Há aspectos na questão do preço do vinho nos restaurantes que, pela resposta do João Miranda, não ficaram claros.
Quando falo "na terra dele" (João Miranda), onde os vinhos nos restaurantes seriam muito mais baratos, refiro-me à cidade do Porto (onde eu presumo que ele vive), onde me encontro para a minha sempre muito agradável visita anual e de onde neste momento escrevo. E mais uma vez pude confirmar o que afirmei, e não é só com o vinho. A comida (e a bebida) nos restaurantes do Porto é muito mais caseira, muito menos turística, muito mais honesta, muito mais bem servida, muito mais barata do que em Lisboa. Aliás, é assim por todo o país, excepção feita ao Algarve e à Área Metropolitana de Lisboa. Nestas regiões é cada vez mais difícil encontrar um restaurante com as características que eu referi. Isso é particularmente sensível nos preços do vinho, que constituem uma autêntica exploração. Como pode um consumidor contrariar esta "tendência do mercado", pode o João explicar-nos? Apanhando o Intercidades e vindo jantar ao Porto?
Eu deveria recordar ao João que, mesmo nos mercados livres, a especulação não é permitida. E em Lisboa, com os vinhos nos restaurantes, é de especulação que se trata.
Talvez a melhor solução seria os restaurantes de Lisboa abandonarem o pedantismo de que eu falava no meu texto anterior. Mas algo teria que ser feito.
Sobretudo nunca, mas mesmo NUNCA, se considere o vinho como um artigo de luxo, como o João (que parece ser um agente ao serviço da Coca-Cola) faz na sua resposta. Nunca, em Portugal ou em qualquer país mediterrânico!
Quanto às consequências da imposição de um limite superior do preço dos vinhos nos restaurantes, o João Miranda que considere a equação de Black-Scholes com a condição fronteira do limite da margem de lucro e impondo um cut-off no preço e que reporte a solução no Blasfémias. Depois conversamos.
2006/07/22
2006/07/21
Bastante oportuno

