Só queria acrescentar que em geral me irritam sempre estes julgamentos em praça pública típicos da imprensa sensacionalista britânica. Já fui vítima dos mesmos na blogosfera e creio que associado a eles existe sempre alguma hipocrisia à mistura.
Sobre o Zidane propriamente dito, não tenho nada a acrescentar ao que foi escrito na Agreste Avena. A não ser talvez que algo que joga em desfavor do Materazzi é ser filho do pior treinador que eu alguma vez me lembro de ter visto no Sporting. Mas passem por lá e leiam.
2006/07/13
A liberdade dos israelitas está em perigo!
Desde a semana passada tropas israelitas invadiram a faixa de Gaza, com o objectivo de libertarem um soldado raptado por radicais palestinianos. O resultado: 21 mortos. Para tentar libertar um soldado.
Já esta semana o Hezbollah resolveu atacar posições israelitas, tendo raptado e feito reféns mais dois soldados israelitas e morto outros oito. O resultado não se fez esperar, mas é verdadeiramente preocupante para os defensores da liberdade: só 35 mortos resultaram dos raides aéreos de Israel no sul do Líbano! Pelo resultado da semana passada seria de esperar, só considerando os soldados raptados, no mínimo 42 mortos. Isto sem contar com os oito soldados israelitas mortos! Como foram só 35 os mortos palestinianos, para tentar libertar dois soldados e vingar outros oito, daqui se conclui que a cotação da liberdade dos israelitas está em queda. A liberdade do autoproclamado "povo eleito" está em risco! Chamem a Ann Coulter.
Já esta semana o Hezbollah resolveu atacar posições israelitas, tendo raptado e feito reféns mais dois soldados israelitas e morto outros oito. O resultado não se fez esperar, mas é verdadeiramente preocupante para os defensores da liberdade: só 35 mortos resultaram dos raides aéreos de Israel no sul do Líbano! Pelo resultado da semana passada seria de esperar, só considerando os soldados raptados, no mínimo 42 mortos. Isto sem contar com os oito soldados israelitas mortos! Como foram só 35 os mortos palestinianos, para tentar libertar dois soldados e vingar outros oito, daqui se conclui que a cotação da liberdade dos israelitas está em queda. A liberdade do autoproclamado "povo eleito" está em risco! Chamem a Ann Coulter.
2006/07/12
Zidane o maior
Tenho lido muitas críticas, inclusive um editorial por parte de um superior hierárquico meu no jornal onde neste momento estagio, à atribuição do título de melhor jogador do Mundial a Zinedine Zidane.Vamos ver as coisas como elas são. Antes da lamentável agressão (qualquer que seja o seu fundamento) com que se despediu do torneio e do futebol, era mais ou menos pacífico que o melhor jogador até então tinha sido Zidane (que regressara aos seus melhores tempos). Se não tivesse visto aquele cartão vermelho a dez minutos do fim, nenhuma opinião teria mudado. Então por que haveria de mudar só por causa de um cartão vermelho, algo que também sucede aos melhores? Dito de outra forma: será o fair play assim tão determinante para um bom jogador de futebol, de forma a ser preponderante na atribuição de um prémio que deve premiar o talento?
E por favor não venham comparar com as simulações dos jogadores portugueses. As simulações dos jogadores portugueses são um comportamento desleal e que não é, em geral, punido durante o jogo. O comportamento do Zidane, embora reprovável, não é dissimulado – foi à vista de toda a gente, toda a gente viu, foi em frente à televisão, assim como a agressão do Sá Pinto ao Artur Jorge há nove anos, só para comparar com outro jogador que jogava à bola e que de fiteiro não tinha nada. O Zidane e o Sá Pinto erraram e foram punidos por isso. Agora no caso do Zidane por que raio é que um acto irreflectido (e pouco frequente nele, e que deixou toda a gente de boca aberta) haveria de se repercutir num prémio ao seu talento futebolístico?
Tal tipo de opinião parece-me muito português. Em Portugal dá-se um valor excessivo à simpatia. Não importa se o professor é muito competente, se o médico é muito competente: se não forem simpáticos, não prestam. Não importa se a comida no restaurante não tem grande qualidade, se é cara ou se o serviço é mau: se o empregado for simpático e sorridente, perdoamos tudo. Quarenta e tal anos de ditadura e séculos de subserviência deram nisto: somos o país das carinhas larocas. Nada disto me espanta. O que me espanta é que agora até parece que a FIFA está a ir na conversa. Por pressão mediática. Por correcção política. Por querer parecer bem.
Para mim, o Zidane foi o melhor jogador do torneio.
Imagem roubada ao Kontratempos.
2006/07/11
Sem tatuagens, sem bandelette, sem cabelo

