2006/06/17

Não estava lá, mas deve ter sido giro

A solidariedade da Cité Universitaire de Paris (comunicado da associação Cap Magelan):

VENEZ SOUTENIR NOTRE SELECCÃO!

Venez assister au match Portugal / Iran le 17 juin prochain à 15h00 au Stade Charléty (75013 Paris), de nombreux cadeaux seront offerts pendant le match. Le stade peut contenir plus de 10000 personnes. Alors venez nombreux soutenir l'équipe du Portugal!

(Attention, seul match retransmis le samedi 17 juin au Stade Charléty)
Stade Sébastien Charléty (13e)
99, boulevard Kellermann - RER Cité Universitaire
Le stade ouvrira ses portes 1 heure avant le début des rencontres.
Entrée gratuite

Information confirmée par la Mairie de Paris le 13 juin 2006

PS : Contrairement à ume première information donnée par la Mairie de Paris, les retransmissions des matchs au Stade Charléty n'ont pas commencé le 9 mais le 13 juin, ce qui a empêché de voir le match Angola Portugal le 11 juin. Toutes nos excuses à ceux qui se sont déplacés et merci aux différentes maison de la Cité Internationale Universitaire de nous avoir accueilli pour voir les matchs, entre Danois, Italiens, Norvégiens, Espagnols, Indiens, Anglais, Brésiliens...

2006/06/14

Onde estão?

Este é um tipo de texto que eu não gosto de escrever; não ando aqui para patrulhar ninguém. Mas já que, enquanto estava no Blogue de Esquerda, várias vezes fui "vítima" dele, aqui fica uma pequeníssima dose do remédio para quem o costuma prescrever.

Uma operação militar israelita contra uma praia na Faixa de Gaza provocou ontem a morte de dez civis palestinianos, entre os quais um casal e os seus três filhos. O ataque provocou ainda 30 feridos. Num outro incidente, morreram mais três palestinianos, o que eleva para 14 o número de mortos em ataques israelitas em menos de 24 horas.


E onde estão as condenações por parte dos blogues de direita? Onde estão eles, que não dizem nada? A única reacção que li, apesar de condenar o incidente, tenta legitimá-lo face à reacção do Hamas. Alguém duvida que se os mortos fossem israelitas, ninguém os calava? Não quererá isto dizer que, para os blogues de direita, uma vida israelita vale muito mais do que uma vida palestiniana?

2006/06/13

Que futuro para a imprensa escrita?

Preocupa-me a situação periclitante do Libération.

O meu dia de Santo António

Ainda mal acabei de colocar as fotos comentadas da Alemanha (onde estive já há duas semanas). Neste momento estou na Holanda, em Amesterdão. Nos próximos dias seguem-se impressões sobre os Países Baixos. Para já, vou dar um seminário esta tarde (eu diria depois do almoço, se esta gente almoçasse como deve ser).

Chauvinismo aveirense

"É uma variação do leitão à Bairrada!"

Spanferkel mit Semmelknödeln und Sauerkraut, um autêntico leitão à alemã

2006/06/12

Outro Filipe de esquerda

Ainda no "Esquerda Republicana" o meu homónimo dá-nos uma visão da televisão portuguesa por quem vive habitualmente nos EUA: «No apartamento onde estou tenho quatro canais: RTP1, 2, SIC e TVI e ainda não vi um jornalista dizer uma coisa inteligente, fazer uma pergunta difícil, preparar-se antes de falar sobre as coisas.» Fala ainda da extrema direita. A ler.

Durão Barroso ganhou o prémio Tuvalu

«Para este ano a escolha do júri recaiu sobre Durão Barroso, presidente da Comissão europeia pelo facto do dito cujo, sobejamente conhecido pelos portugueses, se deslocar diariamente dentro da cidade de Bruxelas com a sua viatura pessoal que é, nada mais nada menos, uma viatura 4x4 de todo-o-terreno (!!!), que gasta mais de 13.2 litros aos 100Km em circulação urbana e que produz, pelo menos, 265g de CO2/km percorrido (sem contar a climatização), ou seja, mais de 60 toneladas de CO2 ao longo da sua vida útil.» (Via o leftista João Vasco.)

2006/06/11

Chauvinismo francês (II)

"Isto é tal e qual Versalhes!!!"



(Na fotografia: Palácio Ducal de Schwetzingen, nitidamente inspirado em Versalhes mas bem mais "maneirinho", menos exaustivo e imperialista, o que é uma virtude. Gosto de uma certa grandiosidade mas Versalhes é um exagero.)

