2006/06/30

O meu local preferido de Amesterdão


O Museumplein, onde são os Museus Rijks (o principal museu holandês, onde está o Nightwatch do Rembrandt) e van Gogh. É o único sítio que foge verdadeiramente à monotonia. É o único sítio com um mínimo de modernidade e arrojo arquitectónico (aquela encosta de relva que se vê na fotografia acima é exemplar). É o único sítio de Amesterdão que poderia vagamente ser em Paris ou Nova Iorque.

2006/06/29

Roterdão

Ao comparar o arrojo arquitectónico, o contraste entre o novo e o velho e sobretudo a variedade da paisagem que se tem em Roterdão com a monotonia que é Amesterdão, onde é tudo igualzinho - só o Museumplein escapa - concluo que é uma pena que Amesterdão tenha sido tão preservada durante a Segunda Guerra Mundial (isto aplica-se às construções e não aos habitantes). Tivesse sido reconstruída e Amesterdão seria muito mais interessante.

(Nota: Eu sei que uma peculiaridade da Holanda é a legalidade das substâncias alucinogéneas, mas garanto que este texto não foi escrito sobre o efeito de nenhuma. O objectivo é somente demonstrar como eu gosto de Amesterdão.)

2006/06/28

As janelas da Holanda

Na Holanda, os prédios têm janelas grandes. Como notava o meu orientador, parece que todos os prédios são construídos em função das janelas. Pode ser para aproveitar bem o sol, num país não muito soalheiro. Algumas das utilidades dessas janelas são óbvias e bem conhecidas (aquelas que têm uma luz vermelha por cima, e senhoras à mostra - senhores, mesmo vestidos de senhoras, se a luz for azul). Mas e que dizer das casas particulares? Casas de família perfeitamente visíveis do exterior, de onde se pode olhar para salas de jantar com pessoas a verem televisão ou a tomarem refeições e, por vezes - garanto-vos - para dentro de quartos de dormir? Tudo sem persianas e por vezes sem cortinas?
É uma herança calvinista, sem dúvida. Os holandeses não se confessam, e por isso precisam de demonstrar quotidianamente à sociedade que são pessoas virtuosas. Podem respeitar as liberdades de escolha e de estilo de vida de cada um, mas tal não significa que não o julguem. A "abertura" da sociedade holandesa tem muito que se lhe diga.

2006/06/27

No Vondelpark de Amesterdão

...durante uma partida de ultimate frisbee, um jogo muito engraçado e que eu desconhecia. Mas que requer uma boa preparação física, especialmente se jogarmos com a táctica da marcação homem-a-homem. Tentei marcar jovens de vinte e poucos anos. Está certo que um deles nas horas vagas corre maratonas, mas ainda assim logo se revelou a minha falta de fôlego. O único jogador que eu consegui marcar minimamente foi o meu orientador de doutoramento, com mais vinte anos do que eu.
Como com qualquer tipo de jogo que requeira coordenação motora, cedo revelei a minha inépcia: um disco ou uma bola lançados por mim nunca se sabe onde vão parar; a sua localização final é uma variável aleatória. O capitão da equipa, e praticante mais entusiasta da modalidade, dava-nos instruções. No meu caso, e aos outros azelhas, como lançar o disco correctamente: como o segurar, como colocar o braço, a altura a lançá-lo. Éramos jogadores de diversas nacionalidades: para além de mim havia indianos, marroquinos, checos, franceses, holandeses. A maioria deles bons jogadores. Mas ninguém se ria dos azelhas; antes procuravam ajudar-nos a jogar melhor, incitavam-nos e encorajavam-nos. Se fosse em Portugal, se fossem portugueses, à primeira azelhice que surgisse toda a gente se estaria a rir e a humilhar o azelha. A pequenez e a falta de auto-estima do povo português reflectem-se nestes pequenos pormenores. Pequenez na subserviência para com os poderosos e no fazer pouco dos mais fracos. Falta de auto-estima quando muitas vezes outros azelhas se reúnem na risota geral.
Fica a fotografia a documentar um fim de tarde agradável e bem passado com um jogo colectivo, como há muito tempo eu não tinha. Nem sei se alguma vez tinha tido.