«A Inglaterra caiu pela quinta vez consecutiva num desempate por penalties, depois de confirmar que toda a sua arrogância era puro marketing— como tantas coisas outras entre as vedetas inglesas e as suas insuportáveis wags. Restaram, pois (alguém tinha de restar...), a Alemanha, após um jogo mortal de chatice contra a Argentina, e a Itália, em mais uma exemplar demonstração de cinismo. E a França, essa sim, a excepção à regra geral e ao que até aí tinha feito. Em minha opinião, a França fez contra o Brasil o melhor jogo de um candidato ao título que eu vi neste Mundial. Pouco importa se foi uma ressurreição fugaz (mas já ensaiada contra a Espanha) ou um assomo de categoria e orgulho ferido de uma Selecção a quem já haviam feito o obituário. O que sei é que— e muito embora, o meu coração, como o de quase todos os portugueses torcesse pelo Brasil— não tardei a mudar de campo, assim que comecei a ver a displicência estéril do futebol brasileiro face à vontade e superior categoria dos franceses. Ronaldinho estreava a sua nova bandelette e havia, nos meninos de ouro do Brasil, muita preocupação com os penteados, a amarração dos cabelos, as tatuagens e a cor das botas— toda essa parafernália de acessórios que caracteriza as vedetas futebolísticas de hoje. E foi então que, lá do Purgatório onde o imaginavam em definitivo repouso, emergiu Zinedine Zidane— sem tatuagens, nem bandelette, nem sequer cabelo— para assinar com caneta de ouro o livro de memórias que ficará deste Mundial e resgatar, mesmo antes de dizer adeus aos estádios, a honra e o fascínio do futebol.»
Miguel Sousa Tavares, A Bola
2006/07/10
Triste despedida
O novo Sá Pinto

Ninguém conhecia este discreto jogador do Marselha (mas que na verdade vem de Boulogne-Sur-Mer na Picardia). Pela discrição, pela humildade (e pela fotografia) parece mais o Pauleta... Mas é combativo e corre que se farta. Está em todo o lado. Para mim era o maior símbolo e a melhor imagem da equipa lutadora que foi a França deste Mundial. Ontem, admito que estava a torcer por ele. Foi substituído ingloriamente (como o Henry), porque o seleccionador francês não quis logicamente tirar o Zidane. Depois foi o que se viu.
2006/07/09
2006/07/08
Obrigado Filipão!
Graças ao Nelson aqui vai o vídeo com a interpretação das palavras de Scolari durante o jogo. E aqui vai o meu obrigado ao sargentão. Pode ter uma reputação de duro, mas este vídeo vai contribuir para que seja visto de outra maneira. Mostra o seu lado humano. E antes um treinador que diz permanentemente Ai minha Virgem Maria do que um (como António Oliveira) de cuja boca só saem (literalmente) caralhadas.
Boa sorte, Scolari, Cristiano Ronaldo, Figo, Pauleta e companhia.
Falta de tempo
Entre a escrita quotidiana (por razões profissionais), as conferências a preparar (escrever os dois seminários sobre temas diferentes, reservar passagem de avião e alojamento), o projecto a submeter, os seminários a assistir e (neste momento é mesmo nas horas vagas) a investigação a fazer, nem tenho tido tempo para o blogue. Melhor (e ainda bem, por um lado): nem tenho tido tempo para pensar que não tenho tido tempo para o blogue...
2006/07/06
Déjà-vu