Memórias da Alemanha

Em pleno Mundial da FIFA a decorrer em solo alemão, e no dia de estreia da nossa selecção, deixo-vos com mais umas recordações da minha recente visita a Heidelberg.

2006/06/10

O patriotismo é pagar impostos

No Dia de Portugal, e ao fim de um dia de Campeonato Mundial da FIFA, quando se voltam a ver as tolas bandeirinhas penduradas, é altura de pensar em patriotismo. Sugiro um excerto de uma excelente crónica de Miguel Sousa Tavares no jornal A Bola, na semana passada.

Como já devem ter notado, gosto muito de futebol. Gosto do jogo, da sua lógica e estratégia, que combina o sentido de equipa com o talento individual, da escola de qualidades humanas que o futebol pode constituir pela vida fora.Gosto da paixão, do clubismo, das cores, dos jogadores excepcionais. E gosto de tudo no espectáculo de futebol: os estádios, as luzes, a relva, a estética, a coreografia, os sons e o ambiente. Só tenho pena, uma infinita pena, que os modernos estádios portugueses tenham posto fim àquelas fantásticas roulottes de sandes de entremeada e courato, vinho morangueiro e imperial, em benefício dos assépticos e estúpidos bares inspirados nessa sinistra invenção dos nosso tempos que são os McDonalds e afins.

Mas, para mim, o futebol é apenas isto: um grande jogo, um magnífico desporto e, por vezes, um deslumbrante espectáculo. E nada mais. Não é, nem será nunca, compensação para frustrações alheias à coisa em si, fonte de inspiração patriótica ou motivo de redenção nacional. Eu já adorava futebol quando o Estado Novo usava o futebol para nos distrair da miséria política e cultural em que vivíamos, tentando fazer-nos crer que, por termos aquela fabulosa equipa do Eusébio e seus pares de 66, só podíamos ser um grande país. Eu não irei, pois, pendurar a bandeira nacional na janela de minha casa ou do meu carro nem irei associar-me a imbecis manifestações de patrioteirismo ad hoc, a mando de um seleccionador brasileiro que se convenceu de que nos havia de transformar a todos em súbitos patriotas, à boleia da Selecção. E enjoo só de pensar que a cidadania patriótica vai dar pretexto e fornecer representação àquelas patéticas criaturas do jet-seis nacional para se vestirem com as cores da bandeira e jurarem o seu desvelo pela Selecção-pátria.

Tal como aprendi as ver as coisas, o patriotismo não é arvorar bandeirinhas nacionais às janelas quando do Europeu ou do Mundial. O patriotismo, para mim, é pagar impostos, ser útil à comunidade de alguma forma, servir o seu país, quando se tem ocasião para tal e sem esperar nada em troca.

2006/06/09

Para acabar com certos mitos...

ler o Véu da Ignorância sobre a carga fiscal em Portugal.

2006/06/08

Verificação (após voltar a tirar fotocópias)

Não há nada mais estúpido do que uma fotocopiadora "inteligente" que detecta o tamanho do documento e o assume naturalmente, sem ninguém lho ter dito.

2006/06/07

Boa notícia do dia

...as continuidades do Polga (com metade do vencimento que o Olympiakos lhe oferecia) e do Caneira. Vamos ao Hugo Viana?

2006/06/06

06-06-06

Dei um seminário muito útil, onde me foram colocadas diversas perguntas de grande interesse e onde pude falar com um especialista reconhecido em buracos negros. Seguiu-se um saboroso almoço de peixe na cantina do CEA com colegas. Uma tarde onde tive uma reunião de trabalho com colaboradores e uma conversa que me deu ideias mais claras relativas ao meu futuro profissional. Um fim de tarde consumista: comprei na loja que me tinha sido recomendada a t-shirt com a inscrição "Vodka - Connecting People" (em que "vodka" aparece exactamente com os mesmos caracteres da conhecida marca de telemóveis finlandesa - a t-shirt é uma brincadeira com o seu slogan) e ainda um CD da Juliette Gréco. Finalmente um excelente fricassé de frutos do mar num animado e bem regado jantar rodeado de amigos, na cantina da Cité Universitaire, e uma conversa franca e sem barreiras com um grande amigo.
Isto é que era suposto ser o "Dia da Maldição", do fim do mundo? Venham mais dias assim.