Zapatero demonstra assim mais uma vez ser o mais firme e determinado político europeu do momento. Quem deveria no entanto explicar a imagem acima são aqueles fãs de Zapatero pelas suas políticas fracturantes mas que no que diz respeito à invasão do Líbano e Gaza por Israel, e mesmo no conflito israelo-palestiniano, têm posições que considero pouco claras, como Fernanda Câncio.
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Médio Oriente
2006/07/20
Deste proteccionismo sejamos proteccionistas!
O PS quer acabar com as exorbitantes margens de lucro dos restaurantes na venda de vinhos para consumo. Confesso que não esperava esta medida da parte de um governo que no momento tem elementos como Nuno Severiano Teixeira, responsável há cinco anos pela triste ideia do limite da taxa de alcoolemia nos condutores a 0.2 g de álcool por litro de sangue, quando em toda a Europa é 0.5 g/l. Da mesma forma, não conheço cidade em toda a Europa onde os vinhos sejam tão caros nos restaurantes como Lisboa, excepção feita às cidades do Reino Unido tão querido dos nossos neoconservadores. (Deixem-me portanto refazer a frase: não conheço cidade em toda a Europa civilizada...) É talvez por isso que o meu muito prezado e infalível João Miranda se atreve a contestar a medida: é que lá na terra dele os vinhos (e os restaurantes em geral) são muito mais baratos. (Desculpem lá, mas quem diz isto conhece de viagens no último ano restaurantes de França, Espanha, Bélgica, Holanda, Alemanha e Suíça.) A medida em si é profilática, embora a raiz do problema esteja mais num certo pedantismo lisboeta associado ao consumo de vinho (é raro em Lisboa o restaurante que sirva vinho a jarro, por exemplo). Mas nem por isso o João deixa de ter em teoria uma certa razão: tal medida pode levar, de acordo com as infalíveis leis do mercado, a que os empresários da restauração deixem de ter os vinhos mais baratos no menu. Para isso não há nada como ir contra as leis do mercado. É para isso mesmo que temos governos e Estado. Proponho por isso que, em acrescento à proposta anterior, pura e simplesmente se coloque um limite superior no preço do vinho nos restaurantes. E bebamos uns copos com o bom vinho português.
2006/07/19
Entre as ruínas, ninguém leva a melhor
«Importa dizer que, num conflito armado, o ataque a forças militares e a captura de soldados não podem ser equiparados a terrorismo ou a "tomada de reféns" (noções que só têm sentindo quando as vítimas sejam civis), como quer fazer crer o Governo israelita, seguido nessa linguagem, acriticamente, por muitos observadores coniventes ou desatentos. Israel ocupa ilegalmente, e pela força militar, os territórios de Gaza e da Cisjordânia, desde há quase 40 anos. A resistência dos palestinianos à ocupação é perfeitamente legítima e o ataque a objectivos militares e a forças militares ocupantes é um direito seu. Muitos dos que criticam a resistência palestiniana fariam o mesmo que eles, se colocados no seu lugar. Apodar de "terroristas" essas acções tem somente por objectivo confundir os conceitos e tentar deslegitimar a resistência palestiniana contra a infindável ocupação e opressão israelita.
É evidente que Israel pode responder militarmente aos ataques contra as suas forças militares, e ainda mais os que atinjam o seu território, desde que tenha por objectivo os responsáveis por eles. Mas não foi isso que sucedeu. Em resposta ao ataque do braço armado do Hamas, Israel resolveu lançar uma ofensiva-relâmpago contra a Faixa de Gaza, que aliás prossegue, atingindo primariamente objectivos exclusivamente civis (pontes, estradas e outras infra-estruturas) e matando pessoas ao acaso, numa orgia de violência que seria sempre desproporcionada, mesmo se fosse justificada, o que não era. Do mesmo modo, contra a segunda acção, a do Hezbolah, essa vinda do exterior, Telavive lançou-se indiscriminadamente sobre o Líbano, de novo sobre objectivos civis (estradas, pontes, o aeroporto civil de Beirute, portos, bairros urbanos, etc.,) e novamente com um saldo de numerosas vítimas inocentes.» (Vital Moreira, Público, 18-07-05)
É evidente que Israel pode responder militarmente aos ataques contra as suas forças militares, e ainda mais os que atinjam o seu território, desde que tenha por objectivo os responsáveis por eles. Mas não foi isso que sucedeu. Em resposta ao ataque do braço armado do Hamas, Israel resolveu lançar uma ofensiva-relâmpago contra a Faixa de Gaza, que aliás prossegue, atingindo primariamente objectivos exclusivamente civis (pontes, estradas e outras infra-estruturas) e matando pessoas ao acaso, numa orgia de violência que seria sempre desproporcionada, mesmo se fosse justificada, o que não era. Do mesmo modo, contra a segunda acção, a do Hezbolah, essa vinda do exterior, Telavive lançou-se indiscriminadamente sobre o Líbano, de novo sobre objectivos civis (estradas, pontes, o aeroporto civil de Beirute, portos, bairros urbanos, etc.,) e novamente com um saldo de numerosas vítimas inocentes.» (Vital Moreira, Público, 18-07-05)
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Médio Oriente
2006/07/18
Leitura altamente recomendada
O seguinte artigo de Mário Vargas Llosa no El Pais, que eu encontrei no Franco Atirador mas reproduzo aqui na íntegra. Dedicado aos auto-intitulados "amigos de Israel", que é o que mais há pela blogosfera.
Israel y los matices
Illan Pappe, historiador revisionista israelí, procede de una familia de judíos alemanes de sólidas credenciales liberales, y él mismo fue educado dentro de esta corriente de pensamiento que defiende la sociedad abierta, el mercado, al individuo contra el Estado y opone al colectivismo -la definición del ciudadano por su pertenencia a una clase social, una raza, una cultura o una religión- la soberanía individual. Hace unos días le oí contar que, cuando empezó a tomar distancias contra el sionismo, doctrina que sustenta la creación y la naturaleza del Estado de Israel, pensó que su evolución política estaba dentro de la ortodoxia liberal y que cuestionar la ideología sionista era, además de otras cosas, dar una batalla contra el colectivismo. Pero no encontró en su país partido o movimiento político liberal donde encajaran sus ideas, pues la inmensa mayoría de los liberales israelíes eran sionistas. Esto lo fue acercando a quienes, por doctrina, eran sus naturales adversarios políticos, los comunistas, con quienes discrepaba en todo lo demás, pero coincidía en su posición crítica del sionismo. Y eso hace que desde entonces, se quejaba, los amantes de la simplificación y enemigos de los matices, lo cataloguen de "comunista".
La abolición de los matices facilita mucho las cosas a la hora de juzgar a un ser humano, analizar una situación política, un problema social, un hecho de cultura, y permite dar rienda suelta a las filias y a las fobias personales sin censuras y sin el menor remordimiento. Pero es, también, la mejor manera de reemplazar las ideas por los estereotipos, el conocimiento racional por la pasión y el instinto, y de malentender trágicamente el mundo en que vivimos. Hay ciertos conflictos que, por la violencia y los antagonismos que suscitan, conducen casi irresistiblemente a quienes los viven o siguen de cerca a liquidar los matices a fin de promover mejor sus tesis y, sobre todo, desbaratar las de sus adversarios.
Quiero ilustrar con un ejemplo personal lo que trato de decir. La Fundación Internacional para la Libertad organizó hace unos días, en Madrid, un encuentro entre intelectuales judíos y árabes, en el cual, en una de sus intervenciones, el periodista Gideon Levy, crítico severo del Gobierno de su país, dijo que él militaba contra la ocupación de Cisjordania porque no quería sentirse avergonzado de ser israelí. Yo, por mi parte, al clausurar el evento, parafraseando a Levy, dije que mis críticas a la política con los palestinos de los dos últimos gobiernos de ese país se debían a que tampoco quería sentirme avergonzado de ser amigo de Israel. Dos días después, el diario israelí Haaretz publicaba una crónica del propio Gideon Levy sobre el encuentro madrileño, bastante exacta, pero con un título que, al cambiar el matiz, me hacía decir algo que yo no había dicho: "Vargas Llosa tiene vergüenza de ser amigo de Israel".
El diario recibió 199 cartas de lectores israelíes indignados, que publicó en su blog. Las he ojeado con cierta estupefacción, pese a que ellas no hacen más que confirmar algo que, desde que empecé a pensar por mi propia cuenta en cuestiones políticas hace cuarenta años, ya sé de sobra: lo fácil que es tergiversar, caricaturizar o desacreditar a quien disiente, o parece disentir, de nuestras convicciones dogmáticas. Lo curioso es que casi todas las cartas me llaman "comunista", "ultra izquierdista", "castrista", "otro Saramago", "antisemita", y, una de ellas, la más imaginativa, se pregunta: "¿Qué se puede esperar de alguien que sube a los escenarios con la conocida actriz estalinista Aitana Sánchez Gijón y que escribe en EL PAÍS, el periódico más izquierdista de toda Europa?". Bueno, bueno. Mis vociferantes objetores no parecen sospechar siquiera que de lo que yo suelo ser acusado más bien, en España y en América Latina, es de neo-con, de ultra liberal, de pro americano y otras lindezas por el estilo por atacar a Fidel Castro, a Hugo Chávez y criticar con frecuencia el fariseísmo y el oportunismo de los intelectuales de izquierda.
En realidad, una de las cosas que soy, o, mejor dicho, trato de ser en la vida, es un leal amigo de Israel. Muchas veces he escrito que visitar ese país hace treinta y pico de años fue una de las experiencias más emocionantes que he tenido y que sigo creyendo que construir un país moderno, en medio del desierto, de lineamientos democráticos, con gentes provenientes de culturas, lenguas, costumbres tan distintas, y rodeado de enemigos, fue una gesta extraordinaria, de enorme idealismo y sacrificio, un modelo para los países como el mío, o los demás países latinoamericanos o africanos, que, con muchos más recursos que Israel, no consiguen todavía salir del subdesarrollo. Es verdad que Israel en el curso de su breve historia ha recibido mucha ayuda exterior. Pero ¿no la han recibido también muchos otros, que la han desaprovechado, derrochado o simplemente saqueado?
Para mí, el derecho a existir de Israel no se sustenta en la Biblia, ni en una historia que se interrumpió hace miles de años, sino en la gestación del Israel moderno por pioneros y refugiados que, luchando por la supervivencia, demostraron que no son las leyes de la historia las que hacen a los hombres, sino éstos, con su voluntad, su trabajo y sus sueños los que le marcan a aquélla unas pautas y una dirección. Ningún país existía allí, en esa miserable provincia del imperio otomano, cuando nació Israel, cuya existencia fue luego legitimada por las Naciones Unidas y el reconocimiento de la mayoría de países del mundo.
Ahora bien, para que Israel tenga un porvenir seguro y sea por fin un país "normal", aceptado por sus vecinos, debe encontrar un modo de coexistencia con los palestinos. Y contra esta coexistencia conspira esa ocupación de Cisjordania que se prolonga indefinidamente y que ha convertido a Israel en un país colonial, lo que ha crispado de manera indecible sus relaciones con los palestinos. Las condiciones en que éstos han vivido, en Gaza, y viven todavía dentro de los territorios ocupados, sobre todo en los campos de refugiados, son inaceptables, indignos de un país civilizado y democrático. Lo afirmo porque lo he visto con mis ojos. Los amigos de Israel tenemos la obligación de decirlo en alta voz y censurar a sus gobernantes por practicar en esos territorios una política de intimidación, de acoso y de asfixia que ofende las más elementales nociones de humanidad y de moral. Y, también, de condenar sus reacciones desproporcionadas a los actos terroristas, como la actual, que, a raíz del secuestro criminal de un soldado israelí por militantes palestinos, ha causado ya decenas de muertos civiles inocentes en Gaza y amenaza con resucitar la guerra con el Líbano.
Esto no significa, en modo alguno, justificar las acciones criminales de los terroristas de Hamás o la Jihad Islámica o de los otros grupúsculos armados que operan por la libre. Pero sí reconocer que detrás de estas acciones injustificables y crueles -las bombas de los suicidas, los ataques ciegos a la población civil, los secuestros, etcétera- hay un pueblo desesperado al que la desesperación empuja cada vez más a escuchar no la voz de los moderados y razonables sino la de los fanáticos y a creer, estúpidamente, que el fin del conflicto no está en la negociación sino en la punta del fusil o la mecha de la bomba.
La superioridad de Israel sobre sus enemigos en el Medio Oriente fue política y moral antes que la de sus cañones, sus aviones y su modernísimo Ejército. Pero, debido a su extraordinario poderío, algo que suele volver a los países arrogantes, la está perdiendo, y eso lleva a algunos de sus dirigentes, como creía Ariel Sharon, a pensar que la solución del conflicto con los palestinos puede ser un diktat, una fórmula unilateral impuesta por la fuerza. Eso es una ingenuidad que sólo prolongará indefinidamente el sufrimiento y la guerra en toda la región.
Mi amigo israelí David Mandel (¿o debo decir ahora ex amigo, ya que me he vendido a los palestinos?) me conmina en una carta abierta a que devuelva el premio Jerusalén que recibí en 1995. Se trata de un premio más bien simbólico, pero que a mí me llena de orgullo, y no voy a renunciar a él, porque, aunque David no pueda entenderlo, lo que yo hago y escribo sobre Israel no tiene otro objetivo que seguir siendo digno de esa hermosa distinción, que me fue concedida por mi compromiso con la democracia y la libertad. Para mí, mi adhesión a Israel es inseparable de aquel compromiso, como es el caso de tantos israelíes que, a la manera de Illan Pappe, Gideon Levy, Amira Hass o Meir Margalit, pero sin duda de manera más radical que yo, denuncian las políticas de su Gobierno con los palestinos y plantean alternativas.
Es verdad que ellos representan una minoría, ese matiz que los adoradores de verdades dogmáticas desprecian. Ni siquiera sé si yo estoy de acuerdo en todas las posiciones que ellos defienden. Probablemente, no. Creo, por ejemplo, que el sionismo tiene unas razones que no pueden descartarse de manera abstracta, prescindiendo de un contexto histórico preciso. Pero que ellos, y otros muchos como ellos, vayan contra la corriente y sean capaces de oponerse de manera tan resuelta a lo que les parecen políticas equivocadas, contraproducentes o brutales, y que puedan hacerlo sin ser perseguidos, encarcelados, o liquidados, como ocurriría -ay- entre casi todos los otros países de la región, es una de las realidades que todavía mantiene viva mi esperanza de que haya un cambio en Israel, y, otra vez, la negociación sea posible, y pueda llegarse a un acuerdo razonable que ponga fin a esa infinita hemorragia de dolor y de sangre.
El encuentro madrileño de judíos y árabes fue asimétrico, porque cerca de diez palestinos que habían aceptado nuestra invitación no pudieron venir, y porque algunos israelíes, como Amos Oz y David Grossman, cuyas voces queríamos escuchar, tampoco lo hicieron. Pero no fue inútil: una gota de agua en el desierto es mejor que ninguna. Hubo, por ejemplo, exposiciones magníficas y no del todo irreconciliables, de Shlomo Ben Ami y de Yasser Abed Rabbo, que participaron en las negociaciones de Camp David. Trataré de seguir convocando estos diálogos, invitando no sólo a quienes hablan por la mayoría, sino también por las pequeñas minorías, esos matices olvidables en los que, sin embargo, muy a menudo se agazapa la verdad.
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Leituras recomendadas
Pedir Demais e Jerusalém e Sodoma, crónicas do Rui Tavares.
A sauna da democracia, pelo Pedro Mexia.
Paulinho e Gisberta, pelo João Miguel Tavares. Comecei a ler esta crónica e lembrei-me logo da Geni, do Chico Buarque. E não é que a crónica acaba mesmo com a Geni?
A sauna da democracia, pelo Pedro Mexia.
Paulinho e Gisberta, pelo João Miguel Tavares. Comecei a ler esta crónica e lembrei-me logo da Geni, do Chico Buarque. E não é que a crónica acaba mesmo com a Geni?
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Jornais
2006/07/17
Para encerrar o Mundial
A prestação da equipa portuguesa e do seu treinador calam muitas bocas, como a de Miguel Sousa Tavares. Mas nem era esse aspecto, já muito discutido, que eu venho aqui abordar. É mesmo a grande festa que constituiu (e constitui sempre) o Mundial, principalmente para os países que nele participam. Eu fico feliz por ter amigos de muitas nacionalidades, australianos, mexicanos, italianos, alemães, brasileiros, espanhóis, argentinos, holandeses e franceses, claro, e verificar como todos eles comungam do mesmo entusiasmo por este torneio (menos os americanos...). Este campeonato é uma ocasião única para pôr a jogar entre si países de localizações muito diferentes, é o maior evento de massas à escala mundial e, por isso, eu não lamento nada o grande número de jogos ao princípio. Pelo contrário. E acho que preferir a sardinha assada aos jogos do Mundial é uma opinião respeitável (embora para quem diz que gosta de futebol revele um grande provincianismo), mas quem tem essa preferência poderia abster-se de emitir opiniões... sobre o Mundial. Até porque Miguel Sousa Tavares teve de engolir grande parte das opiniões que emitiu sobre o assunto.
É tudo. Daqui a quatro anos há mais.
É tudo. Daqui a quatro anos há mais.
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Futebol
2006/07/16
Leiden e Delft
DelftNa passagem dos 400 anos de Rembrandt lembrei-me de Leiden, a sua cidade natal. E de Delft.
Leiden e Delft são antigas como Amesterdão mas bem mais pequenas, pelo que não são repetitivas. São bem holandesas e estão muito bem preservadas. E têm monumentos para oferecer ao turista; não somente lojas de sexo, coffee shops e prostituição. Amesterdão também tem mais do que isso, mas essa é a imagem que se sobrepõe. E é a imagem do tipo de turista que vai à Holanda e se fica por Amesterdão, ao contrário do que se dá ao trabalho de ir a Leiden ou Delft.
Leiden
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Viagens
2006/07/15
Por onde eu tenho andado
Blogosfericamente? Por aqui, na área dos comentários. Agora que a minha profissão é escrever a minha chefe não pode ver isto: se vê, acha um desperdício de caracteres, que eu deveria usar no jornal.
Por que é que eu chamo a atenção para isto? É a resolução de uma questão antiga, de facto, de que se inteirarão se se derem ao trabalho de ler os meus comentários, mas nem é por isso. É porque lá são-me dedicadas estas palavras:
Sempre que me dedicam elogios destes eu derreto-me todo. Eu devo ser mesmo muito carente. Obrigado, Bomba.
Por que é que eu chamo a atenção para isto? É a resolução de uma questão antiga, de facto, de que se inteirarão se se derem ao trabalho de ler os meus comentários, mas nem é por isso. É porque lá são-me dedicadas estas palavras:
Mas admiro-te e sempre gostei da tua naturalidade, por vezes a roçar a inocência do homem que gosta de conversar com toda a gente sobre política, ciência e o mais que por ai há a granel (a área do teu interesse é enorme), pouco importando se os teus interlocutores gostam ou não do Mário Soares.
Sempre que me dedicam elogios destes eu derreto-me todo. Eu devo ser mesmo muito carente. Obrigado, Bomba.
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Pessoal
2006/07/14
Viciado em Su Doku
Eu poderia fazer uma sondagem oficial, daquelas à Nelson, mas nem para isso tenho tempo. Segue assim uma questão simples aos leitores (respondam nos comentários): na última página do Público de hoje, qual é o artigo mais interessante?
a) Um artigo de um tal de Filipe Moura sobre o crescimento preocupante da população de alforrecas em zonas onde a pesca é intensiva?
b) A crónica do Vasco Pulido Valente, mesmo ao lado?
c) O Calvin?
d) O Su Doku?
Eu voto na alínea d). Experimentei esta semana pela primeira vez e agora não quero outra coisa.
a) Um artigo de um tal de Filipe Moura sobre o crescimento preocupante da população de alforrecas em zonas onde a pesca é intensiva?
b) A crónica do Vasco Pulido Valente, mesmo ao lado?
c) O Calvin?
d) O Su Doku?
Eu voto na alínea d). Experimentei esta semana pela primeira vez e agora não quero outra coisa.
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Pessoal
2006/07/13
Ainda sobre o Zidane
Só queria acrescentar que em geral me irritam sempre estes julgamentos em praça pública típicos da imprensa sensacionalista britânica. Já fui vítima dos mesmos na blogosfera e creio que associado a eles existe sempre alguma hipocrisia à mistura.
Sobre o Zidane propriamente dito, não tenho nada a acrescentar ao que foi escrito na Agreste Avena. A não ser talvez que algo que joga em desfavor do Materazzi é ser filho do pior treinador que eu alguma vez me lembro de ter visto no Sporting. Mas passem por lá e leiam.
Sobre o Zidane propriamente dito, não tenho nada a acrescentar ao que foi escrito na Agreste Avena. A não ser talvez que algo que joga em desfavor do Materazzi é ser filho do pior treinador que eu alguma vez me lembro de ter visto no Sporting. Mas passem por lá e leiam.
A liberdade dos israelitas está em perigo!
Desde a semana passada tropas israelitas invadiram a faixa de Gaza, com o objectivo de libertarem um soldado raptado por radicais palestinianos. O resultado: 21 mortos. Para tentar libertar um soldado.
Já esta semana o Hezbollah resolveu atacar posições israelitas, tendo raptado e feito reféns mais dois soldados israelitas e morto outros oito. O resultado não se fez esperar, mas é verdadeiramente preocupante para os defensores da liberdade: só 35 mortos resultaram dos raides aéreos de Israel no sul do Líbano! Pelo resultado da semana passada seria de esperar, só considerando os soldados raptados, no mínimo 42 mortos. Isto sem contar com os oito soldados israelitas mortos! Como foram só 35 os mortos palestinianos, para tentar libertar dois soldados e vingar outros oito, daqui se conclui que a cotação da liberdade dos israelitas está em queda. A liberdade do autoproclamado "povo eleito" está em risco! Chamem a Ann Coulter.
Já esta semana o Hezbollah resolveu atacar posições israelitas, tendo raptado e feito reféns mais dois soldados israelitas e morto outros oito. O resultado não se fez esperar, mas é verdadeiramente preocupante para os defensores da liberdade: só 35 mortos resultaram dos raides aéreos de Israel no sul do Líbano! Pelo resultado da semana passada seria de esperar, só considerando os soldados raptados, no mínimo 42 mortos. Isto sem contar com os oito soldados israelitas mortos! Como foram só 35 os mortos palestinianos, para tentar libertar dois soldados e vingar outros oito, daqui se conclui que a cotação da liberdade dos israelitas está em queda. A liberdade do autoproclamado "povo eleito" está em risco! Chamem a Ann Coulter.
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Médio Oriente
2006/07/12
Zidane o maior
Tenho lido muitas críticas, inclusive um editorial por parte de um superior hierárquico meu no jornal onde neste momento estagio, à atribuição do título de melhor jogador do Mundial a Zinedine Zidane.Vamos ver as coisas como elas são. Antes da lamentável agressão (qualquer que seja o seu fundamento) com que se despediu do torneio e do futebol, era mais ou menos pacífico que o melhor jogador até então tinha sido Zidane (que regressara aos seus melhores tempos). Se não tivesse visto aquele cartão vermelho a dez minutos do fim, nenhuma opinião teria mudado. Então por que haveria de mudar só por causa de um cartão vermelho, algo que também sucede aos melhores? Dito de outra forma: será o fair play assim tão determinante para um bom jogador de futebol, de forma a ser preponderante na atribuição de um prémio que deve premiar o talento?
E por favor não venham comparar com as simulações dos jogadores portugueses. As simulações dos jogadores portugueses são um comportamento desleal e que não é, em geral, punido durante o jogo. O comportamento do Zidane, embora reprovável, não é dissimulado – foi à vista de toda a gente, toda a gente viu, foi em frente à televisão, assim como a agressão do Sá Pinto ao Artur Jorge há nove anos, só para comparar com outro jogador que jogava à bola e que de fiteiro não tinha nada. O Zidane e o Sá Pinto erraram e foram punidos por isso. Agora no caso do Zidane por que raio é que um acto irreflectido (e pouco frequente nele, e que deixou toda a gente de boca aberta) haveria de se repercutir num prémio ao seu talento futebolístico?
Tal tipo de opinião parece-me muito português. Em Portugal dá-se um valor excessivo à simpatia. Não importa se o professor é muito competente, se o médico é muito competente: se não forem simpáticos, não prestam. Não importa se a comida no restaurante não tem grande qualidade, se é cara ou se o serviço é mau: se o empregado for simpático e sorridente, perdoamos tudo. Quarenta e tal anos de ditadura e séculos de subserviência deram nisto: somos o país das carinhas larocas. Nada disto me espanta. O que me espanta é que agora até parece que a FIFA está a ir na conversa. Por pressão mediática. Por correcção política. Por querer parecer bem.
Para mim, o Zidane foi o melhor jogador do torneio.
Imagem roubada ao Kontratempos.
2006/07/11
Sem tatuagens, sem bandelette, sem cabelo