2006/06/26

Sai um espelho para O Insurgente

Independentemente da razão que possa assistir o André Azevedo Alves no texto do Nuno Ramos de Almeida (que não contextualizou a frase que abre o documentário), a verdade é que tal não passa de um pequeno pormenor. No global, o Nuno Ramos de Almeida tem razão na sua apreciação. Mas o que é mesmo notável são as considerações que se seguem:

E fica como mais um aviso para que nunca se caia no erro de atribuir credibilidade a quem é incapaz de se exprimir num registo não propagandístico.

Ou seja, não se deve atribuir nenhuma credibilidade ao André Azevedo Alves... de acordo com o próprio! Será que ele precisa de um espelho?

2006/06/25

Amsterdam



(Obrigado à Emiéle pela sugestão.)

Amesterdão tem mais encanto na hora da despedida

Estação central

Os holandeses são em geral muito simpáticos, mas não consigo gostar do seu estilo de vida. A comida é horrível. A Holanda tem pequenas vilas/cidades muito bonitas, como Delft e Leiden, mas Amesterdão é uma dessas cidades em grande. É uma vila grande e repetitiva onde no fundo não se passa nada de muito interessante. Não me deixa muitas saudades. Do que terei mais saudades é dos (bons) amigos de diversas nacionalidades que aqui tenho.
O melhor de Amesterdão é mesmo estar a quatro horas de comboio de Paris (oito de autocarro, opção barata e conveniente se se viajar durante a noite).
Vou continuar a falar da Holanda nos próximos dias.

2006/06/23

República Checa e EUA eliminados...

...para grande tristeza do meu orientador de doutoramento e do Lubos Motl (que não tem nada a ver com o meu orientador de doutoramento, se exceptuarmos a nacionalidade, a profissão e o país de residência). Não sabem quem é o Lubos Motl? Ao pé do Lubos Motl, o João Miranda parece um anjinho.

Liberais maoístas (II)

O João Miranda, no seu estilo inconfundível "question and answer", sem margem para dúvidas, respondeu ao Daniel Oliveira. Continuo a achar que o Daniel tem razão e que, quando se lida com regimes como o chinês, é mesmo uma questão de moralidade. Mas a moralidade não tem lugar na ciência do João Miranda, que continua a considerar única a sua solução para as equações diferenciais parciais não lineares, com várias variáveis, e dependentes das condições fronteira. Apesar de tudo isto acho admirável (e verdadeiramente estimulante) a sua persistência em encontrar respostas científicas. Os argumentos de moralidade para ele devem parecer o mesmo que os da Inquisição pareciam a Galileu - daí o João considerar-se um blasfemo. Mas para proceder como um bom cientista, por uma questão de honestidade o João não deveria considerar sempre as mesmas condições fronteira, que variam de pessoa para pessoa, de caso para caso, de sociedade para sociedade. Pode ser que o João um dia encontre as condições fronteira moralistas.
Para além disso, como se vê nas perguntas/respostas, o João sabe distinguir o "por que" do "porque". Não é qualquer um.

2006/06/22

Os anti-americanos e os anti-futebol

A propósito do comentário da Annie Hall ao vídeo dos Simpsons na entrada anterior, ocorreu-me o seguinte. É claro que neste vídeo os autores da série demonstram que não entendem o que é o futebol e nem a sua força. Só que são americanos. Seria interessante saber a opinião sobre este episódio de certa intelectualidade europeia, que despreza o futebol mas ao mesmo tempo detesta os EUA. É que o que vemos no vídeo é mesmo a opinião de muitos americanos sobre o futebol...

O maior país do mundo

Não sabiam? Somos, desde ontem. Vejam aqui em baixo (dica Vistalegre).

