupefacción, pese a que ellas no hacen más que confirmar algo que, desde que empecé a pensar por mi propia cuenta en cuestiones políticas hace cuarenta años, ya sé de sobra: lo fácil que es tergiversar, caricaturizar o desacreditar a quien disiente, o parece disentir, de nuestras convicciones dogmáticas. Lo curioso es que casi todas las cartas me llaman "comunista", "ultra izquierdista", "castrista", "otro Saramago", "antisemita", y, una de ellas, la más imaginativa, se pregunta: "¿Qué se puede esperar de alguien que sube a los escenarios con la conocida actriz estalinista Aitana Sánchez Gijón y que escribe en EL PAÍS, el periódico más izquierdista de toda Europa?". Bueno, bueno. Mis vociferantes objetores no parecen sospechar siquiera que de lo que yo suelo ser acusado más bien, en España y en América Latina, es de neo-con, de ultra liberal, de pro americano y otras lindezas por el estilo por atacar a Fidel Castro, a Hugo Chávez y criticar con frecuencia el fariseísmo y el oportunismo de los intelectuales de izquierda.
En realidad, una de las cosas que soy, o, mejor dicho, trato de ser en la vida, es un leal amigo de Israel. Muchas veces he escrito que visitar ese país hace treinta y pico de años fue una de las experiencias más emocionantes que he tenido y que sigo creyendo que construir un país moderno, en medio del desierto, de lineamientos democráticos, con gentes provenientes de culturas, lenguas, costumbres tan distintas, y rodeado de enemigos, fue una gesta extraordinaria, de enorme idealismo y sacrificio, un modelo para los países como el mío, o los demás países latinoamericanos o africanos, que, con muchos más recursos que Israel, no consiguen todavía salir del subdesarrollo. Es verdad que Israel en el curso de su breve historia ha recibido mucha ayuda exterior. Pero ¿no la han recibido también muchos otros, que la han desaprovechado, derrochado o simplemente saqueado?
Para mí, el derecho a existir de Israel no se sustenta en la Biblia, ni en una historia que se interrumpió hace miles de años, sino en la gestación del Israel moderno por pioneros y refugiados que, luchando por la supervivencia, demostraron que no son las leyes de la historia las que hacen a los hombres, sino éstos, con su voluntad, su trabajo y sus sueños los que le marcan a aquélla unas pautas y una dirección. Ningún país existía allí, en esa miserable provincia del imperio otomano, cuando nació Israel, cuya existencia fue luego legitimada por las Naciones Unidas y el reconocimiento de la mayoría de países del mundo.
Ahora bien, para que Israel tenga un porvenir seguro y sea por fin un país "normal", aceptado por sus vecinos, debe encontrar un modo de coexistencia con los palestinos. Y contra esta coexistencia conspira esa ocupación de Cisjordania que se prolonga indefinidamente y que ha convertido a Israel en un país colonial, lo que ha crispado de manera indecible sus relaciones con los palestinos. Las condiciones en que éstos han vivido, en Gaza, y viven todavía dentro de los territorios ocupados, sobre todo en los campos de refugiados, son inaceptables, indignos de un país civilizado y democrático. Lo afirmo porque lo he visto con mis ojos. Los amigos de Israel tenemos la obligación de decirlo en alta voz y censurar a sus gobernantes por practicar en esos territorios una política de intimidación, de acoso y de asfixia que ofende las más elementales nociones de humanidad y de moral. Y, también, de condenar sus reacciones desproporcionadas a los actos terroristas, como la actual, que, a raíz del secuestro criminal de un soldado israelí por militantes palestinos, ha causado ya decenas de muertos civiles inocentes en Gaza y amenaza con resucitar la guerra con el Líbano.