"C'est important qu'il y ait une transmission du combat féministe"

A não perder: a entrevista de Fadela Amara, imigrante de origem muçulmana e fundadora e presidente do movimento laicista Ni putes ni soumises, ao Metro, edição parisiense.

2006/06/05

Quem fica fodido com isto sou eu

Por que raio é que os senhores engenheiros do blogger decidem fazer experiências para introduzir novas possibilidades na publicação (e inviabilizar a ligação ao servidor, fazendo quem tenta publicar perder tempo) sempre mesmo na altura em que eu estou a publicar?

Estará o Peru fodido?


Embora simpatize e compreenda a política de independência nacional (sobretudo, independência em relação aos EUA) que políticos como Hugo Chavez têm vindo a preconizar, não me agrada o tipo de regime que dali tem resultado. Conheço vários venezuelanos. Todos de esquerda. E todos contra Chavez. Que já lá trabalharam e de lá saíram, por se terem manifestado contra o presidente. O controlo da comunicação social do estado é efectivo (mas da mesma forma, a comunicação social privada não é independente e está dominada pelos poderosos grupos da oposição pró-EUA). Mais grave ainda é o controlo dos postos de trabalho do estado e dos sindicatos: quem não apoiar o presidente está em maus lençóis. Por isso, embora não ponha em causa a legitimidade de Chavez (apesar dos truques legislativos dos referendos e plebiscitos e sucessivas revisões da constituição de forma a preservar o poder eternamente, ainda acredito que é apoiado pela maioria do povo venezuelano), prefiro um tipo de solução mais democrática. Tendo eliminado à primeira volta a candidata conservadora, Lurdes Flores, acredito que o Peru fez bem em eleger o seu Lula, Alan Garcia, um político que não estava preparado para ser presidente em 1985, como Lula - reconhecido pelo próprio - não estava em 1989, mas que ainda assim foi eleito, com maus resultados, abrindo caminho à ditadura fujimorista. Espero que desta vez esteja mais preparado e seja bem sucedido.
Quem já leu o extraordinário romance de Mario Vargas Llosa Conversa na Catedral deve recordar-se da esperança que a personagem mais simpática, Popeye Arévalo, depositava no seu partido, a APRA. Popeye bem tentava recuperar a moral do seu melhor amigo e protagonista, Santiago Zavala, o Zavalita, uma metáfora do Peru. A pergunta "em que altura é que eu me terei fodido?" era recorrente, quer em relação ao Peru, quer a Santiago, um homem totalmente descrente fosse no que fosse (e que por isso, depois de um passado revolucionário, não embarcava no entusiasmo do amigo). Embora eu cada vez mais faça a mim mesmo a pergunta crucial do Santiago, ainda quero acreditar em alguma coisa, como o Popeye. Espero por isso que o governo do seu partido, a APRA, seja bem sucedido. E que o Peru não se tenha fodido mais uma vez.

2006/06/04

A verdade inconveniente e a verdade insurgente

Para encerrar esta questão. Sou um defensor das boas traduções, e ao contrário de certos amigos meus eu prefiro ler um livro numa tradução portuguesa, sempre que esta exista. (Neste momento por acaso até sou responsável pela revisão científica da tradução portuguesa de um livro de divulgação de um físico holandês.) Como utilizador do Babelfish reconheço perfeitamente a importância de um bom tradutor, e sei que este precisa saber muito mais do que línguas. Não deveria ter usado a expressão "tradutor" no texto A Verdade Inconveniente; tal não era necessário para reforçar o meu ponto de vista: o facto de o Rui Oliveira estar a emitir opinião sobre um assunto que não domina. Claro que eu também faço isso (e a maior parte dos blogues) e ainda bem; a opinião é livre, e não se tem de todo de se escrever só sobre aquilo em que se tem formação académica! Só acho que, especialmente se for esse o caso (de não se ser especialista na área) um autor deve fazer um esforço de se informar e não estar simplesmente a repetir chavões (noutra altura chamava-se a cassete). Claro que mesmo assim o Rui Oliveira tem o direito de se limitar a repetir aquilo que (do meu ponto de vista) são só chavões; a opinião é livre. Mas por isso mesmo também eu tenho o direito de afirmar que ele se limita a escrever chavões, quando for esse o caso.
Quanto ao julgamento do André Azevedo Alves sobre as minhas "capacidades cognitivas", não me poderia afectar menos. Não me afecta a opinião sobre as minhas capacidades cognitivas de um indivíduo que acha que a fonte suprema de todo o conhecimento é a Bíblia. Os meus conhecimentos não vêm na Bíblia, é um facto. Não sei ao certo quais serão as minhas capacidades cognitivas, mas acho que elas ainda serão suficientes para saber identificar métodos de um fanático obscurantista.