«A Inglaterra caiu pela quinta vez consecutiva num desempate por penalties, depois de confirmar que toda a sua arrogância era puro marketing— como tantas coisas outras entre as vedetas inglesas e as suas insuportáveis wags. Restaram, pois (alguém tinha de restar...), a Alemanha, após um jogo mortal de chatice contra a Argentina, e a Itália, em mais uma exemplar demonstração de cinismo. E a França, essa sim, a excepção à regra geral e ao que até aí tinha feito. Em minha opinião, a França fez contra o Brasil o melhor jogo de um candidato ao título que eu vi neste Mundial. Pouco importa se foi uma ressurreição fugaz (mas já ensaiada contra a Espanha) ou um assomo de categoria e orgulho ferido de uma Selecção a quem já haviam feito o obituário. O que sei é que— e muito embora, o meu coração, como o de quase todos os portugueses torcesse pelo Brasil— não tardei a mudar de campo, assim que comecei a ver a displicência estéril do futebol brasileiro face à vontade e superior categoria dos franceses. Ronaldinho estreava a sua nova bandelette e havia, nos meninos de ouro do Brasil, muita preocupação com os penteados, a amarração dos cabelos, as tatuagens e a cor das botas— toda essa parafernália de acessórios que caracteriza as vedetas futebolísticas de hoje. E foi então que, lá do Purgatório onde o imaginavam em definitivo repouso, emergiu Zinedine Zidane— sem tatuagens, nem bandelette, nem sequer cabelo— para assinar com caneta de ouro o livro de memórias que ficará deste Mundial e resgatar, mesmo antes de dizer adeus aos estádios, a honra e o fascínio do futebol.»
Miguel Sousa Tavares, A Bola
2006/07/10
Triste despedida
...para o melhor jogador do Mundial.

E parabéns aos italianos, que ganharam bem. Foi bom ver alguém ganhar à França, mesmo se a França voltou a beneficiar de um penalti fantasma.

E parabéns aos italianos, que ganharam bem. Foi bom ver alguém ganhar à França, mesmo se a França voltou a beneficiar de um penalti fantasma.
O novo Sá Pinto

Ninguém conhecia este discreto jogador do Marselha (mas que na verdade vem de Boulogne-Sur-Mer na Picardia). Pela discrição, pela humildade (e pela fotografia) parece mais o Pauleta... Mas é combativo e corre que se farta. Está em todo o lado. Para mim era o maior símbolo e a melhor imagem da equipa lutadora que foi a França deste Mundial. Ontem, admito que estava a torcer por ele. Foi substituído ingloriamente (como o Henry), porque o seleccionador francês não quis logicamente tirar o Zidane. Depois foi o que se viu.
2006/07/09
2006/07/08
Obrigado Filipão!
Graças ao Nelson aqui vai o vídeo com a interpretação das palavras de Scolari durante o jogo. E aqui vai o meu obrigado ao sargentão. Pode ter uma reputação de duro, mas este vídeo vai contribuir para que seja visto de outra maneira. Mostra o seu lado humano. E antes um treinador que diz permanentemente Ai minha Virgem Maria do que um (como António Oliveira) de cuja boca só saem (literalmente) caralhadas.
Boa sorte, Scolari, Cristiano Ronaldo, Figo, Pauleta e companhia.
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Futebol
Falta de tempo
Entre a escrita quotidiana (por razões profissionais), as conferências a preparar (escrever os dois seminários sobre temas diferentes, reservar passagem de avião e alojamento), o projecto a submeter, os seminários a assistir e (neste momento é mesmo nas horas vagas) a investigação a fazer, nem tenho tido tempo para o blogue. Melhor (e ainda bem, por um lado): nem tenho tido tempo para pensar que não tenho tido tempo para o blogue...
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2006/07/06
Déjà-vu

Um email escrito aos amigos:
L’histoire de la participation du Portugal à cette Coupe du Monde est bien connue. C’est le sommaire de l’histoire récente du foot portugais. On a gagné aux Pays-Bas sans une grande difficulté. On a éliminé les anglais dans les penalties, et une autre fois le gardien de but Ricardo était l’héros. Finalement, dans la semi-finale, nous étayons éliminés par les français avec un penalty très douteux (inexistant, je dirais), converti par Zidane. Toujours la même histoire (il faut encore trouver pourquoi). Je devrais déjà connaître ça... Nous sommes connus comme «les plongeurs», mais hier Henry a démontré qu’il même sait bien comment faire ça. C’est dur, avoir la réputation d’être «les dissimulateurs» et finalement voir ça. Ici tout le monde croit que le penalty ne serait pas signalé s’il était contre la France.
J’ai rappelé les statistiques toujours contre les hollandais et les anglais, mais la statistique joue toujours contre nous avec les français. La statistique ne faille pas… jusqu’un jour!
Maintenant j’espère que la statistique fonctionne une autre fois avec les italiens, et vous, les français, serez les vainqueurs. Vous avez éliminé les espagnols, les brésiliens et les portugais. Vous méritez. Bonne chance!
Salut de Lisbonne.
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2006/07/05
La fábrica lisboeta
Extracto de um artigo do El País de hoje:
El responsable de la cantera del Sporting explica la filosofía del club,del que proceden 9 de los 23 jugadores de Portugal"Figo llegó aquí a los 12 años: era frágil, débil, pequeñito; muy responsable y equilibrado. Cristiano Ronaldo vino a los 11: era alto y delgado, más vivaz y extravertido pese a ser originario de Madeira, donde los chicos son más introvertidos". Así eran de niños las dos principales figuras de Portugal. O así los recuerda Aurelio Pereira, responsable de la cantera del Sporting de Lisboa, de donde proceden 9 de los 23 elegidos por la selección de Luiz Felipe Scolari, es decir, casi la mitad. "Con Figo hubo que trabajar poco, sin sobresaltos, porque siempre fue muy maduro. Con Cristiano, al tratarse más de un niño de la calle, tuvimos que ofrecerle un acompañamiento mental", dice este entrenador de 58 años que ha pasado 35 en el club lisboeta.
Desde hace cuatro años, el Sporting presume de unas instalaciones a la última en el barrio de Vasco da Gama, a las afueras de Lisboa. Dispone de siete campos de entrenamiento y acoge a 50 chavales residentes de fuera de la capital y a otros 130 de Lisboa o alrededores. "El Sporting siempre tuvo vocación formadora. Toda la vida. Y la construcción de una academia mejoró las condiciones de trabajo". A Pereira le sorprendió el estirón que dio Figo a los 14 años. "Nosotros no metemos nunca a los niños en los gimnasios. Es importantísimo dejarlos crecer con naturalidad. Ese es uno de los secretos para que todos nuestros jugadores desarrollen carreras muy largas. No conozco a ningún jugador con un rendimiento tan estable como Figo", sostiene Pereira, orgulloso de que todos los capitanes de las distintas selecciones lusas provengan del Sporting. "Empezando por Figo en la absoluta, los capitanes de la sub 16, sub 17 y la sub 21 con Quaresma". Eso es debido, según Pereira, a la educación que reciben en la academia sportinguista. "Lo primero es que los niños tengan calidad. Primamos la técnica y la velocidad. Y lo acompañamos con un trabajo mental".
En este sentido, Pereira se siente especialmente satisfecho del penalti que le marcó Cristiano Ronaldo a Inglaterra en el último lanzamiento de la tanda desde los 11 metros. "A los 17 años, Cristiano jugó muy bien contra el Inter. Los periodistas le preguntaron si estaba contento y el respondió que no, que no había hecho nada. Estamos hablando de un chico de 21 años que a los 18 años fichó por el Manchester. Esa es una de las claves. Exportamos jugadores muy jóvenes a Europa y con una gran calidad mental. Eso los hace grandes competidores". Pereira echa la vista atrás y se acuerda de otro futbolista notable amamantado en la escuela sportinguista: Paolo Futre. "Lo entrené cinco años. Era un niño rapidísimo que siempre iba directo hacia la portería. Si viera ahora entrar a otro Futre de 11 años por esa puerta...".
No hay un caso similar en ninguna de las grandes selecciones europeas. La fábrica sportinguista echa humo. Los otros siete jugadores de Scolari que pasaron por allí son Simao, Miguel, Hugo Viana, Paulo Santos, Caneira, Nuno Valente y Boa Morte. De todos ellos, la evolución que más le ha impresionado a Pereira es la del valencianista Miguel. "Aquí jugaba en el medio del campo, de organizador. Y, de repente, se transformó en lateral derecho en el Benfica".
"No me espantaría si Portugal gana la Copa del Mundo", concluye Pereira.
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Sporting
2006/07/04
O jogo falado de Portugal
Um grupo de surdos a trabalhar na TV Globo conseguiu ler os lábios e decifrar o que diz Scolari durante os jogos de Portugal. O resultado, hilariante, está aqui (via Corta-Fitas).
Há quatro anos, estava eu nos EUA e apesar de não ser surdo conseguia fazer o mesmo com o António Oliveira na Univision (televisão americana para hispânicos). As palavras do Oliveira, garanto-vos, não eram próprias para famílias.
Há quatro anos, estava eu nos EUA e apesar de não ser surdo conseguia fazer o mesmo com o António Oliveira na Univision (televisão americana para hispânicos). As palavras do Oliveira, garanto-vos, não eram próprias para famílias.
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Futebol
2006/07/03
Foram-se os inhos, fica o Lulinha

O meu texto anterior foi escrito a pensar que Portugal iria jogar com o Brasil – e então é que a superioridade moral seria toda perdida (se nos lembrarmos de quem é o presidente daquela república). A superioridade moral contra a França também não existe, e começa a existir uma forte superioridade moral da França contra os blogues portugueses que começam a apresentar entradas como esta, caídas do céu, sem que nada o justifique.
Mas o time dos inhos, o Robinho, o Ronaldinho Gaúcho, o Ronaldinho Gorducho e outros que tais foi bem eliminado pela França e foi para casa. Eu gosto muito de futebol quando é bem jogado, mas não tenho grande paciência para inhos. Gosto de lidar com gente adulta. Do Brasil eu gosto de novelas, samba e bossa nova. Do Chico e do Caetano. E do grande presidente: esse é que não vai para casa. Vai continuar a defender bem as cores do Brasil e da América Latina como o tem feito. Para o André, saudoso do time dos inhos, e que está evidentemente cheio de dorzinha de cotovelinho, eu dedico esta foto do Lulinha.
2006/07/02
Agora é a sério
Primeiro, Portugal jogou contra um regime ditatorial e corrupto. Depois, contra um regime fundamentalista liderado por um fanático. Concluiu-se a fase de grupos contra aquilo a que Mario Vargas Llosa chamou "a ditadura perfeita". Seguiram-se duas monarquias execráveis, passe o pleonasmo. Segue-se finalmente uma república. Profundamente desmoralizada e descredibilizada graças ao seu presidente e ao seu primeiro ministro. Mas uma república, e que república.
Acabou-se a superioridade moral.
Acabou-se a superioridade moral.
2006/07/01
Sob o signo do centenário
No Campo Grande, na Avenida da República, na Avenida Fontes Pereira de Melo, todos os adeptos portugueses seguiam as indicações dos cartazes da marcha "Sporting 100" (que se realizara de manhã, em direcção ao Estádio de Alvalade) enquanto celebravam a vitória da selecção.
Em pleno Marquês de Pombal, a concentração dava-se entre uma série de bandeiras do Sporting e da Fundação Carlos Lopes, que ornamentavam a praça.
Em pleno Marquês de Pombal, a concentração dava-se entre uma série de bandeiras do Sporting e da Fundação Carlos Lopes, que ornamentavam a praça.
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Sporting
Classe

E que dizer da calma com que Cristiano Ronaldo (convém recordar - também formado nas escolas do Sporting) marcou o último penalti, certamente seguro de que concretizaria? E a contrastar com o nervosismo patente nos seus colegas portugueses e ingleses? É aqui que se vê a diferença entre um bom jogador e um fora de série.
O maior

