2006/07/09
2006/07/08
Obrigado Filipão!
Graças ao Nelson aqui vai o vídeo com a interpretação das palavras de Scolari durante o jogo. E aqui vai o meu obrigado ao sargentão. Pode ter uma reputação de duro, mas este vídeo vai contribuir para que seja visto de outra maneira. Mostra o seu lado humano. E antes um treinador que diz permanentemente Ai minha Virgem Maria do que um (como António Oliveira) de cuja boca só saem (literalmente) caralhadas.
Boa sorte, Scolari, Cristiano Ronaldo, Figo, Pauleta e companhia.
Falta de tempo
Entre a escrita quotidiana (por razões profissionais), as conferências a preparar (escrever os dois seminários sobre temas diferentes, reservar passagem de avião e alojamento), o projecto a submeter, os seminários a assistir e (neste momento é mesmo nas horas vagas) a investigação a fazer, nem tenho tido tempo para o blogue. Melhor (e ainda bem, por um lado): nem tenho tido tempo para pensar que não tenho tido tempo para o blogue...
2006/07/06
Déjà-vu

Um email escrito aos amigos:
L’histoire de la participation du Portugal à cette Coupe du Monde est bien connue. C’est le sommaire de l’histoire récente du foot portugais. On a gagné aux Pays-Bas sans une grande difficulté. On a éliminé les anglais dans les penalties, et une autre fois le gardien de but Ricardo était l’héros. Finalement, dans la semi-finale, nous étayons éliminés par les français avec un penalty très douteux (inexistant, je dirais), converti par Zidane. Toujours la même histoire (il faut encore trouver pourquoi). Je devrais déjà connaître ça... Nous sommes connus comme «les plongeurs», mais hier Henry a démontré qu’il même sait bien comment faire ça. C’est dur, avoir la réputation d’être «les dissimulateurs» et finalement voir ça. Ici tout le monde croit que le penalty ne serait pas signalé s’il était contre la France.
J’ai rappelé les statistiques toujours contre les hollandais et les anglais, mais la statistique joue toujours contre nous avec les français. La statistique ne faille pas… jusqu’un jour!
Maintenant j’espère que la statistique fonctionne une autre fois avec les italiens, et vous, les français, serez les vainqueurs. Vous avez éliminé les espagnols, les brésiliens et les portugais. Vous méritez. Bonne chance!
Salut de Lisbonne.
2006/07/05
La fábrica lisboeta
Extracto de um artigo do El País de hoje:
El responsable de la cantera del Sporting explica la filosofía del club,del que proceden 9 de los 23 jugadores de Portugal"Figo llegó aquí a los 12 años: era frágil, débil, pequeñito; muy responsable y equilibrado. Cristiano Ronaldo vino a los 11: era alto y delgado, más vivaz y extravertido pese a ser originario de Madeira, donde los chicos son más introvertidos". Así eran de niños las dos principales figuras de Portugal. O así los recuerda Aurelio Pereira, responsable de la cantera del Sporting de Lisboa, de donde proceden 9 de los 23 elegidos por la selección de Luiz Felipe Scolari, es decir, casi la mitad. "Con Figo hubo que trabajar poco, sin sobresaltos, porque siempre fue muy maduro. Con Cristiano, al tratarse más de un niño de la calle, tuvimos que ofrecerle un acompañamiento mental", dice este entrenador de 58 años que ha pasado 35 en el club lisboeta.
Desde hace cuatro años, el Sporting presume de unas instalaciones a la última en el barrio de Vasco da Gama, a las afueras de Lisboa. Dispone de siete campos de entrenamiento y acoge a 50 chavales residentes de fuera de la capital y a otros 130 de Lisboa o alrededores. "El Sporting siempre tuvo vocación formadora. Toda la vida. Y la construcción de una academia mejoró las condiciones de trabajo". A Pereira le sorprendió el estirón que dio Figo a los 14 años. "Nosotros no metemos nunca a los niños en los gimnasios. Es importantísimo dejarlos crecer con naturalidad. Ese es uno de los secretos para que todos nuestros jugadores desarrollen carreras muy largas. No conozco a ningún jugador con un rendimiento tan estable como Figo", sostiene Pereira, orgulloso de que todos los capitanes de las distintas selecciones lusas provengan del Sporting. "Empezando por Figo en la absoluta, los capitanes de la sub 16, sub 17 y la sub 21 con Quaresma". Eso es debido, según Pereira, a la educación que reciben en la academia sportinguista. "Lo primero es que los niños tengan calidad. Primamos la técnica y la velocidad. Y lo acompañamos con un trabajo mental".