2006/06/03

Ça roule

E para evitar mais alterações climatéricas do que as que têm que acontecer: tous à velo ce weekend (iniciativas semelhantes em Lisboa aqui).

Tradução (para ver se o André Azevedo Alves percebe)

Vamos por partes.
Eu nunca chamei "monge albino" a ninguém. A única coisa que objectivamente insinuei com base nos seus textos (não afirmei) é que o André Azevedo Alves parece ser um simpatizante do Opus Dei (não posso dizer que é, mas qualquer pessoa vê que parece). Pelo menos o seu proselitismo é bastante evidente. Também nunca afirmei que O Insurgente é "dominado" seja por quem for. Parece-me óbvio logo do título que o meu texto O bem e o mal segundo André Azevedo Alves é destinado única e exclusivamente... ao André Azevedo Alves, e a mais nenhum colaborador do Insurgente. O André Azevedo Alves é que pelos vistos gosta de se confundir com O Insurgente. Se for este o caso, é com ele e com os outros colaboradores; não tenho nada a ver com isso. Mas talvez seja por isso que ele se deu ao trabalho de responder a um outro texto meu, A Verdade Inconveniente, onde é referido (e apenas marginalmente) um texto de um outro colaborador de O Insurgente, o Rui Oliveira.
E que diz o André Azevedo Alves? Basicamente conclui do facto de que sempre houve e continuará a haver alterações climáticas que não há nada que possamos fazer para as evitar ou não provocar. Ou seja, repete a máxima climatérica (já defendida pelo Rui Oliveira e pela generalidade dos blogues liberais) que o homem não pode alterar ou evitar um destino pré-estabelecido e inexorável. (Para o André Azevedo Alves, por exemplo, tal é tão claro como Deus ter criado Adão e Eva.) E parece querer afirmar que quem não defende isto está a defender o outro extremo: que só o homem pode influenciar o clima e que todas as catástrofes climáticas são causadas pelo homem. É assim: não há meio termo. Nada que não estejamos habituados na direita republicana (e ainda mais nos fãs de Ann Coulter): quem não está com eles, está contra eles.
Em nenhuma altura eu defendi que as alterações climáticas são da exclusiva responsabilidade do homem. O autor do texto original, o Rui Oliveira, sendo tradutor deve ser especialista na interpretação de textos, pelo que leu bem o que eu escrevi.
Sobre o Rui Oliveira queria prestar aqui o seguinte esclarecimento. Não o conheço e se sei que é tradutor é através de um texto por ele publicado no Insurgente (e com que eu concordei), no qual defende o fim de privilégios corporativos de certas classes profissionais, dando o exemplo da sua própria classe.
O que eu quis afirmar ao chamar "tradutor" ao Rui Oliveira era que não lhe reconhecia nenhuma especialização para falar sobre o assunto das alterações climáticas. E baseei essa minha "falta de reconhecimento" no seu texto original, Alterações Climáticas, que me pareceu - e continua a parecer - bastante fraco, pelas razões que expus. Mas não queria ofender nem o Rui Oliveira, a quem costumo reconhecer honestidade intelectual, e nem... a classe dos tradutores! Se foi esse o caso, peço desculpa.
Finalmente quero reiterar que esta minha opinião não é (infelizmente...) para ser generalizada a todos os textos sobre alterações climáticas que se lêem nos blogues liberais. Embora discorde totalmente desses textos, reconheço que alguns têm uma argumentação boa, mesmo se desonesta ou parcial. O caso mais paradigmático são os textos do João Miranda no Blasfémias. Por não esperar que toda a gente se lembre de tudo o que eu escrevi, recordo (no segundo parágrafo deste texto) a minha (muito boa, mesmo discordando de todo) opinião sobre os textos do João Miranda em geral (que belo marxista que ele daria). Refutã-los requer (ao contrário, lamento dizê-lo mais uma vez, do texto do Rui Oliveira, que se limita a repetir chavões) uma grande preparação e uma grande dose de paciência, algo que como aqui referi foram reveladas por exemplo no Klepsydra.