Além de tudo o resto, é do Sporting o maior guarda-redes a jogar com a camisola da selecção nacional.
Tão grande como os maiores da Europa

Ao longo dos seus 100 anos de existência, o Sporting contabiliza mais de 80 mil sócios, 5.900 atletas inscritos, 100 atletas olímpicos, nove medalhas olímpicas, 21 taças europeias conquistadas e mais de 13 mil títulos em todas as modalidades.
Mas acima de tudo o Sporting é um clube pioneiro. Pioneiro no eclectismo. Pioneiro nas claques organizadas. Pioneiro na organização desportiva (a primeira SAD). Pioneiro no estádio: o Euro 2004 só se realizou em Portugal porque outros clubes "não podiam ficar atrás" do Sporting, que decidira independentemente (e primeiro que todos) construir um estádio novo. Pioneiro na construção da academia de futebol.
Podemos não ser mais, mas somos aqueles que toda a gente quer imitar. Toda a gente quer ser como os sportinguistas. Todos os clubes querem ser como o Sporting.
Tenho o maior orgulho em ser do Sporting.
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Sporting
"Vou ter com meu avô, e ele me dará dinheiro para fundar um clube novo"

«O Sporting Clube de Portugal comemora o seu centenário em 2006 e até na forma séria como contabiliza a sua longevidade revela como é diferente. Alguns clubes contam a sua idade a partir de datas mais remotas, recorrendo à fundação de entidades que lhes deram origem; outros contam como válidos muitos anos de inactividade e de inexistência registados a seguir à data em que foi estabelecida a sua fundação.
É uma questão de critérios, que não são uniformes. Para ser mais «idoso», como outros se dizem, o Sporting poderia ter fixado como data da sua fundação a do Sport Club de Belas (1902) ou mesmo a do Campo Grande Sporting Club (1904), mas não o fez. Nesses dias de 1906 ficou traçado o caminho: futebol sim, mas ecletismo também, correspondendo à vocação atlética multidisciplinar de alguns dos seus fundadores.
Em 1907, D. Fernando de Castelo Branco (Pombeiro) autorizou que o leão rampante do seu brasão fosse utilizado no emblema do Sporting, desde que não fosse sobre fundo azul. «... Não de oiro armado de vermelho em campo azul, como nos Pombeiros, mas de prata armado em preto, em campo verde, como correspondia às límpidas, firmes e esperançadas intenções dos seus fundadores», recorda Jùlio de Araújo. O verde fora, de facto, sugerido pelo Visconde de Alvalade, simbolizando a sua esperança no novo clube.»
Mais aqui.
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Sporting
2006/06/30
O meu local preferido de Amesterdão

O Museumplein, onde são os Museus Rijks (o principal museu holandês, onde está o Nightwatch do Rembrandt) e van Gogh. É o único sítio que foge verdadeiramente à monotonia. É o único sítio com um mínimo de modernidade e arrojo arquitectónico (aquela encosta de relva que se vê na fotografia acima é exemplar). É o único sítio de Amesterdão que poderia vagamente ser em Paris ou Nova Iorque.
2006/06/29
Roterdão
Ao comparar o arrojo arquitectónico, o contraste entre o novo e o velho e sobretudo a variedade da paisagem que se tem em Roterdão com a monotonia que é Amesterdão, onde é tudo igualzinho - só o Museumplein escapa - concluo que é uma pena que Amesterdão tenha sido tão preservada durante a Segunda Guerra Mundial (isto aplica-se às construções e não aos habitantes). Tivesse sido reconstruída e Amesterdão seria muito mais interessante.(Nota: Eu sei que uma peculiaridade da Holanda é a legalidade das substâncias alucinogéneas, mas garanto que este texto não foi escrito sobre o efeito de nenhuma. O objectivo é somente demonstrar como eu gosto de Amesterdão.)
2006/06/28
As janelas da Holanda
Na Holanda, os prédios têm janelas grandes. Como notava o meu orientador, parece que todos os prédios são construídos em função das janelas. Pode ser para aproveitar bem o sol, num país não muito soalheiro. Algumas das utilidades dessas janelas são óbvias e bem conhecidas (aquelas que têm uma luz vermelha por cima, e senhoras à mostra - senhores, mesmo vestidos de senhoras, se a luz for azul). Mas e que dizer das casas particulares? Casas de família perfeitamente visíveis do exterior, de onde se pode olhar para salas de jantar com pessoas a verem televisão ou a tomarem refeições e, por vezes - garanto-vos - para dentro de quartos de dormir? Tudo sem persianas e por vezes sem cortinas?É uma herança calvinista, sem dúvida. Os holandeses não se confessam, e por isso precisam de demonstrar quotidianamente à sociedade que são pessoas virtuosas. Podem respeitar as liberdades de escolha e de estilo de vida de cada um, mas tal não significa que não o julguem. A "abertura" da sociedade holandesa tem muito que se lhe diga.
2006/06/27
No Vondelpark de Amesterdão
...durante uma partida de ultimate frisbee, um jogo muito engraçado e que eu desconhecia. Mas que requer uma boa preparação física, especialmente se jogarmos com a táctica da marcação homem-a-homem. Tentei marcar jovens de vinte e poucos anos. Está certo que um deles nas horas vagas corre maratonas, mas ainda assim logo se revelou a minha falta de fôlego. O único jogador que eu consegui marcar minimamente foi o meu orientador de doutoramento, com mais vinte anos do que eu. Como com qualquer tipo de jogo que requeira coordenação motora, cedo revelei a minha inépcia: um disco ou uma bola lançados por mim nunca se sabe onde vão parar; a sua localização final é uma variável aleatória. O capitão da equipa, e praticante mais entusiasta da modalidade, dava-nos instruções. No meu caso, e aos outros azelhas, como lançar o disco correctamente: como o segurar, como colocar o braço, a altura a lançá-lo. Éramos jogadores de diversas nacionalidades: para além de mim havia indianos, marroquinos, checos, franceses, holandeses. A maioria deles bons jogadores. Mas ninguém se ria dos azelhas; antes procuravam ajudar-nos a jogar melhor, incitavam-nos e encorajavam-nos. Se fosse em Portugal, se fossem portugueses, à primeira azelhice que surgisse toda a gente se estaria a rir e a humilhar o azelha. A pequenez e a falta de auto-estima do povo português reflectem-se nestes pequenos pormenores. Pequenez na subserviência para com os poderosos e no fazer pouco dos mais fracos. Falta de auto-estima quando muitas vezes outros azelhas se reúnem na risota geral.
Fica a fotografia a documentar um fim de tarde agradável e bem passado com um jogo colectivo, como há muito tempo eu não tinha. Nem sei se alguma vez tinha tido.
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Viagens
2006/06/26
Sai um espelho para O Insurgente
Independentemente da razão que possa assistir o André Azevedo Alves no texto do Nuno Ramos de Almeida (que não contextualizou a frase que abre o documentário), a verdade é que tal não passa de um pequeno pormenor. No global, o Nuno Ramos de Almeida tem razão na sua apreciação. Mas o que é mesmo notável são as considerações que se seguem:
Ou seja, não se deve atribuir nenhuma credibilidade ao André Azevedo Alves... de acordo com o próprio! Será que ele precisa de um espelho?
E fica como mais um aviso para que nunca se caia no erro de atribuir credibilidade a quem é incapaz de se exprimir num registo não propagandístico.
Ou seja, não se deve atribuir nenhuma credibilidade ao André Azevedo Alves... de acordo com o próprio! Será que ele precisa de um espelho?
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Blogues
2006/06/25
Amesterdão tem mais encanto na hora da despedida
Estação centralOs holandeses são em geral muito simpáticos, mas não consigo gostar do seu estilo de vida. A comida é horrível. A Holanda tem pequenas vilas/cidades muito bonitas, como Delft e Leiden, mas Amesterdão é uma dessas cidades em grande. É uma vila grande e repetitiva onde no fundo não se passa nada de muito interessante. Não me deixa muitas saudades. Do que terei mais saudades é dos (bons) amigos de diversas nacionalidades que aqui tenho.
O melhor de Amesterdão é mesmo estar a quatro horas de comboio de Paris (oito de autocarro, opção barata e conveniente se se viajar durante a noite).
Vou continuar a falar da Holanda nos próximos dias.
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Viagens
2006/06/24
2006/06/23
República Checa e EUA eliminados...
...para grande tristeza do meu orientador de doutoramento e do Lubos Motl (que não tem nada a ver com o meu orientador de doutoramento, se exceptuarmos a nacionalidade, a profissão e o país de residência). Não sabem quem é o Lubos Motl? Ao pé do Lubos Motl, o João Miranda parece um anjinho.
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Futebol
Liberais maoístas (II)
O João Miranda, no seu estilo inconfundível "question and answer", sem margem para dúvidas, respondeu ao Daniel Oliveira. Continuo a achar que o Daniel tem razão e que, quando se lida com regimes como o chinês, é mesmo uma questão de moralidade. Mas a moralidade não tem lugar na ciência do João Miranda, que continua a considerar única a sua solução para as equações diferenciais parciais não lineares, com várias variáveis, e dependentes das condições fronteira. Apesar de tudo isto acho admirável (e verdadeiramente estimulante) a sua persistência em encontrar respostas científicas. Os argumentos de moralidade para ele devem parecer o mesmo que os da Inquisição pareciam a Galileu - daí o João considerar-se um blasfemo. Mas para proceder como um bom cientista, por uma questão de honestidade o João não deveria considerar sempre as mesmas condições fronteira, que variam de pessoa para pessoa, de caso para caso, de sociedade para sociedade. Pode ser que o João um dia encontre as condições fronteira moralistas.
Para além disso, como se vê nas perguntas/respostas, o João sabe distinguir o "por que" do "porque". Não é qualquer um.
Para além disso, como se vê nas perguntas/respostas, o João sabe distinguir o "por que" do "porque". Não é qualquer um.
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Política
2006/06/22
Os anti-americanos e os anti-futebol
A propósito do comentário da Annie Hall ao vídeo dos Simpsons na entrada anterior, ocorreu-me o seguinte. É claro que neste vídeo os autores da série demonstram que não entendem o que é o futebol e nem a sua força. Só que são americanos. Seria interessante saber a opinião sobre este episódio de certa intelectualidade europeia, que despreza o futebol mas ao mesmo tempo detesta os EUA. É que o que vemos no vídeo é mesmo a opinião de muitos americanos sobre o futebol...
O maior país do mundo
Não sabiam? Somos, desde ontem. Vejam aqui em baixo (dica Vistalegre).
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Futebol
2006/06/21
Dans le port d'Amsterdam