En este sentido, Pereira se siente especialmente satisfecho del penalti que le marcó Cristiano Ronaldo a Inglaterra en el último lanzamiento de la tanda desde los 11 metros. "A los 17 años, Cristiano jugó muy bien contra el Inter. Los periodistas le preguntaron si estaba contento y el respondió que no, que no había hecho nada. Estamos hablando de un chico de 21 años que a los 18 años fichó por el Manchester. Esa es una de las claves. Exportamos jugadores muy jóvenes a Europa y con una gran calidad mental. Eso los hace grandes competidores". Pereira echa la vista atrás y se acuerda de otro futbolista notable amamantado en la escuela sportinguista: Paolo Futre. "Lo entrené cinco años. Era un niño rapidísimo que siempre iba directo hacia la portería. Si viera ahora entrar a otro Futre de 11 años por esa puerta...".
No hay un caso similar en ninguna de las grandes selecciones europeas. La fábrica sportinguista echa humo. Los otros siete jugadores de Scolari que pasaron por allí son Simao, Miguel, Hugo Viana, Paulo Santos, Caneira, Nuno Valente y Boa Morte. De todos ellos, la evolución que más le ha impresionado a Pereira es la del valencianista Miguel. "Aquí jugaba en el medio del campo, de organizador. Y, de repente, se transformó en lateral derecho en el Benfica".
"No me espantaría si Portugal gana la Copa del Mundo", concluye Pereira.
2006/07/04
O jogo falado de Portugal
Um grupo de surdos a trabalhar na TV Globo conseguiu ler os lábios e decifrar o que diz Scolari durante os jogos de Portugal. O resultado, hilariante, está aqui (via Corta-Fitas).
Há quatro anos, estava eu nos EUA e apesar de não ser surdo conseguia fazer o mesmo com o António Oliveira na Univision (televisão americana para hispânicos). As palavras do Oliveira, garanto-vos, não eram próprias para famílias.
Há quatro anos, estava eu nos EUA e apesar de não ser surdo conseguia fazer o mesmo com o António Oliveira na Univision (televisão americana para hispânicos). As palavras do Oliveira, garanto-vos, não eram próprias para famílias.
2006/07/03
Foram-se os inhos, fica o Lulinha

O meu texto anterior foi escrito a pensar que Portugal iria jogar com o Brasil – e então é que a superioridade moral seria toda perdida (se nos lembrarmos de quem é o presidente daquela república). A superioridade moral contra a França também não existe, e começa a existir uma forte superioridade moral da França contra os blogues portugueses que começam a apresentar entradas como esta, caídas do céu, sem que nada o justifique.
Mas o time dos inhos, o Robinho, o Ronaldinho Gaúcho, o Ronaldinho Gorducho e outros que tais foi bem eliminado pela França e foi para casa. Eu gosto muito de futebol quando é bem jogado, mas não tenho grande paciência para inhos. Gosto de lidar com gente adulta. Do Brasil eu gosto de novelas, samba e bossa nova. Do Chico e do Caetano. E do grande presidente: esse é que não vai para casa. Vai continuar a defender bem as cores do Brasil e da América Latina como o tem feito. Para o André, saudoso do time dos inhos, e que está evidentemente cheio de dorzinha de cotovelinho, eu dedico esta foto do Lulinha.
2006/07/02
Agora é a sério
Primeiro, Portugal jogou contra um regime ditatorial e corrupto. Depois, contra um regime fundamentalista liderado por um fanático. Concluiu-se a fase de grupos contra aquilo a que Mario Vargas Llosa chamou "a ditadura perfeita". Seguiram-se duas monarquias execráveis, passe o pleonasmo. Segue-se finalmente uma república. Profundamente desmoralizada e descredibilizada graças ao seu presidente e ao seu primeiro ministro. Mas uma república, e que república.
Acabou-se a superioridade moral.
Acabou-se a superioridade moral.