Um email escrito aos amigos:
L’histoire de la participation du Portugal à cette Coupe du Monde est bien connue. C’est le sommaire de l’histoire récente du foot portugais. On a gagné aux Pays-Bas sans une grande difficulté. On a éliminé les anglais dans les penalties, et une autre fois le gardien de but Ricardo était l’héros. Finalement, dans la semi-finale, nous étayons éliminés par les français avec un penalty très douteux (inexistant, je dirais), converti par Zidane. Toujours la même histoire (il faut encore trouver pourquoi). Je devrais déjà connaître ça... Nous sommes connus comme «les plongeurs», mais hier Henry a démontré qu’il même sait bien comment faire ça. C’est dur, avoir la réputation d’être «les dissimulateurs» et finalement voir ça. Ici tout le monde croit que le penalty ne serait pas signalé s’il était contre la France.
J’ai rappelé les statistiques toujours contre les hollandais et les anglais, mais la statistique joue toujours contre nous avec les français. La statistique ne faille pas… jusqu’un jour!
Maintenant j’espère que la statistique fonctionne une autre fois avec les italiens, et vous, les français, serez les vainqueurs. Vous avez éliminé les espagnols, les brésiliens et les portugais. Vous méritez. Bonne chance!
Salut de Lisbonne.
2006/07/05
La fábrica lisboeta
Extracto de um artigo do El País de hoje:
El responsable de la cantera del Sporting explica la filosofía del club,del que proceden 9 de los 23 jugadores de Portugal"Figo llegó aquí a los 12 años: era frágil, débil, pequeñito; muy responsable y equilibrado. Cristiano Ronaldo vino a los 11: era alto y delgado, más vivaz y extravertido pese a ser originario de Madeira, donde los chicos son más introvertidos". Así eran de niños las dos principales figuras de Portugal. O así los recuerda Aurelio Pereira, responsable de la cantera del Sporting de Lisboa, de donde proceden 9 de los 23 elegidos por la selección de Luiz Felipe Scolari, es decir, casi la mitad. "Con Figo hubo que trabajar poco, sin sobresaltos, porque siempre fue muy maduro. Con Cristiano, al tratarse más de un niño de la calle, tuvimos que ofrecerle un acompañamiento mental", dice este entrenador de 58 años que ha pasado 35 en el club lisboeta.
Desde hace cuatro años, el Sporting presume de unas instalaciones a la última en el barrio de Vasco da Gama, a las afueras de Lisboa. Dispone de siete campos de entrenamiento y acoge a 50 chavales residentes de fuera de la capital y a otros 130 de Lisboa o alrededores. "El Sporting siempre tuvo vocación formadora. Toda la vida. Y la construcción de una academia mejoró las condiciones de trabajo". A Pereira le sorprendió el estirón que dio Figo a los 14 años. "Nosotros no metemos nunca a los niños en los gimnasios. Es importantísimo dejarlos crecer con naturalidad. Ese es uno de los secretos para que todos nuestros jugadores desarrollen carreras muy largas. No conozco a ningún jugador con un rendimiento tan estable como Figo", sostiene Pereira, orgulloso de que todos los capitanes de las distintas selecciones lusas provengan del Sporting. "Empezando por Figo en la absoluta, los capitanes de la sub 16, sub 17 y la sub 21 con Quaresma". Eso es debido, según Pereira, a la educación que reciben en la academia sportinguista. "Lo primero es que los niños tengan calidad. Primamos la técnica y la velocidad. Y lo acompañamos con un trabajo mental".
En este sentido, Pereira se siente especialmente satisfecho del penalti que le marcó Cristiano Ronaldo a Inglaterra en el último lanzamiento de la tanda desde los 11 metros. "A los 17 años, Cristiano jugó muy bien contra el Inter. Los periodistas le preguntaron si estaba contento y el respondió que no, que no había hecho nada. Estamos hablando de un chico de 21 años que a los 18 años fichó por el Manchester. Esa es una de las claves. Exportamos jugadores muy jóvenes a Europa y con una gran calidad mental. Eso los hace grandes competidores". Pereira echa la vista atrás y se acuerda de otro futbolista notable amamantado en la escuela sportinguista: Paolo Futre. "Lo entrené cinco años. Era un niño rapidísimo que siempre iba directo hacia la portería. Si viera ahora entrar a otro Futre de 11 años por esa puerta...".
No hay un caso similar en ninguna de las grandes selecciones europeas. La fábrica sportinguista echa humo. Los otros siete jugadores de Scolari que pasaron por allí son Simao, Miguel, Hugo Viana, Paulo Santos, Caneira, Nuno Valente y Boa Morte. De todos ellos, la evolución que más le ha impresionado a Pereira es la del valencianista Miguel. "Aquí jugaba en el medio del campo, de organizador. Y, de repente, se transformó en lateral derecho en el Benfica".
"No me espantaría si Portugal gana la Copa del Mundo", concluye Pereira.
2006/07/04
O jogo falado de Portugal
Um grupo de surdos a trabalhar na TV Globo conseguiu ler os lábios e decifrar o que diz Scolari durante os jogos de Portugal. O resultado, hilariante, está aqui (via Corta-Fitas).
Há quatro anos, estava eu nos EUA e apesar de não ser surdo conseguia fazer o mesmo com o António Oliveira na Univision (televisão americana para hispânicos). As palavras do Oliveira, garanto-vos, não eram próprias para famílias.
Há quatro anos, estava eu nos EUA e apesar de não ser surdo conseguia fazer o mesmo com o António Oliveira na Univision (televisão americana para hispânicos). As palavras do Oliveira, garanto-vos, não eram próprias para famílias.
2006/07/03
Foram-se os inhos, fica o Lulinha