Enfin, ils boivent aux dames
Qui leur donnent leurs jolis corps
Qui leur donnent leurs vertus
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se penche le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles
Não sei quantos anos depois, ainda tem toda a razão o Grand Jacques.
Os liberais maoístas
Finalmente uma boa resposta por parte da esquerda ao João Miranda, que o obriga a desconversar: a do Daniel Oliveira no Arrastão. Como não poderia deixar de ser, contém uns remoques desnecessários a Jerónimo de Sousa (desde quando é que o Jerónimo é maoísta?). Também continuo sem compreender por que insiste o Daniel, que deveria saber o que é o comunismo, em chamar "comunismo" ao regime chinês, que de comunista não tem nada. Mas no geral a resposta está muito boa. O essencial está nestas frases:
Se a democracia vem, vai-se a competitividade. A China parte-se em bocados, como aconteceu com a ex-União Soviética, os trabalhadores vão querer o seu quinhão de riqueza e salários decentes, a instabilidade política e social será incontrolável e de dimensões completamente novas. O desmembramento da União Soviética será uma brincadeira de crianças ao lado da queda do comunismo chinês. A China interessa às empresas porque é uma ditadura.
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Política
2006/06/20
Novidades blogosféricas (II)
O Rui Tavares está de regresso com um blogue gostoso, o Pobre e Mal Agradecido, "o melhor blogue possível de Rui Tavares". Há uma redundância evidente neste lema: é que um blogue do Rui Tavares é sempre o melhor blogue possível.
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Novidades blogosféricas (I)
O André Belo mudou o bistrot de Paris para Madison, Wisconsin, EUA, uma terra com muito poucos comboios para uma Gadedelest (eu pelo menos fui lá de autocarro Greyhound). De acordo com a sua descrição, "esta terra tem mais esquerdalhos que a rive gôche de Paris". Parece-me que o André está a entrar no espírito da coisa.
Como será assistir ao Mundial em Madison? Há quatro anos, graças aos fusos horários, os jogos eram ao pequeno almoço (às sete e às nove da manhã). O único canal de sinal aberto que dava os jogos todos era a Univisión, destinado à comunidade hispânica.
Como será assistir ao Mundial em Madison? Há quatro anos, graças aos fusos horários, os jogos eram ao pequeno almoço (às sete e às nove da manhã). O único canal de sinal aberto que dava os jogos todos era a Univisión, destinado à comunidade hispânica.
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2006/06/19
Censuras bloguísticas
Quem também anda em turismo científico é o outro Ricardo. Espero que ele aproveite para promover o nosso trabalho nas paragens longínquas da China, tanto quanto eu o tenho feito na Europa. Mas o testemunho do Ricardo permite-nos recordar algo que não deve ser esquecido. Apesar de todo o ar de "abertura" que o regime chinês procura dar, apesar de em Pequim hoje se ter iniciado um evento como a conferência Strings 2006 (e daqui a dois anos serão os Jogos Olímpicos!), na China ainda não se pode ler um blogue. O Ricardo conseguiu editar um texto no Esquerda Republicana, mas não conseguiu lê-lo no seu próprio blogue. E nem consegue ler nenhum outro.
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2006/06/18
Estará o meu corpo a ficar mais velho do que eu?
Ainda há três anos, nos EUA, era capaz de andar a caminhar e conhecer cidades novas por uma semana seguida, a dormir muitas vezes em autocarros, durante as viagens nocturnas de Nova Iorque para Madison (Wisconsin), do Wisconsin para Minneapolis e St. Paul (Minnesota) e do Minnesota para Chicago (Illinois). Agora, após dois dias a caminhar e a conhecer cidades da Flandres (onde estive sem acesso à internet), ao terceiro dia tive de dormir mais. A idade não perdoa.
Itália, 1 - EUA, 1
A primeira grande roubalheira que eu vi neste Mundial. O jogador bem expulso da Itália (deveria ser suspenso por mais tempo) não compensa os dois jogadores expulsos com um critério bem mais discutível dos EUA. E, sobretudo, o golo mal anulado. Mas as superpotências atraem mais público e são sempre protegidas, e os EUA no futebol não são uma superpotência.
2006/06/17
Não estava lá, mas deve ter sido giro
A solidariedade da Cité Universitaire de Paris (comunicado da associação Cap Magelan):
VENEZ SOUTENIR NOTRE SELECCÃO!
Venez assister au match Portugal / Iran le 17 juin prochain à 15h00 au Stade Charléty (75013 Paris), de nombreux cadeaux seront offerts pendant le match. Le stade peut contenir plus de 10000 personnes. Alors venez nombreux soutenir l'équipe du Portugal!
(Attention, seul match retransmis le samedi 17 juin au Stade Charléty)
Stade Sébastien Charléty (13e)
99, boulevard Kellermann - RER Cité Universitaire
Le stade ouvrira ses portes 1 heure avant le début des rencontres.
Entrée gratuite
Information confirmée par la Mairie de Paris le 13 juin 2006
PS : Contrairement à ume première information donnée par la Mairie de Paris, les retransmissions des matchs au Stade Charléty n'ont pas commencé le 9 mais le 13 juin, ce qui a empêché de voir le match Angola Portugal le 11 juin. Toutes nos excuses à ceux qui se sont déplacés et merci aux différentes maison de la Cité Internationale Universitaire de nous avoir accueilli pour voir les matchs, entre Danois, Italiens, Norvégiens, Espagnols, Indiens, Anglais, Brésiliens...
VENEZ SOUTENIR NOTRE SELECCÃO!
Venez assister au match Portugal / Iran le 17 juin prochain à 15h00 au Stade Charléty (75013 Paris), de nombreux cadeaux seront offerts pendant le match. Le stade peut contenir plus de 10000 personnes. Alors venez nombreux soutenir l'équipe du Portugal!
(Attention, seul match retransmis le samedi 17 juin au Stade Charléty)
Stade Sébastien Charléty (13e)
99, boulevard Kellermann - RER Cité Universitaire
Le stade ouvrira ses portes 1 heure avant le début des rencontres.
Entrée gratuite
Information confirmée par la Mairie de Paris le 13 juin 2006
PS : Contrairement à ume première information donnée par la Mairie de Paris, les retransmissions des matchs au Stade Charléty n'ont pas commencé le 9 mais le 13 juin, ce qui a empêché de voir le match Angola Portugal le 11 juin. Toutes nos excuses à ceux qui se sont déplacés et merci aux différentes maison de la Cité Internationale Universitaire de nous avoir accueilli pour voir les matchs, entre Danois, Italiens, Norvégiens, Espagnols, Indiens, Anglais, Brésiliens...
2006/06/14
Onde estão?
Este é um tipo de texto que eu não gosto de escrever; não ando aqui para patrulhar ninguém. Mas já que, enquanto estava no Blogue de Esquerda, várias vezes fui "vítima" dele, aqui fica uma pequeníssima dose do remédio para quem o costuma prescrever.
E onde estão as condenações por parte dos blogues de direita? Onde estão eles, que não dizem nada? A única reacção que li, apesar de condenar o incidente, tenta legitimá-lo face à reacção do Hamas. Alguém duvida que se os mortos fossem israelitas, ninguém os calava? Não quererá isto dizer que, para os blogues de direita, uma vida israelita vale muito mais do que uma vida palestiniana?
Uma operação militar israelita contra uma praia na Faixa de Gaza provocou ontem a morte de dez civis palestinianos, entre os quais um casal e os seus três filhos. O ataque provocou ainda 30 feridos. Num outro incidente, morreram mais três palestinianos, o que eleva para 14 o número de mortos em ataques israelitas em menos de 24 horas.
E onde estão as condenações por parte dos blogues de direita? Onde estão eles, que não dizem nada? A única reacção que li, apesar de condenar o incidente, tenta legitimá-lo face à reacção do Hamas. Alguém duvida que se os mortos fossem israelitas, ninguém os calava? Não quererá isto dizer que, para os blogues de direita, uma vida israelita vale muito mais do que uma vida palestiniana?
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Médio Oriente
2006/06/13
Que futuro para a imprensa escrita?
Preocupa-me a situação periclitante do Libération.
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Jornais
O meu dia de Santo António
Ainda mal acabei de colocar as fotos comentadas da Alemanha (onde estive já há duas semanas). Neste momento estou na Holanda, em Amesterdão. Nos próximos dias seguem-se impressões sobre os Países Baixos. Para já, vou dar um seminário esta tarde (eu diria depois do almoço, se esta gente almoçasse como deve ser).
Chauvinismo aveirense
"É uma variação do leitão à Bairrada!"
Spanferkel mit Semmelknödeln und Sauerkraut, um autêntico leitão à alemã
Spanferkel mit Semmelknödeln und Sauerkraut, um autêntico leitão à alemã
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Comida
2006/06/12
Outro Filipe de esquerda
Ainda no "Esquerda Republicana" o meu homónimo dá-nos uma visão da televisão portuguesa por quem vive habitualmente nos EUA: «No apartamento onde estou tenho quatro canais: RTP1, 2, SIC e TVI e ainda não vi um jornalista dizer uma coisa inteligente, fazer uma pergunta difícil, preparar-se antes de falar sobre as coisas.» Fala ainda da extrema direita. A ler.
Durão Barroso ganhou o prémio Tuvalu
«Para este ano a escolha do júri recaiu sobre Durão Barroso, presidente da Comissão europeia pelo facto do dito cujo, sobejamente conhecido pelos portugueses, se deslocar diariamente dentro da cidade de Bruxelas com a sua viatura pessoal que é, nada mais nada menos, uma viatura 4x4 de todo-o-terreno (!!!), que gasta mais de 13.2 litros aos 100Km em circulação urbana e que produz, pelo menos, 265g de CO2/km percorrido (sem contar a climatização), ou seja, mais de 60 toneladas de CO2 ao longo da sua vida útil.» (Via o leftista João Vasco.)
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Ecologia
2006/06/11
Chauvinismo francês (II)
Memórias da Alemanha
Em pleno Mundial da FIFA a decorrer em solo alemão, e no dia de estreia da nossa selecção, deixo-vos com mais umas recordações da minha recente visita a Heidelberg.
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Futebol
2006/06/10
O patriotismo é pagar impostos
No Dia de Portugal, e ao fim de um dia de Campeonato Mundial da FIFA, quando se voltam a ver as tolas bandeirinhas penduradas, é altura de pensar em patriotismo. Sugiro um excerto de uma excelente crónica de Miguel Sousa Tavares no jornal A Bola, na semana passada.
Como já devem ter notado, gosto muito de futebol. Gosto do jogo, da sua lógica e estratégia, que combina o sentido de equipa com o talento individual, da escola de qualidades humanas que o futebol pode constituir pela vida fora.Gosto da paixão, do clubismo, das cores, dos jogadores excepcionais. E gosto de tudo no espectáculo de futebol: os estádios, as luzes, a relva, a estética, a coreografia, os sons e o ambiente. Só tenho pena, uma infinita pena, que os modernos estádios portugueses tenham posto fim àquelas fantásticas roulottes de sandes de entremeada e courato, vinho morangueiro e imperial, em benefício dos assépticos e estúpidos bares inspirados nessa sinistra invenção dos nosso tempos que são os McDonalds e afins.
Mas, para mim, o futebol é apenas isto: um grande jogo, um magnífico desporto e, por vezes, um deslumbrante espectáculo. E nada mais. Não é, nem será nunca, compensação para frustrações alheias à coisa em si, fonte de inspiração patriótica ou motivo de redenção nacional. Eu já adorava futebol quando o Estado Novo usava o futebol para nos distrair da miséria política e cultural em que vivíamos, tentando fazer-nos crer que, por termos aquela fabulosa equipa do Eusébio e seus pares de 66, só podíamos ser um grande país. Eu não irei, pois, pendurar a bandeira nacional na janela de minha casa ou do meu carro nem irei associar-me a imbecis manifestações de patrioteirismo ad hoc, a mando de um seleccionador brasileiro que se convenceu de que nos havia de transformar a todos em súbitos patriotas, à boleia da Selecção. E enjoo só de pensar que a cidadania patriótica vai dar pretexto e fornecer representação àquelas patéticas criaturas do jet-seis nacional para se vestirem com as cores da bandeira e jurarem o seu desvelo pela Selecção-pátria.
Tal como aprendi as ver as coisas, o patriotismo não é arvorar bandeirinhas nacionais às janelas quando do Europeu ou do Mundial. O patriotismo, para mim, é pagar impostos, ser útil à comunidade de alguma forma, servir o seu país, quando se tem ocasião para tal e sem esperar nada em troca.
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Futebol
2006/06/09
Para acabar com certos mitos...
ler o Véu da Ignorância sobre a carga fiscal em Portugal.
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Política
2006/06/08
Verificação (após voltar a tirar fotocópias)
Não há nada mais estúpido do que uma fotocopiadora "inteligente" que detecta o tamanho do documento e o assume naturalmente, sem ninguém lho ter dito.
2006/06/07
Boa notícia do dia
...as continuidades do Polga (com metade do vencimento que o Olympiakos lhe oferecia) e do Caneira. Vamos ao Hugo Viana?
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Sporting
2006/06/06
06-06-06
Dei um seminário muito útil, onde me foram colocadas diversas perguntas de grande interesse e onde pude falar com um especialista reconhecido em buracos negros. Seguiu-se um saboroso almoço de peixe na cantina do CEA com colegas. Uma tarde onde tive uma reunião de trabalho com colaboradores e uma conversa que me deu ideias mais claras relativas ao meu futuro profissional. Um fim de tarde consumista: comprei na loja que me tinha sido recomendada a t-shirt com a inscrição "Vodka - Connecting People" (em que "vodka" aparece exactamente com os mesmos caracteres da conhecida marca de telemóveis finlandesa - a t-shirt é uma brincadeira com o seu slogan) e ainda um CD da Juliette Gréco. Finalmente um excelente fricassé de frutos do mar num animado e bem regado jantar rodeado de amigos, na cantina da Cité Universitaire, e uma conversa franca e sem barreiras com um grande amigo.
Isto é que era suposto ser o "Dia da Maldição", do fim do mundo? Venham mais dias assim.
Isto é que era suposto ser o "Dia da Maldição", do fim do mundo? Venham mais dias assim.
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Paris
"C'est important qu'il y ait une transmission du combat féministe"
A não perder: a entrevista de Fadela Amara, imigrante de origem muçulmana e fundadora e presidente do movimento laicista Ni putes ni soumises, ao Metro, edição parisiense.
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França
2006/06/05
Quem fica fodido com isto sou eu
Por que raio é que os senhores engenheiros do blogger decidem fazer experiências para introduzir novas possibilidades na publicação (e inviabilizar a ligação ao servidor, fazendo quem tenta publicar perder tempo) sempre mesmo na altura em que eu estou a publicar?
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Blogues
Estará o Peru fodido?