2006/07/01
Sob o signo do centenário
No Campo Grande, na Avenida da República, na Avenida Fontes Pereira de Melo, todos os adeptos portugueses seguiam as indicações dos cartazes da marcha "Sporting 100" (que se realizara de manhã, em direcção ao Estádio de Alvalade) enquanto celebravam a vitória da selecção.
Em pleno Marquês de Pombal, a concentração dava-se entre uma série de bandeiras do Sporting e da Fundação Carlos Lopes, que ornamentavam a praça.
Em pleno Marquês de Pombal, a concentração dava-se entre uma série de bandeiras do Sporting e da Fundação Carlos Lopes, que ornamentavam a praça.
Classe

E que dizer da calma com que Cristiano Ronaldo (convém recordar - também formado nas escolas do Sporting) marcou o último penalti, certamente seguro de que concretizaria? E a contrastar com o nervosismo patente nos seus colegas portugueses e ingleses? É aqui que se vê a diferença entre um bom jogador e um fora de série.
O maior
Tão grande como os maiores da Europa

Ao longo dos seus 100 anos de existência, o Sporting contabiliza mais de 80 mil sócios, 5.900 atletas inscritos, 100 atletas olímpicos, nove medalhas olímpicas, 21 taças europeias conquistadas e mais de 13 mil títulos em todas as modalidades.
Mas acima de tudo o Sporting é um clube pioneiro. Pioneiro no eclectismo. Pioneiro nas claques organizadas. Pioneiro na organização desportiva (a primeira SAD). Pioneiro no estádio: o Euro 2004 só se realizou em Portugal porque outros clubes "não podiam ficar atrás" do Sporting, que decidira independentemente (e primeiro que todos) construir um estádio novo. Pioneiro na construção da academia de futebol.
Podemos não ser mais, mas somos aqueles que toda a gente quer imitar. Toda a gente quer ser como os sportinguistas. Todos os clubes querem ser como o Sporting.
Tenho o maior orgulho em ser do Sporting.
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"Vou ter com meu avô, e ele me dará dinheiro para fundar um clube novo"

«O Sporting Clube de Portugal comemora o seu centenário em 2006 e até na forma séria como contabiliza a sua longevidade revela como é diferente. Alguns clubes contam a sua idade a partir de datas mais remotas, recorrendo à fundação de entidades que lhes deram origem; outros contam como válidos muitos anos de inactividade e de inexistência registados a seguir à data em que foi estabelecida a sua fundação.
É uma questão de critérios, que não são uniformes. Para ser mais «idoso», como outros se dizem, o Sporting poderia ter fixado como data da sua fundação a do Sport Club de Belas (1902) ou mesmo a do Campo Grande Sporting Club (1904), mas não o fez. Nesses dias de 1906 ficou traçado o caminho: futebol sim, mas ecletismo também, correspondendo à vocação atlética multidisciplinar de alguns dos seus fundadores.
Em 1907, D. Fernando de Castelo Branco (Pombeiro) autorizou que o leão rampante do seu brasão fosse utilizado no emblema do Sporting, desde que não fosse sobre fundo azul. «... Não de oiro armado de vermelho em campo azul, como nos Pombeiros, mas de prata armado em preto, em campo verde, como correspondia às límpidas, firmes e esperançadas intenções dos seus fundadores», recorda Jùlio de Araújo. O verde fora, de facto, sugerido pelo Visconde de Alvalade, simbolizando a sua esperança no novo clube.»
Mais aqui.
2006/06/30
O meu local preferido de Amesterdão

O Museumplein, onde são os Museus Rijks (o principal museu holandês, onde está o Nightwatch do Rembrandt) e van Gogh. É o único sítio que foge verdadeiramente à monotonia. É o único sítio com um mínimo de modernidade e arrojo arquitectónico (aquela encosta de relva que se vê na fotografia acima é exemplar). É o único sítio de Amesterdão que poderia vagamente ser em Paris ou Nova Iorque.