2006/06/21

Dans le port d'Amsterdam


Enfin, ils boivent aux dames
Qui leur donnent leurs jolis corps
Qui leur donnent leurs vertus
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se penche le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles


Não sei quantos anos depois, ainda tem toda a razão o Grand Jacques.

Os liberais maoístas

Finalmente uma boa resposta por parte da esquerda ao João Miranda, que o obriga a desconversar: a do Daniel Oliveira no Arrastão. Como não poderia deixar de ser, contém uns remoques desnecessários a Jerónimo de Sousa (desde quando é que o Jerónimo é maoísta?). Também continuo sem compreender por que insiste o Daniel, que deveria saber o que é o comunismo, em chamar "comunismo" ao regime chinês, que de comunista não tem nada. Mas no geral a resposta está muito boa. O essencial está nestas frases:

Se a democracia vem, vai-se a competitividade. A China parte-se em bocados, como aconteceu com a ex-União Soviética, os trabalhadores vão querer o seu quinhão de riqueza e salários decentes, a instabilidade política e social será incontrolável e de dimensões completamente novas. O desmembramento da União Soviética será uma brincadeira de crianças ao lado da queda do comunismo chinês. A China interessa às empresas porque é uma ditadura.

2006/06/20

Novidades blogosféricas (III)

No Aspirina B.

Novidades blogosféricas (II)

O Rui Tavares está de regresso com um blogue gostoso, o Pobre e Mal Agradecido, "o melhor blogue possível de Rui Tavares". Há uma redundância evidente neste lema: é que um blogue do Rui Tavares é sempre o melhor blogue possível.

Novidades blogosféricas (I)

O André Belo mudou o bistrot de Paris para Madison, Wisconsin, EUA, uma terra com muito poucos comboios para uma Gadedelest (eu pelo menos fui lá de autocarro Greyhound). De acordo com a sua descrição, "esta terra tem mais esquerdalhos que a rive gôche de Paris". Parece-me que o André está a entrar no espírito da coisa.
Como será assistir ao Mundial em Madison? Há quatro anos, graças aos fusos horários, os jogos eram ao pequeno almoço (às sete e às nove da manhã). O único canal de sinal aberto que dava os jogos todos era a Univisión, destinado à comunidade hispânica.

2006/06/19

Censuras bloguísticas

Quem também anda em turismo científico é o outro Ricardo. Espero que ele aproveite para promover o nosso trabalho nas paragens longínquas da China, tanto quanto eu o tenho feito na Europa. Mas o testemunho do Ricardo permite-nos recordar algo que não deve ser esquecido. Apesar de todo o ar de "abertura" que o regime chinês procura dar, apesar de em Pequim hoje se ter iniciado um evento como a conferência Strings 2006 (e daqui a dois anos serão os Jogos Olímpicos!), na China ainda não se pode ler um blogue. O Ricardo conseguiu editar um texto no Esquerda Republicana, mas não conseguiu lê-lo no seu próprio blogue. E nem consegue ler nenhum outro.

2006/06/18

Estará o meu corpo a ficar mais velho do que eu?

Ainda há três anos, nos EUA, era capaz de andar a caminhar e conhecer cidades novas por uma semana seguida, a dormir muitas vezes em autocarros, durante as viagens nocturnas de Nova Iorque para Madison (Wisconsin), do Wisconsin para Minneapolis e St. Paul (Minnesota) e do Minnesota para Chicago (Illinois). Agora, após dois dias a caminhar e a conhecer cidades da Flandres (onde estive sem acesso à internet), ao terceiro dia tive de dormir mais. A idade não perdoa.

Itália, 1 - EUA, 1

A primeira grande roubalheira que eu vi neste Mundial. O jogador bem expulso da Itália (deveria ser suspenso por mais tempo) não compensa os dois jogadores expulsos com um critério bem mais discutível dos EUA. E, sobretudo, o golo mal anulado. Mas as superpotências atraem mais público e são sempre protegidas, e os EUA no futebol não são uma superpotência.