Embora simpatize e compreenda a política de independência nacional (sobretudo, independência em relação aos EUA) que políticos como Hugo Chavez têm vindo a preconizar, não me agrada o tipo de regime que dali tem resultado. Conheço vários venezuelanos. Todos de esquerda. E todos contra Chavez. Que já lá trabalharam e de lá saíram, por se terem manifestado contra o presidente. O controlo da comunicação social do estado é efectivo (mas da mesma forma, a comunicação social privada não é independente e está dominada pelos poderosos grupos da oposição pró-EUA). Mais grave ainda é o controlo dos postos de trabalho do estado e dos sindicatos: quem não apoiar o presidente está em maus lençóis. Por isso, embora não ponha em causa a legitimidade de Chavez (apesar dos truques legislativos dos referendos e plebiscitos e sucessivas revisões da constituição de forma a preservar o poder eternamente, ainda acredito que é apoiado pela maioria do povo venezuelano), prefiro um tipo de solução mais democrática. Tendo eliminado à primeira volta a candidata conservadora, Lurdes Flores, acredito que o Peru fez bem em eleger o seu Lula, Alan Garcia, um político que não estava preparado para ser presidente em 1985, como Lula - reconhecido pelo próprio - não estava em 1989, mas que ainda assim foi eleito, com maus resultados, abrindo caminho à ditadura fujimorista. Espero que desta vez esteja mais preparado e seja bem sucedido.
Quem já leu o extraordinário romance de Mario Vargas Llosa Conversa na Catedral deve recordar-se da esperança que a personagem mais simpática, Popeye Arévalo, depositava no seu partido, a APRA. Popeye bem tentava recuperar a moral do seu melhor amigo e protagonista, Santiago Zavala, o Zavalita, uma metáfora do Peru. A pergunta "em que altura é que eu me terei fodido?" era recorrente, quer em relação ao Peru, quer a Santiago, um homem totalmente descrente fosse no que fosse (e que por isso, depois de um passado revolucionário, não embarcava no entusiasmo do amigo). Embora eu cada vez mais faça a mim mesmo a pergunta crucial do Santiago, ainda quero acreditar em alguma coisa, como o Popeye. Espero por isso que o governo do seu partido, a APRA, seja bem sucedido. E que o Peru não se tenha fodido mais uma vez.
2006/06/04
A verdade inconveniente e a verdade insurgente
Para encerrar esta questão. Sou um defensor das boas traduções, e ao contrário de certos amigos meus eu prefiro ler um livro numa tradução portuguesa, sempre que esta exista. (Neste momento por acaso até sou responsável pela revisão científica da tradução portuguesa de um livro de divulgação de um físico holandês.) Como utilizador do Babelfish reconheço perfeitamente a importância de um bom tradutor, e sei que este precisa saber muito mais do que línguas. Não deveria ter usado a expressão "tradutor" no texto A Verdade Inconveniente; tal não era necessário para reforçar o meu ponto de vista: o facto de o Rui Oliveira estar a emitir opinião sobre um assunto que não domina. Claro que eu também faço isso (e a maior parte dos blogues) e ainda bem; a opinião é livre, e não se tem de todo de se escrever só sobre aquilo em que se tem formação académica! Só acho que, especialmente se for esse o caso (de não se ser especialista na área) um autor deve fazer um esforço de se informar e não estar simplesmente a repetir chavões (noutra altura chamava-se a cassete). Claro que mesmo assim o Rui Oliveira tem o direito de se limitar a repetir aquilo que (do meu ponto de vista) são só chavões; a opinião é livre. Mas por isso mesmo também eu tenho o direito de afirmar que ele se limita a escrever chavões, quando for esse o caso.
Quanto ao julgamento do André Azevedo Alves sobre as minhas "capacidades cognitivas", não me poderia afectar menos. Não me afecta a opinião sobre as minhas capacidades cognitivas de um indivíduo que acha que a fonte suprema de todo o conhecimento é a Bíblia. Os meus conhecimentos não vêm na Bíblia, é um facto. Não sei ao certo quais serão as minhas capacidades cognitivas, mas acho que elas ainda serão suficientes para saber identificar métodos de um fanático obscurantista.
Quanto ao julgamento do André Azevedo Alves sobre as minhas "capacidades cognitivas", não me poderia afectar menos. Não me afecta a opinião sobre as minhas capacidades cognitivas de um indivíduo que acha que a fonte suprema de todo o conhecimento é a Bíblia. Os meus conhecimentos não vêm na Bíblia, é um facto. Não sei ao certo quais serão as minhas capacidades cognitivas, mas acho que elas ainda serão suficientes para saber identificar métodos de um fanático obscurantista.
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Ecologia
2006/06/03
Ça roule
E para evitar mais alterações climatéricas do que as que têm que acontecer: tous à velo ce weekend (iniciativas semelhantes em Lisboa aqui).
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Ecologia
Tradução (para ver se o André Azevedo Alves percebe)
Vamos por partes.
Eu nunca chamei "monge albino" a ninguém. A única coisa que objectivamente insinuei com base nos seus textos (não afirmei) é que o André Azevedo Alves parece ser um simpatizante do Opus Dei (não posso dizer que é, mas qualquer pessoa vê que parece). Pelo menos o seu proselitismo é bastante evidente. Também nunca afirmei que O Insurgente é "dominado" seja por quem for. Parece-me óbvio logo do título que o meu texto O bem e o mal segundo André Azevedo Alves é destinado única e exclusivamente... ao André Azevedo Alves, e a mais nenhum colaborador do Insurgente. O André Azevedo Alves é que pelos vistos gosta de se confundir com O Insurgente. Se for este o caso, é com ele e com os outros colaboradores; não tenho nada a ver com isso. Mas talvez seja por isso que ele se deu ao trabalho de responder a um outro texto meu, A Verdade Inconveniente, onde é referido (e apenas marginalmente) um texto de um outro colaborador de O Insurgente, o Rui Oliveira.
E que diz o André Azevedo Alves? Basicamente conclui do facto de que sempre houve e continuará a haver alterações climáticas que não há nada que possamos fazer para as evitar ou não provocar. Ou seja, repete a máxima climatérica (já defendida pelo Rui Oliveira e pela generalidade dos blogues liberais) que o homem não pode alterar ou evitar um destino pré-estabelecido e inexorável. (Para o André Azevedo Alves, por exemplo, tal é tão claro como Deus ter criado Adão e Eva.) E parece querer afirmar que quem não defende isto está a defender o outro extremo: que só o homem pode influenciar o clima e que todas as catástrofes climáticas são causadas pelo homem. É assim: não há meio termo. Nada que não estejamos habituados na direita republicana (e ainda mais nos fãs de Ann Coulter): quem não está com eles, está contra eles.
Em nenhuma altura eu defendi que as alterações climáticas são da exclusiva responsabilidade do homem. O autor do texto original, o Rui Oliveira, sendo tradutor deve ser especialista na interpretação de textos, pelo que leu bem o que eu escrevi.
Sobre o Rui Oliveira queria prestar aqui o seguinte esclarecimento. Não o conheço e se sei que é tradutor é através de um texto por ele publicado no Insurgente (e com que eu concordei), no qual defende o fim de privilégios corporativos de certas classes profissionais, dando o exemplo da sua própria classe.
O que eu quis afirmar ao chamar "tradutor" ao Rui Oliveira era que não lhe reconhecia nenhuma especialização para falar sobre o assunto das alterações climáticas. E baseei essa minha "falta de reconhecimento" no seu texto original, Alterações Climáticas, que me pareceu - e continua a parecer - bastante fraco, pelas razões que expus. Mas não queria ofender nem o Rui Oliveira, a quem costumo reconhecer honestidade intelectual, e nem... a classe dos tradutores! Se foi esse o caso, peço desculpa.
Finalmente quero reiterar que esta minha opinião não é (infelizmente...) para ser generalizada a todos os textos sobre alterações climáticas que se lêem nos blogues liberais. Embora discorde totalmente desses textos, reconheço que alguns têm uma argumentação boa, mesmo se desonesta ou parcial. O caso mais paradigmático são os textos do João Miranda no Blasfémias. Por não esperar que toda a gente se lembre de tudo o que eu escrevi, recordo (no segundo parágrafo deste texto) a minha (muito boa, mesmo discordando de todo) opinião sobre os textos do João Miranda em geral (que belo marxista que ele daria). Refutã-los requer (ao contrário, lamento dizê-lo mais uma vez, do texto do Rui Oliveira, que se limita a repetir chavões) uma grande preparação e uma grande dose de paciência, algo que como aqui referi foram reveladas por exemplo no Klepsydra.
Eu nunca chamei "monge albino" a ninguém. A única coisa que objectivamente insinuei com base nos seus textos (não afirmei) é que o André Azevedo Alves parece ser um simpatizante do Opus Dei (não posso dizer que é, mas qualquer pessoa vê que parece). Pelo menos o seu proselitismo é bastante evidente. Também nunca afirmei que O Insurgente é "dominado" seja por quem for. Parece-me óbvio logo do título que o meu texto O bem e o mal segundo André Azevedo Alves é destinado única e exclusivamente... ao André Azevedo Alves, e a mais nenhum colaborador do Insurgente. O André Azevedo Alves é que pelos vistos gosta de se confundir com O Insurgente. Se for este o caso, é com ele e com os outros colaboradores; não tenho nada a ver com isso. Mas talvez seja por isso que ele se deu ao trabalho de responder a um outro texto meu, A Verdade Inconveniente, onde é referido (e apenas marginalmente) um texto de um outro colaborador de O Insurgente, o Rui Oliveira.
E que diz o André Azevedo Alves? Basicamente conclui do facto de que sempre houve e continuará a haver alterações climáticas que não há nada que possamos fazer para as evitar ou não provocar. Ou seja, repete a máxima climatérica (já defendida pelo Rui Oliveira e pela generalidade dos blogues liberais) que o homem não pode alterar ou evitar um destino pré-estabelecido e inexorável. (Para o André Azevedo Alves, por exemplo, tal é tão claro como Deus ter criado Adão e Eva.) E parece querer afirmar que quem não defende isto está a defender o outro extremo: que só o homem pode influenciar o clima e que todas as catástrofes climáticas são causadas pelo homem. É assim: não há meio termo. Nada que não estejamos habituados na direita republicana (e ainda mais nos fãs de Ann Coulter): quem não está com eles, está contra eles.
Em nenhuma altura eu defendi que as alterações climáticas são da exclusiva responsabilidade do homem. O autor do texto original, o Rui Oliveira, sendo tradutor deve ser especialista na interpretação de textos, pelo que leu bem o que eu escrevi.
Sobre o Rui Oliveira queria prestar aqui o seguinte esclarecimento. Não o conheço e se sei que é tradutor é através de um texto por ele publicado no Insurgente (e com que eu concordei), no qual defende o fim de privilégios corporativos de certas classes profissionais, dando o exemplo da sua própria classe.
O que eu quis afirmar ao chamar "tradutor" ao Rui Oliveira era que não lhe reconhecia nenhuma especialização para falar sobre o assunto das alterações climáticas. E baseei essa minha "falta de reconhecimento" no seu texto original, Alterações Climáticas, que me pareceu - e continua a parecer - bastante fraco, pelas razões que expus. Mas não queria ofender nem o Rui Oliveira, a quem costumo reconhecer honestidade intelectual, e nem... a classe dos tradutores! Se foi esse o caso, peço desculpa.
Finalmente quero reiterar que esta minha opinião não é (infelizmente...) para ser generalizada a todos os textos sobre alterações climáticas que se lêem nos blogues liberais. Embora discorde totalmente desses textos, reconheço que alguns têm uma argumentação boa, mesmo se desonesta ou parcial. O caso mais paradigmático são os textos do João Miranda no Blasfémias. Por não esperar que toda a gente se lembre de tudo o que eu escrevi, recordo (no segundo parágrafo deste texto) a minha (muito boa, mesmo discordando de todo) opinião sobre os textos do João Miranda em geral (que belo marxista que ele daria). Refutã-los requer (ao contrário, lamento dizê-lo mais uma vez, do texto do Rui Oliveira, que se limita a repetir chavões) uma grande preparação e uma grande dose de paciência, algo que como aqui referi foram reveladas por exemplo no Klepsydra.
2006/06/02
A Verdade Inconveniente
Estreia hoje em várias cidades americanas o documentário "An Inconvenient Truth", onde o realizador David Guggenheim segue Al Gore na sua campanha de esclarecimento do grande público sobre o aquecimento global, as suas causas e os seus efeitos. De acordo com a organização MoveOn,
De acordo com a New Yorker,
De acordo com o USA Today,
Pode ver-se um trailer do filme aqui. É claro que o filme (e Al Gore) já estão a ser atacados pelas companhias petrolíferas. Por cá, o assunto sempre foi motivo de chacota dos blogues da direita liberal, embora nem sempre da melhor maneira. Por exemplo, gostava de saber com que base científica tradutores escrevem textos destes. Se o Rui Oliveira parasse para pensar, talvez concluísse que o facto que refere só é possível justamente por o homem então não existir. O homem não podia existir nessas condições. Pelos vistos tais condições climatéricas são "naturais" para o Rui Oliveira; se evoluirmos (ou regredirmos) nesse sentido a Terra voltará a ser inabitável, mas isso é só um pequeno pormenor para quem talvez até acredite que a habitabilidade do planeta só depende da vontade divina. Se o Rui Oliveira não fosse demagógico, talvez fizesse bem em ver o filme antes de escrever graçolas tão básicas.
The movie is technically a documentary, but it's also been described as a thriller and some folks have even called it scary. It's scary because it's a serious look at the grave path we're heading down if we don't take real steps to stop global warming today.
De acordo com a New Yorker,
There is no substitute for Presidential power, but Gore is now playing a unique role in public life. He is a symbol of what might have been, who insists that we focus on what likely will be an uninhabitable planet if we fail to pay attention to the folly we are committing, and take the steps necessary to end it.
De acordo com o USA Today,
An Inconvenient Truth, based on a slide show Gore developed and has given for years, is part documentary, part dark comedy and part horror thriller. As narrator, Gore makes jokes at his own expense, presents a cartoon clip from Fox's cartoon Futurama about cooling the ocean with ice cubes and shows footage of storms, floodwaters and scorching drought that would be thrilling if they were fiction instead of fact.
Pode ver-se um trailer do filme aqui. É claro que o filme (e Al Gore) já estão a ser atacados pelas companhias petrolíferas. Por cá, o assunto sempre foi motivo de chacota dos blogues da direita liberal, embora nem sempre da melhor maneira. Por exemplo, gostava de saber com que base científica tradutores escrevem textos destes. Se o Rui Oliveira parasse para pensar, talvez concluísse que o facto que refere só é possível justamente por o homem então não existir. O homem não podia existir nessas condições. Pelos vistos tais condições climatéricas são "naturais" para o Rui Oliveira; se evoluirmos (ou regredirmos) nesse sentido a Terra voltará a ser inabitável, mas isso é só um pequeno pormenor para quem talvez até acredite que a habitabilidade do planeta só depende da vontade divina. Se o Rui Oliveira não fosse demagógico, talvez fizesse bem em ver o filme antes de escrever graçolas tão básicas.
2006/06/01
No Dia Internacional da Criança
(Estes dias nem sempre têm a palavra "internacional" associada. Este dia vem do "Ano Internacional da Criança". Eu gosto de "internacional", e só observo dias "internacionais".)
Neste dia, e para culminar a divulgação que aqui tenho feito do excelente álbum ao vivo In Cité de Lenine, proponho a audição da versão nesse mesmo álbum de Relampiano, de Lenine e Paulinho Moska. À distância de um clique.
Neste dia, e para culminar a divulgação que aqui tenho feito do excelente álbum ao vivo In Cité de Lenine, proponho a audição da versão nesse mesmo álbum de Relampiano, de Lenine e Paulinho Moska. À distância de um clique.
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Música
O bem e o mal segundo André Azevedo Alves
...são respectivamente o Opus Dei e o Código da Vinci. Nada de que não desconfiássemos, mas é sempre bom ter uma confirmação pelo próprio.
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Blogues
2006/05/31
Das purezas ideológicas
Oitenta anos depois do golpe de 28 de Maio, parece que uma certa direita "moderna" e muito revisionista (na pessoa de dois jovens historiadores) põe abertamente em causa a natureza fascista do salazarismo. Pode com certeza discutir-se quão "fiel" à ideia original do fascismo, de origem italiana, era o regime em causa. Desde que não se conteste a sua natureza ditatorial e repressiva, tudo bem. Há muitas ditaduras de direita. Nenhum regime político é "puro", como na doutrina. A política tem muitas nuances. Mas não me incomoda que digam que Salazar não era fascista. Eu, por exemplo, digo que Estaline não era comunista.
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Política
2006/05/30
Como se dividem as pessoas
Embora haja quem venha sempre com a lengalenga de que não se deve catalogar as pessoas e coisa e tal, a verdade é que a construção de modelos e a identificação de padrões fazem parte do meu trabalho de cientista. Por isso não resisto a este tipo de classificações. Só aqui têm três. Enquanto eu acabo de sacar todas as fotografias da Alemanha para pôr algumas aqui (devidamente comentadas), sugiro-vos qu epensem nalgumas divisões. A mais óbvia, a primeira que aprendemos, é entre a esquerda e a direita. Depois aparecem os chatos dos centristas... Há também os benfiquistas e os sportinguistas. Mas depois aparecem os chatos dos portistas... Eu proponho as pessoas que sabem a diferença entre porque e por que e as que não sabem (para estas é sempre "porque"). Pensem em mais divisões.
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Sentenças
2006/05/29
Europa
Faz hoje um ano que a Europa sofreu um sério revés. Ficaram patentes as ameaças que uma Europa forte e unida sofre e a força dos seus inimigos. Os perigos e as ameaças a que a Europa está sujeita é o que pretende simbolizar a escultura na fotografia, da autoria da portuguesa Filipa César e em exposição, em conjunto com outras 24 estrelas europeias, na praça do Hôtel de Ville em Paris. Ao fundo o Hôtel de Ville, cheio de bandeiras francesas.
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Europa
2006/05/28
Mau tempo
Sempre brinquei com a excitação dos meus anfitriões cada vez que, nos EUA, estava um dia de sol. Ficavam logo entusiasmadíssimos, diziam-me “look, the sun is shining!”. Se pudessem iam logo estender-se na relva a apanhar sol. Eu olhava-os com indiferença (para não dizer com desdém) e respondia-lhes que, na terra de onde eu vinha, o sol brilhava quase todos os dias, todo o ano.
Agora compreendo-os melhor.
Só hoje temos um verdadeiro dia de sol. Nos outros dias tem estado sempre a chover.
Agora compreendo-os melhor.
Só hoje temos um verdadeiro dia de sol. Nos outros dias tem estado sempre a chover.
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Viagens
Verde
A Alemanha é verde. Muito verde. As autoestradas seguem sempre no meio de florestas, onde é verdadeiramente agradável viajar. São muito diferentes das autoestradas do sul da Europa ou da vizinha Holanda. Parecem as “parkways” de Long Island, em Nova Iorque, planeadas por Robert Moses: verdadeiros parques. E sem limite de velocidade.
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Viagens
2006/05/26
Chauvinismo frances (sem acentos, de Heidelberg)
Isto é tal e qual a Alsacia (mas sem Kronenbourg).
Nélson, alguma vez experimentaste tarte flambée de salmao com espinafres? E supimpa.
Nélson, alguma vez experimentaste tarte flambée de salmao com espinafres? E supimpa.
2006/05/25
Na Alemanha
...para visitar velhos amigos (dos gloriosos tempos dos EUA) que há muito não vejo. É a minha primeira estadia neste país. A tarde passada na Alemanha quando fui visitar o Nélson no tempo em que ele bebia Kronenbourg e comia tarte flambée (limitámo-nos a atravessar o Reno a pé a partir de Estrasburgo) foi cheia de acontecimentos, mas mesmo assim foi só um "aquecimento". A Alemanha a sério vem aí. Por quatro dias, a partir de hoje.
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Viagens
2006/05/24
The Republican Left-Wing
Seria esta a tradução para inglês de "esquerda republicana", e se de política americana se tratasse julgar-se-ia estar na presença de um blogue de apoio à candidatura presidencial de John McCain. Ainda mais com textos como este, do meu velho camarada Rui Fernandes (que tem toda a razão, por sinal). Mas não: trata-se do "velho" Esquerda Republicana, fundado pelo Ricardo Alves e agora enriquecido, para além do Rui, com o "outro Ricardo" e o João Vasco. Tudo malta da LEFT, tudo boa gente. Se a isto acrescentarmos o Filipe Castro (que escreve directamente do Texas, e cujos comentários no BdE eu muito apreciava), temos reunidas as condições para um interessantíssimo blogue. Está de parabéns o Ricardo "fundador" pela equipa que conseguiu reunir. Vamo-nos lendo.
2006/05/23
Lápis!
Não adianta vir com lapiseira para mim,
é com lápis que eu quero escrever!