2006/06/29
Roterdão
Ao comparar o arrojo arquitectónico, o contraste entre o novo e o velho e sobretudo a variedade da paisagem que se tem em Roterdão com a monotonia que é Amesterdão, onde é tudo igualzinho - só o Museumplein escapa - concluo que é uma pena que Amesterdão tenha sido tão preservada durante a Segunda Guerra Mundial (isto aplica-se às construções e não aos habitantes). Tivesse sido reconstruída e Amesterdão seria muito mais interessante.(Nota: Eu sei que uma peculiaridade da Holanda é a legalidade das substâncias alucinogéneas, mas garanto que este texto não foi escrito sobre o efeito de nenhuma. O objectivo é somente demonstrar como eu gosto de Amesterdão.)
2006/06/28
As janelas da Holanda
Na Holanda, os prédios têm janelas grandes. Como notava o meu orientador, parece que todos os prédios são construídos em função das janelas. Pode ser para aproveitar bem o sol, num país não muito soalheiro. Algumas das utilidades dessas janelas são óbvias e bem conhecidas (aquelas que têm uma luz vermelha por cima, e senhoras à mostra - senhores, mesmo vestidos de senhoras, se a luz for azul). Mas e que dizer das casas particulares? Casas de família perfeitamente visíveis do exterior, de onde se pode olhar para salas de jantar com pessoas a verem televisão ou a tomarem refeições e, por vezes - garanto-vos - para dentro de quartos de dormir? Tudo sem persianas e por vezes sem cortinas?É uma herança calvinista, sem dúvida. Os holandeses não se confessam, e por isso precisam de demonstrar quotidianamente à sociedade que são pessoas virtuosas. Podem respeitar as liberdades de escolha e de estilo de vida de cada um, mas tal não significa que não o julguem. A "abertura" da sociedade holandesa tem muito que se lhe diga.
2006/06/27
No Vondelpark de Amesterdão
...durante uma partida de ultimate frisbee, um jogo muito engraçado e que eu desconhecia. Mas que requer uma boa preparação física, especialmente se jogarmos com a táctica da marcação homem-a-homem. Tentei marcar jovens de vinte e poucos anos. Está certo que um deles nas horas vagas corre maratonas, mas ainda assim logo se revelou a minha falta de fôlego. O único jogador que eu consegui marcar minimamente foi o meu orientador de doutoramento, com mais vinte anos do que eu. Como com qualquer tipo de jogo que requeira coordenação motora, cedo revelei a minha inépcia: um disco ou uma bola lançados por mim nunca se sabe onde vão parar; a sua localização final é uma variável aleatória. O capitão da equipa, e praticante mais entusiasta da modalidade, dava-nos instruções. No meu caso, e aos outros azelhas, como lançar o disco correctamente: como o segurar, como colocar o braço, a altura a lançá-lo. Éramos jogadores de diversas nacionalidades: para além de mim havia indianos, marroquinos, checos, franceses, holandeses. A maioria deles bons jogadores. Mas ninguém se ria dos azelhas; antes procuravam ajudar-nos a jogar melhor, incitavam-nos e encorajavam-nos. Se fosse em Portugal, se fossem portugueses, à primeira azelhice que surgisse toda a gente se estaria a rir e a humilhar o azelha. A pequenez e a falta de auto-estima do povo português reflectem-se nestes pequenos pormenores. Pequenez na subserviência para com os poderosos e no fazer pouco dos mais fracos. Falta de auto-estima quando muitas vezes outros azelhas se reúnem na risota geral.
Fica a fotografia a documentar um fim de tarde agradável e bem passado com um jogo colectivo, como há muito tempo eu não tinha. Nem sei se alguma vez tinha tido.
2006/06/26
Sai um espelho para O Insurgente
Independentemente da razão que possa assistir o André Azevedo Alves no texto do Nuno Ramos de Almeida (que não contextualizou a frase que abre o documentário), a verdade é que tal não passa de um pequeno pormenor. No global, o Nuno Ramos de Almeida tem razão na sua apreciação. Mas o que é mesmo notável são as considerações que se seguem:
Ou seja, não se deve atribuir nenhuma credibilidade ao André Azevedo Alves... de acordo com o próprio! Será que ele precisa de um espelho?
E fica como mais um aviso para que nunca se caia no erro de atribuir credibilidade a quem é incapaz de se exprimir num registo não propagandístico.
Ou seja, não se deve atribuir nenhuma credibilidade ao André Azevedo Alves... de acordo com o próprio! Será que ele precisa de um espelho?
2006/06/25
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