O meu texto anterior foi escrito a pensar que Portugal iria jogar com o Brasil – e então é que a superioridade moral seria toda perdida (se nos lembrarmos de quem é o presidente daquela república). A superioridade moral contra a França também não existe, e começa a existir uma forte superioridade moral da França contra os blogues portugueses que começam a apresentar entradas como esta, caídas do céu, sem que nada o justifique.
Mas o time dos inhos, o Robinho, o Ronaldinho Gaúcho, o Ronaldinho Gorducho e outros que tais foi bem eliminado pela França e foi para casa. Eu gosto muito de futebol quando é bem jogado, mas não tenho grande paciência para inhos. Gosto de lidar com gente adulta. Do Brasil eu gosto de novelas, samba e bossa nova. Do Chico e do Caetano. E do grande presidente: esse é que não vai para casa. Vai continuar a defender bem as cores do Brasil e da América Latina como o tem feito. Para o André, saudoso do time dos inhos, e que está evidentemente cheio de dorzinha de cotovelinho, eu dedico esta foto do Lulinha.
2006/07/02
Agora é a sério
Primeiro, Portugal jogou contra um regime ditatorial e corrupto. Depois, contra um regime fundamentalista liderado por um fanático. Concluiu-se a fase de grupos contra aquilo a que Mario Vargas Llosa chamou "a ditadura perfeita". Seguiram-se duas monarquias execráveis, passe o pleonasmo. Segue-se finalmente uma república. Profundamente desmoralizada e descredibilizada graças ao seu presidente e ao seu primeiro ministro. Mas uma república, e que república.
Acabou-se a superioridade moral.
Acabou-se a superioridade moral.
2006/07/01
Sob o signo do centenário
No Campo Grande, na Avenida da República, na Avenida Fontes Pereira de Melo, todos os adeptos portugueses seguiam as indicações dos cartazes da marcha "Sporting 100" (que se realizara de manhã, em direcção ao Estádio de Alvalade) enquanto celebravam a vitória da selecção.
Em pleno Marquês de Pombal, a concentração dava-se entre uma série de bandeiras do Sporting e da Fundação Carlos Lopes, que ornamentavam a praça.
Em pleno Marquês de Pombal, a concentração dava-se entre uma série de bandeiras do Sporting e da Fundação Carlos Lopes, que ornamentavam a praça.
Classe

E que dizer da calma com que Cristiano Ronaldo (convém recordar - também formado nas escolas do Sporting) marcou o último penalti, certamente seguro de que concretizaria? E a contrastar com o nervosismo patente nos seus colegas portugueses e ingleses? É aqui que se vê a diferença entre um bom jogador e um fora de série.
O maior
Tão grande como os maiores da Europa

Ao longo dos seus 100 anos de existência, o Sporting contabiliza mais de 80 mil sócios, 5.900 atletas inscritos, 100 atletas olímpicos, nove medalhas olímpicas, 21 taças europeias conquistadas e mais de 13 mil títulos em todas as modalidades.
Mas acima de tudo o Sporting é um clube pioneiro. Pioneiro no eclectismo. Pioneiro nas claques organizadas. Pioneiro na organização desportiva (a primeira SAD). Pioneiro no estádio: o Euro 2004 só se realizou em Portugal porque outros clubes "não podiam ficar atrás" do Sporting, que decidira independentemente (e primeiro que todos) construir um estádio novo. Pioneiro na construção da academia de futebol.
Podemos não ser mais, mas somos aqueles que toda a gente quer imitar. Toda a gente quer ser como os sportinguistas. Todos os clubes querem ser como o Sporting.
Tenho o maior orgulho em ser do Sporting.
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"Vou ter com meu avô, e ele me dará dinheiro para fundar um clube novo"

«O Sporting Clube de Portugal comemora o seu centenário em 2006 e até na forma séria como contabiliza a sua longevidade revela como é diferente. Alguns clubes contam a sua idade a partir de datas mais remotas, recorrendo à fundação de entidades que lhes deram origem; outros contam como válidos muitos anos de inactividade e de inexistência registados a seguir à data em que foi estabelecida a sua fundação.
É uma questão de critérios, que não são uniformes. Para ser mais «idoso», como outros se dizem, o Sporting poderia ter fixado como data da sua fundação a do Sport Club de Belas (1902) ou mesmo a do Campo Grande Sporting Club (1904), mas não o fez. Nesses dias de 1906 ficou traçado o caminho: futebol sim, mas ecletismo também, correspondendo à vocação atlética multidisciplinar de alguns dos seus fundadores.
Em 1907, D. Fernando de Castelo Branco (Pombeiro) autorizou que o leão rampante do seu brasão fosse utilizado no emblema do Sporting, desde que não fosse sobre fundo azul. «... Não de oiro armado de vermelho em campo azul, como nos Pombeiros, mas de prata armado em preto, em campo verde, como correspondia às límpidas, firmes e esperançadas intenções dos seus fundadores», recorda Jùlio de Araújo. O verde fora, de facto, sugerido pelo Visconde de Alvalade, simbolizando a sua esperança no novo clube.»
Mais aqui.
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