E o irritante que é, em inglês, pedir um lápis e receber uma lapiseira? E se se insiste "no, I want a pencil", ainda olham para nós como se fôssemos estúpidos e respondem "but this is a pencil!" O inglês é mesmo uma língua muito pobre. Não tem tradução de lapiseira e nem o equivalente a "meta-a pelo cu acima", que é a única resposta que merece quem se atreve sequer a insinuar que uma reles lapiseira é um lápis.
Há hábitos que eu nunca hei-de perder. Não me desabituo de usar o velho "pine" para ver o email (em ambiente linux) - é o único que faz "plim!" cada vez que surge uma mensagem nova! E nunca deixarei de escrever com lápis. Lápis autêntico, de madeira, com bico grosso ou fino. Nunca me habituei às lapiseiras. Sempre tive "mão pesada" (tudo o que requeira sensibilidade não é para mim), e sempre que tentei usar uma lapiseira parti o bico em três tempos. É evidente que há alturas em que se tem que escrever a tinta, mas sempre que posso para mim não há nada como escrever a lápis. É a lápis que eu faço todos os meus cálculos à mão. É fácil de corrigir erros e apagar. Adoro lápis e é daqueles objectos que gosto de coleccionar. Desde a escola fico doente sempre que perco um lápis. Guardo lápis há anos. De todos os institutos e países por onde passei. Mas os primeiros que me lembro, os primeiros com que escrevi, que foram deixados pelo meu avô materno, eram iguaizinhos aos da figura. Da Viarco. A Viarco que faz este ano 70 anos. Parabéns e espero que cumpram outros 70. E que vivam os lápis.
é com lápis que eu quero escrever!