Esto no significa, en modo alguno, justificar las acciones criminales de los terroristas de Hamás o la Jihad Islámica o de los otros grupúsculos armados que operan por la libre. Pero sí reconocer que detrás de estas acciones injustificables y crueles -las bombas de los suicidas, los ataques ciegos a la población civil, los secuestros, etcétera- hay un pueblo desesperado al que la desesperación empuja cada vez más a escuchar no la voz de los moderados y razonables sino la de los fanáticos y a creer, estúpidamente, que el fin del conflicto no está en la negociación sino en la punta del fusil o la mecha de la bomba.
La superioridad de Israel sobre sus enemigos en el Medio Oriente fue política y moral antes que la de sus cañones, sus aviones y su modernísimo Ejército. Pero, debido a su extraordinario poderío, algo que suele volver a los países arrogantes, la está perdiendo, y eso lleva a algunos de sus dirigentes, como creía Ariel Sharon, a pensar que la solución del conflicto con los palestinos puede ser un diktat, una fórmula unilateral impuesta por la fuerza. Eso es una ingenuidad que sólo prolongará indefinidamente el sufrimiento y la guerra en toda la región.
Mi amigo israelí David Mandel (¿o debo decir ahora ex amigo, ya que me he vendido a los palestinos?) me conmina en una carta abierta a que devuelva el premio Jerusalén que recibí en 1995. Se trata de un premio más bien simbólico, pero que a mí me llena de orgullo, y no voy a renunciar a él, porque, aunque David no pueda entenderlo, lo que yo hago y escribo sobre Israel no tiene otro objetivo que seguir siendo digno de esa hermosa distinción, que me fue concedida por mi compromiso con la democracia y la libertad. Para mí, mi adhesión a Israel es inseparable de aquel compromiso, como es el caso de tantos israelíes que, a la manera de Illan Pappe, Gideon Levy, Amira Hass o Meir Margalit, pero sin duda de manera más radical que yo, denuncian las políticas de su Gobierno con los palestinos y plantean alternativas.
Es verdad que ellos representan una minoría, ese matiz que los adoradores de verdades dogmáticas desprecian. Ni siquiera sé si yo estoy de acuerdo en todas las posiciones que ellos defienden. Probablemente, no. Creo, por ejemplo, que el sionismo tiene unas razones que no pueden descartarse de manera abstracta, prescindiendo de un contexto histórico preciso. Pero que ellos, y otros muchos como ellos, vayan contra la corriente y sean capaces de oponerse de manera tan resuelta a lo que les parecen políticas equivocadas, contraproducentes o brutales, y que puedan hacerlo sin ser perseguidos, encarcelados, o liquidados, como ocurriría -ay- entre casi todos los otros países de la región, es una de las realidades que todavía mantiene viva mi esperanza de que haya un cambio en Israel, y, otra vez, la negociación sea posible, y pueda llegarse a un acuerdo razonable que ponga fin a esa infinita hemorragia de dolor y de sangre.
El encuentro madrileño de judíos y árabes fue asimétrico, porque cerca de diez palestinos que habían aceptado nuestra invitación no pudieron venir, y porque algunos israelíes, como Amos Oz y David Grossman, cuyas voces queríamos escuchar, tampoco lo hicieron. Pero no fue inútil: una gota de agua en el desierto es mejor que ninguna. Hubo, por ejemplo, exposiciones magníficas y no del todo irreconciliables, de Shlomo Ben Ami y de Yasser Abed Rabbo, que participaron en las negociaciones de Camp David. Trataré de seguir convocando estos diálogos, invitando no sólo a quienes hablan por la mayoría, sino también por las pequeñas minorías, esos matices olvidables en los que, sin embargo, muy a menudo se agazapa la verdad.
Leituras recomendadas
Pedir Demais e Jerusalém e Sodoma, crónicas do Rui Tavares.
A sauna da democracia, pelo Pedro Mexia.
Paulinho e Gisberta, pelo João Miguel Tavares. Comecei a ler esta crónica e lembrei-me logo da Geni, do Chico Buarque. E não é que a crónica acaba mesmo com a Geni?
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