E o irritante que é, em inglês, pedir um lápis e receber uma lapiseira? E se se insiste "no, I want a pencil", ainda olham para nós como se fôssemos estúpidos e respondem "but this is a pencil!" O inglês é mesmo uma língua muito pobre. Não tem tradução de lapiseira e nem o equivalente a "meta-a pelo cu acima", que é a única resposta que merece quem se atreve sequer a insinuar que uma reles lapiseira é um lápis.
Há hábitos que eu nunca hei-de perder. Não me desabituo de usar o velho "pine" para ver o email (em ambiente linux) - é o único que faz "plim!" cada vez que surge uma mensagem nova! E nunca deixarei de escrever com lápis. Lápis autêntico, de madeira, com bico grosso ou fino. Nunca me habituei às lapiseiras. Sempre tive "mão pesada" (tudo o que requeira sensibilidade não é para mim), e sempre que tentei usar uma lapiseira parti o bico em três tempos. É evidente que há alturas em que se tem que escrever a tinta, mas sempre que posso para mim não há nada como escrever a lápis. É a lápis que eu faço todos os meus cálculos à mão. É fácil de corrigir erros e apagar. Adoro lápis e é daqueles objectos que gosto de coleccionar. Desde a escola fico doente sempre que perco um lápis. Guardo lápis há anos. De todos os institutos e países por onde passei. Mas os primeiros que me lembro, os primeiros com que escrevi, que foram deixados pelo meu avô materno, eram iguaizinhos aos da figura. Da Viarco. A Viarco que faz este ano 70 anos. Parabéns e espero que cumpram outros 70. E que vivam os lápis.
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Pessoal
Teimosia (às três da manhã)
Há mais de uma hora que estava para colocar uma fotografia no servidor do blogger. Não conseguia. Às vezes o blogger.com tem destas coisas. Às vezes é a minha ligação à internet. Não era para uma entrada "urgente". É para uma entrada em projecto. Não importa. A fotografia tinha que ser "subida" hoje. Nem pensava noutra alternativa. Nem punha outra hipótese que não fosse subir a fotografia hoje. Passei mais de uma hora a ler o jornal, a escrever emails, a escrever outras coisas. E ia tentando. Finalmente a fotografia está no blogger.com, à espera da entrada. Vou-me deitar. Boa noite.
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Blogues
2006/05/22
Às Ordens
A recente (e lamentável) decisão unânime da Assembleia da República de só autorizar licenciados em arquitectura a assinar projectos é uma lamentável cedência à pressão corporativista da Ordem dos Arquitectos, surpreendentemente aplaudida por um dos arautos do liberalismo (no que foi logo - e muito bem - contradito).
Esta discussão sobre as Ordens profissionais interessa-me e tem muito mais a ver com a discussão anterior com o Santiago do que se possa julgar. As Ordens profissionais fazem sentido para atestar competência científica em profissões que requeiram o seu emprego de uma forma que diga respeito à sociedade e ao cidadão. Faz sentido uma Ordem dos Médicos? Sim, queremos ter confiança em quem nos atende nos hospitais. Faz sentido uma ordem dos advogados? Sim - é preciso quem nos garanta que o advogado a quem recorremos, apesar de ter um bom diploma por uma boa universidade, não é um vigarista. Faz sentido uma ordem dos engenheiros? É possível que sim, mas é mais discutível. Não queremos pontes que caiam nem instalações que não funcionem. Faz sentido uma Ordem dos Biólogos? Creio que não. Há outras formas mais fiáveis de se avaliar a competência de um biólogo, como o peer-review. E um bom biólogo deve sempre publicar, mesmo que trabalhe em projectos para a sociedade. Faz algum sentido que membros de uma "Ordem" que não produzem investigação nenhuma estejam a avaliar cientistas activos? Creio que não. Uma Ordem dos biólogos faz tanto sentido como uma ordem dos matemáticos ou dos físicos - ainda bem que ninguém se lembrou de tal ideia. Uma Ordem dos economistas, faz algum sentido? Pelos mesmos motivos, tanto quanto uma Ordem dos historiadores - nenhum. Uma ordem dos professores? Muito discutível. Embora o mérito pedagógico seja indispensável, tal ordem tenderia a proteger ainda mais os licenciados "via ensino", que já são escandalosamente protegidos nos concursos.
Apesar de tudo estas profissões que vim a enumerar requerem sem dúvida competência e aptidões científicas (chamemos-lhes assim), mesmo que não sejam profissões "científicas". Disso ninguém duvida. Agora, que aptidões científicas são necessárias para a profissão de arquitecto? Existirão, mas muito menos do que para as profissões anteriores. E podem sempre ser julgados... pelo engenheiro civil responsável, a quem deve sempre caber a última palavra sobre uma obra. No fundo uma Ordem dos arquitectos faz tanto sentido como uma Ordem dos poetas ou dos realizadores de cinema ou dos jogadores de futebol. São áreas que de científicas não têm nada; requerem sobretudo talento, algo que não se aprende (ao contrário das verdadeiras ciências, que se para serem exercidas também requerem talento, para serem aprendidas basta esforço). O esforço não basta para fazer um bom arquitecto, e para julgar o seu talento temos a sociedade. Não me parece que seja precisa uma Ordem. Mas essa Ordem existe e tem poder, como se vê.
Não quero acabar sem comentar que, nas recorrentes discussões sobre o eduquês que se vêm na blogosfera, estas diferenças não são tidas em conta. Parece-me haver no eduquês uma confusão entre o talento e o esforço, que resulta sempre no prejuízo deste último.
Esta discussão sobre as Ordens profissionais interessa-me e tem muito mais a ver com a discussão anterior com o Santiago do que se possa julgar. As Ordens profissionais fazem sentido para atestar competência científica em profissões que requeiram o seu emprego de uma forma que diga respeito à sociedade e ao cidadão. Faz sentido uma Ordem dos Médicos? Sim, queremos ter confiança em quem nos atende nos hospitais. Faz sentido uma ordem dos advogados? Sim - é preciso quem nos garanta que o advogado a quem recorremos, apesar de ter um bom diploma por uma boa universidade, não é um vigarista. Faz sentido uma ordem dos engenheiros? É possível que sim, mas é mais discutível. Não queremos pontes que caiam nem instalações que não funcionem. Faz sentido uma Ordem dos Biólogos? Creio que não. Há outras formas mais fiáveis de se avaliar a competência de um biólogo, como o peer-review. E um bom biólogo deve sempre publicar, mesmo que trabalhe em projectos para a sociedade. Faz algum sentido que membros de uma "Ordem" que não produzem investigação nenhuma estejam a avaliar cientistas activos? Creio que não. Uma Ordem dos biólogos faz tanto sentido como uma ordem dos matemáticos ou dos físicos - ainda bem que ninguém se lembrou de tal ideia. Uma Ordem dos economistas, faz algum sentido? Pelos mesmos motivos, tanto quanto uma Ordem dos historiadores - nenhum. Uma ordem dos professores? Muito discutível. Embora o mérito pedagógico seja indispensável, tal ordem tenderia a proteger ainda mais os licenciados "via ensino", que já são escandalosamente protegidos nos concursos.
Apesar de tudo estas profissões que vim a enumerar requerem sem dúvida competência e aptidões científicas (chamemos-lhes assim), mesmo que não sejam profissões "científicas". Disso ninguém duvida. Agora, que aptidões científicas são necessárias para a profissão de arquitecto? Existirão, mas muito menos do que para as profissões anteriores. E podem sempre ser julgados... pelo engenheiro civil responsável, a quem deve sempre caber a última palavra sobre uma obra. No fundo uma Ordem dos arquitectos faz tanto sentido como uma Ordem dos poetas ou dos realizadores de cinema ou dos jogadores de futebol. São áreas que de científicas não têm nada; requerem sobretudo talento, algo que não se aprende (ao contrário das verdadeiras ciências, que se para serem exercidas também requerem talento, para serem aprendidas basta esforço). O esforço não basta para fazer um bom arquitecto, e para julgar o seu talento temos a sociedade. Não me parece que seja precisa uma Ordem. Mas essa Ordem existe e tem poder, como se vê.
Não quero acabar sem comentar que, nas recorrentes discussões sobre o eduquês que se vêm na blogosfera, estas diferenças não são tidas em conta. Parece-me haver no eduquês uma confusão entre o talento e o esforço, que resulta sempre no prejuízo deste último.
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2006/05/21
A seguir a Abril vem Maio
...e com Maio vem finalmente uma lista de ligações, algo que já andava para fazer deste o início deste blogue e só não tinha ainda feito por preguiça. Aproveito para agradecer a todos os que ligaram ou de alguma forma divulgaram este blogue.
Falando em lista de ligações, uma das minhas curiosidades era saber em que categoria ia ficar nas ligações do Esquerda Republicana, um blogue entretanto bastante renovado (este hábito de catalogar as coisas, Ricardo...) Esquerda mais ou menos radical? Esquerda mais ou menos moderada? Nem uma coisa nem outra. Fiquei ao lado do meu amigo, ex-companheiro de blogue e agora também esquerdista republicano Caetera e fiquei muito bem.
Falando em lista de ligações, uma das minhas curiosidades era saber em que categoria ia ficar nas ligações do Esquerda Republicana, um blogue entretanto bastante renovado (este hábito de catalogar as coisas, Ricardo...) Esquerda mais ou menos radical? Esquerda mais ou menos moderada? Nem uma coisa nem outra. Fiquei ao lado do meu amigo, ex-companheiro de blogue e agora também esquerdista republicano Caetera e fiquei muito bem.
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2006/05/20
Os museus de Paris
Quando vai decorrer mais uma edição da noite dos museus (sobre este assunto já me expressei aqui), cheguei à conclusão de que uma das coisas de que mais gosto em Paris é a enorme oferta cultural, e sobretudo a quantidade de diferentes museus e exposições. Mesmo quem, como é o meu caso, já visitou todos os grandes museus de Paris (e a grande maioria dos pequenos), encontra sempre algo diferente para fazer no fim de semana. E os parisienses aderem à enorme oferta cultural da cidade. Mal seria se não aderissem, mesmo se ela é feita em grande parte dos casos sobretudo a pensar nos (muitos) turistas que visitam a capital francesa em todas as estações do ano e que a fazem um dos principais destinos mundiais. Também por isto é um privilégio viver em Paris. E em qualquer exposição razoavelmente importante que se vá, seja no Petit Palais ou no Instituto do Mundo Árabe, seja no Centro Pompidou ou no Hôtel de Ville, é certo e sabido que se vai ter que estar na fila para entrar, seja a exposição gratuita ou paga. É uma das sensações que me são mais familiares em Paris. Eu, que embora seja teimoso e tenaz sou em geral muitíssimo impaciente, gosto de estar na fila com os parisienses (sim, costumo estar com os parisienses, mais do que com os turistas que só vão para os grandes museus) para entrar numa das muitas exposições da cidade e desfrutar desse enorme privilégio que é estar em Paris. Sinto-me bem no meio desta gente. Sinto que sou um deles.
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Paris
2006/05/19
Aos leitores que procuram o blogue escandaloso sobre Merche Romero
...anunciado numa notícia que vinha na primeira página do Correio da Manhã e que chegam aqui, via google, graças a um comentário nesta entrada, com a informação do tal blogue (antes de ele ser escandaloso): aqui nunca se falou na Merche Romero. Mas continuem a vir, que são bem vindos.
(Entre outras coisas acusam a pobre Merche de "pedofilia" (!!!) "por ter mais dez anos do que o craque do Manchester". Independentemente da ignorância sobre o que é realmente a pedofilia que tal revela - mas o que esperar de um blogue anónimo? -, a questão é sempre a mesma: o que diriam se fosse ao contrário? Se - sendo ambos adultos - o Cristiano tivesse mais dez anos do que a Merche?)
(Entre outras coisas acusam a pobre Merche de "pedofilia" (!!!) "por ter mais dez anos do que o craque do Manchester". Independentemente da ignorância sobre o que é realmente a pedofilia que tal revela - mas o que esperar de um blogue anónimo? -, a questão é sempre a mesma: o que diriam se fosse ao contrário? Se - sendo ambos adultos - o Cristiano tivesse mais dez anos do que a Merche?)
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Blogues
2006/05/18
Sem sair de Paris, rive gauche
Concordo com o Santiago (aqui e aqui) que faz sentido uma distinção entre áreas fundamentais e áreas aplicadas da ciência. Se a tecnologia é ou não ciência é pura semântica. Mas não é por acaso que nos governos da direita os ministros com a pasta da ciência eram engenheiros (um agrónomo e uma mecânica), e no actual e nos anteriores governos do PS o ministro da ciência é um físico "puro" (e não "aplicado").
Há áreas do conhecimento - e a área em que eu trabalho é uma - que não são, nunca serão, não podem ser autosuficientes financeiramente. Que requerem financiamento exterior, que ou virá de filantropos excêntricos - o melhor exemplo que eu conheço é o de Jim Simons - ou virá da sociedade. Dos nossos impostos. Não há volta a dar-lhe. Os governos da direita, e muitos dos liberais que escrevem na blogosfera, tenderão a desvalorizar a investigação fundamental, por não "criar dinheiro". Não podemos cair no erro de fazer o oposto, e considerar que, lá por outras áreas do conhecimento poderem gerar dinheiro por terem uma aplicação mais imediata, são menos importantes. Se são ou não "ciência", acho que tem que se arranjar outro critério que não simplesmente o modo como são financiadas... Eu confesso que me faz um pouco de impressão ver a invenção do transístor premiada com um prémio Nobel, mas já toda a área dos semicondutores requer a sua teoria, uma física nova, onde se descobriram comportamentos que não se conheciam antes. Toda a física da matéria condensada é uma história de avanço de braço dado da ciência pura e da tecnologia. Mas mesmo a física das interacções mais fundamentais, como a que se estuda no CERN, requer a tecnologia mais avançada. A participação de cientistas portugueses nas experiências do CERN, por vezes tão criticada por "cientistas" mais "aplicados" (aqui uso mesmo as aspas), requer um investimento por parte do governo, mas constitui uma oportunidade para muitas empresas portuguesas de tecnologia de ponta, que têm acesso a contratos que, se Portugal não fosse membro de pleno direito do CERN, não teriam.
Concluindo: em vez de se perder mais tempo dentro das ciências naturais (fundamentais ou aplicadas) a discutir o que é ou não "ciência", sugiro que se passe antes a discutir por que razão as humanidades são financiadas pelas mesmas entidades que a ciência, quando têm objectivos e critérios de avaliação totalmente diferentes. Creio que as humanidades deveriam ter um orçamento próprio, dependente do Ministério do Ensino Superior, claro, mas fora do da ciência. Este ponto, sim, creio que vale a pena discutir.
Há áreas do conhecimento - e a área em que eu trabalho é uma - que não são, nunca serão, não podem ser autosuficientes financeiramente. Que requerem financiamento exterior, que ou virá de filantropos excêntricos - o melhor exemplo que eu conheço é o de Jim Simons - ou virá da sociedade. Dos nossos impostos. Não há volta a dar-lhe. Os governos da direita, e muitos dos liberais que escrevem na blogosfera, tenderão a desvalorizar a investigação fundamental, por não "criar dinheiro". Não podemos cair no erro de fazer o oposto, e considerar que, lá por outras áreas do conhecimento poderem gerar dinheiro por terem uma aplicação mais imediata, são menos importantes. Se são ou não "ciência", acho que tem que se arranjar outro critério que não simplesmente o modo como são financiadas... Eu confesso que me faz um pouco de impressão ver a invenção do transístor premiada com um prémio Nobel, mas já toda a área dos semicondutores requer a sua teoria, uma física nova, onde se descobriram comportamentos que não se conheciam antes. Toda a física da matéria condensada é uma história de avanço de braço dado da ciência pura e da tecnologia. Mas mesmo a física das interacções mais fundamentais, como a que se estuda no CERN, requer a tecnologia mais avançada. A participação de cientistas portugueses nas experiências do CERN, por vezes tão criticada por "cientistas" mais "aplicados" (aqui uso mesmo as aspas), requer um investimento por parte do governo, mas constitui uma oportunidade para muitas empresas portuguesas de tecnologia de ponta, que têm acesso a contratos que, se Portugal não fosse membro de pleno direito do CERN, não teriam.
Concluindo: em vez de se perder mais tempo dentro das ciências naturais (fundamentais ou aplicadas) a discutir o que é ou não "ciência", sugiro que se passe antes a discutir por que razão as humanidades são financiadas pelas mesmas entidades que a ciência, quando têm objectivos e critérios de avaliação totalmente diferentes. Creio que as humanidades deveriam ter um orçamento próprio, dependente do Ministério do Ensino Superior, claro, mas fora do da ciência. Este ponto, sim, creio que vale a pena discutir.
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Ciência
2006/05/17
Experiência
Entretanto passei eu esta noite por uma experiência muito intensa. Entre outras coisas, também envolveu messengers e telemóveis.
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